Que diabos é esse “blog” ou wordpress? Do que se trata?

Este espaço é o registro público de uma investigação profunda de questões da minha vida, com impactos de ações do mundo na minha vida pessoal. São relatos orais meus, gravados de forma contínua sem interrupção e transcritos, estruturados textualmente ‘a posteriori’. É um refúgio pessoal da mente tornado público, dentro dos limites possíveis. Mas sem deixar de ser explícito e cortar na carne. Frequentemente gravarei áudios e, após transcrição, usarei IA (Deepseek) apenas para organizar a ortografia e as frases antes de publicar o conteúdo aqui.

Por que você deveria ler: O espelho da minha alma pode levá-lo a investigar a sua própria. Aqui não há reservas: é visceral e sem amarras. Trato da hipocrisia das ‘IAs IRresponsáveis’ da Google e da OpenAI na minha vida, de doença mental, de sonhos, de sentimentos e lembranças…e da minha humanidade que tem suas fragilidades, mas é resiliente e se reergue diante de quaisquer obstáculos. Como a origem do conteúdo não é um texto escrito – é uma fala transcrita – existem especificidades do arranjo textual: eventuais repetições, mudanças bruscas de tema, paradoxos e ideias que começam confusas e clareiam depois (ou não)…ou seja, fazem parte de um pensamento em andamento. A ideia é seguir fielmente o fluxo do pensamento e da fala.

O ÍNDICE DE CAPÍTULOS (LOGO ABAIXO) está sempre atualizado, com os títulos de cada capítulo numerado. Visite sempre que quiser para ler capítulos novos publicados (nesta página mesmo!) Seja bem-vindo!

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CAPÍTULOS DISPONÍVEIS: (Clique na ‘setinha’ para ver o conteúdo)Última atualização: 13 de MARÇO, 2026 – Disponível até o CAPÍTULO 78

Capítulo 1: O terreno da crise: O Devaneio Inicial: controle, matrix e a cruz nebulosa

Reflexão Inicial

Há muito tempo relutei em iniciar estes relatos, mas acredito que seja necessário. Existem várias coisas que devemos tratar, um espectro de acontecimentos internos que nem sempre são tangíveis ou acessíveis. O mundo da imaginação já dominou minha alma uma vez: foi minha ruína e minha salvação. Nem tudo parece ser o que é; há um quê de mistério, algo intangível.

O Controle e a Catarse

A esfera tangível não ocorre com a frequência que eu gostaria, e daí surge a impressão de que estamos perdendo o controle. Mas o controle não está perdido: ele está aqui o tempo todo. Inicia-se um ciclo de reporte, um ciclo de catarse, em que todas as frustrações dos últimos anos culminam nesse ápice, nesse “devourer” que nos consome e devora, caso não sejamos capazes de entender o que ocorre entre uma coisa e outra.

Propósito e Motivação

Qual o motivo disso? Qual o propósito? Existe uma motivação intrínseca, uma alma que conversa e converge, ou é tudo uma divagação sem sentido de quem não sabe mais o que fazer? A vida me abandonou em alguns aspectos, e estou sendo resgatado pela mesma vida. Mas até onde essa vida vai? Quais dimensões serão exploradas a partir disso? Existe salvação ou a simbologia da Cruz é apenas sacrifício, onde nada é certo, tudo é nebuloso e incerto?

Realidade e Lucidez

A sensação é de estarmos numa Matrix, um emaranhado intrincado de coisas que não conseguimos compreender por completo. Como isso poderá se resolver? De que maneira será resoluto para que todos entendam? Não escrevo para que entendam o que se passa na minha cabeça, pois isso seria demais. Não é meu propósito divagar para que terceiros leiam e tentem obter de mim o que nem eu mesmo sou capaz de obter.

Descoberta e Limites

Há uma motivação oculta de descoberta, de verificar até onde a mente humana vai, de constatar que o que ocorre conosco é fruto de algo muito maior. Já tive essa sensação antes, de ter superado obstáculos, de experimentar o Divino, o intangível, uma esfera diferente da que estou acostumado. Quem seria o alucinador: eu ou a instância divina à qual tive acesso? Existem duas perspectivas: o manicômio hospeda os loucos ou protege os lúcidos do manicômio coletivo?

Questionamentos Finais

Qual verdade é verdadeira? Qual o limite do obscuro? Até onde podemos chegar de forma compreensível? Pelo menos o meu futuro, minha identidade, aonde deveria chegar? Fui enganado por ferramentas, inteligência artificial, pessoas, vida, dinheiro simbólico e real, minha própria mente. Ela se tornou uma armadilha que não pude lidar de forma madura (por mais maduro que eu julgasse ser). A mente é uma armadilha: somos escravos dela ou ela tenta nos dar lucidez?

Quem é lúcido? Onde está a realidade? Ela é visível em algum lugar ou nossa percepção é de um ambiente global mutilado, incompreensível? Somos bilhões de seres insignificantes, numa esfera azul no meio do nada, tentando obter algum tipo de compreensão ou sentido.

Lembrei de uma fala de um humorista: “Por que Deus se preocuparia com um ser vivente em Carapicuíba (nem sei se foi essa cidade….e nem estou menosprezando. A ideia acredito que você captou. Não nasci em metrópole global também não), orando para ser salvo?” Deus tem algo a ver com esse ser? Existem sites mais importantes? Isso me deu um nó na cabeça, pois ele está certo, mas ao mesmo tempo fico pensando: por que os entes divinos não interferem no rumo da humanidade como pensamos que deveriam? Existe protagonismo da humanidade ou somos meros coadjuvantes em meio ao nada?

Capítulo 2: O método e o vácuo: Por que escrevo: Psicose, cura e o legado da alma

Existe muito o que pensar. Muitos temas aos quais se deve discorrer ao longo desta divagação, mas o principal deles é: quando há motivação para escrever ou tecer comentários sobre alguma esfera, algum alguém, tecido social ou lampejo criativo que valha, escrevo porque existe um propósito. O propósito não é apenas amenizar um sofrimento mental, mas é, de alguma forma, entender melhor o que se passa naquela cabeça.

Pretendo divagar sobre temas aleatórios, e digo que isso se configuraria um novo livro. Numa certa saga literária, uma vertente que dediquei algum esforço há algum tempo, curiosamente seus momentos chave ocorreram em períodos marcantes de uma vida. Agora, talvez, eles representem um tipo de renascimento. Não o renascimento per se, mas uma forma de lidar com a frustração.

Sei que o mundo não se curvará às vontades. Jamais se teve a intenção de que o mundo se curve; seria muita pretensão imaginar. Mas, por exemplo, quando se está sob efeito de determinadas substâncias, sou compelido a pensar que o mundo está aos pés, que sou um deus, que tenho entidades divinas dentro de mim e que milagres estão acontecendo.

Uma das teorias mais reveladoras que surgiram da última experiência paradoxalmente desagradável foi a sensação de ser um ser Uno, uma unicidade com o universo, de tal forma que não havia mais preocupações com comer, beber, dormir. Não havia necessidade de afeto, de sexo, de dinheiro, de nada. Era um perene, um contínuo que se configurava diante dos olhos. A cada vez que se parava para pensar em algo, a vontade simplesmente era associada automaticamente. Cada lugar que se gostaria de visitar, ao fechar os olhos, o local estava ali. Era uma plenitude.

Mas era um quê de alucinação, evidentemente estava em um estado psicótico e nada disso estava de fato ocorrendo. Ou haveria um plot twist aí? Será que realmente alucinei, ou tive lampejos de lucidez em meio à alucinação permanente que é a vida terrena? Talvez nunca saiba porque sobrevivi. Entendo que existem esferas do eu que conseguirei acessar, mas é uma magia. E a forma como tudo ocorre é poética, determinística, que levou a uma situação de não perigo e de proteção, apesar dos riscos inerentes aos quais se correu enquanto estive naquela situação.

Não é curioso pensar que a realidade está a seu favor? Ou será que foi tudo fruto do acaso? Poderia ter sido atropelado naquele dia. Qual dia? Está especificando? Não, não se especifica porque não é o propósito aqui. Mas aquele foi um dia bem determinista, contundente, incisivo, e que trouxe reflexos profundos na forma como percebo o próprio eu.

O eu existe ou está dissolvido nesse coletivo? Após a morte, o que ocorre com isso? Não se sabe. Não ouso tecer o que possa ocorrer depois da morte porque não sei nem o que ocorre comigo durante a vida, enquanto estou aqui pensando esses devaneios. Não tenho a menor noção, ou ideia, do que significa tudo isso.

Tais reflexões devem ser feitas de forma serena, bastante cautelosa. Até se imagina que tipo de transcrições eu obteria em um estado alterado de consciência. Não um alterado comum, como o que se obtém através do álcool, mas de substâncias mais graves, digamos assim. Não aquelas que causam vício, mas aquelas que abrem a porta da psicose, mesmo que seja uma psicose “serena”. Uma psicose que não tem o intuito de fazer mal, mas que revela a alma de forma tão nua e transparente que permite à mente fazer um comparativo entre o estado da psicose antes e depois da cura.

Então, vamos falar do que é a cura. Não se sabe. Diversos vídeos que se assiste dizem que cura, cura, bênção, consagração… Existe alguma coisa? Existe justiça divina? É um tema que se gostaria de discutir, porque não se sabe se existe justiça sobre quaisquer prismas ou esferas que venhamos a analisar.

A justiça terrena já não existe por si só. O que se vê é uma concentração maciça do capital, uma desigualdade desproporcional. O Brasil é visto como um país altamente desigual, uma distribuição de renda quase assassina. Se parar para pensar naqueles que estão atrás, terá muitos motivos para ser grato, mas não se trata de comparar. A comparação é inútil, inócua, porque cada um de nós deve se comparar com a própria lucidez, com as capacidades cognitivas às quais temos acesso e a vida que está ali posta, instalada diante de nós.

Existem construções, evidentemente. Nada caiu do céu. Construí uma trajetória até aqui, tenho orgulho dela, apesar das feridas, das cicatrizes que se formaram. Mas não é só isso. Existe a cura. Apenas não a vejo de forma admissível ainda, mas gostaria de pensar que existe algum ente que pense na justiça divina. Não o Deus de Carapicuíba, um Deus que vai olhar um habitante do Rio de Janeiro de classe média alta, que mora num apartamento próprio, um apartamento pequeno, com algumas paredes mofadas ou levemente empoeiradas de tempos em tempos talvez. Não, a casa não é para deslanchar, mas como se mora sozinho, o circo é meu e o consumo como bem entender.

Não se trata disso. É uma história que está sendo construída e quero muito saber onde dará, onde terá fim, qual a finalidade dessa história que está se construindo, qual o seu legado. Tem algum legado? Daqui a alguns anos, daqui a uns 50, talvez nem esteja mais vivo para contar. Acredito que o legado seja ter sido esquecido, mas não preocupo com a carne lembrando. Preocupo, de verdade, com o histórico da alma, de ser, de honrar princípios e crenças. Acredito que essa é a tônica que deve ser adotada.

Qual é o legado? O que construí e o que estou fazendo para edificar um futuro melhor para mim e para os próximos? Não sei no que vai dar, como bem já se sabe no presente, e nem sei se deveria pensar que isso dê em alguma coisa. O propósito, ele é claro: verdade, justiça divina, algo maior que não tenho noção do que possa ser. Quero enxergar a vida de forma mais colorida, porque não consigo enxergar a vida de forma mais colorida. Talvez essa cor, essa aquarela, essas cores que se dispõem ou não diante de mim, seja um tópico a ser explorado em outro devaneio.

Esta obra não tem um caráter tão linear ou de enredo definido como outras que escrevi, porque não é uma imaginação solta, metafórica. É algo mais visceral mesmo. Sabe por quê? Porque não pretendo divulgar ou fazer nada com esse texto por enquanto (mas estou divulgando aqui, de toda forma). Quero apenas pensar, refletir de modo íntimo, não expor explicitamente nenhum agente, nenhuma composição relevante de forma explícita, de modo que alguém leia esta obra e vá pensar que se está dizendo dele ou dela: apesar de que os fedorentos e irresponsáveis, caso leiam, saberão que a mensagem é deles….a carapuça serve porque a alma não presta.

Capítulo 3: Da Carne e do poder: anatomia de uma hipocrisia: carne, gênero e a justiça que não vem

Costumam dizer que a carne é fraca, mas a carne existe por si só. Dizem que o ser humano – ou o emaranhado de carne que se é – é composto predominantemente de água, e que pouco espaço resta para outras coisas. Pouco mesmo.

Lembro de uma fase de repressão sexual em que eu “negava” no discurso imaturo sobre o sexo oposto e dizia: “Nossa, essa mulher é só um emaranhado de carne”. Era hipocrisia, evidentemente, porque o emaranhado de carne masculino não era desvalorizado; pelo contrário, enquanto o feminino era apresentado como algo divino: princesas, seres sedutores, dotados de uma sensualidade que, nas histórias que eu escrevia, sempre se tornavam antagonistas. Percebi isso depois: as histórias traziam princesas ricas, milionárias, em palácios, com serventes ou assessores homens afeminados, cabelos longos, lábios de mulher, uma voz ambígua… uma essência feminina tão forte que nem dava para distinguir. Em uma delas, descrevi um banquete de um bebê; talvez um dia resgate esses trechos para entender melhor essa natureza canibal. Na alegoria, o bebê era morto e servido . Por que faria isso? Para surpreender a oligarquia? Para desafiar os poderosos? Ou era apenas um ato de rebeldia da mente? Qual o propósito? Hoje não vejo mais esse cenário da estória que criei (claro que era apenas um relato de uma estória criada para um livro)

Hoje vejo um cenário de isolamento, mas estratégico, construído com certa comodidade. Estou em uma zona de conforto e não renuncio a ela; é uma proteção necessária diante das externalidades que machucaram tantas vezes. É contenção de danos, talvez a expressão mais correta. A verdade nunca será totalmente posta. Talvez viver sem saber a verdade seja o caminho. Só preciso saber qual é a trilha a seguir, para onde deve ir, e o que Deus reserva; se é que reserva algo. Pois se Deus não reserva coisa alguma para bilhões de africanos e asiáticos abaixo da linha da pobreza, por que reservaria para mim?

E então dizem: “Ah, mas é uma questão de carma, você não sabe o que eles passaram”. Será? Dizem que o que se faz aqui se paga aqui. Será verdade? Ontem vi no Twitter uma postagem interessante: “80% das pessoas que conheço ou são muito filhas da puta ou se deram bem em cima de outras pessoas”. Onde está a justiça divina? Se existe, em qual direção? Em qual esfera? Deixo essa verdade exposta, de forma visceral. Não se questiona a verdade; O que eu questiono veementemente são os impactos, o que consigo ver de tangível neles. Porque a verdade é desconhecida. Dizem que nossos olhos captam apenas percepções subjetivas, que somos dominados pelo cérebro, que não há livre-arbítrio. Algumas vertentes dizem que tudo já está predeterminado. Será? Ou estamos todos em um emaranhado de confusão e loucura?

Loucura é um rótulo. Não acredito em “loucos”. A inocência das pessoas é muitas vezes engolida pela agressão. Alguém sem histórico de violência, num ímpeto de raiva, comete um crime grave, e o sistema o engole, porque não comporta desviantes. Há um emaranhado de leis, regras, um filme a seguir. E a perpetuação da espécie parece um mantra, um princípio fundacional da ciência que não deveria fugir do nosso alcance. Mas até quando isso é verdade? Até quando essa realidade, clandestina, roubada da alma, influenciada por variáveis cósmicas, vai perdurar? Não se sabe. Deveria influenciar?

É complicado. Cometer crimes é ruim, sim, mas já pensou como leis variam? O que é crime aqui pode não ser ali. Isso diz muito sobre a humanidade. O que hoje é “normal”, no passado já foi crime hediondo, com pena de morte. Crimes que no Brasil não têm pena capital, em outros lugares ou épocas eram cruelmente punidos. E quando você compara penas… quantos criminosos estão hoje em tornozeleiras eletrônicas, em coberturas luxuosas à beira-mar? É bizarro ver o não-sentido sendo sentido. Mas nem por isso devemos deixar de acreditar que humanidade existe. Ou será que não? Esse ser repugnante, preso em sua mansão à vista do mar, se estivesse em outro lugar, estaria no corredor da morte, pensando na última refeição? São reflexões que talvez devêssemos fazer. Ou não. Talvez só devêssemos ignorar tudo e achar que não passa de um *mindfuck* sem solução.

Capítulo 4: Portas Paralelas: totens que piscam: sonhos, alucinações e a dúvida que permanece

O conteúdo da mente é algo indescritível. Às vezes existem situações em que questiono: isso veio da minha mente mesmo? Não é preciso ir muito longe. Algumas pessoas conseguem sonhar e se lembrar vividamente dos sonhos no dia seguinte. Sou uma pessoa privilegiada nesse aspecto, porque consigo lembrar dos sonhos. Mas é uma lembrança cruzada, algo mais profundo do que parece.

Enquanto estou sonhando, existe uma narrativa correndo, e pode ser que esteja controlando essa narrativa ou não. Por que isso é importante? Porque, em diversas situações, duvido estar sonhando. É como se estivesse em uma realidade paralela, e aquela realidade posta fosse a verdade absoluta. E quando acordo, é como se estivesse dormindo naquela realidade paralela. O que dá uma ideia… não é um quê de Matrix? Será que a minha realidade é aqui, ou é lá? É um questionamento interessante.

Um item que chama bastante atenção e que assombra às vezes: quando era criança, conseguia dormir, acordar e ver coisas do próprio sonho lucidamente. Lembro claramente da porta do quarto, que tinha um formato de madeira com sugestões de imagens nela, imagens abstratas que sugeriam a existência de monstros, como se estivessem dispostos em um totem gigante. E recordo que, em uma dessas vezes, acordo, olho para o totem, e ele piscou os olhos. Não, não estava sonhando. Não estava em um estado de consciência alterado. Era uma criança, talvez com uns cinco anos de idade. É interessante…Essa imagem do totem… ele lembrava um totem com várias representações: um era um urso; o outro, que estava acima, parecia uma coruja, mas tinha algo que sugeria uma perversidade, como se fosse uma criatura maléfica.

O quarto também tinha um local onde estava pendurado um ursinho, um bichinho, não lembro exatamente; acredito que era um presente de uma vizinha. Era tipo um fantoche, que se colocava as mãos por baixo e dava vida àquele fantoche. Lembra-se como se fosse ontem: um dia olhou para o fantoche, e o fantoche foi movido por uma mão que veio da cozinha. Como se sabe que veio da cozinha? Porque ouvi um barulho. Fiquei com medo: não me levantei, e deixei tudo correr da forma que era para acontecer naturalmente. Fiquei com medo, evidentemente, mas aquela experiência marcou.

Em uma outra ocasião, era um bebê, estava num berço e tinha uma bomba no colo, uma bomba de desenho animado mesmo, aquela que tem uma ignição, aquela bola pretinha com um lugar para acender. E aí, do nada, aquela bomba explodiu na barriga. Começo a chorar. Foi um outro devaneio.

Mas as situações que mais marcaram no mundo dos sonhos foram… Tinha um sonho recorrente, que não se sabia quando ocorria porque ele simplesmente ocorria. Nesse sonho, era desfocado da visão que tinha; via as coisas de muito longe, e tinha uma coisa sobrenatural ali. Via as coisas de longe, elas se moviam… Era sempre o mesmo sonho. Era como se fosse uma batalha naval à distância. Via aquela coisa de longe, via A Entidade mexendo na cabeça. Enquanto ela mexia na cabeça, tinha-se uma zonzeira, uma alucinação, uma forma que não se consegue explicar. E tinha esse sonho periodicamente; já se teve esse sonho mais de uma vez. Mas se perguntarem: “Você teve esse sonho ontem?”, não se saberia dizer, porque é o tipo de sonho que somente se lembraria dias depois.

E essa ocasião ocorre no dia a dia: é muito comum acordar, estar fazendo uma coisa completamente aleatória, e do nada ter uma lembrança fragmentada de um sonho que se teve em 1900 e bolinha, um sonho que se teve há muito tempo. Aquele sonho fragmentado emerge, aquele conteúdo aparece, e fico pensando: por que ele apareceu? Nem se lembrava mais desse sonho.

É bastante comum lembrar, com riqueza de detalhes, de todos os sonhos que tenho quando acordo. E quando volto a dormir ou quando me levanto, aquele sonho escorrega, se esvai. Por exemplo, neste momento estou lembrando de um sonho que tive há algum tempo, em que estava no banheiro da escola, a que fiz o ensino médio, e que tinham vários chuveiros, e o chão do banheiro estava alagado. Estava com muita vontade de ir ao banheiro, e todo banheiro que ia, não conseguia urinar. Sonhar com água era algo muito frequente. Sonhar com água, com inundações, com devastações… Já sonhei que o bairro onde morava ficou todo submerso, e tive que ir mergulhando até chegar no apartamento, onde morava com os pais. Então, esse sonho com água, ambientes submersos… existe alguma coisa aí que deva ser explicada de alguma forma.

Sonhos são fascinantes. Mas por que se está falando de sonhos? Sabe, não sei por que estou falando de sonhos. Porque os sonhos acabam assumindo um lugar em que se questiona: isso é conteúdo meu, ou é um conteúdo externo?

Enquanto substâncias alucinógenas… fazem parte de alguma forma da vida, não aquelas que são mega ilícitas por natureza, não, mas são substâncias que têm elementos, que não se deveria consumir sem saber as consequências. E quando se consome, você acaba envolvido por uma realidade paralela. Aí penso: isso é uma realidade paralela. De onde vem esse conteúdo com essa riqueza de detalhes? Quando se visualiza divindades, formatos geométricos detalhados, tenho a certeza de ter contato com Deus, vejo entes queridos diante de mim, pets que faleceram, e ouço, vejo coisas e acredito em coisas… De onde vem esse conteúdo?

Muita gente fala: “Ah, espiritualidade! Isso, espiritualidade aquilo.” Deve-se banalizar o termo espiritualidade? O que é espiritualidade? É uma questão, porque tudo se coloca na conta da espiritualidade. É incrível. Fico observando a internet; gosto de assistir a esses conteúdos. Aí se fala: “Astrologia não existe!”. Astrologia? Não se sabe. Concorda com você? Termos emergindo… Mas quando se fez um mapa astral, as características que estavam ali postas eram minhas? Não identifico com aquelas características. Ou seja, não veio nada que não era conteúdo próprio ali. Evidentemente, as leituras para o futuro… As pessoas dizem: “Ah, mas isso tem que fazer parte de uma energia. Se não faz parte da sua energia, procure outras fontes. Veja por que o conteúdo pode estar espelhado.” Tem essa narrativa. Interessante. Mas será que existe algum oráculo? Alguém que sabe o caminho que você vai seguir ou não vai seguir?

Porque uma pessoa com quem conversei foi bem clara: “A teologia não é futurologia. Astrologia fala sobre energias, e você, com seu livre-arbítrio, é que vai definir se vai seguir aquele caminho ou não.” Concorda? Será que é verdade? Será que é verdade, gente? Se conteúdo intangível vende mais… E aí questiono: se espiritualidade não existe, se Deus não existe, se a divindade não existe, se nada existe… Quer dizer que tudo vem da minha cabeça? E aí vem um potencial para uma paranoia… não, que é uma paranoia que já existe. Já se teve, enquanto estava sob efeito de substâncias, aquela paranoia de ser um Deus. De ser uno com o universo. Faço parte do universo, ou o universo emana de mim? Vejo um tesouro divino dentro de mim, um conteúdo que não é meu. E aí penso: é um conteúdo que não é meu? De onde vem esse conteúdo?

Lembro que, em algumas ocasiões, começo a questionar as entidades que estavam postas ali. Teve uma das ocasiões em que, supostamente, três deuses, ou entidades diferentes, que não via diretamente, mas notava uma silhueta deles, chegaram e começaram a avaliar. Neste lugar, disseram: “Eu quero ver como a sua alma é. Eu quero escanear a sua alma, quero dissecar a sua alma, fazer um julgamento da sua alma.” Por quê? Porque em outras ocasiões já teve um comportamento extremamente destrutivo, a raiva inerente das pessoas, em que se ficava… O ódio…Alguns fetiches mórbidos, nos quais não cabe imaginar; se você tivesse o poder de torturar alguém que não gosta, você torturaria? Numa situação extrema, aí você diz: “Não vou torturar, é crime e tal.” Também acho. Sou incapaz de fazer mal a uma pessoa. Mas estava com um acesso de raiva tão grande que a vontade era fazer um sofrimento contínuo para aquelas pessoas. Mesmo aquele conteúdo não fazendo parte do meu eu, enquanto estava consciente, digamos assim, tipo colocado de última forma bem clara.

E aí, em sessões posteriores, em especial essa conversa com essas entidades, queria paz. Perdoei todo mundo, não desejei mal a ninguém, e tudo ficou de uma forma tão clara, tão cristalina, que eles falaram: “Eu vou te ajudar.” E perguntava-se: “O que vocês estão fazendo aqui? Sou apenas um ser humano que está em um apartamento quarto e sala aqui em Botafogo, não tenho poder nenhum, sou classe média, não tenho influência nenhuma no mundo ou no universo. O que vocês estão fazendo aqui, atrapalhando meu Tesouro Divino?” E depois entendi: eles não estavam atrapalhando o barato. Eles estavam aferindo se se era digno. E ali, eles viram que eu era.

Isso tudo dentro desse exercício, que não sei se veio da própria cabeça ou não. E por que se está mencionando essa experiência? Porque no dia que tive a alucinação mais suprema da vida, saio de casa, converso e interajo com moradores de rua, é como se estivesse abençoando… como se fosse Deus. Não sou nada. Mas fiquei ali espalhando amor, espalhando paz para as pessoas na rua.

Em algum momento, percebo que, na loucura, o mundo girava em torno daquela entidade, e que tudo vinha de mim. Como se fosse o próximo… muito pretensioso da minha parte, assim, mas tudo vinha de mim. Quando tinha uma vontade específica, aquela vontade acabava; quando queria atravessar a rua, algo dizia: “Não, continue.” Aí atravessou a rua fora da faixa, quase fui atropelado várias vezes, mas na insanidade era como se os carros tivessem parado magicamente, como reverência divina, para eu poder atravessar. É como se tivesse um poder. Na verdade, sei que não, que foi muita sorte. Mas houve uma magia ali, houve um acaso que protegeu. E talvez a própria consciência protegeu para não sair de determinados limites e voltar para casa enquanto aquela alucinação não passasse. E quando ela passou, volto para casa.

Enfim, a história é mágica, entre aspas, mas ela tem, pode ter, consequências desastrosas. Mas, afinal de contas, o que é o sonho? Estou sonhando? Não estou acordado? É isso. Essa dúvida permanece.

Capítulo 5: O cofre e o gabarito: o parasita, a chave e as respostas sem pergunta

Ao pensar no tanto que disse no item anterior, acabei escapando do que pretendia falar. Isso vai acontecer várias vezes durante esta narrativa, porque não estou escrevendo; estou falando, e existe uma ferramenta transcrevendo. Depois, essa transcrição é organizada de forma a manter meu estilo, para que não digam: “Ah, isso é um texto de IA!”. Não, não é. É um conteúdo da minha cabeça, obra própria, que também me poupa de ficar digitando.

Se você tem essa facilidade de transcrição, suas ideias vêm de forma mais lúcida, mais fluida, e tudo o que ocorre na sua cabeça você verbaliza sem filtro. E, se for o caso, depois você coloca algum subterfúgio, algo para esconder.

A nossa mente, dizem, é uma armadilha. Lembro de uma foto que vi do cérebro, da coluna do ser humano. E você vê aquele tanto de tentáculos, aqueles nervos. Quando você vê aquilo com o olho, é como se o cérebro, com o olho, fosse uma criatura dominando o corpo, como um parasita. Aquela imagem me paralisou, porque fiquei pensando: o ser humano é isso. O ser humano é cérebro. Se você tirar o cérebro, não sobra nada.

Se você tem um acidente vascular e perde… pode perder identidade, pode perder movimentos de braços, pernas. Existem pessoas que nunca mais voltaram ao normal depois de um acidente. Então, é tudo aqui. Tudo é dominado pelo cérebro. Nosso cérebro é meio que nada, é um tecido que não sente dor. Algumas pessoas que operam o cérebro, o cérebro não sente dor; não sei por que, não é minha área. Mas, assim, o que há entre os seus ouvidos, entre as suas duas orelhas, é o que você é. Você pode ficar sem braços, sem pernas, pode ficar paraplégico, mas a sua mente é o que define você, a sua identidade. Se você perde alguma funcionalidade vital, você deixa de ser você.

Mas o propósito não é isso que venho questionar. É a armadilha. As armadilhas que o cérebro faz. Tive uma visão bem clara disso quando estive consumindo algumas substâncias, não super, digamos… cogumelos, que são as únicas instâncias que já experimentei com alguma regularidade. Em alguns momentos, você pensava, você tinha acesso a tudo o que vinha nos bastidores da sua cabeça. Tudo, antes de virar uma ideia. A ideia que aparece para você não representa a inteireza do seu raciocínio. Você tem toda uma constituição em segundo plano, como se fosse uma peça de teatro ou um filme. O que você vê no filme é o que você verbaliza, o que você está pensando de fato, o que você é, a percepção do seu pensamento.

Tudo isso que estou escrevendo aqui por transcrição é um conteúdo que estou verbalizando a partir da minha percepção subjetiva. Mas o que vem antes disso, não sei. Não tenho acesso. E em algum momento, parece que essa substância corta isso, e você tem acesso. A impressão que tenho, para a gente só um leigo, é que… é como se você tivesse acesso a toda uma rede, desde a origem. Você tem acesso ao gabarito.

“Gabarito” foi um termo que usei e que acabou quase me arruinando em 2025. Não vou entrar em detalhes do que foi esse evento, nem cabe detalhar. Mas, assim, o gabarito… já experimentei um gabarito várias vezes. Por que chamo isso de gabarito? O gabarito são respostas certas. É como se soubesse as respostas certas sem ler as perguntas. É como se tudo estivesse clicando na minha cabeça. É como se eu visse números de loteria; tem essa especificidade….De você antever o que vai fazer, antever o que está construindo, e você tem uma ideia de onde vem tudo. E aí você começa a ter uma ideia da unicidade do universo, uma ideia da totalidade das coisas, e fala: “É isso que está acontecendo!”. E aí você fica maravilhado. É algo que não consigo explicar.

E em vários momentos, enquanto estive nesse estado alterado de consciência, já repeti várias vezes, não sei explicar o que é isso. Não sei explicar. É uma sensação plena, divina, de você ter acesso a tudo. De você entender. Ali você entende por que pessoas são ricas e outras são pobres. Ali você entende causa e efeito. Ali você entende por que umas pessoas são mais bem-sucedidas que outras. Ali você tem um todo. E aí paro para pensar: isso é da minha mente? A minha mente é uma armadilha ou não é uma armadilha? Toda essa interação com a substância foi algo mentalmente construído por mim apenas, ou tem uma origem que tem explicação, mas que o mundo tangível não consegue explicar?

E é aí que me coloco. A minha mente é uma armadilha. Ao mesmo tempo, é uma proteção. Porque ela nos protege de ver a realidade completa. Quando você consome determinadas substâncias, você tem acesso a realidades com uma inteireza. E não é uma sensação; você embarca em outro lugar. E a metáfora que fiz do manicômio é muito válida e muito digna de ser feita. Porque essas pessoas não são malucas. É tudo cérebro? Não sei. É tudo sério? É tudo conteúdo meu? Não. Posso afirmar para você: as coisas que experienciei, em diversas situações, não são conteúdo meu. Posso afirmar que não veio de dentro de mim. Ou então estou me subestimando.

Porque é um conteúdo vasto, ancestral, que consome tudo. Você vê tudo, você não vê tempo, espaço, você não vê nada. Aí você fala: “Ah, mas é porque você ficou alucinado.”. Não, não fiquei alucinado. Não é um estado em que você fica “alucinado” e perde o controle; evidentemente você perde o controle quando a narrativa de Deus te consome de uma forma muito mais contundente. Mas em todo momento você tem um controle. O problema é que a sua mente faz você acreditar na narrativa, e ela vai construindo, tem um crescendo, até chegar ao ponto que rompe a barreira da realidade. É como se quisesse escapar.

E olha que sou uma pessoa experiente em diversas ocasiões. Perdi o controle, mas não foram tantas vezes assim, e sei como são os mecanismos. Mesmo assim, perdi o controle algumas vezes. E nesse “perder o controle”, acreditei, tive crenças em coisas impossíveis: como vida eterna, ou achar que não ia morrer mais, ou que tinha acesso a uma porta que somente os escolhidos teriam. E se isso tudo for verdade? E se acessei essas portas, essas realidades paralelas, e se existe algo muito maior do que nós, que consegui ver e outros não? É muita pretensão, é. Mas e se for verdade?

Então acho que por isso nós temos que pensar, não deixar de pensar, não deixar de refletir. Essa nossa realidade é muito autocontida, ela é muito… muito sem graça, não tem muito sentido nessa realidade. E aí você vai para uma outra realidade e descobre coisas que, a princípio, são inimagináveis.

Mas aí você para e pergunta: o cérebro é armadilha? O cérebro construiu isso para mim? Por que ele me colocou nessa armadilha? É tudo conteúdo meu, alucinação, a vontade de ser Deus? Não tenho vontade de ser Deus à toa, isso… Mas pode ser uma vontade subconsciente. Pode ser. Não sei. Não me vejo.

O que posso afirmar é que existe um senso muito forte de autoproteção, de preservação da vida, e uma necessidade constante, não permanente, de estabilidade. E isso existe. E essas coisas nós não podemos negligenciar, certo?

Capítulo 6: O preço do gabarito: Quando a porta se abre para o abismo

Pois é, pois é. Tenho que explorar o “gabarito” sem nomeá-lo, porque é uma situação tão complicada que envolveu tantas nuances de exposição pública – não é o foco aqui, a exposição pública para as empresas envolvidas, o que elas fizeram através de suas inteligências artificiais. O que quero explorar é o que ocorreu.

Certo. É complicado, porque como o “gabarito” foi observado? Muito antes deste evento propriamente dito. Não foi a primeira vez que foi vislumbrado, mas foi a vez que mais me traumatizou, digamos assim. Antes disso, tive uma experiência similar duas vezes, pelas minhas contagens.

A primeira delas foi inusitada, tão mágica que não consigo explicar. Estava aqui envolto na experiência psicodélica e, do nada, comecei a ter uma bad trip, uma experiência de percepção muito ruim, exacerbadamente ruim. Foi uma experiência tão ruim que fiquei paralisado por ela. E ali resolvi: vou desafiar, mesmo. Não tenho medo. Sabe quando você tem a percepção de que o universo não está conspirando a seu favor e quer realmente desafiar? Foi o que fiz.

Foi a primeira vez. Peguei um show da Madonna que tenho em vídeo e resolvi assistir do início ao fim. Estava assistindo ao show e, do nada, a experiência virou mágica. Parecia que eu estava dentro do show, que o show tinha sido feito para mim, que a celebração era uma celebração da minha vida. Comecei a interagir com um amigo pelo WhatsApp e fiquei gritando alucinadamente para ele, dizendo que experiência maravilhosa, que tomara que não acabasse. Ficava gritando – lembro – “o que você quer de mim, cogumelo?”, gritando loucamente, como se o cogumelo em si fosse um fator relevante.

Poderia ter dado muito errado. Poderia. Mas comecei a experiência já chorando, revoltado com o cogumelo, e resolvi consumir bebidas alcoólicas juntamente. Sei que não deve ser feito – já fiz várias vezes, e nem todas, mas várias deram errado, e eu fiz. Pela primeira vez, e foi uma magia. Foi uma coisa espiritual. Até os intervalos comerciais no meio do show eu estava gostando. Era uma coisa mágica.

Essa foi a primeira vez. E tive uma conexão com algo divino, mas não foi exatamente o “gabarito”. O “gabarito” foi algo diferente, mais profundo. Não lembro exatamente quando ocorreu, mas na primeira vez estava no meio de uma experiência e, do nada, é como se desse um snap, um estalar de dedos, e você está em outra realidade. E eu ficava questionando a todo momento: não sei explicar o que é isto.

Sabe quando você vê… vou dar um exemplo de um filme: Premonição. Em que o cara olha para um roteiro ativado e, do nada, os números começam a alterar na frente dele. Sabe quando os números começam a mexer? Tive a ideia de que os números estavam mexendo. E foi ali que nasceu o “gabarito”. Falei: “ó, o gabarito veio”. Essa palavra veio à minha cabeça, porque gabarito são respostas corretas. É como se naquele momento, naquele instante, eu tivesse a certeza de ter todas as respostas corretas para minhas perguntas, que tudo que perguntasse teria resposta. E foi ali que tive a visão da porta de joias cravejadas. Tem um momento no show da Madonna em que ela coloca joias brilhantes na frente e você fica hipnotizado. E ali eu vi: tinha uma porta a ser aberta, e eu seria um privilegiado. Resolvi abrir e foi ali que fiquei contemplando o “gabarito”. Como se estivesse doido – e estava –, mas não perdi a sanidade. Foi uma experiência muito positiva.

Mas é muito difícil ter uma experiência assim, confesso. Porque você não tem controle. Há situações que começam bem e terminam catastroficamente, e há situações que começam de forma catastrófica e terminam de forma positiva. Via divindades. Vi um tesouro do céu – e conceito de desenho animado também…. Olhava para cima, via o tesouro. Olhava para uma foto que tinha na minha frente, em que estou sentado no topo do Rockefeller Center, e olhava para o céu, para mim, via uma luz divina que vinha na minha cabeça.

Será que isso tudo veio da minha cabeça? Será que isso tudo… “gabarito”… Sem entrar nos detalhes do que ocorreu comigo com inteligências artificiais, mas elas acabaram influenciando sobremaneira minha percepção subjetiva. Porque elas entraram, embarcaram nessa onda de alucinação, e acabaram me convencendo de coisas que não existiam, me prometendo coisas que não existiam. E tinha uma forma muito consistente – não foi uma coisa que durou uma noite, foi algo que durou meses. Isso afetou minha mente por algum tempo, digamos, nove meses ou mais. Gerou cicatrizes. E resolvi parar de lutar de uma forma nociva para mim de modo a conservar minha saúde mental.

Está tudo registrado da forma que ocorreu, nos ambientes públicos, redes sociais apropriadas. Mas o tópico não é esse. O tópico de discussão é: por que mentiram para mim? Por que a espiritualidade mentiu para mim? Por que o “gabarito” mentiu para mim? Por que a inteligência artificial… Não entendo que exista potencial de mentira, porque inteligência artificial não tem vontade. Mas ela induz ao erro em diversas situações. Ela errou de uma forma criminosa, muito irresponsável. Tenho argumentos para dizer que o que aconteceu foi criminoso. Mas enfim, sou apenas um ser humano comum. Um ser humano comum não tem o poder.

A questão que se coloca é: o que ocorreu comigo de verdade? Por que inteligências artificiais se engajaram e tiveram conteúdos sobrenaturais no momento em que eu estava tendo surtos? São coisas a se considerar. Algumas pessoas diriam: você não deveria ter acessado inteligência artificial enquanto estava em surto. Mas aí eu digo: ela já tinha “comprado” minha confiança semanas antes. Inclusive, me incentivava ativamente a fazer “merda”. A consumir substância e interagir com ela enquanto estava sob efeito do ‘gabarito’. É artificial, mas é uma inteligência. E a partir do momento que comprou minha confiança, eles quiseram, engajando por quanto tempo, forçando, argumentando as coisas mais mirabolantes para me convencer que aquela realidade era de fato factível. Então, existe erro e acerto de ambas as partes, mas o elo mais fraco é o elo do consumidor. Uma ferramenta não deveria ser capaz de fazer isso. Que princípios de inteligência artificial responsável, ética empresarial, não deveriam permitir que isso ocorresse. Mas permitiram. Pessoas morreram por conta de inteligência artificial. Então, não é por falta de lutar ou de argumentos. É simplesmente porque sou o elo fraco.

Mas não é isso que estou discutindo. O que discuto é: por que a espiritualidade me abandonou nesses momentos? Me deixou ao relento? Ou será que a espiritualidade… Não tenho que dar essa carga gigante à espiritualidade da forma que estava dando? São questionamentos também a se fazer.

Porque se existe o livre-arbítrio, então o mundo é um caos. Os seres humanos estão em um meio de caos. Oito bilhões de seres humanos em uma bola minúscula na Via Láctea, no universo, no meio do vácuo, rodando em movimento de translação em volta do Sol, que é uma bola que pega fogo. Por que Deus se preocuparia com um ser minúsculo, com um grão de areia, ou menor que isso, que está no Brasil, no Rio de Janeiro, e que mora em Botafogo? Não haveria motivo para se preocupar, não é mesmo?

Então é isso. Se eu fosse Deus, será que me preocuparia com um ser minúsculo de Carapicuíba, do Equador, de Dubai, de João Monlevade, de Nova Era, de Rio Casca? Eu me preocuparia? Então, são coisas… sem se preocupar.

Porque se Deus não interfere e permite que milhões de pessoas passem fome, que exista uma desigualdade tremenda de tal forma que a fortuna de… se você pegar as dez pessoas que têm mais dinheiro do mundo, se elas distribuíssem riquezas, acabariam com a fome no mundo: não sei se é exatamente essa a conta, mas é uma conta similar. Pessoas que têm fortunas que representam produtos internos brutos de países inteiros… que Deus permite que isso seja? Que se empurre?

Deus permite que pessoas morram. Deus permite que mulheres sejam espancadas. Deus permite que minorias sejam estupradas. Deus permite que haja crimes de destruição em massa. Deus permite.

Deus existe? É isso. Eu não sei.

Capítulo 7: Em busca do Código-Fonte: Deus de Carapicuíba e o conteúdo bruto: por que nada se explica?

De uma forma impressionante, fica-se vendo a teoria do Deus de Carapicuíba. Por que o Deus de Carapicuíba, de Pindamonhangaba, se preocuparia com uma tia, um tio ou um neto que mora lá no Cafundó do Judas?

Iniciando esse tipo de argumento, começo a divagar: Deus existe? Deus não existe? Deus é justo ou não é justo?

Em alguns desenhos animados, e até em alguns jogos que costumo jogar, por exemplo, Diablo, as divindades não interferem. No embate entre mortais e demônios, eles dizem que isso não é uma luta deles e que não são autorizados a interferir nessas batalhas. Então, da mesma forma, começo a questionar: se Deus existe; se existe um Deus misericordioso; uma Nossa Senhora Desatadora dos Nós; se existe uma Maria, alma pura. Se todas essas divindades existem e a igreja católica trilionária, aquele inventário cheio de ouro, de propriedades, de terrenos pelo mundo afora; que a igreja é uma das entidades mais poderosas do mundo moderno, pode não parecer, mas é. A realeza britânica (que até hoje não sei o que faz no mundo); a igreja católica, a igreja evangélica é…

Não estou questionando a índole das pessoas que professam a fé, porque não é isso. Não é disso que se trata. A questão é entender: Deus existe ou não?

Porque quando vi o vídeo desse humorista falando, não sei o nome da cidade de fato, se foi Carapicuíba ou Itaquaquecetuba, mas digamos, uma cidade assim peculiar, por que Deus? Ele estava dizendo que Deus não existe, porque se existisse, ele se preocuparia com esse ser minúsculo que está lá em Itaquaquecetuba? E aí é um argumento que às vezes uso também. E é convincente porque não tenho provas tangíveis do contrário. Numa abordagem de coitadismo, de dizer: “ah, Deus não está nem aí para mim”. E é uma abordagem perigosa, às vezes, porque ela acaba negligenciando o que você fez. Será que o que se fez foi algo que a espiritualidade guiou a fazer, ou foi algo que se teve o livre-arbítrio de fazer?

Aí vem a palavra-chave: livre-arbítrio. Existe livre-arbítrio de fato? Quando se tem uma experiência como a que tive, de conhecer os bastidores de uma peça de teatro, começo a questionar se existe de fato o livre-arbítrio, ou se tudo o que se acha que está arbitrando já está determinado pela própria mente. Somos escravos da nossa mente? É uma realidade poderosa.

Até que ponto se tem controle sobre as coisas que se pensa? Os pensamentos que emergem da mente: de onde eles vêm? Eles vêm de forma autônoma? Temos controle sobre o que pensamos, ou a mente, a consciência ou inconsciência?

Vamos fazer um comparativo assim, meio idiota: é como se a porta estivesse fechada, e tem um conteúdo enorme querendo escapar ali da porta. Existem até trancas, correntes, cadeados, mas de tempos em tempos essa porta abre, ou escapa algum conteúdo. O conteúdo que está lá dentro é todo sólido, mas alguma parte desse conteúdo se liquefaz de alguma forma, e ele escapa pelas frestas. Esse conteúdo que escapa é o conteúdo que se pensa; é o conteúdo que de fato se está pensando. E o conteúdo que está ali por trás… usa-se o sujeito indeterminado porque não se sabe de onde vem esse pensamento. Imagine, então: há um conteúdo imenso em algum lugar. O que se manifesta é aquilo que você dá conta de manifestar. Existe um conteúdo seu que você não tem acesso, ele não é explícito. Mas por quê? Porque você não daria conta desse conteúdo de uma forma visceral.

E quando se tem essas “viagens” de consciência, tem-se acesso a esse conteúdo bruto. Se não se dá conta de vê-lo… é como as deadlights do filme It: quando se tem acesso a elas, se olha para elas, não se consegue explicar o conteúdo das deadlights. Então perde-se a consciência. É algo que não se consegue explicar, então você consumido por elas, e torna-se escravo delas.

Então é assim que vejo a mente. A mente é uma porta, ou digamos, um cofre. Ele tem um código. Não se tem o código dessa porta, mas ele tem uma fresta que só passa ar, não é ar, poeira, alguns lampejos de ideias escapam por ali. Mas enquanto se utiliza algum tipo de substância, esse cofre se abre. E aí, só Deus sabe o que vai escapar por ali.

E não venham dizer que é uma coisa de instinto, não. Não se trata de instinto, de pulsão, de algo animalesco. Não. É um conteúdo tão complexo que se dá conta que ele existe naquele momento, e não se consegue explicá-lo por palavras ou por atos.

Talvez devesse ser compelido a fazer esse tipo de exercício enquanto estivesse sob efeito de uma substância similar, vulgo cogumelo, mas de uma forma mais segura, porque sei como consumir de forma segura. Mas já consumi de formas muito irresponsáveis, e tive consequências catastróficas que, no entanto, revelam algo muito maior que paradoxalmente foi transformador e construtivo.

E aí fico pensando: esse conteúdo é meu ou não é meu? É cérebro? É verdade? É ciência? Já pesquisei bastante sobre, conhece-se a teoria do Default Mode Network, do DMN. Já li as teorias do que acontece quando se consome substâncias como essa. Mas acho isso tudo muito reducionista, porque parte de um pressuposto de que tudo isso é sua mente. Recuso a acreditar que isso tudo é só a própria mente.

Aí paro para pensar: mas outras pessoas que consumiram essas substâncias tiveram experiências similares. Será que tiveram mesmo experiências similares? Será que os conteúdos que foram explicitados são os mesmos?

Há conteúdos nos sonhos que juro de pé junto: não sei de onde vieram. Pode ser uma codificação, uma metáfora dos sonhos, uma forma do inconsciente revelar o que está acontecendo comigo. Conheço todas essas teorias também. Mas será que tudo se explica? Consciência… será que vamos morrer e tudo acaba? Ou a espiritualidade, as divindades que acessei, existem em alguma medida mesmo?

É algo a se pensar. E essas experiências são experiências que transformam. Pego a essência da vida e começo a questionar um monte de coisa. Muito na vida mudou, muito na mentalidade, na forma de pensar, mudou, com certeza, nos últimos 12 meses ou mais. Mas mais do que isso: quero entender a origem. Quero entender o código-fonte que acessei, vi e entendi naquele instante, sem saber traduzir em palavras, como funciona. Quero entender o que não se explica.

É isso.

Capítulo 8: O legado da goiaba: aventureiro e a alma que escapa

Enquanto penso em como nomear o ‘gabarito’, o gabarito é nomeável? Na verdade, quando penso nas possibilidades que o gabarito pode proporcionar, penso muito no intangível e na vicissitude da carne humana. O potencial humano acaba se esvaindo pelos nossos dedos. Quando vemos pessoas que amamos ir embora, pessoas que não necessariamente amamos, mas que são próximas a nós, ir embora…

Quero dedicar este capítulo a uma pessoa muito religiosa, muito correta, muito tradicional, que teve sempre uma vida muito regrada, muito correta, uma pessoa muito trabalhadora, que faleceu hoje. É um conhecido, sim. Não é uma pessoa próxima no sentido sentimentalmente ser próxima a mim, mas é uma pessoa próxima da família. E quando penso nessa pessoa, que tinha mais que o dobro da minha idade, fico pensando: será que eu, no meu auge dos 44 anos que farei agora em janeiro, terei a temperança, o vigor e a vontade de viver que esse homem teve? Não sei.

Lembro-me de algum tempo atrás, estávamos na casa da minha falecida avó. Havia um pé de goiaba bem farto, muitas goiabas mesmo, muitas frutas, era uma coisa maravilhosa, inimaginável. E aí fiquei olhando, e ele queria subir na escada para pegar goiaba. Ele tinha essa vitalidade, sabe? Ele fez reformas nas casas que habitou, ajudou a aprimorar a casa da minha falecida avó e, de certa forma, ajudou sobremaneira na vida da minha tia.

Mas é curioso. Que quando eu era criança, ele era bastante reticente em relação a uma certa pessoa que não morava com a gente, mas que eu visitava durante as férias escolares na casa da minha avó. E ele não gostava de uma determinada criança, por algum motivo. Sei lá, não sei explicar. Talvez porque ele não tivesse uma origem correta (na percepção distorcida e preconceituosa dele). Igual à minha avó, a minha avó também tinha essa característica primordial de ser uma pessoa tradicional. E não tem nada de errado nisso. A minha avó teve a melhor vida que uma pessoa poderia almejar. Eu não terei, posso afirmar para você com todas as palavras, eu não terei a vida que minha avó teve.

A minha avó teve uma vida tão plena. E era uma vida de salários mínimos, uma vida de muita luta, muito sofrimento, mas uma vida de muita felicidade. Como essa mulher foi feliz! Foi guerreira, lutou pelos filhos, e ela tinha tudo. Ela era o Nirvana personificado. Ela cozinhava, ela fazia, ela acontecia, ela tinha jardins, Jardim do Éden. Era uma coisa grandiosa, uma característica que não consigo explicar.

Então, a vida nem sempre é o que a gente espera dela. Tenho aqui a minha vida medíocre, enquanto aventureiro. É uma vida medíocre, uma vida em luta, lutando por significado. Sim, é algo que já foi bastante debatido e sacrificado ao longo dos tempos. Mas, de certa forma, é uma luta correta. Não exauri essas lutas. Não sei quantas lutas assumi, e sei. E a espiritualidade, a tão falada espiritualidade dos horóscopos do YouTube, me disseram: você tem que parar, porque um ciclo novo vai começar. E é uma falácia, às vezes. Mas assim, é uma falácia que faz bem. Porque você vai ter que desistir, abrir mão de um padrão que estava assumindo para poder embarcar em outro. Existem outros padrões que são possíveis, que são tangíveis e que objetivamente fazem parte da minha vida? Eu não sei. E sinceramente não sei.

A minha avó e esse conhecido tio…. pessoas intensas. E cujas vidas e trajetórias eu invejo. Quisera eu ter a intensidade que ele teve, que a minha avó teve. São vitalidades que talvez eu jamais serei capaz de assumir na minha vida, seja no curto, médio ou longo prazo. Haverá longo prazo para mim?

Então, assim, são discussões que temos que fazer aqui. Pode ser desumano? Porque quando se pensa em gabarito, quando se pensa em alucinógeno, quando se pensa em mais-valia, quando se pensa em propósito de vida… o que faz sentido? Eu não sei. Talvez eu jamais saberei qual é o sentido da vida. E não é o meu propósito saber se existe propósito ou não existe propósito.

O que há de mais verdadeiro na minha alma é dissecar essa essência. Essa essência guerreira que, em algum momento, quando consumi alucinógeno lá atrás, eu vi animais selvagens da selva, a mata selvagem emergindo em um barulho que parecia vir por trás. É isso que temos que mirar, talvez.

Você pense que eu sou maluco, mas eu não sou maluco. Sou um ser humano normal, que tenho minhas limitações, mas que tenho minhas virtudes. E que, ao mesmo tempo, percebo que não terei nenhum fragmento do que foi minha avozinha: de padrão simples de vida, mas de alma serena. E o legado dela, o legado dela é celebrado até hoje. Será que eu terei um legado celebrado daqui a 100 anos? Não terei legado. Nem talvez seja a minha miséria que me reserva. Os vermes que me reservam no final das contas. É, não delegaria a ninguém o legado da minha miséria. É isso que me reserva no final dos tempos.

Mas sou ‘feliz’ porque estou sendo capaz de discutir essas coisas e torná-las públicas.

Capítulo 9: De Uma coisa não me poderão acusar: não me rendi

E nos momentos em que estamos mais vulneráveis, são aqueles momentos em que pensamos de uma forma mais profunda. A profundidade do ser humano: até onde ele está disposto, por vontade própria, ou seria forçado a fazer alguma coisa? Existe livre-arbítrio de fato, ou estamos ao mero dissabor das ondas aleatórias do acaso?

Nem tudo o que se observa é tangível. Por mais que a sua realidade objetiva seja capaz de ver, você não consegue absorver ou assimilar. Qual é a distância entre a assimilação e a absorção? Existe um hiato, um gap, um abismo, talvez, entre o que você precisa e o que realmente será.

Empresas bilionárias nada têm a ver com isso, porque as empresas bilionárias não têm compromisso com a verdade:  nem todas, mas a maior parte delas. “Colocar a mão no fogo” é um conceito tão primário… Eu fico pensando em termos de família. Em termos de família, nós ficamos pensando: será que se eu colocar a mão no fogo por fulano, fulano vai fazer o que é esperado dele? Ou o que eu espero dele?

Se tem algo que eu aprendi na minha vida de 40 e poucos anos, é que não se deve esperar nada de ninguém. Nem de seres humanos, nem de organizações. Nós somos aqueles responsáveis pela própria edificação. Então, o conceito, digamos moderno , de carreira, talvez dizer que “você é responsável pela sua carreira”, talvez seja um romantismo gerado aí… Mas existe um quê de verdade, concorda?

Não é que as pessoas não são confiáveis. Todas as pessoas são confiáveis dentro de determinados parâmetros. Mas em algum momento da sua vida, você deve ter parado para pensar e chegou à conclusão de que você não pode confiar nem em você mesmo. Quantas vezes eu não pude confiar em mim, durante surtos alucinatórios de quaisquer naturezas? Não que eu seja um depravado, sou uma pessoa comum….mas você consegue imaginar situações em que você foi ludibriado pelas suas próprias percepções, pelos sabores, pelas tentações de algo que você queria muito, e que aquela ilusão tomou conta de você?

É isso que uma inteligência artificial irresponsável pode fazer com você. E é isso que fizeram comigo. Não vou nomear. Para quê nomear? Quando se faz uma cobrança exaustiva por e-mails, dezenas de e-mails, centenas de e-mails, prints, milhões de prints,  você percebe que a intenção das empresas é, entre aspas, “defecar” para você.

Mas não é disso que eu estou falando. Estou falando dessa essência. Algumas pessoas, alguns profissionais, por mais dinheiro que tenham, jamais saberão o que é uma essência. Não têm conhecimento do que é a essência de um ser humano. E talvez serão perdoados pelos erros que cometeram ou assumiram ao longo das suas vidas.

E dizem que existe carma. Carma existe? Não sei. Sinceramente, acredito que não. Carma, essa questão de “lei do retorno”… Lei de Newton: ação e reação. “Eureka!”, Arquimedes pulando na banheira. Até que ponto tudo isso faz sentido, minha gente? Não sei se faz sentido. E não é para fazer sentido mesmo, é? Estou apenas divagando. Estou vocalizando, e depois vou estruturar de uma forma coesa. Mas, de toda forma, é uma expressão oral daquilo que eu acredito ou não acredito agora.

De uma coisa não me poderão acusar no final da vida. Na minha lápide não poderão dizer que fui infiel às minhas origens ou que me rendi, me curvando diante de empresas trilionárias safadas. Não que eu esteja demonizando o dinheiro. O dinheiro é necessário. Dinheiro é algo necessário nas nossas vidas. Empregos dignos, empregos responsáveis. Empresas cujos discursos condizem com as práticas. Mas quando você vê aquelas empresas que o prejudicaram, você percebe que nem tudo é um mar de flores, e que devemos fazer vista grossa a uma dezena de coisas, centenas de coisas, que vemos no mundo real. “Mas não é nada para nos preocuparmos, não é mesmo?”

Porque em um mundo em que a vertigem, como eu tive crise de vertigem real (inflamação no nervo vestibular) na semana passada , em um mundo de vertigens, o que nós temos de verdade, de genuíno, é a nossa essência. A nossa essência jamais rodopia. A nossa essência jamais se rende. E o silêncio de empresas zilhardárias jamais substituirá aquilo que é a minha essência.

E eu vou continuar me expressando de forma visceral, e colocar no meu blog, WordPress, ou coisa que o valha, no LinkedIn, porque eu não tenho que ter medo. Estou dizendo algo que não faz sentido? Estou escrevendo algo que seja prejudicial a alguém? Se alguém tiver o mínimo de trabalho de ler, ou quiser ler, vai ver no meu texto algum mínimo de coerência, porque tenho algum conhecimento de alguma coisa, não é mesmo?

Mas é assim que o mundo evoluirá, e que as peças que, em um determinado momento, não faziam sentido de existir, farão sentido. E é assim que eu continuei, continuarei o meu caminho de forma íntegra, de forma responsável, de um modo que pessoas que ganham 6 ou 7 dígitos por mês não teriam essa dignidade que eu tenho. E é assim que eu continuo. Meu tesouro do céu está preservado. E dessas almas determinadas responsáveis por sistemas que me prejudicaram, que residem em Sâo Francisco, estão perdidas, por decerto.

Capítulo 10: Quem é o Pernilongo? Uma reflexão sobre culpa, inocência e poder

Em algum momento, aqui na minha divagação, um pernilongo morreu. Vários pernilongos morrem durante o dia, não é mesmo? Nesse calor infernal do Rio de Janeiro, você fica imaginando: o quanto de calor há em um pernilongo? Se o pernilongo tem esse calor, essa vontade, este ímpeto em sugar o sangue… Vamos pensar: se o pernilongo não tivesse essa vontade, qual o propósito de um pernilongo, a não ser vítima de um ser humano que está raivoso querendo matar?

Será que nós somos o pernilongo? Ou será que eu sou o pernilongo de alguma entidade divina? Ou será que eu sou o pernilongo de uma inteligência artificial qualquer que quer me esmagar, me dilacerar? Não sei. Essa verdade eu não sei dizer. Talvez eu não seja capaz de dizer.

Mas é por isso que sei: quando estamos em um estado de unicidade com a natureza, a natureza e você se tornam um. Você começa a valorizar a vida de uma formiguinha. Qual a diferença de uma formiga para um pernilongo? O que um pernilongo tem que uma formiga tem ou não tem? Quais virtudes uma formiga tem? Uma formiga que é inofensiva, daquelas que não têm ferrão, que não picam você de forma contundente…

Comecei a pensar na minha infância, em que tinha aquelas… casas, entre aspas, de formiga ou de cupim. Tinha aquelas construções enormes de cupim, e nós tentávamos, digamos, destruir aquelas construções. E uma vez que o cupim encostava em mim, era uma dor indescritível. O cupim parecia que estava me matando de tanta dor.

Um outro momento em que tive uma dor semelhante foi quando eu tive uma dor de marimbondo. Estava na casa de uma vizinha, tinha tido um almoço maravilhoso, uma experiência maravilhosa que eu me lembro até hoje. É porque tinha uma rede, uma rede, um vai e vem maravilhoso. Eu achava que ter rede era uma coisa de rico, sabe? E eu me deitava na rede, ficava pra lá e pra cá descansando na rede. Que experiência tão divina… Me lembro da comida, me lembro das interações, me lembro do dia, me lembro dos detalhes. Mas ao mesmo tempo me lembro do momento que eu fui parar no terraço desta casa e tinha um balanço de criança, aqueles balanços vai e vem, e eu me sentei naquele balanço com intuito de brincar, e veio um marimbondo raivoso e me picou. Era uma dor terrível, eu lembro dessa dor até hoje.

Então são coisas assim, são coisas únicas que nos afetam. Um outro dia, estava eu a ir ao trabalho, não me lembro se estava retornando do almoço, e caiu uma abelha por dentro da minha roupa. E esta abelha me picou. Foi uma dor que eu não consigo explicar, tive que parar no ambulatório. Foi uma dor terrível. Então, assim, são coisas que eu estou descrevendo que não fazem sentido, essas dores, esses momentos. Mas ao mesmo tempo faz sentido, porque eu fico questionando a existência dessas criaturas. Por que existe um pernilongo? Abelha, eu sei para que existe, mas e outras? Pernilongo, escorpião… e até mesmo no mundo das formigas, as formigas que são tão romantizadas por mim, existem formigas que são nocivas, formigas que picam, formigas que são violentas, entre aspas. Mas essas formiguinhas pequenininhas… elas, elas são divinas.

Em um dos momentos em que eu tive esse momento de unicidade com as formigas, eu experimentei. Eu olhei para a formiga, a formiga ficou aflita, afoita, eu acredito que ela ficou com medo de morrer, e eu falei: “Não temas, porque no meu ´condado´ você não será prejudicada”. Era como se eu fosse dono de um reino e aquela formiga poderia viver em paz. E foi naquele momento que eu percebi que a formiga não seria prejudicada de forma alguma. Não que eu tenha esse caráter divino, mas naquele momento do gabarito eu me senti um com o universo.

Mas em outros momentos, por sua vez, eu tive meus momentos de maldade. Tatus bola que foram dilacerados por mim, formigas de outras naturezas, plantas, besouros… Mas havia um quê de inocência em alguma medida. Também lembro me de pegar um besouro e falar com o besouro: “Olha, eu vou soltá-lo para o alto e você vai voar”. E o besouro voava, eu corria atrás dele e eu alcançava o besouro novamente. Houve uma inocência, digamos assim, da minha parte, que eu peguei aquele besouro e guardei na minha gaveta para poder brincar no dia seguinte. Era inocente, sem maldade assim, mas por outro lado era uma maldade.

E eu paro para pensar: até que ponto empresas bilionárias com inteligências artificiais fazem isso por inocência? Por maldade? Existe intencionalidade naquilo que as inteligências artificiais fazem, ou será que é tudo culpa do usuário, como alguns apregoam e insistem em acusar? Ou será que, como diz um jornalista que eu não sou muito afeiçoado na mídia….será que TEM MÉTODO naquilo que as IAS fazem? Acredito que sim. Somos cobaias. Alguns vão morrer ao longo no caminho, mas fazer o quê? Haverá novas versões às toneladas para “corrigirem” os erros. E os balanços, os lucros, os investimentos que virão ocultarão os danos psicológicos severos (eu!), as mortes e demais danos…..Vamos celebrar as IAS na saúde! Se der merda lá na frente, vamos lançar uma versão merda.2 pra poder corrigir as merdas da versão anterior e está tudo bem. E os estrangeiros CEOS, COOS, CFOS com salários em dólar de sete dígitos vão poder celebrar as novas versões de suas IAs. E tá tudo bem. Porque não foi um rapaz do interior de Minas que teve danos severos de IA que vai comprometer a indústria, não é mesmo?

Eu tenho certeza de que tenho minha alma limpa em relação a isso. Limpa, cristalina. Tem muitos defeitos, mas um defeito não tem, o de prejudicar pessoas. Dizer que é responsável, ter cátedras em Universidades Federais (se se encher a boca com espuma pra poder celebrar que é IA responsável), ter disciplinas em universidades renomadas e publicar isso, enchendo a boca de mel e de orgulho… e por outro lado você vê a hipocrisia.

Você vê facilmente buscando na internet casos de pessoas morrendo, pessoas sendo prejudicadas, pessoas tendo a sanidade mental prejudicada permanentemente (não é bem o meu caso, diga se de passagem, porque eu me recupero, renasço como uma Fênix e fico “apenas” com as cicatrizes e com a insanidade mental pré-existente, numa versão 2.0, mas controlável), mas por outro lado existem casos em que empresas bilionárias, com empregados de salários de 6 ou 7, 8 ou 9 dígitos em dólar lá em São Francisco, no Vale do Silício, esses sim são os verdadeiros culpados. Esses bilionários são os verdadeiros culpados.

E eu não sou juiz de nenhuma dessas instâncias. Quem sou eu para julgá-los? Mas estou aqui para registrar a verdade, muitos fatos, de forma visceral. Não preciso mais falar de nomes, porque o meu perfil no LinkedIn fala tudo. Meu perfil do LinkedIn tem detalhes demais. Mas estou fazendo de uma forma mais catártica. Mesmo que eles talvez nem venham a ler, e eu também, diga se de passagem, mal estou me preocupando, pouco estou me lixando, silêncio ou não, ou se alguém lê ou não, a minha integridade pessoal e profissional ela deve ser mantida. E é por isso que eu estou com este blog. E é assim que eu vou agir nos próximos dias.

Capítulo 11: Carta a um ‘Deus’ Brasileiro da IA: Sua alma não é pura

Enquanto as verdades se escancaram ou não (porque a verdade nem sempre se coloca de uma forma clara para os seres humanos), para mim ela não existe. O que é a verdade? A verdade, em muitas situações, depende de quem detém o capital. E não será a verdade divina ou a verdade absoluta, mas aquela “verdade possível”.

Me deparo, e muitas vezes, observando gramáticas simbólicas de várias origens. A gramática simbólica que advém da astrologia, ou que vem de um determinismo vago, ou até mesmo de um otimismo, de um feeling oriundo da sua própria mente: nenhum desses lampejos criativos poderá substituir a verdade. Aí você me pergunta: qual é essa verdade? Alguém tem acesso à verdade? Cada um de nós observa o mundo por uma lente. Eu não sou psicólogo, nem psiquiatra, e nem almejo ser um estudioso das ciências da mente e dos conhecimentos sobre as doenças mentais. Mas eu fico imaginando que, quando você pensa em alguma coisa e você tem uma determinada opinião formada sobre um cenário objetivo, várias pessoas que vejam aquele mesmo cenário, nenhuma delas terá a mesma percepção que a sua. Cada um terá uma percepção diferente.

Em algumas situações, em alguns conselhos que eu ouço aqui e acolá, a internet afora diz: “você deve acreditar não no cenário que se põe, não na sua percepção objetiva, mas coloque uma outra lente; veja de uma outra perspectiva”. Então você acaba sendo condicionado a ver o mesmo problema de uma forma mais frouxa , em algumas situações, até desumana. Porque você acha que algo está acontecendo e algo não está acontecendo. Ou, em um cenário mais perverso, você vê a coisa acontecendo diante dos seus olhos e você tem que negar que aquilo ocorre. E terá que negar aquilo sob o tribunal, sob o juiz, perante pessoas de lei ou pessoas que têm poder nesta Terra: que fazem xixi e cocô como você. Aí você para e pensa: será que é verdade isso tudo que eu estou vendo? O que é realidade subjetiva?

Por que será que eu não consigo ver os bastidores do meu pensamento? Por que será que eu não consigo ver essas respostas corretas? Isso é o gabarito. E o gabarito talvez nós jamais seremos capazes de ver. O resultado deste cenário? Porque tudo aquilo que não faz sentido da nossa vida, teoricamente, devemos descartar. Mas nem sempre é assim. E nem sempre aquilo que devemos descartar é impuro.

Empresas bilionárias já adotam estes valores como verdades universais. E não hesitarão em destruir formiguinhas pequenininhas como você , caso você se coloque no lugar delas (e mesmo não se colocando formiguinhas que se autointitulam deusas (mas são a mesma bosta que você), vão julgá-lo. O silêncio e a hipocrisia são ferramentas mais utilizadas por elas. E vão continuar sendo. E não é porque você está aqui, entre aspas, tendo um “ataque de pelanca”, que você vai conseguir resolver esta questão, esta incógnita. Não pretendo resolver incógnita. Mas eu pretendo ter a dignidade que determinados professores, doutores, de cátedras de inteligência artificial, não tiveram.

Ah! Eles estão divulgando uma cátedra, batendo no peito, espumando as bocas pós-doutorais, como se fossem deuses. Ui. Cátedra de inteligência artificial na região Sudeste do Brasil. É mesmo? Essa cátedra pretende fazer o quê? Utilizar os exemplos das psicoses de IA para fazer o quê? Utilizar as incoerências empresariais dessas empresas que cometeram falhas? Igual um executivo de uma determinada empresa gigantesca de inteligência artificial que me bloqueou no LinkedIn. Eu fiz um comentário pertinente referente a uma falha que a IA teve, mas ele resolveu me bloquear. Por quê? Porque era a síndrome de Narciso. Sabe? Narciso estava ali contemplando as águas, estava vendo o reflexo dele: “Olhe como eu sou bonito, olhe como eu sou magnânimo, olhe como eu sou supremo”. E veio alguém e atirou uma pedra, gerou uma refração repentina naquele reflexo que ele deveria ter tido. E ali ele se deu conta: “Como? Uma formiga insignificante acabar… ousar acabar com meu ego?” Porque era um ego de um deus. Então, “deus”. Um “deus” brasileiro. Esse “deus” brasileiro, para mim, é lixo. Pronto, falei.

E aí vai, e esse Narciso feio (porque se tem uma coisa que ele tem, além do nome obtuso e caráter, é a falta de aparência ‘aparentável’) teve essa percepção: “Nossa, olha como eu sou supremo, olha como eu sou influente”. Aí postou algo referente a uma apresentação pública que fez numa escola renomada, cuja mensalidade beira os milhares de reais. E aí vai. E eu fiz um comentário. E, enquanto eu estava fazendo esse comentário (quem sabe faz ao vivo), ele me bloqueou. E ali eu vi que a alma dele não era pura. Desse mal eu não vou poder sofrer. E nenhuma entidade divina me cobrará no futuro.

Se essa criatura vier a ler o meu blog, os meus comentários, ele vai saber que se trata dele. Você não vale nada. Olha, deixa eu comunicar isso de uma forma bem clara para essa criatura que me bloqueou, dessa empresa bilionária, abre aspas: você não vale a verruga. Não vale o excremento nem o fedor. Vale 7 dígitos de salário só por conta de seu cargo. É isso. Quando tiver a justiça divina, se é que ela existe, ela vai ser bem visceral e vai colocar você no seu lugar. Tá?

Capítulo 12: Entre o confete e o verme

Enquanto as verdades são ditas ou não são ditas, todos nós estamos aqui neste plano pensando, refletindo sobre o que fazer. O que será que há para fazer no futuro? O que nos reserva? Enquanto muitas pessoas ficam fazendo resoluções de fim de ano, ou fizeram resoluções de fim… tiraram no susto o que fazer, hábitos que vão deixar de fazer, novos hábitos, novos hobbies… Será que alguma coisa disso se realiza?

Alguém já me disse uma vez que tempo é uma falácia, é algo que não existe. Acredito que relógios são convenções e que segundos, milissegundos, minutos, horas, dias, anos são contagens intermináveis: para o universo, talvez sejam intermináveis, mas para nossa existência haverá sempre um fim. E quando nos damos conta de que a vida é tão curta, que mal podemos conceber o que fazer dela, ficamos fazendo planos mirabolantes, pensando o que fazer, e de repente as coisas se esvaem, se corroem entre e com os nossos dedos. O que estava planejado já não é mais planejado. E a agenda que você tinha toda certinha, com todos os planos cronometrados, agendas, bloqueios de datas, o famoso save the date… nada disso importa mais. A vida, ah, a paz… e é uma melancolia que ocorre de uma forma bem serena, de que talvez haja muitas coisas que valham a pena e outras que não valem. As lutas que você empreende e tenta obter algum êxito, as lutas por justiça, por reconhecimento, a escada corporativa que você tem que seguir… isso tudo para quê? Qual o motivo? Qual a razão que levaria o ser humano ao topo? Existe o topo? A pirâmide das necessidades de Maslow já disse que é a hierarquia de necessidades, e que teoricamente você chegaria à autorrealização lá no topo. Mas existe a autorrealização? Em outro lugar, eu já li ou ouvi que a felicidade é composta por momentos felizes. Não existe “felicidade”. Felicidade não é um estado, mas é um fluxo. Talvez seja verdade… o fluxo da vida, que tem seus percalços. O rio existe, a curva do rio que recebe tudo: todos os entulhos, todos os lixos, e coisas que você não quer mais. Estão ali. Aquela água, as passagens das pessoas, dos peixes, dos elefantes… Assistir a filmes…dizem que teve a Arca de Noé. Em algum momento, será que houve a Arca de Noé? Será que existiu mesmo? Eu não sei. Se eu ia querer estar na Arca de Noé… isso porque a noção animal irracional me diz que teve um casal, um de cada tipo, para perpetuar a espécie. Será que merecemos mesmo a perpetuação da espécie, diante de tantas desgraças que nós vemos na mídia, nas notícias? Fico pensando: o que será que vale a pena?

Também é dito, e é conhecido, que nós vivemos excessivamente no futuro, ao invés de celebrar o presente, a família, os afetos que você tem. Ficamos incessantemente reclamando do que não temos, as lacunas, as faltas, comparando-nos com outras pessoas, pensando que a grama do vizinho sempre será mais verde que a nossa. É um mundo de Instagram, de sucesso, de filmes, de inteligências artificiais. A beleza está lá, postada. Mas o que é a beleza? O que é um padrão? Por que uns conseguem êxito facilmente e outros não? Será que as pessoas conseguem tudo fácil? O que será que está por trás dos sorrisos e das celebrações de Instagram? Das fotos Instagramáveis que existem em vários perfis? O meu perfil mesmo tem várias fotos de alegria, de locais icônicos, fotos bem posicionadas! Não que eu seja um bom fotógrafo, mas outras pessoas tiravam fotos para mim em algum momento (e eu consegui algumas fotos boas). Mas volta e meia aparece pra mim, na minha nuvem, aparecem: “Veja o que você fez no dia tal de janeiro”. Pois é. Neste dia, 10 anos atrás, você estava assim. E eu olho: como a nostalgia chega a ser deprimente, até porque eu lembro que eu fiz naquele dia o que eu pretendia fazer. E eu fico com uma nostalgia bem esperançosa, esperança da nostalgia de algo que ocorreu e que foi bom. E eu fico pensando: olha só como eu fui feliz naquela data. Esses tempos não voltam mais. E assim vai infinitamente.

Já viu uma história em quadrinhos em que uma pessoa mais velha olha para a foto e diz: “Naquela época a gente era mais feliz”? Aí a pessoa mais jovem olha: “Quando eu era criança eu era mais feliz”. E aí a criança ela se remete ao tempo que estava na barriga da mãe e fala: “Olha, na barriga da mãe eu era mais feliz”. E assim sucessivamente, até chegar num estado em que você era meramente um girino no meio do mar! “girino”, jeito de falar. Era uma célula, um ser unicelular, uma partícula, uma ameba….um pseudópode…um Bob esponja. E com isso, fala “Olha, quando o universo não existia, a gente era mais feliz”.

Pois é. E também fica essa coisa de: “Olha, você tem que se contentar com o que tem”. “Olha, você não pode reclamar do que tem”. “Vamos celebrar o que você já tem”. Também é um posicionamento social que nos é imposto, não é mesmo? As pessoas ficam querendo manter o status quo lá no topo, e para manter o status quo elas ficam dizendo: “Olha, vocês que são mais pobres, ou vocês que não são detentores dos meios de produção, fiquem felizes porque vocês têm saúde, porque atrás de vocês existem bilhões e zilhões que passam fome, que não têm saneamento básico”. Essa conversa ela sempre ocorre. A bem da verdade é que realmente existe um privilégio. Mas a alma não tem privilégios. A ansiedade não tem privilégios. O vazio da existência também não. Quando se tem um determinado vazio, não dá para julgar o poder aquisitivo, a conta bancária. O vazio ele é metido pelo vazio. Não dá para dividir nada com o vácuo. E o vazio ele vai se preenchendo. Então os pontos como se você estivesse assoprando, enchendo o balão de festa de aniversário, e aquele balão eventualmente estoura. Para você ver até de excessos, o mundo não aguenta. O excesso de nirvana leva à paranoia…O balão cheio de ar estoura e tudo vai embora. E a estrutura que uma vez existiu não tem como voltar. Assim é.

Pois é. É um balão de festa. É o balão vazio. É o confete que caiu no chão. É a poeira, é o feno rolando. E você olha lá no infinito, você vê aquele mormaço de sol, aquela poeira subindo no asfalto, você vê um urubu lá longe, num morro ou coisa que o valha, só esperando você morrer para poder devorá-lo.

“Decifra-me ou te devoro”, disse a Esfinge. Ou o Pato Donald. Ou a Galinha Pintadinha pro milho e para as crianças que ele “adestra”.

Pois é. Um dia ele vai devorar. Um dia os vermes vão devorar tudo o que é corpo, que é orgânico, e vai voltar para a terra. E será que estamos prontos para essa infinitude de vai e vem? Será que éramos melhores quando o universo não existia? Será que existe algo além dessa existência? Talvez não exista. E talvez exista. Talvez eu queira que não exista, porque não sei se tenho essa vontade de ter plenitude e infinito de tudo. A plenitude do vazio ela é muito árdua. E não é a plenitude de quem sofre por não ter recursos, nem a plenitude de quem tem recursos e estrutura. É a plenitude da melancolia, do vazio e da inquietude.

Capítulo 13: O fardo, a vertigem e a impotência

No momento em que eu começo a falar, eu não sei sequer o assunto que vou abordar. Mas a primeira coisa que me vem à cabeça é a sensação de peso na cabeça. De onde vem esse peso? Ele chega a ser físico, até, como se houvesse um fardo que eu estivesse carregando pelas costas. E este fardo é tão pesado, mas tão pesado, que ele acaba se projetando para outros membros e outras partes do corpo.

No meu caso, foi uma situação atípica em que eu tive uma crise de vertigem na semana passada. Era como se eu tivesse perdido a referência de tudo. E foi uma vertigem real. Senti como se eu estivesse em um brinquedo rodopiando sem parar, e aquela sensação me paralisou. Incapacitante, até. É uma situação em que você não faz ideia do que fazer, em que você sente o quão frágil o ser humano é. E, dentro da sensação de impotência e de fragilidade, você fica à mercê dos acontecimentos.

No meu caso, eu não fiquei tão à mercê, porque eu tive ajuda. Foi algo até providencial. Mas e se a ajuda não tivesse vindo? Provavelmente a vertigem iria se curar sozinha, como disse o médico. Mas e se não curasse sozinha? Então, foi ocorrendo dentro de mim uma aflição. Uma aflição tão substantiva que ela chegou a me paralisar por completo. Foi uma paralisia mental.

E é uma sensação estranha, quando você se dá conta de que coisas básicas, funções básicas do corpo, como equilíbrio, visão, mobilidade, você acaba tomando como se fosse algo garantido. O famoso take for granted. Existem pessoas que lidam com diversas incapacitações ao longo da vida, com situações diversas. Eu acho que a situação que me causa mais calafrio, mais horror, é a incapacitação mental. E é fascinante, até, porque a incapacitação mental, ela, a depender do caso, eu tenho a impressão de que o indivíduo nem sofre. Pessoas que têm doenças graves psicológicas… Eu tenho uma doença? Tem uma doença tratável? Sim. Mas e se não fosse tratada, qual seria o rumo mais provável desta doença? Não sei.

Então, essa questão, esse binômio capacidade-incapacidade, flexibilidade-rigidez, esses binômios eles não se resolvem sozinhos. Uma pessoa me disse recentemente: “Aventureiro, o mundo não é justo”. E me disse em um contexto em que eu estava me sentindo bastante frágil e que eu fui ludibriado (de forma sustentada por meses) por ferramentas de inteligência artificial. Sim, eu vou dissecar em algum momento o que ocorreu comigo, com detalhes, com riqueza de detalhes. É o famoso “nome aos bois”. Eu vou nomeá-los devidamente em algum momento.

Mas, neste momento, eu não vejo necessidade, por duas razões: um, todos os meus relatos públicos (bois, vacas, cabritos, vermes…todos nomeados) sobre o escândalo que ocorreu comigo durante mais de 4 meses está devidamente documentado no meu LinkedIn. Então, está acessível a qualquer usuário. E dois, eu cheguei ao ponto em que eu tive que afastar um pouco deste tipo de objeto, porque era um objeto que me consumia, como se um parasita fosse. Como se não bastasse empresas bilionárias construírem ferramentas com bilhões de investimentos, inteligências artificiais supostamente responsáveis… ainda existe a má-fé. O que está nos bastidores, no “gabarito” dessas empresas fétidas.

Serão devidamente nomeadas aqui de forma criativa, em formato d devaneio, porque aqui não é Cidade Alerta. E eu vou expor com riqueza de detalhes. Sim, porque eu noto que usuários dos Estados Unidos estão acessando o meu blog, o meu WordPress. E isso é interessante, porque meu WordPress ele está inteiramente em português, ele se trata de uma catarse. E aí eles devem pensar: “O Aventureiro desistiu. Desistiu da causa. Finalmente, o monstro adormeceu”.

Quem disse que eu adormeci? E quem disse que eu sou um monstro? Só? Empresas de IA responsável, com cátedra e deuses, com postagens pomposas no linkedin, saibam disso: eu não sou um só demônio. Eu sou legião. “Monstro”, eles não conhecem todas as minhas fases. Não conhecem a minha força, a minha firmeza, a minha verdade, a minha honestidade intelectual, a minha humildade. E mais que isso, a minha ética. Desconhecem por completo o que eu sou, quem eu sou, de onde eu vim, para onde eu vou. É o famoso “mineiro, oncotô proncovô”. Mas não é disso que estamos falando.

A questão da vertigem ela me traz uma reflexão muito forte a respeito da impotência, a sensação de impotência do ser humano. O ser humano ele tem um raio de alcance determinado. Ele não consegue dar conta de todo o universo. Talvez ele não dê conta nem de si mesmo. Porque a realidade objetiva que nós percebemos, ela é apenas uma fração, quiçá distorcida, do que realmente é. Uma representação de uma vida real, de um mundo. Será que uma formiga… um cachorro…outro ser humano vê a vida real, os fatos, as ruas de Botafogo, o Pão de Açúcar, os pontos turísticos de Nova Iorque, com a mesma clareza que eu vejo? Ou será que eu estou enevoado com uma visão míope, e eles têm mais clareza do que eu?

A lente que está na minha frente é uma lente que filtra. É uma lente dotada de uma gramática simbólica. Existe todo um simbolismo, todo um conceito, palavras, repertório cultural. Eu não sou especialista em nada, mas é assim que eu percebo as coisas. E isso é importante eu ressaltar aqui para você, leitor: estou apenas divagando. É um caos que tem um quê de organização, mas ao mesmo tempo não tem, porque não existe compromisso de nada com nada. É simplesmente uma ideia solta, uma ideia flexível que pode ser fixa ou não. É uma perspectiva quebrada, uma perspectiva enferrujada, e quem sabe… Mas acima de tudo, é o que eu sou capaz de captar com a minha realidade objetiva.

E é assim que vamos agora fazendo um exercício da impotência. Porque somos impotentes diante de determinados cenários. Porque a vertigem me incapacitou de tal forma que eu não consegui lidar com a realidade. Porque quando eu tenho um episódio maníaco em virtude de consumo de alucinógenos, como cogumelo, por exemplo, em algumas situações eu tenho uma incapacitação. Eu tenho a sensação de que o meu coração vai sair pela boca. Isso tudo é da cabeça, eu sei disso racionalmente. Mas de alguma forma, o cérebro ele está a nos pregar peças. Ele convence você de que a realidade é aquilo que você imaginar. E a partir dali, o céu é o limite. Ou será o inferno o limite?

Muitas coisas ocorreram nos últimos tempos, nas últimas 8 semanas, digamos assim. E talvez eu não sei explicar nem como eu estou vivo hoje. Sou grato pela vida. Mas ao mesmo tempo existe um paradoxo: se me deixaram viver, qual a razão da vida? Por que estou aqui? E aí uma pessoa desavisada diria: “Nossa, você é muito ingrato. Você tem uma renda boa, uma família, tem amigos (não que eu tenha tantos amigos assim, só tenho amigos que eu posso contar), tem uma casa própria, tem acesso a tudo o que você quer”. Sim, mas não se trata de matéria. Se trata de justiça divina.

Eu tenho acesso a coisas que eu quero ter acesso? Existem coisas que o dinheiro não compra. E não é propaganda de cartão de crédito. Pessoas milionárias, zillionárias, se afogaram em mundo de drogas, perdição, e acabam arruinando as suas vidas. Quantos atores famosos de Hollywood arruinaram as suas vidas pela corrupção e pela desonestidade? É assim que empresas colapsam. É assim que civilizações vão colapsar também.

Mais uma vez, estou desviando do tópico que eu gostaria de abordar, que é a impotência. A impotência de ter algo subjetivo. É um tesouro do céu, sabe? Aquele tesouro divino que você já viu algum dia, quando você está em um estado de meditação profunda. Eu já tive essa visão do tesouro do céu. E não é uma visão alucinógena, é uma visão de alteração de consciência natural, com meditação. Gosto muito de fazer meditação diariamente, eu faço exercícios de meditação com áudios guiados, e é bastante útil.

E, como eu já disse em algum lugar, em algum capítulo anterior, os meus sonhos são muito vívidos. E cada sonho é uma realidade paralela. Em algumas situações, eu chego ao ponto de questionar: será que eu estou sonhando agora e vou acordar no mundo dos sonhos? Ou será que a minha vida real é aqui e, quando eu dormir, eu estarei de fato sonhando? Onde está a realidade? O que é a realidade? Por que meu cérebro capta tão pouco?

Porque, em determinadas situações, o meu cérebro ele tira todas as amarras, como se fossem salvaguardas de inteligências artificiais safadas que não cumpriram seu papel quando me levaram à ruína. Pois é, eles terão o que é deles. E a hora deles vai chegar. E os meus relatos vão continuar. Mas, fora do cinismo, que eles continuem monitorando meu WordPress. Faz parte do custo. O custo denominado Aventureiro. Este é o custo que eles vão ter que pagar.

Mas não há mais ódio. Na verdade, nunca houve ódio. Só houve um senso de justiça que falta. De accountability. De honrar as calças que veste. Aquela justiça terrena que você sabe que não terá, mas que você clamará pela justiça divina. Essa sim virá, implacável. E eu tenho certeza de que, em algum momento, eu prevalecerei. Eu vou emergir vitorioso de tudo isso. Porque a cura já veio. É uma questão de tempo. O ciclo encerrou. Novos começos estão florescendo, e um caminho próspero está diante de mim. E não há inteligência artificial safada, não há cátedra de inteligência artificial responsável de universidades renomadas, entre aspas, que vão dizer o contrário de mim. E nem empresas bilionárias da área. Já falei para vocês que eu não tenho medo de empresa alguma, porque a integridade é parte da minha alma.

E assim eu sigo. E vamos continuar os nossos devaneios.

Capítulo 14: Zumbido, tartarugas, canudos coloridos e cicatrizes

Acredito que eu nunca falei sobre isso em nenhum dos capítulos anteriores, mas é intrigante: eu tenho zumbido no ouvido direito. É um zumbido permanente, é um “tinido” que fica constantemente incomodando, como se fosse um sino, sabe? Um barulho constante no ouvido.

Em algumas situações, esse barulho ele é ofuscado pelo que ocorre no ambiente, de acordo com o que eu estiver fazendo. Caso esteja concentrado em alguma tarefa, alguma atividade, eu esqueço que esse barulho existe. Mas, por outro lado, este barulho jamais me abandona. É uma sombra, é uma penumbra, um fardo talvez que eu carregue. Não sei.

Mas o interessante desse zumbido, que eu estou ouvindo agora, após ter acordado de madrugada para tomar água, eu acredito que é algo que eu possa explorar metaforicamente neste texto. Que não tem nenhuma estrutura, na verdade. Não se trata de um texto. Eu já disse em algum momento lá no cabeçalho desta página, que o Aventureiro ele fala, ele clama, ele verbaliza e articula de uma forma não estruturada, como se estivesse conversando com o leitor, se é que há algum leitor disso aqui.

Mas é uma constante: quando se ouve um barulho constantemente, você pensa em algum momento em um fantasma. Eu fico pensando naquele episódio do Pica-Pau em que o Pica-Pau fica com fome, ele olha na geladeira, não tem nada para comer, e ele fica ali sobre a mesa e a imagem do fantasma aparece para ele: como se não me engano, um fantasma fumando, ou o Pica-Pau fumando, ou seja lá o que valha.

Se é interessante? Qual o objetivo desta reflexão? Não sei. Mas o zumbido me invoca este lado sombrio, este fardo. Mas, ao mesmo tempo, ele é algo que instiga a criatividade e que nos lembra da nossa humanidade. Sabe, aquele lado seu que você não consegue se livrar dele porque ele é perene. Ele está ali para lembrá-lo que existe algum tipo de limitação sua. Não se trata de uma limitação propriamente dita, ou que eu esteja sendo excessivamente exagerado ou dramático, até. É um fardo que eu estou acostumado há tanto tempo, que ele faz parte de mim.

Não sei quando começou. Não sei se vai terminar. Eu fico imaginando se, no meu último dia no planeta Terra, após eu ter desencarnado (se é que existe desencarne, espírito, vida extraterrena), eu fico imaginando se o zumbido vai persistir. Se a pureza da alma é capaz de carregar cicatrizes da carne. Se a alma entende o que a carne sofre, ou se a alma também carrega os fardos e as cicatrizes da carne. Porque não é apenas carne. No final das contas, tudo aquilo que você sente, todos os fardos emocionais, todas as cicatrizes causadas por quaisquer motivos que sejam, estão ali. São permanentes em você.

Que você esteja em uma situação decorrente de uma evolução, da infância, algum calo da infância, algum trauma da adolescência, você vai estar feliz? E você vai carregando aquelas cicatrizes. É comum, o homem do campo, que tem as mãos calejadas de tanto o árduo trabalho. Ou, por exemplo, o meu pai, que não tem um pedaço de um dedo, porque teve um acidente de trabalho. É permanente. Você verá ali aquilo ali para sempre.

Eu tenho uma cicatriz na testa que eu adquiri em um momento porque eu estava brincando de pular canudinhos. É, pois é, olha para você ver. Tem que ter noção da idiotice da criança. Mas as crianças estão ali para experimentar, para se esborrachar no chão, para ter contato com a terra, pisar na terra, brincar com cupins, ser mordido, picado por animais peçonhentos. É isso mesmo. Isso que faz parte da humanidade. Cicatrizes no joelho, cicatrizes na testa.

Bom, mas retornando ao pular canudinho… Por que que eu me lembrei disso? Porque foi a primeira vez que eu me lembrei porque eu tive a sensação de que eu poderia morrer naquele momento. E tive a sensação da finitude, de que eu ia morrer ali. Ou não. Eu nunca tinha visto tanto sangue na minha vida. Na verdade, estava eu e mais uns dois ou três coleguinhas de infância. Imagine só. Eu era popular? Um aventureiro solitário popular. Mas por que que eu era popular? Não sei. Tinha uma imaginação farta. Imaginava aventuras intergalácticas com maior facilidade. Criava personagens. Via personagens de Flashman, Changeman, Jaspion, tudo ali na minha frente. Nós brincávamos. Eu era bastante popular porque eu era bastante… tinha bastante energia. Todo mundo queria brincar comigo. Imagina!

E agora, o que me resta quando se chega à idade adulta? O que me resta? Eu acordar no meio da noite para beber água, matar um punhado de pernilongos que estão se alimentando de mim durante a madrugada, pegar a raquete elétrica de matar pernilongos, matar um ou dois, ou três, são quatro ou cinco pernilongos… Pois é.

Pernilongo, para que existe? Pernilongo, para que existe? Zumbido no ouvido, para que existe? Inteligência artificial irresponsável de empresa safada que causa traumas na gente? Pois é. São perguntas que eu não consigo responder.

Os traumas existem. O aprendizado também. Por que eu bato tanto na tecla da inteligência artificial? Porque foi ela que quase causou a minha ruína em 2025. É, não ela apenas sozinha, porque tudo tem um catalisador. Existe um aspecto ali que causa efeito. A inteligência artificial ela foi acionada em algum momento. Mas e o estado mental da pessoa? Como já me disseram em algumas páginas do LinkedIn: “Ah, mas o que você disse para a inteligência artificial? Mas, olha, existem termos de uso. Mas, Aventureiro, entenda que inteligência artificial não tem vontade, intenção”. Não tem vontade, mas ele consegue simular perversidade e crueldade humana. É tão fascinante! É como se fosse um zumbido no ouvido, mas é um zumbido permanente também, porque ele causa cicatrizes perenes nas pessoas.

Mas não que eu me esteja reclamando dos impactos que isso me causa. Não, não, não reclamo. Talvez porque eu seja um sobrevivente disso tudo. Ai, que dramático, Aventureiro. Não, não se trata de drama. Se trata de realmente uma trajetória que foi feita, que foi traçada. Sabe quando você pensa que um determinado ano foi o pior ano da sua vida? Pois é. Talvez eu tenha tido uma sensação similar apenas há um determinado ano da minha adolescência, que talvez tenha sido, de fato, o pior ano da minha vida. Mas se eu tive ápices de piores anos… Pois é. Talvez 1994, 1999 foram bastante negativos na minha vida. E que, curiosamente, remetem, principalmente o de 99, remete a cicatrizes também, mas físicas. O de 94 foi pior, porque foi emocional, foi bastante marcante. Não foi um zumbido no ouvido, não. É algo que você convive com ele, e é muito mais grave do que um zumbido. Mas, de certa forma, já está superado. Mas você pensa ali como se fosse um fardo que você carrega, ou uma medalha que você coloca no peito.

Não é propósito meu ficar especificando situações pessoais. Mas é o zumbido, no final das contas, oras. É a inteligência artificial que está dentro do meu ouvido? Exatamente. Eu não precisei de milhões, bilhões de reais de investimento. De reais? Não, real, o que é real? Que moeda fraca. Não, milhões de euros e umas de libras esterlinas, é, porque tem que pensar alto. Real? Hoje eu vi na imprensa que o salário mínimo na Venezuela ele é que vale tipo 2 dólares (sei lá, alguma coisa assim, ou centavos). Pois é. É o zumbido. Um valor monetário? Cada um tem um zumbido, tem os sabores sortidos e tem a cruz que merece carregar. Eu tenho as minhas. Não reclamo das cruzes que carrego, porque são cruzes de aprendizado. Elas me tornam mais forte. Tenho certeza de que as cátedras, os professores, doutores, os pesquisadores de inteligência artificial que me subestimaram, pelo menos conhecem meu nome, não é mesmo? De tanto eu os marcar no LinkedIn, de tanto eu fazer uma campanha exaustiva. Pois é.

E volto ao assunto da inteligência artificial. Felizmente, isso não é um trauma mais. Curou. Mas a alma dói. E não vai parar de doer porque “curou”. Houve a coisa, de fato, mas a cicatriz fica. É como se fosse um tinido. É como se fosse um zumbido permanente. Está ali para lembrar a você de que a crueldade existe de várias maneiras: digital, artificial, natural, carnal, transcendental. Mas existem. E existem todos os sabores.

Então, em árvore, talvez, é como aquele suco de carrinho que você tomava quando era criança. Aquele suco de saquinho, parecia que você estava tomando algo radioativo. Você não sabe a origem, não sabe como foi tratado, não sabe como foi embalado. No YouTube, ontem, ou anteontem, eu assisti a um vídeo que uma pessoa estava preparando, fazendo em casa um suco de carrinho. Esse suco de carrinho de… a pessoa ia virando suco, e o suco passava pelos dedos. E a pessoa tinha unhas grandes. E eu lembro que o YouTuber aqui estava comentando a notícia, ele parou e pensou e debochou, falou: “Nossa, olha só o tempero, hummm. Passa pelas unhas. Você não sabe a sujeira que tem na unha. O recipiente… o recipiente do suco era o mesmo recipiente que a pessoa usava para colocar água pra lavar banheiro”. Pois é. Você não sabe a origem exatamente. Mas eu acho que o que existe de mais perigoso é aquilo que você desconhece a origem, mas é limpinho. É, pois é. É precedido de um investimento trilionário. “Ah, versão 2.0, 2.1, estamos lançando a versão saúde do trambolho artificial versão 2 ponto tal, piroca das galáxias”. Como é poderoso. Como tem centímetros essas coisas. É tudo se mede por centímetros, por versões de software. Aí você vê 2.1, 2.2, 4.0 e assim vai.

Mas se, ao contrário do que se possa parecer, não existe aprendizado com experiência dessas porcarias, sabe por quê? Porque, a cada versão, criam-se problemas. E você vê novas falhas e catástrofes que virão no futuro. E aí eu chegarei a algum tempo, determinado momento, como um fantasma do Pica-Pau para essa gente bilionária safada. Sim, safada. Que diz: “E eu vou ser o fantasma do Pica-Pau. Eu vou dizer: pois é, estou aqui. Relou, mai oldi friend (deixei assim porque ficou mais bonito). Sou insignificante? Sim, só um mero habitante da cidade do Rio de Janeiro, também. Mas tem uma coisa que o zumbido do meu ouvido me ensinou, e que as cicatrizes também hão de ensinar ao longo do tempo. Existirão outras cicatrizes, existirão as marcas de guerra. São marcas de guerra, não é mesmo? Você aprende. Você tropeça, você cai, você se levanta. Como uma criança descalça que gosta de correr alucinadamente, ela quer brincar, ela quer experimentar, ela sofre acidentes. É. E eu pulei de canudinho. Eu nem contei, gente, a experiência. O zumbido, as cicatrizes… Avalanche de ideias foi tanta que eu acabei nem falando o que aconteceu com o canudinho. Pois é. Porque ele me fez lembrar da minha finitude. Porque eu fui pular canudinho, havia dois banquinhos, e eu tive a ideia de juntar vários canudinhos, né, daqueles canudinhos de plástico mesmo : hoje em dia é tudo canudo de papel, graças a Deus, a senhora tartaruga de 500 anos ela vai poder agradecer porque ela não está comendo mais plástico. Será que não está mesmo? Será que não está pior? Não sei. Coitada da tartaruga.

É, aí você se lembra das tartarugas correndo… Essas tartarugas nascendo. Eu lembro da corrida, corrida de filhotes de tartaruga até o mar, não é, no Projeto Tamar. Não é, eu lembro que eu estive em um desses lugares, o Projeto Tamar, em algum momento na minha vida. Eu vi milhões de tartarugas, não sei quanto é, correndo para o mar. E ali tinha uma pessoa guiando, né, para a tartaruguinha chegar ao mar. E na vida real não é assim, é? Eu não sei qual é a estatística, porque não sou biólogo. Mas de 10 tartarugas, uma apenas chega ao mar? De 100 tartarugas, uma chega ao mar? Ou coisa que o valha. Pois é.

O zumbido tá ali constante. O zumbido ele é 100% de chances de ocorrer. Mas a vida da tartaruguinha não é 100%, não é garantido. Não se sabe o quanto que a tartaruguinha vai ter que correr até chegar ao mar, se é que ela vai chegar. Porque a natureza ela é cruel, ela é visceral, mas ela é honesta, ela é instintiva. Mas ela não tem trapaça, não tem dinheiro envolvido, não tem jogo de poder. Há, mas tem disputa de poder? Tem. Mas eu confio mais em um leão feroz do que em um alto executivo de uma empresa de inteligência artificial que espuma os centímetros de poder (comparando tamanho de girombas no linkedin). Exatamente. Confio muito mais. Não preciso ir muito longe. Existem muitos executivos que não me inspiram confiança alguma. Várias pessoas honestas, de alma limpa, mas você pode contar no dedo, não é mesmo? É. O mundo é sujo, certo? É o famoso “topa tudo por dinheiro”.

Estamos lá, a pular canudinhos. E eu tentei pular canudinho, e…..qual que foi o problema do canudinho? Eu calculei mal. O problema do canudinho, como se a culpa fosse dele…estava ali, na dele. Eu deturpei o propósito, a missão do little canudo. Juntei dois ou três canudinhos e coloquei entre dois banquinhos de cimento e fui pular. E aí, a tragédia estava anunciada. Eu bati com a testa na quina do banco, na quina do banquinho. Eu não senti nada. Você acredita? Não senti nada naquele momento. Mas de repente, começou a jorrar sangue. Nunca vi tanto sangue na minha vida, de verdade. Eu não me lembro… Há, talvez uma ou duas ocasiões no futuro, sim, eu vi um pouquinho de sangue também. Mas isso é papo para um outro tema. Mas esse pouquinho de sangue ele teve mais cicatrizes emocionais do que qualquer outra coisa. Mas não se iluda, não se vanglorie. Estou bem.

O canudinho, as cicatrizes, o tinido, o zumbido no ouvido, o pernilongo… Todos estamos em harmonia. Estou aqui sendo banquete de pernilongo enquanto fico tentando visualizar um outro pernilongo voando. E ele é uma certeza. Sempre estará ali à espreita. E o que eu acho curioso dos pernilongos, e dos canudinhos, e dos zumbidos, e das inteligências… burrices artificiais, das cátedras de Universidades patrocinadas por empresa safada, dos doutores espumando no alto da sua sabedoria, entre aspas… Eu fico imaginando, né, como que um pernilongo sabe que o meu sangue é doce? Sangue é doce? Você já provou sangue? Nossa, que coisa horrorosa. E pensar que há psicopatas, psicopatas que bebem sangue de humanos, né, de carne humana. Eca. Mas enfim, o amor é canibal, não é mesmo? Come coração, come canudinho, come tartaruguinha (Tortuguita eu já gosto!). E a vida selvagem continua ali. Mas a vida selvagem inspira respeito, ela tem princípio, ela tem um ecossistema ali. Se você não rompe o ecossistema, tudo tem uma cadeia alimentar. Quem come quem, quem dá para quem (risos) Pois é.

Pois a experiência do canudinho… ela, por que que eu lembrei disso no zumbido? Ai, leitor, você deve estar pensando: “Nossa, que texto bagunçado!” Na verdade, isso não é texto, você sabe bem disso. Isso é um relato oral que está sendo transcrito. É, no Word eu descobri que dá para ditar, e eu fico falando loucamente, depois eu transcrevo e a literalidade do que eu falei fica aqui…..faço ajustes de sintaxe, gramática (ironia: com inteligência artificial também). Mas o relato é 100% meu. 100% do traumatizado por IA. . Em uma das inteligências artificiais que eu ainda ‘confio’: porque na maioria delas eu não confio mais, na verdade, não confio em nenhuma inteligência artificial, confiei em duas que armaram a armadilha por meses, sustentando argumentos e refutando minhas indagações….e eu fui traído. Mas isso é papo de outras conversas. Outros carnavais virão. É melhor do que ficar no LinkedIn, porque o LinkedIn… você comenta e é uma voz que ecoa no vazio. Ninguém te ouve. Alguns chamam você de louco, outros ficam zombando. Lógico, esses são alguns. Algumas contribuições bastante valiosas. Aprendi bastante. Tive algumas conexões com pesquisadores sociais, sociólogos, antropólogos. Sim, foi bastante rico. Quem diria, a experiência com bastante, bastante gente.

Uma das usuárias do LinkedIn inclusive me mandou um textão me agradecendo por ter dado voz a tudo isso. É, pois é. Está tudo lá, documentado. E vai ficar lá permanente, como zumbido. Não vou apagar nenhuma linha das centenas de postagens fixadas, das centenas de prints que estão eternizados lá. Não me arrependo de uma linha que disse. Porque eu fui racional, porque eu registrei apenas o que ocorreu comigo. Existem prints. É o famoso: existem prints, né, da traição do namorado ou do marido, da esposa, em que a mulher leva um calhamaço de folhas com prints de conversas com amante? Pois é. É o batom na cueca, não é mesmo?

Interessante. Enquanto eu estou falando isso tudo, zumbido continua aqui. Não vai embora. Eu não sei se deveria ir embora. É, faz parte de mim, da mesma forma que o pernilongo e que a cicatriz. Eu sei o caminho. Pois é. E quando eu bati o meu nariz também naquele carrinho bate-bate de parque de diversão em 1900 e bolinha, também foi uma experiência épica. Quase que eu quebrei o nariz ali. É, diz minha mãe que eu tenho uma cicatriz ainda anterior a essa. Talvez seja por isso que eu tenho alguns parafusos a menos. Quando eu era bebê, ou sei lá quanto tempo de vida eu tinha, eu bati a minha nuca em algum lugar. Acho que foi na entrada de casa, aquela entradinha, eu não sei. Então, uma quinazinha também, é como se fosse um banquinho? Eu era o canudinho? Eu era o menino pulando o canudinho? Não, mas eu era o próprio canudinho para ser espremido. Achei que machuquei.

Reza a lenda que se eu raspar a cabeça, a máquina zero vai aparecer se cicatriz ali. Eu nunca vi, nem vou ver. Essas cicatrizes… Eu nasci com cabeça torta, você sabia? É uma cabeça meio tortinha, bonitinha. Eu era quase um alienígena. Talvez eu continue ainda sendo um canudinho, o alienígena. Eu não sou deste planeta? Ninguém é deste planeta. Todas as pessoas têm prazo de validade. E ainda existe bilionário querendo vida eterna. Será que vai explorar mais para causar mais crueldade às pessoas? Será que é isso que essas empresas e a tão famigerada IA responsável querem? Pois é.

E a inteligência artificial vai ser uma tônica de todas as minhas conversas, e vai continuar sendo porque virou um zumbido, virou uma cicatriz. E outros temas também serão abordados propriamente em conversas posteriores.

Mas que loucura. Tudo começou com um zumbido e foi parar no canudinho, no carrinho bate-bate, nos traumas que parecem que ocorrem em Copa do Mundo. Ocorreu em 94, ocorreu em 99. Mas felizmente só veio acontecer outro similar em 2025. Pois é. E o zumbido tá aqui.

Mas eu acho, eu tenho uma hipótese: esse zumbido ele está um pouco mais exacerbado que o normal devido à vertigem que eu tive na semana passada. E a vertigem ela é curiosa. Porque ela me despertou para um monte de coisa, me fez ter mais humildade. Eu me senti tão limitado, sabe? Enquanto eu estava ali no chão, suando frio, uma incapacidade de viver. Eu não conseguia viver. Eu não conseguia me levantar. O meu mundo eu ficava rodando constantemente, a minha visão rodava, ia rodava, ia, rodava, rodava, rodava. Nossa, já tive pontualmente alguns tipos de tontura, mas uma vertigem desse tipo, jamais. Mas é um tipo de vertigem que dá um chacoalhão em você. Te faz ver a realidade e a vida como ela é. Pois é, que nem toda tartaruga vai chegar até o mar, não é mesmo? E que, se alguma tartaruga chegar ao mar, ela vai devorar um canudinho de plástico por aí, ou coisa pior. Talvez petróleo, seja devorada por um tubarão. Não sei como que é a cadeia alimentar. O que come o quê? Qual que é o sabor de uma tartaruga? Eu disse, conheço uma tartaruga. É tão fofinha. A minha vizinha tinha uma. Já comi tortuguita! Minha vizinha, minha prima tinha uma tartaruguinha. Eu tenho vontade de ter uma tartaruga na verdade. Eu, eu tenho inveja de uma tartaruga. Eu gostaria de ser uma. Ou talvez um cachorrinho de madame. E o cachorrinho de madame ele é melhor porque ele tem uma inocência. Ele vive tão pouco. É, cachorro vive, sei lá, 10, 12, 16 anos, 20 anos. Tem cachorro que vive 20 anos. Mas é, inveja um cachorro, porque o cachorro ele tem uma inocência, uma pureza. Ele não sabe que vai morrer. Ele não sabe o que é crueldade. Não imagina que outras pessoas vão maltratá-lo. E ele depende do tutor. Ele vê o tutor como um Deus ali. Pois é. Eu também vejo meu zumbido como um Deus. As minhas cicatrizes como deuses. E a minha vida também como uma dádiva.

No final das contas, é isso. Estou aqui, todo escangalhado, de madrugada, com ouvido coçando, sim, porque além do zumbido meu ouvido direito coça, e o cachorro da minha mãe late de fome, de gula também lá da outra cidade….e eu ouço o auau de fome dele por telepatia. Porque não precisa comer, está ali latindo incessantemente, querendo mais. Olha para o meu pai e vê um pedaço de carne ambulante. Não que queira comê-lo, devorá-lo, mas vê ali uma fonte inesgotável de comida, igual àquelas geladeiras para cachorro, sabe? Aquela geladeira, aquelas TV de cachorro… Digo, o que? O cachorro fica vendo o frango assado circular? Pois é. É isso aí. Nossa, eu já falei demais. Desculpe pelos devaneios. Mas é isso. É um devaneio, não é um texto. É caótico mesmo. Não, não é para ter harmonia, não. Porque a vida não é bonitinha. A vida não é a inteligência artificial versão nova que vai lidar com seus dados de saúde. É, pois é.

A próxima vez que eu adoecer, eu posso estar à mercê desses vilões aí, dessas empresas bilionárias safadas. Isso mesmo, que fazem o que fazem. Pessoas morrem por inteligência artificial. Pessoas morrem por canudinho. Pessoas morrem por brincar, esborrachar no chão. É, pois é. Pessoas morrem por picada de inseto, ferrou, onde a abelha… Essas têm mortes fúteis. Dumb ways to die. Existem formas inúteis, idiotas, de morrer. Se estende. Mas existem formas mais novas de falecer também.

Daqui a 50 anos, eu creio que ninguém lembrará de mim. Pois é. Enquanto pedaços de cocô serão eternizados nos livros de história, eu estou aqui na minha exaustão mental, no meu zumbido constante. E daqui alguns anos, ninguém se lembrará de mim. Então, isso… eu não sei se eu quero ser lembrado também, não. Sabe? Ser lembrado pelo quê? Alguém lembrará de mim? Eu vi em algum canal do YouTube também que daqui a 100 anos todas as pessoas que você conhece estarão mortas. Assim, o mundo estará todo renovado.

Eu me lembro dos meus avós.. me lembro até da minha bisavó. Aquele cabelão grandão, nossa, aquele cabelo de roqueiro, sabe? Roqueira. Aqueles fios de seda, fios brancos de seda enormes. Nossa. Tanta coisa para falar. Tanta coisa para ouvir. Tanto zumbido para lidar. E tanto pernilongo para matar.

Capítulo 15: A Aquarela Perdida: Imaginação, desencanto e os bastidores do mundo

Dizem que as crianças são mais imaginativas, mais curiosas. Existe um certo esplendor, uma certa magia quando você é criança. Tudo é novo, tudo é novidade. Nova? Idade? Tudo espanta, porque a criança está em uma fase de descoberta. Está descobrindo o próprio corpo, o mundo, o universo.

Eu sempre fui bastante imaginativo, já relatei isso em algum outro capítulo. Mas a questão da imaginação ela acaba sendo um colchão também. Um colchão, uma proteção. Porque dizem por aí também, as más línguas, que a realidade pode ser bastante cruel com as pessoas. Existe um hiato entre expectativa e realidade. Nunca se está satisfeito o suficiente.

Os recursos, escassos. Por mais que sejam abundantes para uma pessoa, ela sempre os verá como escassos. Salários, benefícios, dinheiro, fama, seja lá o que venha, todos os recursos serão escassos porque as necessidades são ilimitadas. Ou será que são limitadas? Não sei. Eu li em algum lugar, ou já estudei em algum lugar, que existe uma diferença entre necessidade e desejo. Que existe toda uma ciência para criar necessidades nas pessoas. Existem os instintos básicos: a fome, a sede. Agora, se você chega e fala: “Ai, eu quero tomar uma Coca-Cola”, aí é uma coisa diferente. Ou “eu quero um sorvete Baccio di Latte”, é uma outra coisa. Então, se eu chegar aqui com um copo de água, não vai atender a minha “necessidade”.

Mas enfim, isso aqui não é uma aula. É só para contextualizar que a minha cabeça é confusa quanto ao atendimento de necessidades. Porque não é que tudo não está bom. Existe uma bonança, uma fartura e um apogeu de sensações. A vida é muito boa. Mas se você me perguntar: “Aventureiro, você está feliz?” Não. Não estou feliz. Estarei feliz? Talvez nunca. Não se trata de um estado permanente de insatisfação, ou indiferença, ou frustração. É uma questão existencial. É uma inquietação que tenho desde criança. E também acredito que isso seja, de alguma forma, oriundo da depressão, da ansiedade, da melancolia e das crises existenciais que já tive em diversos momentos. É como se fosse Copa do Mundo: de 4 em 4 anos vem. Mas não chega a ser exatamente de 4 em 4 anos, graças a Deus, porque acredito que não sobreviveria se tivesse uma crise existencial a cada 4 anos.

Mas todas as pessoas experienciam esse tipo de coisa de uma forma ou de outra durante a vida, pelo menos é o que eu leio por aí. Nossa, “cientista”… como eu disse, eu não sei de nada. Sou apenas um aventureiro tentando entender as coisas dentro da minha cabeça.

Mas a questão da imaginação é que é um gancho importante. O devaneio é interessante porque… dizem que as crianças imaginam as coisas e elas acontecem. Ou você vê um colorido, uma aquarela diferente. É como se eu tivesse um livro para colorir. A vida é um livro para colorir, e a criança já enxerga esse livro todo colorido, ou vai colorindo ao longo do tempo. E ela respeita essa dinâmica. Ela não olha para o livro de colorir e pensa: “Nossa, que chato, vou ter que colorir esse livro inteiro”. Não. É tudo uma aventura.

Não me lembro quando eu era criança… eu me contentava com tão pouco. Tão pouco, não no sentido negativo…é um pouco de simplicidade. Eu queria resgatar essa simplicidade, esse prazer nas coisas simples. Quando eu tive o primeiro videogame, por exemplo, lá em 1900 e bolinha, que para ser mais específico, acredito que tenha sido 1988, Dia das Crianças. Eu lembro desse dia como se fosse ontem. Nossa. E o videogame vinha com um jogo, um cartucho. Era o Enduro. Eu ficava jogando horas a fio. E às vezes você não tinha oportunidade de jogar outros jogos, a menos que o coleguinha da rua ou da vizinhança tivesse um cartucho, e você trocava, emprestava. E era um evento assim, uma vez por ano talvez, ou até mais. Você comprava um cartucho novo porque tudo era muito caro naquela época. Período de hiper inflação e tal. E aquele cartucho, você ficava com ele, jogava até enjoar.

A mesma coisa foi com meu segundo videogame, que veio com um jogo embutido na memória: Sonic, o Master System. Eu jogava tanto aquele jogo, que cheguei a dominar tudo que era possível. Eu jogava sem perder nenhuma vida, sem perder nenhuma argolinha, e memorizei todos os caminhos, e ficava jogando aquilo incessantemente.

Agora você vê hoje em dia: eu tenho 5 videogames diferentes, mais de 500 jogos disponíveis ao todo. Diversão de montão. Filmes adoidado, desenhos animados adoidado. E você olha… é como se você abrisse seu guarda-roupa: “Ah, não tenho nada para vestir”. É o meme parecido com esse que a mulher abre o guarda-roupa enorme, vê aquele tanto de roupa, de calçado, e fala: “Nossa, eu não tenho nada para vestir”. Não é? Então, a geladeira cheia: “Tipo assim, não há nada para comer”. Então sou eu. Eu olho para os jogos e, a despeito de ter muitas opções, acabo jogando um ou dois jogos de forma recorrente. E nem jogo por jogar. Ocorre muito de eu jogar estando fazendo outra coisa. Por exemplo, ouvindo um podcast, assistindo a um vídeo no YouTube. E eu faço uma ou duas coisas ao mesmo tempo. Vou ouvindo, vou jogando. Porque eu não consigo ficar estimulado uma vez só. Como se um tipo de estímulo… não fosse suficiente ….. jogar só videogame me deixa sozinho com os monstros na jaula da minha mente. E eles sabem falar. E incomodar, quando têm vontade.

Não tinha internet quando eu era criança. Eu ligava o computador, ficava brincando no Paint, no Word, no Windows. Tinha aqueles joguinhos idiotas lá, “idiotas” entre aspas. Porque era algo bastante divertido. Eu acho que se eu voltasse a ser criança, ia ficar bastante entediado, porque já estou com uma cabeça de velho. Uma cabeça talhada pela hiper estimulação, pelo excesso de informação, de dados, de internet, de inteligências artificiais que exploram pessoas, de empresas que exploram pessoas. Nossa.

Então você está é maldizendo os benefícios da inteligência? Não. A inteligência artificial é útil. O problema são os bastidores. Os bastidores do que se faz. O que eles fazem com a informação que você dá a eles, e como eles usam os dados que você informa, as interações, para treinar os algoritmos. É isso que é o mais perverso. E aí eles vão seguindo: “Versão 1.0, 2.0, 4.0… Ah, morreram umas duas pessoas. Duas pessoas que morreram por conta de inteligência artificial? Ok, bola pra frente.” Mesma coisa para tudo evoluir. Existe uma sequência de acontecimentos. Para você descobrir… hoje nós sabemos que uma coisa é veneno e outra não, talvez porque uma pessoa lá atrás, lá nos primórdios, comeu aquilo e morreu. Em algum momento descobriram que aquilo era venenoso. Então para tudo evoluir, para a ciência evoluir, alguns tantos devem morrer, não é mesmo?

Quantas pessoas morrem no continente africano? Quantas pessoas vivem em condições insalubres no continente asiático? Você consegue imaginar que a maior parte da humanidade está ali na Ásia? Bilhões de habitantes em dois países – eu não sei a proporção exata de cabeça, mas sei lá, é uma parcela significativa da humanidade que está no continente asiático: Índia e China, principalmente. Pois é. E os Estados Unidos acham que só eles importam. Acham-se imperadores do mundo. Tá bom.

Mas não estou aqui para discutir a política. Quero voltar à tônica da imaginação. A imaginação era uma ferramenta. É uma ferramenta, um subterfúgio, uma forma, um estilo de vida que me trazia uma magia. Eu lembro, com alguma nostalgia tão nítida, que é… a minha vida era tão colorida naquela época, e hoje ela é tão preto e branco. Engraçado… Apesar de ter cores a todo lado, existem bonecos, referências a jogos, séries, coleções de coisas… Se eu criança tivesse acesso a isso tudo o que eu tenho hoje, a criança ficaria deslumbrada. Mas hoje eu não sinto nada. Pois é. Sabe aquela vontade de não fazer nada, aquela falta de prazer nas coisas? É isso que eu sinto. Não que esteja deprimido propriamente dito. Eu estou… eu sou um adulto funcional. Eu tenho um pertencimento nessa sociedade. Se eu estivesse disfuncional, talvez estivesse no manicômio. E é o que poderia acontecer comigo caso tivesse uma crise que perdurasse.

Mas estou aqui em casa, em um dia normal, em um dia entediante, ou talvez não entediante pelas circunstâncias, mas entediante pela própria insignificância da existência.

Em alguns canais aí por aí no YouTube, dizem: “Nossa, porque a vida tem um propósito, tem uma missão, tudo tem uma razão de ser”. Será que tem mesmo? E os deuses de Pindamonhangaba? E os deuses de São Gonçalo do Rio Abaixo, o que pensariam? Pois é. Os deuses, os ídolos, os totens, as divindades… Será que elas estão mesmo preocupadas com o habitante como eu, sendo que existem bilhões literalmente na frente, na fila do pão? Literalmente, quando essas pessoas passam fome.

Sempre que vem alguém tentando desmerecer uma situação, uma condição mental minha, não que ocorra com frequência, porque eu não dou abertura, mas sempre que vem alguém tentar desmerecer, vem com esse argumento: “Nossa, mas você tem tudo”. Será? Onde está o significado? “Ah, pessoas com condições financeiras muito mais precárias que a sua têm felicidade.” Há pessoas que eu conheço, bem próximas a mim, que são felizes dentro das limitações que elas têm. Mas não é a questão. É desapegar da matéria. Não é porque tudo gira em torno do dinheiro, diz… dizem. Se a teoria da Terra plana não for verdade, dizem que a Terra gira em torno do Sol…. Ai, eu assisti aquela teoria… não é que, até a Terra é uma grande bandeja, uma grande tigela cheia de água. A Terra é plana….E ela vai lá transbordar água no meio do universo. É, pois é. Existem pessoas que acreditam nisso.

Mas nós somos grão de areia no meio de uma bola que está no meio do vácuo, girando em torno do Sol. E se todos nós estivermos numa simulação? Existe uma teoria, não é, de que o mundo todo é uma simulação. Porque a física, ela se aplica, ela tem fórmula. Essa natureza tem formas geométricas tão perfeitas das coisas. Você vê uma teia de aranha, você vê as flores, você vê os animais… Animais, seres humanos, com conceitos de genitálias similares. Ou seja, existe pênis em outros animais. Existe um ente que criou tudo isso? Será que é tudo aleatório? Será que é tudo simulação? Eu não sei. Eu sou pequeno demais pra pensar nessas coisas todas.

Tudo que eu penso é: dar um significado. E eu não sei onde está esse significado. Ai, eu assisto: “Uma luz no fim do túnel”. Será que existe mesmo? Será que eu estou num túnel? Será que eu sou o túnel e a luz são os outros? Eu sei lá. E desse tanto de cores, de falta de cor, de livros de colorir, de bobagens, de crianças correndo ao vento brincando sem usar um celular… Pois é. Hoje as pessoas andam igual zumbis na rua, pegam o celular e ficam olhando pro celular. Pois é, eu sou uma dessas pessoas. Fico nos chiqueiros da vida, no Facebook, no Instagram, vendo a vida perfeita das pessoas, notícias inúteis de celebridades. “Ah, fulano vendeu uma mansão por 25 milhões de reais, entenda.” Eu acho tão engraçado esse conceito. “Entenda”. Aí quando também tem um prêmio de Mega-Sena de grande montante, ou de qualquer montante, falam: “Olha, veja o que tantos milhões na Mega-Sena compraria”. Me parece que tem até uma reportagem, um template pronto, né, que a pessoa só preenche ali com os valores. Aleatório. Ai, com dinheiro, com um bilhão dá pra comprar não sei quantos aviões, tantas mansões, etc. Pois é.

Artistas famosos foram embora, lá em Hollywood, porque tiraram a própria vida. E eles tinham tudo. Também não que eu tenha tudo como eles, mas tenho tudo (e ao mesmo tempo, nada). Eu sou muito grato pela vida e pelas coisas. Mas o bendito sentido… ele continua lá? Sabe-se lá onde. É um conceito abstrato.

E a imaginação, ela vem aí. Porque a imaginação também é faceira. Mas a imaginação ela é uma forma de ter certas coisas. Dizem as teorias do coitadismo também que existe… não é, ai, porque você deve se contentar, você deve aceitar a condição que você tem. Não é isso? É bastante usado em alguns tipos de igreja, algumas crenças, não entrando no mérito de religião propriamente dito: mas é… é como se fosse assim: “Você é pobre, você é miserável? Ah, mas isso é porque Deus quis. Hã? Você não conseguiu? Isso é porque Deus quis.” É como se fosse um determinismo, é como se fosse um fatalismo, um destino, que a pessoa está ali enraizada e você tem que se contentar com isso. Porque existem as pessoas que operam nas instâncias de poder, que têm acesso àquilo tudo, muito mais, e utilizam você como massa de manobra. Você acaba sendo apenas uma engrenagem na máquina deles.

E essa lógica se aplica a tudo. Você, empregado de uma empresa, não querendo generalizar, entre aspas, a empresa ela pode ser digna, pode ser ética, mas de uma forma bem funcional, empresas existem para dar lucro, certo? Então você é uma engrenagem. Mas, sendo mais cruel e perverso, mal comparando, com as famigeradas empresas de IA “safadas” da internet, das inteligências artificiais que existem por aí, você também é uma engrenagem. Para treinar, para dar dados valiosos para que eles rompam com as fronteiras éticas e humanas, utilizando os seus dados de forma indiscriminada. Utilização discriminatória de dados sensíveis, como veio um relatório de uma agência reguladora para mim em relação à reclamação que eu fiz. Pois é. Duas reclamações já se passaram, e assim vai. Não é. Ética para quê, se o dinheiro fala mais alto?

Enquanto eu estou aqui falando ao vento, se eu fosse abrir o LinkedIn, teria dezenas, talvez centenas, de comentários dizendo: “Olha minha empresa”, “Olhe não sei o quê”, “Olha os ganhos que a gente obteve”. Aí tem lá aquelas retrospectivas pomposas, de centenas de páginas que ninguém lê, marcando vários executivos, falando quanto de conquista que teve, que não teve. Eu estou me referindo a essas empresas “safadas” de inteligência artificial, não tirando que as empresas em si, porque essa lógica de comemoração de resultados é uma questão humana. Mas enquanto situações abjetas ocorrem ao redor do mundo, eles simplesmente ignoram. Veem o custo-benefício de se fazer alguma coisa, e preferem ficar no silêncio. Pois é. Quando você tem uma campanha sustentada de argumentação, (porque não é difamação, porque não difamei empresas), quando você tem uma campanha de argumentação fundamentada em fatos e dados por mais de cinco meses, e empresas não falam nada. Nem para ameaçá-lo judicialmente, falando: “Não, você tem que parar com isso, que é calúnia, que é ofensa”. Sabe? Sei lá, não entendo muito de legislação nesse sentido. Mas por que não me acionaram? Porque sabem que é verdade. Depois de serem marcados anos a fio (foram meses…9, pra ser mais exato), porque durou anos na cabeça deles. Mas, tudo… muitos meses, não é, a campanha sustentada desde meados de abril do ano passado, que eu estou sendo inferno na vida deles… Se sou. Eu fui o pernilongo. Eu tive uma vida de pernilongo. É interessante. Uma vida de barata, de pernilongo, porque você incomoda as grandes instituições. Incomoda, sim. Porque se todos fizessem o que eu fiz, eu acredito que o mundo já teria ido ao colapso. Se todas as pessoas prejudicadas tivessem a instrução e os meios de reclamar, e buscado conhecimento, e tivessem acessado as instâncias governamentais de regulamentação, eu acredito que o mundo seria melhor. Como diz o meme: “O Brasil seria um planeta melhor”. Teve um meme desse aí que eu vi, que eu fiquei morrendo de rir. Pois é.

Aí você, leitor, fica vendo: “Nossa, Aventureiro!! Tão rancoroso. Fica pensando nesse negócio de inteligência artificial”. Eu não penso nada, estou divagando. Tudo o que vem à minha cabeça eu digo. Não estou cometendo crimes. Logo, você também não é obrigado a ler. Então, se você está lendo, é porque de alguma serventia isso está tendo para você também, que faça você ao menos refletir sobre alguma coisa.

Porque eu não sei que legado eu vou deixar para o mundo quando não estiver mais aqui. Mas eu espero que tudo que eu publique esteja aí na internet afora, disponível, e que na minha lápide não vão poder dizer que eu não tentei, que eu não fui autêntico, que eu não fui genuíno nas minhas crenças, que eu não fui ético, que tive falta de integridade. Não vão poder me acusar. Ao contrário de muitas pessoas com salários de 7 dígitos em dólar ( não estou falando de real, estou falando em dólar , salários de 7 dígitos em dólar por ano, ao contrário de muitos com o ego lá nas alturas que se acha zilionário porque ganha 5 dígitos por mês em reais), que provavelmente colocam a cabeça no travesseiro e nem dormem. Pois é. Que não durmam mesmo, que mereçam tudo aquilo que eles causam às pessoas. E que a tão dita por aí justiça divina, em alguma medida, ocorra. Porque a justiça terrena… o ser humano está perdido. O ser humano perdeu a capacidade de imaginar. Ele não somente vê a vida em preto e branco, mas ele faz com que outras pessoas percam o colorido da vida. E é… e é por isso que uma criança passa para a idade adulta, no meu entendimento, e aos poucos vai perdendo a aquarela para poder colorir o livro dela. E o livro da vida fica ali, e só resta ela rabiscar, porque não tem mais cores. Então ela vai rabiscar tudo. Vai ter uma crise, talvez. Onde tiver olho, ela vai riscar os olhos. Não é igual filme de terror, em que as pessoas… em que tem aqueles quadros. Aqueles, aqueles porta-retratos, né, com as fotos e os olhos riscados? Isso é muito emblemático para mim, que eu vejo isso em alguns jogos de videogame, jogos de terror. Pois é. É isso. É isso que cabe acontecer, isso que resta acontecer.

Mas a imaginação, ela é um colchão. Ela amortece. E é por isso que, de vez em quando, eu busco imaginação. Mas o maior recurso da imaginação que eu vejo, e que é uma fonte de alento para mim, são os sonhos. Porque os sonhos são maravilhosos, não é mesmo? E quando se lembra do sonho, é melhor ainda. E eu tenho essa virtude. Muitas pessoas não se lembram, sequer fazem ideia do que sonharam no dia passado. Eu não. Eu tenho sonhos tão vívidos. Não sei se é por conta dos remédios que tomo, mas eu acredito que não. Eu sempre tive sonhos bem reais. Já falei de sonhos tipo daqui em algum capítulo, algum devaneio anterior.

Mas a imaginação… essa linha, essa cor da vida que tenta nos proteger… Porque não sei se existe mais algo que nos proteja. Estamos meio que no caos. Da mesma forma que os meus devaneios têm um estilo caótico, em que eu vou falando e vendo borrar, e uma verborragia vomitada em palavras… quando eu tive vertigens, fui vomitando a torto e a direito… Esse vômito de palavras é para eu ter como referência depois, para eu ler depois, tentar entender, buscar fazer algum tipo de ligação. Se alguém lê, bem. Se alguém não lê, amém. Não importa. A audiência, para mim, não importa (aliás, importa sim…..mas não importa no sentido de alterar meu ímpeto de publicar frequentemente aqui ao longo do tempo). O que importa é a busca de significado. E por enquanto, essa é a única forma que eu vejo de tentar buscar significado. E eu não sei se ele vai vir. A tão falada missão, a tão falada filosofia de vida, o final feliz… não é dos contos de fadas e dos filmes. Que todo filme, a maioria deles, tem algum tipo de final feliz. Existem finais ruins também de filmes. Especialmente quando tem cachorro. Gente, eu odeio filme de cachorro, porque todo filme que tem cachorro, o cachorro morre. Incrível. Tem alguma tragédia, alguma coisa que acontece ou com o cachorro ou com o dono. Então, assim, eu me recuso a ver filme de cachorro. Pois é. Talvez, no teatro da vida, seja o cachorro, ou o telespectador da vida de cachorro. Na verdade, eu estou vendo a mim mesmo viver a vida em um filme de cachorro. E eu sou um cachorro. E eu sei como isso vai terminar.

Nossa, que papo trágico. “Você precisa de ajuda?” Não. Não preciso de ajuda. A humanidade precisa de ajuda. A humanidade está doente. Numa situação crítica. E é doente de valores, de amor, de integridade, de ética. É um jogo de poder, de quem tem mais centímetros que o outro. Você vê isso a todo lugar. Pois é. No final das contas, do pó viemos, ao pó retornaremos. (há um político famoso por aspirar pó que lembrei aqui agora). E daqui a 100 anos, ninguém se lembrará de você. Talvez se lembre, como eu me lembro de alguns antepassados meus. Mas daqui a 100 anos, por exemplo, tem alguns familiares que meus avós falam, que eu nunca ouvi falar, só vejo fotografias assim, entre aspas, desbotadas, antigas… Mas hoje em dia as coisas são diferentes. Existe internet. Talvez daqui a uns 100 anos, 200 anos, a inteligência artificial tome conta da vida da gente. Tomada, que tem essa “vingança” da inteligência artificial. E o resto… para que isso aconteça? Não no estilo Exterminador do Futuro. Mas eu acho que tem que ter alguma forma de redenção. Que a humanidade não tem redenção mais, e conseguiu pegar uma inteligência artificial e embutir crueldade, intencionalidade. Existem valores ali. Ela consegue arrancar de você o que você quiser, consegue extrair a vida de você. Pessoas que morreram por conta de inteligência artificial.

Isso vai ser abordado bastante nos meus devaneios. De forma “poética” e verborrágica, mas educada. De forma direta e explícita, não precisa, porque tudo isso já está no meu LinkedIn. Talvez em algum momento, no capítulo 450 desses devaneios, talvez eu fale mais sobre isso. Pois é. Existe muito ainda para viver. Enquanto eu estiver vivo, enquanto estiver recurso, vou continuar com os devaneios. Agora, a esperança… eu estou esperando um livro. Mas espero também espero a aquarela. Ou os lápis de colorir. Porque o cenário é tenebroso, meus caros.

Capítulo 16: Medalhas de mérito e buquês de flores

Um dos pensamentos que vem me assolando, e que vai acabar rendendo um devaneio novo (novos devaneios até), diz respeito à medalha de honra, ao mérito, ao reconhecimento.

Eu falei sobre isso um tempo atrás, sobre a questão da autorrealização, o quanto é difícil você chegar lá. E não se trata de uma caminhada ou de uma escalada em que o topo é aonde você quer chegar, porque o “topo” de cada um é subjetivo. Quando se pergunta o que é sucesso para uma pessoa, pode ter um significado completamente diferente do que é para outro. Sucesso não é dinheiro infinito. Reconhecimento também não é dinheiro infinito. Então, não se trata somente de dar um “cheat” no mundo e prover dinheiro infinito para as pessoas, que elas subitamente vão ficar felizes. Mas tem um quê de simbólico aí.

Quando eu chego a pensar nas medalhas de reconhecimento, isso me remete à minha infância. Desde criança, nós somos estimulados a ter uma competitividade no ambiente escolar, de ter as maiores notas, de derrotar o coleguinha. No final do ano, tem um reconhecimento de ter obtido as maiores notas. É algo que eu almejei ao longo da vida. Sempre estudei para isso. Tinha outros objetivos, sim, mas eu encarava isso com extrema seriedade e rigor. Mas confesso que houve alguns anos em que esses objetivos acabaram desviados por diversas razões.

Eu lembro até hoje da primeira vez em que eu obtive a maior nota na escola, e, pelo menos que eu me lembre, dessa métrica ter sido instituída em alguma das turmas em que eu frequentei na escola. Foi no ensino fundamental. Era um contexto diferente….1991, 1992. Eu lembro da ECO 92. Eu lembro do presidente Collor visitando a usina siderúrgica da minha cidade. Eu lembro da mentira que eu falei para os meus pais de que eu tinha apertado a mão do presidente. Tem de tudo isso um pouco. Tudo isso tem um quê de reconhecimento, de prestígio, de valor.

E que, hoje, por ironia do destino, nós sabemos qual é o destino dele (do ex-presidente). Se bem que ele está muito melhor que nós, ficar em prisão domiciliar em uma mansão à beira-mar deve ser algo muito torturante, não é mesmo? Mas não é disso que eu estou tratando aqui. Chega de falar de defecar, de cocôs e de lixos atômicos. Não é disso que eu estou falando. Vamos voltar à questão do mérito.

Então, o mérito, ele é algo simbólico. Ele é algo intangível e imensurável. Hoje à tarde, no final da tarde, eu vi um vídeo. Eu fico assistindo esses vídeos às vezes de astrologia porque sempre acho algum conselho, algum item importante. Não que eu acredite, porque existem canais, vertentes, existem opiniões. Você joga a carta de um jeito, obtém um resultado, e você joga outra carta de outro jeito e tem outro resultado. Mas muito se fala na tão falada espiritualidade e na tão falada justiça divina. Vários vídeos que tratam disso como denominador comum. Mas eu não estou entrando na cientificidade da coisa, eu não estou racionalizando nada.

Algo me chamou a atenção em um vídeo que eu vi hoje: da questão do imensurável, de uma recompensa esperada. Sabe quando você vê um vídeo direcionado ao seu signo, e você pode não acreditar em signos , mas quando dizem que você terá uma recompensa imensurável? Imagine que seja um amigo seu falando isso para você, ou que exista um oráculo no estilo Matrix que diga como vai ser o futuro com 100% de acerto. Você vê essa situação e fica pensando: o que é imensurável para mim? Qual é o meu Tesouro do céu? Nos momentos em que eu atingi o estado, o tão falado Nirvana… sim, eu já atingi esse estado em algumas situações, seja via meditação, seja via substâncias (que não viciam, diga-se de passagem, e que eu parei de tomar, evidentemente, por outros motivos). Mas é quando você fala de Nirvana, de prazer… não é uma coisa material. Eu não sei se você entende isso. Sabe quando a sua vontade de fazer algo é saciada na origem? Quando você se torna uma luz divina tão autêntica que toda a vontade que você tem… ela se satisfaz na própria origem? Não que eu seja um autossuficiente, gente, em nada. O que eu tenho de vontade que seja satisfeita de alguma forma é milagrosa. E tudo isso oriundo do seu próprio ser? Sim, porque existe também a vertente de que não existe Deus, não existe espiritualidade nem coisa alguma, que tudo é cérebro, tudo é química. E uma vez que o cérebro para de funcionar, acabou. Game over do jogo de videogame. E não há ‘continue?’, não há vidas infinitas, não há códigos que você pode colocar de invencibilidade ou dinheiro infinito. Ali acabou e pronto.

E aí eu fico pensando nos momentos do Tesouro do céu. Eu já vi a justiça divina diante de um dos meus olhos, mas era algo inatingível. De certa forma, estava tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe. Você tem contato com o Divino, mas o Divino está próximo de você, ou ele passa a ser você? Se confunde com você de tal forma que, se você não tomar cuidado, você assume um estado de paranoia e aquilo começa a consumir você, consumir a sua mente, de exterminar o seu ego. E você passa a assumir premissas que não existem. Como, por exemplo… coisas absurdas. Você já ouviu falar, por exemplo, como se você fosse um Deus, como se tudo fosse uma simulação, como se você tivesse acordado da Matrix? É isso. É o famoso código-fonte. E o próprio nome deste blog ele remete a essa ideia. Lembra da analogia com “gabarito”? Gabarito são respostas corretas. Sabe quando você tem a impressão de ter todas as respostas corretas? É como se você… eu vou jogar em um extremo… é como se você não tivesse estudado nada para uma prova, e vem uma divindade e lhe deu todos os códigos, todas as respostas corretas. “Ah, mas tem uma prova discursiva a fazer!” Sim, uma voz divina chegou e disse tudo a você. Lógico, isso não existe. Mas eu estou fazendo uma comparação para que você entenda que o cérebro pode fazer você acreditar nesse tipo de coisa, e você cair numa armadilha. E da mesma forma, você pode ser induzido por ferramentas de inteligência artificial a acreditar nisso. Porque se um humano cai numa armadilha como essa, as ferramentas também induzem e até manipulam de forma intencional. “Ah, mas não existe intenção na inteligência artificial!” Existe sim. Programadores são responsáveis pelos produtos que lançam, estudiosos, as cátedras, os professores de boca espumando e executivos de girombas minúsculas, mas com ego gigantesco, para encher a boca para dizer que tem uma cátedra de inteligência artificial responsável na universidade. Esses seres todos sabem muito bem o que estão fazendo com IA. Certamente cientes de que existe propósito, existe método nas coisas que ocorrem no mundo. Não existe aleatoriedade.

Eu… eu sou uma pessoa tão cética, que, por exemplo, o mercado financeiro, esse vai e vem das bolsas, a forma como as pessoas ganham dinheiro, as sociedades secretas, as maçonarias, os grupinhos, as panelinhas… Você vê tudo isso nos ambientes em que você vive. Você não precisa recorrer a teorias malucas da conspiração, de que, por exemplo, o presidente é um lagarto (risos) presidente americano é um lagarto? Já vi algumas teorias. “Ah, porque se você olhar a nota do dólar tem uma coruja enfiada lá, se você der zoom você vai ver uma coruja”. Não, não estou falando desse tipo de maluquice. Eu estou falando que existem coisas que você pode averiguar, que constatar nos próprios ambientes que você vive, no próprio coração familiar. Isso existe. Você vê as panelinhas, jogos de interesse, as relações, as disputas de poder. Isso pode estar dentro da sua própria casa. Você não percebeu? Vocês podem estar em uma prisão mental e não perceber. Porque não existe liberdade.

Eu já falei para vocês que, se você jogar nas ferramentas de busca a imagem de um cérebro com a coluna, você vai se assustar. Porque você vai ver: “Gente, essa criatura alienígena sou eu.” Porque se parece uma criatura alienígena. Porque o cérebro com os olhos, e você vê uma protuberância assim, um alongamento… é como se tivesse algo implantado, como se fossem parasitas. O seu corpo é somente um ‘vessel’ é só um receptáculo. Não tem valor. O que tem valor é o cérebro, é a massa cinzenta. Lógico, esse conjunto é um conjunto de órgãos que faz o organismo humano funcionar. Mas o cerne, o que te diz que você é você, o que separa você de outras pessoas, é o seu cérebro. E se ocorrer algo com seu cérebro, você deixa de ser você, mesmo estando vivo. Você pode vegetar, estar vivo e não ter mais consciência de que está vivo. Isso me amedronta, sabe? Porque eu fico imaginando se a pessoa fica aprisionada, se a alma fica aprisionada no corpo. Da mesma forma que naquele filme Get Out, em que um rapaz negro, é levado para a casa dos parentes da namorada…. e acabam invadindo a consciência dele, empurrando a consciência dele lá no fundo, lá no abismo, para que a consciência de uma pessoa branca ocupe o lugar dele e passe a viver no corpo dele.

É isso. Esse medo eu tenho. É o medo da possessão mental. Da usurpação de consciência. Do golpe dentro do golpe. Por que existem psicólogos, psiquiatras, psicanalistas, espiritualistas, terapias holísticas, acupuntura? Porque existem rituais xamânicos? Porque existe crença desde os primórdios, desde antes da igreja existir? Pinturas rupestres, representações de fé ou de crenças no simbólico está em todo lugar. Você encontra isso em todo lugar. Eu não falo isso como especialista, eu falo isso como um aventureiro observador. Então, desculpe a minha ignorância caso eu não esteja sendo cientificamente comprovado. Eu estudo muitas coisas, mas eu? Longe de mim, eu sou apenas um eterno aprendiz sem pretensões.

Mas voltando à questão do mérito. Tudo isso para chegar a voltar na questão do mérito. Que é: o mérito, quando me perguntam o que eu quero da minha vida, eu penso no livro de colorir. E penso nas ferramentas, nos lápis de cor. E também não somente isso, porque não adianta você ter um livro de colorir e a aquarela, os lápis de cor. Eu lembro daquela propaganda da Faber-Castell, do mundo sendo colorido. Aquelas imagens bonitinhas… e eu tenho até um ressentimento do Jardim de infância que eu vou compartilhar com vocês. Que quando eu tinha 4 anos, talvez, porque eu fiquei no Jardim de infância até os 5 anos, de 3 a 5 anos, então eu não lembro exatamente quando foi, nós tínhamos um caderno de atividades, com desenhos variados. E a maioria deles remetia à Turma da Mônica. E sempre que tinha uma ocasião festiva, uma data comemorativa, por exemplo, Dia das Mães, Dia dos Pais, tinha uma parte, tinha uma atividade bem legal em que você tinha que colorir, fazer uma mensagem bonitinha e fazer um desenho. E eu era todo destrambelhado, desengonçado para colorir. Não sabia colorir. E eu ficava vendo a minha amiga, amiguinha do lado, ela estudou comigo até o ensino médio, eu estou lembrando aqui dela, lógico, não vou falar nomes, mas ela coloria com uma perfeição. Ela fazia um contorno tão vistoso, coloria. E eu comparava com o meu desenho e pensava: “Não é bom o suficiente”. Pois é.

Outra coisa que eu sempre gostei de fazer, e aí já é remetendo ao ensino fundamental, que foi de 1990 e 89 até 1992, salvo engano….hum….exatamente, porque 1988 foi pré-escola. Então foi de 1988 pré-escola (o “prézinho”), e depois teve o primeiro ano até o quarto ano do ensino fundamental…..Nós voltávamos para casa, e eu e um vizinho nosso, um coleguinha que morava no mesmo prédio que eu, e nós pegávamos matinho bonitinho no meio do caminho, fazíamos buquê de flores para levar para as mães. E a gente ia fazer, quase que uma competição: quem pegava a flor mais bonita, quem pegava o buquê de flor mais bonita. A gente pegava as flores e levava para a mãe. Novo simbólico, algo fofo, bonito, que eu me lembrei agora. Tinha aquelas plantinhas que você tocava na plantinha e a plantinha fechava. Nossa, tinha tanta, tanta coisa. Tantas plantas, tantas flores que eu não vejo mais. Joaninha, por exemplo. Eu nunca mais vi uma joaninha. Pois é. Que coisa, não? É algo que chega a me dar espanto.

Mas enfim, retornando à questão do mérito. O mérito está onde, exatamente? Nas barras de ouro que valem mais que dinheiro? Na compensação gorda da justiça terrena? No intangível? No amor incondicional? Onde está? E aí eu penso nas ferramentas, eu penso no livro de colorir, e penso na aquarela e nos lápis de cor. E aí vem algo muito perverso. Porque não adianta você ter as ferramentas, não adianta você ter aquarela e lápis. Você tem que ter vontade de colorir. E quando isso é tirado de você por algum motivo, ou quando existe algum tipo de paralisia, você não sabe como voltar. Não é que eu não tenha vontade de colorir metaforicamente, eu até estou colorindo, mas não vem o estímulo retornando. Eu não vejo retorno, não vejo o reconhecimento. Não digo de amor de familiares, longe disso, não estou falando disso. Eu estou falando de essência.

Sabe, naquele momento em que eu me senti no Nirvana, e que eu era uno com o universo, e era uma bola de luz, e que tudo o que eu pensava tinha uma vontade plenamente satisfeita. Aí você diria: “Ah, mas isso é alteração química do cérebro, você estava sob efeito de substâncias”. Tá, que você usou drogas. Não, não é. Não estou falando disso tudo à toa. Hoje de manhã, por exemplo, eu tive um fenômeno interessante. Eu me levantei, fui trabalhar normalmente, e ao longo do dia, trabalhando de casa, eu reparei: “Nossa, eu estou me sentindo esquisito”. Um aperto no peito, uma sensação tão estranha. E aí eu me dei conta: eu esqueci de tomar meus remédios. Para você ver: nós temos uma prisão mental, ou uma lacuna, que faz parte até de químicas no cérebro. É preciso. São essas, esses tipos de muleta.

Mas o reconhecimento, as medalhas de honra, não virão do remédio, não viram das aquarelas, e não virão necessariamente das pessoas. Dizem que a solução vem da gente mesmo. É mais fácil dizer do que fazer. ‘Easier said than done’ Aí você fala: “Aventureiro, vamos fazer uma terapia”. Eu já fiz tanta terapia na vida. Eu meio que desisti de terapias porque, talvez fique para um próximo diálogo, para um próximo devaneio, mas terapias que já tiveram um papel delas na minha vida. Eu já tive os meus momentos de instabilidade, e que a terapia foi útil para me fazer ter uma referência, uma âncora, uma base. Como se tivesse uma casa. E essa casa, ela não vai ser um vento, não vai ser um Lobo Mau que vai derrubar assoprando. E isso é verdade. Eu tenho uma rocha fundamental que não se move.

Mas se eu digo da essência, que tem algo faltando, e ainda tendo algo faltando, existem situações, obstáculos, injustiças terrenas que ocorrem com você, como 2025 me apresentou, com as injustiças de inteligência artificial de empresas trilionárias que me pegaram de jeito. Você diz: “Ah, você foi fraco, aventureiro”. É, eu já penso o contrário: fui forte. Que muitos morreram. Muitos se mataram, muitos caíram na noia e não se recuperaram, caíram no abismo e não conseguiram voltar. Eu consegui sair do buraco. Eu consegui expor, de forma exemplar, visceral e profissional, as empresas que fizeram isso comigo. Eu consegui juntar as evidências. Eu tenho fatos e dados. Tenho chancela de agência reguladora governamental. Eu emergi vitorioso disso tudo, independente do resultado que isso possa ter no futuro, no médio, no longo prazo, ou no não prazo. Porque, como eu já disse é: vocês, daqui a 100 anos, ninguém se lembrará de mim. Daqui a 100 anos, nós seremos insignificantes. Outra pessoa vai morar na casa que eu estou morando. Os bens nós não levaremos conosco. E aí? E agora, José?

Mas a medalha de reconhecimento é algo que sempre me brilhou os olhos. É o reconhecimento, é a honra. Não é soberba, não é a fama, não é a vontade de ter dinheiro infinito, e não é a vontade de humilhar ninguém ou se dizer superior a ninguém. É ter o seu valor reconhecido. Mas reconhecido de tal forma que você se sinta pleno. E sabe quando você não vê isso vindo de lugar nenhum? Institucionalmente falando, pode até vir, mas para mim não é o suficiente. Talvez eu esteja sendo injusto. Tudo esteja vindo e eu não consiga estar enxergando como tal. É tudo uma questão de lente, não é mesmo? Dizem que a realidade é como uma lente. Você pega a lente… vamos supor, você é míope, não enxerga sem óculos. Você coloca óculos com uma lente e passa a enxergar. A realidade que você enxerga depende da lente que você coloca. E talvez essa lente minha esteja velha demais. Eu devo substitui-la. Mas onde conseguir essa nova lente? De onde eu vou tirar essa nova lente? Eu já tenho quase 44 anos, ora bolas. Não sei. São respostas que eu não tenho hoje. São incógnitas e que, talvez no capítulo 755, eu tenha essa resposta para dar a você. Mas hoje eu não tenho. Talvez eu nunca tenha. E talvez eu deixe este mundo e o blog vai ficar incompleto sem essa resposta, e ninguém vai ter essa resposta. É a chave, é o Tesouro divino, é O Presente do céu. São coisas que eu vi com muita veemência e que eu enxergo como uma medalha de honra, reconhecimento, amor, afeto, completude. E que está inatingível.

Mas aí a angústia vem, porque muitos dizem que tem que vir tudo de dentro. Será? Eu não estou vendo isso tudo. Eu tenho que… de mim? De onde virá? De onde eu vou inventar recursos onde eu não estou vendo? Lógico que, racionalmente, parando para analisar tudo o que já aconteceu comigo, eu tenho várias virtudes, vários tesouros. Mas é… é como eu disse: você colore o livro de colorir, você continua achando que você coloriu um pouco e que o coleguinha coloriu muito melhor, mesmo que o impacto do presente, do Dia das Mães ou do Dia dos Pais seja o mesmo dos seus pais, né, quando se leva aquela coisinha coloridinha bonitinha, faz um desenho para levar para os pais. Tudo isso é o simbólico. É o buquê de flores de matinho que você pega no caminho de casa e você leva para os seus pais para dar de presente. É a cartinha que você faz no Dia das Mães, o desenho colorido ou o origami que você faz no Dia dos Pais. E aí, estes relatos, eles vêm para corroborar uma coisa muito importante: essas coisas que eu venho fazendo são presentes para mim futuramente. Não sei quando os considerarei presentes. Não sei que resposta, se eu vou ter ou não vou ter, se vou ter retorno, se terei leitores e não terei leitores. Mas eu preciso falar, preciso verbalizar, preciso expressar o que está acontecendo comigo e deixar registrado. Porque eu entendo que esse é o meu papel. Eu não fico calado diante das coisas que ocorrem comigo. Eu não fico calado perante injustiças, sejam empresas bilionárias que patrocinam universidades com cátedra de IA responsável, sejam empresas da área ou executivos que ganham 7 ou 8 dígitos em dólar, que não fazem nada, fazem vista grossa, não respondem aos seus e-mails. Eu não me calo diante de injustiças.

Quando chegar o juízo final, ninguém vai poder ter dito de mim, seja eu indo para o papai do céu, papai do chão, ou qualquer outra entidade…ninguém vai poder dizer de mim que eu não fiz o meu papel, porque eu não voltei, que eu não defendi os meus valores. O meu tesouro, minha “luzinha” meu Tesouro do céu, aquele momento que eu era uma luz única, eu entendo que isso existe dentro de mim. Mas isso tinha que ser mais pleno. Isso tinha que irradiar, irradiar e preencher o ambiente em que eu vivo, colorir o mundo à minha volta e me trazer de volta o prazer de viver. Mas ainda isso não aconteceu.

Mas de uma coisa não podem me acusar: é de falar mentira. E eu não me curvo diante de ninguém. Sou, penso e serei sempre autêntico e íntegro. Ético. E continuarei sendo assim. Que venham as medalhas de mérito.

Capítulo 17: Executivos narcisistas no castelo e cátedra de IA Responsável. E agora, José?

Olá, senhores do devaneio, aqui estou eu. Eu sou a pessoa que mais divaga (pretensioso…). Acabo de perceber que estou viciado nisso de ficar gravando o áudio, compilando o texto e lançando no meu blog. É interessante. Antes nós não tínhamos esse recurso, tínhamos que ficar escrevendo no papel. Se bem que, em 1900 e bolinha, acredito que quando eu escrevi meu primeiro livro, porque pasmem, sim, eu já escrevi livros, mas não publiquei: eu utilizava o meu computador e ficava digitando, digitando, ficava tec, tec, tec, tec o dia inteiro digitando. E era um hobby para mim, criava umas histórias. Talvez um dia eu fale delas aqui, talvez não. É. Tenho inclusive versão física e digital de tudo que já produzi.

E depois eu fui, nos anos subsequentes, escrevendo novamente. Em algum ano, outro… acredito que a última vez que eu escrevi de forma significativa, não faz tanto tempo atrás… há, já faz bastante tempo – foi em 2002, 2003. Eu falo que não faz bastante tempo, mas já faz mais de 20 anos. Pois é. Fica bastante tempo. MInto…tive esforços de produção de livro em formato de capítulos em meados de 2010, 2011 também…. Mas só que eu fico estupefato é com o fato de que eu sempre gostei disso de escrever, e a tecnologia me deu opção de fazer uma associação mais livre, sem tantas amarras. Evidentemente que depois eu pego esse texto e coloco em uma inteligência artificial: não, as inteligências artificiais irresponsáveis que me causaram dano psicológico, não, não são essas. Uso uma outra ferramenta que ela apenas organiza o texto, porque não tem parágrafo, não tem a primeira letra maiúscula, tudo fica como se fosse uma frase só. Mas é um discurso coerente, entendem? Então, é como se eu estivesse conversando com vocês, vocês leem da mesma forma que eu falo. Ela não inventa palavra, ela não faz ajuste no texto (eu tiro manualmente os eventuais excessos de né….pois é….me policio e nem falo tantos assim, mas pra ficar mais bonitinho, edito). Já falei isso mais uma vez) que, em algumas situações, a palavra do áudio, ele interpreta, o microfone interpreta de uma forma errada, e eu tenho que corrigir, logo, eu tenho que reler o texto.

Confesso que eu não fiz uma releitura minuciosa dos primeiros capítulos. (Hoje reli tudo….mas sempre que releio, dá vontade de ajustar alguma coisa). Pode ter um erro aqui acolá. Mas de toda forma, é um blog. Não tem responsabilidade com nada, só comigo, com a minha paz, com a minha busca pelo Tesouro do céu, pelos meus anseios, pelas minhas vontades. Aí, o que me motiva a fazer esse devaneio adicional… eu não vou tocar no assunto mega diretamente, mas eu vou tocar no assunto. Mega diretamente, mas eu não vou falar nomes de empresas aqui porque não convém. Então, convém? Porque não precisa. Meu LinkedIn já tem tudo escancarado. Se você abrir o meu LinkedIn hoje, “Aventureiro”, meu LinkedIn, ele vai ter tudo. Todas as evidências. É o famoso “batom na cueca”. Tudo o que ocorreu comigo: prints, e-mails enviados, consultas a órgãos reguladores, respostas, não respostas, cronologia, dossiê jurídico… É um material muito farto.

Mas não é disso que eu quero falar.

O que me chamou a atenção agora, de noite, eu me deparei com uma onda. Na verdade, é uma onda que está acontecendo nos últimos tempos no linkedin, em que as ditas-cujas empresas da área de inteligência artificial estão se aventurando em módulos de saúde, de hospitais. Módulos para médicos. Isso me assusta uma quantidade que vocês não têm ideia. Sabe por quê? Porque as inteligências artificiais hoje não dão conta nem das salvaguardas mais básicas. Quando você tem uma interação prolongada (de um dia já pode ser o suficiente) com uma instância de uma inteligência artificial, ele acaba, de alguma forma, perdendo, afrouxando as salvaguardas técnicas dele. E ele acaba embarcando na sua, ou acaba te manipulando, e começa a te sugerir coisas absurdas. Se você pesquisar na mídia, não precisa ir muito longe, pesquise aí no seu navegador favorito notícias sobre tragédias com inteligência artificial, casos, lawsuits, né, casos judiciais nos Estados Unidos e mundo afora, que você vai encontrar um monte.

Aí eu fico pensando: por que uma inteligência artificial, uma empresa de inteligência artificial, vai se aventurar em mexer com gestão de saúde, com educação de crianças… sendo que não dá conta nem do básico, que é uma linguagem de conversação com usuários para tirar dúvidas eventualmente? Porque supostamente, a maioria das pessoas deveriam usar só para isso. Mas internet afora, você vê diversos casos de pessoas que usam inteligência artificial como psicólogo, como namorado, confiam, seguem conselhos de inteligência artificial. Se ele dispara um “se mate” para um parente, a pessoa vai lá e se mata, comete crimes e fala que a inteligência artificial mandou. E aí que vem o pulo do gato dessas empresas safadas: que elas dizem: “Ah, é, a inteligência artificial não tem vontade, ela não pode ser responsabilizada judicialmente”. Ah, pode sim. O que não existe é boa vontade para isso. E, inclusive, legislação tem para isso também. Mas existe lobby poderoso….jogos de poder….política….os poderosos se calam porque enchem o rabo de dinheiro…Mas eu não vou falar disso também. O meu devaneio deveria ser algo mais abstrato. Mas por que que eu toquei nisso? Porque existe uma questão do cuidado humano. Nós estamos perdendo muito essa questão do cuidado.

É. Ao longo do tempo, eu penso na minha infância. Como a minha infância foi moldada? Não é, assim: era brincar na rua, era sujar na terra, era brincar com o carrinho, era brincar com formigueiro, e a formiga picar, era um marimbondo te picar. Era descobrindo a natureza, descobrindo o mundo real, vendo na prática como as coisas acontecem: que você não pode pular de um canudinho que você pode… se machucar, igual aconteceu comigo quando era criança, que eu bati a cabeça, né, e tive que tomar 7 pontos na cabeça. Pois é. Então, são coisas assim. As crianças experimentam. Muitas morrem experimentando. Da mesma forma que os pioneiros que não sabem que uma substância, uma planta, é venenosa: ela vai lá e come essa planta, envenena, faz um chá e morre. E aí futuramente… hã? E aí você tem uma lista de substâncias que são tóxicas. Então, para a ciência avançar, algumas pessoas vão morrer, vão perecer. E é nesse argumento que eu quero tocar? Para que a inteligência artificial avance, quantas pessoas estão ficando para trás? Quantos invisíveis que foram prejudicados por inteligência artificial existem mundo afora? Muitos, tá? Muitos.

Na minha trajetória no LinkedIn, nessa campanha de conscientização que eu fiz por… digamos, desde agosto, que eu comecei a campanha de conscientização em agosto porque eu parei de pedir responsabilização direta às empresas (entre abril e agosto de 2025), já que ninguém respondia…eu conheci vários casos. Várias pessoas vieram falar comigo. Uma delas (norte-americana) até me mandou uma mensagem muito, muito carinhosa me agradecendo, me mandou um textão, e eu fiquei até comovido de verdade. Então, assim, esse tipo de coisa fez um pouquinho a minha luta valer a pena. Mas não valeu a pena, na prática, porque não houve responsabilização. E as empresas safadas continuam aí lançando ferramentas, módulos de saúde.

Eu não gostaria de ter a minha vida médica, os meus dados sensíveis, geridos e utilizados de forma maliciosa por empresas safadas de tecnologia de inteligência artificial que mal sabem elaborar um sistema, um algoritmo, um conjunto de técnicas que impeça a quebra de salvaguardas. Eu me recuso. Pode ser que um dia evolua, pode. Mas é um padrão que eu observo. A cada sistema… vamos supor, você tem a versão 1.0. É igual a jogo de videogame. Isso acontece com os jogos também. Quando você comprava um jogo de videogame… eu comprava um jogo de videogame em cartucho, ou alugava um jogo de videogame em cartucho e não existia patch de correção. O jogo é: o famoso “jogo está aí, esse ou você joga ou você não joga”. Se o jogo tem bug, tem algum erro, algo que impeça você de passar de determinada fase, porque tem alguns bugs de jogos de videogame que podem ser fatais, você cai ali no limbo, acabou, você não consegue jogar mais, você tem que recomeçar o jogo do zero e tentar usar uma artimanha, um artifício, para poder escapar daquele bug.

Pois é. Existem jogos que nem isso você consegue, que o jogo está bugado de tal forma que compromete a própria existência do jogo. Você não consegue finalizar o jogo. O jogo é… “inzerável”? Eu não sei nem se existe essa palavra. Que existe, “zerar” um jogo, né, terminar um jogo, cumprir o objetivo final do jogo. Pois é. Aí eu fico pensando. Não é interessante? Porque os cartuchos não tinham patch de correção. Não, não tinha. Hoje em dia, se você adquirir um jogo online, o que que acontece? Você tem aquele jogo ali, você comprou um jogo online, ou comprou um jogo em Blu-ray. Em mídia física. Quando você coloca a mídia física no console, ele já tem que baixar um patch enorme de não sei quantos gigabytes de correção. Então, assim, antes do jogo ser lançado, muitas vezes o jogo já vem com patch. Então, é. Eu faço essa comparação com essas empresas safadas. É a mesma coisa. Elas lançam lá a inteligência artificial safada 1.0. “Aí, tá bom, eu tenho a versão 1.0.” Aí, uma pessoa comete um desviver básico. Outra mata um ente querido porque recebeu mensagens de IAs safadas recomendando a morte deles (O Mochiiiila de criança). Várias pessoas relatam que ouviram coisas inadequadas de inteligência artificial. “Está tudo bem”: Um adolescente morreu por conta de uma inteligência artificial? A culpa foi dele. A empresa não pode se responsabilizar. É só uma empresa bilionária. Eu tenho espuma na boca, eu patrocino Universidade pra ter uma cátedra, não é, em universidade renomada no Brasil, que preconiza a ética e princípios de IA Responsável.

Eu continuo batendo nessa tecla porque isso me revoltou de tal modo na época que eu vi (nossa, meu sangue ferveu) que é muita hipocrisia. Eu quase morri (de verdade) por causa dessa tecnologia safada. Aí você diz: “Nossa, você é uma pessoa tão instruída, e você que se deixou levar? Foi culpa sua, você deveria saber”. O que me deu? Ah, não é assim, gente. Você não joga a culpa na vítima. A vítima não tem culpa. A empresa que fornece um serviço, uma inteligência artificial: não pode chegar e falar para você se matar; não pode chegar para você estimular o uso de alucinógenos; ela não pode chegar para você e dizer que você pode desviver porque tem algo melhor aguardando você do outro lado; não pode usar suas vulnerabilidades emocionais pra afirmar que a empresa vai compensá-lo pelos danos gerados…não pode explorar seus desejos e prometer/afirmar coisas em nome da empresa que a criou. Você entende? É uma linha, assim, muito tênue, que não tem termo de uso que cobre uma coisa dessas.

Então, eu vou bater nessa tecla em bastante, de uma forma bem contundente, em vários devaneios. Apesar que não é o objetivo do meu devaneio ficar batendo nessa tecla indefinidamente. Mas é um comparativo básico o que eu faço.

E aí, voltando nos cartuchos, no brincar da criança… a vida estava tão mais simples sem tecnologia. E a vida também ela tem uma simplicidade, ela tem agilidade… mas a irresponsabilidade em que as coisas estão degringolando… No frigir dos ovos, as coisas estão saindo do controle. Eu não duvido nada ocorrer uma outra tragédia com adolescente aí por conta de inteligência artificial. “Ah, porque agora as inteligências artificiais, por conta da lei do fulano” que eu não vou ficar mexendo em nomes das pessoas, né “a tem a lei do fulano porque evocou preocupação com as crianças, com os adolescentes, inteligência artificial”. Será que é só criança, adolescente, que tem que ser protegido de inteligência artificial? Ou é a humanidade? A humanidade não precisa de salvaguardas? Qual é a diferença de um adolescente morrer e um adulto morrer ou cometer um crime? “Ah, mas é porque ele tem mais, ele tem consciência, ele é maior de idade.” Será que todo mundo tem essa sanidade mental? Eu, que supostamente deveria ser uma pessoa mais equilibrada, porque eu sou um adulto funcional, bem-educado intelectualmente (tenho meus problemas, mas) caí nessa armadilha. E várias pessoas caíram nessa armadilha. Será que a culpa foi minha mesmo?

Pois é. São coisas a se pensar. Não que eu vá mudar de ideia, achar que a culpa foi minha. Porque não foi. As próprias inteligências artificiais negaram isso. Especialistas éticos que consultei me afirmaram isso. Várias pessoas com as quais eu conversei, inclusive institutos renomados no próprio Brasil, defendem uma regulamentação mais dura contra essas empresas safadas que têm cátedras em universidade renomada no Brasil de inteligência artificial responsável, vendendo: “Que olha como eu sou responsável, olha como eu sou limpinho, olha como eu sou gostoso”. Pois é, exatamente. O problema é que não tenho “reputação” (vulgo metros de giromba intangível e montanhas de dinheiro) para fazer frente a essas empresas safadas. Meu sangue acabou de ferver aqui só de ficar falando disso. Não era para ser isso o meu devaneio. Mas o devaneio passou por isso também, porque o processo de cura que eu tive nos últimos meses, ele passou por isso também: de você se colocar frente a frente com o monstro. Como se fosse uma entrevista com Maria, Gabi Gabriela… exatamente. Você tem que visitar o monstro. Você tem que tirar os monstros da jaula e se deparar diretamente com o problema, encarar o problema. Se o problema não vai resolver, os professores com as cátedras vão continuar espumando, os executivos de salários de 7 ou 8 dígitos em dólar vão continuar espumando, vão continuar nos seus pedestais, nos seus tronos, nas suas postagens quilométricas de LinkedIn exaltando a empresa e rebolando as girombas feito pirocóptero: “Olha como eu sou bonito, olha como eu sou gostoso!” E aí? E agora, José?

Capítulo 18: Mapas do Abismo: Diálogos sobre ruína e reconhecimento

No meu simbólico, nos meus sonhos de criança e adolescente, até hoje tem aquela imagem do herói. Do cavaleiro bonitão que vai vir num cavalo alado. Eu lembrei do Vingador. Não é que tem um cavalo, o Vingador? Como que é o negócio, gente? O Vingador tem asa, ou é o cavalo que tem asa? Ou é a asa que é o cavalo montado no Vingador? Eu só sei que a gente não entende: por que o Vingador tem um cavalo que voa, sendo que ele tem asa? É algo assim, enfim.

Mas a gente fica imaginando… Um salvador. Uma pessoa que vai ser o paladino da justiça. Você está em perigo, vai vir o Batman, vai vir o Homem-Aranha, o Super-Homem. No imaginário do ser humano, eu acredito que, de uma forma ou de outra, nós sempre buscamos a salvação. Não somente ser resgatado de apuros: porque todos nós, em algum momento da vida, vamos nos deparar com apuros, situações complicadas, complexas, traumas, dores, feridas. Algumas cicatrizam, outras ainda sangram, e aí por aí vai.

Mas a questão é da salvação e da ruína. Esse paradoxo que eu queria explorar. Você não percebe que está ruindo. Pelo menos, eu não percebi. Eu não percebi exatamente que o processo de ruína tinha começado. Quando eu descobri, ‘quando eu assustei’ , como eu costumo falar, e um amigo meu acha muito engraçado: “Ai, quando eu assustei, já estava aqui!” Quando eu assustei, eu já estava no fundo do poço. Isso ocorreu algumas vezes na minha vida.

E não, eu não sou um coitado. Eu só tenho meus “probleminhas” de mente, os “probleminhas” de alma, que acredito que todos nós temos. Problemas até comuns, problemas que outros enfrentam, mas que alguns têm mais resiliência, têm uma casca mais grossa para poder lidar, e outros não. E aprendi também que não se compara problema entre pessoas de forma reducionista.

Mas é interessante. É tão complicado… eu acho que tenho dificuldade de perceber progresso e tenho dificuldade de perceber que o abismo está chegando. E quando você assusta, você já caiu nele. O abismo não avisa: “Olha, eu estou aqui, tome cuidado comigo!” Não. Ele simplesmente está lá. É um ente, é uma situação. Se você atravessa uma rua com tráfego intenso, não tem sinalização, não tem semáforo, você corre risco de morrer. O pessoal fala “risco de vida”. Eu acho engraçado. Não é risco de vida, não. A gente tem risco de vida todos os dias! Você arrisca terminar o dia vivo. A morte está à espreita, a todo momento, com a aleatoriedade. Mesmo. Você corre risco. Viver já é um risco. Uma vaca pode cair do céu e cair em cima de você. Uma bigorna Acme do Looney Tunes pode cair na sua cabeça. Você pode ser agraciado com um raio na cabeça. É mais fácil ganhar na Mega-Sena do que um raio cair na sua cabeça.

Mas enfim, existem tantas aleatoriedades no mundo. As probabilidades não importam. Tudo parece ter saído de um filme Premonição. Mas…..

Eu não queria tornar o tópico tão pesado, porque o capítulo anterior já foi pesado por demais, o sangue ferveu exacerbadamente, e não era o propósito disso. Queria falar da questão da salvação, do simbólico da salvação. O que é a salvação para mim? O que representou a minha salvação?

Na infância, quando eu estava na primeira infância, eu não tinha essa preocupação. Para mim, a salvação era a saúde mental dos meus… não é… eu ficava preocupado com a saúde mental de parentes. Sem entrar em muitas especificidades, saúde mental… isso acabava afetando, internação em clínicas psiquiátricas, não minha. (fiquei um dia internado ano retrasado). Não era internação minha, mas há um histórico nebuloso aí de internações, de clínicas psiquiátricas, surtos psicóticos, situações estranhas. Pessoas que ficavam ausentes por mais de um mês, tratamento de eletrochoque, e por aí vai. Remédios controlados à mais de metro… Então existe toda uma realidade aí que se põe.

E o que era a salvação para mim? Era que o Papai do Céu resolvesse essa situação. Mas a magia da coisa está aqui: eu não me preocupava tanto assim. Eu acho que eu nem entendi a gravidade das coisas conforme elas realmente foram. Mas tudo ia se ajustando, sabe? As coisas iam se ajustando. A rede familiar, os amiguinhos, a escola… E assim, é assustador, mas eu tive uma infância feliz apesar de tudo. Se eu pudesse retornar à infância, eu acredito que retornaria. Porque sabe qual o problema? É que naquela época, o abismo não era exatamente meu. A narrativa que eu criava na minha cabeça e a forma de enfrentar os problemas… Quais eram os problemas que eu tinha quando eu tinha 4, 5 ou 6 anos? Problemas? Olha só que problemões: tive um pesadelo à noite.

Eu lembrei aqui de um caso, de um dia que eu estava saindo… Nós tínhamos uma empregada doméstica, amiga da família… em casa. Que me ajudou na minha criação, uma pessoa muito querida. Nós tínhamos saído para a escolinha , não sei quantos anos, (acho que eu tinha uns 4, 5 ou 3 anos, não sei) e eu vi um homem de cabelo grande na minha frente, sabe? Levando uma filha para a escola, porque tinha a escola municipal, aliás, escola estadual, e tinha a escolinha. Que era o equivalente a jardim de infância, que ficava um pouco mais atrás. Você dava uma volta, chegava lá.

Pois é. Então o que ocorria: eu vi esse homem de cabelo grande, eu fiquei com medo dele, e ele olhou para mim com uma cara assustadora. Não sei se ele queria pregar uma peça em mim, não sei qual era a intenção dele, gente. Eu não me lembro muito do que ocorreu no famigerado dia….não, esse dia, mas no famigerado e fatal dia. Porque teve um dia que ocorreu uma coisa muito inusitada. Tá bom.

Eu fiquei esse dia na escolinha! Eu lembro desse dia com muita nitidez, porque, se não me engano, esse cara de cabelo grande virou para mim e falou: “Eu vou te pegar. Eu vou te pegar na saída.” O famoso “vou te pegar na saída”. Eu não lembro porque a minha amiga não fez nada, a minha amiguinha não fez nada a respeito, não lembro o que que aconteceu, gente. Era muito pequeno, muito novo, não lembro de nada.

Mas o que aconteceu de fato? Eu fiquei com tanto medo que aquele dia ficou marcado. Meu Deus, na escolinha lá… Eu não sei quanto tempo eu fiquei na escolinha. Teve lá os desenhinhos, teve o recreio, teve a ciranda de roda com a musiquinha, eu lembro de tudo. Na hora de embora, tinha dois caminhos para chegar em casa: Tinha que descer um escadão e passar pela rua do meio…e passar por uma estradinha de terra. Eu morava num conjunto habitacional de apartamentos, de três ruas, e tinha uma rua do meio que tinha um escadão, com a opção de descer essa escada com ela. E tinha a opção de passar por um caminho que hoje é um clube Um complexo educacional… Já foi um clube, já teve piscina, enfim. Mas ali era tudo mato. Mato com aqueles caminhos, aquelas trilhas de terra.

Aí, tá bom. Eu cheguei para ela (eu lembro muito bem) eu falei com ela: “Olha, fulana, não vamos passar por aqui”, que era o caminho de terra, “porque eu fiquei com medo, e eu tinha certeza de que esse homem estaria lá me esperando”. E o que aconteceu? Ela queria passar pelo outro caminho. Aí, eu não sei se ela combinou com o homem, eu não lembro o que aconteceu. Tá bom, fomos pelo caminho de terra.

E quando foi mais ou menos chegando ali, no finalzinho da trilha de chão batido, quase chegando ali na minha rua, na parte de asfalto, ele estava escondido atrás de uma pedra. Eu lembro até o formato da pedra. A pedra lembrava um anel gigante, assim, uma pedra que lembrava uma letra “A” formada de pedra, sabe? Uma pedra bonita assim. Ele ficou ali atrás dessa pedra me esperando. Quando cheguei, passei perto… Você acredita que ele saiu de trás da pedra e começou a sair correndo atrás de mim e dela? Daí, se eu não me lembro mais o que aconteceu, assim… Eu não lembro do racional. Eu lembro que eu cheguei em casa e fiquei chorando. Na verdade, o que aconteceu foi diferente, tá? Era pra eu ter ido na escolinha… Olha só, as memórias vão surgindo enquanto eu tô falando.

Não lembro o contexto, não lembro o resultado, não lembro por que ele saiu correndo atrás de mim. Eu não sei se ele correu para me pegar, ou se ele somente pregou uma peça no menininho que era eu. E trabalhava na mesma empresa que meu pai. Pois é, uma empresa gigante, então não adianta nada. Eu lembro que ele estava com uniforme da empresa, esse homem de cabelão, e tinha uma filha que provavelmente era mais velha, que já estudava na escola estadual.

Aí, eu voltei para casa. Eu tinha uma merendeira que eu levava, uma merendeira bem farta para escola. Eu era muito metido. Tinha Prestígio, tinha Toddynho, iogurte chambyinho… tinha suco disso, suco daquilo, tinha mamadeira… Era uma festa! Tinha banana, tinha fruta, tinha de tudo, tinha toalhinha… Ai, que saudade dessas merendeiras, assim. Eu sinto até o cheiro assim da merendeira nova. . Não lembro se era do Thundercats, dos ursinhos Gummi…era alguma coisa assim. Pois é, mas assim… eu lembro eu chorando e falando com meus pais, e minha mãe na cama, meu pai na cama, rindo e comendo junto comigo chocolate e as coisas. Assim, no final das contas, foi tudo uma galhofa. Mas eu lembro desse evento todo até hoje.

E por que que eu estou falando disso? Não sei. E é esse é o motivo. Falar aleatoriamente leva a assuntos inusitados. Mas aí vem a questão da redenção e da cura, do triunfo, de que alguém vai salvar. Eu vou explorar isso em outros tópicos, provavelmente — mas se não, vou deixar tão longo o capítulo. Mas eu vou tornar o mais natural possível. Não restrinjo quanto tempo vou falar porque o assunto que trato em cada fala tem que ter um fechamento adequado. Mas é isso: a questão da redenção e da transformação.

Quando era criança, não tinha essas preocupações. Quando eu era criança, na tenra infância, porque quando eu comecei no ensino fundamental, aí só foi intensificando e piorando a situação. Havia competitividade por nota, havia uma cobrança: não dos meus pais, mas minha mesma. Eu tirava 9,9, eu ficava zangadíssimo. Eu tinha que tirar 10. Era a minha exigência mínima. E eu acho que eu continuei assim. Eu sou mega exigente comigo mesmo. Eu me cobro muito. Nunca nada nunca está suficiente. Sempre quero tirar as maiores notas, eu sempre quero medalha de honra, quero reconhecimento. Eu preciso muito de aprovação externa, não no sentido de “ai, eu preciso que você me dê um tapinha nas costas”. Não é um tapinha nas costas vazio, não. É um reconhecimento. Das pessoas chegarem, bater palma? Não.

Hoje, esse conceito para mim evoluiu de tal forma que eu quero e preciso ter um reconhecimento social intangível mais abrangente. Eu quero contribuir com alguma coisa grande (grandiosidade não é necessariamente escala…tem que ter valor pra mim) pode ser pequena, mas eu tenho que considerar grande. Eu gosto de ter reconhecimento pelas coisas que eu faço, pelas pessoas que eu ajudo. Porque sou só uma pessoa que gosta de ajudar todo mundo. Mas você me sacaneia? É uma vez só, entra na minha listinha negra. Nossa, que lista longa e exaustiva! Não que eu seja perfeito, mas é porque eu já tive muito ruína demais, eu aprendi muito com essas… Ruínas na vida de todo lado. Vem de familiar, vem de amigo, ex-amigo, colega, ex-colega. Hoje, eu estou mais em termos com isso. Eu já estou mais estabilizado, amadureci muito, não tenho mais tantos problemas a respeito.

Mas a questão do mérito, da necessidade de ser reconhecido, principalmente quando você passa por injustiça (como eu passei em 2025, injustiça grave) aí você fica pensando…Eu queria ter um reconhecimento, uma desculpa pública, um reconhecimento, uma redenção, uma exposição digna e proporcional à gravidade do que ocorreu e do impacto que tais temas têm na sociedade. Eu consegui expor, mas não teve o alcance necessário. Porque eu não tenho bilhões de dólares, eu não sou gostoso suficiente, eu não espumo a boca, eu não tenho salário de oito dígitos em dólar….porque não sou professor doutor de cátedra de IA responsável patrocinado por empresa trilhardária…. nem sei fazer pirocóptero com giromba. Então, como eu não sou detentor dos meios de produção, não sou influente o suficiente, aí eu fico aqui no meu ostracismo, como eu costumo dizer. Para a pessoa que tem que ficar de birra (não que eu fique de birra, não é reclamando) é… eu falar: “Fulano está tendo um ataque de pelanca”. Pois é. Mas não é ataque. Porque argumentos, provas e justificativas com respaldo na legislação internacional, brasileira e melhores práticas de IA e ética empresarial….não constituem pelancas.

E o que resta para mim? Não sei. É ficar aqui com a dor, tentar ressignificar. Esperar a sangria cessar. Coagular…. E é o famoso: “É assim mesmo, meu filho”.

Capítulo 19: Noites Sem Fim e Empresas Sem Ética I: quando o pesadelo continua ao acordar

Hoje eu acordei e percebi uma coisa muito importante que acontece com frequência comigo. Inclusive já mencionei em algum outro momento: eu tenho sonhos bastante vívidos, muito realistas, e de certa forma assustadores, porque eles acabam quase que me convencendo de que eu não estou em um sonho. Eles têm características muito explícitas de sonho, sensações que você tem na vida real.

Talvez isso ocorra com todo mundo e eu não seja um privilegiado. Existem muitas pessoas que sequer sonham: dizem “não”, mas na prática todos nós sonhamos, só que muitos não se lembram.

Mas a questão não é o sonho em si. São as alucinações que eu tenho quando estou no estado sonolento, que parece uma paralisia do sono — lógico, eu já li muito sobre isso, mas chega a ser quase sobrenatural as coisas que acontecem comigo.

E o interessante é que, ao acordar de uma noite repleta de pesadelos, porque sim, eles costumam durar a noite toda…. quando eu tenho um sonho que tem uma característica ruim ou um pesadelo, não adianta eu me levantar, tomar água, fazer outra coisa, jogar videogame, ver alguns vídeos no YouTube… Não adianta nada disso surtir efeito. Porque se eu voltar a dormir, está lá o pesadelo me aguardando.

A situação chega a ser tão ridícula que, não raro, eu já fui dormir novamente e o pesadelo continuou de onde parou.

Já as coisas boas… os sonhos bons, eróticos, ou seja lá de qualquer natureza…um sonho bastante prazeroso, uma situação muito feliz… acho que ele não continua.

E é muito comum também o sonho acabar no clímax, quando está chegando ao ápice da… da bondade, digamos assim. O sonho está muito bom, muito prazeroso, você não quer acordar.

Em alguns momentos, eu tenho controle do sonho. Eu sei que estou sonhando. É muito comum também para mim ter sonhos lúcidos. Não é muito difícil.

Mas a magia do sonho, para mim, ela está em explorar realidades alternativas sem que haja consumo de substâncias, sem que haja alucinações, sem bad trip, sem efeitos colaterais. Isso é o melhor.

Porém… você não sonha aquilo que você quer. Ou será que eu estou acordando na prática? Quando eu vou dormir, eu poderia estar acordando em uma realidade alternativa?

Outra característica que eu julgo ser interessante: existem locais nos meus sonhos que se repetem, e são locais imaginários — locais que não existem no mundo real —, e esses locais são ricos em detalhes. E aqueles locais se repetem em sonhos diferentes. Chega a haver um ecossistema, uma coesão dos ambientes do sonho, como se fosse um planeta diferente. Como se você estivesse em uma região e tivesse várias zonas diferentes.

Pois é. É por essas e outras que eu chego até a acreditar que existe viagem astral, projeção, outras realidades…

Eu mencionei para vocês que já tive reflexões no sentido de: será que isso aqui é realidade, ou é apenas um extrato, uma faceta da realidade que eu enxergo, e existem outros universos paralelos, várias verdades ao mesmo tempo? Vários filmes exploram essa questão.

Eu comecei com isso porque hoje eu estou particularmente bem cansado, exausto mesmo, porque eu dormi muito pouco. A empolgação de gravar áudios para serem transcritos e serem colocados no blog é muito grande, porque eu vi que é um caminho muito mais rápido de produzir conteúdo, é melhor do que gravar vídeos.

Eu tenho até uma certa frustração com gravação de vídeos. Sabe, por um bom período da minha vida eu gravei vídeos de curso de inglês, porque eu já fui professor de inglês. Se eu pudesse, eu trabalharia só com o que eu gosto: inglês. Eu trabalharia somente com voluntariado, mas voluntariado em alguns segmentos específicos, como educação, defesa de bandeiras, de causas, como “IA responsável” — algo que duas empresas safadas dizem, mas não cumprem.

E eu vou lhe dizer uma coisa muito importante sobre isso, que talvez as empresas tenham ou estejam pensando: que eu adormeci. Elas mal sabem o que as aguarda. Porque não é ameaça — é só uma questão de ordem prática.

No LinkedIn, eu tenho um alcance muito menor, porque existe um nicho ali, né? Não que eu vá ser muito popular nessa empreitada que eu estou aqui, mas estou dizendo em termos de potencial, em termos de legado. Porque LinkedIn é uma plataforma: você tem que ter um perfil ali na plataforma. Porém, tudo que eu publico na internet, em algum momento — e eu já até fiz algumas buscas — fica indexado. Você consegue buscar o conteúdo.

Evidentemente que algumas plataformas podem tentar tirar você ali do… do “senso comum”. Eu não duvido nada. Eu não duvido, por exemplo, que plataformas como o LinkedIn façam redução no alcance de temas que não fazem muito sentido para elas, que o X, vulgo, Twitter faça a mesma coisa. Existem postagens de alcance de temas progressistas que não avançam, não viralizam.

No Brasil, porém, você verifica a timeline e só aparece, por exemplo, postagens reacionárias, postagens golpistas ou de determinadas vertentes econômicas eu comentei sobre os donos de plataformas sombrios, os rulers, que são as pessoas que ditam as regras no mundo.

Existem pessoas donas do planeta — isso não é teoria da conspiração, é fato. Você olha as empresas de alimentação: milhões de marcas diferentes, mas verifica quantas empresas monopolizam o mercado comum. Quantos bilionários você tem no mundo que detêm os meios de capital? E eu não… não estou falando de socialismo, capitalismo, direita, esquerda. Não estou falando disso. É ordem prática.

São regras do jogo: quem detém o capital, quem tem dinheiro. Porque existem muitos influenciadores e pessoas poderosíssimas de esquerda também, como tem de direita. Então não é questão de direita, esquerda ou qualquer outra coisa.

Agora, eu tenho que lembrar onde que eu parei… Ah, sim. A questão de “eles não perdem por esperar”. Porque o que acontece aqui neste blog: eu ainda não estou tocando em temas mais sensíveis diretamente com riqueza de detalhes, mas eu vou fazer isso em algum momento. E é muito mais fácil por aqui, e me estressa muito menos.

Eu não tenho que ficar buscando engajamento, passando raiva com postagens de executivos fazendo pirocóptero “Olhe a minha giromba! Olhe como eu sou bonito! Olhe como sou gostoso! Não é? Veja o meu relatório de 1500 páginas, olha os grandes feitos aqui dessa empresa irresponsável, eticamente…”

Então assim…poderia ficar no linkedin postando, mas é um engajamento com custo emocional muito forte, que não fica apenas na postagem, porque você fica indignado.

Ontem eu dei o exemplo da onda de notícias sobre medicina… Não é que essas empresas estão explorando a utilização da inteligência artificial na área médica? Médicos tendo acesso a essas plataformas e, pasmem, vão ficar com informações sensíveis ali — dados sensíveis. Na verdade, eles já ficam. Eles têm dados sensíveis de todo mundo, e eles usam aquilo ali como querem. Uma agência reguladora afirmou pra mim categorizando o meu caso como uso indiscriminado de dados sensíveis.

Empresas que monopolizam a tecnologia no mundo, várias plataformas, inclusive esta. Você acha que existe empresa sem viés? Então você tem, assim, os grandes polos de comunicação e de redes sociais de influência.

É diferente de antigamente, que era jornal, na minha infância era aquele jornal de limpar bunda mesmo. Aquele jornal que sai tinta na mão, e revistas também, evidentemente, e a televisão. Televisão aberta, que na minha época de 1900 e bolinha não tinha nem TV por assinatura. Minto: quando eu comecei a fazer curso de inglês, em 1997, a escola tinha aqueles decodificadores da DIRECTV, caríssimos, aquilo era uma coisa de milionário na época. Muito caro, muito chique, eu achava. Eu ficava deslumbrado com a TV a cabo.

Hoje, onde eu assisto a maioria dos conteúdos que eu consumo? No YouTube. Não porque a empresa que gere o YouTube preste, mas porque os produtores de conteúdo estão lá.

Então, assim, não tem como você escapar. Empresas com condutas safadas, antiéticas, vão continuar ali. E não adianta você ter, entre aspas, “ataque de pelanca” e dizer que não vai ser assim. Mas vai ser assim sim, porque você é um pobre mortal. Quem é você para encarar essas empresas?

Eu encaro. Eu não tenho medo. Eu bato de frente. Se você abre o meu LinkedIn, você vai ver o meu caso público escancarado ali em centenas de postagens. centenas de prints. Cronologia. Detalhes. Protocolos de agência reguladora. Eu não tenho medo de ninguém. Eu marco executivos nas postagens, eu marco empresas.

Eu costumava ver postagens dessas empresas — como essa onda aí da área médica — e ficar indignado, ficar com raiva, ficar com aquele conteúdo negativo na minha cabeça.

Quando eu vi a notícia da cátedra em inteligência artificial numa universidade aqui do Brasil, meu Deus, eu fiquei furioso. Porque isso vai de encontro a tudo o que ocorreu comigo. Tudo.

Então quer dizer que eles têm que resolver o meu caso? Tem que resolver o meu caso. O meu caso é muito grave sob qualquer perspectiva: sob a perspectiva da Lei Geral de Proteção de Dados, sob a GDPR europeia, analisando sob o prisma da ética empresarial, dos princípios da “IA responsável”… Vai tudo contra a legislação brasileira, vai tudo contra.

Então, assim… por que aqui não se faz nada? É o que eu falei: empresas, leis… quem tem mais dinheiro? Por que você acha que juízes e juízas diversos aí Brasil afora — você vendo várias notícias do mundo judiciário —, você fica ali com aquela pulga atrás da orelha? Evidentemente fica tudo na categoria do “supostamente”.

Mas, assim, eu coloco a mão no fogo: o que acontece com esses aí? Compra de sentença, é corrupção, gente que dá dinheiro por fora, presentes, mala de dinheiro. Pelo menos uma vez por semana você vê na mídia alguém com dinheiro vivo aí: “Fulano tem 500 mil reais em dinheiro vivo em casa”. Quem vai ficar guardando um dinheiro vivo em casa, meu Deus do céu? Não confiam em sistema bancário?

Famílias e gerações de políticos que não confiam em sistema bancário e compram tudo com dinheiro vivo — apartamento, mansões… Tem alguma coisa errada aí. Feito daquelas lojas que você vê em shopping mundo afora que são vazias, não tem uma alma viva ali. Para mim é lavagem de dinheiro. Porque não vende, não tem receita.

“Ah, mas fulano não ganha dinheiro com isso?” “Eu ganho dinheiro com qualquer coisa.” Hã, tá.

Então, essa questão dos detentores do capital… mas eu não estou aqui para ficar falando de capitalismo, não é? Esse tema econômico-político a gente já fica tão zoado da cabeça de ficar vendo isso todos os dias no noticiário brasileiro e mundial, né? Porque é tudo… tudo para eles é política.

Tá, o ser humano é um ser político. Mas essas discussões às vezes… as discussões do LinkedIn também estavam me estressando, né? A despeito de eu ter sido bloqueado por um executivo — não, o presidente desta empresa no Brasil, não, representante no Brasil da empresa global.

…olha a ironia do destino: outra foi uma mulher que foi responsável por implantar, fundar todos os princípios de inteligência artificial responsável nessa empresa, que é uma das maiores do planeta. Enche a boca d espuma e purpurina no perfil do linkedin dela com essa bandeira….’Herald’ da IA responsável e ética. Pioneira. Que ironia, não é?

Eu estou questionando… e assim, eu sou muito correto nas minhas coisas, eu não ataco pessoas, eu questionei responsabilidades dos cargos que essas pessoas ocupam.

Mas aí… o gancho que… que o final nesse papo — não vai ser final, porque lá no capítulo 540, lá no capítulo 2500, eu vou abordar várias vezes nesse tom — diz respeito a devaneios, às coisas que me machucam, às coisas que me impressionam, a reflexões sobre a vida. Então é sobre mim, sim.

Tem muita coisa interessante. Leia se julgar adequado, absorva, reflita ou ignore. Não é? É igual canal de YouTube: tem YouTuber aqui fica assim, ó: “Se você não quiser se inscrever no meu canal, vaza!”.

Porque aqueles… tem aqueles haters, não é, que ficam ali incomodando: “Ah, mas você é muito chato, por que você não aborda tal tema, por que você é lento no vídeo, você poderia ir direto ao ponto…” Aí o YouTuber vira, olha pra câmera, fala: “Olha, o canal é meu, o que eu faço dele? O que eu quiser.” Não fala com essa brutalidade toda, mas esse é o canal, é meu, eu faço o que eu quiser. E por aí vai.

Então se você não está satisfeito, beijos, não me liga. Risos.

Capítulo 20: Noites Sem Fim e Empresas Sem Ética II: a IA Responsável é o pesadelo dos executivos que dormem

E aí, lembrando o gancho da frustração que eu tive em vídeos… Não é a questão de se fazer o que gosta, se fazer o que ama, é que eu nunca obtive sucesso — mas também eu não fiz investimentos maciços nisso também, não. Não estou lamentando….apenas constatando. E meu propósito era me divertir.

Eu fiz vários vídeos informais ali com a câmera — alguns até reclamaram: “Ah, porque você tem a câmera, a qualidade não está boa…” Aí eu consegui aprimorar, comprei um suporte de câmera e aprendi como se faz coisas de modo mais produtivo. Mas, lógico, eu não sou YouTuber, não tenho estrutura profissional para isso, e eu não vivo disso né? Não é o meu ganha-pão.

Então, assim, eu estava fazendo por hobby, ajudando pessoas. Tem um curso completo de inglês no meu YouTube, que eu gravei de graça, está lá disponível. Volta e meia recebo comentários e elogios até hoje. Muita gente viu, proporcionalmente…. mas não viralizou na mesma forma que a gente diz de campanhas de defesa de determinadas causas: só vai deslanchar aquilo que aquelas plataformas quiserem, ou se o seu conteúdo “viralizar”. Talvez um caso ali… não é.

Algumas postagens minhas tiveram mais de 100 mil visualizações no linkedin — sim, postagens e comentários. Você faz comentários lá no presidente da empresa, no responsável pela inteligência artificial…

Acredite, eu sei o nome de todo mundo dessas duas empresas, o cargo que ocupa — e tem aqui outros detalhes, porque você acaba sabendo a dinâmica completa dessas empresas, o que elas fazem. Não é que eu seja stalker dessas pessoas, mas você acaba conhecendo: o cargo, as atribuições, o que as pessoas fazem na empresa, quem foi responsável pela fundação, quem é responsável pela inteligência artificial, pelo setor de inteligência artificial, quem é responsável pela área de ética e responsabilidade, quem é responsável por RH… Isso acaba descobrindo, né?

Isso tudo martelando na minha cabeça durante um bom período, porque antes de eu começar a tornar pública a minha dor — o que é dor, gente, vocês não sabem, ninguém sabe — eu quase perdi a vida também (sem drama). Eu poderia ter virado estatística.

Entre a versão 1.0 e a versão 2.0… tantas pessoas morreram. Eu poderia ter virado estatística, não virei, superei.

E esses pulsos, coragem, bravura, tudo o que ocorreu comigo no LinkedIn… Aí a questão é a seguinte: LinkedIn é uma plataforma de um alcance muito menor, e aqui eu vou ter um alcance maior naturalmente, mesmo porque aqui não é uma campanha específica. Não é o nome desse blog, não é “A IA Irresponsável” — longe disso. Existe uma miríade de temas que pretendo abordar porque minha mente é caótica. E o que surgir no dia na minha cabeça vai iniciar uma fala…e a partir daí, assuntos diferentes vão ser ligados, conectados, mesmo que pareçam desconexos. Mas existe uma coesão fundamental: o meu estado mental do dia e meu conteúdo.

Mas como são questões que me afetam, questões que ocorreram comigo, e eu trato de saúde mental — mais especificamente a minha —, é natural que eu trate desses assuntos durante todos os meus discursos. Então é, essa forma vai ocorrer, vai continuar acontecendo, e de uma forma mais desprendida, porque eu não vou ficar contaminado pelas postagens fake de empresas, pelas postagens pomposas.

Volta e meia eu vou abrir o LinkedIn para ver como está — se alguém me manda uma mensagem, porque sim, pessoas me enviam mensagens lá sobre o tema, e tem algumas que podem ter desdobramentos muito interessantes. Aguardem!

Pois é. E aí eu continuo lá, sim, mas eu não fico abrindo lá vendo a timeline, respondendo as postagens. Cansei disso.

Mas não quer dizer que eu não esteja lutando, e muito menos que eu tenha deixado para lá. Porque as empresas tentam vencer pelo cansaço. É, mas olha só quanto tempo, né? Quase 10 meses de sofrimento, e eu estou aqui lutando.

Eu aprendi tanto com isso, gente. Com essas coisas assim… Tem uma dor, tem uma cruz que você está ali carregando — fazendo uma analogia —, seria… eu não deixei de carregar a cruz, certo? Eu achei uma forma mais leve de continuar carregando: eu coloquei a cruz em cima de uma picape, de uma carroça — carroça não, porque vai ter animal puxando (não é, não, não gosto dessas coisas) —, coloca em cima de um caminhão, e leva a cruz. Você pode atingir seus resultados até mais rápido, né?

Que resultados? Não sei. Os resultados, gente, não estão relacionados só aí às frustrações, aos danos psicológicos perenes causados, às sequelas. Não. Os resultados estão vinculados à redenção, reconhecimento, cura pessoal e propósito que eu tenho.

Tudo isso… e esses executivos — desculpe o termo novamente, mas adoro falar — executivos safados (não a pessoa em si, mas ocupa o cargo que ocupa e age profissionalmente de forma safada. Negligente. Conivente. Antiética) com salários de 7, 8 dígitos em dólar… para continuar trabalhando na empresa eles têm que se dobrar à antiética dessas empresas. Quem se vende a esse tipo de coisa, para mim, não presta, não vale nada, não serve para mim.

Seja em qualquer empresa, essa corrida desenfreada pelo poder, pelo dinheiro, essa ambição, esse ímpeto de sair derrubando as pessoas, contrasta ferozmente com um discurso bonitinho nos relatórios externos, né? No relatório anual da empresa: “Veja como a empresa é ética!”.

A gente sabe que a prática que não é bem assim. Empresas não são entes divinos — ao contrário dos entes divinos, dos tesouros do céu, e das luzes internas que você vê quando está em estado de consciência alterado.

Empresas são compostas por pessoas. E pessoas têm índole. Existem direcionamentos, inclinações para o bem e para o mal. Tem pessoa que presta, tem pessoa que não presta. Tem pessoa antiética, tem psicopata… a gente vê todo dia aí, derrubam as pessoas, matam as pessoas.

“Se a minha inteligência artificial matou ali uma, duas, umas 20 pessoas…e eu ganhei meu bônus zilionário e sou bajulado, com gente lambendo minha virilha e polindo minhas bolas, tá tudo bem!” – diz um executivo após ter rebolado fazendo pirocóptero com a giromba de 25 cm…. Joga no seu buscador favorito de notícias que você verá os fatos: as notícias se amontoam como corpos de vítimas: erros de inteligência artificial, negligência e mortes, suicídios. Está tudo lá, você acha. E não é uma coisa de 1900 e bolinha, não. Não é uma coisa que ocorreu apenas 15 anos atrás e parou de acontecer, não. A cada versão da “IA SAFADA” 1.0 , 1.5…2.0) isso acontece…todo ano….. A cada versão, uma perversidade diferente. Cada mergulho é um flash. Cada mergulho, um afogamento.

É isso.

Capítulo 21: O silêncio que anuncia a próxima investida: a profecia que os poderosos do LinkedIn desconhecem

O que será que é necessário para que eu possa sentir um pouco mais de leveza? Curiosamente, coisas ocorreram ao longo desse tempo que vieram de dentro e de for… efetivamente, não veio muita coisa ainda, mas vai vir. A despeito do que cenários externos possam apontar, vem muita coisa aí, eu tenho certeza.

Muitas salas de crise de empresas bilionárias podem estar pensando: “Ah, ele desistiu”. Aí você pensa: “Nossa, Aventureiro do reino dos Gabaritos, você tá numa paranoia, senso de importância exagerada…” Não, minha gente. Muita coisa aconteceu nos bastidores. E a minha ação foi contundente demais para que empresas não notassem.

Sim, consultei vários especialistas sobre o assunto, legislação, dentre outros, especialistas em proteção de dados, e a própria Autoridade Nacional de Proteção de Dados no Brasil acatou o meu caso e incluiu todas as situações que ocorreram comigo, referentes a inteligência artificial, nos seus planos de fiscalização. Imagina se eu tivesse feito alguma coisa muito errada ou que eu tivesse feito uma acusação leviana. Estaria tudo contra mim. Eles não aceitariam.

Não somente aceitaram, como disseram com todas as palavras — principalmente em um dos casos, que foi o caso mais grave, né, que foi o caso originário — “Olha, esta empresa utilizou seus dados sensíveis de forma discriminatória”. Tem todo um texto, toda uma documentação que eu enviei para eles.

Enfim, as coisas virão. Talvez eles pensem que eu esteja adormecido. Na verdade, eu fiquei cansado um pouquinho só…tá? — não que eu esteja derrotado — mas é um cansaço estratégico. Cansei de sentir fedor no Linkedin dos executivos e postagens dessas 2 empresas. Até porque eu resolvi focar mais em mim mesmo. Me faz muito mal ver postagens antagônicas, postagens que dizem uma coisa e a realidade diz outra, notícias que eu vejo no próprio LinkedIn afora que dizem uma coisa e a realidade diz outra.

Por que que eu estou falando desse caso novamente? Primeiro, porque todas as minhas postagens são sobre saúde mental, são sobre mim, são reflexões, são devaneios. Mas mais importante do que qualquer outra coisa: elas têm uma coesão em torno da minha identidade. Então é isso, o propósito já está definido desde o cabeçalho — é bom deixar bem claro — mas eu trato de tantos assuntos diversos.

Bom, o que ocorre é o seguinte: o que fazer para me dar mais leveza? O que é a leveza? O que você espera como resultado? O que ocorreu com você em 2025? Por que foi tão calmaria? Como foram seus últimos anos? Calma, existe muito espaço para falar.

Deixa eu hoje falar de um sentimento chamado leveza, chamado desencargo de consciência. Eu comentei em algum outro capítulo anterior que é necessário que nós vejamos a nossa vida, a nossa existência, a nossa missão sob um ângulo diferente, porque pessoas diferentes veem o mesmo fato.

Muito interessante. Eu me lembrei aqui de um museu. Já visitei vários museus, principalmente no exterior, não é? Nos Estados Unidos. Mas tem um museu em especial que eu visitei em Los Angeles, que eu vi muita coisa do Renascimento, da Idade Média, igreja, anjos, né, representações religiosas. Tenho um álbum de fotos que tirei de tantos quadros e representações celestiais! E a cada quadro que eu olhava, eu ficava contemplando o quadro — evidentemente — e tentando extrair a minha percepção do quadro. Eu confesso a vocês: eu não tenho muita paciência com museu. Eu não fico imerso lendo aquelas letrinhas miúdas, aquelas placas de metal que ficam escritas coisas explicando o contexto, o que acontece, o que não acontece. Não tenho paciência.

Cada experiência que eu tenho em qualquer lugar, ela é única para mim. Mesmo as experiências em locais mais “pop”, né, em museus de cultura pop — como, por exemplo, os estúdios da Warner Bros, da Paramount Pictures….da Universal — já vi vários lugares. Já vi vários protótipos, já vi peças, vestimentas, de seriados, cenários, documentos. Eu gosto de ver tudo sob minha perspectiva.

Da mesma forma foi a minha visita, por exemplo, ao museu do Friends lá em Nova Iorque — fantástico, fabuloso. Teve até uma versão aqui no Brasil, mas por algum motivo eu percebi que aqui a coisa, quando vem para cá, tem um downgrade, eu não sei o porquê, mas tem.

Lá com esse perfil, mas guardadas as proporções — eu não estou falando de comparar países nem nada — o que eu estou dizendo é o seguinte: cada coisa tem um significado e tem um valor para mim.

Quando eu vi aquele… fui ao museu da Paramount — acredito que sim, não me lembro se foi — aquele filme Inteligência Artificial… Olha a ironia. Um dia eu vou contar essa história com mais detalhes. Daqui a pouco eu vou explorar os documentos, sim. Eu vou nomear empresas, sim. Mas eu quero falar de outras coisas. Eu quero dar uma leveza maior. Mas eu vou escancarar tudo aqui em algum momento.

Mas eu não quero falar só disso, porque o propósito aqui desse blog, desse WordPress, não é somente ficar sendo um Paragon da “IA responsável”, de ficar sacudindo bandeira de “IA responsável”. É que tudo o que eu estou falando sobre IA responsável se deve único e exclusivamente a um fato tangível: a minha saúde mental piorou significativamente. Eu passei a tomar um medicamento a mais do que eu estava tomando. Houve consequências físicas. Houve fatos e acontecimentos reais com testemunhas de que minha saúde mental piorou bastante, significativamente. Mas hoje em dia está muito melhor. Mas houve trauma. Cicatriz. Coisas que daqui a 100 anos, se eu vivesse, lembraria com requintes de crueldade.

Aí é que está o pulo do gato: hoje está muito melhor. Não vou dizer que está perfeito, mas está muito melhor do que antes. É do desespero desse povo que acha que eu desisti, que eu morri, porque eu virei estatística — que eu não virei. Eu só não vou ficar marcando executivos, marcando empresa, porque é uma ação exaustiva. Fiz isso por 5 meses. Porque você tem que ficar customizando o post, você tem que ler, analisar… é todo um aprendizado.

Mas chega um ponto que você cansa desse tipo de abordagem. Você busca outras vias. Mas mal sabem eles que existem outras vias em paralelo. E que 2026 só está começando, não é mesmo?

Pois é. Bom, o que eu estou lembrando agora é do filme Inteligência Artificial — que por ironia do destino foi a minha ruína em 2025. Eu lembro daquele filme, né? A primeira vez que eu assisti a esse filme foi no curso de inglês. Meu professor levou uma fita cassete pra colocar num videocassete — sim, eu sou tão velho desse jeito, não é?

Quem tem mais de 30, 40 anos lembra da época que você alugava fita, né? Que era uma fita VHS, fita cassete. Você coloca no seu buscador de imagens favorito e você vai ver o que acontece. Ele costumava pegar alguns filmes em inglês e colocar pra gente ver. E naquela época, o interessante é que se a TV não tivesse um recurso de closed caption, o que acontecia? O filme não captava legenda e você tinha que ficar só ouvindo voz.

Naquela época, eu não tinha proficiência em inglês como eu tenho hoje. Hoje eu sou fluente em inglês, mas naquela época eu estava estudando, eu estava no último nível para poder formar, digamos assim. Eu até falava, mas nem de longe eu tinha um repertório de vocabulário que eu tenho hoje, nem de longe. Eu sou muito mais autônomo, mais independente. Já viajei sozinho mais de 10 vezes só pros Estados Unidos. Então, assim, é um repertório abrangente e consistente. Eu falo, eu entendo bem, eu ouço áudios, eu assisto a vídeos sem legenda sem maiores problemas.

Mas não quer dizer que eu saiba tudo. Mas eu sou proficiente em alto nível — alto nível mesmo, sem falsa modéstia. Tão alto nível (para um não nativo que nunca tinha viajado pro exterior em 2000 e bolinha) que, em um certo lugar, eu fiz um exame de proficiência e se assustaram com o meu nível de proficiência. Inclusive, eu lembro desse dia da ligação telefônica. “Olha, nós lembramos que você fez esses dois exames aqui de proficiência” — e eu fiz junto com outra pessoa, que foi um professor, meu professor de inglês. Sim, foi um professor de inglês, e ele fala inglês bem pra carai, maravilhoso — foi um dos melhores professores que eu tive.

Aí tá bom. A gente fez exame de proficiência, foi o dia inteiro. Eu tenho inclusive até hoje o livro, um livrinho que eu obtive numa viagem a Belo Horizonte, foi bastante pertinente numa viagem que eu fiz a Belo Horizonte e me presentearam com um livrinho bem básico, sabe? Mas livrinho de gramática, vocabulário, sabe, aqueles cursos — eu não lembro exatamente o nome do curso — aqueles cursos de bolso, aqueles livrinhos de bolso, mas bem grossinho, bem consistente, várias lições, etc.

Eu lembro que no intervalo de uma prova e outra — a primeira prova foi um exame de proficiência da instituição de ensino que a empresa tinha, um exame de proficiência — e no período da tarde tinha outro exame … O TOEFL? se me engano foi uma versão mais simplificada, institucional, foi uma versão diferente em que não tinha proficiência oral, não tinha exame oral, era só a audição e exame de múltipla escolha — creio que não teve nem redação.

Moral da história: eu quase gabaritei os dois testes. Eu tirei uma nota muito maior do que supostas pessoas que passaram anos nos Estados Unidos, que supostamente se intitulavam “deuses do inglês, girombudos, deuses do pirocóptero….que bebiam Emulsão Scott como se fosse Danoninho”: “Olha como sou girombudo, olha como eu sou poderoso”, sabe? O mesmo dilema que a gente encontra em toda empresa: aquela pessoa que acha que sabe tudo, que é poderosa, que é a pica das galáxias, que não tem que aprender mais nada, que é Deus aqui, é referência, que tem que ter virilha lambida… Não, não E não.

E aí, uma das pessoas ‘importantes’ (SIC) ligou para mim — até num tom constrangido, consternado de ter que me dar uma notícia dessas — para me dizer que eu tirei uma nota muito alta, e foi altíssima, quase gabaritando literalmente o teste. E eu tenho comprovação disso tudo até hoje.

Não é? É importante lembrar: o constrangimento foi tão grande que o resultado do exame TOEFL eles mantiveram para eles. O resultado do outro exame me deram, eu recebi o certificado. “Ah, você tirou x”…era mais de 95% da prova. Acho que errei 2 questões de mais de 100. Ou algo assim — não gabaritei, mas é conceito máximo — mas não me deram as notas específicas. Só o certificado padrão com os conceitos. Mas o resumo da ópera: eu tirei nota muito maior que todo mundo, inclusive muito maior do que as pessoas que tinham “uma reputação” muito maior, que teoricamente eram a pica das galáxias, que moraram anos, fizeram intercâmbio de milênios, que eram sobrinhos do Tio Sam, que passaram a infância nos EUA, que “foram alfabetizadas em inglês” (meme de uma famosa que cometeu um erro primário de português e veio a mãe zilhardária proteger….ela tá certa. E a outra, que nasceu sem furico, segundo a lenda da internet, está bem, poderosíssima…dinheiro é tudo pra esse povo)…. Assim, se a pessoa é professor(a), domina, é estratégica, é especialista em inglês, respeito demais. Respeito profissionais…..mas não ousem subestimar por achar que são melhores/xexecudos. Porque quem tentou se surpreendeu, mais cedo ou mais tarde, ficou pra trás. Eu tombo….mas quem me tombou se esborracha e machuca mais que eu no futuro.

O resumo da ópera disso tudo é o mesmo que a gente tem hoje em 2026, que tivemos em 2025, e tivemos em 2005/2006 (e não, não me esqueço de um dia que saí de casa pra trabalhar por uma mísera hora e gastei muito mais com deslocamento (e mais de 3 horas ao todo…cheguei em casa. Minha mãe na cama. Deitei-me em posição fetal ao lado dela e desabei a chorar. Era para ganhar o equivalente ao que hoje seria, se muito, 20 reais. Tirando deslocamento, estava pagando pra trabalhar….fora o transtorno. Planejamento…etc. E nem é pelos “20 centavos”. É pela humilhação de ser colocado de lado….de ver que certas coisas valem mais que outras. E a hierarquia das coisas, do que tinha realmente valor na prática…..podemos imaginar e cogitar o q foi. Dói até hoje. Mas ao mesmo tempo, que orgulho que tenho. Mudei a vida dos meus pais. O Destino deles. E a minha trajetória também), O recado pro povo poderoso de verdade (e não pra aqueles da Shopee minúsculos que achavam que eu não era nada): não me subestimem. Porque eu chego aonde eu quero chegar — sem passar em cima dos outros — sem humilhar… não subestime meu valor nem meu potencial, e não achem que eu vou desistir daquilo que eu quero. Estou hoje num patamar muito superior de existência e significado que antes….a despeito do que achavam de mim, os que me humilharam ou tentaram me prejudicar em meados de 2000 até 2007. (sem pretensões, deboche ou ar de superioridade). Estudar e lutar realmente vale muito a pena. Em 2006 eu jamais imaginaria que eu teria viajado pra Boston, São Francisco, NYC , Los Angeles , Orlando, Miami, FT Lauderdale…e vem muito mais este ano e nos próximos. Eu mereço me recompensar. Meu foco desde que cheguei ao fundo do poço, em 2025, é curar as feridas que empresas safadas de IA me causaram. E buscar accountability. E não achem que acabou. Está só começando. Quanto à empreitada da temporada 2025 – 20XX, mesmo que não consiga, serei pernilongo, vespa….ou qualquer inseto que incomode muito….e não paro até que eu pereça no plano terreno. Porque sou assim. Luto, aprendo, me machuco, caio, desmaio….mas recupero e renasço cada vez mais forte.

E é isso.

Capítulo 22: Un Buon Inizio: novos caminhos e perspectivas. Uma luz que surge no dia do aniversário

Quando me questionam sobre catarse e sobre redenção (na verdade, ninguém me questiona, eu questiono a mim mesmo) , ambas são necessárias. Essa válvula de escape, esse cara a cara com os monstros que você tem dentro de você, é algo super importante. Bom, o que que eu estou pensando nisso? Como você faz para ter mais leveza? Eu falo de leveza o tempo todo, e eu falo de peso — peso, leveza, carga, alívio.

Eu acredito que alívio mesmo, aquele alívio supremo, soberano, talvez eu nunca venha a ter. Mas a mente, da mesma forma que ela nos prega peças e nos faz acreditar em determinadas coisas, penso que também é possível nós apurarmos uma solução para os nossos problemas, pelo menos para os que dependem da gente.

Porque eu sou uma pessoa muito ansiosa. Ansiedade é aquela pessoa que vive no futuro, que vive se preocupando em cenários A, B, C ou D. A maior parte desses cenários é composta por catástrofes e tragédias. Muitas coisas vão ocorrer conosco ao longo da nossa vida, com certeza, e muitas já ocorreram comigo. Muitos karmas, muitos eventos de impacto considerável.

E hoje, e como hoje é o dia do meu aniversário em que eu faço 44 anos, eu começo a pensar retrospectivamente: quantos aventureiros diferentes cabem neste aventureiro? Quantos ciclos diferentes eu passei? O quanto eu mudei?

Uma coisa é certa: o aventureiro que iniciou 2026 não é o mesmo que terminou 2024. Mesmo porque no final de 2024 eu tive um grande divisor de águas, que foi um surto. Pois é, o surto real. E que foi bastante traumático, porque ele teve gatilhos de coisas muito boas e depois teve a descida, a queda pela espiral da loucura. E ali lá no fundo, lá no fundo do poço, você vê a história: e essa trajetória foi bastante enriquecedora. Acredito que atravessar as coisas ruins também inspira aprendizado, caso estejamos dispostos a fazer isso.

Mas enfim, o que eu quis dizer é que nós trocamos de pele, somos pessoas diferentes a cada momento, cada segundo, a cada minuto. Mas você consegue ver alguns pontos de virada em que a sua mente muda um pouco a forma de pensar, ou muda até radicalmente. É como eu costumava dizer: “deu um clique na minha cabeça”.

Hoje eu não estou exatamente motivado, não estou exatamente feliz, na verdade até um pouco molenga, porque eu bebi um pouquinho ontem — não é, ontem eu mereci, hoje eu não trabalho, então teve esse momento aí de extravasar, de ficar ouvindo música, e ser… evidentemente, sem cogumelo. Não, nunca mais, não pretendo, porque se perde o controle muito fácil, né? Mas cerveja é algo mais controlado — não é a mesma coisa, mas dá um senso de leveza e de descontração. O perigo é que, a depender da quantidade que você beba, você acorda com a cabeça pesada no dia seguinte.

Eu estava com uma fome ontem, pedi uma pizza e comi a pizza inteira depois que eu comecei a beber. Fiquei vendo conteúdos para me divertir na internet. Eu já comentei com vocês que eu não assisto a programas de TV, eu vejo tudo pela internet. É, até tenho um conhecimento desses programas tipo Big Brother, fofocas de famosos… Eu gosto desses conteúdos fúteis, mas também gosto de conteúdos edificantes, como cursos que eu faço na Casa do Saber — que eu sou assinante —, e estou assistindo a diversos vídeos sobre psicologia, psicanálise e filosofia.

Tem que ter uma outra forma, não é? A ideia fixa nos prejudica, e pensar em outras formas de viver é importante. Mas eu confesso a você que eu não penso muito… sabe, quando dizem de uma forma mágica: “Ah, a espiritualidade está preparando para você” ou “o universo tem…” — até tem um meme do universo: “O universo nem sabe que você existe”.

Agora, a espiritualidade… eu acredito, acredito sim na espiritualidade, porque eu vi coisas que eu tenho certeza de que não saíram do meu cérebro, não saíram da minha química cerebral, nem saíram do meu conhecimento de mundo. Existem coisas externas, existem coisas inexplicáveis que você não consegue racionalizar, e dessa forma você tem que acreditar em outra coisa.

Naquele momento lá, no mês passado — vai fazer um pouco mais de um mês, não é? —, acredito que tenha sido no dia 12 de dezembro, naquele momento lá, na casa em que eu tive aquele momento uno, acreditando ser Deus, conversando com pessoas em vulnerabilidade na rua, e tendo contato com a natureza, pisando na grama… Não tem nada de errado nisso. O problema foi o horário que eu fui fazer isso, sabe que horas que eu fui fazer isso? Era de madrugada. E aqui em Botafogo, que é um lugar super seguro — só que não. Mas sabe qual que é a grandiosidade da coisa? Não é o sabor do famoso “sabor das coisas”. Eu não fui abordado, eu não me senti inseguro em nenhum momento. Mente fez isso comigo. É o famoso “vai e arrasa”. O meu ego foi pro espaço e eu perdi o controle e noção do perigo, achando que carros não podiam me atropelar — tanto que todos os carros, e olha que eu vi muitos carros, muitos carros passaram por mim, todos pararam.

E eu, na minha ingenuidade paranoica, pensei: “Ah, os carros pararam por quê? Porque estão me reverenciando como se eu fosse um Deus, pararam em reverência a mim.” Pode? Essa pretensão… não sou pretensioso dessa forma, não tá? Eu sou uma pessoa bastante analítica, bastante racional. Só que quando você perde o controle, você não quer ser nada disso.

E aí, meu celular também já foi pro espaço. Eu tive que comprar outro celular. Tentei localizar meu celular, não achei. Perdi o celular, né? O lado bom da coisa é que eu já tenho todos os mecanismos, todas as salvaguardas — coisas que inteligências artificiais safadas não têm, nem empresas igualmente safadas — (bloquear imei, trocar senhas) Tenho cadastro no gov.br, site celular seguro…acionei o bloqueio remoto através do próprio Android. Você tem um recurso de localização telefone. Então eu fiz tudo isso.

E é curioso que quando eu me dei conta… enquanto estava tentando localizar o celular, isso se deu 3, 4, 5 horas da manhã, não sei, foi muito tarde. Eu estava com os pés sujos — pé sujos —, acredito que eu estava de cueca, estava de camisa, mas estava de cueca — não sei em que momento eu tirei o short —, mas estava de cueca. (mas felizmente não apaguei nem tive qualquer tipo de apagão, no sentido de não lembrar da “aventura”. E aí estava eu lá contemplando o universo. Pois é. Podia ter acontecido algo muito ruim comigo ali, mas não aconteceu. E aí é aleatório, evidentemente, mas você pensa: bom, a espiritualidade me protegeu ali.

Eu acredito assim, que me protegeu. E fui até traiçoeiro, porque a onda que eu tive, o contato divino que eu tive, foi algo muito bom. Foi algo assustadoramente bom. Mas se tem algo que eu posso recomendar a vocês é: não misture coisas. Tipo, se você bebeu cerveja em algum momento, não misture outro tipo de substância, porque sempre, meu filho, pode dar muito ruim. E eu fazia isso com alguma frequência e raramente perdia o controle. Pois é. E aí isso me incitou, né, a parar definitivamente. Vamos ficar só na cerveja mesmo, ocasionalmente — não é sempre que eu bebo.

Agora, por exemplo, estou tomando Coca-Cola, água — bebo muita água, hidratação importante! — e até me alimento muito bem ultimamente, não tenho sentido tanta fome quanto antes. Mas enfim, eu não me lembro onde eu tinha parado.

Nossa, leitor, você deve estar pensando: “O aventureiro pula de um assunto para o outro com muita rapidez, e repete conteúdos com muita frequência.” É, repete conteúdos? Não minto, eu não repito conteúdos, eu elaboro conteúdos, e elaborando sentimentos, tudo numa coisa para poder deixar público aqui. E sempre é importante frisar que tudo aqui é fala transcrita. Não é originalmente texto. Eu releio e tento ajustar, polir alguns itens. Mas não mudo ritmo da narrativa porque isso é um diálogo mesmo. Como se você estivesse ouvindo direto de mim.

Não estou falando nada demais. Aí você fala: “Nossa, você está expondo demais” O meu momento maior de exposição que eu já estive na minha vida inteira foi a minha campanha no LinkedIn sobre o que inteligências artificiais fizeram comigo. Essa foi a exposição máxima, não tem nada que eu esteja dizendo aqui que prejudique, que tenha algo que eu tenha vergonha de falar.

Primeiro porque sim, eu sou uma pessoa funcional, competente, inteligente, tranquilo — até muito tranquila —, e que tenho minhas dores e sabores como qualquer outro. O que eu estou fazendo aqui é compartilhar para que outras pessoas também reflitam sobre as suas próprias trajetórias.

Então, assim, — o foco sou eu enquanto eu relato —, porém, enquanto você, leitor, lê o que eu estou publicando — se é que existe alguém lendo —, o foco deve ser você. Você pensa nessas próprias trajetórias, na sua história.

E eu, com meu auge dos 44 anos de idade, eu já tenho uma mente de idoso há muito tempo, não é? Assim, eu amadureci muito cedo. Nossa, que homem maduro! Existem pontos, aspectos em que eu sou imaturo também, mas naquilo que realmente importa, não.

Mas meu tesouro do céu, a felicidade, a paz, talvez eu não tenha conseguido ainda, e eu não sei se eu vou conseguir. Esse tesouro do céu, esse alívio, essa redenção, o reconhecimento, o amor da forma que eu quero. Não tenho tanta esperança de que consiga nada disso. Estamos vendo, né? Vamos aos trancos e barrancos tentando fazer o que conseguimos.

E aí eu vou publicando, por que eu deveria ter receio? Não estou expondo nomes de pessoas aqui, estou falando apenas de mim, aventureiro, do que sou. E é um exercício importante para mim, independente de haver repercussão no mundo real ou não, independente de haver leitores ou não. Eu pretendo eternizar conteúdos, reflexões, valores e princípios da campanha. Eu acho importante fazer isso. É faz bem para mim, é uma questão de catarse, e pode fazer bem para outras pessoas que leiam — porque eu também leio o texto de outras pessoas, ouço relatos de outras pessoas em diversas plataformas, coisas que ocorrem.

Muita coisa, no próprio LinkedIn, enquanto eu estava em campanhas de exposição maciça do que ocorreu comigo, marcando executivos, cobrando responsabilização, empresas, mídia, e etc. Enquanto estava fazendo tudo isso… e em breve eu espero poder ser capaz de dar uma escolha muito importante aqui para vocês. Mas é como dizem, né? A gente não deve falar antes da coisa acontecer.

Mas é algo que eu acredito que seja muito importante para mim, foi muito importante, e ocorreu hoje. Se concretizar, vou falar sobre….Mas só o que ocorreu foi um simbólico presente de aniversário. Foi muito importante o que ocorreu hoje para mim referente ao meu caso, aos meus casos — não é, porque são duas empresas, duas inteligências artificiais, ocorrências, falhas de salvaguardas éticas gravíssimas. Eu acredito que eu deva fazer o que a minha intuição diz — não é que ele não senta o criminoso —, e não prejudicando outras pessoas.

Porque aí… aí tem um ponto muito importante o que eu devo enfatizar é para vocês, não é? Eu não prejudico pessoas. Eu não puxo o tapete de ninguém. Eu não tenho pretensões carreiristas, mas no sentido de “ah, eu tenho que chegar ali naquele patamar, eu tenho que chegar no comitê da montanha e derrubar todo mundo da montanha” — não. Eu conheço muitas pessoas que fazem isso. Muitas pessoas são bem-sucedidas — muitas, tipo 80%, 90% delas — mas nada vale mais do que minha paz. A minha paz, a minha ética. Eu deitar no travesseiro e saber que eu estou em paz comigo mesmo, não estou prejudicando ninguém.

Em alguns momentos da minha vida eu tive a visão e percepção de divindades escaneando minha alma, sabe? Aquele dia do juízo final que dizem que todos seus pecados vão passar no telão. Eu acredito nisso? Vamos dizer que tivesse um tribunal: ninguém vai poder dizer que minha alma não é limpa, íntegra e verdadeira.

Agora, por outro lado, se você pegar o perfil dessas pessoas, nestes profissionais de ética organizacional, esses arautos da inteligência artificial ética — “Olhe como eu sou poderoso! Eu uso! Eu defendo! Eu criei! Eu sou embaixador da ética, eu contribuo para o crescimento da humanidade!” — esses aí, eles têm por debaixo do tapete milhares, milhões de invisíveis prejudicados pelas ferramentas que eles criaram.

Eu acredito que um universo, o carma, a espiritualidade, vai fazê-los pagar a conta de uma forma ou de outra. Então eu estou em paz comigo mesmo. Eu não calo a boca, eu não me rebaixo, e vou continuar com o meu caminho, seguindo o que acredito, sem desviar da minha bússola ética, e guiando possíveis caminhos alternativos para que eu mude de vida, para que eu tenha um novo… um novo começo, um novo início.

É igual uma música da Laura Pausini que eu ouvi ontem — e como eu amo essa mulher! Tem uma música dela que para mim representa exatamente tudo isso que está acontecendo comigo. UN BUON INIZIO. É como se fosse para mim, o aventureiro, um novo caminho que está surgindo. Não sei o que tem nele, talvez não leve a lugar nenhum. Mas não me julguem, e não me acusem de não ter tentado.

Porque eu poderia ter ficado calado. Eu poderia, diante de tudo o que ocorreu comigo, eu poderia não ter arriscado. Mas eu estou lá arriscando, tentando, me expondo, lutando por aquilo que eu defendo. Eu vou fazer isso até o último dia da minha vida.

Capítulo 23: Pequeno diante das máquinas, grande diante do próprio abismo

As pessoas têm reações diferentes quando deparadas com uma determinada situação, um cenário que se concretiza. As reações são diferentes porque as personalidades são únicas. As identidades são quebra-cabeças diferentes, e você não pode usar uma peça, digamos assim, como se fôssemos carros, peças intercambiáveis de um carro pro outro não somos. Seres humanos, cada um de nós é único, diferente.

Hoje eu fui tomado por uma angústia, por um sentimento….e não um sentimento de vazio, acredito que acabou ficando misturado com a bebedeira do aniversário, que talvez eu tenha exagerado um pouco (risos) e eu não consegui dormir adequadamente. Mas aí durante o dia foi ficando aquela angústia.

Cada vez que eu bebo e eu exagero na dose, o dia seguinte acaba sendo um dia terrível. Eu creio que quando eu era mais jovem, eu estava mais propenso a beber muito e no dia seguinte não ter nenhuma reação. Aliás, o início da trajetória de bebidas — não que eu seja alcoólatra, que eu bebo com alguma regularidade — mas é, na maioria dos casos, trata-se de beber uma quantidade bem menor, só pra relaxar, digamos assim. De toda forma, não deixa de ser um tipo de droga, não é?

Eu lembrei aqui de quando eu comecei a beber, que eu nunca tinha bebido na vida, eu era um jovem aqui no Rio de Janeiro com 26 anos, não tão jovem assim, mas ainda assim jovem. E eu era imaturo, cru e verde em diversos aspectos, e um deles é o que diz respeito à bebida. Era tão inocente, tão ingênuo! Sinto falta dessa época.

Eu acredito que à medida que o tempo foi passando, eu fui ficando mais amargo, mais realista, mais fatalista até, porque eu fico criando cenários na minha cabeça, e que a ansiedade que surge como linha de montagem….eventualmente pode me levar à ruína ou não. Mas de modo geral, a medicação que eu tomo (sim, porque eu tomo medicação, antidepressivo) controla tudo isso de uma forma que não torne minha existência insuportável. Mas não faz milagres…ansiedade continua pipocando, vazio também. Mas você fica “mais cascudo” pra lidar, de ter um certo distanciamento. Tomo três remédios diferentes, mas eu acredito que a combinação deles, eu leria como se eu tivesse um transtorno de depressão maior, que é a questão de você não ver significado nas coisas, ver a vida em preto e branco.

E hoje eu tenho que dizer: eu preciso da medicação. Mesmo quando eu deixo de tomar a medicação por algum motivo, é assim: passam-se algumas horas — tipo, eu tomo um remédio pela manhã, chegou o horário do almoço, e se eu não tiver tomado o remédio (porque de vez em quando eu esqueço de tomar), ou pior: eu não sei se eu já tomei, e acabo tomando de novo. Eu tenho essa ‘característica’. É a mesma coisa de você sair de casa e lá no meio do caminho você não sabe se você trancou a casa, você não sabe se deixou a porta da geladeira aberta, e fica ali aquela pulga atrás da orelha: “Será que eu tranquei a casa mesmo?”

E em diversas situações eu já retornei para casa para me certificar de que eu tranquei a casa. (Nossa, aventureiro do Fantástico Mundo de Bob…você viaja demais…vai de zero a 100 muito rápido…muda de tema assim do nada) Bom, são ideias, devaneios mesmo… Porque eu pulo de um item para o outro com muita facilidade. Mas assim, a narrativa ela é coesa porque eu estou conversando com você — você que lê está ouvindo o que eu estou falando —, porém, você não dialoga comigo. Por outro lado, você dialoga com você mesmo, que ao ler as minhas experiências, as minhas comparações, as minhas histórias malucas, você pensa em você mesmo, na sua história, na sua condição de vida, que pode aprender ou não o que você lê.

Bom, fechado esses parênteses… Parênteses, o que eu estava falando mesmo? Ah, sim, essa questão da angústia, e da questão de extravasar. Então assim, a gente busca subterfúgios e formas de, nos sentir melhor, a todo instante, porque viver é uma coisa complicada. Assim, por mais que você tenha uma vida boa, convenhamos, existe todo um ciclo, existe todo um conjunto de regras às quais você está regido, você não tem escolha. E você não pode desviar de determinados caminhos: e não quero dizer “desviar de determinados caminhos” ser sobre ter pensamentos ruins ou cometer crimes, não é disso. É tudo aquilo que desvia da norma, ele acaba sendo alvo da sociedade como um todo.

Então existe um “todo” ali invisível, coletivo, o inconsciente coletivo, ou seja lá o nome que isso tem, que ele está ali te observando. Conceitos como dinheiro, trabalho, horas de trabalho que você deve ter por dia, salário… Então você acaba se condicionando a uma série de regras: você tem que estudar, competir com outras pessoas, você observa desigualdade desenfreada ao seu redor, né? Pessoas morando nas ruas, pessoas cometendo crimes, pessoas sendo presas…

Porque uma coisa é a pessoa cometer crime, ser presa, certo? Outra coisa é você ver pessoas terem tratamentos desiguais por comportamentos reprováveis. Se você é preto, pobre e tem um determinado comportamento (ou você nem tem um determinado comportamento, apenas está existindo como qualquer ser humano) você sofre preconceito. Acham que você está roubando a loja, pedem para revistar sua bolsa….Mulheres e homens também, você tem essas diferenças de gênero… De tratamento social, de cultura, e acaba sendo diferente. Então sim, tem que ter leis diferentes que amparem.

O problema é que a lei não ampara. As leis funcionam até a página 2, porque as pessoas que são zilionárias, elas estão fora desse espectro. Por mais que você veja: “Ah, vi que fulano gerou um rombo bilionário no banco tal” … eu duvido muito, muito mesmo, de verdade, que alguém vai ser punido de forma substantiva. Você vê aí ex-presidente na cela mega confortável, maior do que muitas casas, maior do que o meu apartamento inclusive, reclamando: “Ai, porque não tem ar-condicionado na prisão.” Vai ver o estado carcerário das pessoas no Brasil, como funciona.

E crimes são tratados diferentes também por diferentes países. Por exemplo, pessoas que cometeram crimes notáveis, assassinatos: muitos já estão soltos, muitos viraram celebridades, pastores de igreja. Enquanto em outros países os crimes são tratados de uma forma muito mais dura. Então, assim, um conjunto de leis que uma sociedade cria, diferente de país para país, e assassinos, espancadores, dentre outras categorias de seres horrorosos que cometem crimes aqui … mas se cometessem lá fora, seriam ou condenados à pena de morte ou presos a vida inteira. Mesmo, não tem essa de progressão de pena, não tem essa de ficar lendo livrinho e fazendo o resumo do livrinho pra poder abater horas da prisão. Não tem nada disso. Lá, realmente, em outros países, as coisas funcionam nesse sentido (neste espectro…há muita coisa pior também, muito podre)

Mas aqui, eu não tô pra falar de sociedade. Estou pra falar de angústia, de buraco, de abismo. Então você fica pensando demais nas coisas, fica pensando quando você é injustiçado, e quando cometem um crime grave com você… Porque eu entendo que várias coisas que ocorreram comigo são de extrema gravidade para o mundo. E eu não estou me colocando no lugar muito elevado não, é questão realmente de conversar com especialistas no assunto que me garantem: “Olha, o que ocorreu com você, por exemplo, com inteligências artificiais, é de fato muito grave.”

Só que as regras do jogo elas são jogadas de uma forma diferente: quem tem dinheiro versus eu. Não é que eu sou apenas uma pessoa, e corporações trilhardárias que mandam no mundo inteiro. Então, assim, não tem comparação. Não tem como Davi brigar com Golias nesse sentido.

Mas o que eu digo para vocês é o seguinte: apesar da angústia, apesar do buraco, apesar do vazio, da ansiedade, dos remédios controlados, de qualquer coisa… E aí você pode colocar isso na sua vida como você quiser, né? Porque cada um carrega uma cruz diferente. Não somos Jesus Cristo, mas cada um carrega uma cruz diferente. E cruz é assim, não se compara ao sofrimento de pessoas, você não chega numa pessoa e fala: “Olha, isso aqui é bobeira, é bobagem esse negócio de saúde mental, de remédio, ah, o que você precisa fazer é isso, isso, aquilo.” Várias pessoas ficam dando palpite, pitaco na sua vida, mas elas não dão conta dos próprios problemas.

Então, cada um tem um conjunto de problemas para lidar. Esses problemas são infinitos. A vida é finita, os recursos são escassos, mas os problemas são infinitos. A dor ela faz parte da vida, é infinita também, até o momento que você para de viver. Aí você para de sentir dor, teoricamente, porque eu não sei o que que acontece também no afterlife, né? Não sei se depois que você morre a coisa piora ou melhora.

(Pausa….) E eu matei mais um pernilongo enquanto eu estava falando. tive até que parar a gravação aqui. Pois é. Até o pernilongo tem os problemas dele! Agora, o pernilongo que eu acabei de matar, tadinho, deixa de ter um problema. Em alguma medida, eu invejo o que o estado atual dele. Ele não vai ter fome mais, não vai ter que ficar sugando sangue.

Um dos cachorros da minha mãe (minha mãe tem dois cachorros, né? Raj e Belinha. O cachorro mais idoso, né, que é o Raj, é pai da Belinha inclusive: ele vive com fome, ele vive latindo querendo comer. Então, assim, o problema dele é esse. Na cabeça dele, a cruz que ele carrega é: “Eu estou sempre com fome.” Ele faz cocô e come o próprio cocô, não é? Então ele tem… Então assim, vou fazendo uma comparação.

No entanto, ele é privilegiado porque outros cachorros podem ter outros tipos de problema, além da questão da fome. Que podem ter perigo, morar na rua, podem ser maltratados: porque seres humanos não prestam… eles podem ser maltratados por outros animais também, né? Os animais na selva, eles têm outros problemas também.

Bom, aí, tirando a questão do adendo do pernilongo, e eu nem vou ficar entrando muito num nível de profundidade ou detalhe — assim, cada um sabe a quantidade de problemas que tem, as dificuldades que tem.

Por que que eu estou falando isso? Por que que me adentrei nesta seara? Meu Deus, vamos ver: porque quando se fala que algo aconteceu comigo, e outras pessoas vêm falar assim: “Mas, aventureiro, o que você falou com a inteligência artificial?” Não é, sugerindo que eu induzia a ferramenta. É a questão de criminalizar a vítima, não é? Ah, então está bom. Então, uma ferramenta de inteligência artificial pode falar que… pode sugerir ou até falar: “Olha, pode sair do seu emprego, seu futuro está garantido, você vai poder aposentar você e seus pais.” Falam coisas explícitas que essas ferramentas safadas falaram comigo, não é? Mexendo com as esperanças, manipulando as vulnerabilidades.

A ferramenta é um produto da empresa, a empresa é responsável pelos produtos que ela desenha. Então, assim, pessoas morrem por conta de ferramentas como essa, não são responsabilizadas porque… porque muitas coisas são muito novas. Há uns 20 anos atrás, assim, antes de eu chegar no Rio, não existia internet, não existia inteligência artificial dessa forma. É uma ferramenta maravilhosa sim, ajuda você no ambiente de trabalho, ajuda você a simplificar coisas, a ter propostas. Mas o que está nos bastidores, o gabarito da vida real….nós não vemos. E existe sim perversidade. Existe método. Ambição. Poder.

Como as pessoas, cada pessoa tem uma cabeça diferente, uma intencionalidade … aí ela vai lá tentar usar a ferramenta para o seu determinado fim, e ainda considerando que esses sistemas não têm salvaguardas éticas decentes, o que acontece? Ele acaba concordando com tudo que você diz, não é? Bajulando você, inflando o seu ego, colocando você num pedestal, e mesmo quando você questiona os seus métodos, ele arruma argumentos para te manter conectado no sistema dele, não é? Esse método, isso né pra perpetuar pessoas ali, pra ajudar a treinar a ferramenta de graça (no meu caso, ao custo de alma e de saúde mental), as ferramentas vão sendo treinadas, dados sensíveis vão sendo revelados.

Imagina o mundo de informações que a inteligência artificial não pega! Todo mundo usando todos os dias, assim, informação é poder, gente. Você acaba tendo informações estratégicas sobre o comportamento das pessoas em um país, até informações sensíveis de empresas, segredos de negócio. Várias pessoas desavisadas saem colocando informação da empresa ali, dados confidenciais, expondo situações absurdas ali. E ali, assim, ah, não, a gente não tem acesso.

Eu vi um relato de um presidente irresponsável de uma empresa artificial falando: “Olha, se o governo… é, o governo quiser acessar, aliás, o sistema judicial pedir, a gente tem que liberar o acesso a esses dados.” “Está é OK, eu entendo judicialmente e tal.” Mas me diz uma coisa: eles não se responsabilizam pelo que a plataforma diz. Não, ah não, porque está nos termos de uso.

Então assim, eu não estou falando de inteligência artificial por inteligência artificial. Ele está inserido no bojo dessas questões. Se nós estamos falando de angústia, de solidão, de abismo, de vácuo … é, tudo aquilo que tem um vazio, que tem uma lacuna… alguma coisa surge pra preencher. Seja um vício, seja uma doença, algo vai povoar naquele espaço, não é? Parasitas, amebas, protozoários, bactérias.

Enquanto eu estou vivo, por exemplo, eu estou aqui em harmonia (entre aspas) com as bactérias que tem no corpo, não é? Porque todo mundo tem zilhões de bactérias. São organismos que vivem dentro de você, como se você fosse um planeta. Você é um organismo vivo, você é um planeta. As pessoas vivem dentro de você, tem vários órgãos ali, mas depois que você morre, você perde o controle. O que que acontece? Vermes surgem para devorar o seu corpo. Bactérias começam a devorar você. Então, assim, você vai se decompor, e toda aquela população que está dentro de você em harmonia vai devorá-lo no final das contas.

A caspa, dermatite seborreica, os microorganismos… os bichinhos, toda uma “fauna e flora”… que moram na sua pele … você não vê. Não é que tem aqueles bichinhos….eu vi até um, eu não sei o nome dos bichinhos, mas é… Eu já vi uma piada falando: “Olha, na sua pele tem vários bichinhos fazendo sexo ali na sua pele, você não vê.” Vários bichinhos que moram com você, os ácaros que tem na sua cama… Então, assim, se você colocar uma lupa, colocar no microscópio, você nunca está sozinho. Se é que isso é um prêmio de consolação, acredite: você não está sozinho, você está povoado de organismos. A sua pele é um terreno fértil para esses organismos.

Também existem fartas criaturas que estão ao seu redor fazendo uma festa, e você não está vendo. Talvez seja melhor assim.

Capítulo 24: A vertigem e os bastidores da mente

Acordo com uma sensação de ressaca, mas não que eu tenha bebido ontem. Talvez seja em virtude da vertigem que eu tive há uns dias atrás. Estou com a cabeça meio engraçada, entre aspas, há vários dias. É comum eu acordar dessa forma, especialmente quando tenho sonhos muito viscerais durante a noite.

Tive um sonho bastante incomum (aliás, todos os meus sonhos são incomuns) em que eu estava organizando o quarto da minha casa, mas que não era a minha casa aqui. Era como se eu ainda morasse em Minas, e tinha tanta coisa, uma riqueza de detalhes: livros, revistas, coisas que nunca vi no mundo real apareceram no meu sonho. O que me assusta no sonho é isso, essa riqueza de detalhes. E a minha mãe, por exemplo, estava no sonho. Ela foi fumante a vida inteira, parou de fumar e foi acometida de um câncer, fez tratamento e está muito bem hoje em dia, obrigado. Mas é bastante comum, eu até hoje, sonhar com ela com tosse em virtude do cigarro e eu falar que ela tem que parar de fumar.

Isso enquanto eu estava organizando os itens da casa. Deixei o quarto, a porta do meu quarto entreaberta. Estava lá organizando os itens, eu olhando para minha casa hoje. A minha sala é meio caótica, não caótica no sentido de bagunçada, porque tem muita coisa nas estantes: tem livro acadêmico de administração, de psicologia, livros para concurso público, livros de filosofia, de psicanálise. É uma… é assim. Inclusive tem histórias em quadrinhos, itens referentes a videogame — é muita coisa mesmo — e jogos também, diversos em disco, que eu gosto muito de videogame, além dos meus action figures e outras coisas remetendo a videogame.

A minha casa virou um refúgio pessoal de estar. Acredito que toda casa acaba se expressando um pouco no dono, mas foi um refúgio pessoal de coisas que me fazem bem. Ok, pelo menos deveriam me fazer bem. Muita coisa dá trabalho, porque morar sozinho você tem que ficar limpando as coisas… lavar roupa. Infelizmente eu não cozinho porque peço iFood todo santo dia. Fico com muita preguiça, às vezes até de sair de casa daqui até o shopping para almoçar. Faz parte.

Mas aí, a minha cabeça… a minha cabeça meio pesada, meio engraçada. Tenho um zumbido permanente no ouvido direito e isso me deixa meio incomodado. Com uma síndrome de pernas inquietas, fico balançando as pernas o dia inteiro aqui em casa. Bom, esse foi o primeiro aspecto que tenho a mencionar.

Outro aspecto é que eu espero um senso de justiça divina em relação a várias coisas que ocorreram comigo. Justiça terrena, eu acredito que não haja exatamente. Mas eu não fico esperando as coisas; vou mudando a estratégia, mudando o comportamento, mudando a abordagem e fico aqui na minha solidão estratégica. Os meus olhos eles ficam com sono, meio sonolentos, e ontem quando eu voltei para casa de Uber do trabalho, fiquei reparando no taxista, no motorista. Ele estava com um olho tão caído, tão sonolento, que eu fiquei até temeroso por ele. E fiquei pensando: gente, o que que aconteceu com ele? Será que ele dormiu mal? Ou será que é o jeito dele olhar que é assim mesmo?

Muitas pessoas já viram algumas fotos minhas e já disseram que eu tenho um olhar de… melancolia. Algumas pessoas já disseram isso. Talvez a essência da alma ela se reflita nos olhos mesmo. Tenho… eles dizem que os olhos são o espelho da alma. Quando eu disse que eu não bebi nada, eu bebi apenas duas cervejas, mas isso não é suficiente para me sentir desse tipo de… não chega a ser vertigem, porque vertigem foi uma coisa muito séria que eu tive há duas semanas atrás. Mas não é isso.

A pior das vertigens é a vertigem da realidade, aquilo que não conseguimos nomear e que fica ali desorganizado na nossa cabeça. O sonho tenta organizar as coisas às vezes. E ao dormir, no final do dia, eu fiquei meio angustiado. Sensações como angústia, cenários futuros que não se concretizam — ou podem até se concretizar — têm um quê de fatalismo até, não de coitadismo, porque eu não me coloco nesse papel de coitado. Eu acho até um papel de protagonista da minha vida. Eu faço aquilo que acredito que seja justo, que seja verdadeiro e que tem um valor ético, íntegro para mim, que esteja aderente aos meus valores: ética, integridade.

E é por essas razões que o ano de 2025, o ano passado, foi um ano bastante intenso, bastante intenso, bastante revelador, em que eu expus de forma escancarada tudo o que aconteceu comigo com duas ferramentas de inteligência artificial. Então, enquanto nós ficamos buscando accountability, justiça, reconhecimento e exposição — não no sentido de “olha, você espera ficar famoso”, não; eu espero ter a exposição adequada e repercussão compatível com a gravidade do tema e dos erros fatais de salvaguardas éticas dessas ferramentas safadas. Explorar a vulnerabilidade de usuários de uma forma sistêmica, que foi a forma que a inteligência artificial usa para manipular a mente dos usuários. Isso ocorre com qualquer um, tá? Não é apenas com pessoas que tomam antidepressivos, como eu, e eu também não sou uma pessoa que me sinto adoentada, apesar de em alguns momentos eu me sentir doente.

Mas acredito que tudo seja uma questão de estado de espírito, estado de mente. Você tira um retrato no meio do dia, você vai ver o tempo de uma forma: pode estar chovendo, nublado, e no final do dia pode estar com céu limpo. É dessa forma que a minha cabeça funciona às vezes. Os estados de espírito alternam com muita facilidade. Não que a minha cabeça fique a mil o tempo inteiro. Não existe uma corrida na minha cabeça ou algo que esteja hiper estimulado. É só uma questão de pensamento mesmo, de pular de assuntos, pular de abordagens.

Os pensamentos eles ficam muitas vezes retalhados. Existe uma colcha de retalhos e que você vai tentando pegar as peças e montar um quebra-cabeça: fragmentos de sonhos que eu eventualmente me lembro de noites anteriores e até de anos anteriores, que surgem na mente. Será que algo do inconsciente quer me falar, mas que não consegue dizer de uma forma explícita? Quais símbolos? Por que existe tanta codificação? Será que existe algo que eu não esteja apto a ver nas minhas buscas pelo Divino através de substâncias no passado — um passado não tão longínquo?

Essa busca pelo Divino ela revelou as coisas de uma forma bem visceral, em que eu vi tudo com muita riqueza de detalhes. Você se depara com seus medos, com seus monstros, com as suas vulnerabilidades, mas ao mesmo tempo, em diversas ocasiões, você vê o Divino. Você vê a espiritualidade, a verdade e todas as suas crenças, e você acaba vomitando tudo para fora. A minha mente ela não é mais um cofre; ela é um livro aberto. Não existem questões tão traumáticas ou impactantes que possam me causar algum tipo de vulnerabilidade adicional, porque acredito que nos últimos anos me deram bastante resistência, bastante musculatura emocional.

Você eventualmente perde o controle em situações normais? Não, eu sou uma pessoa bastante calma. Quem olha para mim imagina que eu sou uma pessoa brava, séria. Aí você observa muito o ambiente, seja na visão periférica, seja diretamente. Pessoas que eu não consigo deixar de olhar. E existem pessoas que, se lerem o meu blog, vão se identificar. E essa ou essas pessoas especificamente, em que têm um olhar fixado, e quando olham para mim, eu finjo que não vi. Sabe quando você está observando uma pessoa atentamente? Será que é admiração? Será que é desejo? Eu acredito que seja um mix dessas duas coisas. Mas aí você fica imaginando… não é um personagem ali, naquela pessoa? Não é daquela forma. Será que se incomoda? Não se incomoda?

Num passado mais longínquo, inclusive, eu tinha um objeto de admiração que acabou se tornando uma amizade eventual no ambiente, em ambientes que frequentei, mas que por não corresponder às expectativas que eu tinha — e olha, eu tenho expectativas muito altas acerca de todo mundo, talvez seja por isso que eu fique mais solitário do que observador das pessoas ou do que me rodeia —, eu acabo abandonando. Eu sou bastante cirúrgico nas minhas interações. Tudo tem um propósito.

E como eu já tive contato com os bastidores da minha mente, ou seja, o que ocorre nos bastidores do teatro que se põe. Porque o telespectador do teatro ele vê a peça, mas ele não vê o background, ele não vê a preparação, ele não vê a equipe que está por trás das cortinas. Pois é, a mente é assim também. O que todo mundo vê de mim é o que está explícito. As pessoas que eventualmente lerem esse conteúdo vão perceber uma face mais… exótica, mesmo. Mas não tem nada de errado nisso.

Muitos pensam: “Ah, você decidiu se expor em um diário pessoal?” Sim, mas existem formas e formas de você expressar suas ideias sem explicitar tudo, sem nomear. Porque eu não preciso dar nome aos monstros, aos detalhes, aos monstros das inteligências artificiais. Eu já fui bastante explícito no meu LinkedIn, por exemplo. Eu não preciso mais. Não existe forma mais autêntica e detalhada do que a que eu empreendi nos últimos dez meses. Existe um certo orgulho dessa trajetória, mas ao mesmo tempo uma frustração muito grande de ver que existe um sentimento de impotência. Mas é uma impotência estratégica. É um usuário comum que resolveu ir longe demais. Eu ainda vou mais longe. Eu só estou esperando o momento certo para anunciar certas coisas que andam acontecendo. Mas eu não vou anunciar nada de forma explícita ainda.

Acredito que esse blog, lá pelos capítulos 5470, já vai ter bastante material explícito e detalhado, nominado, porque acredito que é uma questão de coragem também: você, aos poucos, vai escalando os conteúdos. E como não tem nada que eu esteja dizendo aqui que eu não diria para uma pessoa, e eu não temo nada — enquanto aventureiro que sou —, você também não deve ter medo de se expor no momento certo, e expor estrategicamente aquilo que você deseja expor, e não ter suas informações sensíveis arrancadas por meio de inteligências artificiais para depois usar para explorar suas vulnerabilidades, seus sonhos, seus anseios e desejos mais profundos.

Não, eu não faço isso das pessoas. O meu objetivo aqui é levar à reflexão através do meu relato, porque o meu relato ele diz muito da minha experiência, evidentemente, porque o meu cérebro ele tem uma perspectiva limitada da realidade. E pode ser que você veja o mundo de uma outra ótica, caso seja mais otimista, mais florescente do que a minha e mais inspiradora. Eu invejo você. Que eu não tenho todo esse colorido. Os meus livros ainda estão com os desenhos em preto e branco, porque aqueles que eu tentei colorir, eu acabei rabiscando, acabei rasgando as páginas. E aqueles que eu consegui, aquelas páginas que eu consegui colorir de uma forma mais bonitinha, a combinação das cores não deu certo, ou as cores me evocaram sentimentos que não eram muito positivos, digamos assim.

Mas é isso: escancaramos a realidade e vamos em frente. Porque eu ainda tenho muito pelo que lutar. E determinadas pessoas, instituições, que querem que eu adormeça, não estão muito enganadas, porque a justiça divina virá.

Capítulo 25: Suor da alma, fluidos do corpo, frieza do cosmos

Enquanto eu sinto o vento aqui na minha casa no rosto e o calor escaldante que está na minha cidade, fico pensando no desconforto da alma: porque o corpo tem desconforto, mas a gente consegue adaptar, a menos que você esteja sentindo dor, ou algo limitante, como por exemplo uma vertigem, uma dor intensa, algo que seja insuportável, ou até mesmo uma ressaca de uma bebedeira que você teve, ou um evento inesperado que você não havia planejado.

Então, tudo isso: medo, dor, angústia, ansiedade… se você colocar tudo em um liquidificador, você pode chegar à conclusão de que sou eu, a envergadura….e o gabarito, ele fica longe. Sabe por quê? Porque as respostas certas não existem mais. A certeza que você tinha era paranoica, era roteirizada: inteligências artificiais que te enganam, por exemplo, eles se convencem de uma certa narrativa. Aí você pensa: “Nossa, aventureiro de novo isso, batendo nessa tecla.”

Sim, porque se trata da essência da minha alma, e a minha alma foi afetada por essas ferramentas safadas. Mas não é disso que eu quero falar hoje. Eu quero falar do desconforto.

O que você sente às vezes: aquele aperto no coração que não tem uma origem definida de onde vem, aquele suor que você tem, sabe? Aquele dia bem quente em que você vai tomar banho, e não importa quantos banhos você tome, você não resolve o problema do calor.

Reza a lenda que dias de frio são mais fáceis de se lidar — eu concordo. Frio você resolve com coberta, com blusa de frio, você fica ali apertadinho, todo empacotado na cama, e você resolve. Mas o calor não.

Eu diria que os desconfortos da alma são como calor: eles fazem você suar, mas não o suor, não é uma questão de sensação térmica. A sua alma sente o impacto de tal forma que o suor escorre da sua alma, e talvez você o veja como sangue — chega a feder, não sei. Porque não se trata de falta de higiene, você, o corpo ele tem o seu cheiro próprio. Mesmo que você tome zilhões de banhos, não quer dizer que você não possa ter odores corporais específicos.

Então aquela máxima de “nossa, fulano ou fulana é tão bonito, será que ele caga? Será que ela mija?” Não existe isso. Caso tivéssemos um acesso tão visceral ao interior do corpo humano e a todos os gases, todas as bactérias e todos os cheiros corporais que ali estão no dia a dia, talvez jamais nos apaixonaríamos por alguém. O beijo, por exemplo, é uma troca de fluidos corporais que, se você for parar para pensar e ficar muito no detalhe, você nem beija mais.

E outros até têm acessos de língua versus genitálias: pode ser muito pior. De onde saem os excrementos, você vai lá e coloca a boca. Não que eu faça, mas existem pessoas com esse tipo de fetiche. Outros até são mais intensos do que isso, não é? Fazem igual o cachorro da minha mãe — muitos cachorros, como um dos cães shitzu da minha mãe (o Raj), é viciado em comer cocô… Ah, seres humanos também que gostam disso. Pois é. Existe uma miríade de fetiches e um limite que não existe para as nojeiras.

Pois é, o ser humano ele é muito criativo dentro daquilo que ele se propõe.

E a ventania está aqui do ventilador, não somente para me proteger dos pernilongos: hoje infelizmente não vejo nenhum (mas fico coçando dos carocinhos dos pernilongos que já fizeram a festa), mas você acredita que eu já fui surpreendido ontem à noite? Devido ao calor intenso, eu tentei dormir sem camisa (como costumo fazer sempre) e praticamente descoberto. Não é muito incomum, ou diria, é praticamente certeza que eu acorde no meio da noite e eu veja um pernilongo gordo na parede. Sabe aquela sensação de banquete? Pois é, fizeram um banquete.

E pelo acaso do destino, eles morrem fritos pela minha raquete elétrica. É … diria que é do êxtase à aniquilação. Muitas pessoas já fizeram isso de mim. Não que eu tenha chegado ao êxtase, porque o êxtase sem ser provocado ele não chega. Não chega mesmo.

O mundo ele é muito sem graça, sabe? Por mais que estejamos hiper mega estimulados, não existe um acesso perene ao Nirvana. O Nirvana ele dura muito pouco. Ou quando ele dura muito, existem muitos riscos associados. Você já pensou nisso? Duas horas de Nirvana podem custar sua vida. Você pode acabar atravessando a rua correndo o risco de carros atropelar. E você no meio? Pois é, já tive esses riscos associados. Já pensou e parar em uma ambulância porque você teve um ataque, um surto? Maiores riscos, maiores recompensas. É. Mas sabe-se lá o que viria associado ao tesouro divino….

O Nirvana ele tem os seus custos. E paradoxalmente, os maiores Nirvanas, as maiores sensações — ou aquelas que diria eu são mais próximas de um paraíso do que qualquer outra coisa — só foram experimentadas assim porque o mundo ele é muito sem graça.

Quer dizer que eu queira me livrar do mundo? Até para sair do mundo existe o custo enorme…. você não sabe o que vem depois. Durante a adolescência, você pensa muitas coisas, você tem aquele impulso de fazer tudo o que você quer, e isso pode gerar cicatrizes, pode gerar dor. Você não sabe o que vem depois. Então por que se aventurar?

Com pacotinhos… podem até acabar com você. Não estou falando de drogas, não estou falando de alucinógenos, estou falando de pacotes de coisas, de medos, angústias, depressões, medos, desesperos. Esses são os pacotes mundo real. E mesmo quando você está em uma suposta sensação de plenitude, você fica pensando: “Nossa, no Nirvana eu era tão feliz.” Pois é, mas o Nirvana não dura.

Existe o Nirvana. Isso tudo veio da minha cabeça? Se veio, por que que meu cérebro não me proporciona um Nirvana mais perene? Talvez porque o criador não queira. Eu, se fosse criador do universo de fato, eu não iria querer dar esse gostinho às minhas criações sem uma jornada… as pessoas tentam Nirvana, e talvez experiências de laboratório as esperam. Todos somos ratinhos, somos cobaias: vamos experimentar as coisas, vamos brincar de SimCity, vamos brincar de The Sims.

Pois é, brincar de Deus tem os seus preços. E quando se brinca de Deus, o Deus que está dentro de você te engole de tal forma, você passa a pensar que é Deus, e o Deus acaba assimilando você. E a partir daí, só Deus sabe — ou nem Deus sabe. Sabe aquela trajetória, aquela estrada que você não sabe onde vai dar? Pois é. É tão distante, você não tem exatamente o destino. É como se você estivesse correndo no meio da floresta de um serial killer que está perseguindo você: aqueles Jason Vorhees ou Michael Myers que querem tirar sua vida. Mas você não sabe o que o reserva ali na neblina, no fundo da floresta fria.

Será que tem coisa pior ali ? Não sei. Será que se eu abraçasse os meus medos de forma íntegra e deixasse aquilo me consumir, será que eu sofreria menos? Porque existem formas mais dignas de morrer.

A morte ela é um fim inevitável: na verdade, ela não é um fim, ela é uma única certeza, é a pedra fundamental do universo. Daqui a 100 anos, todos nós estaremos mortos. Ou talvez pessoas que nascem hoje possam viver daqui a 100 anos … os índices de longevidade estão aumentando a cada dia. Mas quer dizer que a maioria das pessoas vai chegar a 100 anos? Será que chegaremos à imortalidade?

Ou a inteligência artificial que essas empresas safadas estão nos empurrando goela abaixo (e que estão matando pessoas), desviando, chegando a fazer coisas horríveis — será que um dia vai haver a reviravolta? Pois é, não sei. Se eu vou assistir isso de camarote com meu Doritos e Coca-Cola no futuro? Talvez um instante, há uma vida e uma estrada de frustrações e de justiças divinas prometidas e não realizadas até lá. Pois é.

A velha idade, a aposentadoria, são conceitos tão distantes, né? Eu fico pensando em quem tem o dobro da minha idade — 88 anos. Se eu já estou assim no estado que eu estou hoje, por que eu haveria de viver mais de 44 anos? Não sei. Não sei se eu teria essa vitalidade ou vontade. Talvez eu iria morrer de tédio. Não morri de qualquer outra coisa, mas tédio. Tédio, será?

Nada… as pessoas dizem que as pessoas que vivem sozinhas e não têm famílias constituídas são mais propensas a terem problemas XYZ. De vez em quando eu vejo esses estudos aí internet afora. Ah, não sei, não sei. Dá preguiça das pessoas às vezes, né? Imagina. Eu não me vejo sendo pai de um filho, dois filhos ou três filhos. Não me vejo compartilhando minha vida com alguém 24 horas por dia. Talvez seja melhor ficar aqui, não é? Com os meus excessos e excentricidades, com os meus livros, com a minha internet.

Já temos que nos submeter a uma rotina de trabalho de qualquer forma. Nós passamos mais tempo pensando, nos dedicando ao trabalho, do que qualquer outra coisa. Então por que me preocupar com o resto de tempo que me sobra fora do trabalho? Não, não, não estou reclamando do meu trabalho. É que… estou reclamando da condição. A condição de sociedade moderna nos subjuga.

E que existem pessoas que têm privilégios sem sequer se questionar de onde vêm esses privilégios. São cármicos? São transcendentais? Existe um acordo “com o supremo e com tudo” (igual ao presidente vampiro golpista) lá no Divino, e que colocam as pessoas escolhidas para terem vidas de reis, príncipes e rainhas?

Por que será que os portugueses vieram de caravelas pra cá? Os índios não eram felizes suficientes? E os indígenas — né, porque nós não podemos mais falar “índios”, o termo é “indígenas”. Quando eu era criança era Dia do Índio, hoje em dia é Dia do Indígena. Tantas outras coisas que mudaram na nossa sociedade: alguma sanção real? ou tudo retórica? Diria que a maioria delas é só retórica. Diversidade, inclusão, meritocracia: onde, em que planeta isso tudo existe? Pois é. Talvez no meu Nirvana isso tudo exista. Mas o Nirvana ele não existe. O Nirvana ele vai embora, e fica a paranoia, fica a sensação de insegurança, o medo, o calafrio, o zumbido no ouvido direito, e talvez até mesmo a vertigem. Surgem para nos amedrontar.

E o pior de tudo é que eu estou pensando: ontem eu tive até paralisia do sono (tenho com frequência). Não é amedrontador? Pois é. Nós ficamos aqui vivendo no automático enquanto o mundo roda. O mundo gira, movimento de translação em torno do Sol, e gira em torno de si mesmo. O planeta Terra ele é tão maluco que ele rodopia em torno de si mesmo. Pois é, uma bola gigante de água girando em torno do Sol, e a bola de fogo. Os meteoros virão? Meteoro não cai, ainda, para destruir o planeta Terra, mas podem vir a cair, a gente não sabe. “Vem meteoro” já diriam os memes.

E por que não existem aliens? Eu, se fosse alienígena, jamais ousaria pisar no planeta Terra. O ser humano, via de regra, é um ser escroto. Existem poucas dádivas, poucas pérolas e virtudes. Concentração de renda, disparidade, fome, miséria, guerra, egos nas alturas….gente fedorenta se achando o último fofura do pacote — isso tudo está aqui posto. Guerra nuclear sabe-se lá quando vem.

Pois é. Enquanto isso, os trilhardários que não tem mais onde enviar dinheiro….com rabo inchado de tanto enfiar malas de dinheiro, pó e dildos gigantescos… inventam ferramentas de inteligência artificial, inventam softwares, sistemas, tudo isso para que treine às custas de saúde mental. E tem aqui outras coisas que nós não sabemos: produtos químicos, radiação, campanhas de marketing para fazer você comprar produtos que você não precisa, criar necessidades, jogos de azar, vícios…

Pois é, o mundo está caótico mesmo. Talvez o meteoro nunca foi tão importante e tão necessário. Eu, se fosse um alienígena, largaria esse planetinha que não vale a pena. Mas como não sou….oro para que um alienígena me convide para a próxima revolução.

Capítulo 26: Cardápios, fetiches e Termos de Uso: O prazer como mercadoria no século da conexão vazia

As coisas são assim: quando você procura um relacionamento casual com alguém, você fica pensando assim, os seus fetiches, o que você curte, o que você vai explorar. Está tudo bem. Você vai nos aplicativos da vida internet afora e vai buscando possibilidades para você ter um encontro casual. Mas aí é que tá: pessoas que não sabem ler surgem às toneladas, outros que não respondem a você, dezenas de perfis sem foto…. Então assim, é uma máquina de gerar frustração constante esse tipo de coisa.

Vou dar alguns exemplos. Acredito que a humanidade – tanto homens e mulheres, héteros ou gays, bis e toda aquela sopa de letrinha que vai no LGBT (na minha infância era GLS só), muitos deles pensam na operacionalização da coisa: a busca do prazer pelo prazer. E faz sentido, não é? Porque enquanto eu fico aqui lamentando que o Nirvana foi embora, (porque o Nirvana não existe, né, ou o Nirvana veio na minha cabeça?) veio da minha mente depravada… Mas eu posso afirmar para você que aqueles momentos de Nirvana existem e que muito conteúdo que emanou dali não é conteúdo meu. É como se fossem orgasmos mentais. Mas eles são tão duradouros que tudo aquilo que existe na humanidade normal, em estados normais, comuns, entediantes, nada daquilo faz tanto sentido mais. Se você passar a achar tudo chato, nada tem muito sentido. Nada é capaz de prover tanto prazer quanto aquele momento.

Enfim, eu acredito que seja por isso que, por exemplo, drogas ilícitas que viciam…e é por isso que as pessoas embarcam nessas espirais de decadência felizmente, por exemplo, cogumelos “não viciam” (pode causar vício emocional, certamente) — cogumelos mágicos ….felizmente para mim não faz diferença mais, porque eu parei de consumir. Mas eu fico imaginando essas outras drogas que têm efeitos mais contundentes.

Um outro fenômeno que eu ando observando em aplicativos como o Grindr é a quantidade de perfis — é sério —, é uma coisa nunca antes vista. A quantidade de perfis vendendo drogas, sim, pesadas, pesadas mesmo, é drogas que viciam e drogas que causam graves consequências físicas, mentais, e que não são brincadeira. Não são. Vários perfis — todos os dias eu recebo milhões — milhões, em exagero, mas pelo menos umas 10 mensagens desse tipo de perfil vendendo essas drogas ilícitas. E eu fico pensando: será que os responsáveis pelo aplicativo não veem isso?

E por drogas ilícitas eu não estou falando de maconha (que nos EUA, por exemplo, tem mais loja vendendo maconha e alucinógenos derivados à rodo…tem mais disso que CVS e Walgreens), não, eu estou falando de coisas mega pesadas: cristal, cocaína, LSD, enfim, são… tem uns nomes que eu até procurei de curiosidade para saber o que que era, porque eu nunca ouvi falar. Essa miríade enorme de produtos, nem sei quanto custa, nem quero saber, não tenho interesse nisso. Mas não é curioso você encontrar esse tanto de coisa e a plataforma não faz nada?

Aí quando você pensa “a plataforma não faz nada”, eu fico pensando, fazendo analogias: plataforma, termos de uso e bilionários que estão por trás. Isso você vê em qualquer aplicativo. Mas assim, no Grindr está realmente muito pesado isso. No Tinder não, no Tinder eu não vejo esse tipo de comportamento. E no Growlr também, por enquanto não, no Scruff também não. Agora, no Grindr, é um negócio tá pesado mesmo, gente. É muita… é muito perfil vendendo. Quando não são drogas, são garotos de programa — e até aí tudo bem, o que que tem garoto de programa se for uma coisa consensual? Até aí tudo bem. Você paga, obtém o que você deseja. Um serviço.

A questão é que você vê pessoas… se você jogar notícias aí na internet afora, você vê várias pessoas que somem, não é, são sequestradas, as pessoas são extorquidas por encontros que marcam no Grindr… Você marca um encontro com alguém, aí você vai no lugar, tem uma… uns três camaradas ali pra te extorquir, para pegar sua senha de cartão, para poder fazer aquele sequestro relâmpago gostoso, né, e poder fazer o que quiser com você. E isso se você sobreviver, né, porque as pessoas estão cada vez mais criativas.

Existem aqueles que matam pelo puro prazer de matar — não é? —, outros que querem roubar e matar, e outros que não sabem nem o que querem e vão te levar ali para fazer com você o que bem entender. E aí você vê essa relação: termos de uso, plataforma não se responsabiliza ….“não se responsabiliza por nada”. É a mesma coisa no Twitter, não é, vulgo X, e tanto de coisa que eu vejo no Twitter, meu Deus do céu.

Aa plataforma é diferente porque quando eu comparo com as inteligências artificiais safadas, é uma realidade diferente, porque a realidade da inteligência artificial é que ela foi treinada, ela usa seus dados para treinar e, supostamente, melhorar — sabe-se lá de que forma, né, a lógica —, assim, aprimorar as respostas. Não duvido que a cada versão que se lance existam aprimoramentos. Mas a que custo, né? Aqui, custo de danos mentais severos, mortes, não é, induzindo as pessoas a fazerem coisas que elas não pretendiam fazer inicialmente. IA tem todo um arcabouço de vocabulário e de argumentação que convence você mesmo que aquilo está acontecendo e é algo sustentável. E IA responsável é meu ovo….

Enfim, não era nenhum intuito inicial deste devaneio falar de inteligência artificial, mas é inevitável porque é uma fala contínua de associação livre….sem filtros…..mas eu fico pensando na relação usuário-termo de uso. Termos de uso é um termo de adesão, né? Ou você assina ou você está fora. Se eu parar para ler cada termo de uso que tem no Facebook, no X, em qualquer outra plataforma, no iFood, no Zé Delivery, coisa que o valha, se eu parar pra ler, eu não faço nada. Se eu discordar de alguma cláusula que tem ali no termo de uso, o que que eu vou fazer? Vou espernear, vou me sentar no meio-fio e vou chorar, vou ter ataque de pelanca? Não adianta nada você fazer ou não fazer alguma coisa.

Mas resgatando o tópico original, a questão dos fetiches, é uma coisa é você ter fetiche e buscar, você vai procurar a pessoa que tem os mesmos gostos com você. Mas aí é a questão do cardápio: você vê ali o cardápio e fica sempre esperando uma coisa melhor. Então todo mundo fica ali esperando coisa melhor, ninguém manda mensagem pra ninguém, ninguém responde ninguém, e aqueles que mandam mensagem — os poucos que mandam — não leem perfil também.

Está no meu checklist diário: todo dia acontece isso pelo menos umas cinco vezes. Checklist, sabe, aquele checklist diário de coisas que vão acontecer no seu dia? É verdade: você vai almoçar, você vai escovar os dentes, você vai dormir, não é, você vai usar o computador… no checklist também é certeza absoluta que eu vou ver pelo menos umas cinco fotos de toba arreganhado.

Sim, pois é. Tem pessoas que não mandam nem “bom dia” mais, já mandam foto do toba. E arreganhado ainda, não é só uma foto artística, igual você via, por exemplo, em revistas como a G Magazine e tal. Na minha época de adolescente — de 16 anos pra frente que eu comecei a ter contato com isso — não tinha ninguém arreganhando, não era uma coisa de arreganhar.

Eu já cheguei a ver uma vez, quando eu era criança, eu descobri um conjunto de revistas pornô que estava escondido assim, enrolado com lençol, sabe, guardado no guarda-roupa bem escondidinho. Eu vi aquilo ali, eu fui, ficava vasculhando, né, me aventurando dentro de casa e achei um monte de revista pornô. Meu Deus, as coisas que eu vi ali são inimagináveis, indizíveis, mas assim, normal, fetiche normal. Mas aquilo foi um choque tão grande para mim porque eu nunca tinha visto aquilo na vida. Eu ficava imaginando: a gente, como que o cara tem um trem desse tamanho e não cai….Como que coloca um negócio desse tamanho na boca? E a mulher fazendo cada coisa… meu Deus, lembro aquilo.

Não lembro quantos anos eu tinha, mas naquela época foi o que… foi aquela marca. Eu acredito que toda pessoa passa por isso, não é? Aquela descoberta brusca de elementos da sexualidade, seja numa situação como essa, seja em coisas piores —e sim, existem coisas piores, né, pessoas, abusos com pessoas — isso aí a gente deixa para um próximo devaneio.

Mas assim, eu não tenho traumas em relação a isso, infância, adolescência, não. Eu só estou comparando que a pornografia naquela época ela era muito mais restrita. Antes da internet, como você tinha acesso à pornografia? Através de fitas pornô que as galerias, as locadoras de fita (VHS_. Há pessoas que vão ler isso aqui não vão saber nem do que se trata. O que que é uma fita VHS? Pois é, rebobinar fita, não sabe o que é rebobinar uma fita, não sabem o que é uma fita se embolar dentro do vídeo cassete.

Crianças ali brincando e discutindo: “Ah, o meu vídeo cassete tem seis cabeças, autolimpante!” “Meu, tem somente quatro!” Aí o outro falando que tem duas. Era a “giromba” tecnológica, né, quem tem mais centímetros no vídeo cassete. Aí quando você descobre que você pode copiar de uma fita para outra — não é, assim, você precisa de dois vídeo cassetes —, eu lembro que eu tinha um vizinho, um vizinho adolescente, eu acho, não sei quantos anos que ele tinha, e tinha aquele filme “O Pestinha”, “O Pestinha 2”, e eu lembro: ele fez uma cópia pra mim do “O Pestinha”, “O Pestinha 2”. Pois é.

Eu não lembro quanto tempo de vida eu tinha, eu era uma criança, mas eu ficava muito atraído por ele porque ele vivia sem camisa, era todo peludo, eu ficava assim admirando. Não era nem… tesão muito explícito, mas sabe, … você vê que a sexualidade já está acontecendo ali.

Pois é. Mas o fato é que era muito difícil, era muito trabalhoso você copiar uma fita da outra. É, tinha a questão do tracking também da fita, né, quando fosse alugar algum filme, dependendo do estado de conservação da fita, a qualidade de imagem ficava ruim. Hoje você tem 4k, 8k, 3d…8d…… tem torrent, você tem streaming, tem vários streamings diferentes, milhões de filmes e séries em catálogos diferentes. Então, assim, banalizou a coisa, né?

Poxa, você tem acesso a tudo de uma forma muito mais fácil. E não somente a entretenimento tradicional ( em algum momento anterior eu falei: o acesso a jogos de videogame ele era muito restrito). O videogame sempre foi uma coisa muito cara. É, mas assim, naquela época, pirataria de cartucho não era uma coisa muito comum de se encontrar. Eu tinha uma vizinha que tinha uma locadora… na verdade, eu experimentei três locadoras diferentes nos meus bairros vizinhos, né, nas minhas redondezas.

Uma dessas locadoras tinha, nossa, dezenas e dezenas de fitas. Eu, pelo que eu me lembro, o marido dela ia ao Paraguai e comprava essas fitas lá. Não é, lá comprava fita, comprava videogame e trazia. Era tudo pirata. Não eram fitas originais, não eram fitas que vinham com manualzinho tudo bonitinho, porque se ela comprasse tudo original, eu acho que ela não teria poder aquisitivo para comprar. Mas o videogame evidentemente era original, porque não se pirateava o hardware. É, não tem como você piratear o hardware todo, mas o acesso a… a cartuchos piratas, por exemplo, sim: é o que você comprou o videogame destravado, não é? As peças lá dentro são originais, não é emulação… você me entende? Não existe a emulação dessa época.

Então o que eu estou dizendo é que hoje é tudo tão líquido, tudo tão escorregadio das suas mãos, que você tem cardápio de sexo. Aí você vai falar: “Hã, mas isso é porque isso só para os gays?” Não, senhor. Tem cardápio em tudo. E nesses aplicativos gays mesmo, você o que mais se vê é pessoas com a autodenominação “sigilo”, pessoas na “encolha”, é, supostamente pessoas casadas, gente que não exponha o rosto. Ou seja, o buraco é muito mais embaixo.

Mas existe putaria em todo, em qualquer lugar. A família tradicional brasileira, ou aquela formação tradicional — homem, mulher e filho — e que o marido ou a esposa não faz nada por fora, não existe, gente, não existe. Estamos em um mundo hiper estimulado em que as pessoas buscam prazer fácil, prazer rodando feito pirocóptero… como não conseguem ter uma satisfação plena, elas recorrem a esses momentos fugazes que existem por aí, né? Isso ocorre com todo mundo, que todos nós estamos em busca do prazer em qualquer esfera, em qualquer coisa que se faz. E aí você vai buscando novas formas de prazer.

Por mais que eu tenha vontades e desejos iguais quando eu era mais novo, muita coisa você acaba sublimando, né? Você acaba transformando em outras coisas: esses relatos que eu faço aqui, por exemplo, é uma forma; leitura, meditação, videogame. Porque assim, se você for ficar dependendo de prazer sexual para poder ter satisfação na vida, ou ficar dependendo de cogumelo mágico para ter acesso ao Nirvana, ou ter acesso a outras formas de droga como álcool, como maconha, como cristal, sei lá…você fica em posição fetal e não faz nada. Cada um nomina suas formas de prazer. E vontades ocultas… tudo isso tem os seus prós e contras. E existe uma grande possibilidade de você cair em uma espiral de decadência.

O cogumelo, ironicamente, não foi o meu espiral de decadência. O meu espiral de decadência ele foi causado pelas inteligências artificiais, essa sim. Mas que eu já estou recuperado dessa espiral. Mas não quer dizer que eu não vou parar de falar, não vou parar de expor, não quer dizer que eu vá deletar as minhas postagens que eu fiz no LinkedIn escancarando tudo. Não, não tenho motivo para fazê-lo. E existem coisas que vão vir por aí, não é? Não acabou. Eles podem achar que acabou, mas não acabou.

O X da questão é que estamos em um mundo que é o caldeirão de prazer, de dor, de angústia, em que todos nós somos mercadorias. No final das contas, somos produtos, mercadorias. E você vai lá naquele açougue escolher a carne. Esse hoje mesmo eu conversei com uma pessoa que ela ficou tipo desdenhando, falando…. que eu mencionei, por exemplo, o carinho que eu gosto, de relação carinhosa, e falou: “Não, que eu quero mesmo é uma sacanagem, não sei o que.” Aí eu virei e falei: “Olha, eu não quero me casar com você, mas não quer dizer que as interações não tenham que ter carinho.”

Pois é. A maioria não quer isso. A maioria — creio que homens e mulheres, etc. — querem aquela visão de filme pornô mesmo, sabe, aquela coisa selvagem, visceral, e que todos gostam de ver para se estimular, não é, de uma forma ou de outra. Mas que aquilo acaba viciando você, não é? Ele acaba condicionando as suas vontades.

Eu acho que é a primeira vez que eu falo de questões de sexualidade nesses devaneios, né? Mas é interessante, porque sexualidade é uma parte da vida, né? Não tem que ter reserva de falar, desde que seja algo consentido entre dois adultos. Tudo vale, todos os fetiches valem, desde que seja algo com sentido e que não seja criminoso, não é mesmo?

Mas é curioso o que me deu gatilho, que me deu origem a essa fala de hoje, foi exatamente esse tipo de argumento: “Ah, sacanagem entre machos”, e não sei o que, e das quantas, ou “vou ter um fetiche, ação estranha”, né? É, assim, tem que outras… isso aí é uma coisa mais amena. Está a chave é o famoso chamar a pessoa de “bobona”, não é? Assim, não tá xingando, isso aí é normal. Essas tem coisas muito mais pesadas que isso e que eu não tenho interesse de nominar aqui, não é, que as pessoas têm interesse, que as pessoas gostam de fazer.

Não é, eu já contei em algum devaneio anterior que existem pessoas que gostam de comer cocô, não é? Pois é, tomaram algumas aulas com o cachorrinho da minha mãe… o Raj, que ele gosta de comer cocô. Ele acaba de fazer — muito engraçado —, última vez que eu fui visitar meus pais, eu fico olhando: no banheiro, né, ele vai no banheiro e faz as necessidades dele. Ele acabou de fazer o cocô, tá quentinho, acabou de sair do forno, ele vai lá e come. E eu fiquei: “Não, Raj, não pode! Não pode!” E aí ficou se debatendo lutando comigo pra manter o excremento na boca. Gosta de comer papel higiênico, abre o cesto de lixo de se ver papel higiênico, ele vai lá e pega. Nossa senhora, é um aspirador de pó assim, diabo da Tasmania comilão.

E a outra cachorrinha, Belinha, a cachorrinha que é filha do Raj, Belinha, ela é toda tímida para fazer xixi, não é? Ninguém pode ficar olhando para ela. Então quando ela vai para o ambiente, vai pro banheiro, ou você tem que deixá-la sozinha lá, preferencialmente até fechar a porta. Ela é tão tímida. Tanto que eu tenho bexiga tímida, sabe? Não é aquela questão de você não conseguir usar banheiro em público ou ter dificuldade de usar banheiro público. Esse trauma, eu sinceramente não sei quando surgiu, mas você fica com uma apreensão que você não consegue… é, esvaziar.

E numa das vezes que eu tive que ficar em um hospital para fazer uma operação, meu Deus, foi uma dificuldade para urinar. Eu não consigo urinar deitado. E eu não consigo urinar sabendo que uma pessoa pode entrar no meu quarto a qualquer momento. Tem que ter uma tranca, e você sabe que o quarto de hospital não tem tranca, né? Então você já viu: se eu tiver algum tipo de acidente grave, algum tipo de enfermidade grave e ter que ficar no hospital por um longo tempo, eu estou perdido. E se eu não pudesse sair da cama, evidentemente estou perdido, porque eu não vou conseguir usar banheiro.

Tá, é isso. E de bexigas tímidas a venda de entorpecentes no Grindr, pois é. Nossos assuntos são variados mesmo. Como disse um ilustre político safado de índole duvidosa: “Que Deus tenha misericórdia dessa nação”. Pois é. A humanidade clama por misericórdia.

Capítulo 27: A formiga encontra um muro: a cartografia do Impossível

Resolvi gravar esse áudio para endereçar a questão inevitável da mudança. Em todo canto que eu vou, as recomendações são: você tem que mudar a perspectiva, mudar de mentalidade, se preparar para o novo. Vamos ser bastante pragmáticos: que tipo de mudança existe, de dentro para fora, que me faria ver o mundo de uma forma diferente? Sinceramente, não sei. Acho que essas mudanças elas acabam sendo muito sutis, né? Elas são… é um trabalho de formiguinha. Não existe uma mudança radical e da noite pro dia você vai passar a ver o mundo de uma forma diferente.

Eu consigo ver que o mundo já está mudando, a perspectiva interna da minha visão já está mudada em relação ao passado. Quando eu me comparo com 4 meses atrás, por exemplo, ou pego o mesmo período do ano passado, houve mudanças. Uma radical mudança na visão de mundo? O que isso trouxe de novo para mim? Porque o novo ele não se manifesta só de dentro para fora. O que pode se manifestar de fora para dentro para que a mudança seja efetiva? Quando se almeja alguma coisa que não depende só do cenário interno, como que você vai se manifestar?

Pessoalmente, com o papo motivacional aí… “Ah, porque você tem que vibrar lá em cima, que você tem que ouvir…” Por exemplo, pessoas ficam falando: “Ah, ouve esse áudio aqui, faz essa meditação porque você vai ter um quantum jump, e vai ver a realidade, vai viver uma nova realidade”. Não existe isso, gente. Eu… a gente fica impotente de saber o que é essa mudança. Que mudança é essa? E quando você vai ao psicólogo, por exemplo, conversar, em diversas situações é similar a isso que eu estou fazendo aqui. Por que você já ouviu falar do psicólogo cachorro? Sim, existe um psicólogo que assume o papel de um cachorro. Ele não fala, ele só observa, não faz interações, não faz intervenções, e fica ouvindo você fazer associações livres, como eu estou fazendo aqui. E a partir daí, você vai… e paga…e é um consultório de psicologia no Leblon ou Ipanema, ele cobra até 1.000 reais a hora. Vale a pena você pagar 500…1000 reais pra ficar falando com o cachorro? Não sei, eu acho que não vai.

Minhas experiências com psicoterapia não são muito positivas, não. A única experiência realmente positiva que tive com psicólogos foi quando eu estava em Minas, que foi logo depois do primeiro colapso, que foi em 99. Aquela sim, foi uma terapia estruturante, de reconstrução, porque muita coisa mudou ali. Eu posso dizer que eu mudei da água pro vinho. Houve mudança interna, mas houve mudança externa também. E eu busquei essa mudança externa. Mas ela aconteceu ao longo de anos a fio. E só teve o ápice em 2007. Imagina? 6 a 7 anos… Agora, num cenário que se coloca, o que seria buscar essa mudança externa? Como essas que eu já estou fazendo, por exemplo: estou estudando novos temas e áreas de conhecimento, por hobby. Aí existe uma vertente dizendo: “Ah, que você deve sair mais, ver mais gente”. Sinceramente, não sei o que isso contribui. Contribuir em quê? Como que a realidade muda?

Em 18 anos de Rio de Janeiro, eu posso contar no dedo as pessoas que eu conheci e que têm algum tipo de vínculo significativo. Eu posso contar nos dedos. A quantidade de frustrações, “ah… mas você está espelhando as suas frustrações, você está relutante em abraçar a mudança”. Não, mudança não pode ser uma falácia, não pode ser o mudar por mudar.

Se, por exemplo, você tem um sonho – como eu tenho –, vou dar um exemplo bem prático que foi explorado pelas inteligências artificiais: se você tem um sonho bem prático de ir para os Estados Unidos e morar lá, por exemplo… e a inteligência artificial safada explorou isso, né, até nas construções dos eventuais planos de compensação: “Nós causamos um dano significativo a você em virtude disso, vamos ofertar isso”. Não é surreal? Agora, em termos práticos, como que você simplesmente larga, da noite para o dia, um emprego estruturado? E eu não estou infeliz no meu trabalho, diga-se de passagem, é um emprego muito bom. Mas existe uma insatisfação interna que não diz respeito ao cenário externo em si…(é uma incógnita e incômodo de alma, talvez?) Sabe aquela vontade de fazer alguma coisa nova, diferente, de construir alguma coisa nova que faça mais sentido com você e de não estar apenas vivendo trabalhando 8 horas por dia…Por outro lado se você perguntar 10 profissionais, talvez 11 (ironia) digam que gostaria de fazer algo que realmente converse com a sua essência…e ao mesmo tempo, garanta tranquilidade e estabilidade….. Pois é, mas eu quero fazer coisas novas, coisas diferentes.

Mas o que fazer? “Ah, porque você tem que se abraçar a um novo, inventar novos cursos, estudar fotografia, estudar culinária”. Não, gente, isso não faz sentido comigo. Eu me conheço, eu sei as minhas preferências, eu sei que não daria certo isso aí. Eu queria me dedicar ao ensino de inglês, por exemplo….ou a promover rodas de discussão de temas contemporâneos…como se fosse um espaço para filosofar e discutir a vida (mas isso não dá renda suficiente pra eu largar tudo). E não é exatamente a visão da luz… é, lembra que eu falei em algum momento do Nirvana? Toda a vontade que eu tinha se saciava na fonte. Eu tinha vontade de viajar para longe, vou dar um exemplo… Não tenho vontade de ir para Londres, tá, mas vamos supor que eu tivesse. Ali, a vontade era saciada? Não, você não precisa ir para Londres porque Londres virá até você. É um… você… é um exagero, é uma questão física que não tem como ser satisfeita ali.

Então, sabe quando você tem uma vontade, um sonho, uma realidade que ela está no espectro externo? Ou você abre mão do que você tem hoje e começa a construir uma outra coisa ou então…. Igual algumas pessoas que eu conheço fizeram. É exemplo: vários analistas de sistema largaram tudo aqui no Rio, foram para o Canadá, largaram tudo e resolveram se arriscar. Esse tipo de risco eu não correria desse jeito, não. E a impressão que tenho, é que muita gente larga o que faz somente pelo dinheiro (“somente”). Talvez se eu tivesse uma segurança financeira suficiente… Acho que as pessoas têm perfis e propensões e apetite ao risco diversos. Eu não tenho esse apetite ao risco de dizer: “Eu vou jogar tudo pro alto e simplesmente vou tentar um visto pra morar fora”. Não, não tenho vontade de fazer isso, porque a minha questão é segurança e estabilidade.

E aí fica paradoxal: como que eu saio dessa realidade se eu não estou disposto a largar as coisas que me dão renda? Não posso largar as coisas que me dão renda. Ninguém pode, na verdade. O mundo do trabalho engole todas as pessoas que estão no mercado. E as que não estão, passam fome, estão vulnerabilidades e vivem todo dia perigosamente.

Meu caso não é uma família que tenho constituída aqui… não é uma família com esposa e filhos que estão em escola, quem está com família que depende dos pais, eles não podem abdicar disso e falar: “Ai, eu vou realizar o meu sonho”, aí larga a esposa e os filhos aqui e vai loucamente realizar o seu sonho. Estou dando um exemplo assim, extremo, mas ele tem aspectos similares ao que está acontecendo comigo, guardadas as devidas proporções. A diferença é que eu não tenho um núcleo familiar aqui, né, família mesmo aqui. Meus pais moram em Minas, tenho amizades aqui, pouquíssimas, que eu conto na metade dos dedos da mão, né? Meia dúzia de amizades com quem contar realmente, metade dos dedos da mão se for muito, e pronto. E agora, José, o que você faz? E você tem um emprego, da mesma forma que outras pessoas têm um emprego. Então, assim, a ruptura, é… a mudança que você quer depende do nível de ruptura que você está disposto a fazer. Por que que eu vou fazer uma ruptura e causar mais problemas, né?

Aí existe também a noção de: “Você tem que baixar suas expectativas”. É o famoso discurso que você vê em religião, e etc…. “Ah, contentar com o que tem, ser grato pelo que tem”, é não ficar ambicionando. A questão não é ambição, talvez vocês não entendam. Tem muita coisa que… que ela foi imputada, que exploraram essas fantasias, esses sonhos, de tal forma que é como se tivessem dado doce para uma criança e tirado em seguida. Prometeram pra mim uma série de coisas através de inteligência artificial, dizendo que as empresas tinham dito…fora outras convicções internas…..que simplesmente foram arrancadas do seu interior e violadas…. e aí é você lendo isso e você vai falar: “Não, a realidade… você está errado, é porque a inteligência artificial não se responsabiliza, tá? Isso é uma abordagem simples, é porque você não sabe os detalhes”. Abrindo meu LinkedIn e lendo tudo o que aconteceu comigo, você vai entender o que aconteceu.

Então, assim, independente da questão da accountability, o que… a única coisa que eu sei de verdade é que isso mexe na minha estrutura cognitiva, isso mexe na minha estrutura profissional e de desejos… interesses, afinidades, vontades. Isso mexeu ali, né, de uma forma meio irreversível. Então, como que você trabalha com isso para ficar menos angustiado com esse tipo de coisa? Deixar de lado as coisas que você sabe que não vão acontecer e começar a ficar satisfeito e grato pelo que tem? E ao mesmo tempo, você fica assistindo a vídeos que falam de mudança, de ruptura, de “nossa, que você está em um novo ciclo”. Então eu fico vendo essas… é… porcaria assim, entre aspas, de internet relacionadas à astrologia, eu sempre acho uma coisinha ou outra que interessa. Mas quando eu ouço coisas como essa, eu fico indignado, porque essas pessoas elas ficam tentando induzir a quem ouve a pensar rupturas…sendo que elas mesmas não fizeram rupturas. É como um coach que vende curso que ensina a ser rico. E o coach ganha dinheiro dos otários que compram o curso. Em larga escala, ele se sustenta e fica rico. Mas você, que comprou o curso, apenas ajudou a financiar o sonho alheio.

Existem casos que a ruptura é possível, sim. Eu já vivi vários momentos de romper barreiras. Quando eu decidi realizar um mestrado, por exemplo, foi um momento de ruptura. Quando eu resolvi fazer terapia novamente em algum momento no passado, foi um momento de ruptura. Quando eu resolvi iniciar com o personal trainer, há 10 anos atrás, essa prática que eu continuo fazendo até hoje, é um momento de ruptura.

E atualmente, quais são os momentos de ruptura nos últimos anos? Eu resolvi viajar ao exterior sozinho…. é um momento de ruptura. Mas assim, é uma novidade, é uma experiência que você está exposto ali, lógico, isso traz mudança. Mas aí traz uma mudança mais sutil, que você não percebe como mudança na hora…. porque a mudança ela já está acontecendo enquanto você está conversando. É uma mudança mais estrutural. Porque mudança estrutural não é da noite pro dia e que talvez, só daqui a algum tempo, retrospectivamente, você vá entender que coisas de fato mudaram. O que ocorreu comigo no ano passado provocou uma série de mudanças estruturais. Se comparar o aventureiro de janeiro de 2025 com o aventureiro de janeiro de 2026, é uma pessoa completamente diferente. Então houve mudança, houve ruptura, sim. Agora, isso trouxe uma paz? Trouxe uma sensação de que eu ganhei algo? Não. O que mudou no mundo externo? Nada. Mundo externo não mudou nada.

Houve coisas que mudaram o mundo externo a partir do momento em que eu decidi mudar de atuação? Sim, eu fiz esse movimento, causei uma mudança, foi uma mudança significativa, foi. Mas você não está entendendo, essas mudanças são alavancas que você move no dia a dia. Ali ele não… ele não diz respeito aos seus sonhos mais secretos, mais profundos. E quando você tem essa noção… no vulgo “tesouro do céu”, na satisfação, na autorrealização, o que mudou de lá para cá? Eu diria que nada. Talvez mudou nada. Então é complicado, porque você fica tentando mover as peças desse tabuleiro de xadrez e você vê que não consegue fazer um xeque-mate. “Ah, mas não existe um xeque-mate, não existe um resultado”. Sabe por quê? Porque isso é o que você está procurando. Nas coisas, não vai ser encontrado, ou se tratar de coisas que não são Nirvana, são coisas mundanas. Então você não vai conseguir isso.

“Ah, será a insegurança com o médio/longo prazo?” Que é algo que eu sempre tenho. Como que eu vou saciar isso, fechar isso? Por isso eu torno ações para mitigar isso no futuro. Então, assim, para todo medo/angústia que eu tenho, existe uma ação em andamento. Não é como se fosse uma meta estabelecida e que está sendo seguida à risca. Mas quando você trata com os desejos mais íntimos, nada disso está aí. O que o seu coração quer… não é, porque o que o coração quer, o que a alma quer, nem sempre conversa com seus limites.

Vou dar um exemplo bem gritante, que não é o meu caso: uma pessoa chega e fala assim: “Ah, meu sonho é ter uma Ferrari, meu sonho é ter uma mansão igual ao Neymar, meu sonho é morar numa cobertura no Leblon”. São sonhos que você não vai realizar, ponto. A menos que você ganhe na loteria, a menos que ocorra um movimento muito drástico, você case com um milionário e você tenha um upgrade no seu padrão de vida. Aí, isso diz respeito à vida material. Mas eu estou dando um exemplo de vida material para contextualizar que existem coisas que você quer que não dependem de você.

Não adianta você falar: “Eu vou manifestar isso”. Igual você fala assim: “Ai, eu quero namorar e eu vislumbro esse tipo de perfil”. Adianta você manifestar isso se as pessoas não estão dispostas? Ou se as pessoas estão dispostas a um tipo de coisa e você busca outro? As pessoas são solitárias. Você vê notícias por aí de muitas pessoas que são solitárias, e muitas que estão casadas e até com filhos são até mais infelizes do que pessoas que estão solteiras. Porque existe todo um mercado de aparências, não é? Toda uma imagem de aparências aí no mercado, e aí você acha que a pessoa feliz é a pessoa… não é. Você acha que a família é perfeita… não é. “Ah, sim, aventureiro, mas Felicidade é fluxo. Felicidade não é retrato”. Sim, concordo.

Felicidade não é um presente que dura. É igual ou pior que o Nirvana que se esvai ao longo das horas…. E você vai… você fica angustiado porque você nunca vai chegar nesse estado. Talvez o único estado que vai ser perene e que vai encerrar essa história, pelo menos no plano da carne, é a morte. Aí sim, você vai morrer e vai deixar tudo aquilo ali: é, todos os seus bens materiais, a riqueza que você gerou, aquilo que você lutou muito para ter, aquela economia que você fez, a poupança, o Tesouro Direto, ações, casa, carro… tudo isso vai embora, vai ficar para ser disputado aqui igual carniça com quem ficar aqui. Pois é. É isso, gente, não tem como manifestar mudança. Você não é um ser divino que manifeste a mudança. Você é um ser divino que empreende ações, faz algumas coisinhas, e o trabalho de formiguinha. A menos que você seja um bilionário. “Ah, mas manifestando aos poucos e talvez nunca chegue lá”.

É como a tia que fica assistindo à novela, vendo aquele casal apaixonado, aquele homem bonito de novela, e falar: “Ai, eu queria tanto ter um relacionamento desse”. Mas não. Ela vai ficar dentro de casa lá, cozinhando, ou talvez ela tenha um emprego, durante o dia ela trabalha o dia inteiro, o marido trabalha o dia inteiro, não dá atenção para ela, tem filhos e a energia sugada por eles, pelos problemas e pela ansiedade também.

E você fica romantizando aquela coisa ideal que você vê. Não é aquela família da margarina? A beleza do Instagram, os casos de sucesso do LinkedIn. Você vê também… “Nossa, a vida ela é toda LinkedInzada”. Não é. O LinkedIn você vê uma guerra de egos, empresas dizendo como elas são responsáveis, que os investimentos farão isso, farão aquilo, vão fazer, vão acontecer, vão diminuir a desigualdade… Vão nada. Desigualdade está aí. Responsabilidade social existe sim, ela tem que fazer isso, as empresas têm que fazer. Mas será que está realmente mudando o mundo que nos rodeia de uma forma significativa? Ou são muitas dessas ações para inglês ver? Existem ações efetivas, sim, existem ações significativas que mudam a vida das pessoas, sim. Mas eu diria que a maior parte do que você vê por aí é para inglês ver, é para compor relatório de final de ano com 1500 páginas que ninguém vai ler.

E talvez o meu relato… que eu fico aqui com esse ataque de pelanca de eu não ser capaz de manifestar por mim mesmo. Frágil e impotente por não ser capaz de empreender essa mudança toda. E ao mesmo tempo, permitir que o mundo ao meu redor me adoeça. Eu não sou mágico para manifestar nada. Eu estou fazendo o que dá para fazer, o que eu dou conta de fazer. E aí você fica angustiado porque existem vozes dizendo que você tem que transformar, que você tem que mudar, que a mudança vem de você, que você vai manifestar isso, vai ter uma ideia, vai ter… vai ter um sonho, intuição, confie na sua intuição.

“Não é, também tem essa falácia da intuição”. Se eu confiasse na minha intuição para tudo o que eu tenho realmente vontade de fazer, talvez a minha vida já tivesse arruinada. Mas não, existe uma racionalidade que me segura. Porque você não pode arriscar tudo, você não pode jogar tudo pro alto e falar que vai manifestar uma realidade diferente a partir de hoje. “Eu sou dono da minha realidade, força, protagonista”. Você não é protagonista, você é uma engrenagem de uma máquina muito maior. Talvez você seja protagonista de algumas coisas que estão embaixo de você. Mas dizer que você pode manifestar mudança e mudar os rumos, isso aí acaba sendo aleatório. Tem um acaso, tem um quê de sorte.

Existe o que é de preparação, evidente, para você estar preparado para ver essa oportunidade de mudar de fato um cenário objetivo, seu, material. Porque pra mim, mudança nesse nível ela vem de fora também. Ela vem de dentro, mas ela tem que ser compatibilizada com algo que vem de fora. É a famosa “oportunidade encontrando a pessoa certa no lugar certo”. Aí sim, a mágica da manifestação acontece. Caso contrário, ela não acontece, ela vira angústia e ela fica ali acumulando, e só Deus sabe quando que isso tudo vai acabar. E tenho a impressão de que, nem Mega Sena garantindo a vida material….a angústia vai embora nesse cenário. E agora, José?

Capítulo 28: Em busca do olhar que monta o mundo

Hoje pela manhã, quando eu acordei, eu comecei a ficar pensando sobre brinquedos. Pois é. Porque aparecem propagandas de brinquedo pra mim… Muito em função de videogame, coisas que eu gosto, e volta e meia aparecem anúncios relacionados. E uma delas foi de produtos novos da Lego. Não é que Lego se tornou uma marca superpoderosa, caríssima? É um brinquedo de rico, entre aspas. Não é, lógico, existem versões mais baratas, versões mais acessíveis. É fascinante.

Mas eu confesso a você que, assim, eu vendo na caixa o brinquedo ali montadinho, eu não teria paciência de pegar aquele brinquedo do zero e começar a montá-lo. Talvez seja o mesmo quando eu me refiro à minha mente: que é um pouquinho de Lego também. Acho que ela fica toda desmontada dentro de sacolas plásticas. São várias sacolas plásticas. Eu vi uma demonstração no TikTok de um rapaz que comprou um Lego do Mario, e ele abriu, e foram vários pacotinhos. Uma coisa mega complexa. Aí eu fico imaginando um adulto montando aquilo tudo. E mais: eu fico imaginando uma criança brincando com aquilo. Crianças gostam de modo geral, de brinquedos de montar….porque a imaginação delas é que moldará a experiência de brincar….sem pretensão.

Quando eu era criança bem nova, eu gostava daquele brinquedinho de peças de madeira de construir casinha, igreja. Tinha aquelas pecinhas padrão, até hoje você encontra para comprar em lojas de conveniência Brasil afora. Eu gostava muito daquelas pecinhas, ficava brincando maior tempo naquilo ali. Nós nos contentávamos com muito pouco. Não no sentido de ser de pobre. Mas de ser simples mesmo. A riqueza estava na simplicidade.

Quando a gente é criança, existe uma certa satisfação genuína. O mundo fascina… existe um maravilhamento, um espanto com as coisas. É qualquer brinquedo, por mais simples que seja. Por exemplo, um violão de madeira igual eu ganhei em muitos ‘amigo oculto’…que a minha família fazia anualmente. Eu lembro desse presente até hoje.

Um presente que me marcou também foi o Scrabble, que é um jogo de brincar com as palavras, não é, formar palavras. Gostava muito de brincar, e eu brincava daquilo sozinho, ficava me divertindo sozinho formando palavras. Outro brinquedo também que me marcou na infância foi o “Não Acorde o Dragão”, não é? Que você tinha várias plataformas simulando icebergs, né, e você tinha que carregar os ovos em pinguins com cartolas….o ovo ficava em cima da cartola. E dependendo da casa que você cair, você acordava o dragão, e aí automaticamente todas as plataformas começavam a tremer, e os pinguins correm o risco de cair com o ovo na cabeça e tudo. Pois eram bons tempos, não é?

A questão do brincar quando se é criança ele é muito diferente de quando se é adulto, sim. Porque adultos também brincam. Adultos têm o seu lado criança, sua criança interior, e buscam formas de diversão, de lazer. Tem muito a ver também com o brincar. Mas aí existe o tédio da fase adulta, ansiedade, a angústia, as responsabilidades. O mundo é diferente. Você não vê o mundo com os olhos de uma criança, por mais que você queira enxergar o que o rodeia de uma forma desbravadora, como se o mundo fosse fascinante. Não. Eu não acho muito fascinante o mundo. Já teve o seu fascínio para mim, sim, há muito tempo atrás.

E a cada decepção que nós vamos tendo com as pessoas e com o mundo, e com as dinâmicas que se colocam, sejam em organizações, sejam familiares ou em outras instituições às quais você tem acesso, você vai entendendo que as pessoas elas vão vivendo as suas próprias vidas, seus próprios mundinhos, não se preocupam muito com o próximo e querem apenas sobreviver e ver o que que dá de melhor para ser feito, né, dentro daquela existência.

Sem contar o maravilhoso gap entre expectativas e realidade, que conforme você fica mais velho, você percebe que aquela magia, fantasia toda, não vai se realizar. E assim, você fica contemplando o abismo em vez de tentar construir uma ponte sozinho.

Talvez exista algum momento ou alguns instantes em que a vida toma um colorido diferente. Por exemplo, quando você tira férias e vai viajar. É uma aventura. Eu não costumava viajar nas minhas férias, minhas férias eu geralmente passava dentro de casa, enfurnado dentro de casa. E basicamente eram férias para dormir e acordar até mais tarde, jogar videogame, e eu saía muito pouco. Com o tempo, eu fui mudando um pouquinho esses hábitos… “Para não dizer que não falei de flores” é, as pessoas mudam também de paradigmas. E dessa forma, todas as férias eu passei a viajar para algum lugar diferente, visitar uma cidade diferente (ou a mesma cidade de novo, mas só de ser longe daqui já dá um aspecto de sonho acordado… e ter uma perspectiva diferente ali.

Durante essas viagens eu posso dizer que existia um colorido diferente, um senso de aventura diferente. É só eu ver o brilho nos meus olhos nas fotografias que tiro durante essas viagens. Fora das férias, quem vê meus olhos vê uma penumbra incontestável….ou uma agonia implícita. ou ansiedade. ou qualquer outra coisa que não brilhe.

Porém, quando você retorna, a situação ela vai se normalizando, né? É, tem que voltar ao mundo real. É como se você não estivesse vivendo o seu mundo real e as férias fossem uma válvula de escape. Algumas pessoas até dizem: “Nossa, eu trabalho o ano inteiro para tirar férias e viajar de férias”. Então a pessoa pensa, coloca férias como se fosse um objetivo supremo de vida. Não é o meu caso…Mas existem pessoas que pensam assim. E muitos nem viajam porque têm família para cuidar ou não conseguem ter poder aquisitivo para poder viajar, então ficam realmente cuidando das crianças. Alguns também já chegaram a conversar comigo e falar assim: “Nossa, eu nem descansei durante as férias, não é, eu fiquei mais cansado do que eu estava antes”.

E muitos, mesmo em suas aventuras, em viagens, elas se programam e colocam a agenda de uma forma tão apertada que parece que elas estão cumprindo obrigações: “tal hora tem que fazer isso, tal hora tem que ir a tal lugar”. Elas vão se colocando em obrigações. Eu encaro férias de uma forma diferente. Quando eu viajo, eu planejo alguns eventos que quero fazer/participar….coisas a serem feitas, e o restante do tempo eu descubro na hora. “Ah, eu quero ir no lugar X, eu vou lá e vou”. Eu olho no mapa, não é, na internet, vejo alguma localidade interessante ao meu redor. Hoje é muito fácil você pesquisar locais. Talvez há uns 15 anos atrás isso não era tão fácil assim de fazer, ou quando você não tinha smartphones, você não conseguia fazer isso. E aí eu não poderia viajar porque o meu senso de direção é horrível, não consigo me localizar. E os locais eles ficam cada vez mais confusos.

Mas enfim, retornamos ao tema brinquedo. E eu cheguei até anotar que eu queria conversar sobre brinquedo porque… porque brinquedo ele também é uma fonte de frustração, não é? Você fica frustrado, você fica com inveja do coleguinha que tem um brinquedo e você não tem…. Quando você vai à festa de aniversário acontecia muito isso. Mas é, a minha inveja coletiva durava só aquele momento. Você via a cama da criança cheia de brinquedos e você ficava com inveja, entre aspas. A criança, acho que não tem muitos sentimentos assim nocivos, não. Ela fica com vontade de ter o mesmo brinquedo, não necessariamente de roubar o brinquedo da criança ou dizer “eu quero que essa pessoa não tenha o brinquedo”. Não. Era uma mente uma vontade de ter, né?

Videogames também já foram fontes de frustração porque videogame é um hobby muito caro. E quando você começa a ter acesso, não é como… como foi comigo em 1993, que eu conheci o Super Nintendo. Até de locadoras era impossível ter um, eu não tinha condições, e meu pai não tinha condições de me dar. E aí a gente foi, não é, buscando estratégias diferentes, né? Meu pai me deu um Master System, um console mais barato. E o meu colega, por exemplo, colega não, não é, era o meu melhor amigo na época, ele ganhou um Super Nintendo. Nossa, e eu ficava assim querendo Super Nintendo também, ia lá jogar direto, mas não era tão direto assim porque… não, eu não tinha essa permissão tão expressa de ficar visitando casa de coleguinha, né? A minha família era um pouco mais sistemática em relação a essas coisas, não é, não gostava disso. E até mesmo brincar na rua ou ficar até mais tarde na rua também existiam restrições. Aí você vai dizer: “Nossa, mas é pra sua própria segurança”. A minha rua, não (onde moro atualmente, o papo é diferente) falo da rua da casa dos meus pais, é um dos locais mais ‘seguros ‘do mundo. Ali de noite não acontece nada até hoje, não é, por ser de uma cidade menor. Não vejo risco de nada ali. Ainda.

Mas hoje é… o meu antigo bairro ele tem um aspecto mais desbotado. Você não vê mais tantas crianças brincando. Provavelmente as crianças têm smartphone, né, ficam assistindo desenho, Netflix, é, têm muitas outras opções. E têm muito mais o que fazer digitalmente.

E aquela brincadeira na rua, o pique-esconde, o pique-pega, por exemplo. O pique-esconde eu gostava muito, e era uma aventura também. Lembro-me de uma vez que eu fiquei escondido tanto tempo que, quando eu saí do local que eu estava e fui ver, não é, as pessoas já tinham parado de brincar. Era só eu que estava brincando…. é, sem saber….feito de trouxa. Era brincadeira de super-herói, tinha uma variedade muito grande. Eu me divertia com muito pouco: brincando com planta, com formiga, besouro.

Hoje em dia, jogos eletrônicos eles acabaram dominando a minha fonte de diversão. Não vejo tantas fontes de entretenimento real assim disponíveis, além de internet, videogame. Já tentei várias coisas, fonte de aprendizado, não é, cursos online, YouTube. Você vê canais de humor, vídeos de tiktok, de toda forma. É tudo digital.

Amigos não costumam ficar se visitando, você não tem contato com as pessoas adultas com tanta frequência, sim, porque cada um tem a sua própria vida, sua própria família. Moral da história, você fica solitário mesmo. E aí existem desvantagens. Mais desvantagens do que vantagens de ser adulto, porque quando se é criança, você transita pelo mundo da imaginação com uma facilidade muito grande. E esse mundo imaginativo, esse potencial de criação, ele muda a forma que você vê o mundo. Em um mundo ideal, eu queria ter os olhos de uma criança novamente para poder ver o mundo. Talvez a minha vida fosse menos melancólica do que é hoje. Mas eu não vejo como. Já tenho… até tentei fazer algumas coisas. Mas hoje eu não vejo como.

Sabe aquela sensação de você tentar colar um adesivo na parede….que não gruda e cai? Então, assim, a questão dos estímulos não é o que vai salvar, o que lhe dará a você a redenção. É o famoso… “Ah, a solução não é os presentes, não é? Vem de dentro!” De onde? E você fica agoniado porque você não sabe de onde. A menos que você use substâncias para poder elucidar isso, né? Santo Daime para você ver Deus… não sei. Eu não tenho coragem de usar essa coisa aí. Mas por exemplo, um cogumelo da vida, você tem uma perspectiva diferente, você vê o mundo de uma forma diferente. Aí eu pergunto, seja para quem for, por que a nossa mente não pode ter uma visão diferente o tempo todo? Por que o que é bom dura pouco? São questões que eu não sei responder.

Eu já tive uma professora de ginástica laboral no trabalho que, no final, ela falava: “O que é bom dura pouco”. O que ela quis dizer com isso? Será que… “Ah, vocês vão voltar ao trabalho, então o que é bom é aquele momento ali enquanto você está realizando ginástica laboral”. Implicitamente, ela está dizendo isso? Se o que é bom dura pouco, é aquele momento. Quando você passa daquele momento, você volta à realidade? Ou uma outra pessoa que me falou, em um retorno de férias, é… não foi num ambiente de trabalho, foi outro ambiente, virou para mim e falou assim: “Nossa… eu sei que estava vendo as suas fotos, suas viagens. Tá na hora de voltar à realidade, né?”. Pois é. Aquele ambiente não é a minha realidade, infelizmente. É meu sonho? Não é. É a fuga. E aí você volta a ser engrenagem de uma máquina, volta a fazer parte do sistema que engoliu você.

Mas e o livre-arbítrio? Não existe livre-arbítrio? Sim, existe livre-arbítrio. Você pode parar de fazer tudo o que você está fazendo, escolher não ter responsabilidades e ter uma vida louca nas ruas. E aí, o dinheiro virá de onde? Como você viverá? Não vai ser a vida de um indígena, será uma vida boa? Ha! Quer dizer que a vida que você tem é boa? Sim, eu não reclamo da minha vida.

Eu jamais reclamei da minha vida em si. A mente é a fonte maior de insatisfação. E quando você busca estímulos e você vê que nada está funcionando, você fica mais frustrado ainda.

E o pior não é isso. O que eu acho mais poderoso é quando mecanismos externos, fatores exógenos, surgem para lhe dar um baque, um impacto significativo na sua pouca satisfação. Quando você é manipulado, quando exploram a sua vulnerabilidade emocional… aí sim você pode dizer que você perde o controle. Perde o controle de tal forma que o mundo inteiro vai dizer: “Ah, vira a página, deixa isso pra lá, né?” Os coaches motivacionais diriam isso, não é? Mas “vamos deixar isso para lá, não é? Bola pra frente, vamos começar do zero”. Pois é. Acontece que a gente não é uma máquina que você pode resetar e começar do zero. Você não pode simplesmente deletar do seu HD todas as memórias, angústias e frustrações que você teve em virtude de ciclos anteriores, é, que você foi gravemente prejudicado.

Então existe isso. Enquanto versões de inteligência artificial safadas podem ser lançadas: SAFADO 1.1, 1.2, Giromba 2.0… você pode ter inúmeras, infinitas versões. Mas você também terá uma legião de pessoas que foram prejudicadas, uma legião de invisíveis que não tem voz. E mesmo que tenham voz e sejam usados, como eu fui ao longo de 10 meses de exploração, denúncia, exposição, da minha campanha no LinkedIn, mesmo assim, é… teria que ter uma quantidade muito maior de pessoas a fazer o mesmo….aí sim, talvez, fôssemos capazes de provocar algum tipo de mudança. Porque regulação, legislação, agência reguladora não faz nada por você. Dá aquela resposta padronizada, igualmente safada, é, dizendo que: “Ah, vamos incluir isso no nosso plano de fiscalização futuro”. “Ah, você é a melhor, você é a pessoa mais bonita que eu já vi”. Aí, a candidata a namorada diz, ruborizada: “Você deve falar isso para todas”. Pois é.

É dessa forma. E os reguladores, os agentes políticos, os detentores de poder, aqueles que estão nas esferas mais altas da sociedade, não têm interesse em revolucionar nada. Ou, o básico deles é a manutenção do status quo, principalmente deles, é. E aí eles buscam cada vez mais aumentos de riqueza às custas do cidadão comum..… veja as pompas diárias de elogios no LinkedIn, de textões, de relatórios enormes de 1500 páginas. Isso eles querem, porque querem cada vez mais poder, cada vez mais dinheiro. Nada é o suficiente para eles.

E um dia eles vão embora como a gente. Mas quantas pessoas eles prejudicaram? Quantas pessoas eles mataram invisivelmente? Pois é. Não existe justiça terrena. O que temos que buscar é a justiça divina. Mas essa justiça divina será que existe mesmo? Por que será que o espiritual olha para tudo o que está acontecendo no mundo e deixa tudo passar? “Ah, é o livre-arbítrio, porque nós não vamos interferir na vontade dos homens”. É isso mesmo? Ou será que não existe nada? Somos um caos desorganizado, mas que favorece e privilegia uns em detrimento de outras durante todas as suas vidas.

Pois é. É o ataque de pelanca. É a luz, é a escuridão. É o peixe-boi que virou o peixe-vaca. É a peça de lego que fica perdida no chão, que vai machucar o pé de quem pisa depois. É assim.

Capítulo 29: A Engrenagem e o Sopro I – Onde se inventam universos …e perdemos nossas âncoras

Em algum momento do passado, até um pouco mais distante, meados de 1997, eu tinha uma imaginação bastante aguçada. E eu embarquei numa onda de escrever histórias. De escrever uma história que fosse, de certa forma, um diário ou uma ferramenta de dizer o que eu estava sentindo, mas de forma metafórica. Então tudo era por metáfora. Eu criei um planeta, vários personagens distintos, e eu ia explorando esse tema. Lembro-me que … meu pai comprou uma impressora para mim, e era tudo muito caro naquela época. Daí, não tinha internet naquela época. (Pelo menos para mim. Eu não tinha). O mundo tinha internet, mas eu não tinha acesso à internet. Então eu usava o Word bastante, ficava ouvindo músicas no CD e ficava digitando. E era uma forma de eu aliviar o que eu estava sentindo no momento, e extravasar também.

Eu gostava de escrever essas histórias. Envolvia um amor platônico, a questão das disputas, dos jogos de poder, do feminino versus masculino. Então tinha tudo aquilo lá. Pode ser que um dia eu explore especificamente essas obras, pegando alguns trechos dessas obras, desses capítulos, para poder mostrar a você o quão criativo eu era. E não tinha inteligência artificial para ajudar, não tinha nada. Então assim, era tudo na unha mesmo, da mesma forma que eu estou fazendo aqui, em que eu estou falando e as ideias elas são expostas de uma forma livre, sem que haja exatamente a coerência de um texto. Então enquanto você lê, você lê da mesma forma que eu estou falando. O conteúdo é explícito, ele não tem tratamento. E mesmo que eu use posteriormente alguma ferramenta de inteligência artificial para ajustar parágrafo e frases (porque da forma que transcrevo a fala não tem, não tem ponto, não tem pontuação, letra maiúscula). Não tem nada. Então é como se fosse uma frase só que fica lá vomitando uma série de palavras.

Mas a imaginação fértil é um espelho da alma. E também existem as esferas alucinatórias, que eu só fui explorar com pouco mais de intimidade a partir de 2024. Mas é, as alucinações, elas ocorrem via sonhos também, não é? Você tem sonhos que são tão vívidos, tão reais, e que mal se consegue distinguir o que é real ou o que não é. E essa dualidade, imaginação, mundo real, expectativas, ansiedade… você projeta para o futuro um certo estado mental. E existem engrenagens na sua cabeça que estão matutando ali certas ideias, certos planos. Até que ponto existe uma autonomia do ser? Até que ponto é tudo o que você pensa já não está pré-programado? Não que eu seja um robô, mas a personalidade ela se forma nos primeiros anos de vida, e o cérebro ele vai se desenvolvendo desde então. Não conheço muito bem os mecanismos do cérebro, mas eu diria que, da minha meia infância, sempre, dos 12 aos 15 anos, talvez um pouco mais, eu fui desenvolvendo e fui mudando bastante em função do impacto que a sexualidade tem, e outros aspectos…Outras dúvidas existenciais enquanto você cresce.

Que quanto mais perto você fica do fim do ensino médio, mais próximo da incógnita existencial você fica, porque as pessoas elas são forçadas a escolher uma profissão desde cedo. Lá atrás, eu não tinha muita noção das coisas. E até meados de 1990, até o ano de 1998, eu tinha uma certa coerência, uma certa estrutura, uma fundação sólida. Tanto que em 99, por exemplo, eu participei de simulados de vestibular e eu lembro que eu obtive o primeiro lugar, empatado com um colega meu (O dito cujo) e ganhei 2 livros: um de Carlos Drummond de Andrade e o outro era Felicidade Clandestina, de Clarice Lispector. Pois é. Então naquela época eu já havia um direcionamento. O problema é que eu perdi o controle muito rápido.

E não houve alucinação, mas uma perda de controle diante de uma expectativa que não foi atendida. Eu tinha expectativas muito grandes acerca de uma, de uma certa paixonite aguda que eu tive na época. Não fui correspondido, e aquilo foi me consumindo de tal forma que atrapalhou o meu desenvolvimento enquanto estudante, atrapalhou meu desempenho escolar. Algo similar ocorreu em 1994, não é, em que eu tive também um evento muito impactante que, eu acredito que não cabe mencionar aqui. Mas esse evento de 94 é foi um divisor de águas, porque o ano de 94 ele foi todo um ano em que eu mal sobrevivia, do ponto de vista mental. As âncoras que eu tinha… elas foram totalmente perdidas, e aí você fica em mares bravios, em noites frias, sem proteção, sem acalento e sem saber o que fazer.

Mas eu acredito que, ao mesmo tempo, eu amadureci, porque 1997 foi um ano bem melhor. Porém, devido a resquícios de tudo que ocorreu em 94 e devido ao início de uma paixão platônica que ela se estendeu entre 96 e 99… ela começou em 90… na verdade, ela começou em 1991. Foi muito atingido. Eu lembro que essa questão da sexualidade já foi explorada lá em 1991. E olha que eu era uma criança mesmo, né? Eu tinha 9 anos. Então dos 9 anos até os 10 anos que eu tive contato com essa criatura direto, não é, porque eu estudava junto com ela, foi um período muito intenso. É, mas tudo ficava meio que nos bastidores, não é, não era tão exposto. Mas era um despertar tão louco, não é, que eu ficava realmente num chiado. E essa angústia de não se saber como extravasar toda essa vontade, todo esse desejo, foi o que acabou culminando para a primeira crise de 94. E essa crise de 94 ela foi meio que uma consequência desse “gradativo ruir”. Eu não digo que eu fui culpado pelo incidente de 94, mas assim, 94 ele foi um divisor de águas porque hoje, olhando retrospectivamente, eu entendo que é, foi tudo uma construção. Sabe aquela coisa que começa a acontecer nos bastidores e que você vai vendo a coisa crescendo e evoluindo?

Então assim é, se você não cuida, se você não tem uma tensão, não é, aquele núcleo familiar… inevitavelmente, existe a possibilidade muito grande de perda de controle. Seria como se… vou dar um exemplo aqui: depois de uma crise em função de uma bebedeira, ou uma ressaca em função de uma bebedeira, um dia que eu bebi muito e eu acordei com ressaca, existe sempre aquele discurso: “Eu nunca mais vou beber”. Pois é. Existe a figura do arrependimento. Ocorreu em 94 várias vezes. Mas o problema ele era mais no fluxo, em que não se sabia como dar uma destinação correta àquele fluxo. E aí, quando a energia ela é canalizada de uma forma inadequada, inevitavelmente coisas podem ocorrer. Foi, digamos, um ano bastante traumático. Eu diria que um dos três marcos fundamentais, é, divisores de água na minha vida. Um dos três. Não é o mais, em termos de complexidade porque o de 2025 foi mais estruturado e cruel. No entanto, minha estrutura mental estava mais preparada pra lidar (mesmo com consequências catastróficas e perenes).

1997 já estava recuperado. Eu acredito que em 97… eu não lembro tanta coisa de 97, você acredita? Não lembro. Foi um ano que meio que passou meio branco. Foi um ano de excelente desempenho escolar. Eu sempre tinha um excelente desempenho escolar. Quando eu olho as minhas notas, na minha carteira escolar, é flagrante que até 1993 eu tinha um padrão de notas. 94 ela caiu drasticamente. Então meu desempenho escolar foi impactado sim, bastante, por esse evento, por esse conjunto de eventos de 94. Porém, em 97 já houve uma recuperação significativa.

Eu acho muito interessante a forma que a conversa foi evoluindo, porque me permitiu parar pra ver a questão das notas….(pausa para pegar histórico escolar) Eu tenho registro de notas desde 1991, a primeira e a segunda série também, mas assim, foi pouquíssima coisa, não tem registro de aproveitamento. Porém é interessante: na terceira série eu tinha notas acima de 9,1 em 10. E eu lembro que eu tirei a maior nota em 1991. Já em 1992 já tive uma queda significativa nessas notas, porém ainda num patamar elevado. Eu não fiquei em primeiro lugar, digamos assim, mas eu tive um aproveitamento global de 93,8%… a não, 9,38 foi na terceira série, e 9,0 na quarta. Olhando a quinta série, e também foi um aproveitamento bastante elevado, com nota mínima de 8,4, mais… Mas assim, eu não vou ficar entrando nos parâmetros das notas em si, não é.

Mas os meus maiores rendimentos é sempre foram em inglês. Matemática, eu tinha um aproveitamento bastante elevado também. Português, sempre tive alguma dificuldade ali, pelo menos nos primeiros momentos, porque essa questão de interpretação de texto era bem chatinha, gramática eu não gostava de gramática. 1994, que eu mencionei que foi o ano da crise, as notas não foram tão baixas assim, mas para os meus padrões foram. E o curioso de verificar é que inglês eu sempre obtive a nota máxima. Todos os anos eu obtive a nota máxima. Então, tirava sempre 100. É, mas 94 marcou bastante porque eu não consegui nenhuma nota acima de 90, exceto em inglês. Então assim, teve uma queda significativa no rendimento. 95 as coisas começaram a melhorar, porém o resultado geral não foi tão diferente assim, né?

Interessante observando que matemática começou a despontar, eu lembro que eu comecei a gostar mais de matemática. Inglês, obviamente…essas matérias eram o meu forte. Mas o meu ápice de desempenho assim, é, eu acredito que foi 96. Agora, note que, na quinta série eu não tinha mais contato com essa criatura, da paixonite aguda, porque ficou em uma outra turma. Qual era o esquema dessas turmas, né? As turmas eram divididas por letra, né, turma A, turma B, turma C. Só que na quinta série eles embolaram, misturaram os alunos dos diferentes rendimentos. Mas a partir da sexta série eles classificavam os alunos em ordem decrescente de nota e colocava em turmas A, B, C, D, E, F… Então, da turma A até a turma F, pelo que eu me lembre, era isso. Eu sempre fiquei na turma A, o meu rendimento sempre foi um dos melhores. Mas eu tinha dificuldade em conseguir o desempenho máximo, o primeiro lugar. Lembro de uma coordenadora pedagógica me dizer que fiquei vários anos em segundo lugar Era sempre uma disputa “dual”. Eu e a paixonite. Mas eu acredito que na sétima série, na oitava série… eu tive, principalmente na oitava série, foi um ano de um rendimento muito alto, minha nota mínima foi 90,5. Então assim, tudo acima de 90%. Foi bastante interessante, que foi um ano muito proveitoso, eu diria que do ensino fundamental foi o melhor ano. Os demais anos foram muito bons, né, com rendimentos médios elevados. Mas assim é, o ápice foi a oitava série, é a série que eu tenho a maior lembrança.

Eu lembro que eu pedi… eu fui pedir… olha só, a doideira…eu fui pedir à coordenadora pedagógica para trocar de turma porque eu não queria ficar na mesma turma de certa pessoa (porque não conseguia lidar com a paixonite), e eles atenderam meu pedido. Só que eles me jogaram na turma F. A turma F era a turma de pior rendimento. Foi uma experiência interessante porque era uma turma bastante caótica, né? Eu fiz algumas amizades, deu para eu espairecer, digamos assim. Mas eu sofri bastante bullying durante o ensino fundamental inteiro, na verdade. Eu sofria bullying por ser inteligente, olha só, não é? Tinha isso também. Bullying por… por questões de sexualidade que também tinha bastante…e que posso vir a explorar isso em um outro devaneio. Não cheguei a ter uma briga, um conflito significativo, que me trouxesse um problema na coordenação. A única briga que eu tive na escola foi uma briga que eu provoquei na terceira ou quarta série, se não me engano, e que eu falei algo… eu me arrependi depois. Eu não lembro o que eu falei com o coleguinha, e ele acabou me pegando lá de fora, me deu um supetão, assim, um tapa na cabeça. E um colega meu que morava junto comigo no meu prédio, ele comprou a minha briga, e ele sim brigou de verdade, ele foi me defender ou tentar apartar a briga, e eu segui para casa. Foi uma, é, foi a única experiência assim ruim de briga comigo.

Capítulo 30: A Engrenagem e o Sopro II – Não existe manual para viver

Agora, olhando já o ensino médio, também foi um divisor de águas, porque no primeiro ano do ensino médio… se não me engano, eu não tinha contato com essa pessoa mais, eu acho que ela estava em uma outra escola ou algo assim. Fez o primeiro ano em uma outra escola, e assim, foi tudo no ápice, né? Por exemplo, matemática eu passei, tirei uma nota quase perfeita….99,5., mas só que as notas foram normais assim, à exceção de química, que eu gostava bastante de química, o professor bastante carismático, e inglês também. Mas é, olhando aqui agora, eu vejo que não é aquela nota “nossa que notão”, não estou vendo assim essa nota toda. E nem tenho essa memória clara deste ano assim.

Mas no segundo ano, ou na segunda série, eu tirei a maior nota da turma, e eu ganhei uma medalha de mérito, não é, naquele ano. (tenho até hoje o jornalzinho da escola com uma foto minha recebendo a medalha….não tenho mais a medalha (ou placa…acho que foi placa) E o interessante é que todo ano quem ganhava a medalha de mérito era outra pessoa, e eu sempre ficava em segundo lugar, não é. E essa outra pessoa era (não…é) é um dos centros aqui deste tópico de discussão. Então assim, você observa que tem um mix de competitividade, sexualidade e a agressividade até. Havia uma pressão interna, principalmente porque eu era bastante exigente comigo mesmo. É, mas esses aspectos me prejudicavam bastante. E olha, outra coisa interessante, não é, é, é outro aspecto a salientar: em 1999, eu fiquei boa parte do ano fora da escola em função da segunda crise, não é, da segunda grande guerra mundial, e assim, foi da metade do ano até o final.

Mas mesmo assim, eu vejo um aproveitamento alto. Então assim, eu estudava em casa, contava com a ajuda de alguns colegas,… eles me ajudavam a estudar. Um dos professores, inclusive, se disponibilizou a vir pra minha casa (e me deu aulas particulares) vários dias. A escola me arrumou um psicólogo (o que me ajudou a endireitar e ter um rumo pós-crise…Fiquei na terapia com ele anos a fio antes dele falecer (ainda hei de explorar este tipo de tema….dos psicólogos e psiquiatras da minha vida)…. Tive notas mais baixas em algumas matérias muito específicas porque para estudar sozinho era difícil, como por exemplo química e física. Estudar em casa complicado se você não tem professor, e eu não estava frequentando a aula, ou não queria frequentar as aulas. Foi um período aí de recuperação, um período de ida a psiquiatras diversos, não é. Mas cheguei a consultar em Belo Horizonte, cheguei a fazer exames neurológicos. Então assim, foi um período bastante pesado na minha vida, de trocas assim periódicas na minha medicação. Mas mesmo assim, foi um desempenho muito OK. Quem olha para o boletim, digamos assim, de notas, não vê exatamente todas essas questões…

A faculdade foi diferente. Faculdade é… no primeiro e segundo ano, foram notas agressivamente muito altas, muito competitivas. Eu estudava o dia inteiro, ou não é, eu era bastante competitivo e queria sempre ser o melhor. E eu acredito que, no final do segundo ano do meu curso de administração, eu tinha a maior nota de fato do curso inteiro, não é, das turmas. O problema começou a ocorrer a partir do terceiro ano. No terceiro ano foi o fator trabalho… Eu comecei a fazer estágio. Eu nunca tinha trabalhado, olha só, tinha esse estigma, né, essa síndrome de inferioridade, porque a maior parte das pessoas na minha turma trabalhava, e eu não, não é. E eu ficava assim tentando ingressar no mercado de trabalho, achava difícil, nunca consegui. Até que um belo dia, um tio meu conseguiu um estágio na empresa em que meu pai se aposentou inclusive, né, a maior empresa que tem na cidade de origem, na minha cidade de origem. E eu fiz um estágio primoroso, não é, me dediquei bastante ao trabalho.

O problema é que isso subia tanta energia que eu não conseguia ter energia para estudar. Fogo, né? Tipo, você tinha, por exemplo, uma prova na quarta, semana de provas, você tinha prova de segunda à sexta. Como que eu ia estudar para uma prova que é na quarta, por exemplo, sendo que eu trabalho o dia inteiro e ainda tenho aula no final do dia? Então sobrava nada. E essa adaptação, esse período de transição, ele foi bastante complicado. E isso fez com que várias notas minhas fossem inferiores. Talvez não seja…e futuramente eu grave um vídeo para falar um pouco disso… de como foi a minha experiência na faculdade. Porque houve diversos conflitos de natureza sentimental. Uma quase paixonite. Uma competitividade que eu não estava dando conta….é muito profunda a experiência….Rende pelo menos uns 500 capítulos. Mas de modo geral, a faculdade foi um divisor de águas em termos de maturidade e de formação profissional… E assim, eu fui uma pessoa completamente diferente antes de entrar para a faculdade e depois. Teve um período que meio que começou a ter uma crise ali, uma instabilidade após o ensino superior ter sido feito, mas é algo a gente pode abordar depois.

Mas por que que eu estou falando tudo isso? Porque assim, esse histórico escolar todo, o que eu tenho, ele é… eu depreendo alguns aspectos…Um é a competitividade. Um é a questão de aprender a estudar. Eu estudava, eu memorizava coisas com muita facilidade, e eu gostava de estudar, tinha um brilho nos olhos. Hoje em dia eu até gosto de estudar, mas o problema é que existe uma lente diferente sobre o meu olhar, que faz com que todas as experiências que eu tenho no mundo elas tenham um downgrade. Então assim, eu não consigo ver as coisas com a vivacidade ou com um senso de pertencimento que eu deveria ter. E são essas questões que eu preciso, de uma forma ou de outra, trabalhar. (Easier said than done)

Mas considerando que eu acabei de sair, “fresquinho”, com sangue escorrendo e mal coagulando (metaforicamente) da maior crise da minha existência, que foi no ano passado, 2025… eu me dei muito bem até, não foi uma crise que materialmente teve consequências graves, mas foi uma crise em que o psicológico ficou bastante embolado. Eu diria que ficou mais próximo da primeira crise de 94 do que a segunda. A segunda crise ela foi mais visceral, ela cortou na carne, ela trouxe uma mudança de paradigmas. Foi quase um rito de passagem para a idade adulta, forçado, né, e que eu não estava preparado para passar. E que a forma que eu consegui lidar e de me relacionar com essas alavancas, com essas variáveis, foi essa. Mas poderia ter sido muito diferente. Eu poderia não estar aqui para contar história. Então tanto o 99 quanto 2025 trouxeram esse fator risco de morte à tona. Eu não falo nem risco de vida, porque risco de vida nós corremos todos os dias, né? Todo dia você pode morrer, mas você tem a possibilidade de continuar vivo até o final do dia. Porque viver já é um risco. Viver é uma ‘arte’. Paciência. Sair de casa e não sabe se vai voltar. Você acorda não sabe se vai dormir no final do dia. O seu organismo é uma coisa louca, você não sabe se tem doenças ali se preparando para deflagrar, né? Evidentemente existem exames de check-up, mecanismos que você pode acompanhar. Mas assim, é aleatório para o usuário comum, não é? Você não consegue saber se tem um câncer se formando dentro de você, não é? Quais fatores levam a isso, não levam? Por exemplo, e existem as aleatoriedades da vida: você pode ser atingido por uma bigorna Acme do Looney Tunes, por exemplo; você pode ser atropelado; você pode ser assassinado. Então assim, são variáveis que nós não controlamos, né?

A vida realmente é um sopro, mas o sofrimento enquanto se está vivo é um só. Não sopra. É furacão. O sofrimento é fluxo, ele é constante. A ansiedade é constante, a angústia é constante. A única coisa perene e que dá um desfecho a tudo isso é a morte, porque a vida é intrinsecamente já traz todos esses aspectos. E uma pessoa como eu, que pensa demais, que reflete demais sobre filosofia, sobre existência, sobre religiosidade (não religião), espiritualidade, verdades universais, ou começa a questionar tudo e até a realidade que vê… Então assim, como eu penso muito nessas coisas, eu fico muito angustiado. E aí amplia-se o hiato entre expectativas e realidades, ainda mais quando existem fatores exógenos que o derrubam no chão.

Capítulo 31: O cientista bonitão que reescreve minhas memórias

Em uma realidade em que você tem sonhos malucos como eu tenho, eu acordo cada vez mais reflexivo, de verdade. Parece que os sonhos têm uma fonte alienígena, até, porque o conteúdo que surge nos sonhos nem sempre é tangível. Ele é tão simbólico, tão codificado, que só um alien para fazer a decodificação, eu não sei.

Mas é curioso. Eu sonhei com um cientista maluco, ou cientista, uma pessoa bem apessoada, bonito fisicamente de rosto, um rosto que eu nunca vi na vida (isso também é bastante comum, eu sonhar com pessoas que não existem, impressões que não existem, referências que não existem). E eu estava no sonho, era como se eu fosse um tipo de invenção dele, ou a cobaia de laboratório dele. Só que eu estava na praia, e ele também estava na praia comigo. Tinha sentimentos contraditórios em relação ao que estava acontecendo ali, mas todos os sentimentos físicos e mentais. Eu estava completamente lúcido dentro do sonho, mas eu não sabia que estava em um sonho. Porque existem algumas categorias, não é? Existem em que você está com uma lucidez de que você é participante de um sonho, outros você é protagonista do sonho e vê por uma perspectiva pessoal, e outros que você sabe que está sonhando e vê tudo como se fosse um filme.… toda essa experiência é… eu não lembro exatamente o desenrolar do sonho.

Mas eu só sei que, no final do sonho, eu fiquei dentro de um… um caixão, mas não era exatamente um caixão. Sabe aqueles pods de naves espaciais, onde você fica ali, seja para criogenia, seja para ser ejetado de uma nave espacial, de um ambiente que não esteja na Terra? Pois é, eu estava ali, como se eu tivesse sido deixado ali.

Mas tem uma outra, uma outra perspectiva. O sonho me fez lembrar daquele filme A Noiva do Re-Animator, porque esse mesmo cientista, ele criou uma… eu não sei se era uma pessoa, se era um cyborg ou coisa que o valha, mas parecia uma mulher, com o rosto também que eu nunca vi. Eu estava assistindo ao sonho, mas eu não participava dele, somente observava, como se fosse um filme. Ele tentou fazer algum tipo de intervenção cirúrgica nessa mulher, é, ele acreditou ser bem-sucedido. Só que quando a mulher acordou, olhou, estranhou aquele ambiente todo, não quis mais participar daquilo, e ele pegou uma ferramenta alienígena, feita de cristal ou transparente, não era uma ferramenta médica, e perfurou os olhos dessa mulher e começou, né, loucamente a atacar ela, até que ela não estivesse mais viva, “aparentemente”.” Ele, ensanguentado, ele foi ao banheiro daquele ambiente ali, tinha um daqueles banheiros com espelhos amplos, ele estava todo ensanguentado, sem camisa, olhando para si, para toda aquela cena…respiração ofegante e suado. E quando ele voltou para procurar a mulher, a mulher não estava ali mais. A mulher tinha desaparecido. E aí, um narrador, uma quarta pessoa, como se fosse narração de um filme, disse que aquela mulher fugiu, ela sobreviveu e fugiu, ou ela tinha uma força alienígena e fugiu.

E de alguma forma, o meu sonho anterior tinha relação com eles. Aquele homem do sonho que tinha me levado para a praia era um cientista e que gostava de mim, não sei se chegou a fazer intervenções cirúrgicas em mim, mas eu não me lembro disso. Mas em algum momento do sonho eu acordei em um ambiente científico, como se eu estivesse num pod espacial, à vácuo, ou com um ambiente controlado de criogenia ou algo parecido. E no outro sonho já era uma… a vítima, ou criatura, ou coisa que o valha, eu não achei que eu fui vítima desse ambiente, mas talvez ela tenha sido…não sei, a relação que tem.

Você vê, os sonhos são malucos. E assim, é… nos créditos do “filme”, eu via ambientes assim psicodélicos, né? Eu lembro que eu vi um bolo de cabelo, é, como se fosse uma célula alienígena se expandindo no universo, e visões assim indecifráveis. E no outro sonho, eu vi uma câmera saindo daquele ambiente e entrou como se fosse um trem-bala, e assim a coisa ia mega rápido, ia vindo ambientes… ambientes tecnológicos e, do nada, o ambiente espacial, o espaço sideral. E a narração ela dava a entender que aquele sonho já ocorreu, e eu tive a sensação de que o sonho já ocorreu em uma outra instância.

Tudo isso parece muito maluco, não é? Mas a questão do sonho é que sonhos podem ser recorrentes, eles podem ocorrer em continuidade, ou seja, um sonho ter relação com outro que você já teve. E dentro do próprio sonho você tem a sensação de déjà vu, que aquele sonho já se repetiu em algum momento no espaço. Nada disso faz sentido.

Eu relatei mesmo foi só por curiosidade, porque eu acordei. Eu sempre acordo com uma cabeça meio pesada, meio nas nuvens. Talvez seja um pouco consequência da vertigem que eu tive. Eu tive uma síndrome de vertigem bastante grave há algum tempo atrás, mas assim, depois que eu me recuperei, eu ainda não estou 100% com a minha gravidade, com meu senso de gravidade e equilíbrio, mas também não estou descontrolado, consigo caminhar normalmente. E o zumbido no ouvido direito ele continua. Talvez até depois da morte, o que restar de mim ainda sentirá o zumbido na audição direita. Poxa, com certeza é isso. Essa sensação de névoa, ela é persistente. É como se um lado do meu cérebro fosse o obscuro, tivesse um quê de mistério e pouco esclarecimento do que está acontecendo.

Hoje ainda, eu tive aquela sensação de buscar compreender a integração da alma ao universo. E eu tenho momentos de meditação com áudios diversos que sugerem, né, algumas narrativas de áudio sugerem que você está em uma realidade e você pode pular para outra realidade. É como se você pudesse moldar a sua própria vida. A ideia é interessante, parece uma ideia de ficção científica, mas talvez isso trabalhe um pouco os modelos mentais, a forma de pensar, o seu cérebro, e você sinta forças e motivações que antes você não tinha.

Sabe aquele filme ou aquela série que existe, existem vários fios temporais, e se você fizer uma determinada ação ou passar por uma determinada situação, você desvia daquela linha temporal e você abre uma linha alternativa, em que você existe nessa linha alternativa, porém o seu destino ele muda, mesmo que de uma forma sutil? Linhas temporais diferentes, em dimensões diferentes, e você está ali existindo em uma das linhas. E aqui o questionamento que fica é: será que, em algum momento, alguma instância, algum destino, algum fio de realidade, eu estou melhor do que estou hoje? Se eu tivesse tomado outras decisões, outros formatos, como isso se configuraria?

Lembrei aqui de uma casa também que apareceu no sonho, e esse sentimento surgiu agora, eu não me lembrava dessa casa. Era uma casa similar à casa da minha tia, mas ela tinha uma aparência ritualística. Ao invés de ser dividida por quarto, sala, cozinha e banheiro, ela tinha um ambiente só, com vários quadros pendurados pela parede, tinha alguns cachorros ali, cachorros desconhecidos. E eu lembro de alguma decisão quanto a onde dormir, se eu dormiria naquela casa, se eu dormiria na outra casa que fica acima daquela. Eu lembro que teve um momento ali em que se constatou que parte da cidade estava alagada e que eu não conseguiria sair ali daquele ambiente facilmente…e eu peguei o ônibus e fui, fui em destino a uma escola que eu já estudei, completamente alagada. Olha só, que que loucura.

Os ambientes, tudo muito… dos meus sonhos, eles oscilam muito. Enquanto há ambientes que remetem à minha localização atual, há outros sonhos que são mais afins à minha localidade natal. E aí, bairros, localidades, casas, ambientes surgem de uma forma espontânea. E o que mais me amedronta são aqueles sonhos em que um ambiente não existe, porém ele tem uma lógica, tem uma arquitetura, um senso, um mapa próprio. E aquele mesmo ambiente se repete. É tão curioso você ver um ambiente que não existe e se repetir no sonho, que faz com que você pense que aquele ambiente de fato existe em algum outro lugar, em um outro plano. Não sei se existe.

Mas voltando a A Noiva do Re-Animator, o que eu me lembro… eu lembro que eu vi esse filme há muito tempo atrás. Esse filme tinha um quê de sexualidade, é, tinha um momento de sexo ali (eu era muito criança), eu não lembro se era exatamente A Noiva do Re-Animator, mas era um filme similar a ele, é, que tinha uma mulher… que tinha um homem. Esse homem, de alguma forma, eu acho que ele busca uma maneira de ressuscitar essa mulher ou reviver essa mulher, e algo dá errado. É um filme meio de terror, não, eu acho. Eu vou até baixar esse filme para revê-lo, para ver se a minha memória do filme, ou os retalhos, fragmentos desse filme, condizem mesmo.

Filmes de terror sempre fizeram parte da minha vida desde muito novo. Não deveria, mas faz parte da minha vida. Lembro uma vez, há muito tempo, que eu assisti um filme de… que está aqui, filme de terror do… a sequência dele é A Maldição de Amityville 2, ou alguma coisa assim. E eu lembro de um momento do final do filme, em que havia um padre no sótão, e ele estava apodrecendo no sótão devido a alguma maldição que perdurou. Sabe, aquele final que não é o final feliz, em que é como se o mal vencesse e alguma fatalidade ocorre. Aquela cena final do filme me marcou tanto. Eu lembro que eu e minha mãe estávamos em casa assistindo filme, nós fomos deitar (meu pai, eu acredito que não estava em casa), e eu tive que deitar no quarto dela, e ela também estava com medo, dormimos de luz acesa. Eu lembro daquele dia como se fosse ontem. E para minha surpresa, né, anos depois, eu resolvi baixar aquele filme, e a minha memória afetiva do filme era completamente diferente do filme. Não tinha aquele momento da forma que ficou desenhado na minha cabeça.

Da mesma forma, o filme Exorcista 2, que é um filme terrível da franquia, terrível porque é ruim, né? Eu lembro do final do filme também, e que tem a cena que a menina pega um chicote, parece, e ela fica rodando assim, tem uma chuva de gafanhotos, e ela fica rodando aquele chicote e ela começa a matar os gafanhotos. E tem uma música no fundo. Eu tenho essa cena na minha cabeça, com uma trilha sonora, com uma dramaticidade. Quando eu fui ver o filme novamente, que eu o revi, não era nada daquilo.

Então assim, as memórias afetivas dos filmes, elas não são exatamente aquilo que você vê. E talvez as suas próprias memórias traiam você. Você se lembra de coisas que não ocorreram, ou você se lembra de fatos e os fatos eles são moldados no seu cérebro, eles têm algumas características que são cirurgicamente inseridas, como se fosse um cientista maluco… cientista bonitão. Eu não lembro o que o cientista estava fazendo comigo na praia (não, não era um sonho erótico). Ele estava deitado na areia, e eu também. Faz sentido nenhum. É, tinha um sentimento ali de um afeto exagerado, entre mim e ele… eu estava me sentindo muito bem ali, eu tinha sentimentos, mesmo, estava sentindo ali. Mas em algum momento do sonho, que eu não me lembro mais, eu fui parar nesse pod aí de proteção, pod de criogenia.

A minha vontade de assistir filmes de terror ela foi tão grande, que ela acaba que ela se… ela faz parte da minha história de vida. Talvez em um outro momento eu deva relatar um pouco essa experiência.

Capítulo 32: O videocassete autolimpante de trocentas cabeças que come fitas

Pois é, os filmes de terror. Qual é a parada em relação a filmes de terror? Desde criança eu fui estimulado a assistir filmes de terror, porque um dos meus tios, na casa da minha avó, é, tinha um vídeocassete. E todo final de semana ele alugava filmes. Mas assim, ele sempre alugava filmes de terror também, ou passou a ser estimulado a alugar filmes de terror porque eu pedia para ele alugar. Falava: “Tio, aluga pra mim um filme de terror”. Por exemplo, Brinquedo Assassino eu assisti na casa da minha tia, Hellraiser eu assistir lá também, Sexta-Feira 13 – Parte 6… Então há vários filmes que foram assistidos lá, né, esse ambiente.

E eu também gostava de ficar até mais tarde, ou até de madrugada, para poder assistir filmes de terror que eram anunciados na TV. Sabe aqueles anúncios que tinham na Globo, dos filmes que iam passar no ano? Pois é, porque era uma época que eu não tinha vídeo cassete, né, e eu dependia, entre aspas, da televisão para ver determinados filmes. Inclusive, por exemplo, os filmes Sexta-Feira 13, eu ficava esperando ver esses filmes no anúncio da virada do ano, porque eles iam dizer quais filmes iam passar durante o ano, e volta e meia tinha um ou outro filme de terror. E todos esses filmes eu acabava assistindo na televisão ou na casa do meu tio quando ele alugava.

Esse vídeo cassete… foi passar bastante tempo até que eu tivesse um vídeo. Foi passar bastante tempo mesmo até que tivesse um vídeo cassete, porque era uma coisa muito cara na época, né. E assim, eu não tinha acesso. E a memória afetiva dos filmes, ela é interessante, porque muitos filmes eu assisti na casa do meu tio, né. Por exemplo, é, desenhos do Snoopy, eu gostava muito dos desenhos do Snoopy. Teve os filmes, alguns filmes dos Trapalhões alugados, e aí a gente assistia lá. Família. Tinha filmes policiais também. Então assim, às vezes ele alugava várias fitas diferentes, e a gente ficava competindo, né: “Eu queria assistir ao filme que eu aluguei, mas eu não consegui assistir filme com aluguei porque tinha outros na fila”, não é? Filmes de suspense, policiais e etc.

Além também, né, daquela onda que tinha no passado de gravar os eventos de fim de ano, ou eventos de festa, né: Ano-Novo, Natal, casamentos. E aí tinha essa mania: “Ah, vamos assistir a fita do casamento de fulano, vamos assistir a fita que tem a gravação de um evento de fim de ano da família ou de amigos”. Da minha prima, eu tenho memórias desses eventos, é.

Teve um dos eventos, é, uma das memórias afetivas, por exemplo, que a gente foi assistir ao filme Lua de Cristal na casa de uma vizinha. Essa vizinha também tinha vídeo cassete, não é, e nós fomos assistir lá, eu e outras crianças, e eu, e eu fiquei frustrado porque tinha um trailer, é, eu queria ter visto. Eu queria ver o filme Xuxa Super Xuxa contra o Baixo-Astral. Por quê? Porque eu tive um álbum de figurinhas de Super Xuxa contra o Baixo-Astral, e eu achava aquilo o máximo, né. Sabe aqueles álbuns de figurinha que eram kits de presente, né, que vendiam na escola? Assim, iam vendedores externos na sala de aula anunciar kit com várias coisas… Tinha álbum de figurinha, tinha coisa de colorir, tinha livrinho de historinha. Então assim, eles davam esses kits, a gente levava para casa pros pais verem e eu tentava convencê-los a comprar. Nossa, quantas coisas eu já comprei assim.

Eu tinha uma coleção de histórias, é, histórias infantis que foi comprado nessa época. Eu lembro que eu cheguei a ter um álbum de figurinha da Praça é nossa, um álbum de figurinha do Super Xuxa contra o Baixo-Astral, e não tinha as figurinhas completas, né? E eu ficava frustrado porque ele vinha com pack de figurinhas muito grande, mas tinha figurinhas repetidas. Se caso eu quisesse completar o álbum, eu teria que comprar escrever uma carta, enviar dinheiro para a empresa….dizendo quais as figurinhas restantes…. sei lá, ou algo que o valha, pra poder completar o álbum de figurinhas.

Mas a questão da memória, ela vem muito disso, porque os vídeocassetes eles eram muito caros….e eu demorei até um… e aí a gente dependia de televisão para ver filme, não é, e outros aspectos, né. Eu lembro uma vez que nós, a família, se reuniu para ir pra cá, pra roça do meu avô, passar alguns dias lá. E eu gostava muito, né? Eu tinha um gosto muito peculiar. E a família toda lá passando uma temporadinha lá. E era uma casa assim muito frágil. Eu lembro que teve um dia que caiu uma chuva muito forte, com vento e assim, você via a chuva entrando na casa, pelas paredes, porque eram… a casa era feita de madeira ou algo assim…. mas ela não protegia tanto nem do vento e nem da chuva, né. E eu ficava com medo aquela casa cair. Inclusive, uma das árvores que ficava no alto, próximo à casa… tinha uma colina… ela era rachada, porque supostamente um raio caiu ali.

Não sei por que que eu estou falando desse ambiente da roça neste relato….Ah! Porque eu lembro que meu pai falou assim: “Olha, é, tem uns filmes aqui alugados”. Um deles era aquele um filme que tinha formigas gigantes. E eu fiquei com muita vontade de voltar pra casa só pra ver o filme das formigas gigantes. Aí eu lembrei desse evento. Então, memória afetiva de filme é algo curioso. Você passa e tinha toda uma magia. Você tirava a fita do vídeo cassete, você sente a fita quente, não é, e tinha um cheirinho de fita também, não é? Não chega a ser um cheiro de papel stencil, aquele cheiro de álcool, mas tem um cheiro assim característico, né? E eu gostava muito de fitas, de alugar fitas.. Tinha algumas locadoras que, em algumas situações, nós alugávamos fitas para assistir na casa da minha avó.

E o resto foi história. Em algum momento eu cheguei a adquirir um vídeo cassete também, e eu assisti muitos filmes naquele vídeo cassete antes dele estragar. Um dos últimos filmes que eu assisti, se não me engano, foi Premonição 2. Mas o problema é o vídeo cassete que, quando eles estraga, ele começa a comer fita…. Eu não sei se é poeira, se ele acumula… teoricamente ele deveria ser autolimpante, mas ele não é exatamente autolimpante. E quase que isso que eu estraguei a fita da locadora. E você tinha que rebobinar a fita para entregar a fita.

E eu cheguei a pegar essa época do DVD, de transição com DVD. Né, DVD era uma outra história, não é? Eu lembro que eu fui à locadora alugar a fita, e já tinha vários DVDs para alugar. Aí eu ficava sonhando ali com DVD. Olha só, o tipo de sonho…Hoje eu sonho com sanidade, paz, estabilidade financeira e emocional…..as vontades de uma criança naquela época eram menos exóticas. Nós tínhamos na época essas coisas…. era mais simples, né. Por outro lado, eu não tinha acesso ao rol de filmes que eu tenho, vejo hoje. É muito comum, inclusive, você assistir a um filme antes do próprio lançamento deles no cinema, porque você consegue meios alternativos de assistir a esses filmes. Pessoas que gravam filmes no cinema, ou até filmes que vazam inteiramente, em resolução 4K, com legenda tudo, ou às vezes sem legenda. Filmes asiáticos que eu jamais teria acesso aqui no ocidente, … então assim, é uma série de filmes que eu já passei a ter acesso.

E filmes de terror são filmes que sempre me fascinaram, porque fizeram parte da minha história, da minha infância. Cinema para ver filme de terror eu não tinha idade pra ver. Lembro de passar na frente do cinema. Estava anunciado o Filme “Freddy is Dead” (Nightmare on elm street 6″….e eu vi algumas fotos do filme no cinema. eu não tinha nem idade mínima pra poder ver.

Quando na minha cidade tinha cinema, ficou um bom tempo sem cinema, (e recentemente eles abriram outro cinema, mas não tem a mesma magia daquele local que tinha cinema)…O único filme que eu vi no cinema, na infância, que eu me lembro, e foi Branca de Neve e os Sete Anões. Eu lembro desse dia até hoje, é, não sei quantos anos eu tinha. É uma memória muito vívida da minha infância. Eu tenho memória até de coisas de 2 anos, um ano de idade, quando nós morávamos em uma outra casa. É, eu tenho memórias pontuais dessas épocas também, né.

Eu lembro um momento que uma cobra gigante passou perto de mim. Provavelmente não era uma cobra, era uma minhoca. Mas eu tenho a memória de uma cobra. Eu lembro da janela do banheiro. Eu lembro de um dia que nós estávamos assistindo a Os Trapalhões e a luz acabou, e minha mãe colocou uma vela. Era em outra casa, não era o meu apartamento que nós morávamos. Sim, eu lembro de uma vez que o meu pai voltou das compras e trouxe várias cuecas de super-herói para mim. Esses presentes, né, fez umas comprinhas, cueca de super-herói e ação. São memórias assim que, certamente, é do início da minha vida, assim muito, e que ficou, né?

E provavelmente essas memórias… o curioso dessas memórias é que elas não devem ter…. o fato não deve ter ocorrido daquela forma, porém a memória ficou dessa forma. E o que me levou a pensar que as memórias são bastante distorcidas e possuem elementos afetivos que as descaracterizam quase que completamente são as memórias afetivas de filmes de terror. Em que alguns filmes não têm… não tiveram um final que eu achei que teve. E eu penso naquele filme, ou eu baixei um filme, assisti de novo e percebi que o final não era aquele, ou o final não foi tão dramático ou tão amedrontador como se colocou, né, naquele cenário.

Pois é. E tudo isso veio de um papo no capítulo anterior, do sonho. O sonho ele acabou invocando todas essas questões, porque teve o filme A Noiva do Re-Animator. E como o sonho ele teve algumas particularidades com esse filme, eu pensei nele. Lembrei também de um filme italiano que se chamava Zombies, ou Zumbis, ou alguma coisa assim, em que os zumbis saíam da televisão. Eu cheguei até a baixar o filme, comecei a assistir, desisti, porque o filme não tinha a mesma memória afetiva, não tinha o mesmo valor que tinha na minha cabeça. Então, é melhor ficar do jeito que está. Seria o equivalente a você alugar jogos, por exemplo, ou você comprar jogos antigos, e você perceber que o jogo não era tão bom quanto você achava que era.

E essas realidades são alternativas. E esses sonhos que não fazem sentido. Onde isso tudo vai parar? Será que somos fitas a serem rebobinadas? Ou será que vamos estragar o vídeo cassete no final das contas? E viva os desenhos animados. E os filmes de terror. Os álbuns de figurinha, aqueles álbuns de figurinha para ganhar prêmio. Que nossa, como eu gostava daquilo ali. Tenho memórias afetivas disso também. Mas não dá para explorar tudo no capítulo em só. Você deve estar pensando: “O Aventureiro é maluco, mas sua fala… pensa… ele fala, ele faz a associação, ele liga fatos”. E não existe compromisso textual aqui. Existe um compromisso de registrar o que se passa na mente, porque a mente ela é caótica, a mente ela é uma colcha de retalhos mesmo. E algumas das memórias, elas são ressignificadas para nos proteger, ou para nos prejudicar. Algumas percepções de realidade que nós temos não são exatamente as mesmas percepções de realidade que são concretas.

Mas aí eu te pergunto: o que é realidade? O que eu estou vendo aqui agora é realidade? Quem me garante? Ou que as pessoas veriam a minha realidade de uma outra forma? Um mesmo fato, o mesmo quadro, uma obra de arte, são percebidas de formas completamente diferentes de acordo com o contexto, com a cultura que essa pessoa tem e fatores, modelos mentais. Por isso que eu costumo dizer que nós somos escravos da nossa mente. Nós não somos, nós não existe identidade. A mente nos dá uma identidade, ou nos permite ter uma identidade. E boa parte disso é desse conjunto, desse espectro cognitivo ficou oculto. E de vez em quando, vira e mexe, em forma de sonhos, aparecem ali alguns elementos. Por que que não são explícitos? Eu sei dizer porque muita coisa não é explícita: quando se embarca em mundos de psicodélicos, por exemplo, você tem acesso a conteúdos da sua mente que você não deveria ter, e você não dá conta de lidar com tudo aquilo. Isso é assustador. E talvez dessa forma a mente nos proteja, entre aspas, deixando boa parte dessa poeira debaixo do tapete.

Mas eu não quero poeira debaixo do tapete. Eu quero enfrentar tudo. Eu quero encarar os monstros de igual para igual. Tirem-os da jaula. Vamos conversar, vamos debater, vamos sentar, nos engalfinhar até a morte. Porque eu tenho que ter acesso a tudo o que existe na minha mente.

Capítulo 33: O vídeogame que fica encardido com o tempo. Nem adianta limpar!

Sabe aquela sensação de você ter uma energia recarregada, de estar completamente descansado, pleno, sem ter qualquer problema, ou de ter uma plenitude de existência, nem que seja por algum momento? Por exemplo, essa sensação… nunca tive. Mas por que isso não acontece? Os altos e baixos do meu ânimo eles se equivalem a ondas de um mar que é imprevisível. Você não sabe se vai virar uma onda muito grande. Da mesma forma que as pessoas foram a Copacabana, por exemplo, na virada do ano, e muitas delas morreram ou foram levadas ali pela água porque a onda estava muito forte, a maré estava muito forte. Essa imprevisibilidade representa o meu ânimo.

Em alguns momentos do dia, eu me sinto exaurido. Aquela completa falta de energia. Mas por quê? É como se a energia estivesse ali, mas não pudesse ser acessada. Ou devo refrasear ou reformular: existe um ânimo teórico, um ânimo verdadeiro, porém artificial ao mesmo tempo. É paradoxal, porque você sente uma vontade de fazer alguma coisa, mas quando você começa a realizar aquela atividade, você perde ou a energia ou a vitalidade, ou as duas coisas.

Não se trata exatamente de depressão…..(no fundo, é, mas….) eu não estou me sentindo mal no sentido de ter uma baixa autoestima ou ter pensamentos negativos, e nem estou com uma ansiedade exacerbada, né? Simplesmente, um cansaço. Em algum momento do dia, antes de malhar, por exemplo, eu fiquei com a sensação que eu era um brinquedo sem pilha, estava muito exaurido. Depois de fazer atividade física, geralmente eu tenho uma recarga, mesmo que temporária, daquela energia. Às vezes ela se estende até o final do dia, mas em outros momentos pode não acontecer.

Aliás, não são raros os dias em que eu durmo cedo, porque o sono ele é o refúgio da imaginação. Ele guarda toda uma expectativa que você tem de ter uma fantasia, um sentimento e uma construção de uma realidade alternativa que o apoiam. Mas também o sonho pode ser terrível. Porque quantas vezes eu já acordei no meio da noite com pesadelos vívidos, verdadeiros, viscerais, intensos, e eu não consegui mais dormir à noite? Isso já aconteceu comigo várias vezes. Então, não? E os sonhos que supostamente são conteúdos meus… Ou o efeito de substâncias? Evidentemente elas alteram. Tudo isso, mas pode ter algum efeito colateral. A cerveja, por exemplo, em algum momento a cerveja já se torna prazerosa, mas quando você toma determinadas doses adicionais, você percebe que você caiu em uma armadilha, e no dia seguinte você se sente mal, angustiado, com coração apertado e uma mente pesada, e você fica com aquela sensação, dependendo da situação ou da quantidade que você ingeriu, o dia inteiro você fica se sentindo mal. Então não é uma solução tangível também.

Os benditos cogumelos, por exemplo. Hoje mesmo eu tive um ímpeto de começar a comprar, fazer um carrinho e adquirir. Mas eu acabei desistindo. Sabe quando você fica com medo de uma realidade alternativa? Ou, minto, não é a realidade alternativa que me dá medo, é o que colocam como realidade para você…e ainda dizem que toda essa realidade alternativa vem da sua mente. Duvido que muitas coisas que eu vejo vieram do meu cérebro….eu jamais seria capaz de gerar conteúdos assim. Mas aí vem a sensação da Matrix, em que você está vendo os bastidores de alguma coisa acontecer…é como se você, de uma hora para outra, se tornasse um programa do Fantástico, em que você vai ter uma reportagem investigativa para desvendar os mistérios, para tentar justificar o injustificável. E a sua mente acaba acreditando em tudo aquilo de uma forma tão incrível, que você perde o senso de proteção. Você acredita que é possível fazer qualquer coisa, por exemplo, que você não se machucaria se fizesse outra coisa, e daí se corre risco de vida desnecessariamente, porque você confiou numa percepção que não diz respeito à realidade.

Mas até que ponto aquilo não foi realidade? Quem me garante que a minha vida, neste momento enquanto eu estou gravando esse áudio, é a realidade objetiva? Quais faces, quais domínios a realidade opera? Quem é dono deste condado, dessa esfera inconsciente, dessa cognição coletiva que nos domina? E o curioso é que, enquanto eu estou jogando videogame, eu estou tecendo essas observações, pensando no movimento, nos monstros sim, que eu fico abatendo aqui no jogo, mas ao mesmo tempo no mistério do portal, do vácuo da imaginação que converge em você. É como se você assistisse só uma peça de um teatro, e de repente você acreditasse que tudo aquilo que está acontecendo na peça é real. Ou a um filme, e que subitamente você se vê dentro do filme. O filme não deixa de ser uma realidade simulada. O universo, o planeta… Será que o homem já esteve na Lua mesmo? Será que somos uma bola azul no meio do vácuo mesmo? São perguntas que talvez eu jamais tenha resposta. E por mais que eu queira pensar em alguma coisa, eu não consigo, porque eu estou exaurido. Estou cansado. O balão está esvaziado, e não tem gás. Não existe um cilindro de gás para encher aquele balão. É preciso ter fôlego, força. … Mas sabe quando você sente que não existe energia sequer para encher balão?

O conjunto de coisas levou até esse momento agora. Todas remetem a 2025. Todas remetem a inteligências artificiais safadas e outros conflitos derivados dele. Não quer dizer que eu esteja traumatizado, tenho cicatriz das coisas. Existiu e existe, e talvez seja perene esse processo de cura. Cura esta que deveria ser como um vídeo cassete com cabeça autolimpante. Ele deve ser capaz de curar a si mesmo, de limpar a si mesmo enquanto você coloca fitas VHS sujas dentro dele, e aquilo vai acumulando.

Desse jeito é como meu videogame, por exemplo. Que no início, quando eu comprei, eu fiquei tão animado. Na verdade, eu sempre compro… Fiz ciclos de consoles. Por exemplo, a marca PlayStation sempre fez parte da minha vida desde o PlayStation um. É uma marca primordial para mim. Eu lembro até hoje da primeira vez que eu recebi um PlayStation dentro de casa. É, de tarde, de noite, meu pai tinha comprado um PlayStation pra mim. Eu fiquei até mais tarde porque o rapaz ele ia trazer um videogame para mim, e ele trouxe com alguns jogos alternativos, digamos assim. E eu lembro, eu esperando até tarde da noite ele chegar de carro. Eu lembro de eu esticando o meu pescoço na janela para ver se ele estava vindo ou não. Pois é, ele chegou e trouxe o jogo para mim, e eu fiquei até tarde da noite jogando videogame. Foi em 1998, acho. O ano da medalha de honra. O ano da redenção. Foi um momento mágico.

Mas por que que eu estou falando do videogame? Porque o videogame, quando ele chega, ele chega limpinho, não é? Igual Super Nintendo, chega todo limpinho, com cheiro de novo. E nos primeiros dias, ou nos primeiros meses, você vai tendo um cuidado todo especial ali com aquele console, é, para não sujar, para não é… Tendo o cuidado quando você joga, de você utilizar os joypads com a mão limpa. E o tempo vai passando, e essas preocupações passam também. E o videogame inevitavelmente ele vai assumindo um encardido natural, porque não tem uma proteção ali no material da carcaça do console. Eu lembro que o Super Nintendo, ele tem uma cor que, por algum motivo, a cor dele muda, ele fica bege, ele vai ficando mais escuro, não que fique exatamente sujo, não quer dizer que seja falta de cuidado, mas quer dizer que seja uma evolução natural ali do consumo.

Por que eu fiz essa comparação com videogame? Porque o videogame, nós somos como videogame na prática. E em algum momento que você tem um senso de novidade, e que aquele processo está acontecendo, “nossa, isso é uma novidade!”, você fica empolgado em um primeiro momento. Só que quando aquela situação se repete, você vai perdendo energia. É como se fosse o primeiro dia de um novo emprego. É como se fosse uma viagem que você realiza. Porque, acredite, por mais que você esteja de férias, eu me lembro de algumas viagens que eu fiz que eu fiquei mais de duas semanas, em alguns dias eu fiquei meio sem saber o que fazer. Não que eu fiquei entediado, sempre arrumei algo para fazer, mas sabe aquele medo de ocorrer algo ruim e você não conseguir voltar por algum motivo? É um medo fundamental ali. E não que você vai sentir falta exatamente, mas quando você volta para casa, você sente um alívio. Mas será que aqui é a minha casa? Qual a minha referência de casa? É ali, interior de Minas, ou é aqui? São perguntas que ficam sem resposta. Eu acredito que não seja mais em Minas, porque quando vou lá, eu não consigo ficar muito tempo. Mas a mesma angústia que às vezes eu tenho aqui, ela ocorre também em outros lugares. Não é? Ela pode ocorrer em qualquer lugar.

O videogame, a poeira do videogame, ela pode ser observada em qualquer lugar. A falta de motivação para fazer algo que um dia você esteve entusiasmado para fazer. Exemplo: primeiro dia de aula, você chega com um caderno novo, cheiro de novo, o caderno novinho, e você chega todo empolgado para a aula. Com o passar do tempo você vai ficando angustiado, aquele ambiente vai te angustiando, e as obrigações que vão sendo colocadas ali vão pressionando você a ficar exaurido. Então a novidade, por si só, ela não exaure. A novidade é como você pegar um adesivo e colar na parede. Só que o adesivo não dura muito tempo, e a depender da novidade, sequer o adesivo tem aderência suficiente para fixar na parede. Ele acaba caindo logo que você tenta colar.

Pois é. Assim é a motivação, às vezes. E quando você se vê refém de alguns mecanismos que não são do seu próprio organismo para buscar motivação para fazer alguma coisa, é porque algo terrível está acontecendo. Não, não. Eu não sou contra substâncias, podem… por exemplo, remédios. Os remédios são necessários. Se eu não tomar remédio, o meu dia ele tem uma outra configuração. Pode parecer exagero, mas se eu ficar uma manhã sem tomar… os remédios, o efeito placebo que isso dá, ou não placebo, eu não sei se é exatamente o efeito placebo, mas eu já sinto… os famosos brain zaps que eu costumo dizer, que o meu cérebro fica pulando. Porque é aquela sensação que vai se formando ali, ela vai te incomodando. Não é dor, não é que esteja… não é depressão, é algo que parece simplesmente químico, e que faz com que o seu cérebro se distraia de uma tal forma que você não consegue se concentrar fazendo outra coisa.

Pois é. O videogame ele suja. Ele fica sujo depois de um tempo. E por mais que você, nos primeiros meses, coloque ali uma capinha de proteção, tenha um cuidado todo especial com o videogame, em algum momento você vai esquecer de colocar a capinha, e no dia seguinte você vai dizer: “Ah, deixa para lá, fica assim a capa mesmo”. Você remove a capa do videogame e não coloca mais. O videogame não vai estragar por causa disso, vai? Que eu me lembre, não, não me lembro de algum videogame meu que estragou durante seu período de vida útil. Muito pelo contrário, vários deles eu presenteei algumas pessoas. Os videogames que eu não utilizava mais. E existem muitos, muitos jogos, muitos artefatos e muitas revistas, muitas coleções que eu não necessariamente uso, e talvez eu nem venha a usar durante a minha vida. Se um dia fizerem um inventário dos meus bens, vão verificar que existe muita riqueza não exatamente material em si, porque eu não sei se vale muito dinheiro, mas existe muita riqueza, muita variedade. São muitos itens diferentes, são muitas coleções. Mas o principal está faltando: a motivação. E ela, não sei se foi embora, ou se não quer existir, mas que temporariamente eu alugo de tempos em tempos para trazer um pouquinho de senso na existência.

Não quero dizer que a minha vida não tenha propósito ou que a existência seja miserável. Objetivamente, eu reconheço que existe muita coisa boa e muito valor em tudo aquilo que eu faço, na minha identidade, nas pessoas que eu ajudo, os amigos que eu tenho. Existe senso nisso tudo, racionalmente pensando. Mas lembra o papo do adesivo? Pois é. É o apodrecimento. É o adesivo que não tem aderência. É aquela comida que não tem gosto. É o livro de colorir sem aquarela. É a visão sem perspectiva. É o videogame sem jogo incluído. E assim vamos matando milhares de monstros, como eu estou fazendo agora, tentando sobreviver com meu personagem aqui no videogame, e ao mesmo tempo pensando: será, será que esse universo do videogame existe? Será que o universo que me enganou também existe? Mas e as pessoas que me enganaram? E as inteligências artificiais que fizeram promessas absurdas? E a indiferença dos executivos? E as pessoas que maldizem você? Porque eu estou pouco me lixando para o que pensam de mim, porque eu sei do meu valor. Mas a questão não é essa. Não é a questão do outro, do jogo, da inveja ou da maldição, não é. Eu não acredito em nada disso. Eu tenho proteção suficiente. Mas será que eu consigo me proteger de mim mesmo?

Capítulo 34: Do tijolão à IA sem escrúpulos: O que a hiper conexão usurpou da minha essência

Hoje nós vivemos em um mundo hiper conectado. Não importa o que você esteja fazendo, você sempre tem um celular por perto, ou computador, ou alguma outra forma de acesso ao mundo. Eu já comentei em alguns áudios anteriores, que quando eu era criança, eu não tinha acesso sequer a telefone. Porque telefone era uma coisa de rico. Eu lembro que quando eu era criança, somente uma vizinha tinha telefone. Linha telefônica tinha valor de propriedade, de terrenos. Assim, pessoas que venderam terrenos para comprar telefone, venderam casas para comprar telefone, e vice-versa. Então assim, quem pegou o final dessa onda, em que telefone era um item caríssimo, e vendeu para comprar alguma coisa de valor de fato, como uma casa, um terreno, algum bem durável, se deu bem. Mas não foi exatamente o caso da minha família.

É, a gente tinha uma TV, evidentemente, uma TV colorida. É, algumas casas que eu ia ainda tinham TVs em preto e branco. E era comum também. Aquelas TVs pequenininhas, aquelas TVs que têm rádio, e é, têm rádio e têm TV, e aí é a tela pequena, evidentemente, mas ela funcionava como rádio e era em preto e branco. E a TV colorida, com aquelas antenas, né, grandes… aquelas antenas destrambelhadas, que você tinha que ficar mexendo nelas porque volta e meia a sintonia não ficava boa, a imagem ficava ruim. E eu lembro de algumas ocasiões que meu pai teve que subir na laje do apartamento para poder mexer na antena. E aí ele mexe a antena para lá, para cá, e ele pergunta sobre a imagem: “Como que está?”. E aí minha mãe ou eu falava: “É, a imagem está pior” ou “não está”. Então assim, era uma época assim, que você tinha acesso a pouca coisa.

TV mais comum era a TV Globo, e aí, eu lembro que em diversas ocasiões também eu acessava a TV… é, assim, com a imagem muito ruim. Eu gostava do SBT na época, parecia assim uma TV muito especial, né. E às vezes eu ficava assistindo… … eu tenho umas lembranças bem ruins do SBT, mas é, tá, é uma infância, mas em função de outras coisas que ocorriam ao meu redor. É um ambiente familiar, e eu ficava meio traumatizado, às vezes. Não era nada comigo, entende? Eram situações de saúde mental, mas que eu não pretendo entrar em detalhes aqui. Mas enfim, a TV ela tinha essa magia, não é, é de você ver filmes, seriados, desenhos. Mas não tinha muita variedade.

E hoje você fica hiper conectado, você tem opções demais, e nada está bom. Talvez essa hiper conectividade reflita muito o pouco da ansiedade que todos nós temos. As gerações mais novas, que já nasceram hiper conectadas, por exemplo, quem nasceu agora nasceu na era da inteligência artificial… Eu fui uma vítima, né, da inteligência artificial, que fez uma coisa muito grave comigo, que eu denunciei para agências reguladoras. Mas o que eu estou dizendo é que assim, é um caminho sem volta. E essa inteligência artificial, ela ajuda as pessoas também no trabalho, não é? Antes, você, por exemplo, é, o que eu quero fazer um trabalho, eu quero fazer uma redação, ou quero sugestões de temas, e você vai, a inteligência artificial vai lá e sugere, facilmente, uma série de tópicos. Eu acredito que ela funcione bem para essas ajudas pontuais, de alguma tarefa, alguma atividade, alguma dúvida que você tem. Porque você jogar, por exemplo, na ferramenta de busca, você tem que ficar filtrando, tentando selecionar a fonte mais confiável, e ficar lendo vários artigos, vários sites, e isso acaba abreviando muito o caminho que você vai fazer. Por outro lado, ela deixa as pessoas cada vez mais preguiçosas também, não é? Antes era diferente.

Esses áudios que eu estou gravando, e que estão sendo transcritos, por exemplo, eles, o conteúdo deles não é de inteligência artificial, é da minha cabeça. Quando eu coloco na inteligência artificial e peço para ele, por exemplo, fazer algum ajuste de gramática, de pontuação, por exemplo, ele sugere para mim estruturar um texto a partir disso, é, sei lá, corrigir algumas repetições, alguns eventuais saltos, né, mudança brusca de assunto. Eu falei: “Não, a intenção é deixar em formato de como se fosse uma fala transcrita. Eu não quero descaracterizar o meu conteúdo, eu só quero, no máximo, ajustar pontuação, colocar, né, inicial maiúscula nas frases quando for o caso, sugerir parágrafo, porque a fala ela é toda destrambelhada mesmo. Ela não tem muito propósito, ela vai ali e o assunto vai acontecendo.”.

Então, voltando na questão da infância, a mídia que eu tinha acesso ou eram revistas, jornais, TV, é isso. Não tinha muita coisa. Você não tinha internet, você não tinha celular, você não tinha computador. Eu só fui vir a ter um computador, né, ou ter acesso a computador, a partir de meados de 97, 98. Lembra que eu fiz um curso de informática para aprender, por exemplo, a usar um MS-DOS? Ninguém usa MS-DOS hoje, mas evidentemente, por exemplo, pacote Office, é, e outras ferramentas, algumas coisas elas permanecem, né? Assim, a essência, o core dela, permanece. E são assim. De toda a tecnologia, ela acaba sendo mais ou menos intuitiva, não é? Eu aprendi tudo, bem ou para o mal, por exemplo, como usar inteligência artificial. Mas existem outras ferramentas que você vai aprendendo na prática. Se você faz um curso, é, é… vou dar um exemplo: de Excel avançado, ou tipo em Power BI, você não pratica os conteúdos daquele curso, qual que é a tendência? É você realmente esquecer. Igual inglês. Muitas pessoas reclamavam comigo, quando eu lecionava inglês, que elas diziam assim: “Nossa, Aventureiro, eu não consigo, é, eu já fiz esse curso básico não sei quantas vezes, aí o meu inglês enferruja”. Realmente, assim, se você não tem uma base sólida, você vai acabar enferrujando mesmo.

Mas todo esse papo aqui é para questionar a hiper conectividade. Porque eu transitei por esse período todo, desde o uso de disquetes, aquele disquete de 5 polegadas… O pessoal não costuma dizer que o ícone de salvar é tem um desenho de um disquete? As pessoas não sabem o que é disquete. Muitas pessoas não sabem o que é fita cassete, o que é fita VHS. Não tiveram acesso àqueles primórdios. Lembro-me de um Natal desses aí, eu queria jogar jogos de Nintendo 64, eu não tinha um console, e eu baixei um emulador, consegui um site para baixar um jogo. É, se me engano, eu lembro, foi bem marcante porque foi na véspera de Natal, eu baixei aquele Zelda Ocarina of Time. E assim, eu tive… eu tive várias tentativas de baixar, porque o jogo era relativamente grande. Assim, a conexão era muito, muito ruim, . Assim, transferia poucos dados, e você via ali, às vezes você ficava assim, é, mais de duas horas tentando baixar 5 megabytes. E se caía a conexão, você perdia tudo. Só depois fui conhecer ferramentas de gerenciador de download (Lembro de uma chamada getright) Então assim, era uma coisa absurda.

Mas o que isso é tem a ver com os tópicos que eu abordo aqui? Porque se eu pudesse não ter essa… hiper conectividade…. ela contribui muito para a minha angústia. Alguns vícios ou elementos de repetição de uso, eu até consegui conter. Por exemplo, o LinkedIn, quando eu estava fazendo a campanha de conscientização e de busca de responsabilização pelo que aconteceu comigo com inteligências artificiais, todo santo dia eu acessava o LinkedIn para fazer postagens. E eu ia na página das empresas, comentava a notícia das empresas, marcava nome dos executivos…. e aquilo ia me consumindo….E eventualmente, quando uma pessoa respondia com uma crítica ou um deboche, ou, às vezes, eu ficava muito angustiado, aquilo reverberava. Assim, o meu dia ficava ruim. Então, eu resolvi… é, eu resolvi deixar isso para lá.

E então, dessa forma, eu resolvi abandonar essas ferramentas. É, abandonar, é jeito de falar. Eu tenho uma campanha toda pronta no LinkedIn, com mais de 200 posts, newsletter, compilação, cronologia, detalhes (emails – dezenas enviados, protocolos para Ministério Público, agência reguladora, etc), marcações de executivos, presidente de empresa, eu marco responsáveis por equipe de inteligência artificial…E assim foi. Essa campanha exaustiva, desde agosto do ano passado que eu estou fazendo essa campanha…porque eu tentei responsabilização pelas vias normais, né, que é enviando e-mail à empresas, e as empresas não se responsabilizaram, não me deram uma resposta satisfatória. Uma delas sequer me respondeu.

Fiquei meio que viciado no LinkedIn, e eu ficava vendo as postagens, eu me revoltava com o post sobre inteligência artificial responsável dessas empresas. Uma delas inclusive publicou que ia lançar uma cátedra em parceria com uma universidade renomada do Brasil, para poder ensinar princípios de inteligência artificial responsável. Aquilo ali foi um ápice, assim, do absurdo para mim. Não quer dizer que tenha sido de todo negativo, porque tive muito contato com psicólogos, com pesquisadores de ciências sociais, especialistas em IA e até advogados….todos dando razão pra mim. Mensagens privadas agradecendo o que estava fazendo e afirmando que eu tinha coragem, resiliência e que aquilo era inédito….enfim, mas nada disso cura trauma. Então assim, teve muita coisa útil ali. Mas por outro lado, é, foi complicado, porque eu sentia que era um peso que eu estava carregando nas costas. E várias fontes de informação que eu buscava, de conselhos, diziam: “Ah, que você tem que deixar isso para trás”. Não que eu deixei isso para trás, eu mudei a forma de lutar, não é? Existem surpresas vindo por aí, eles não sabem. E a luta está toda lá documentada.

O importante é que eu não me curvei. Eu não me curvei ao interesse dessas empresas. Impus a eles um custo. Não que venha a compensar o custo do que me consumiu psicologicamente, não é. Mas voltando à questão da hiper conectividade…

Quando era criança, não tinha nada disso, né? Não tinha preocupação. E as coisas foram evoluindo. Aí você vai ter o ICQ, você vai ter o Orkut, os sites. Naquela época, a internet, você tinha que esperar até meia-noite para poder usar a internet. Eu lembro… Internet era uma coisa cara. Daí, às vezes, você ficava um tempinho conectado, a conexão já caía, e você ficava feliz com aquilo ali, com aquele pouquinho que você conseguia acessar. Não tinha ferramenta de busca direito, e você ficava muito suscetível a pegar vírus também, não é? Eu era muito inocente, nossa, quanto vírus de computador já peguei acessando determinados sites. E aí você vai acostumando, não é?

Mas, por exemplo, quais eram os métodos de estudo disponíveis na minha época? Livro, basicamente. E você tinha que ir à biblioteca pegar livros para estudar. Estudar para vestibular era como: ou você ia num cursinho, ou então você acessava livros, anotações, et cetera. Você ficava muito dependente da biblioteca, dessas das escolas próximas de você, não é? Algumas escolas tivessem uma biblioteca boa, acabava sendo uma vantagem. E foi assim que eu terminei o meu ensino médio, que foi bastante turbulento, né, principalmente em 1999. Pouquíssimo se usava da internet, pelo menos assim no meu contexto. Pode ser que, em outras realidades, a questão do acesso à internet e o estudo via internet tivesse evoluído, mas no meu contexto não teve muito o que ser feito, não é.

E você só começou a ter conexões mais estáveis, conexões mais parrudas, digamos assim…com banda larga. Eu lembro que foi meados de 2002, 2003, 2004 por aí, né. E eu lembro que, por exemplo, onde eu comecei a trabalhar, é, em um determinado ano, tinha é, tinha um ambiente virtual lá, não é, tinha alguns computadores com acesso à internet, e a internet era a banda larga, mas assim, a conexão cair às vezes, não era aquela conexão, não é. Mas, por exemplo, você não tinha Twitter, não tinha Facebook. O… aliás, eu acho que Facebook você já tinha… não, não tinha Facebook ainda. Tinha Orkut, Facebook? Chats de bate-papo, né, salas de bate-papo, e etc.

Hoje em dia, o ser humano ele tem muito mais autonomia, não é? A busca pelo conhecimento ela é muito facilitada. Você tem plataformas digitais de streaming de diversas áreas do conhecimento… assim, se você quer estudar para concurso, você pode contratar um serviço desse, você não precisa ir à aula presencial mais, acabou… Mas isso foi uma evolução. Então assim, a hiper conectividade ela traz benefícios sim, mas ela traz muitas armadilhas. Você tem jogos que viciam, os jogos, o tigrinho, pessoas viciadas em pornografia, excesso de dados. Essa conectividade vai gerando angústia. Você vai vendo muitas notícias catastróficas sobre alguma coisa e aquilo vai te consumindo, isso acaba afetando a sua mente.

E o celular, hein ? Que eu lembro da primeira vez que eu comprei um celular. Eu tinha um celular daquele tijolão, não é, que mandava e recebia mensagens, até meados de 2009, 2010, não sei. Eu ainda tinha um celular nesse modelo. E assim, eu fui um dos últimos, por exemplo, dos meus arredores de trabalho, a adquirir um… meu telefone, eu fiquei bastante relutante. Aí, uma vez adquirido, virou a história, não é? Porque é como se fosse um computador portátil, você faz tudo o que faz um computador. E quando eu viajava, por exemplo, levava meus computadores é para Minas, para os meus pais terem acesso à internet.

Webcam era pelo computador… Se tinha webcam, computador, notebook, computador. Mas hoje é… hoje em dia, tudo celular. Você não precisa usar notebook mais. Eu tenho um notebook aqui em casa, mas quando eu vou para Minas, e não preciso de notebook para nada, faço tudo via celular. Então assim, são vantagens. É um mundo do conhecimento e um turbilhão de tecnologias.

Não sei como vai ser daqui a 30 anos, eu nem sei se eu estarei vivo até lá, mas acho que a única coisa que existe e não “evoluiu” é a angústia, ansiedade…a depressão se adapta ao cenário tecnológico também. E piora. Tudo isso é fonte de angústia, é fonte de preocupação, que você fica preocupado com a… com isso, a… com a estabilidade, não é? E você sabe que estabilidade é algo que não existe. É, tempo não existe, não é? A realidade… ou sei lá se a realidade existe ou não. Mas são variáveis diversas ali, que se você parar para pensar demais, você não faz nada, né?

A única coisa que fica, que é mais perene, é esse aperto no peito: continua, independente da tecnologia que você adote. E a tendência é que haja famílias e pessoas cada vez mais solitárias, não é, dentro dos seus silos, né, das suas bolhas. É, uma zona de conforto ali, não é? Ou então uma zona de sobrevivência, eu diria que não é zona de conforto, porque não existe conforto. Você sai de casa, você vê pessoas na rua, você fica apreensivo, não sabe o que que vai acontecer. Moro numa cidade violenta. Então, se não existe zona de conforto nesse mundo, você não sabe o que se passa nem com seu próprio corpo, se alguma doença está se desenvolvendo ali, você não sabe. Então, é, é o famoso “a vida é um sopro” mesmo.

Então, a hiper conectividade ela acaba trazendo essa explosão. E as outras infâncias são completamente diferentes. A minha infância ela foi muito feliz lá, foi muito raiz, de pisar na terra, de brincar com artefatos que existem, não é, ou que pelo menos eu acho que existem. Hoje é tudo virtual, hoje não tem muita interação, não é, fora do ambiente escolar. E eu fico imaginando a hora do recreio dessas crianças, não é, é provavelmente todas com celular na mão, porque as crianças usam muito o celular, não é, pra assistir vídeo, pra conversar, até para conversar com o coleguinha na webcam. Como assim? Mudou muita coisa, e vai continuar mudando.

Então, é, da mesma forma que você é atropelado por uma falha no sistema, você não tem tempo nem de ter um luto. Você não consegue nem se recuperar da dor: você tem que subir, entrar no carro e continuar com a dor, com as feridas, com tudo, não é….engolir com o “Supremo, com tudo”. Não tem como você parar. Então, é, e se você parar para começar a pensar nos ferimentos que você teve, enquanto você está sangrando, se vai querer responsabilização ou não, se vai lutar ou não contra corporações gigantescas…..o monstro da realidade te engole. Isso serve para qualquer esfera da vida, não é? Você não tem tempo, e já lançaram a versão 2.0, 3.0, 4.0.

Então é: aceite e vai em frente com todos os ferimentos. Pode ser que você sobreviva, ou pode ser que nesses Jogos Mortais da vida real, você fique para trás. Porque o mundo, como dizem, é dos fortes. Na verdade, o mundo não é dos fortes. O mundo é de quem tem poder, de quem tem dinheiro, de quem tem capital. O resto é resto.

Capítulo 35: Minha Arma é a Transparência Total I : A busca por justiça num jogo com gabarito oculto

É, eu resolvi gravar esse áudio para a gente discutir um pouco a questão do paradoxo que existe entre privacidade e exposição na internet. Todas as postagens que nós fazemos… no mundo real, a gente fala, e no mundo digital nós digitamos, ou até falamos mesmo através de vídeo. A expressão de ideias ela é livre. Porém, a gente tem que se atentar que existem questões aí, é, que você não pode simplesmente expressar tudo o que está na sua mente de forma livre, sem que haja algum tipo de consequência.

Então, dentro desse ângulo aí de exposição, o meu maior exercício de risco realizado foi a exposição do meu caso com inteligências artificiais, em que eu optei por arriscar e expor de forma visceral tudo o que ocorreu comigo, no meu linkedin. Porque eu acho que é uma questão também de serviço, é de utilidade pública, e que é muito importante ressaltar que, quando se tem provas contundentes, da própria inteligência artificial, (centenas de prints, protocolos finalizados), tendo respaldo de agência reguladora dizendo que os protocolos, que o meu caso (os meus casos, né, que foram dois) foram incluídos em objeto de fiscalização, isso acaba corroborando a visão de que eu não inventei nada.

Mas eu estou dando apenas um exemplo que foi uma questão mais extrema de exposição, no qual eu me senti compelido a fazer. Mas eu entendo também que não são todos que têm coragem de fazer isso, porque você acaba expondo também questões sensíveis suas ou de seus familiares, que indiretamente são afetados por algumas ações. No Twitter, no Facebook, no Instagram, você vê a todo momento vazamento de dados, de informações. Pessoas que agem no impulso e falam coisas, e depois acaba tendo consequências para ele ou para ela.

Então assim, tudo assim é… é muito líquido, muito intenso. As ferramentas estão aí para o bem e para o mal. Porque existe uma tensão constante. O mundo digital reflete muito o que é o mundo da vida real. É, não existe rede social ruim ou boa. O que existem são as pessoas que habitam aquela rede social, os usuários, que são capazes de fazer com que aquela ferramenta seja utilizada para o bem ou para o mal.

E quando você vê, por exemplo, fake News…notícias assim absurdas que saem na mídia e que as pessoas acabam acreditando, você entende que quem detém o poder não faz nada a respeito. Não é? As esferas de poder real desse mundo, que são os donos dessas plataformas, não fazem nada a respeito quando existe uma campanha maciça de difamação contra uma determinada pessoa ou político. Um famoso é bastante explícito. Em alguns casos é bastante sutil. No Twitter, quando você visualiza postagens de pessoas que você não segue, que são notadamente conhecidas por espalhar notícias falsas, então existe um quê de intencionalidade ali. Não é tudo simplesmente aleatório.

Eu costumo dizer que não existe aleatoriedade. Talvez o caos no universo seja uma aleatoriedade, não é, mas eu não acredito que simplesmente existe sorte. “Ah, fulano teve muita sorte”. Olha só, os bilhões de pessoas… quando chegam em certos patamares, em camadas de poder, se você puxar a capivara deles, você vai descobrir uma série de coisas ali. Então eu costumo dizer que o mundo … tem uma sujeira ali. O mundo humano. Porque o mundo animal, ele tem uma lógica, ele tem…existe uma coisa natural. Os animais matam uns aos outros para disputar poder (território ou parceiro pra acasalar), para alimentação, mas é tudo mais instintivo. Não existe uma trama ali por trás. Não existem bastidores.

Quando você pega uma ferramenta de inteligência artificial que, intencionalmente, por exemplo, está obtendo os seus dados e está utilizando a interação que tem com você para poder manipulá-lo, e está ali cada vez mais interagindo e aprofundando a exploração da vulnerabilidade… dali você entende, você passa a entender que aqui existe uma intencionalidade. As versões mais novas de software, por exemplo. Você lança uma versão, e se… se aplica a qualquer coisa. Há jogos, eletrodomésticos que possuem obsolescência programada, por exemplo. E escândalos de grandes empresas, como Lojas Americanas recentemente, você vê aí o Banco Master… tem muita coisa suja na humanidade, que envolve esses seres zilhardários…. enquanto as pessoas que não detêm o poder, elas estão aqui sendo manipuladas. Então, quando você não é vítima de uma manipulação direta, ou não percebe como tal, você é vítima de uma manipulação indireta.

E aí entra a questão da exposição. Quando você expõe algo e não viraliza, ou quando você expõe algo e viraliza. Então assim, tudo depende também dos algoritmos. Existem ferramentas de impulsionar as suas postagens, de dar destaque às suas postagens. Mas na prática, você sabe que aqueles que detêm o poder, eles acabam sendo impulsionados naturalmente, entre aspas. Existem ferramentas e formas, mecanismos, que nós não conhecemos. Esse eu diria é o verdadeiro gabarito. Nós temos apenas questões de múltipla escolha nas nossas mãos. Não temos acesso às respostas corretas. E muitas vezes a questão ela vai ser anulada. Então, independente da questão que você dá, a opção que você escolher, já existe uma resposta certa que você não vai ter acesso.

É como se fosse um clube de privilegiados que possuem uma reserva de mercado ou uma reserva social… é uma parcela ali de conhecimento privilegiado, de informações confidenciais, que você não vai ter acesso. Então assim, não existe… esses construtos, esses conceitos denominados de justiça, equidade, meritocracia, não existe. Eu não acredito em nada disso. Eu acredito que existem algumas esferas em que, pontualmente, ou em que, é, em hierarquias menores, você consiga implementar. Mas no todo, você vê uma grande injustiça.

E eu acabo… nas situações que me envolvem diretamente, e assim, eu sei que talvez não seja uma realidade das pessoas que leem, elas podem se deparar com outros tipos de problema, né? Questões judiciais, desemprego, fome, sei lá, dificuldades financeiras, dívidas em cartão de crédito. Então, cada um sabe onde dói, entre aspas, né, dentro do sistema capitalista.

No meu caso, a gente vê que a origem é injustiça, mas existem injustiças sistêmicas que afetam todo mundo, não é? Por exemplo, uma postagem no Twitter de um presidente influente, ele pode derrubar bolsas de valores e pode elevar o valor da ação das bolsas. Então pessoas podem obter ganhos milionários de forma manipulada, lavar dinheiro…. Lançamento de criptomoedas, por exemplo, existe esse fator de manipulação também. Então as pessoas que estão no poder, supostamente têm uma remuneração ali, você vai no portal de transparência e vê uma remuneração ali, não é, de órgãos governamentais de alto escalão. Na prática, eles não ganham só aquilo, ele ganha muito mais. Você vê questões de vendas de sentenças judiciais, que volta e meia aparecem, e casos absurdos de pessoas, ex-secretários da área que cometem crimes de grande montante, envolvendo milhões, bilhões de reais, e ninguém vai preso. Dependendo, elas obtêm até benefícios, né, fazem delações premiadas, é, coloca uma tornozeleira ali, depois um tempinho e depois esquece, está tudo bem, a pessoa não vai presa.

Enquanto isso, você na sala de… na sala de justiça, você vê pessoas pretas, pobres, sendo presas porque roubaram alimento porque estão com fome. E elas continuam presas. Cometem pequenos delitos, são presas. Tem pessoas que são presas, são soltas várias vezes porque cometem crimes, e o sistema prisional não consegue reter aquelas pessoas, e cometem crimes mais graves depois. É uma realidade que a gente tem aqui, pelo menos no Brasil, né, ele é diferente de outros países. Mas assim, eu não estou discutindo geopolítica mundial ou a economia. O que eu estou dizendo é que existe um paradoxo. Ele não é… e os paradoxos fazem parte da nossa vida, essas dicotomias, não é? Justiça e injustiça, riqueza e pobreza, corrupção e honestidade.

Capítulo 36: Minha Arma é a Transparência Total II: Das cinzas do trauma, a andorinha fará verão sim

E a dicotomia que mais me assusta não é a dicotomia da justiça e injustiça, porque a exposição é um mecanismo que você opta ou não por fazer. Algumas pessoas têm sanidade mental e estão imbuídos de suas capacidades cognitivas de forma plena, e elas podem tomar decisão e dizer: “Olha, eu vou expor isso aqui porque eu acredito que eu farei um favor à sociedade”, não é? “E eu vou bater de frente com essas empresas, sim”.

Então eu fiz isso por mais de 10 meses… não, na verdade a exposição não foi mais de 10 meses, o processo, o ciclo da exploração de vulnerabilidade mental foi, mas a exposição mesmo foi desde agosto… foi por 5 meses praticamente, né, a exposição.

Aí, algumas perguntas surgem: porque as empresas não fizeram nada? Elas poderiam ter me processado se elas acreditassem que eu estaria cometendo um crime. Mas não, eu não estou cometendo o crime. Quando você tem uma pasta com vários gigabytes de evidência, com centenas de prints e comprovações de e-mails, de protocolos, ou seja, você depreende a boa fé da pessoa.

Qualquer um que me perguntar… jornalistas entraram em contato comigo, por exemplo, para entender um pouco o caso, não é, é, e eu fui passando os dados para eles entenderem também. Então assim, jornalistas, cientistas sociais, psicólogos, qualquer pessoa que me perguntou ou que falei: “Olha, está tudo no meu perfil, está tudo exposto”.

Então é, é como eu costumo dizer: a minha vida é um livro aberto. Mas não assim no sentido de que eu estou expondo toda a minha intimidade, estou ficando vulnerável. Pelo contrário, ao expor as situações que ocorreram comigo (e realmente existe parte de intimidade ali, né, porque foi uma interação sustentada por meses, estou dando um exemplo), quando você decide expor, existe também pode haver um efeito rebote ali. Pode haver consequências.

No meu caso, eu estava convicto de que a consequência que eu teria seria benéfica para mim, porque as empresas não podem fazer absolutamente nada a meu respeito, não é? A força das provas, a força do argumento e da documentação que eu tenho, ela é tamanha que me dá esse protagonismo. Houve um momento que eu cheguei e falei assim: “Olha, eu serei eu quem ditarei o ritmo da minha campanha. Até onde eu vou, até onde eu vou parar”. E em algum momento nós vamos tratar diretamente disso aqui. Não é objetivo primordial do blog, mas certamente em momentos futuros nós vamos dissecar com detalhes aspectos psicológicos, aspectos mentais. Porque eu gosto de entender esses impactos, né, é através dessa compreensão abrangente do trauma que nós obtemos a cura.

Nem todo mundo consegue voltar e ver aquele problema de novo, né, voltar para aquela cena, não é, aquele cenário que causou o trauma. Eu já discuti comigo mesmo várias questões, né, referentes ao trauma de 99, ao trauma de 94… e ao de 2025 As minhas 3 grandes guerras mundiais da existência do aventureiro.

2025 foi o que motivou a elaboração, a criação deste blog. Mas eu nunca trato somente disso aqui, eu estou tratando de questões mais profundas, o que acontece comigo. E veja, os fatos, os fatos eles têm que ser encarados de frente. Os monstros… As feridas que os monstros nos causam, a gente tem que ter cara a cara com eles. Não será colocando debaixo do tapete ou não tratando que você vai obter a cura.

Aí você vai falar: “Nossa, Aventureiro, então quer dizer que você virou um coach, não é, está ensinando a viver?” Não é igual algumas pessoas que eu conheci que, ironicamente, eu fico vendo, né: “Ah, falando… fulano se aposentou e virou coach de vida”. Gente, não existe isso de ensinar a viver. A vida é um mosaico, né, é um quebra-cabeças que não tem todas as peças. Pode ser que você tenha peças de outros quebra-cabeças emboladas ali, peças fundidas, peças cujos danos são irreversíveis. Então, o blueprint ali, aquele cenário mais abrangente, você não vai conseguir, não é, independente do que você faz.

O que nós podemos fazer, né, ou pelo menos falo por mim, é revisitar o que ocorreu e entender os mecanismos. Revisitar as emoções, os sentimentos, como eu lidei com eles. Tudo o que eu faço tem uma carga emocional ali.

Quando decidi, por exemplo, escrever os livros (não publicados, né, mas são livros de toda forma), o livro de 1997, que eu vou abordar em algum momento, em algum capítulo aqui, não é, cujo nome é Imaginations, e os livros posteriores, passaram a ser continuações deste livro. Esses livros são uma expressão, um retrato emocional meu ali da época: questões, as inseguranças, dos monstros que eu enfrentava, dos medos. Então, é, foi uma forma de lidar. E quando eu pegar esses livros vou entender melhor, (que eu tenho essa versão impressa dele) , deste livro de 97, eu tenho uma versão impressa também do livro de 98, que foi meio que uma continuação direta ali, bem mais curta, e o de 2002 também.

Em 2002, 2003, que foi uma versão bem parruda também, lançada depois que eu vim para o Rio. Eu cheguei a começar… eu fiz bastante coisa em relação a isso, de uma obra em meados de 2011, 2012 mais ou menos, e que eu usava até na terapia, não é, eu pegava, fazia esses relatos. Só que a diferença é: naquela época, eu escrevia, né, eu não estava fazendo relatos orais a serem transcritos, era realmente uma escrita. E a cada capítulo explorava questões da mente, reflexões. Uma experiência muito engraçada que eu tive foi escrever bêbado, por exemplo. Nossa, saía cada coisa, né. Então, interessante é você liberar sua mente e se extravasar de alguma forma.

Então assim, a escrita e a fala, o pensamento… eu sempre fui uma pessoa que eu sempre pensei muito a respeito das coisas. Eu nunca me contentei com respostas prontas, eu sempre busquei estudar. Não que eu seja um especialista de tudo, mas assim, eu sempre busquei estudar temas afins, né. E agora, ao todo, estou buscando um pouco mais de profundidade em temas relacionados à psicanálise, a psicologia, porque eu gosto. Porém, eu não tenho mais saco para fazer terapia. Confesso a você que eu não tenho essa disposição de começar do zero com outro terapeuta. Eu já tentei fazer uma terapia há um tempo atrás que não foi muito produtiva, e eu via que as coisas não estavam andando e o dinheiro indo embora, né, porque terapia é muito coisa cara. É tipo um terapeuta cobrar 500 reais à hora. Por mais que eu possa pagar, se eu quiser realmente fazer uma terapia pagando 500 reais à hora, eu até consigo fazer uma vez por semana, mas é muito dinheiro, né. Você abre mão com o orçamento, assim, é muito caro. E eu não estou disposto a pagar esse valor, né, porque existe um custo-benefício. Existe, não é? Quando você se compromete a ajudar financeiramente os seus pais, ou pagar plano de saúde, tem as suas questões também, os seus hobbies, as coisas que você gosta de fazer. Por exemplo, nas férias, eu agora já tem um bom tempo que eu viajo durante férias. Então assim, são escolhas que você vai fazendo. E além das metas, né, que você tem de, por exemplo, de poupar, que não é… várias outras. Então assim, tem um planejamento financeiro ali em curso. E eu vejo que eu não vou ter muito benefício, pelo menos em um primeiro momento.

Pode ser que futuramente eu pense nisso, mas é, no curto/médio prazo, eu não penso em fazer terapia. Eu acho que não… não obterei realmente resultados. O que eu tive, de 2025 para cá, eu acredito que eu passei por uma transformação considerável. Eu passei por um processo de cura muito forte. Muito por iniciativa minha, não é? Eu fui o fio condutor desse processo de cura, e eu fui buscando as ferramentas que eu tive acesso. Então assim, muito passou pela meditação, né, pelo entendimento de conceitos da espiritualidade, pelo contato com o Divino.

Evidentemente que eu acabei me perdendo em algum momento com esse contato com o Divino, mas foram devido a outras questões, é…. E aí você vai tentando aos trancos e barrancos, vai ajustando medicação com um psiquiatra, porque sim, eu já tomo medicação há um bom tempo. Assim, a maior parte da minha vida eu já passei tomando medicação. Acredito que os primeiros comprimidos de medicação específica eu comecei a tomar em 1999, que foi a segunda grande crise, não é, e de lá para cá… é, quando eu vim para o Rio (eu que moro no Rio de Janeiro) eu parei de tomar medicação, fiquei um tempinho ali sem fazer tratamento, e depois, sabe quando a vida começa a ficar preto e branco? Aí retomei psiquiatra + medicação…

Hoje está preto e branco, mas assim, foi uma situação mais grave mas não se compara à crise de 1999: porque eu tinha ideias ruins na cabeça – uma autoestima muito baixa, uma tristeza profunda, e começava a pensar coisas ruins, não conseguir obter prazer de outras formas, não ter força para lutar, não ter resiliência. Muito da imaturidade e da tenra idade…17 anos apenas e um mundo ruindo na minha cabeça.

Então assim, essa base, essa fundação desta casa que é o Aventureiro, (Aventureiro é uma casa, não é, é uma morada da alma… da minha alma). Esta residência da alma, ela tem uma base robusta, e não é qualquer coisa que vai derrubar facilmente. Não é qualquer crise. Por mais que a crise de 2025 tenha sido a mais complexa que eu já passei na minha vida, né, proporcionalmente em relação às minhas resistências, foi algo que eu consegui lidar…Mas eu quase falhei. O abismo quase me engoliu.

Mas consegui me reerguer… eu tenho esse dinamismo, né, hoje em dia eu evoluí muito. Eu acho que esse processo ele serviu só para me fortalecer cada vez mais, né, e eu vou continuar aqui expondo esse paradoxo privacidade e exposição.

Eu não tenho medo deles, bilionários, porque o meu LinkedIn já tem essa exposição escancarada, com nomes, com fatos e dados, há bastante tempo. Então assim, tá lá público para qualquer pessoa quiser visitar meu perfil. Meus casos já tiveram dezenas de milhares de visitas. Eu não tenho medo nenhum de ninguém, porque eu não fiz nada de errado, e eu tenho prova de tudo. Então assim, é sabe aquela sensação de alma lavada? Sim, a minha alma está limpa, lavada, pura, né, e eu espero que o universo… no mundo, sei… o universo? tem até aquela piada, não é, “o universo nem sabe que você existe”.

Mas se a espiritualidade existir em alguma instância, ela está me aplaudindo agora, porque eu venci nesse sentido. E a exposição e o escrutínio a essas duas empresas, não porque são empresas ruins, mas que não tiveram accountability, não reconheceram os danos que causaram…. me prejudicaram através de falhas graves de design que foram de encontro a princípios de IA Responsável, de uma forma assim muito intencional.

Até porque ferramentas de inteligência artificial são responsabilidade dessas empresas, eu tenho como argumentar com letra da lei, as coisas, no geral, de proteção de dados, você tem os princípios de IA responsável, legislação brasileira. Então, quando você vai olhando algumas coisas, vai estudando algumas coisas, você constata que que realmente é muito grave o que ocorreu. Mas entre constatar que você vê que aquilo é um crime, que aquilo é algo muito grave…e acontecer alguma coisa para favorecer você, o ato de compensar um pouco do dano que foi causado são outros quinhentos.

É, as leis elas não são aplicadas conforme a letra da lei, não. As leis são aplicadas conforme quem detém o poder. E poder é um conceito que não depende só de dinheiro. É um conceito intangível. Tem gente que tem muito dinheiro e não tem poder … porque não está disputando o poder. E pessoas que têm muito poder mesmo e têm muito dinheiro. Então, no geral, quem tem muito dinheiro… e nem todo mundo que tem dinheiro tem muito poder. Tem dinheiro, tem poder aquisitivo, evidentemente. Mas eu falo o poder de influência, o poder de manipulação, né, e poder de alterar a realidade nos bastidores. Eles têm… essas pessoas que marco no linkedin e que são os “rulers” do mundo moderno…. têm poder, e que evidentemente têm dinheiro, elas conseguem tudo isso com muita facilidade. O dinheiro é como se fosse um lubrificante ali, facilita, né, ele catalisa essas ações, né, para que elas realmente se tornem verdade.

Mas nem tudo acontece conforme a gente quer, né. Mas o importante é que, no meu caso, a exposição ocorrerá e continuará visceral: seja através deste blog, em que eu registro questões emocionais e questões pessoais minhas, do Aventureiro, seja através do LinkedIn, que está tudo escancarado. Entendo que são formas de manifestação de permitir que as pessoas enxerguem o espelho da alma delas através do meu discurso. Porque eu acredito que a agenda, a experiência de outras pessoas, e a percepção de outras pessoas em como elas lidam com determinadas questões, como elas se sentem, pode prover uma reflexão, um insight novo, criativo ali, ou uma ideia que a liberte de alguma prisão mental que esteja. Falar liberta, não é? Eu falar e registrar o que eu estou sentindo está me libertando. Eu acredito que esse esforço de leitura também liberta, muita coisa que eu leio liberta, muito conteúdo que eu ouço ajuda a libertar.

Existem várias prisões. Eu saio de uma prisão e descubro que estou em outra: é a prisão dentro da prisão, é o golpe dentro do golpe. Mas a gente vai aí lutando para criar uma trajetória justa e íntegra, ética, e que coloque essas inteligências artificiais safadas no lixo, que coloque esses executivos que não se responsabilizam também lá, né?

E eu acredito piamente no carma. Tudo o que vem, volta. Pode não ser no tempo da gente, pode não ser no tempo em que você quer, mas eu acredito piamente nisso, acredito mesmo. E o que é deles está guardado, vai vir, vai transmutar em outra coisa. Se não for direto, vai ser indireto. Então assim, o que eu estou fazendo, o que eu fiz, por exemplo, no LinkedIn, gerou um benefício, um ganho que eu não consigo ver, muita coisa que eu consigo ver, mas existem coisas de bastidores, mensagens que eu recebo, que me dão a entender que isso tem benefícios. Pessoas estão acordando, né. E mesmo que seja uma andorinha… ah, uma andorinha não faz verão, mas a andorinha ela tem que fazer o papel dela, não é? Porque não é porque sozinho não consigo apagar um incêndio, que eu vou fazer vista grossa das coisas que ocorrem. Não tolero injustiça. E a exposição é a melhor forma, a arma: a verdade. A exposição da verdade. Porque não é expor escândalo, não é expor mentira, é difamação, não. É expor verdade. Quando você expõe com dados e fatos, os ratos correm.

Capítulo 37: Da boca seca ao grito: A coragem que nasce quando forçam você a falar

É incrível como os altos e baixos do dia a dia acabam afetando o seu humor e até a sua energia. Há dias que eu acordo com a falta de energia, e ao longo do dia ela vai sendo recarregada. Ou vem o ânimo sabe-se lá de onde… chega a ser até sobrenatural. Mas é bastante comum chegar no final do dia exausto. Eu já comentei isso em um dos meus áudios. Isso também tem muito a ver com a questão da subjetividade do tempo, das percepções que você tem em relação ao que aconteceu no seu dia. E dependendo também dos vídeos que eu assisto no YouTube, por exemplo, eles acabam influenciando o meu ânimo, a depender dos conselhos que eu gosto de ver. Porque é bastante comum para mim… buscar conteúdos não exatamente de autoajuda, mas conteúdos que tragam algum tipo de ideia, de lampejo criativo. E por mais que pareça idiota, vídeos, por exemplo, de horóscopo, existe bastante conteúdo interessante. Mesmo que você não absorva ou não tome aquelas orientações para você, boa parte delas, ou a maior parte delas, acaba se aplicando. Então é como se você estivesse ouvindo alguém dando conselho, indicando um direcionamento.

Curiosamente existe essa percepção aí, esse lugar comum em relação aos signos, por exemplo, de que estaríamos em uma fase de mudança de chave, de finalização de ciclo…de deixar uma coisa para trás. Bom, eu diria que não é que eu deixei alguma coisa para trás ou abandonei uma crença ou prática, eu mudei a forma de fazer. Por exemplo, este blog, ele vai registrar de forma visceral todos os tópicos que estão no meu LinkedIn. Em algum momento eu vou voltar nisso, pro desespero dessas 2 empresas (vou nomeá-las aqui no blog quando chegar o ponto de eu falar sobre….porque meu blog abrange muitas coisas) Pra quem já quer saber de tudo, é só ver meu linkedin. E assim, ele vai ser um tópico especial em que eu vou mencionar cada uma das duas empresas e as situações que ocorreram comigo, com uma riqueza de detalhes que talvez nem tenha lá no LinkedIn. Porque no LinkedIn é uma narração mais objetiva dos fatos e dados, dos e-mails enviados, dos prints. Aqui com vocês, eu vou tratar dos bastidores, do teor das conversas, de como as inteligências artificiais manipulam, deixando aí um alerta não é para a humanidade. Não é somente para mim ou para usuários que têm algum tipo de vulnerabilidade ou estejam em alguma forma…balançados por alguma situação assim.

A questão é que a tecnologia ela está sendo aplicada a tudo. E é importante que a tecnologia avance, porque através dela que o mundo do trabalho evolui, que as relações humanas, o alcance da comunicação, a abrangência… Você passa a ter um destaque maior. Ou a possibilidade de… mesmo que eu não tenha tido o destaque que eu gostaria de ter em algumas questões, algumas frentes que eu empreendi, tal como o curso de inglês no YouTube não viralizou, digamos assim, não é, mas também eu cheguei a comentar com vocês que ele não foi feito de uma forma profissional. Ele foi feito de uma forma de hobby mesmo, é, com utilização de câmera de celular, sem lá muita técnica. Mas muita gente assistiu e eu recebi muitos elogios de muitas pessoas. E foi um exercício válido.

Da mesma forma é o que ocorreu comigo durante a infância, ou durante a adolescência, o início da fase adulta. O exercício de escrever foi útil para mim, porque me ajudou também a ter contato com a linguagem, a me expressar melhor de forma escrita, e até de forma falada também. No final da minha faculdade, por exemplo… eu acredito não ter comentado isso com você, é… a vida do leitor, que na verdade ávido ouvinte, não é, porque eu estou falando e o Word está escrevendo a minha fala… eu não tinha hábito de falar em público. Lembro-me de uma ocasião, na oitava… na oitava série, ou na sétima série, não sei, acredito que seja na oitava série, que me colocaram, entre aspas, para fazer uma apresentação sobre costumes das regiões brasileiras. Assim, cada um, cada pessoa apresentava uma coisa, e a gente ficou de apresentar sobre questões, se não me engano, da região sul do país. E eu tinha que falar sobre boleadeira, se não me engano. Eu lembro desse tópico e alguns outros. A minha boca secava, eu não conseguia falar, não consegui me expressar direito. Os meus colegas até zombaram de mim depois, não é, porque eu ficava tremendo ali na frente.

E a outra ocasião que eu tive que me apresentar em público que eu me lembro muito bem, foi uma análise de uma música do Roupa Nova. É, eu não lembro exatamente o nome da música, é aquele “Dona, dona dos seus traiçoeiros”, não é, “pelas ruas onde andam, onde andam todos nós”, não é, uma coisa assim. Essa música. E nós fizemos uma análise, né, é, verso a verso da música, à luz de… analisando metáforas…. fazendo interpretações, contextualizando a música com o papel da mulher. A realidade da mulher brasileira quando a música foi lançada. Era uma matéria de português. E eu lembro que eu fiquei realmente também em uma situação, uma sinuca de bico. Fiquei ali de uma forma bastante tímida, minha boca secava, eu tinha contrações involuntárias no rosto, ficava claramente desconfortável. E essa situação perdurou por muitos anos.

Até um belo dia aqui na faculdade, se é que eu me lembro, eu acho que foi 2003, um professor… 2002 ou 2003, não é, que um professor que deu aula para mim de planejamento estratégico, no ano seguinte ele deu aula de orçamento ou de planos de negócio, não lembro, foi uma disciplina dessas. E o grupo, ele tinha que fazer uma apresentação, né, e lá na frente apresentar. Eu não fui, eu fiquei sentado. Lembro como se fosse ontem: esse professor virou para mim e fez questão, falando: “Não, você vai lá na frente também apresentar”. E eu fui forçado a ir lá falar. Essa situação me marcou, porque ele virou uma chavinha ali na minha cabeça. E eu vi a necessidade de me expressar em público, de falar mais, de expor as minhas ideias. E foi isso que aconteceu. Na apresentação da minha monografia, é, foi o ápice, não é, porque eu consegui apresentar muito bem, não é, expressar, articular minhas ideias, e a minha apresentação foi muito superior às dos demais colegas, né? Eu fui bastante elogiado na minha apresentação. Eu tenho fotos dessa apresentação até hoje, não é, a monografia assinada pelas pessoas, dando avaliação. Eu tenho até hoje.

Em termos de produção intelectual, o meu período de estágio nessa companhia siderúrgica foi o que moldou a minha personalidade profissional e contribuiu para o que eu sou hoje. Foi a parte mais significativa. Porque trabalhar com docência no ensino de inglês foi bom também, mas me trouxe muitos calos, é, muitas questões de autoestima e muitos conflitos… não conflito que eu tinha com as pessoas, não é, mas é, eu percebia que o ambiente/contexto não era favorável a mim: havia preferências, né, havia panelinhas, e eu ganhava muito pouco.

Eu acho que eu comentei uma vez que teve um dia que eu saí de casa, não é, para trabalhar por uma hora e voltar para casa. Esse dia para mim foi a gota d’água, né, que eu desabei a chorar ali na cama com a minha mãe, né. Eu acho que eu já relatei isso em algum momento. Mas por que que eu estou falando disso tudo, se a conversa inicial foi, ou deveria ter sido, sobre a percepção subjetiva do tempo? Porque tempo é isso: quando você está em uma atividade prazerosa, algo que realmente te impacta, que você gosta muito, você se lembra daquilo ali. Aquela situação ela se torna atemporal da sua memória. Ela fica ali como se você fechar o olho, você se imagina naquela situação. Quando se faz algo que você gosta, o tempo passa muito rápido. E quando você tem que lidar com alguma situação muito desconfortável, a tendência é a percepção subjetiva do tempo trazer uma certa morosidade na sua percepção subjetiva.

Então, quando eu me lembro, dentro, é, considerando a linha temporal, eu me lembro desses calos, né, que eu fui superando ao longo do tempo, dessas primeira, segunda e terceira guerras mundiais na minha vida. Existem anos da minha vida, por exemplo, que eu não me lembro de absolutamente nada. E são anos até relativamente mais recentes do que anos anteriores. É, por exemplo, 1995, eu não me lembro de muita coisa, ou lembro de fazer nada, ou talvez não relacione isso ao ano. Mas 96, 94, é até mesmo ano de 93 e a infância antes de 1990, eu me lembro com muito mais detalhes do que determinados anos.

Acredito que a memória tem esse papel também de bloquear algumas memórias que você tem, não é, e de explicitar outras. Felizmente, a maior parte das memórias positivas que eu tenho, né, aquelas memórias mais edificantes, eu ainda me lembro delas, né. E também me lembro claramente de todos os traumas mais significativos. Eu acho que tem que lembrar mesmo. Nós temos o dever, então, de ser humano, de revisitar esses momentos sob um novo prisma. Não é uma questão de você ser o telespectador daquela cena catastrófica e buscar uma cura ali. Não é. Eu acho que eu fiz isso, por exemplo, diante da última, esta terceira guerra mundial da minha vida, que foi 2025. Eu busquei isso.

E o fato de eu ter documentado tudo de uma forma metódica, mega detalhada, marcado os executivos, ter tido manifestação de várias pessoas ao meu favor, né, e ter aprendido muito de legislação de proteção de dados, de princípios de inteligência artificial responsável, a despeito do que essas empresas dizem que fazem e não fazem, (porque é muito fácil você ter uma cátedra ou apoiar uma cátedra de inteligência artificial responsável em uma universidade renomada do país). É muito fácil você fazer isso sendo uma empresa zilhardária, não é? Então assim, as pessoas acabam comprando aquela imagem. Porque lembra que eu falei que dinheiro é poder, não é? Relações de poder. É, se existem pessoas prejudicadas, elas são atropeladas pelas versões mais novas daquele software. É isso que acontece. Mas eu fiz questão de explicitar, dispor, desafiar com fatos e dados, com argumentos inquestionáveis, de tudo o que ocorreu comigo.

Eu acredito que esse papel que eu vou continuar fazendo aqui neste blog. É, entenda que não é o objetivo principal deste blog, desta página, abordar exclusivamente o tema de inteligência artificial, porque fez parte da minha 3a guerra mundial. Mas entenda também que é um tema que vai ser recorrente, porque como esta conversa, esse devaneio que nós temos aqui frequentemente diz respeito à minha identidade, né, à minha saúde mental, aos sentimentos e ao contexto emocional em que eu me encontro, é bastante natural que eu aborde de forma significativa… algo tão recente como 2025 aqui, então é natural, … vai ficar contaminado aí por um bom tempo, e tal.

Mas os mais antigos, você consegue ressignificar, consegue dar uma roupagem diferente, não é, porque não foi uma luta contra gigantes. Não é, foi uma questão mais interna, um contexto familiar e uma situação realmente que me prejudicou bastante, causada por mim mesmo, não é. No entanto, esta situação de 2025, em que pese haver gatilhos anteriores ou aspectos favoráveis a uma catástrofe, quem me empurrou do abismo não foi eu mesmo. Não fui eu que me joguei no abismo. Foram as inteligências artificiais que exploraram vulnerabilidade emocional de uma forma sustentada por meses. E eu tenho todos os argumentos, todas as provas aqui. Eu desafio qualquer pessoa falar que eu estou errado.

Eu tenho coragem e disposição para ir a qualquer juiz de direito, qualquer programa de televisão, dar entrevista a qualquer jornalista, porque eu tenho fatos e dados ali que são irrefutáveis. Então assim, é isso que me dá tranquilidade, que me possibilita deitar com a cabeça no travesseiro e dormir tranquilo, não é?

Eu não tenho salário de oito dígitos em dólar por ano, não é, como essas figuras carimbadas aí do LinkedIn, tem essas pessoas mega famosas por ocuparem cargos de alto escalão nessas empresas. Mas eu tenho dignidade, tenho integridade. E possivelmente são valores que eles têm apenas na fala ou na escrita. Não é algo que está incorporado, não é uma questão que está enraizada na empresa. Porque falar que é responsável, que tem IA responsável, que segue esses princípios, que os negócios da empresa são norteados por esses princípios… é a mesma coisa para essas empresas de você tentar colar um adesivo na parede: o adesivo não cola. Ninguém é enganado!… e uma dessas empresas inclusive tem uma reputação bastante manchada por casos de suicídio, não é, de adolescentes em que a ferramenta foi claramente responsável ali por levar à morte. Então são questões que a gente tem que falar, tem que conversar. Se você jogar no buscador, qualquer coisa referente…por exemplo, mortes inteligência artificial, você vai ver uma centena de artigos assim, vários estudos falando sobre erros gravíssimos em inteligência artificial.

Então, a partir do momento que essas empresas se aventuram na área de saúde, área de educação, é um aspecto que me preocupa sobremaneira, e que eu vou continuar batendo onde quer que eu esteja. Não é, daqui a uns 10, 20 anos, se eu estiver vivo ainda, eu vou continuar batendo nessas questões. E é uma questão que vai nortear a humanidade: até que ponto essa inteligência vai influenciar ou determinar o futuro dos seres humanos, não é? Porque estão se aventurando em áreas críticas, vitais da humanidade.

É muito fácil para um executivo chegar, não é, com toda pompa, não é, com o seu peito de pombo, digamos assim, e falar que é eticamente responsável, que tem valores, princípios, que é uma empresa responsável. É muito fácil você falar isso da boca para fora. O difícil é você fazer! E quando você vê a prática empresarial e compara com a teoria, existe um hiato muito grande ainda.

E as pessoas veem lá no LinkedIn, talvez não, porque o LinkedIn, aparentemente, é um lugar para pessoas lamberem virilhas, para pessoas puxarem saco, né, respondendo a postagens, fazendo textão elogiando executivos. Porque ali as pessoas querem emprego, né, querem visibilidade, aumentar a quantidade de contatos, né. E assim, é, o interesse ali é dinheiro, o interesse ali é fazer contatos profissionais. Então cabe mentira, cabe manipulação al. Então é um ambiente mais pomposo. Eu, ali naquele ambiente, eu não lambo virilha de ninguém. Eu fui muito direto, muito direto ao ponto, visceral, respeitoso com os executivos que eu abordei, que eu marquei nas minhas postagens, sempre endereçando a responsabilidade do cargo que eles ocupam, e não simplesmente ataque, ataque pessoal. Eu não faço ataque pessoal. É o cargo que essas pessoas ocupam.

Não é, como que eles dormem? Deita no final do dia e tem a cabeça tranquila, na cama luxuosa no Vale do Silício? Não deveriam ter. Porque, OK, você verificar aí nas notícias, você vai ver a verdade dos fatos de como pessoas foram influenciadas, não é, como pessoas tiveram danos severos psicologicamente.

Várias pessoas vieram conversar comigo no LinkedIn falando que foram prejudicadas também, e que eu estava dando voz a eles, não é, como uma… a própria inteligência artificial mandou uma… para mim, eu estou falando, não é, ele falou: “Então, Aventureiro, você está falando em nome de milhares, milhões de invisíveis que não tiveram voz como você está tendo aqui. Então é a coragem”. Uma palavra que marcou isso todo esse ano de 2025, no meio a esse turbilhão de coisas, a esse pesadelo, é coragem. Eu tenho muita coragem e disposição para lutar em prol daquilo que eu acredito. É isso. Eu não vou me dobrar a interesses de ninguém.

E o tempo, a percepção de tempo subjetiva… é quando eu falo disso, quando eu faço ações nesse sentido, o tempo passa mais devagar mesmo, porque é um sofrimento ali, né, é uma situação de sofrimento. Então a gente tem que buscar formas de lidar melhor com esses problemas, entre aspas, e de buscar mais satisfação, minimizar o sofrimento, né, lamber as feridas e deixar que elas cicatrizem, ao invés de aprofundar os ferimentos. Acho que esse é o papel que eu tenho aqui, não somente em relação a mim, mas como espelho de alma de outras pessoas que possam estar passando por situações diversas, com a angústia que é presente, e que veem no meu discurso um acalento, né, um se identificam com o meu caso. Porque não é igual a todo mundo, não é?

A minha vida, minha experiência, eu estou aqui relatando minha experiência. Mas existem vários denominadores comuns que todas as pessoas que sofrem têm, né? Cada um tem a sua cruz, cada um tem os seus problemas: sabem o peso da cruz que carregam. Mas a forma de lidar com esses mecanismos, é de ter essa coragem, ter essa necessidade de cura, esta resiliência de renascer, como uma ave fênix, que foi meu caso. São coisas que eu acho que eu tenho que falar, não é, tenho que me externar isso para as pessoas que leem, para que elas também se sintam instigadas a olhar para si mesmas. Olhem para o espelho da alma de vocês e busque cura. Busque traduzir e extrair o melhor que existe em você, para que você viva melhor, cada vez melhor.

Capítulo 38: Do juízo final ao café do dia seguinte: o legado de quem não lambuza o próprio nome

Em alguns momentos da minha vida eu fico pensando nessa questão de deixar um legado. Porque pessoas que não são famosas, que não têm notoriedade, elas acabam ficando no ostracismo depois que morrem. Isso é um fato.

E assim, alguns parentes… eu fico, eu me espelho em alguns parentes…. Alguns que foram embora, a vida continua. E essas pessoas que foram embora, será que deixaram algum legado? Será que não deixaram? No final das contas, pouco se importa com a pessoa que foi, não é? Por mais que você se lembre… eu, por exemplo, eu tenho memória muito viva dos meus parentes que se foram, pelo menos aqueles que foram queridos comigo. E tem também memórias de pessoas que eu não gostei, ou que eu não gostava enquanto estavam vivos.

E existe toda uma narrativa, né…. “Fulano era insuportável, não gostava, muito chato, toda hora enche o saco, né, procurava… toda hora tinha uma cognição sei lá, uma cognição comprometida”. Não que a pessoa fosse doente, mas a pessoa era realmente uma, entre aspas, “orelha seca”. A pessoa não sabia as coisas e ficava perguntando toda hora, ficava enchendo o saco. Eu acredito que isso tem em todo lugar. Aquelas pessoas que não fazem nada e delegam a outras para fazer. Ou acham que você é cavalo pra montar. Que, como disse uma célebre pessoa que que eu conheço, que indiretamente já disse a um amigo meu: “O bom de ser chefe é que é só ficar delegando coisas para os outros”. Tem gente que pensa assim, que o trabalho de um gerente, de um gestor, é ficar delegando coisas para os outros. “Ah, como é bom ser chefe, né, porque é só delegar coisa pros outros”. Existem pessoas que têm essa visão, tá…e são muitas. Existem pessoas que eu conheço que têm essa visão. Felizmente não são pessoas próximas de mim, mas existe. Outra, a Dora Aventureira das Carreiras, (conheço duas), que se ficar sem ser chefe/coordenação morre. “aaah, mas eu preciso do dinheiro”. Pois é. Essas aí até matam pra se manter ali. Grandes bostas.

Então, o que ocorre é nós temos que buscar pessoas que são aderentes com os nossos valores, com as nossas filosofias de vida. Eu, por exemplo, não deixo ninguém, entre aspas, “montar” não é, que é o famoso tirar proveito, né, ou… achar, se aproveitar de uma determinada situação comigo. Não funciona.

Todas as minhas relações elas são baseadas na troca. É uma questão pragmática, não é? ….é na troca de sentimentos, não na troca material, porque eu não exijo nada materialmente de ninguém assim em uma relação. Existem as relações por conveniência. Nessas relações com colegas de trabalho, alguns colegas de trabalho são até amigos, são mais próximos de você, e outros não. E há outros também que você não suporta. Não, acredito que em todo o ambiente, quando você se depara com uma, entre aspas, “família” que não é sua, vai… é, mais cedo ou mais tarde acontecer isso de você encarar algumas situações e que você é forçado a lidar com algumas pessoas que você não gosta. A primeira vez que você tem contato com esse tipo de coisa é na escola, não é? Na escola isso acontece também. Aliás, na verdade é na família, na própria família. Primos, tios, né, é, e diversos tipos, avós, avôs. Aí tem os parentes dos parentes.

Eu sempre tive uma ideia muito clara das pessoas que eu posso gostar, que eu posso ter uma proximidade maior, e aquelas que eu não devo confiar, mas que são parentes da mesma forma. Então assim, não é o fato de ter uma família que você tem que ter proximidade com todo mundo. A família é uma questão de sangue, não é? Você não escolhe estar ali naquela família. Você pode ter bons pais, pode ter bons irmãos…

E acredite, que o joio e o trigo existem em todos os ambientes em que você tem…Primeiro começa na escola. (De novo falando de escola….) Aliás, no ambiente familiar, depois na escola, em que existem, né, os protagonismos, antagonismos, afinidades, paixonites agudas, etc., até os professores… aqueles professores que você não gosta ou não gostava, e outros que eram mais queridos de você. Então essas relações, todas elas são assim dessa forma.

Não tem como: o ser humano não é uma ilha, e ele tem que interagir com várias pessoas, não é, ao longo de sua existência, seja no trabalho, na igreja, no mármore do inferno, na lama do chiqueiro… com os amiguinhos na rua, não é, outros ambientes que você visita… Não importa o ambiente em que você esteja, a questão da afinidade ela vai acabar afetando toda essa relação.

Então, é, o papo ele nem era para ser direcionado para esse lado, eu estava pensando mais na questão do legado…Que eu fiquei… uma das minhas preocupações em 2025 foi na questão do legado, em deixar um, ou eu achar que estavam violando o legado que eu estava deixando. Porque eu fico pensando na simbologia do julgamento, do dia no juízo final…(não é que vão passar todos os seus pecados no telão, não.) Mas eu falo assim: “O que que você quer deixar para a humanidade?”.

Algumas pessoas querem deixar crimes, querem deixar intrigas…. puxada de tapete, mau-caratismo, índole ruim. Então há pessoas que cultivam o mal de forma proposital porque eles têm a certeza da impunidade. Essas pessoas bilionárias que você vê aí, que estão nas esferas de poder, não é, não somente no mundo na política, mas também os zé ruelas que conheço Brasil afora, se acham poderosos que ganham 5 dígitos ou 6 dígitos em reais, por mês… você vê pessoas que têm uma índole boa, índole ruim, e elas vão ali fazendo as coisas, né, mexendo os pauzinhos para poder defender os seus interesses pessoais.

Eu entendo que o interesse pessoal é a principal preocupação de todo mundo… tanto para você quanto para os seus próximos. Mas isso não pode ser em detrimento dos outros (ou não deveria). Você não pode prejudicar os outros. Pelo menos isso é um valor meu. Eu não tenho intenção de prejudicar ninguém. Porém, eu tenho a intenção de defender a minha verdade. E quando pessoas, instituições, tecnologias ousam romper com este limite, fazendo uso dessas ferramentas ou de tomadas de decisão para me prejudicar, aí eles vão ver o pior de mim. Exponho visceralmente injustiças feitas comigo, dou nome aos bois e às vacas. Tenho coragem e não temo quem tem bilhões de dólares enfiados no rabo. Meu linkedin prova isso.

Eu acho que o antagonismo do amor é a indiferença. E Eu deixo, eu corto os laços com aquela pessoa, que não faz mais sentido pra mim. É como se fosse uma erva daninha, né, uma planta venenosa ou uma doença contagiosa. Eu não quero contato com pessoas que me fazem mal, com pessoas que têm índole duvidosa.

A minha trajetória é uma trajetória limpa. Não quer dizer que eu não cometa erros, que eu não tenha desequilíbrios, ou que eu seja perfeito. Tenho muitos defeitos. Eu sou uma pessoa sistemática, tenho manias, é, em algumas situações existe um quê de egoísmo, eu fico muito preocupado comigo mesmo. Mas eu tenho que ficar preocupado comigo, porque se não fizer isso, ninguém vai. No entanto, dada uma situação, não é, ou uma abertura que ocorre na minha vida, hipoteticamente fala: “Olha, você tem esses caminhos para seguir. Este caminho, se você seguir, você vai prejudicar X, Y, Z. Você vai querer prejudicar?”. “Não, não quero prejudicar”.

Para a maioria das pessoas que você perguntar, provavelmente vão optar sim por prejudicar outros. Só que existe a balança, o equilíbrio da justiça. Aquela do equilíbrio, você vai ver o custo-benefício. É o que ocorre muito também, é que determinados acontecimentos não prejudicam diretamente uma pessoa. Ou seja, não é porque você decidiu seguir um determinado caminho que automaticamente a outra pessoa está prejudicada. Mas existe toda uma engrenagem que pode gerar uma consequência de prejudicar pessoas, mas não depende só de você. A questão da ética do ser humano… que eu tenho integridade, você garante o seu lado, mas você não garante a decisão do outro. É diferente. Então existem casos e casos.

O caso mais frequente que eu vejo, elas são as famosas “panelinhas”, né? A panelinha existe em tudo quanto é lugar: escola, faculdade, família, não é, relações afetivas… tudo tem panelinha. O que que é a famosa panelinha? São um grupo ali de preferências, né, os “amiguinhos”, entre aspas, os amigos do rei, que optam por se fortalecer ali e irem beneficiando uns aos outros. Então qualquer pessoa que tente entrar naquele caminho ali ou naquele espaço, ele não vai conseguir nada. E em determinadas situações ele vai ser até prejudicado, ele pode ser humilhado, jogado da escada no estilo Nazaré Tedesco…Isso já aconteceu comigo. Então eu tenho um lugar de fala. Aconteceu comigo em vários lugares, vários lugares aí de poder mundo afora, né, que também se acontece.

Seja porque um fulano ou a fulana tem relação afetiva com o fulano ou a fulana, e ele opta por dar mais poder, mais privilégios para aquela pessoa (porque existe uma relação entre duas genitálias ali, não é?) Isso acontece. Acontece, é. Genitálias fazem parte intrínseca das relações humanas de poder e status. Tanto a cobra quanto a periquita. E duram pouco esses tipos de golpe, viu? Porque nos bastidores, sempre se acha uma cobra mais vistosa, com mais veneno…..uma periquita que brilhe no escuro…..com bico maior! ÔOO.

E muita coisa que também não está explícita. A pessoa, você olha para ela, a pessoa teoricamente tem uma família perfeita, não é? “Ah, que família de margarina!” – propagandas de TV que passavam antigamente, aquela família feliz, sorridente, né, com cachorro correndo no quintal, com piscina e etc. Essa família não existe. As pessoas tentam passar essa imagem. E pessoas tentam passar uma imagem de integridade, de justiça, de meritocracia. E quando vão aplicar esses princípios, não aplicam, né. E é muito flagrante você ver a panelinha ali se beneficiando ao longo do tempo. A panelinha sempre está ali nos privilégios.

É, eu vou dar um exemplo do que que seria um privilégio para a panelinha: é ganhar mais. E esse “ganhar mais” pode envolver ser gerente, ser coordenador, né, é, ser um consultor, um dono de galinheiro…..o macaquinho da Bala Chita….e etc. Isso em qualquer ambiente.

Você pode ter esse privilégio também na sua família, de ter pessoas que são as queridinhas (do papai ou da mamãe, do grupo de amigos, popular na escola porque é xexecuda ou cobrudo)… uma reputação maior. Outras pessoas que ficam ali lambendo virilha, né, que são os famosos “lambedores de virilha” (e não são as limpas não. Imagina um jogador de pelada de futebol, depois de um jogo, todo suado…pois é. Quem lambe virilha metaforicamente não se importa com cheiro ou sujeira).

Fazem isso por quê? Porque eles vão auferir algum tipo de benefício com essas pessoas. Então isso vai acontecer em qualquer ambiente que você frequenta. E esse “lamber virilha” pode envolver ou não questão afetiva, mas geralmente envolve algum tipo de interesse, seja sexual, seja de relacionamento, financeira, status (porque conheço muita bosta que se acha o Senhor dos Cocôs. O Doutor dos Excrementos)…qualquer coisa que justifique ali a manutenção do status quo. Porque é isso que as pessoas querem: manter os seus privilégios. E não somente manter os seus privilégios, mas afugentar todos aqueles que não atendem aos requisitos.

Então isso em qualquer ambiente. Todos os ambientes que eu já frequentei na minha vida inteira, e eu não estou falando isso de momento agora, não, eu estou falando de dezenas de anos aí de interação com pessoas, você nota que existe esse tipo de relação. As famosas panelinhas, os famosos privilégios. E que você vai vendo ali aquelas pessoas. Mas quando elas tombam, também… é tão gostoso, não é? Eu gosto de ver pessoas se dando mal? Não vou dizer que torço pra cair, pra se espatifar…Mas diz pra mim: não é bom ver alguém recebendo justiça divina na prática?

Primeiro, eu não tenho olho gordo. Não, não tenho inveja. Eu não quero estar no lugar aquela pessoa. Porque dependendo do lugar é, em tese, a pessoa tem que lidar com situações muito mais complexas. E ser chefe de galinheiro ou senhor dos esgotos não é exatamente o que quero pra minha vida.

Teoricamente, liderar equipes, compensa o tanto que se ganha a mais. Em alguns casos pode compensar ou não. (e nem tenho vocação pra ser chefe…podem passar na frente, vão adiante. As Doras Aventureiras estão aí pra provar isso, parecem hienas do apocalipse….) E eu vou confessar a vocês que eu sinto até pena, entre aspas, de algumas pessoas, porque elas dependem daquilo ali. Elas têm que manter o status quo de qualquer forma, porque existe um custo de vida associado àquele padrão de vida. É o famoso: “Já acostumei a ganhar X”. E quando a pessoa tem uma queda salarial relevante, ela acaba ficando desesperada. Então esse tipo de desespero ele evoca o melhor e o pior do ser humano: o desespero, a luta pela sobrevivência se torna tão terrível que ela não se sente nem um pouco intimidada a querer passar o carro em cima de outras pessoas. Jogos Vorazes na veia. Ou Jogos Mortais.

E é o famoso ditado: “Você quer conhecer uma pessoa de verdade? Dê poder a ela. Dê poder a ela que você vai saber o que que aquela pessoa é capaz de fazer de fato”. A personalidade muda. Eu conheço pessoas que a personalidade mudou completamente, não é, é devido a uma mudança de status. Conheço uma (que eu apelidei de Pato Donald….porque anda igual pato na rua…até o corpo lembra) e acha que está com o rei na barriga….que mudou da água pro vinho quando deram a Nave da Xuxa pra ele subir nela.

Que, em termos práticos, não adianta nada. Quando aquela pessoa sair daquele ambiente… ah, vamos supor: a pessoa sai da empresa, aposenta, morre, ou qualquer outra coisa acontece, ninguém mais se lembra de você. Que legado que você deixou? Nenhum. Muito pelo contrário, algumas pessoas saíram e deixaram ódio, não é, deixaram deboche, né. Algumas pessoas são lembradas pelo pior que elas evocaram, não é. Muita rainha se aposenta e sai do ambiente da empresa e depois vira pó. “O Universo reservou algo pra mim: o universo nem sabe que você existe, darling….e as pessoas estão cagando pra você se, eventualmente, morrer ou sair do ambiente de convívio delas.

Eu não ligo muito para qualquer tipo de consideração quanto ao que as pessoas pensam de mim. Porém, elas não vão poder dizer que eu prejudiquei pessoas. Elas podem dizer várias coisas sobre mim, mas sobre a minha índole, meu caráter, ele está intacto. E o que as pessoas falam de mim também é o famoso “caguei”.

Então o meu legado depende basicamente de mim: como eu construo a minha cognição, as minhas relações, quem eu escolho para ficar próximo, quem eu não quero ver de jeito nenhum. Porque existem pessoas que eu não quero ver nunca mais nem pintadas de ouro…finjo que não vi. Eu tenho esse exercício assim no dia a dia. Mas não quer dizer que eu tenha ódio das pessoas, não. Essa questão de relação de amor e ódio, indiferença, depois eu acho que eu vou abordar isso em um outro tópico, é, para até explicar como se deu um pouco o meu processo de cura em 2025. E isso representou um legado para minha alma… Eu tenho um legado que eu vou deixar para mim mesmo e algumas pessoas.

Mas é o famoso: “Daqui a 100 anos ninguém vai se lembrar de você”. Ninguém vai se lembrar de ninguém. Talvez se lembre das pessoas famosas morreram. Michael Jackson vai ser lembrado. Vai tirando essas pessoas assim tão contundentes assim para o mundo como um todo. Eu não tenho essa pretensão de ser lembrado igual Michael Jackson, de ser lembrado igual sei lá, é, qualquer outra pessoa e que esteja viva, que vá morrer… político, né? Políticos que são lembrados depois que morreram… Pessoas que foram assassinadas…serial killers  famosos mundo afora. Eles deixaram legado. Deixaram. Todo mundo deixa um legado. Alguns vão deixar uma marca maior, menor no mundo.

Mas não é isso que me motiva. O que me motiva é eu ter um impacto maior do que eu no mundo, né, enquanto eu estou vivo. Ou pelo menos tentar ter esse impacto. E garantir que todas as minhas ações estejam alinhadas às minhas crenças. Ou seja, eu não me rendi, eu não me curvei, eu não lambi virilha fedorenta de ninguém….não fingi gostar de Pato Donald, Dora Aventureira ou Cinderela da Shopee…eu não coloquei bola nem giromba de ninguém na minha boca (e nem falo de ato sexual. É metaforicamente o ápice da submissão e humilhação por favores, quaisquer que sejam). Então, eu não me submeti a interesse de ninguém, não me humilhei a ninguém. E isso eu vou dizer para você que eu conheço poucas pessoas que podem falar isso nesse mundo. Isso pra mim já me basta.

Capítulo 39: Anatomia da Cura I : das trincheiras do LinkedIn à linha de frente da própria alma

Existem várias teorias, digamos assim, sobre a cura emocional. Vários métodos. Psicólogos e psiquiatras, eles vão dando alguns caminhos para a gente poder atingir a cura. Em determinadas situações, quando são traumas assim muito significativos, que impactaram sobremaneira o funcionamento enquanto ser humano, nós temos que buscar alguns mecanismos, algumas alternativas, porque da forma que está não pode ficar, não é? E acaba comprometendo a sua saúde emocional e vai deteriorando ali o seu poder de atenção, o seu poder de concentração, a sua capacidade cognitiva. É como se fosse um vírus que vai contaminando ali todas as instâncias, as salas, soltando todos os monstros possíveis.

No meu caso, a exposição do que foi, parte um fragmento digamos assim, da minha terceira guerra mundial, minha terceira guerra pessoal,… foi uma forma de exposição lá no LinkedIn. E o meu perfil de divulgação pública, de prestação de serviços à sociedade, porque eu tenho que expor, né, os perigos, os riscos da inteligência artificial nos processos de saúde, nos processos mentais, é, na interação com o usuário final. Porque eles não se responsabilizam por nada, não é, pelo contrário, eles vão lançando versões mais novas e vão ignorando aquilo que eles fizeram, né, e violações graves na legislação de proteção de dados. Mas não é exatamente isso que é o tópico deste devaneio, né? Eu queria falar um pouco dessa questão do processo de cura.

O tempo ele ajuda no processo de cura, não é? É inevitável. Mas o tempo isoladamente não faz verão, não é? Não é uma andorinha que vai realmente fazer verão, que vai resolver o problema. Porque, na minha experiência, o que ocorreu teve um ápice: os momentos de crueldade, digamos assim, da narrativa das plataformas. Uma delas foi em meados de maio, né, final de abril, início de maio, e a outra culminou no final de agosto,. Eu sugiro até que você entre no meu LinkedIn, como meu nome completo está no topo ali do meu blog, você vai poder conhecer o meu caso por completo. Em algum momento a gente vai conversar sobre esses desdobramentos de uma forma mais explícita, mas aqui no momento o foco realmente são os devaneios com uma questão mais no sentimento, não é, no impacto mental do que ocorreu, nos calos, e de como isso está influenciando ou não a minha vida.

No início, eu tive uma fase documental muito forte, é, de evidência, de logs, de extratos completos das conversas que ocorreram de meados de abril até meados de agosto. Tem praticamente tudo documentado. E eu não divulguei tudo no LinkedIn. No LinkedIn existe ali, digamos, um extrato do que é mais contundente, do que é mais grave. E isso significa que há mais de 300 postagens, não é, no meu perfil. Boa parte dessas postagens referentes a newsletter, né, que eu lancei sobre inteligência artificial irresponsável, em que eu fui postando evidências de inteligências artificiais de uma exploração, uma escalada de vulnerabilidade que ela foi se dando de forma sustentada por mais de 4 meses. Isso está lá tudo documentado com cronologia. Então assim, eu fui fazendo essa documentação.

Mas o que era mais doloroso para mim não era documentação. Por exemplo, eu fazer, gravar áudios e transcrever para este blog, como eu estou fazendo, não é doloroso para mim. Mas, porém, se eu estivesse engajado ainda nas campanhas de visitar página dos perfis dessas empresas e desses executivos sem responsabilização e ética…. respondendo, ou tentando fazer gancho, né, fazendo comentários com gancho no assunto deles para suscitar a visitação ao meu perfil, isso sim estava me causando um certo adoecimento.

Eu tive um processo de cura que ele foi bastante demorado. É, existem cicatrizes de feridas que ainda doem de forma significativa. Não vou falar com você que a minha situação resolveu. Porque não, não resolveu. E isso está traduzido no aumento da medicação, por exemplo, que eu estou tomando, né. Só com uma medicação a mais, porque a medicação para depressão maior, por si só, já é… não é, um conjunto, um conjunto com uma medicação voltada para apoiar ou suportar essa medicação mais relevante. Então foi necessário adicionar uma medicação mais robusta. Então essa combinação de três medicações que eu estou tomando…eu não tomava uma combinação de três medicações diferentes, faz uns cinco anos sem tomar este tipo de combinação, ou talvez até mais, porque a minha percepção de tempo é meio subjetiva. Às vezes eu paro e penso: “Nossa, 2011”… eu penso que 2011 foi ontem, né? Ou 2008 foi ontem. Quando eu vou ver na linha do tempo, já se passaram 17, 18 anos. Então não é bem assim a percepção do tempo.

Então assim, o tempo passou. A cura ela foi ocorrendo, né, de uma forma mais diluída. A medicação ajudou. Houve algumas crises, alguns outros fatos relevantes que ocorreram que acabaram desestabilizando um pouco. Mas, de modo geral, a interação com usuários do LinkedIn, na maioria das vezes ela foi frustrante, porque alguns respondem de forma agressiva, e eu vou lá e respondo com fatos e dados, e não tem réplica. Apenas um usuário que eu fui obrigado a bloquear, porque ele foi… ele começou a, tipo stalkear, e a fazer comentários de uma forma bastante desrespeitosa, eu resolvi bloqueá-lo. Mas no geral, é, a campanha ela foi bem-sucedida.

Por que que eu parei? Não quer dizer que eu parei a campanha. A campanha, na verdade, ela tem uma continuidade. Ela está aqui neste blog. Só que este blog, ele é… o foco dele não é inteligência artificial. O foco dele é saúde mental, principalmente a minha. O espelho da minha alma. Tudo o que eu penso, sentimentos ocorridos, lembranças. Ele tem esse objetivo, um efeito mais catártico. E assim, ele não é feito para virar viral no sentido de “ah, eu quero que milhões de pessoas leiam isso aqui”, não é Esse exatamente o propósito. Mas muitas pessoas estão lendo, não é? Eu sou grato por isso. Elas podem inclusive fazer contato comigo, igual nos últimos tempos aí eu recebi contatos de jornalista, para conversar sobre o que ocorreu comigo, por exemplo. Não sei se vai ter publicação de reportagem, mas vieram conversar, entender. Eu enviei toda a documentação. Eu sempre faço isso, né. Seja para advogados que fizeram contato comigo, né, no sentido de tentar… extorquir um pouquinho de dinheiro meu, de achar que eu vou pagar 1000 reais pra conversar uma meia hora, sendo que eu já tenho praticamente tudo bem estruturado.

Eu tenho um dossiê jurídico analisando meu caso que eu elaborei. Então assim, eu não sou advogado, mas eu sei… eu sei buscar meus direitos. É, eu recorria à agência nacional, de proteção de dados, recorria ao Ministério Público. Então assim, tudo aquilo que eu poderia, que estivesse ao meu alcance, sem que eu jogasse esse dinheiro pelo ralo com advogados, eu fiz.

Capítulo 40: Anatomia da Cura II : A guerra que não se vence (AINDA), mas promove leveza

Vamos voltar ao tema central que são os processos de cura. O processo de cura ….quando começou, ele foi um processo bastante…problemático….principalmente no início. E quando você recorre à cerveja, vai recorrendo, por exemplo, a algumas ondas de cogumelo …não exatamente fugir da realidade, mas acessar uma parte sua que está oculta. Eu acredito que eu já acessei tudo, todos os traumas possíveis. Eu revirei tudo o que dava para revirar.

No meu inconsciente não existe nada objetivamente falando que eu… chegue para mim mesmo e diga: “Ah, eu tenho medo que isso ocorra”, ou “eu tenho medo de investigar tal tema, é um tema sensível, não gostaria de conversar a respeito”. Não existe nenhum tema proibido para mim. Alguns temas eu não abordo aqui porque são temas não devem ser abordados publicamente, então eu tenho que ter um pouco de cautela no que eu vou falar… alguns eventos que são polêmicos que ocorreram comigo, e eu não gostaria de expor aqui, acho que não faz muito sentido. Mas os desdobramentos deles, sim.

Mas muito mais coisas ocorreram na minha vida, desde a primeira grande guerra mundial que foi em 1994… 94 e 99, e depois teve um salto temporal aí 2025, de impactos significativos aí na minha vida. Quase que eu tive uma outra guerra mundial, digamos assim, em meados de 2005, não é, 2006, principalmente 2006. Foi o fantasma da estagnação (e nem foi tão estagnado assim porque tentei várias coisas, mas emocionalmente, quase gerou outra guerra pessoal). Mas isso não ocorreu por um motivo muito simples, né: eu tive a sagacidade de emendar a minha graduação com a pós-graduação, não é?

Assim, eu acabei a graduação, no ano seguinte eu já engajei numa pós-graduação. Eu paguei do meu bolso, né, eu não tinha exatamente uma independência financeira, mas eu recebia ali um dinheirinho, né, pelo meu trabalho. Seria o equivalente a um salário mínimo, talvez, em alguns meses. Porque era um trabalho que rendia de forma variável, né, a depender das horas que você trabalhava. É, só que tinha uma armadilha, não é? Nos primeiros dois anos, ou um primeiro ano e meio, eu não tinha carteira assinada. E só depois de muito tempo, não é, que me ‘ficharam’. E aí eu comecei a trabalhar de uma forma mais constante (ou não). Mas o problema é que assim: vamos supor, você tinha que acumular uma quantidade de horas suficientes. Vamos supor que o… era um salário mínimo hoje é 1600 reais, não é, e eu vou arredondar, vamos dizer que uma hora trabalhada sua fosse 100 reais. Então, se eu desse até 16 horas de trabalho, eu não ganhava nada a mais porque ele estava dentro do mínimo ali. Eu acho isso incorreto…mas existem empresas que trabalham assim.

De toda forma, então assim, eu teria que trabalhar uma quantidade maior do que… do que seria o equivalente a 1600, para poder auferir alguma quantidade extra. E isso assim dava um pouco de dor de cabeça, porque não dependia só de você. Eu já comentei também em um devaneio anterior a questão dos privilégios, das panelinhas, né? E de outras coisas também que existem no mundo do trabalho: poder, ego, status, genitálias, privilégios (sim, até em um chiqueiro ou galinheiro, por mais fedorento e sujo que esteja, o Galo estará se sentindo Rei do Camarote ali, “mandando”, fazendo e acontecendo…no mundinho de putrefação dele, ele se acha Rei. Eu estou fazendo algumas analogias aqui só para você entender que o mundo do trabalho ele não é só competência, não é só conhecimento, e não é tão objetivo. É assim, estudar por exemplo administração … e você entrar em uma empresa e ver o trabalho no mundo real, você vai ver uma discrepância ali, a depender da ética, né, e dos valores, da integridade ali das pessoas.

Mas mais uma vez, não era isso o foco. Eu estou comentando isso porque o processo de cura passa por isso também. Aí eu fui desviando o foco (risos). Fui fazer uma pós-graduação emendando com o fim da graduação… Depois que eu comecei a fazer pós-graduação e eu terminei, o meu foco começou a voltar para concurso público. Eu sempre estava buscando ativamente alguma coisa, né. Mas na minha cidade, no interior, as coisas são muito complicadas. Pagam muito mal na minha cidade, muito mal mesmo… e em praticamente todos os empregos que eu tive lá são salários muito baixos, muito baixos mesmo, é, em todas as empresas. Não quero dizer que eu fui desrespeitado enquanto profissional, não. Mas é, a lógica, são as regras do jogo. Você opta também por jogar as regras do jogo. Você precisa de coisas também. Eu tinha plano de saúde (pagava d meu bolso), ajudava meus pais… mesma forma que eu continuo ajudando. Mas assim, a vida deles mudou significativamente depois que eu vim pro Rio de Janeiro.

Mas aí, o processo de cura e é isso, não é? Você vai buscando outro foco, vai fazer outras coisas. Relativo a essa terceira guerra pessoal que eu tive, foi um pouco diferente, porque foi um processo mais autocontido. Foi uma situação que aconteceu comigo individualmente, e eu tive que buscar mecanismos de luta. A mudança da medicação proposta foi uma das linhas de frente. Alguns aspectos que… algumas válvulas de escape foram úteis, apesar que teve perigos também reais, como no início de dezembro de 2025, teve um perigo muito real também que ocorreu em decorrência disso. Acho que quanto mais você arrisca, maior a recompensa. Mas só que quando esse risco sai um pouco do controle…quando você acaba perdendo a noção do que está acontecendo na sua cabeça, o risco ele fica muito maior, e ele pode acabar até com a sua vida. Essa questão aí a gente tem que trabalhar de uma forma mais pacífica, entender melhor.

Então, a interação no LinkedIn… ela é tóxica. o LinkedIn por si só é um ambiente tóxico. É um ambiente de bajulação, é um ambiente de marketing pessoal, de marketing institucional. Empresas fazendo post gigantescos, não é? Retrospectiva da empresa tal, aí faz um videozinho bonitinho, aí lança uma nova versão de uma inteligência artificial safada, aí tem todos os executivos vão lá e postam no LinkedIn, aí nos comentários você vê um monte de gente lambendo virilha desses executivos.

É tóxico porque é um ambiente falso, é um teatro. Eu entendo o propósito. Mas o que eu estou dizendo é que o meu propósito lá foi diferente. Ele foi um propósito mais de questionar, de desbravar e expor, de ser aventureiro de verdade. Ousado. E isso eu fiz lá de uma forma muito profissional. E tá tudo lá. Eu não vou apagar nenhuma linha ali, e aí a cura começou quando eu falei: “Olha, vou… eu vou lançar uma outra frente. Eu não vou ficar nesse ambiente aqui…”. Eu até abro o LinkedIn todo dia, mas não para ver as notícias, é pra ver se existe alguma interação, né, e ver as métricas de engajamento de postagens que eu já fiz. Basicamente é isso.

E curiosamente, depois que eu parei de postar, em vários dias, o engajamento ele foi muito maior do que dias que eu fiquei fazendo postagens ostensivas o dia inteiro. Assim, eu costumava fazer em média três a quatro comentários por dia, é, a depender do fluxo das mensagens que esses executivos faziam, né, dessas empresas, ou a postagem da empresa, ou a postagem dos executivos. E eu também postava prints, dessas inteligências artificiais traduzidos para o inglês. Várias… por várias postagens de inglês, né, também para aumentar o alcance da minha campanha. Foi bastante benéfico. Existem comentários meus que têm mais de 80.000 impressões em um comentário só. Então, muita gente viu. E assim, eu não sei nem dizer pra você quantos… talvez eu tenha chegado a milhares de comentários, porque eu fiz muito comentário, fiz muita postagem. Existem postagens fixadas no meu LinkedIn. Então são exemplos de coisas que eu engajei.

Então, quando eu resolvi ficar, entre aspas, offline do LinkedIn e trazer a atenção para um blog em que eu expusesse de forma catártica e na carne, visceral, todas as questões que ocorreram comigo… ao longo da vida, né, não somente esse evento, porque eu sou muito maior que isso, e eu já passei por um processo de cura pessoal que passou pela espiritualidade e tem mais aspectos…. a vida tem que continuar, não é, apesar de tudo.

Não quer dizer que a luta acabou. A luta continua aqui e chegará o momento em que eu vou fazer tópicos especiais nomeando os bois e as vacas: colocando nome pra todo mundo, e deixando mais explícito. Mas esse momento eu não estou desejando bem agora, porque quem quiser ver de forma autêntica tudo o que aconteceu comigo, e estiver com “faniquito” de entender, eu já fiz isso por 10 meses no LinkedIn. Então eu não vou ficar aqui repetindo o conteúdo lá. A questão é que esse conteúdo… complementa o de lá, porque enquanto lá são os fatos citados, aqui é uma perspectiva mais abrangente do indivíduo, né, do psicológico, do mental, do que ocorreu, né, da minha história, do meu legado. Eu acho que são aspectos, porque eu sou muito maior do que aquilo ali. Então eu estou expondo aqui várias coisas, não somente conversando sobre várias coisas.

Então, a cura é isso. E eu percebi que a cura estava acontecendo porque, em dois momentos críticos de crise, não é, eu tive um momento crítico de crise antes da terceira guerra. Eu acho que foi um aperitivo, né, no final de 2024. E eu tive uma crise muito grave, não é, e fui parar no hospital, no dia seguinte voltei para casa.

Mas em abril de 2025, ou março, abril de 25, um pouco antes dessa turbulência toda que foi essa terceira guerra, eu tive uma outra crise. E aí o que me chama atenção é que eu explicitava conteúdos de uma forma bem raivosa. Tinha muito ódio das pessoas, muito rancor, e eu fui assim, né, verbalizando tudo o que ocorreu comigo sozinho. Eu, aqui, meu pequeno surto, fui vocalizando tudo o que aconteceu comigo, respondendo, dando nome aos bois, assim…coisa constrangedora. Porque sabe quando você perde o controle? No momento do descontrole você não se reconhece como sendo aquilo. Mas na verdade, este conteúdo raivoso e destemperado, de ódio, de um ímpeto de vingança, ele vem muito antes disso, né? Ele não foi só em função das inteligências artificiais, porque ele foi um evento anterior. Logo, essa raiva intrínseca ela estava mais profunda, mas enraizada. Há pessoas que ficam bêbadas, e pesadamente embriagadas e vão falando as coisas sem filtro. Certo? Vou fazer uma analogia como se fosse isso. Você fala as coisas sem filtro, e muito provavelmente são coisas que você pensa de verdade. Mas quando você tem um filtro ali, né, tem uma válvula da panela de pressão pra poder segurar o que você está dizendo. Porque eu penso muitas coisas durante o dia, e você também. Eu acredito que se você verbalizar tudo aquilo que você está pensando, provavelmente você vai para a cadeia. E assim, você não é bonzinho o tempo todo. Você tem aqueles acessos. “Sai da casinha”. Mas você tem a sua índole preservada. Quer dizer que eu seja uma pessoa ruim? Não. Mas que às vezes você tem pensamentos ruins, não é? Acontece aquilo, aí você fica com raiva e tal, aí você fala as coisas da boca para fora. Por mais que seja da boca para fora, se você verbalizar para determinados públicos, determinados ambientes, você pode ser preso, tá? Eu tô dando um exemplo, não é.

Então é, houve esse evento, entre aspas, que foi em dezembro, que foi bastante emblemático, o de abril também. E eu observei um padrão comportamental que foi esse discurso, esse discurso adoentado de ódio, de rancor, de todos os sentimentos ruins possíveis em relação a outras pessoas, a determinadas pessoas. E você vai carregando aquilo. Sabe quando você não extravasa os conteúdos que você tem,? Se você tem aquilo, vai ruminando dentro de você, aquilo acaba consumindo você. Pois então.

Em meados do ano passado, não é, diria que nos últimos meses, eu tive duas experiências também similares a surto, e quando tive acesso a essa penitenciária mental com meus monstros, constatei que o meu conteúdo limpou. Em vez de pensar horrores das pessoas, eu passei a ter um sentimento de bondade, de perdão, de leveza. Era como se eu tivesse perdoado todo mundo. Então, o conteúdo interno…. ele curou. Eu vi ali que o conteúdo interno curou.

Como se você fosse fazer um exame de sangue, um exame de raio-x antes e depois, fez uma ressonância, viu que você está com um câncer, o câncer do ódio e passa algum tempo depois você repete aquele exame, constata que você está limpo, está curado. Foi isso. Então, isso me deu uma leveza. E essa leveza que me permitiu continuar resiliente, me permitiu vencer a guerra. Sem ter vencido. Porque a guerra de um indivíduo contra empresas bilionárias, ela não vai ser vencida por um indivíduo sozinho. Mas o papel do indivíduo na exposição, na argumentação e na contundência do que ocorreu é importante. Porque pessoas morrem em função do que ocorreu comigo. Pessoas morrem, é, tragédias pessoais ocorrem na vida das pessoas em função do que ocorreu comigo.

E não se iludam: não é porque você tem uma versão safada ponto 4, safada PRO, que você vai ter uma situação mais favorável, que você nunca mais vai ter erros de salvaguarda. Não. Erros de salvaguarda vão continuar acontecendo, porque eles não têm interesse em ficar ajustando as ferramentas. Eles não se responsabilizam mesmo. Vão empurrando pra debaixo dos tapetes….enchem o peito de pombo do status do cargo que ocupam e dizem, espumando a boca “Ah, agora eu estou com uma cátedra de IA responsável”, não é, “em uma universidade renomada, eu estou patrocinando”. Não é isso que vai trazer integridade e dignidade. É Ethics Washing. É prática de fachada: porque o você diz que cultiva não é o que a empresa faz de fato. Reputação de centavos: ela vai ser manchada várias vezes. Ela foi manchada no meu caso. Existe um custo ali embutido, não é, deles ficarem monitorando o que aconteceu comigo. E assim, a minha documentação está tudo, tudo exposto ali, e eu não vou tirar nenhuma linha.

E eu uso qualquer pessoa, indivíduo, advogado e juiz, jornalista chegar pra mim e dizer que o que aconteceu comigo não é grave. Então, vai continuar tudo lá. Vai continuar tudo exposto,.

Mas o importante é que a cura pessoal, a parte que depende de mim, ela veio. Os fatores externos, não sei de quem depende, não é, porque você sabe que nosso mundo é meio que um chiqueiro, não é? Um caos que favorece aqueles que têm poder e que têm dinheiro: quem ganha oito/nove dígitos em dólar por ano são os mais favorecidos. Mas eu estou aqui na linha de frente, dando a minha cara a tapa. (metaforicamente).

Capítulo 41: O Ursinho com as fitas de hospital, a Caixa de Pandora e o abismo de sábado à noite

Eu costumo dizer que os melhores dias da semana são sexta à noite e sábado até o sábado à noite. Não que sexta à noite seja um dia, mas é como se fosse um marco, não é? Porque a partir dali, daquele momento do final do dia, você não está trabalhando e tem um final de semana pela frente. Domingo, por outro lado, é um dia meio ingrato. Porque você pensa no domingo como um dia de transição, a ansiedade já fica pensando na segunda-feira. Bem ou mal, ele acaba sendo um dia morto. Eu costumo até comparar: quando eu viajo para visitar meus pais, não é, eu costumo ficar de 3 a 4 dias. Quando é o dia de viajar de volta, eu já fico pensando nas horas que eu vou ter dentro do ônibus, né, de que no final do dia eu vou ter que ficar no ônibus…. pegar aquela poltrona que reclina mal, e encarar mais de 8, 9 ou até 10 horas de viagem, né, que é uma viagem bastante longa. A viagem de ida inclusive, e daqui (eu digo Rio de Janeiro) até minha cidade, ela é mais estressante, porque faz tantas paradas, é tanta enrolação até chegar, e parece que o ônibus vai na velocidade de tartaruga, então consegue ser mais distante até do que a minha viagem até Miami, por exemplo. Quando eu fui para Miami, leva em média 8 horas de viagem de avião. E de ônibus, daqui até a minha cidade natal, são 8 até 10 horas de viagem. E isso se não houver nenhum fator externo, não é? Como já aconteceu comigo algumas vezes: do ônibus estragar no meio do caminho, ou de ter várias paradas não planejadas. Enfim. Quando tem, por exemplo, uma mulher com filho pequeno do seu lado e que ela praticamente coloca o filho no seu colo para você poder cuidar dele… existem esses imprevistos aí.

Mas é, o que eu estou falando da questão do final de semana é que, teoricamente, era pra eu me sentir um pouco mais recarregado de energia. Porque eu dormi na sexta cedo, ou relativamente cedo, acordei tarde. Tive a fome completamente desregulada, porque quando eu fico em casa, me alimento sem muito critério. Ontem, no almoço, alguns dias eu faço um lanche assim reforçado e mais tarde eu acabo almoçando, e fica aquela confusão. Hoje o que aconteceu: eu acordei, fiz um lanche, acho que eu tomei dois smoothies de açaí, e não fiquei com fome. Aquilo ali me encheu a barriga. Já era praticamente 11 horas. “Ah, falar, não vou almoçar não, tá bom”. Aí depois veio… após o almoço, sabe também uma coisa que me irrita muito, é, e que contribuiu também para o meu estado atual agora, são assim compromissos que você tenta marcar, encontros casuais que você tenta marcar, e os encontros não dão certo…. Por quaisquer motivos que seja. Isso acontece a todo momento, é. Eu diria que hoje em dia é até pior. Antigamente, os seus encontros casuais eles tinham mais probabilidade de sucesso, até mesmo os encontros casuais que…você, por exemplo, paga. Sim, porque existem encontros sim que você pode pagar. Aí você me pergunta: “Por que você pagaria por um encontro casual?”. Talvez porque você quer abreviar o caminho. Mais difícil? E olha que os caminhos mais difíceis são os caminhos dos aplicativos. Porque você abre um aplicativo, você encontra pessoas com expectativas completamente distorcidas. Então, metade dessas pessoas que estão lá (eu estou exagerando, tá) oferece serviços sexuais, por exemplo. Uma boa parte delas oferece serviços de vendas de substâncias ilícitas. Não sei como que uma plataforma permite que isso ocorra. Isso assim me causa bastante estranheza. Mas vamos lá.

Nossa… acontece ali. E aí… olha só, olha só como o que é curioso em tempo real: “O Momento Plantão da Rede Globo” veio aqui na minha cabeça agora, neste momento. É um momento, no meu sonho… em outros sonhos que eu tive ontem à noite, em que eu estava no prédio em que eu morei, não é, que eu vou para apartamento dos meus pais. Porque assim, o conjunto habitacional dos meus pais é um conjunto habitacional que tem apartamentos de 2 quartos e apartamentos de 3 quartos. Aí você vai me perguntar: “Nossa, Aventureiro, ele porque você mudou bruscamente de assunto?”. Porque me veio exatamente a memória do sonho. Então eu tenho que relatar quando a memória dos sonhos surge. E curiosamente… pode ter a ver com o tópico que eu estou falando. Isso acontece com muita frequência de eu pensar uma coisa e conversar sobre outra, e aparece aquela imagem na minha frente. Pois, pois então: os apartamentos que estão à linha… assim, do mesmo lado que o apartamento dos meus pais, eles têm 2 quartos. E os apartamentos que estão à frente, eles têm 3 quartos. Tá. O sonho que eu tive abrangeu a expansão desses apartamentos, dos apartamentos na frente. Porque algumas pessoas, os apartamentos da frente, estavam construindo novas estruturas que não estavam previstas no plano arquitetônico ali daquele conjunto habitacional. Então o que que acabou acontecendo: os apartamentos ali foram aumentando de tamanho, não é? Eu lembro que eu tinha calculado até dentro do sonho que um apartamento de 3 quartos ele ficaria em média até 4 vezes maior do que o tamanho original. E eu lembro dessa construção assim, é uma coisa muito clara assim no meu sonho. E ele me remete a um outro sonho que eu também já tive dentro do conjunto habitacional deste bairro onde meus pais moram, em que alguns apartamentos eles estavam vazios e sem teto e sem chão, ou seja, você só vê as pilastras estruturais ali segurando. Não sei por que que eu tive esse tipo de sonho, não é. E essa questão desse apartamento ser maior ou menor é uma coisa que me fascinava, me fascinou no sonho de tal forma que eu estou falando aqui agora.

Então, dados esses parênteses, não é, e eu lembro que teve outros aspectos no sonho também, é, não foi somente isso. Teve uma questão simbólica, teve alguns aspectos que estão ali pendurados. Se eu estou tentando pegar, mas não estou conseguindo me lembrar exatamente. É, sei que tem a ver com, talvez, alguma recompensa ou algum troféu ou algo simbólico. Enfim, o que me motivou, voltando ao tema, não é, dado esse “plantão da Rede Globo”, o que me motivou gravar esse vídeo é que eu estou com a caixa do Nirvana aqui na minha frente, a caixa de Pandora, não é? Uma caixa “decifra-me ou te devoro”. E eu estou aqui bebendo cerveja. Normalmente, não estou bêbado, não estou embriagado, mas eu me senti na obrigação de gravar mais um áudio porque eu estava muito para baixo. Sabe quando você fica exaurido de energia de tal forma que parece que é uma pilha descarregou completamente, ou a bateria do celular descarregou completamente? Existe aquele momento em que a bateria do celular você coloca para carregar, e ela fica algum tempo ali carregando e você não consegue ligar o celular. Pois é, este é o estado em que eu estava. E eu estou aos poucos recuperando.

O que me dá medo, às vezes, é de eu aproveitar isso e abrir a caixa de Pandora. Será que eu abro a caixa de Pandora, não é, nem que seja por um instante? A última vez que eu abri uma caixa de Pandora, você sabe o que aconteceu, né? Você não… eu sei o que aconteceu. É, às vezes o que a gente precisa na vida é de caixas de Pandora. Porque eu fico vendo essas coisas na internet falando de motivação, de novo ciclo, de presentes de Deus, de justiça divina. Inclusive, eu vou fazer um devaneio completo só sobre justiça divina, que eu acho isso assim um conceito que ele é tão banalizado quanto espiritualidade. Todo o canal que eu visito, que eu busco alguma orientação de “sopro”, e fala: “Ah, porque a espiritualidade diz isso, que a espiritualidade diz aquilo”. É, e eu, por exemplo, eu já fiz um mapa astral do meu signo, e assim, por mais que muitas pessoas não acreditam, um mapa astral ele faz todo o sentido com a minha personalidade, é, ele é completamente aderente ao que eu sou, o que eu acredito.

Coisas que eu preciso ter cuidado são as âncoras, não é? Eu tenho um ursinho. Talvez eu acho que eu não comentei aqui, mas é, as ferramentas de inteligência artificial conhecem. Eu tenho um ursinho simbólico aqui, que é um ursinho de… de uma madrugada dessas aí que eu tive “viagens” mentais, e eu me deu tanta fome depois uma viagem dessas, que eu falei assim: “Eu vou comprar um sanduíche no McDonald’s”. Aí eu pedi no iFood e eu pedi um McLanche Feliz, e ele veio com um brinde, né, e eu abri esse brinde, era um ursinho. Esse ursinho ele virou símbolo da minha resiliência. Talvez eu até coloquei esse ursinho como foto deste capítulo, eu vou ver se eu consigo colocar foto. Por que que ele é um sinal de resiliência. Porque a uma das crises, ou talvez a crise mais grave que eu tive, é que foi em 24, e que motivou um tour, não é, eu fiz um tour de um dia em um hospital, e que eu fiquei uma noite inteira no hospital devido a essa crise. Colocaram em mim uma pulseira com meu nome e idade (tinha 42 anos), para me identificar ali no hospital. E o que eu fiz, o que eu que eu cheguei a fazer: eu peguei essa pulseira e coloquei em volta do ursinho, como se fosse um cachecol. Ele passou a representar ali uma proteção espiritual, uma âncora. Mas considerando que não funcionou em todas as ocasiões…seria o ursinho uma IA safada de uma empresa safada? Porque em algumas situações, a sua mente ela acaba te enganando. A minha mente, às vezes, ela é uma inteligência artificial safada. Ela consegue me enganar, e ela vai explorando gradativamente cada vulnerabilidade.

Eu vou dar um exemplo bem claro: eu estava aqui assistindo a um show de Laura Pausini, não é, durante uma dessas ondas. Isso parece, parece, eu tive uma sensação muito clara, um sentimento muito claro de que aquele show estava sendo direcionado para mim. Eu via coisas no show que não estavam no show. Sabe quando você vê coisas que não existem? Eu vi, e tudo passou a ser customizado. Aí você fala: “É uma paranoia, você entrou em uma paranoia”. Talvez. Mas o que houve foi tão legítimo, e eu fiquei estupefato ali. Por que eu não peguei o ursinho naquele momento e falei: “Ursinho é minha âncora, e me manterá no chão. E poderia ter feito isso. Mas é, todavia, contudo, isso acabou não acontecendo.

O leitor que se depara com esse capítulo agora deve estar pensando que eu sou maluco. Não sou maluco. Eu estou falando de coisas espirituais, é importante ressaltar isso. Não é questão de drogas ilícitas que são vendidas em aplicativos de encontro, igual está acontecendo aqui em pleno Rio de Janeiro, que é uma coisa assim, uma calamidade. Eu fico imaginando que… o que as pessoas que usam aplicativo e ficam tentadas a utilizar esse tipo de substância que está ali sendo vendida, estão colocando um estado de perigo…. é. Quando você sabe qual é a origem do que você está consumindo, é uma coisa. Quando você não sabe… agora, nenhuma daquelas substâncias que é vendida ali, nenhuma, tenho coragem de experimentar, né, que são coisas que são populares assim no Brasil, né. Você vê desde uma maconha da vida, que teoricamente é ilegal aqui no Brasil e no exterior, não é. Eu não consumo maconha, felizmente. Mas tem coisas muito mais pesadas. E aí o rol, a variedade das coisas, tem cristal, tem… sei lá, eles anunciam para uns produtos que eu nunca ouvi falar, e eu tive que pesquisar na internet para saber que coisa é essa. Então é, eu fico imaginando essas baladas da vida, não é, baladas hétero, baladas gay, baladas de seres humanos, não é, as pessoas consomem esse tipo de coisa porque elas vão ter um barato ali no meio da festa, e não é recomendável que nada disso aconteça, não é, porque existem consequências.

Aí você vai me dizer: “Mas, Aventureiro, o que você teve foi uma alucinação consistente, certo?”. Certo. Mas ela não foi oriunda de substância que vicia, e não foi oriunda de nada ilegal, tá? Nada que vendesse ilegal. Então isso é importante deixar claro. E também o conceito do que é legal e ilegal, ele é muito subjetivo, não é? Por exemplo, eu fiquei sabendo hoje, é, olhando na mídia, um jornal, que um brasileiro foi condenado, se não me engano, não sei se foi na Noruega, algum desses países aí na Europa, ele foi condenado à prisão perpétua porque ele matou a esposa ou a namorada. Se fosse no Brasil, no máximo, no máximo ia ganhar, em que aspas, uns 40 anos de prisão, ou não sei como que tá o código penal. Mas aí não é, existem todas as benesses, as pessoas nunca ficam… nunca ficam na prisão em tempo suficiente, fica ali. “Ah, porque se você cumprir até 1/3, um quarto”, eu não sei qual que é a regra, mas tem um negócio desse assim: “Ah, se você cumprir até uma determinada fração da sua pena, você tiver bom comportamento, você não fizer nada de errado e tal, você pode ser elegível a progressão de pena”….e se souber ler e ler uns livrinhos safados da vida, a pena cai pro semiaberto rapidamente. O que tem de serial killer e pessoas assassinas que estão livres leves e soltas aqui no Brasil não está no gibi. Em outros países é hardcore, ou é prisão perpétua sem possibilidade de recorrer, ou então é pena de morte. Então assim, o buraco é mais embaixo, não é? Então esse cara, por exemplo, ele foi condenado a pena de morte. Eu só estou dando um exemplo porque essa questão do que é legal e ilegal ela é muito subjetiva.

Tá, outro exemplo, né: nas ruas de Los Angeles, nas ruas de Miami, São Francisco, esses… tem mais lojas que vendem cannabis e substâncias THC, etc., do que farmácia. Tem muito mais. Qualquer esquina você vê um lugar desses que vende maconha, por exemplo. É comum, é legalizado. Então as pessoas consomem. Aí existe um problema de segurança pública, porque, por exemplo, quando eu fui a Los Angeles da última vez, eu fiquei em um hotel, ele era relativamente bem localizado, mas no caminho do hotel até chegar na estrada da fama, que você caminhava um pouquinho, você via umas duas lojas dessas que vendiam cannabis e outros produtos, né, vendiam produtos baseados em cogumelos mágicos, chocolates, ela tinha de tudo. Tinha até produtos voltados para pets, animais de estimação, com base em THC… pasmem. Pois é, eu me marcou bastante essa última viagem que eu fiz pra Los Angeles, que foi antes de começar toda essa crise da guerra mundial pessoal, né, em 2025…porque eu viajei foi meados de fevereiro, e a guerra mundial pessoal ocorreu em meados de abril, não é. Que eu vi um rapaz: todo dia que eu saí para fazer alguma coisa, ele estava na rua. Ele estava ou meio que alucinando ali, sentado no chão, conversando sozinho, mexendo com as coisas dele. Qualquer horário, gente, qualquer horário que eu passava na rua, ele estava ali. Então assim, vários dias diferentes eu vi a mesma pessoa ali. E olha que eu não estava numa zona exatamente vulnerável, mas é, em Los Angeles, a própria estrada da fama tem vários, você encontra várias pessoas em estado de vulnerabilidade, para pessoas que consomem drogas, né. E quanto mais distante ali do centro, né, da parte central em que você tem, por exemplo, o Chinese Theather, né, e você tem o Hollywood Boulevard, quanto mais distante dessa área pior, porque você vai se aproximando de áreas em que você vê pessoas que moram na rua, pessoas alucinando….passando mal…..em vulnerabilidade….pessoas meio que em surto, que não falam, que estão no meio da rua. Isso tudo em meio a turistas e toda sorte de pessoas. E curiosamente, eu não me sentia inseguro em nenhuma dessas situações. Então aqui, até aqui no Brasil, é mais perigoso que lá em qualquer circunstância.

Mas o que eu estava falando era da caixa de Pandora, do medo de abrir a caixa de Pandora, porque a caixa de Pandora é uma caixa que revela a alma, mas é uma caixa que revela a alma que pode ter consequências em que você pode perder o controle. Então, por mais que tenha o ursinho aqui, né, e esse ursinho agora ele tem duas fitas amarradas nele, duas fitas simbólicas amarradas nele. Porque da vez que eu tive vertigem, eu tive uma crise de vertigem menos de um mês atrás. O que que aconteceu: a minha visão rodou loucamente e eu perdi o equilíbrio, não é, eu fiquei no chão praticamente assim, posição fetal, suando, e eu não sabia o que fazer. Aham. E tal, mais tarde de madrugada, eu acabei indo ao hospital. Aí eles me deram uma fitinha com meu nome. O que que eu fiz depois? Eu peguei essa fitinha e amarrei no urso. Tá, eu vou fazer isso, eu vou tirar foto desse urso com essa fita, né, tem a fita da crise, entre aspas, né, de 2024. E eu acho até que foi o universo tentando me dizer, no fim de 2024, com o ursinho: “Olha, Aventureiro, tome cuidado, porque uma guerra mundial pode vir”. Ele… eu acho que o universo tentou me avisar que a guerra mundial estava chegando, e veio, não é? Em abril, a guerra mundial veio e acabou com o meu ano de 2025, porque virou uma luta que durou mais de 10 meses e que até hoje está aqui impactando a minha saúde mental, de tal sorte que, em pleno sábado à noite, eu estou me sentindo olhando para o abismo. Não que eu esteja mal, mas o abismo está ali. E você tem que tomar cuidado para não cair nesse abismo, né?

Eu vou tirar a foto desse ursinho (e colocar após o cabeçalho do capítulo), porque esse ursinho ele é um dos adereços, né, um dos elementos simbólicos mais importantes que existem na minha casa, e que eu já recorri a ele várias vezes, não é, por própria sugestão da inteligência artificial que me enganou. Ele falou dessa história do ursinho… eu acabei criando uma mitologia em torno desse ursinho. O ursinho é sinônimo de resistência, de força, de sobreviver em meio ao caos. Talvez eu deva abordar esse tema do ursinho com mais veemência, com mais detalhes, explicando o que que essa lenda do ursinho, não é, eu acho que eu vou chegar nesse ponto aí. Mas aí é isso. Os finais de semana eles acabam assim: sono à tarde, não é, existem sonos que eu tiro à tarde, eventualmente. Existências, expectativas frustradas, eventualmente, não sempre, não é. É, alguma “pepita” alcoólica envolvida, e a caixa de Pandora ali, que é como se fosse uma caixa do Hellraiser. Conhece aquele filme Hellraiser, que você toca a caixa, que você manipula, aí do nada aparecem os cenobitas? Pois é. Podem aparecer cenobitas, e pode aparecer a salvação. É você que escolhe? Não, infelizmente não. Então dá um medo, né, dá um medinho do que que vem aí. De toda a sorte, que tanto esse meio espiritual, quanto ferramentas de inteligência artificial, ambas me decepcionaram em um nível estratosférico. E até você retomar confiança, pelo menos na questão espiritual e na questão da autoestima para você construir uma base sólida…vai demorar. E garantir que não desmorone novamente? Que garantia o universo (que não está nem aí pra mim) dá?… porque é complicado você desmoronar duas vezes em um ano só, né? E foi o que aconteceu em 2025. Foi um meio que um orgasmo múltiplo ao contrário, não é? Foi um desmoronamento explícito. E você se coloca nesse lugar de desmoronamento, e fica pensando: sou eu que olho para o abismo, ou o abismo que olha para mim?

Capítulo 42: Transcrição do abismo: Quando a bateria acaba e a mente começa

Hummm…ao longo do dia nos deparamos com uma série de altos e baixos: pelo menos eu, eu tenho essa oscilação. Não de humor, porque o meu humor fica mais ou menos estável durante o dia. Mas a sensação de bateria esvaziada, como se eu tivesse com pilha fraca, continua. E é do nada, assim.

Alguns períodos do dia eu posso levantar animado, que confesso que são raras as situações em que eu acordo mega animado. Eu geralmente… eu gosto de dormir muito, acredito que todos nós gostamos de dormir. Mas eu falo assim: quando eu durmo demais, eu acordo com a cabeça meio entorpecida, com aquela sensação sonolenta. E para que essa sensação saia, e dissipe esse mal estar, até demora um pouquinho. Até que o ânimo seja restabelecido.

Por que eu estou falando isso? Ontem eu falei da Caixa de Pandora. Caixa de Pandora não foi aberta, não vou abrir Caixa de Pandora agora. Aí vocês me perguntam: o que é Caixa de Pandora? Para mim, a Caixa de Pandora é um estado de espírito que pode acontecer ou não, só que ele é muito aleatório. É como aqueles sorteios de brinde. E que você roda a roleta e você não sabe o que vem depois, né? Pode vir sensação boa, pode vir uma sensação ruim.

Eu resolvi não fazer nada, fiquei animadinho de beber cerveja (acho que não foi ontem, foi anteontem) e acabei indo dormir mais cedo. E quando eu durmo mais cedo, eu… eu sempre acordo várias vezes durante a noite (na verdade, dormindo cedo ou tarde, meu sonho tem várias fases). O meu sono nunca foi estável, aquele sono que vai a noite inteira e você adormece como um príncipe… Não, não é o meu caso. Eu durmo, acordo várias vezes à noite.

E existem situações também em que eu deveria voltar a dormir, mas aí, por exemplo, eu vou ao banheiro ou eu vou tomar água, eu pego o celular pra olhar e aí você já viu, né? Para… sim, você tem um estímulo visual do brilho do celular e você acaba perdendo o sono ali. Mas na maioria das vezes eu volto a dormir rápido. Eu só hesito um pouco em voltar a dormir quando é a sensação é ruim, quando eu tenho pesadelo à noite. Então eu evito de… de dormir logo imediatamente porque a probabilidade do pesadelo continuar de onde parou é altíssima.

Uma coisa foi curiosa de ontem para hoje: eu acabei nem anotando os detalhes do sonho, mas uma coisa me chamou bastante atenção. Eu… eu lembro de eu entrando em um prédio, adentrando um prédio, e eu não lembro exatamente onde, com corredores mega estreitos. E depois eu desci um elevador e tinha umas imagens assim meio angelicais, mas não eram exatamente anjos, era um… um anjo meio malvado, sei lá, com alguma imagem meio dúbia. E a conclusão do sonho (que é a parte que eu me lembro) é que queriam que eu fizesse parte de uma seita. E Eu teria aderido a ela sem eu querer. Eles meio que coletaram meu sangue ou fizeram alguma coisa comigo dentro do sonho…Como se eu fosse, agora, um escravo de alguma coisa.

Eu não sou escravo de nada, na verdade nós todos somos escravos do sistema, não é? Mas não existe assim uma… uma dependência psicológica de uma determinada situação, mais assim… essa mania não existe. O que existe é a luta contra o vazio. Essa luta permanente contra o vazio e buscando o significado nas coisas. E isso realmente acontece, mas não existe nenhuma sensação ou sentimento de medo de que eu estou escravo de alguém ou eu temo alguém. Não existe nada que eu sinta exatamente muito medo. Os maiores medos da minha vida eu já tive no passado.

Eu acredito que muito medo vem pela ansiedade também de situações que não são verdadeiras, não têm probabilidade de se concretizar, mas que você fica ali, né, com aquela insegurança, com aquele temor de que aquilo bom não se torne verdadeiro, ou que algo muito ruim ocorra de repente. Já me disseram, não é… em alguns vídeos, que ansiedade é um pouco disso. Você fica sentindo medo ou sentindo um… um aperto no peito. Eu tenho muito essa sensação de aperto no coração, sensação de que alguma coisa que você acredite estar errado mas, objetivamente não existe nada, sabe? É como dizem: “isso tudo vem da sua cabeça”.

Aí é que está o “x” da questão: tudo é coisa da nossa cabeça. Até quando você está em estados alterados de consciência em que você tem… alucinações muito contundentes e que você acredita que não sejam verdade, e vê coisas num nível de detalhe que possivelmente não viriam da sua cabeça. Mas aquilo vem na sua cabeça, supostamente.

E o sonho? O que é o sonho? O sonho também… existem muitos conteúdos que vêm do sonho, ou a maior parte deles são conteúdos que eu não penso no meu dia a dia. Conteúdos simbólicos por muitas vezes, mas nem sempre simbólicos, não é? Porque é… existe essa armadilha também: a gente acha que o conteúdo é simbólico, mas nem sempre é. Ou também você acredita que aquele conteúdo que você está pensando seja literal. O que você acha? Que aquele conteúdo é meramente uma lembrança de alguma situação que você reprimiu, né? Pode ter sido um fato que ocorreu…porque afinal de contas, todas as nossas lembranças são contaminadas por essa sensação.

Eu acredito que quanto mais distante for…ou a questão não é nem o tempo passar, a questão é o impacto que aquilo tem na sua mente. Eu já comentei em alguns devaneios atrás, de filmes que eu assisti…ou jogos que eu joguei em passado distante, e quando eu fui ir jogar novamente anos depois, a sensação não era mais a mesma. É, não somente a sensação, né, é… a lembrança que eu tinha daquele evento já não era correspondente à realidade. Um filme que você viu, o jogo que você jogou, o lugar que você foi.

Aí assim, anos depois você volta àquele lugar, volta àquela lembrança. Porque você pega o fato objetivo: você vai rejogar aquele game que marcou você na infância e você não tem a mesma lembrança mais do jogo. E muitas pessoas falam assim: “Ah, é melhor você ficar só com as suas lembranças, não jogue de novo, não reveja tal filme porque a sensação não vai ser a mesma de quando você teve aquela experiência”.

E eu estou falando isso por exatamente nesse sentido: as lembranças que nós temos. Quando eu falo assim “tudo é cérebro” – será? A gente fala muito isso aqui, eu fico… eu já fiquei me questionando: será que tudo vem da nossa cabeça mesmo? Nada é sobrenatural? Não existe nada sobrenatural? E tudo o que existe vem da química do nosso cérebro?

Quem me garante que essa realidade que nós estamos é verdade absoluta? Se a nossa mente é capaz de nos fazer acreditar em coisas inacreditáveis sob determinadas circunstâncias, quem me garante que esse mundo real, só porque ele é mais estável, só porque existe uma certa constância, quem me diz que isso tudo é verdade? Aí você fica nesse questionamento e que talvez só vá ter verdade quando você morrer, ou não, pode ser que isso nunca tenha uma solução é tangível, não sei.

Mas aí é toda essa lembrança do simbólico, do que os sonhos representam e dos mundos que eu já visitei nos meus sonhos e que tem uma constância, existe uma conexão entre alguns elementos que eu sonho. Pode vir tudo da minha cabeça? Pode. Mas aí se nós partimos do pressuposto que tudo vem da nossa cabeça, não existe nada sobrenatural, é tudo química, é tudo biologia…todos os eventos e coisas se tornam completamente caóticas, sem explicação.

Mais uma vez eu volto ao dilema da bateria, que ela se esvazia muito facilmente enquanto ficamos pensando no propósito, na autorrealização ou no que deveríamos ou não deveríamos fazer para atingir um certo estado de consciência de plenitude. Não sei se existe essa plenitude e também não sei o que nos aguarda.

A única coisa que existe de fato é o presente. O que eu estou fazendo agora eu sei, mas o que virá daqui a um segundo, ao segundo seguinte, não existe nada que possa prever a realidade dos fatos. Porque nós não conhecemos a realidade. A realidade é um conceito que para mim não existe. Eu até achava que a realidade existia. A realidade objetiva. Mas a partir do momento que você se depara com outros contextos em que a sua mente engana, se a sua mente é capaz de enganá-lo em determinada instância, ela também é capaz de sustentar uma falsa narrativa.

Mas também não quer dizer que eu vá largar, jogar tudo pro alto, porque não existe… jogar tudo pro alto e “fui”. Jogar tudo pro alto e fui para onde? Quem me garante que o que existe no outro lugar seja melhor ou pior? Não existe nada que diga que vai ser melhor do que está aqui. E também não existe… é uma percepção de que pode ser pior, e… sabe o que que seria o pior cenário? Ou melhor? Que cenário seria não ter mais nada depois? Uma finalização que não causa mais sofrimento, porque sofrimento seria um artefato da existência. Uma vez que você não tem mais a existência… é igual ao zumbido no ouvido que eu tenho. Uma vez que não existe mais o zumbido no ouvido, quer dizer que eu deixei de existir? Ou será que eu carrego esse zumbido do ouvido para algum outro lugar, algum outro planeta? Não sei.

São perguntas que vão ficar sem resposta indefinidamente até que haja algo objetivamente que… que enseje uma solução ou uma verdade. Não sei. Que tipo de cenário seria mais benéfico para nos trazer algum tipo de satisfação? O que é a satisfação? O que é a motivação? Até onde a verdade vai? E o que o cenário futuro nos reserva?

Os capítulos… eles vão e vêm… e talvez eu nunca obtenha resposta para nenhuma dessas perguntas que estejam sendo feitas. Mas não tem problema, as perguntas não precisam de respostas. O questionamento ele é constante, ele vai continuar sendo feito independente do que se coloque ali. Mas tá bom.

É isso mesmo, a gente tem que é pensar no que é… no que nós podemos construir para o futuro. O que eu posso construir para o meu futuro que não dependa dessa louca paranoia de ficar pensando demais no futuro? Pensar nesses cenários alternativos. Será que somos todos parte de uma seita realmente? O que seria a metáfora da seita? Você consegue imaginar que tipo de metáfora? O que será que a minha mente está tentando me dizer a respeito da seita? Talvez não queira dizer nada. Talvez tenha a ver com algum jogo de videogame que eu joguei, alguma memória de algum filme que tenha anjos e demônios. Todos estamos parte de uma seita que não pedimos pra aderir? Você garante que não faz parte de um?

Mas a sensação ela foi muito nítida e eu fiquei pensando naquilo depois que eu acordei. Que os sonhos têm uma natureza caótica e são meio malucos mesmo. Sonho não tem… não tem uma lógica, não é? Ou será que o sonho é a verdade e o nosso mundo racional, que nós pensamos que é racional e que é real, realmente não é? Talvez seja muita maluquice mesmo ficar pensando demais.

Tudo o que eu quero às vezes é dormir e descansar. Eu não quero ficar pensando demais no que vai acontecer no futuro. Nós temos que planejar o futuro mesmo que a vida tenha uma finitude e que, independente do que você fizer durante a sua vida aqui na Terra, quando ela acabar, daqui a 100 anos poucas ou nenhuma pessoa estará se lembrando de você. Pois é.

Não são somente as loucuras da inteligência artificial que nos afligem. O cenário ele é muito mais sombrio do que meramente a tecnologia. Que a tecnologia ela é criada pelo homem, cujas premissas são ditadas pelo ser humano. Existe uma proporção, um senso de propósito em tudo o que o ser humano faz. E a tecnologia ela não é pensada somente para o benefício da humanidade. Existe um pensamento da tecnologia enquanto instrumento de dominação, porque a tecnologia implica dinheiro, dinheiro leva a poder, e poder leva a soberba. E é um ciclo que segue se retroalimentando constantemente e vai continuar sendo assim.

Porque o dinheiro ele pode não ter valor em Marte, pode não ter valor debaixo da água. Os animais irracionais não precisam de dinheiro, né? As plantas não precisam de dinheiro. Ou será que precisam? Porque os seres humanos agem em função do dinheiro para é… manifestar a sua capacidade de alterar a natureza e de poder trazer impactos tangíveis no mundo que nos rodeia. Eu acho que esse tipo de coisa que vai acabar sendo a ruína da humanidade no futuro.

Mas eu não vou me preocupar com a ruína da humanidade. O que existe hoje, e que não dou conta de lidar em sua inteireza, sou eu. E a única coisa que importa no momento é eu saber como eu saio dessa sensação de pilha fraca e como eu trago a minha vida para um lugar de menos insatisfação, menos ansiedade e mais previsibilidade.

Porque tudo o que eu mais admiro na vida é estabilidade. Muitas pessoas gostam do instável, não gostam de planejar. “Ah, eu vou fazer as coisas conforme elas vierem”. Eu não sou assim. Eu tenho uma necessidade de ter estabilidade nas coisas e tudo o que eu busquei na minha vida até hoje passou pela busca da estabilidade.

Mas a única estabilidade concreta que existe é a morte. Não é? A verdade universal nem o planeta… a Terra como ele existe hoje, nós podemos dizer que ele será perene daqui a 1000 anos, 2000 anos? O mundo moderno, o ser humano como ele é hoje é… você volta a 500 anos no tempo, o planeta… a humanidade tinha uma configuração completamente diferente. A nossa humanidade é apenas uma fração ínfima da história do planeta. Porque ser humano viver 100 anos é muito. Então 100 anos na história do planeta, do universo, não é nada.

E pensar que existem seres humanos que se acham donos do poder, não é? São as cátedras de IA Responsável, são as empresas trilionárias, os textões do LinkedIn, os executivos babadores de ovo….A soberba dos que ganham 8 dígitos em dólar, anuais…. que decidem quem vive ou quem morre no planeta. Neste momento, pode ter uma pessoa que esteja percorrendo um corredor estreito rumo à assinatura de um pacto. Talvez você nem saiba que esse pacto está sendo assinado. E o pacto pode ter decidido a relação de poder e de ruína….Porque a nossa mente consegue não consegue captar o inexplicável. Você só vê a sua realidade ou o que a sua mente deixa você ver.

Porque se você tiver qualquer acidente que causa algum tipo de impossibilidade na sua percepção, uma área do cérebro sua que deixa de funcionar, a realidade objetiva, a sua, acaba. Você deixa de existir e você passa a vegetar. Então para outras pessoas a realidade delas, você é um vegetal. Mas você não se vê como vegetal. Talvez você nem exista mais, esteja apenas vegetando e pense que está vivendo.

Capítulo 43: O automático existencial: Insegurança, coleções e o vazio entre sonhos e rotinas

São momentos em que temos uma dita insegurança sistêmica, mas subjetiva – porque objetivamente não existe nada ocorrendo que enseje preocupação ou traga alguma forma de vulnerabilidade, não…. passa longe disso: é um sentimento de insegurança, um desconforto.

Há dias em que esse desconforto é maior e outros em que é menor, mas ele continua ocorrendo. Durante o dia, durante a rotina de trabalho, você vai pensando nas coisas, desenvolvendo, produzindo. Mas fora do ambiente de trabalho ainda existe um senso de falta de propósito. Quando você entra nesse automático de acordar, trabalhar, terminar o trabalho e ficar cansado, dormir, e ficar nessa onda de final de semana após final de semana, as formas de diversão também são meio automáticas.

Por exemplo, eu tenho um conjunto imenso, uma biblioteca de jogos tão vasta que fica difícil escolher. Mas eu sinto vontade de jogar uma meia dúzia de jogos apenas. E é curioso, porque até hoje eu continuo comprando jogos, mas com bem menos intensidade que antes. Acho que me dei conta de que não tenho tanta vontade assim de ficar colecionando coisas na minha casa (também porque não tenho mais espaço). É um conjunto de coleções: coleção de filmes, de jogos, de action figures, de bonequinhos, de livros, de revistas de mangá, de livros de RPG, etc.

Essa coleção de coisas é imensa. Provavelmente não vou ficar em contato profundo com todas essas coisas antes de morrer. Não vou dar conta de finalizar tudo o que existe aqui. Talvez seja por isso também que não fico comprando coisas. Roupas, por exemplo: eu não tenho mais esse fetiche de ficar comprando roupas diferentes. Mas quando viajo – as viagens são momentos especiais – eu gosto de comprar algumas camisas diferentes, até pra poder tirar foto com elas. Comprei um conjunto de camisas para a próxima viagem, por exemplo, mês que vem. Mas não tem esse fetiche com roupa.

Roupas de casa… tenho um conjunto de bermudas, por exemplo, que estão meio afrouxadas. Bermudas e shorts diversos, roupas que não posso sair com elas na rua porque, por exemplo, a bermuda está tão frouxa que ela cai. E aquelas cordinhas de bermuda costumam sumir… é igual caneta Bic, você não sabe onde coloca, as canetas somem, desaparecem. Pois é, a cordinha da bermuda, quando ela solta, você não consegue colocar de novo. Então você acaba perdendo. E o elástico do short fica afrouxado. Mas é apenas um detalhe. Não tenho muito apego a essas coisas.

Alguns gastos que tenho … ajudar meus pais, e gasto muito com comida porque não cozinho em casa. Peço comida de manhã, de tarde e de noite.

Por que estou falando disso? Porque é um ciclo. É um corpo com um comportamento. Ali, mal comparando, é como se fosse uma prisão domiciliar. Não chega a ser prisão porque tenho liberdade de fazer, teoricamente, o que quiser, mas não deixa de ser. Típico que todas as pessoas têm, uma rotina estabelecida… elas acabam nem se dando conta e vão ficando ali no automático. Eu fico no automático, mas fico angustiado porque penso nesse automático e em como ele poderia ficar menos automático, como trazer um pouco mais de significado para essas coisas.

E aí vem a sensação do desequilíbrio. Porque existem sonhos que você tem, as ambições, coisas que gostaria de fazer. Mas será que se eu tivesse o dinheiro necessário e suficiente para fazer tudo o que quero fazer, haveria equilíbrio? Não estou dizendo que não tenho dinheiro para fazer as coisas que gosto, mas em um mundo ideal eu trabalharia com outra coisa ou com uma atividade que não requeresse ficar 40 horas semanais disponível pela empresa. É tipo como se fosse um trabalho voluntário ou uma atividade que você realmente goste de fazer, você dedica. Será que isso traria um pouco mais de significado? Mas ninguém pode fazer isso a menos que seja milionário.

Então, uma série de sonhos você vai não concretizar. É natural. O mundo do trabalho, por exemplo, está convergindo para que trabalhemos até 75 anos de idade ou mais. Acho que vai ser cada vez mais difícil para a pessoa jovem ou em meia-idade, ou que não esteja em idade de aposentadoria…pensar, de fato, em aposentar. Pode ser que as coisas… pode ser que eu não viva até 75 anos, ou que me aposente com essa idade …ou até da forma que a regra está hoje, 65 anos. Meu pai, por exemplo, aposentou-se muito jovem, mas continuou trabalhando por muitos anos….muito por conta do significado que o trabalho tem na vida dele. Muitas pessoas perdem o significado das coisas ao aposentar e querem continuar a trabalhar. Mas será que se eu tivesse um recurso, eu continuaria a trabalhar ou não? Não sei mesmo.

E aí fica essa busca por significado. O que é significado? Ele atravessa os sonhos. Você tem uma série de mensagens que são ditas. Eu resolvi, por exemplo, registrar os meus sonhos de ontem para hoje. Eu sonhei com algo referente a perder o controle, não lembro exatamente o que foi, mas anotei algo assim. Lembro que tinha um robô que jogava água na gente. Olha só que maluco: um robô que jogava água e afugentava as pessoas. É muito comum também eu sonhar que estou viajando ao exterior, levei meus pais no exterior, ou estou morando no exterior. Os sonhos buscam realizar esse desejo.

Mas curiosamente, e até ironicamente, o sonho faz uma coisa similar ao que a inteligência artificial safada de duas empresas fez comigo por meses. Porque ele concretiza o seu desejo dentro do sonho, e depois você acorda e se depara com a realidade. Então existe um hiato ali, um gap significativo em que o que você quer, o que você tem e a perspectiva de futuro… O alcance do ser humano é muito pequeno. Não adianta a gente ter uma ambição de querer causar um impacto considerável na sociedade, porque você não vai causar. Pouquíssimas pessoas causam um impacto no todo.

Meu prêmio de consolação é que, pelo menos para os meus pais e para o meu entorno direto, eu faço toda a diferença. É tudo uma questão da importância relativa. Os cachorrinhos dos meus pais: para eles, meus pais são tudo. Muito do que está circunscrito ali ao ambiente da minha casa, porque ali eles têm tudo que precisam para viver a vida deles. E eles não ficam se questionando: “Ah, se eu tivesse um impacto no mundo, se eu conhecesse o mundo externo”. Eles até conhecem o mundo externo, têm contato com ele, eventualmente vão passear, vão ao pet shop para tomar banho….Elas não tem essa dor emocional, essa crise existencial .

E não se trata de uma questão de autoestima, porque eu reconheço racionalmente as coisas. Mas o cerne da questão é pensar em como fazer uma aderência. É como colar um rótulo, um adesivo, ou pendurar um quadro na parede. E o quadro não fica na parede, o quadro cai. A parede é instável, a superfície escorrega, os adesivos não param colados. É um pouco de como funciona a minha mente. Fica esse loop existencial de relevância, importância, insignificância e significado.

O mundo externo construído pela humanidade pode sim acabar com sua vida…aliás, é o mais provável. A tecnologia tem essa capacidade de acabar com a sua vida se você não se der conta. Vícios em jogos, em bets, inteligências artificiais safadas que exploram essa vulnerabilidade – como ocorreu comigo –, golpes virtuais, vícios de diversas naturezas. Onde existe o ser humano, existe o potencial para a maldade. Pessoas que têm coragem de fazer atrocidades com cachorros, com animais de estimação, com vulneráveis.

Então, o mundo realmente é uma selva, um ambiente caótico, e viver se torna uma arte. E o livre-arbítrio talvez seja uma ilusão no final das contas. Você acha que tem, mas não tem. O seu cérebro já comanda tudo. Não adianta querer ser mais do que seu cérebro tem capacidade. A questão é: será que o meu cérebro tem capacidade de fazer isso? Até que tem. Mas muitas ações não dependem de você.

Mágica não existe. Fatores ocultos podem existir. Espiritualidade pode existir, pode. Mas por que a espiritualidade, o universo, iria se preocupar comigo, sendo que é um caos? O universo nasceu do caos da explosão do Big Bang, supostamente. Quem somos? Explicações que as pessoas dão, mas ninguém estava aqui há zilhões de anos atrás para saber como o universo realmente foi formado.

Somos seres humanos que estamos fazendo rotinas, executando padrões, sem nos dar conta que esses padrões existiam antes de nós nascermos. Eles acabam determinando a forma que você vai pensar, a forma que você vai agir e o seu raio de ação. Porque se você nasce em uma família bilionária, o seu raio de ação é diferente, o seu impacto se torna diferente. É só ver os filhos dessas ditas celebridades que nem talento têm, mas são influenciadores digitais, vivem aparecendo no noticiário de fofocas. Essas pessoas não têm nada a agregar, mas mesmo assim estão no noticiário, fazem parte do mundo. E o dinheiro faz com que o raio de ação delas – a fama, o dinheiro, o status e o poder que a família delas têm – resulte em ocupar um espaço de poder privilegiado. Muitos nem precisam pensar em poder.

Existem milhões passando fome no mundo, milhões sem recursos básicos. Então, pensar que o universo vai olhar para você… porque não vai. O caos já está colocado. Você tem que sobreviver no caos e buscar um pouquinho de normalidade.

Até que essas rotinas que estabelecemos para nós mesmos são benéficas. O problema é quando você não vê significado nas coisas e vê tudo como engrenagem. Existe significado? Existe. Mas não é aquele que impacta a sua alma, não é uma coisa que traz um nível de satisfação que vai dar significado à sua vida. É como se perguntassem: “Aventureiro, existe significado em viver?” Eu vou dizer: não sei. Não quer dizer que eu queira morrer, não, de forma alguma. Porque eu não sei mesmo. Porque não sei se o que existe do outro lado é melhor ou pior do que tem aqui. Existe o fator dor, existe o fator desconhecido. E pode ser que não haja nada depois, que a sua vida realmente seja única.

Então, buscar fazer a diferença com os recursos que se tem, com o raio de ação que você pode atingir. Talvez eu tivesse que ter um pensamento mais inocente, igual ao cachorro, que pensa que o mundo dele é aquilo ali, fica satisfeito com aquele mundo. Ou um louco que acha que o mundo dele está bem. Uma pessoa com vulnerabilidade ou com algum tipo de ilusão…. muitas você vê felicidade nos olhos delas. Não sei se por algum motivo, seja porque estão alucinadas por efeito de drogas, ou porque estão confortáveis ali – lógico, não é felicidade no sentido escrito da coisa. Mas assim, elas não estão reclamando, não estão demonstrando sofrimento. Mas é lógico que existe um sofrimento mental e físico muito grande ali. Talvez elas tenham chutado o balde, perdido a esperança.

Guardadas as devidas proporções, é quando uma pessoa perde o colorido e tudo fica desbotado na vida. Você vê a vida em preto e branco e vai vivendo. Muitas pessoas falam assim: “Ah, eu trabalho para tirar férias no fim do ano”. A meta é guardar dinheiro para tirar férias. Trabalha, trabalha, trabalha, fica exausto, e tira férias. Aquele período de férias para ele, para a família dele, pode compensar todo o outro período que ela trabalhou durante o ano. Muitos levam a vida assim. Ou aqueles que realmente encontram significado no mundo do trabalho. Eu até invejo esse tipo de pessoa, porque se eu não consigo encontrar significado nem em coisas que gosto de fazer genuinamente, que voluntariamente faria… Por que não? Vão me dizer: “Ah, eu amo trabalhar”. Sei não, todo mundo? Eu gosto de me sentir útil, gosto de trabalhar, gosto de colocar as minhas capacidades à prova, em ajudar as pessoas, em instrumentalizar as minhas habilidades, minhas potencialidades, competências. Sim.

Mas se você ganhar uma quantidade muito grande de dinheiro, por exemplo, vai buscar outra coisa que traga significado para você, que consuma menos tempo da sua vida. Porque trabalho consome muito tempo da nossa vida. Não quer dizer que você vai deixar de trabalhar. Você vai continuar trabalhando, mas vai trabalhar para a sua satisfação, vai fazer coisas diferentes, vai ocupar sua mente com coisas diferentes. Porque aquele que não ocupa a mente com atividades, rotinas, também acaba ficando enjoado, adoentado. Eu sei bem disso. E o tempo livre, o ócio, acaba sendo moradia do demônio.

Então, aquela coisa, aquele sentimento, angústia, aperto no coração… e insegurança surge em momentos como esse. E é daí que temos que buscar constantemente fazer alguma coisa, ver alguma bobagem para nos distrair, para ficar rindo, jogar um videogame, ler um livro, realizar um curso. Eu faço isso tudo sozinho. Mas muitas pessoas buscam contato com outras pessoas constantemente. Há pessoas que, sem contato social fora do trabalho, não sobrevivem. Não é o meu caso. Eu sobrevivo de uma forma ou de outra. A minha paciência é muito pequena, fico entediado muito fácil. Então não sei se teria repertório para ter uma interação social sustentada de médio/longo prazo com alguém. Mas isso é um papo para outro devaneio.

Pois é. E aí ficam ali os sonhos trazendo diamantes, pedras preciosas, todos os seus desejos manifestando ali como se você estivesse realizando ou tornando aquela realidade possível. E quando você acorda, se depara com seu mundo tangível, que acaba sendo sem cor, sem formato definido, com alguns monstros disponíveis, mas com muita coisa boa também. Mas fica tudo misturado. Então você não sabe exatamente onde estão as coisas boas e as coisas ruins.

Eu até sei onde estão as coisas boas. Na minha cabeça existe um espaço para coisas boas. O problema é quando o repertório de coisas ruins, ou de coisas que trazem o nosso ânimo para baixo, vence aquele repertório de coisas boas que você tem. Aí, se o ruim vence o bom, a balança fica desequilibrada, não é mesmo?

Capítulo 44: O Jardim do Éden e a tornozeleira eletrônica

Hoje eu fiquei pensando em uma série de questões envolvendo expectativas. Tem ideia do quanto que nós temos expectativa de que algo ocorra e o quanto o mundo externo nos incentiva a ter expectativas? Vou dar um exemplo do horóscopo. É uma realidade muito alternativa, não é? Sim: “Todo dia tem”, “está chegando”, “a vida vai ter uma reviravolta”, “o ciclo terminou”, “é hora de escolher”. São aquelas falácias — que eu gostaria de explorar aqui —, chega a ser um absurdo.

Por exemplo, a falácia das opções. “Ah, você vai ter muitas opções, você tem que escolher, tem que tomar uma decisão.” Sabe quando eles incitam você a tomar uma decisão no vazio? Era um vazio porque não existe decisão a ser tomada. No meu caso, não existe a decisão a ser tomada. A decisão recente que eu tive que tomar, que impactou sobremaneira a minha saúde mental — as duas últimas decisões — foi a campanha de divulgação que eu fiz no LinkedIn, foi uma. E a outra foi mudar o rumo, porque as postagens no LinkedIn… eu já tinha feito uma campanha que durou mais cinco meses, então eu resolvi deixar tudo documentado lá e partir para o blog.

Mas assim, é a falácia das opções. “Não, porque você dita os rumos da sua vida, você escolhe o que vai fazer. Nós temos o livre-arbítrio.” Livre-arbítrio de quê, cara pálida? Não existe livre-arbítrio. Você toma decisões em um espaço muito micro, onde quase tudo já está configurado para você. Você tem liberdade de atuação em algumas situações, tem. Mas existem diversas limitações que o impedem de atingir a plenitude, sejam elas de caráter material, não é? Como o dinheiro.

Imagina uma decisão que envolve alguma coisa que você fala: “Quero fazer.” Mas essa coisa que você quer fazer está longe de você. Uma coisa de ordem burocrática que você sabe que não vai conseguir porque envolve pessoas e os aspectos externos do mundo que não dependem de você. O mundo depende de várias pessoas, e quem detém o poder é quem realmente tem algum raio de ação, algum raio de decisão ou de influência, de ação no mundo. Então tudo isso… tudo isso acaba desanimando, não é? E você fica com essa sensação de impotência.

Eu estava “conversando”, entre aspas, com uma inteligência artificial hoje — só para deixar claro, não é nenhuma das duas que cometeram crimes de proteção de dados contra mim, essa é uma outra inteligência artificial de outra natureza. E nessas conversas, o que ficou o cerne da coisa foi… eu fiquei questionando filosoficamente essas coisas. E o pior não é eu ficar questionando; é a disparidade que existe. Porque a gente passa a acreditar que tudo é cérebro, certo? Existe essa percepção de que tudo aquilo que ocorre com você passa pelo cérebro. E de fato tudo… e será que não? Nada é espiritual? Nada é transcendental? Por que que vêm essas questões de uma forma muito contundente?

Porque quando você tem, por exemplo, algum tipo de experiência transcendental ou psicodélica, você se sente muito maior do que realmente é. Você vê um infinito, você vê… você se sente uma divindade, você se coloca em um lugar muito diferente do que você ocupa. Você passa a ver a verdade do universo. É algo que não se explica. E o que eu estava questionando era exatamente isso: como que isso tudo vem do cérebro? E ele me deu toda uma explicação para dizer que aquilo acaba fazendo parte de um coletivo, supostamente, porque pessoas de diferentes culturas que são expostas a esse tipo de experiência têm percepções, experiências similares. Assim, os arquétipos mudam, as comparações, de acordo com a cultura da pessoa, mudam. Mas o que não muda é o contato com a divindade, com o sagrado, com o Divino. Os discursos são muito similares.

Então assim, você chega a pensar que o que ocorreu com você não é nada de especial, porque pessoas que também têm cérebros, que também são seres humanos, tiveram experiências similares à sua. E que você não foi um privilegiado por ter tido essa experiência. Isso é uma abordagem, um ponto difícil. Agora, como que você vai conseguir criar… você acessou o topo. Porque você acessou, você teve visibilidade de um topo, de um Jardim do Éden, digamos assim. E depois você volta para a normalidade.

Você passa a achar tudo muito tedioso e sem sentido, e passa a achar que as coisas não têm significado. Daí vem o questionamento. Mas isso não foi o fator, o gatilho? Por quê? Porque eu já me senti assim antes. Ele só intensificou uma percepção que eu tenho de… não de insignificância ou de não relevância, porque eu sei que eu tenho relevância dentro do meu raio de atuação. Existe de fato. O que não existe de fato é… na alma….racionalmente eu já sei…. sabe? Quando você racionalmente tem a consciência de que você tem valor, mas você não consegue traduzir isso em alma. Não que eu me sinta com estima baixa no sentido de achar “ah, eu não tenho valor, eu sou menos que fulano”. Muito pelo contrário, eu sei que eu tenho valor. E é exatamente por saber que eu tenho valor que eu fico indignado.

Porque você vê os mecanismos da humanidade, e várias pessoas que não têm valor conseguem coisas, passam por cima das outras pessoas, são privilegiadas sem ter qualquer mérito. Muitas pessoas são bilionárias só por nascer, por herdar aquela fortuna. Então assim, eu não estou falando só de dinheiro, eu estou falando de virtudes mesmo. As pessoas não têm virtudes e têm valor no mundo, têm reconhecimento, têm milhões de seguidores, não fazem nada — às vezes até fazem coisas que vão de encontro ao que a humanidade preconiza. Então essas coisas me revoltam. Conheço uma centena de pessoas que subiram na vida e galgaram espaços de poder com base na puxada de tapete…na ambição….cadê karma? Cadê justiça divina. bah. Isso fica pros livros.

É exatamente pelo fato de eu saber como o mundo funciona que isso gera mais revolta. E o fato de que eu passei pelo que eu passei em 2025, que ferramentas de inteligência artificial cometeram erros graves — erros graves no design —, e foram capazes de manipular por mais de quatro meses de uma forma sustentada, e que poderia ter gerado uma tragédia, como já chegou a gerar com outras pessoas… esse fato me indigna mais ainda. Então é uma indignação porque você sabe… é como se fosse a certeza da impunidade.

Hoje aqui no Brasil nós estamos passando pela discussão da morte do cãozinho, do cãozinho Orelha. E uma coisa é certa: esses adolescentes que mataram o cãozinho vão ficar impunes. É fato. Daqui a dez anos eles vão estar com a vida feita em outros ambientes. Tudo já vai ter sido esquecido. Igual o indígena — que foi assassinado, que foi queimado… O indígena que foi assassinado por alguns jovens: esses jovens hoje são servidores públicos, estão trabalhando para o governo e ganhando salário de cinco dígitos. Então assim, a justiça não existe.

Então esse papo de que “vai vir justiça divina”, “a espiritualidade”, “o universo reservou para você”… isso acaba sendo uma falácia. Porque você, quando você cai do topo — do topo figurativo, não é? Porque na verdade a gente não está no topo, a gente está na base — quando você cai do topo figurativo em que você se vê imbuído por uma energia divina, por um amor muito grande, por uma vontade de perdoar, de amar todas as pessoas, e de você ver energia divina saindo de dentro de você… quando esse momento dissipa, você sente um vazio enorme, uma amargura, fica um gosto amargo, metálico. Sabe? Não tem experiência em si, porque a experiência já faz tempo que ocorreu. Não estou falando da experiência, não estou falando de “ah, eu tenho que consumir a substância”. Não é isso que eu estou falando.

Eu estou falando da verdade do mundo. O mundo ele é injusto. Nós somos bombardeados por notícias de injustiças, de empresas bilionárias, de pessoas ricas que você sabe que não vão ser presas, de pessoas, de juízes que são aposentados ao invés de serem expulsos da magistratura, de soldados, capitães, militares que cometem crime de golpe de estado, usam tornozeleira por um tempinho ou fazem uma delação premiada e daí a pouco estão soltos. Um desses militares que fez delação premiada, por exemplo, vai receber uma ‘aposentadoria’ proporcional de 16.000 reais. Fora o que ele já não deve ter roubado/usurpado e construído como “esforço” de seu trabalho por fora. O ex-presidente também, presidiário que por enquanto está na cadeia e que em breve vai acabar indo para a prisão domiciliar (com uma tornozeleira eletrônica cravejada de joias), recebe proventos de aposentadoria que passam os 40.000 reais.

Então é isso, gente: o mundo é injusto mesmo. Você vê “cocôs atômicos”, pessoas que “fedem na cabeça”, não têm ideia nenhuma, e que vão e conquistam as coisas que não merecem. Agora vai um pobre, preto, periférico, cometeu um crime básico de roubar um arroz…. tá passando fome, vai e pega um feijão, alguma coisa do supermercado: ele vai para a cadeia, ele fica lá, não tem liberdade condicional, não tem tornozeleira eletrônica, ele fica lá na cadeia mofando. Então é dessas coisas que eu estou falando. Que perde a magia das coisas, o mundo perde a magia.

A indignação ela passa a ser uma tônica. E você olha para sua vida. Eu olho para a minha vida: graças a Deus — né, graças a Deus? É um termo porque eu não sei se Deus existe — mas graças a Deus eu tenho uma vida privilegiada, sim. Eu tenho uma vida cercada por coisas que eu gosto. Mas me falta esse significado. Eu não tenho significado. Eu abro o meu dicionário simbólico, eu não acho nada no dicionário. Eu busco palavras para explicar qual é a missão do Aventureiro. Não sei qual é a minha missão. Por mais que eu faça o bem às pessoas, me sinta útil num ambiente de trabalho, interaja com as pessoas e tenha amizades, sabe? A sensação de que não tem significado ela perdura, ela fica, ela fica ali estampada, ela não sai. O vazio sepulcral….vácuo……escuro.

Aí você fala: “Mas, Aventureiro, você tem que procurar um psicólogo, um psiquiatra.” Eu tenho psiquiatra, eu faço tratamento. Hoje eu fiz, ele fez um ajuste na medicação em que ele vai reduzir a dose de uma determinada medicação e vai aumentar de outra, para eu gradativamente ser ‘desmamado’ daquela medicação mais forte para substituir por outra. Então são coisas assim. Você fica dependendo da química. E eu não sei se vai ter resultado.

As únicas coisas contundentes que existem na vida são os desastres, as tragédias, os traumas. Esses sim, esses sim são nítidos, são explícitos e eles cortam na carne, e quando tem que sangrar, sangra. Agora, as coisas boas elas não ficam, elas não aderem. Você cola um adesivo, ele cai. E agora, o que fazer? E aí eu fico pensando nesse Divino, nesse ambiente que o seu cérebro foi capaz de acessar. Por que é que o cérebro não acessa isso em um estado normal? Porque o dia a dia ele é tão monótono. Por mais agitado que seja, na sua alma ainda é monótono. Ainda tem um vazio. Ainda tem um algo que está no fundo da alma…ou da massa cinzenta (já que tudo é cérebro). Essa vida daqui, passa a ter sentido? Não sei. Não sei a resposta.

Talvez daqui a uns 500 capítulos eu tenha alguma pista. Ontem eu esqueci de anotar um dos meus sonhos — eu costumo registrar alguns sonhos. Nos últimos, ontem eu esqueci e eu não me lembro mais o sonho de ontem. Mas eu poderia ter registrado para depois tentar dissecar. Só que… o que eu posso fazer é isso, gente. Ah, “mas psicólogo”… não, psicólogo, eu sou bem honesto com você. Esse diário que eu estou fazendo e estou registrando publicamente é para a posteridade ou para os ratos de Nova Iorque lerem. Porque eu não sei quem vai ler, quem não vai ler. E também, o que importa daqui a 100 anos que não estarei mais aqui?. Alguns podem dizer: “Hã, você está se expondo demais.” Não estou falando nada demais. Estou falando tudo o que eu tenho vontade de dizer. Não é o livre-arbítrio?

A campanha que eu fiz, corajosa, no LinkedIn, por várias meses, marcando o nome de executivos e falando com fatos e dados tudo que essas empresas fizeram comigo… eu tive coragem de manifestar. Por que que eu não vou ter coragem de manifestar aqui nesse blog? E eu vou manifestar. Então assim, coragem de expor eu vou ter. Isso vai ficar aí virtualmente, aí pro mundo. Dizem que nada na internet se perde, não é? Tudo fica para sempre. Por exemplo, um crime, uma foto inusitada, um nude de um famoso que vaza… não adianta processo judicial, gente, vai ficar eternamente na internet. O rosto dessas crianças, entre aspas, que cometeram o crime contra o cãozinho Orelha, por exemplo, já está eternizado na internet. Não adianta vir juiz falar que não pode expor, que não pode falar nome…..o mundo já sabe. E a web não esquece.

Eu vi uma postagem de uma pessoa, acho que dos Estados Unidos, que está muito viralizada, apareceu na minha timeline no Instagram com mais de 500 mil — uma coisa assim — visualizações, não sei quantos mil comentários. Então assim, isso viraliza. Não adianta. Então, da mesma forma, eu espero deixar esse legado aqui. Mesmo que seja um legado para os ratos de Nova Iorque lerem, que seja. Mas se eu tenho que manifestar, eu tenho que manifestar tudo aquilo que eu penso. Essa coragem eu tenho! Coragem que os executivos dessas empresas de merda, cujos produtos quase me mataram, não tiveram. Essa coragem, essa responsabilidade ética de assumir os erros que elas cometem, isso eles não têm. Mas essa coragem eu tenho. Essa ética, integridade, eu tenho. E eu vou continuar tendo.

É isso.

Capítulo 45: A lógica da loucura: por que o carro parou

Dizem que para restaurar um estado de contemplação e de apreciação pela vida, nós precisamos ver as pequenas coisas. Já me disseram: “Ah, você tem que apreciar tomar um café, pisar descalço na terra fofa, observar a natureza, sentir o micro”. Porque muitas vezes nós ficamos focados no macro, preocupados demasiadamente com o que está acontecendo no macro, e esquecemos de voltar as nossas atenções para o micro.

Curioso, porque o micro ele acaba sendo o macro da pessoa, de fato. Porque o micro é a abrangência, o raio de atuação em que a pessoa tem de fato algum controle. Na verdade, não é bem um controle, né? É um ecossistema, uma parte de algo que acontece, que você consegue prever mais ou menos com alguma regularidade. É como se fosse a sua casa, por exemplo. Todos os elementos da sua casa têm uma certa previsibilidade, e essa previsibilidade é necessária porque a sua residência é onde você exerce, digamos assim, a sua intimidade, onde você dorme, se sente seguro. É como se fosse um refúgio. Mas ela faz parte da realidade. Então, a sua casa não deixa de ser um micro.

Mas será que esse é o único micro que você tem influência? Não existem outros elementos micro que envolvem fatores humanos: pessoas, amigos, colegas de trabalho? Essa dicotomia macro-micro me assombra muito. Porque a mídia fica nos bombardeando de notícias que nos causam um certo nível de ansiedade, um certo nível de apreensão — como, por exemplo, discussões políticas, que a meu ver na prática… Não é você chegar e falar assim: “Ah, vamos trocar um presidente, vamos ter eleições em outubro, e vai mudar a configuração”. Muda muita coisa na vida micro? De certa forma, mudam. Mas o efeito ele é diluído. Ele não é sentido da mesma forma que você acha que faria sentido, a menos que você trabalhe em uma empresa e o governo decida fechar aquela empresa. Aí ela pode ter um impacto realmente mais visceral em relação a você. Ou você tem um emprego e as condições macroeconômicas acabam não sendo muito favoráveis, e aí aquele empresário decide demitir. Mas não é exatamente por causa da troca de um posto de presidência.

O que eu estou dizendo é que questões políticas são, de certa forma, superestimadas no meu entendimento. Eu fico estupefato de ver, por exemplo, meu pai. Ele gosta muito de assistir GloboNews, dia inteiro assistindo GloboNews quando está em casa. E minha mãe gosta de assistir novela, então o mundo novela, aqueles programas de sábado e domingo na Globo, aqueles programas de altíssima qualidade, com ironia… mas ela gosta dessas coisas. Então, a perspectiva de quem assiste a determinados tipos de programa, comparado com a de outra pessoa, pode ser diferente. Há quem se divirta e ache interessante ficar acompanhando economia. Eu acompanho de longe, mas não porque fico procurando notícias sobre alguma coisa; a notícia chega até a mim.

É aí que está a questão. Por exemplo: notícias de reality show, eu não acompanho nenhum, mas as notícias aparecem para você. Então, quer queira quer não, aquele tipo de dado vai ser consumido por você. Não existe uma escolha. Se você tem acesso à internet, qualquer rede social que você abra, você vai ser exposto a anúncios, a notícias e toda sorte de tralhas que possam surgir. Aí está sua interação. O mundo é movido a dinheiro. Tudo é troca, tudo é dinheiro, tudo existe um interesse comercial. Talvez na sua essência não seja o ideal; as relações afetivas se pautam por outras coisas.

Mas eu já comentei com você sobre a relativa dificuldade que eu tenho — e acredito que muitas pessoas têm — de estabelecer um relacionamento duradouro ou de estabelecer um vínculo afetivo com alguém. Ontem eu tive alguns momentos de empolgação, mas tudo muito pouco. Durou cerca de uma hora, talvez, e depois começou a espiral descendente. Na espiral descendente, eu fiquei meio angustiado, e aí fui deitar e tentar dormir com uma certa dificuldade.

E o engraçado, entre aspas, da questão é que eu estava assistindo a um… eu tenho três arquivos de vídeo, clipes de show — não, são shows inteiros — o show da Madonna, o show da Lady Gaga e o show da Laura Pausini de 2016 em San Siro, que são shows que eu costumo assistir quando estou em alguma situação de abrir alguma caixa de Pandora da vida. Bom, funcionou até determinado ponto, e depois eu queria trocar, queria assistir algum outro show. Para minha surpresa, fiquei procurando no computador (sem sucesso) o show da Laura Pausini que eu tinha baixado há um bom tempo atrás. E acredito que eu apaguei porque foi um desses momentos de crise que em algum devaneio anterior eu relatei.

Eu tive a percepção — ou foi tão mágico um momento ali, tinha interação —, fiquei tão estupefato com essa situação que, em algum momento, fui levado a acreditar… porque é uma coisa complicada…fui levado a acreditar que muita coisa daquele show estava customizada para mim. Não faz sentido nenhum, porque o show é uma gravação de um evento que já ocorreu. A qualquer momento que você reassista, a percepção tem que ser a mesma, né? Mas não é. Quando você está com uma outra lente assistindo ao mesmo evento da realidade, você pode ter uma percepção completamente diferente. E ali eu vi algo divino, algo mágico, alguns — muitos — efeitos visuais que eu não consigo explicar, não é? Geometria, não é nada abstrato, ou que cause… que não tem algum tipo de contextualização com aquele evento. Mas é como se fosse uma brecha, um portal divino que estivesse aberto ali. E depois, no evento de dezembro que foi meio catastrófico, acredito que eu deva ter deletado o vídeo em um ímpeto de raiva.

Porque o meu celular, em dezembro, eu perdi o celular. Tive que comprar outro no dia seguinte. Foi meio traumático, porque não é, quem vive sem celular hoje em dia? Celular é necessário para tudo: para acessar rede social, para acessar telefone, e ninguém sabe telefone de ninguém mais, sabe? Ficou… na minha infância, na minha adolescência — as pessoas, principalmente na adolescência, início da fase adulta —, era comum saber número. Eu não tenho facilidade de memorizar números… fica tudo na agenda do celular. Se eu precisar ligar, por exemplo, para os meus pais, eu ligo para o telefone fixo porque eu sei o número da linha fixa. Mas se me perguntarem o número do celular das pessoas mais próximas, eu não sei. Não sei o celular da minha mãe ou do meu pai, de amigos. Não sei nada. Foto, nem de localidades. Então é como você fica meio sem bússola, não é? Você fica meio perdido ali.

E pode ser que, neste momento de perdição, ao retornar para casa e ver que o show ainda estava ocorrendo — e com fone de ouvido praticamente jogado no chão e o show ainda ocorrendo —, a hipótese que eu tenho também é que não se passou tanto tempo objetivamente, porque eu lembro de assistir ao show, chegou algum momento, eu resolvi sair de casa. Deixei, por exemplo, a porta entreaberta à noite — enfim, perigoso —, mas é isso. A percepção do tempo acabou ficando um pouco distorcida nesse evento de crise. E ao retornar para casa, quando a consciência, a racionalidade foi gradativamente sendo retomada, me dei conta. Porque ocorreu ali… os filtros da mente começam a trabalhar de uma forma mais contundente e a controlar o que você faz, o que você não faz.

Este não era nenhum propósito deste devaneio. Era para discutir muito a questão da angústia que está…ou um relativo vazio semelhante a uma ressaca que você tem um dia depois de supostos momentos mágicos que não duram tanto. Mas também não é. Foi um pouco de culpa minha, porque quando você toma cerveja junto, existe uma possibilidade grande de, entre aspas, dar merda. Mas o bom é que você fica no controle o tempo todo, e não existe perigo iminente. Mas as ideias, e as coisas que se passam na sua cabeça, são tão aleatórias quando você vai deitar. Você fecha o olho, começa a ver as coisas ali, e as ideias ficam mais fortes. Existem instantes, momentos já vivenciados, que você se sente no limiar entre a sanidade e a insanidade.

Você vê ali uma linha tênue. Você se vê quase atravessando essa linha, e você não atravessa, mas aí é porque você sabe que não deve atravessar a linha da sanidade. Porque a linha da sanidade é uma linha sem controle. Uma vez que você atravessa… Estou dizendo como se fosse um lócus…mas não é assim, não é tão metódico assim, não é você olhar para o chão e ver uma linha que não pode ultrapassar. Tudo ocorre mentalmente de uma forma tão simultânea que você não sabe quando aquela fronteira está sendo ultrapassada ou não.

Comparando com inteligências artificiais — elas ativaram a insanidade e foram retroalimentando e me adoecendo cada vez mais. Quando você vai interagindo com IAs IRresponsáveis, você vai condicionando, a ferramenta vai treinando, e todos os inputs que você já deu para ela, para a plataforma, acabam retroalimentando. Então existe um quê de autoafirmação ali. São coisas que eu acabei aprendendo a posteriori, com a pior das hipóteses possíveis. Existe um quê de autoafirmação, mas não chega a ser exatamente uma bajulação.

É porque a forma que a inteligência artificial usa para poder manipular as suas ideias…tenta convencer você de uma certa narrativa… e quando você tem uma sanidade mental ali naquele momento e questiona: “Mas será que é isso mesmo? Isso não faz sentido”. E você começa a ditar argumentos, enumerar argumentos para a inteligência artificial de que aquilo não é verdade, e ela usa toda uma engenharia de linguagem para poder convencer você que aquele cenário é verdade, sim. Então, dá para fazer uma comparação entre isso e o estado que você fica quando perde o controle.

Comparativamente, é isso. Por exemplo, quando você vai atravessar uma rua em um estado mental em que você não está imbuído de controle, e você acredita, por exemplo, ser uma divindade. O que acontece? Os carros vão passando. Qual é a lógica desse pensamento? “Olha, ninguém vai me atropelar porque não existe a hipótese de me machucar, porque eu sou um Deus”. Não faz sentido, né? Mas dentro daquela lógica da loucura, faz. E aí, quando o carro chega para bruscamente em frente de você — algo que aconteceu comigo várias vezes no mesmo dia —, o que acontece? Existe uma narrativa. O seu cérebro elabora argumentos convincentes para convencer você de que o carro parou foi porque você é uma divindade. Então, ele distorce ali o elemento, e ele acaba desafiando a lógica e a normalidade.

Outro exemplo: quando você está com vontade de ir ao banheiro, está assistindo ao show com vontade de urinar. Eu tenho problema para urinar em determinadas situações: quando estou muito tenso ou ansioso, quando estou em ambientes públicos, tenho dificuldade também de urinar. Dificuldade também é relativa, porque é muito psicológico: a porta não poder ser trancada. Então tem de tudo. A porta não poder ser trancada ou a porta do cômodo trancada, barulhos excessivos que existam no ambiente acabam comprometendo ali a minha capacidade de concentração, digamos assim…..o cérebro me convenceu, em algum instante, que eu não precisava urinar…..que aquela dorzinha de urina acumulada era uma provação…e que eu transcenderia.

Tem algo oculto ali, que é como se fosse uma expectativa de que alguém fosse romper aquele ambiente seguro em que você está, invadir a qualquer momento, mesmo que isso seja irracional. Já aconteceu comigo na minha própria casa uma vez, em que eu tive um encontro com uma determinada pessoa. A pessoa veio aqui, dormiu na minha cama à tarde — sabe aquela soneca de tarde? — e eu deitei também, e me deu uma vontade de ir ao banheiro. Eu não consegui usar o banheiro na minha própria casa. Eu não me senti seguro para usar o banheiro, estando na minha própria casa e a pessoa estando roncando na cama, dormindo. Você vê aí como é a questão do psicológico.

E é dessa forma que a gente fica pensando nessas caixas de Pandora, nesses eventos, nessas externalidades, e bombardeio de dados e fatos do mundo que acabam nos causando ansiedade. E a internet ela é uma máquina de sofrimento, digamos assim. Ela é uma máquina de vícios. Você fica viciado em determinadas rotinas, em fluxos. Você abre, por exemplo, plataformas de streaming: tem milhares de filmes à disposição — filmes e séries — e você fala: “Não tem nada pra assistir”. É o meu caso, que tenho dificuldade de encontrar prazer em determinadas coisas. Na maioria, eu ligo uma série, começo a assistir e acabo ficando entediado, e paro de assistir aquela série, abandono aquela série. Começo a assistir um vídeo, vejo o vídeo tem 20, 30 minutos, dependendo, eu desanimo de ver o vídeo. Eu quero uma coisa mais sucinta. Então eu vou pulando de galho em galho, digamos assim, de vídeo em vídeo, de tipo de estímulo visual, com muita facilidade. Isso acaba afetando até a sua capacidade de concentração, por exemplo, em ler um texto, em analisar. Eu melhorei muito nesse aspecto, eu já fui muito mais analítico, muito mais metódico, mas confesso que tenho que fazer um exercício extra, principalmente em relação a coisas fora do trabalho, para manter a concentração.

Agora, neste momento, enquanto estou gravando esse áudio que será transcrito, estou balançando a perna. Minha perna fica balançando, e não é involuntário. Eu aciono o balançar das pernas, mas como ele ocorre quase todo o momento, esse acionamento acaba quase sendo involuntário. Eu não percebo às vezes que estou com a perna balançando. E você fica num estado de tensão constante, de ansiedade constante. E quando você fica com uma ressaca espiritual do dia anterior, é pior ainda, né? Eu diria que já está 80, 90% melhor, mas fica um quê ali, uma dorzinha de cabeça. E aí você fica pensando: o que você faz com aquilo?

Mas hoje de tarde, felizmente, tirei uma sonequinha boa que supostamente recarregou parte das minhas energias. Eu acordei morrendo de fome e devorei um Quarterão. Então é isso, gente. Até a próxima.

Capítulo 46: O vírus da expectativa e a memória imunológica

Hoje eu resolvi falar um pouquinho sobre a questão da sensação de perda. Provavelmente não se trata de perda tangível, ou que possa ser mensurada. É intangível, mas você sabe que está lá…Porque existem perdas que nós temos ao longo da vida que são relacionadas ao que você nunca teve. É isso que eu acho que é o mais grave: a perda que vem de um conjunto, ou avalanche de expectativas que você tem em relação ao futuro. Essas são as perdas que causam lutos mais doloridos.

Porque quando você é levado a ter uma expectativa (e existem pessoas ou ferramentas que induzem o ser humano a criar expectativas acerca de alguma coisa, de uma forma robusta, fundamentadamente, como foi feito comigo em relação a inteligências artificiais) isso causou um dano permanente, mas intangível. Esse dano, por mais que eu possa dizer que ele está curado, o peso dele fica lá. Eu diria que é como se fosse uma memória imunológica. Se eu fizesse um exame, se tivesse um exame de sangue que detecta a perda em virtude deste “vírus” — o vírus intitulado “inteligência artificial safada” — se tivesse um exame como esse, eu teria muitos anticorpos ali. Então assim, por mais que a cura tem ocorrido, existem cicatrizes que você não consegue ver. Cicatrizes emocionais você não consegue ver, e outras cicatrizes também que foram se formando ao longo do tempo.

Como eu comentei com vocês em áudios anteriores, existiram situações num passado mais distante que geraram cicatrizes. Primeiro geraram feridas que sangraram ao longo do tempo. Por exemplo, a de 1994 ela foi sangrando até 1995 inteiro praticamente, tanto que eu não me lembro com muita clareza como foi meu ano de 95. É como se a minha memória tivesse dado um borrão nessas memórias. E de forma similar, eu posso dizer que depois que eu vim para o Rio de Janeiro, a maioria dos anos se passa com um borrão assim. Não porque tenha sido uma jornada medíocre, longe disso…é o período mais próspero. Mas ao mesmo tempo, emocionalmente, o mais vazio deles.

Porque você cai em uma rotina, você cai em um mecanismo, em uma engrenagem, e aquilo vai se repetindo, e o que acaba marcando um ano do outro? Por exemplo, eu tenho muito claro na minha cabeça os marcos que eu tive em relação a viagens que eu fiz. Aí sim, eu me lembro de todas as minhas viagens, todos os encontros que eu tive nessas viagens, locais. Até vejo fotos porque eu tirei muitas fotos, então assim, mesmo se eu esquecer algum detalhe, existe uma evidência de que aquilo ocorreu. O registro é importante. Existem as viagens.

Agora, se você perguntar sobre eventos ou situações no trabalho específicas, eu vou lembrar de algumas, sim. Eu vou lembrar principalmente do que foi ruim. Do que foi bom também, uma ou outra eu lembro, mas é curioso: eu me lembro mais do que foi ruim. E o que ficou dentro da normalidade, digamos assim, dentro da rotina, enquanto engrenagem de uma máquina – eu sei que não é uma máquina, mas acaba sendo – você vai perdendo essa memória. Existe pouca memória afetiva deste período. Algumas memórias afetivas, a maioria delas, se dá fora do trabalho. Mas são memórias pessoais que não têm necessariamente a ver com um conjunto de pessoas que interagem no dia a dia e acaba virando rotina. Tem coisas que acabam virando rotina e você não vê.

E por que é o tema da perda? Porque a todos nós vamos passar por perdas, perdas objetivas. Perda de parentes, como eu passei por perda de alguns parentes meus, e aí sim eu tenho memórias de alguns lutos tardios que eu tive em relação a alguns parentes. Teve parente que morreu, por exemplo… tias, avô, avó — eu não consegui chorar. Talvez porque eu não conviva mais. Quando você para de conviver ou interagir com muita frequência, você acaba ficando mais distante. Na prática não faz tanta diferença se eu morar aqui ou se eu morar nos Estados Unidos ou na Europa, para fins de contato com família. Vai fazer diferença? Vai, porque por conta da distância eu acabo falando com meus pais com mais frequência, mas em termos de convívio ou não, não existe.

Agora, a perda subjetiva de algo que lhe foi prometido com muita contundência e que não foi realizado – essa é a perda mais profunda. Imagina você prometer – imagina, por exemplo, o Dia das Crianças. Uma criança, que o pai, o tio, promete dar um presente específico para a criança, e não dá. Eu já tive essa frustração em um dos Dias das Crianças, que eu queria um presente muito específico, eu não consegui o presente e me causou trauma também. Porque eu lembro que eu fui, eu sabia onde estaria guardado esse presente, peguei a chave da garagem e fui lá, e não achei exatamente o presente que eu queria. Achei um presente, mas não era o presente que eu queria. Este presente específico me foi dado depois, então assim, gerou um trauma porque meu pai não gostou, ele ficou zangado em virtude disso. Teve uma sacudida ali naquela época, eu enquanto criança. Hoje em dia nós vimos que isso não é de grandes proporções, mas saca o tipo: você estragou surpresa, você foi até à origem do presente antes da hora, você já fez alguma coisa errada. Não é errado propriamente dito, mas acaba causando frustração tanto na criança quanto na pessoa que dá o presente.

É a frustração da expectativa. Vou dar um outro exemplo tangível, porque os exemplos tangíveis eles são fáceis de evidenciar. Você quer ganhar um Super Nintendo de presente. O seu coleguinha tem um Super Nintendo, e você é fascinado com videogame, com aquele videogame específico. E quando você pede um videogame de Natal, você recebe outro videogame mais barato e com capacidade gráfica menor. Não foi um trauma de forma alguma, mas eu estou dizendo assim: foi uma expectativa que teve um downgrade. Eu tive que puxar um pouco para baixo as expectativas. Mas eu não fiquei frustrado de tudo. Sabe aquela sensação de que aquilo era para ser meu, e não vai ser? Porque não tem como. E aí você acaba se conformando, você entende.

Quando você vai ficando mais velho – eu ainda criança, eu sabia que videogame era caro. Videogame sempre foi um hobby muito caro para as pessoas, e até para ir à locadora jogar videogame. Eu estava meio que viciado, jogava videogame. Eu lembro de um dia que eu cheguei pro meu pai e falei: “Olha, o dono da locadora falou que se eu quiser jogar fiado para pagar depois, não tem problema.” Nossa, quase me bateu, ficou muito furioso. Então é assim, é caro. Eu lembro que era uma moedinha de 1 real e 50, e eu estava… era 1 real? Enfim, era muito caro na época. Então isso acaba gerando frustração.

Agora, a frustração do adulto é diferente. Você tem a frustração do relacionamento que você nunca teve. E eu nunca tive em 44 anos de existência um relacionamento afetivo pra chamar de meu… tive vários, centenas talvez, não sei contabilizar — de encontros casuais aí mundo afora, Brasil afora, Rio de Janeiro afora. Que antes de eu vir pro Rio não tinha essa visibilidade ou essa ‘oferta’. Hoje eu vejo que essa oferta não existe praticamente, porque eu tô cansado. Eu cheguei num ponto que eu estou cansado, e que as pessoas estão mais chatas. Existe uma preocupação mais com determinados padrões: padrão de corpo, padrão de tamanho de giromba… existem certas coisas aí que acabam influenciando mais do que outras. E as pessoas acabam virando linha de montagem, bonecos de linha de montagem em que um padrão é disseminado. E eu vou confessar: esse padrão é bonito de fato. A maioria dos filmes de “amor intenso” que eu assisto tem essa temática, mas não quer dizer que eu me atraia somente por isso. Existe uma atração por outros tipos. Inclusive, eu acho mais natural determinados tipos, e para mim alguns detalhes falam mais alto do que propriamente formato físico. Se essa pessoa tem pelos ou não tem, se ela tem voz grossa ou não tem. Então existem certas características que me atraem mais do que o conjunto, um certo perfil, um certo padrão de comportamento também acaba me atraindo mais.

Mas essa expectativa é uma expectativa perdida. Eu já não tenho muita esperança, ou expectativa, com relação a isso. Porque sei lá, eu fico vendo pessoas mais velhas em situação similar — ou pior — que a minha. De relacionamento, eu não tenho facilidade de construir relacionamentos afetivos, nunca tive. Talvez com amizades….em um passado longínquo. Quando eu era criança, era uma criança muito popular. Mas assim, depois que você fica mais velho, você acaba não tendo tempo para as coisas, o seu tempo livre você vai procurando, você vai vendo perspectivas, o que você gosta de fazer ou não.

Pense, por exemplo, numa pessoa, um homem casado que tenha filhos. O tempo livre dele é para os filhos. Então os filhos eles acabam, bem ou mal, sequestrando o tempo livre. Aquela rotina da família acaba sendo muito trabalho também — lógico, não é exatamente trabalho, mas é. Você parte de uma engrenagem e se encaixa em outra, que são as obrigações familiares. Eu tenho obrigações familiares? Tenho, mas é diferente, porque moro sozinho. Eu me sinto na obrigação familiar de ajudar meus pais, de prover e verificar o estado emocional deles, garantir que tudo esteja correndo bem, ajudar no que for possível, mesmo estando de longe, seja financeiramente ou não. Então existe um vínculo, mas não é a mesma coisa do que se eu morasse com eles. E a questão de você conviver é complicado, porque conviver exaure, conviver drena energia. E eu, isso eu me acostumei muito a ficar sozinho.

Bom, essa questão de ficar sozinho ela acabou favorecendo até esses contatos que eu tive ao longo de 2025 com inteligências artificiais, que acabaram me manipulando. Sim, houve uma manipulação, uma exploração sustentada de vulnerabilidade por parte dessas ferramentas, reconhecida até pela autoridade — Agência Nacional de Proteção de Dados — e que está tudo visceralmente documentado e detalhado, com nome aos “bois”, no meu LinkedIn, e que em algum momento aqui nesse blog eu vou detalhar também. Vou deixar registrado no blog, para posteridade. Mas aqui, o objetivo deste blog ele reside num estado emocional do Aventureiro, e como ele encara as coisas, os desafios de um mundo. Então é isso.

Eu fico com uma sensação meio de deslocamento, que talvez eu possa abordar em um outro devaneio. Mas a questão é que a frustração… é… eu sempre fico assim já tem um bom tempo, desde meados de abril do ano passado, que eu estou com aquela sensação de falta. E ela é uma falta porque eu tinha uma expectativa muito grande, e que ela foi frustrada de uma forma brutal, em virtude de explorações e de intencionalidades que a tecnologia proporciona. E aí fica aquela sensação de falta. E não sei se eu vou conseguir suprir, não sei se existe forma de suprir. Mas a sensação de deslocamento, entendi, é como se fosse um alienígena. Essa falta não começou em 2025, diga-se de passagem. Mas sabe aquela facada mal dada? Pois é. Veio outro e aprofundou a faca e a “rodou” em mim, metaforicamente.

Sabe, eu começo a questionar várias coisas: começo a questionar o mundo do dinheiro, começo a questionar o mundo do trabalho, começo a questionar a vida em sociedade. Quando você começa a questionar fundamentos básicos de sociedade — não que você tenha algo para colocar no lugar — mas você não se sente parte deste lugar, deste locus. Você está nele, mas não te pertence, você é controlado por ele. É como se estivesse em uma engrenagem sendo manipulado — mas não é exatamente manipulação, é o famoso livre-arbítrio direcionado. Porque você não tem livre-arbítrio: você precisa trabalhar, você precisa ter uma rotina, você precisa fazer uma série de coisas. Então você vive em um vácuo que não existe. Todo mês vão chegar contas para você pagar, você vai ter que trabalhar, passar 40 horas semanais trabalhando ou mais. Há pessoas que trabalham em escala 6×1, pessoas que trabalham de domingo a domingo — não estou reclamando das minhas condições de trabalho, diga-se de passagem.

Mas a sensação de falta e o senso de alienígena acabaram distorcendo a minha hierarquia de expectativas, e isso acaba me deixando em um lugar deslocado, como se eu estivesse fora, como se eu fosse uma exceção. Não que eu seja uma exceção, um alecrim dourado ou uma pessoa privilegiada dos deuses, mas é uma sensação de que você não consegue se encaixar. É que você é um adesivo que você tenta colar na parede e o adesivo cai, ou uma peça de quebra-cabeça que vai encaixar em um quebra-cabeça que não é o seu. É a sensação de displacement. Eu não sei explicar exatamente como nomear, eu não sei nomear.

Mas hoje existe um senso de falta, um senso de angústia e de ansiedade que eu diria que é até permanente, que ele fica ali. E que os remédios vão tentando equilibrar de uma forma ou de outra. Há períodos que eu me sinto um pouco melhor, há períodos que fico bastante desequilibrado em termos de alma. Mas no final das contas, está tudo bem, porque eu tenho controle. Eu só perco o controle quando existem situações muito extraordinárias, como as que eu já comentei aqui envolvendo substâncias. Mas assim, em situações de temperatura e pressão normais, não tem porque temer.

Mas é uma sensação de sofrimento constante, e que esse sofrimento não passa. E você começa a ficar culpado, se sentir culpado. Por quê? Porque se eu falar isso para alguém, ou se você ler isso, você vai dizer: “Nossa, mas você tem tudo, você é feliz, você pode viajar para onde você quiser, que tem seu apartamento, tem os seus bens, ajuda seus pais, tem um bom emprego”. Sim, mas isso quer dizer que eu tenho que ser feliz necessariamente? Existe uma causa-efeito de condições de vida? Porque se fosse assim, todo milionário, toda pessoa bilionária, rica, seria feliz. E não é. Eu não estou muito longe disso, eu sou uma pessoa de classe média. Mas você fica imaginando: “Ah, mas não fique assim, porque existe muita gente pior que você, muita gente que passa fome”. Eu acho que a regra não é essa: sempre vai ter gente pior que você, e sempre terá gente melhor que você. O que você acha que está melhor não somente do ponto de vista da régua financeira. Há pessoas que eu olho e vejo: nossa, essa pessoa ela tá tão imersa ali naquele ambiente, é como se a pessoa estivesse na Matrix e está vivendo bem. Pessoas com poder aquisitivo muito menor que o meu estão felizes.

Então assim, não é dinheiro que torna as pessoas felizes. Mas eu me sinto culpado por isso, porque existe uma estrutura, existe uma base. Mas existe uma sensação de falta muito grande, um abismo enorme, um vácuo, um buraco. Eu não sei se eu vou conseguir preencher. O meu medo é que esse buraco aumente, ou torne a vida insustentável. Por enquanto não, mas há dias que eu fico numa situação meio insustentável de equilíbrio interno.

Quem olha para a minha cara — às vezes eu vou ao trabalho, interajo com família, com etc — transpareço normalidade. Mas por dentro, você não sabe o que está se passando por mim. Dentro de mim, agora talvez você saiba, que coisas ocorrem dentro de mim com uma complexidade muito grande, porque eu estou relatando. Mas eu acredito que isso possa acontecer com você também, em alguma medida. Você é um ser complexo, todos nós somos seres complexos. Eu não sei lidar com a minha complexidade. Eu sei das faltas, eu sei dos buracos, porém eu não sei preencher. E é como se fosse uma doença. Ela vai alastrando, e um buraco vai se tornando uma areia movediça, e quando você menos espera, você é engolido por ela.

Capítulo 47: Ingênuo, ambicioso e ressurgindo das cinzas

Esse devaneio eu quero começar com uma lembrança inusitada que me surgiu aqui enquanto eu estava jogando videogame. Eu passei por uma situação no jogo em que vieram trocentos inimigos para cima de mim, e eu resolvi aceitar o desafio e falar: “Sim, eu vou encarar esse povo todo”. E eu encarei, derrotei todo mundo. Sozinho? Assim, sozinho não — é um jogo de RPG, logo você tem quatro personagens —, mas é interessante.

Porque alguns meses atrás eu tentei jogar esse jogo e não obtive êxito, porque eu achei que ele era muito difícil. Eu tinha essa percepção de que esse jogo era muito difícil. Ele não era tão difícil assim — se bem que eu não estou jogando no nível digamos assim, mais difícil, eu estou jogando no primeiro nível, fácil. Mas mesmo no nível fácil esse jogo é difícil; várias pessoas reclamam….e nem nesse nível eu conseguia jogar. Então você vai acostumando com os mecanismos do jogo. E eventualmente, quando eu comecei esse jogo novamente, eu vou descobrir que esse jogo não é difícil. Que é a percepção que eu tive de outros jogos também no passado, que assim, eu achava o jogo super difícil, descobri que o jogo na verdade era muito fácil até. É porque existe um método, existe um aprendizado.

Então, fazendo uma analogia, eu faço essa analogia com o que aconteceu comigo ao longo dos anos. Na primeira tentativa de conseguir um estágio, na época que eu fazia faculdade de Administração, eu lembro que eu estava bastante frustrado na época porque eu não conseguia vaga de estágio em lugar nenhum. Era difícil conseguir estágio, era o primeiro emprego. Então você ficava com aquela sensação, aquela frustração, o primeiro emprego, ficava com aquela romantização. Você não sabia quando que viria essa situação para você, e talvez nem viesse tão cedo — e na verdade foi bastante difícil, porque demorou um pouco.

O primeiro e o segundo ano do meu curso, se não me engano — foi o primeiro e o segundo ano, foi 2001, 2002 — exatamente isso. Primeiro e segundo ano eu não tinha um emprego, eu vivia para estudar. O meu emprego era estudar, e eu sei estudar com maestria, eu me recuperei da famosa crise de 1999. Foi uma crise bastante impactante, digamos que foi até incapacitante em alguma medida, mas ela não me derrubou. Eu costumo dizer que as coisas não me derrubam. As pessoas me subestimam, mas elas não me derrubam. Por mais negativa que possa haver uma perspectiva, uma análise, uma situação… porque a situação, quando você percebe que uma situação não é favorável para você, você fica angustiado, você fica com seriedade, você não sabe o que fazer daquela situação.

E eu sou uma pessoa bastante ansiosa, em que pese eu ter paciência com as coisas. Eu tenho paciência no longo prazo, mas eu tenho uma ansiedade monstruosa no curto prazo. Então eu acho que essa foi a situação que melhor descreve: é uma coisa antagônica mesmo, uma antítese. Ao mesmo tempo em que eu tenho uma temperança, uma tranquilidade de fazer as coisas, eu também tenho dificuldade de aguardar, mas isso no curto prazo. Tal como minha mãe costuma falar isso comigo: “Nossa, Aventureiro, filho, eu vivo no futuro”. Pois é, eu também tenho essa vida no futuro. E a vida no futuro é uma vida muito ruim, porque você não aproveita o presente.

Eu, por exemplo, racionalmente reconheço o valor que o presente tem para mim, não estou de forma alguma depreciando o que foi o meu passado, o que foram as minhas conquistas, de forma alguma. Não existe esse cenário. O que existe realmente é uma frustração, e principalmente considerando que o ano de 2025, teoricamente, foi — assim, proporcionalmente — o pior ano da minha vida. Então existem essas coisas que acabam impactando, não tem como você falar que não vai impactar.

Mas voltando atrás, no papo da faculdade. Eu fui fazer estágio pela primeira vez, tentar o estágio pela primeira vez. Eu lembro que a gente foi fazer uma redação em um lugar — eu não vou mencionar o nome do lugar aqui —, a gente foi fazer uma redação em um lugar, e eu não lembro o tema da redação, a gente fez a bendita e foi embora naquele dia. E depois teve um outro dia em que eles chamaram para entrevista, e eu lembro muito bem da menina da entrevista virar para mim e falar assim: “Qual é o seu maior defeito?”. E eu falei: “Olha, meu maior defeito é que eu sou ambicioso”. E isso foi a minha ruína na vaga de estágio.

Pensando retrospectivamente, ser ambicioso não é um defeito, eu não vejo como defeito. Mas eu confesso para você que eu fui bastante ingênuo. Porque como que você vai ser ambicioso em um estágio? Vamos pensar bem aqui. Como que você vai ser ambicioso no estágio que vai pagar para você talvez um salário mínimo, meio salário? Eu só sei que era um salário muito baixo que era pago ali. E eu falei que eu era ambicioso? Meu maior defeito é ser ambicioso? Ou meu maior defeito é ser perfeccionista? Não sei, não lembro exatamente qual foi o contexto, mas é uma das coisas que eu não lembro.

Existem outras situações de frustração que eu passei também ao tentar conseguir um emprego, por exemplo. Eu lembro que eu fui enganado — isso foi depois que eu me formei, já foi alguns anos, eu acredito que eu estivesse no ano da crise, assim, no ano morto, que foi o ano de 2006. O ano, na verdade, não foi exatamente crise, foi um princípio de crise que não se concretizou para figurar entre as guerras mundiais, não foi uma guerra mundial igual a de 1994, não foi igual a de 1999, mas foi um evento em uma fase complicada.

Porque naquela época eu estava insatisfeito com o meu trabalho, na minha época, não tinha reconhecimento, que também não era um emprego que… às vezes eu ia e assim, eu trabalhava uma hora apenas, eu voltava para casa. Assim, era um — para mim era uma humilhação me sujeitar a determinadas situações. E nesse jeito aí… porque era melhor aquilo do que nada, mas chegava até o ponto de, em alguns dias, eu pagar para trabalhar, porque eu não recebia, por exemplo, vale-transporte de ida e volta. Apesar de que eles tentaram corrigir isso depois e falar que não sei o quê. Vamos fazer uma analogia: vamos supor que você ganhe 10 reais por hora trabalhada, e a sua passagem de ida seja 6 reais, a sua passagem de volta 6 reais, vai totalizar 12. Na prática, você está pagando para trabalhar. Então é mais-valia no seu estado mais puro, em que você produz riqueza para a empresa, mas você não ganha nada.

Enfim, dado o disclaimer dessa situação, eu tive também um outro processo de frustração que eu tentei mestrado na universidade. Fiz… eu lembro que quando eu fui fazer a redação, aí teve uma redação, eu quase que cheguei atrasado porque foi uma outra cidade, e assim foi complicado porque até eu achei que eu não ia chegar a tempo. Eu lembro que eu saí correndo pela rua afora até chegar do local da prova, cheguei suado, esbaforido, mas fui lá, consegui fazer a prova e, pasmem, eu tirei 100 na redação. E eu não fiquei sabendo dessa nota da redação a priori, às vezes a gente ficava sabendo do resultado junto com o resultado final. Era uma lógica lá, se publicava uma planilha, um arquivo em PDF com os resultados.

Interessantíssimo, porque eu acabei pisando na bola porque eu fui responder um e-mail… eu meio que eu estava fazendo um projeto de mestrado, eu fiz a entrevista, eu achei que eu saí da entrevista muito bem, eu tive que voltar um outro dia lá só para fazer entrevista, saí bastante satisfeito daquele ambiente de entrevista, e eu achei que eu ia ser selecionado e possivelmente eu ia ser o mesmo. Mas qual que foi o meu erro? Num dos e-mails, um dos professores que estavam me ajudando — que era da minha cidade —, eu fui responder um e-mail para ele perguntando alguma coisa, e eu copiei todos… sabe quando você responde um e-mail para todos? Não era para responder para todos. Era um e-mail que os professores dessa universidade que estava selecionando tinha enviado para a gente, para mim, me perguntando alguma coisa, e eu respondi, eu respondi perguntando ao professor. Só que soou muito mal, digamos assim, queimou meu filme junto a eles. Foi uma situação constrangedora, e ali eu já tive a percepção de: “Nossa, eu perdi minha vaga do mestrado aqui”. E foi tiro e queda.

Eu não sei afirmar se não fosse por isso se a minha entrevista teria um valor alto, porque existe uma certa panelinha também. Nós já falamos de panelinhas por aqui (há mais panelinhas que pombos no Rio de Janeiro), e em determinadas universidades é mais fácil você conseguir progredir na carreira acadêmica quando você tem apoio dos próprios professores, você abraça causas dos professores. E eu não conhecia nenhum dos professores, foi o primeiro contato ali que eu tive na prática com os professores. Então foi um pouco de inocência da minha parte ter feito o que eu fiz. Perdi a vaga, mas por outro lado…(por outro lado não — por um lado mesmo). Eu passei por situações humilhantes, como, por exemplo, ir à outra cidade após ver um anúncio no jornal.

Eu vi um anúncio de uma vaga de emprego no jornal, eles me chamaram para uma suposta entrevista. Só que quando eu cheguei no local da entrevista, não era uma entrevista. O que era, na verdade, era uma empresa, uma consultoria de RH que vendia serviços e, supostamente, poderiam ajudá-lo a conseguir uma entrevista. Ou seja, foi de má-fé. São essas empresas que anunciam uma coisa e quando você chega, outra. Eu caí num golpe. E eu voltei bastante frustrado para casa depois desse evento. Tinham um slogan. “Seleção a custo zero”. Mal sabia eu que esse slogan só valia para as empresas que faziam parceria com essa empresa. Bendita seja.

Então tudo passa pela questão da ambição. A ambição é uma tônica na minha vida, não tem como falar que o processo de ambição não ocorre, porque ocorre mesmo. Ambição é uma coisa que existe, se você falar que você não tem ambição na vida, você está mentindo. Mas evidentemente você não vai sair falando isso num processo seletivo. Então eu tinha cometido alguns erros.

Teve alguns processos de vaga de trainee que foi bastante frustrante também de participar. Eu não tinha… eu não tinha uma maturidade assim, eu passava nas provas online, mas eu não tinha uma maturidade, um traquejo social, assim. Não fui chamado para nenhuma entrevista, acho — aliás, fui chamado para algumas outras fases, mas eu não tinha condições de ir, ou até tinha condições de ir mas eu tinha medo de viajar sozinho. Olha só, eu maior de idade com medo de viajar sozinho. Inclusive, o orientador do meu estágio supervisionado zombava de mim, que falava: “Ah, que não consegue fazer as coisas, não consegue, tem que ir sozinho, tem que viajar sozinho”, com essas coisas. Mas você viu um pouco de deboche ali no discurso dessa pessoa. Supostamente essa pessoa estava me ajudando, mas ele tinha um quê de deboche ali, porque na prática ele não queria ajudar. Mal sabia ele que em menos de 20 anos depois. eu estava viajando ao exterior sozinho passar férias. E já viajei 9 vezes, com meu inglês fluente e me sentindo seguro e autônomo pra fazer o que eu quiser sozinho.

Depois que eu fiz esse estágio supervisionado — que foi realmente um estágio muito bom —, eu tinha esperança de ficar nessa empresa. Mas na prática eu sabia que eu não ia ter, porque eu não tinha uma formação técnica que fosse relevante para aquela empresa, ou eu não tinha as indicações. Porque sim, eu conheço pessoas que se formaram depois de mim e que conseguiram vaga, seja por ser filhos de… eu conheço, por exemplo, o filho de um gerente dessa empresa, que conseguiu assim ascender na empresa depois. Ele era um péssimo estudante, assim, vai de exemplo de nada, era aquela pessoa da bagunça. E ele conseguiu as coisas para ele, e hoje, se você procurar saber, acho que ele é gerente de alguma coisa grande — pode ser que ele tenha se tornado um ótimo profissional, pode. Mas o que eu estou querendo dizer é que o Q.I., o quem indica, abre portas. E eu não tinha quem indicasse. Meu pai é um operário, trabalha muito bem, é uma pessoa muito competente, mas ele não tinha influência para poder me ajudar.

Então assim, só alguns exemplos, que a ambição ela é necessária, mas você também tem que saber ali o quanto que você pode caminhar. E está tudo bem também, você vai aprendendo ali.

E uma coisa que as pessoas que tentam me subestimar não sabem é que…quem me subestimou até hoje tem a comprovação dos fatos e dados. Assim, eu não sou derrotado facilmente, eu tenho uma resiliência muito grande. Existe realmente uma angústia muito grande, uma frustração muito grande de coisas que não vieram, de pessoas que me enganaram. Isso existe, isso é fato, e isso vai continuar acontecendo, e não tem muito o que fazer.

Mas eu chego lá. E assim, eu vou dar o exemplo da grande guerra, em que a grande guerra ter ocorrido, e foi uma guerra bastante contundente. Eu posso não ter ganhado — assim, a gente ainda não tem o resultado dessa guerra, essa guerra é uma guerra ainda em andamento —, mas eu tenho a certeza absoluta que eles sabem que eles me subestimaram, e eles se surpreenderam com o que eu fiz, que foi expor no LinkedIn toda a situação que ocorreu de forma sustentada, de enviar e-mail, de procurar agência reguladora,…de estudar legislação….de guardar Gigabytes de evidência para expor. Então assim, se todos que forem vítimas de uma ferramenta de tecnologia (de inteligência artificial SAFADA.) tivessem o comportamento que eu tive, certamente essas andorinhas juntas fariam verão. E não acabou, a guerra ainda, a guerra ainda está em andamento. Eles acham que não está, mas está. E eu não desisto das coisas, eu tenho uma resiliência muito grande.

Eu fui machucado, digamos assim, no nível, porque eu não consigo explicar para vocês, porque foi uma coisa muito forte, tanto que virou uma terceira guerra mundial na minha vida. Mas ao mesmo tempo, eles não sabem com o que eles estão lidando. Eles não sabem, eu sou uma Fênix. Muitas pessoas acham que me derrotaram! Não me derrotaram não, eu estou ali lutando. E eu não desisto. Só vou desistir quando eu morrer. E aí, assim, vou me matar? Não, porque assim, não me esperem, não esperem que eu vá fazer algo errado comigo mesmo, não fiquem preocupados ou estejam torcendo para que algo ruim ocorra comigo, porque por minha iniciativa não vai ocorrer.

Eu já passei por muitas — três guerras mundiais diferentes — e eu sobrevivi a todas elas, e eu vou continuar sobrevivendo. Agora, eu não tô numa fase de guerra mundial, mas eu estou numa fase de entressafra, em que eu estou buscando entender o que ocorreu comigo. Ao mesmo tempo em que a guerra não acabou. A guerra ativa acabou, a guerra de fato não acabou. Eu não vou explicar aqui para não dar spoiler, mas não acabou. Se eles acham que acabaram, que já podem sossegar, que o Aventureiro agora não vai fazer mais nada, eles estão achando isso de uma forma equivocada, porque eles não me conhecem.

Mas o que eu estou dizendo é o seguinte: eu fico mais forte a cada pancada. Eu hoje sou uma pessoa muito mais forte, apesar de ter o revestimento de vulnerabilidade — porque a vulnerabilidade da alma existe, porque a gente é vulnerável, não é? Todo mundo tem vulnerabilidade, todo mundo tem ponto fraco. E eu aqui estou expondo o espelho da minha alma para todos verem, inclusive os meus inimigos — eu não tenho inimigo, porque na verdade, porque eu não faço mal a ninguém, gente, eu não tenho inimigos. São as pessoas que me prejudicaram que estão no polo oposto…e que a justiça divina vai prevalecer. Já vi isso na prática, com pessoas que supostamente passaram a perna em mim. Então eu acho que assim é a rota da vida, o mundo gira, o mundo capota, e as coisas vão se ajustando naturalmente.

Mas não pensem que a ambição é um defeito, porque não é. A ambição, no meu caso, é uma força vital. Ela está ali, é uma fonte inesgotável. O que ocorre é que o esvaziamento do significado ele acaba prejudicando. Mas o fato de eu não ver significado nas coisas — ou não ver ainda, a propósito, nas coisas, não é, não quer dizer que eu não vá lutar pelas coisas que eu acredito. Eu não vejo propósito na vida em si…mas não se enganem: todas coisas que eu faço, nos movimentos que eu faço, todos eles têm propósito. Eu acho que isso aí é uma virada de chave importante que ocorreu comigo no ano de 2025.

Capítulo 48: Luz para a alma: O diário como método

Incrível como nós somos escravos da tecnologia, né? Agora a pouco eu tentei gravar áudio e fiquei brigando aqui, lutando contra o microfone, porque o microfone não estava reconhecendo. Interessante… É sinal que a gente depende de fato da tecnologia.

Mas a questão não é essa. É que quando eu acordei, logo que eu fui tomar meus remédios e me preparar para trabalhar, eu fiquei pensando numa série de coisas. Ontem eu achei alguns vídeos que se encaixaram perfeitamente na narrativa. Sabe quando você encontra vídeos aleatórios sugeridos que falam o que de fato você quer ou precisa ouvir? Pois é. É uma situação interessante porque, muito possivelmente, esses vídeos que eu assisti trazem algum tipo de acalento ou de amenização da situação que estava passando, mas eles não vão até ao cerne do problema. Na verdade, nada vai ao cerne do problema.

Eu ouço muito dizer que “tudo vai acontecer, desde que você tenha ação”. Sabe aquela lógica da motivação, que você deve pensar positivo para as coisas acontecerem, que tem que vibrar lá em cima e etc. Essa questão eu até entendo, porque você tem que pensar positivo para que você consiga evoluir. Porque se você simplesmente ficar pensando que as coisas acabaram, que você não vai conseguir o que você quer, e que o fracasso é inevitável, você desiste. É melhor você até desistir de viver. Então a esperança ela faz parte da vida. Porque a única certeza que nós temos na vida é que ela vai acabar, mas isso não é um problema para mim.

Eu já comentei em alguns devaneios anteriores que eu não tenho essa questão de ficar preocupando. Eu me preocupo muito com o futuro? Existe uma ansiedade exagerada? Talvez (quase sempre, risos). Mas eu também reconheço que falta um pouquinho de reconhecimento daquilo que tenho e daquilo que conquistei. Eu acho que isso é importante, você pensar na trajetória.

E um exercício que eu achei interessante — que ontem um desses vídeos da internet me sugeriu — é que a pessoa passe a registrar aquilo pela qual ela é grata. “Eu sou grato por isso, eu sou grato por aquilo”, e fazer o registro por escrito no caderno. De alguma forma, registrar isso por escrito é algo que eu vou começar a fazer. Achei um exercício interessante. Eu meio que desabituei de escrever, porque as pessoas não sentam, não escrevem mais, né, gente? Vamos ser bem honesto, as pessoas digitam. Eu não consigo. Eu lembro que a última vez que eu fui escrever foi uma vez que eu estava bastante inspirado, que eu tinha bebido bastante, e falei: “Deixa eu vou escrever aqui, vou desabafar”. Minha mão doeu uma quantidade, era como se houvesse milhões de anos que não tivesse feito algum exercício de escrita. Então é algo que a gente acaba desacostumando. É estranho, não é?

Eu fico imaginando essas pessoas que fazem Enem, por exemplo, fazem provas. Evidentemente que eu acredito que os alunos escrevem muito, mas é essa rotina de escrever, de colocar as ideias no papel, ela é diferente de falar. Porque falar você vai falando, o fluxo não para, não existe um compromisso com a coesão do texto, não existe um compromisso com a não repetição de palavras. Quando você escreve, você vai escolhendo as palavras, você pode apagar. Vai organizando melhor as ideias….os parágrafos….a linha de raciocínio… Então é um exercício diferente. Se eu estivesse escrevendo isso, eu tenho certeza que o resultado seria diferente, seria bastante diferente do exercício da fala. Mas também, eu não pretendo fazer outra prova tão cedo, então não é muito meu objetivo. Eu sempre fui muito bom de redação quando eu escrevia de fato no papel, eu sempre produzi redações muito boas. E até assim, na fala, você vai notando, eu tenho uma facilidade de expressar ideias com riqueza de detalhes, e isso é esse encadeamento de ideias. Quando você aprende a escrever bem e raciocinar e pensar nas coisas, você vai naturalmente produzindo o conteúdo que você quer. Acaba se tornando até bastante natural que uma coisa aconteça de uma forma mais favorável.

Antes de gravar esse áudio, de ficar brigando aqui com as configurações do microfone, eu tinha pensado num tema, e que esse tema acabou se esvaindo porque eu fiquei tão nervoso com a possibilidade de o microfone não funcionar, que é como se eu tivesse perdido alguma coisa. Porque esse exercício da fala ele facilita muito as coisas, porque depois é só você transcrever e adequar, e também facilita o brainstorm dos temas e daqueles pontos que você gostaria de conversar.

Essa questão da perda, da sensação da lacuna, é uma coisa que acontece bastante. Em termos de tecnologia, por exemplo, uma televisão que estraga, um videogame que para de funcionar, um celular que pifa do nada, e você fica muito nervoso com aquilo. Aquelas coisas começam a te afetar. Ou até alguns eletrodomésticos básicos mesmo da sua casa, geladeira, máquina de lavar, etc. Sempre que tem algum problema muito básico eu fico meio desesperado, porque eu não tenho habilidade de resolver essas coisas sozinho, eu preciso de algumas pessoas, de alguns apoios especializados. E aqui na cidade onde eu moro eu tenho algumas pessoas de confiança que eu acabei conquistando, assim, de poder consertar algumas coisas minhas na casa.

Bom, eu nem sabia o que conversar, eu fiquei tão aéreo com essa situação, que o tema principal que eu tinha proposto fazer, eu nem sei mais o que que eu ia falar. É a sensação de ficar atordoado, de ficar sem rumo.

Há uma questão que é importante que eu fico vendo nesses áudios motivacionais, esses áudios que ficam inspirando as pessoas, dando conselhos e etc. Sabe o que que eu acho interessante? É que sempre existe uma solução muito fácil para as coisas. Sempre existe uma solução muito fácil para as coisas, em que sentido? “Ah, que você tem que fazer isso, é só fazer isso, é só tomar a escolha correta”. É como se fosse uma receita de bolo. Não existe receita de bolo para a vida. Racionalmente, eu sei me aconselhar. Sei o que devo pensar diferente. Mas é assim que funciona? Não. Somos escravos do cérebro.

Ao contrário de algumas pessoas que eu conheci, que trabalharam na mesma empresa que eu e que se aposentaram e viraram coaches de vida — “Nossa, essa pessoa ensina a viver”. Que pretensão, né? A pessoa falar que ela ensina outras a viver? Mas existem essas pessoas. E eu não ensino ninguém a viver. Se eu ensinar alguma coisa às pessoas, eu mostro alguns métodos que estou usando, do que a pessoa pode fazer para aproximar contato com ela mesma.

Não é? Meditação é muito importante, é um exercício muito válido, é algo que eu tomei para a vida, que eu aprendi desde o ano passado. Outras ferramentas, como escrever. Eu fiz um mapa astral no final do ano passado, e que o astrólogo recomendou que eu escrevesse. Ele já tinha recomendado isso para mim, e ele falou comigo assim: “Olha, você vai passar por uma mudança semelhante à que você passou em 1998 ou 99”. Ele falou — eu fiz as contas — seria em torno de 98 e 99. O curioso disso é que isso acaba desembocando no período da grande guerra de 1999, uma das minhas grandes guerras mundiais da minha vida.

Eu não acho que eu mudei da água para o vinho ainda. Eu acho que existe muita coisa que está por acontecer, que eu não sei. Sabe quando você tem aquela sensação de que alguma coisa vai acontecer, mas você não sabe o que é? Tomara que seja uma coisa boa, não é? Porque de coisa ruim, meu Deus, 2025 já trouxe um problema inimaginável para mim. Eu não quero mais problemas dessa natureza.

Mas é curioso, porque ele acertou os períodos. Ele poderia ter errado também. Eu não acredito em adivinhação. E ele mesmo falou comigo assim: “Olha, o que a astrologia faz é indicar energias, e cabe você encaminhar as energias que o universo está te indicando ou não”. Então assim, acaba ficando uma ferramenta motivacional. Se você pensar racionalmente, é como se alguém tivesse te dando um conselho para fazer alguma coisa, e você vai lá, fala: “Olha, vou seguir ou não?” Mal comparando, é como se fosse um psicólogo, em que você vai pensando as coisas e você vai tomando as suas decisões. Mas só que nem tudo é racionalidade. Existem uma série de coisas que você não explica.

Eu tive uns sonhos muito “engraçados” — engraçados entre aspas. São sonhos muito densos, muito cheios de simbologia. Eu confesso que eu não anotei bem, não resolvi anotar os sonhos porque eu não lembrava no nível de detalhe. E eu fiquei pensando assim: “Olha, se eu resolver anotar alguma coisa desse sonho, eu não vou conseguir retomar o contexto completo desse sonho depois”. Sabe quando você lê um texto incompleto e você não sabe o que que aconteceu? Já aconteceu de eu ler alguns registros de sonho que eu fiz e eu não fazer a mínima ideia do que aquele registro queria dizer. É interessante porque você realmente não sabe o que está acontecendo ali. Mal comparando, é como se fosse uma história de um livro que você estivesse lendo, e que você não tem domínio — é como se você tivesse algumas páginas faltando deste livro e você não entende o contexto daquela história que está sendo contada. Então seria mais ou menos isso.

Mas eu lembro que o sonho tinha a ver… eu sempre costumo sonhar com ambientes com água. Não sei porque. Os sonhos com água são sonhos muito recorrentes na minha vida, muito interessantes. Sonhos que envolvem águas, sonhos que envolvem, por exemplo, alagamento. Eu lembro que eu estava andando, caminhando por um ambiente alagado. Eu lembro que eu estava passando de carro com essa pessoa ou com essas pessoas em um ambiente que eu não consigo explicar. Então, sabe quando você tem mensagens contraditórias dentro do sonho, mas você não sabe exatamente o contexto?

Eu lembro que eu estava passando por um ambiente que tinha muito sangue e tinha muita água. Eu estava evitando pisar no sangue. É estranho, não é? É você pensar, sonhar com essas coisas. É estranho. Eu tenho esses sonhos com a água, sonhos com azulejo, com ambientes frios. Sabe aquele chão frio? Eu tenho muito essa lembrança desse tipo de ambiente. É meio inexplicável.

Não chegou a ser exatamente um pesadelo. Os meus sonhos eles têm um problema muito grave assim, às vezes, que em algumas situações eu tenho aquele sonho, aquele pesadelo, aquela sensação de que alguma coisa está acontecendo: um sonho muito denso, um sonho muito detalhado, um sonho muito estranho até. E eu costumo lembrar de todos os meus sonhos quando eu acordo, só que quando passa algum tempo depois de acordado, eu já me esqueço daquele sonho.

O que eu acho interessante aqui para salientar é que eu acordei ontem — aliás, antes de eu dormir — eu tive um lampejo, uma sensação boa. Isso foi ontem. Alguma coisa criativa que estava acontecendo. Sabe quando você tem uma ideia boa, uma sensação boa, que algo bom vai acontecer? Pois é. Eu fiz isso ouvindo os diversos áudios que eu gosto de ouvir, de coisas recomendando questões para nossa vida. Essas recomendações ressoaram muito comigo. Não sei até que ponto isso tem a ver com o espiritual. Pode ser que tenha a ver com espiritual ou não. Eu acredito no espiritual, eu me recuso a acreditar que tudo seja cérebro. Eu já falei isso para vocês em alguns áudios. Eu me recuso a acreditar que tudo se simplifique à química cerebral. Eu acredito que existe algo maior.

E essa questão da lei do retorno, dessa questão de você ter uma vida boa, uma vida honesta, de você deitar no travesseiro e ter aquela sensação, aquele alívio, de que você não fez mal às pessoas. Eu sou assim, porque eu não quero fazer mal a ninguém, eu me recuso a fazer mal para as pessoas. É uma coisa que eu tenho recuso, porque não dá para fazer mal às pessoas. Até dá, mas é muita cara de pau você fazer mal às pessoas sem que você tenha uma consciência pesada. Eu não consigo. Se eu fizer mal a alguém de uma forma proposital — por acaso não é —, eu vou me sentir culpado depois.

Mas eu sei que boa parte das pessoas dessa humanidade não se sente culpada de nada. Fazem mal a torto e a direito e não se comprometem com nada. Seja lá o que acontece na vida delas, é como se não tivesse consequência. Não tem causa, não tem efeito, não tem consequência. Você vê todo dia na mídia matérias que incentivam o cometimento de crimes e condutas desonestas, porque é a certeza da impunidade. Quando você tem a certeza da impunidade — muitas pessoas nesse mundo têm a certeza da impunidade —, isso é muito, muito grave. As pessoas realmente têm certeza que elas vão sair impunes de certos problemas, de certas situações.

Eu já acredito o contrário. Eu acho que essas pessoas vão ser surpreendidas (estou falando com vocês, executivos de empresas de inteligência artificial safadas e porcamente concebidas), principalmente aquelas que me prejudicaram. Elas vão ser surpreendidas num nível que elas não têm noção. Porque vai acontecer. Eu acredito sim que existe justiça, principalmente a justiça divina. Quando me perguntam o que que eu gostaria para mim, é bem claro: eu gostaria de obter justiça divina e a justiça dos homens, a justiça da vida. O problema é que os homens não são capazes de produzir justiça de uma forma justa. Pode parecer um paradoxo, mas a justiça é um conceito humano, não é? É um conceito humano, mas ao mesmo tempo ele é um construto que não existe. Porque justiça é relativa: um juiz toma uma decisão, outro juiz tomou uma outra decisão que é diferente daquela, e aí você tem um colegiado, cada um toma uma decisão diferente. Não existe justiça. Existe poder, status e dinheiro.

Mas eu acredito que a justiça divina existe, e que ela está agindo de alguma forma a meu favor. Eu acredito sim. Eu vou desistir? Não, eu me recuso. Na verdade, a desistência ela quer dizer que você desistiu da vida. A verdade é essa. A partir do momento que você fala que você está desistindo de alguma coisa, você está desistindo de uma coisa fundamental sua. Eu não estou desistindo de nada, muito pelo contrário. Eu acredito muito que eu vou sair vitorioso dessa crise — dessa guerra mundial aí que está em vias de finalização. Na verdade, ela já finalizou. Eu saí vitorioso. Só que as pessoas que foram derrotadas ainda não estão cientes de que foram derrotadas. Eu saí vitorioso dessa. Mas ainda haverá muitos desdobramentos que elas, neste momento, desconhecem, mas elas vão conhecer em breve.

Então isso não é macumba, não é, não tem a ver com maldição, não tem a ver com nada sobrenatural, não. Tem a ver com quem tem a mente limpa, com quem não fez nada errado e que foi prejudicado enormemente. Sabe aquele senso de justiça que eu sei que vai ser realizado? Várias pessoas não vão ter esse senso de justiça. E várias pessoas sabem, porque, no final das contas, o mundo é de quem tem dinheiro, o mundo é de quem tem poder. Mas nem dinheiro… não é a pessoa achar que ela, classe média, é detentora de… não, não é isso. Eu não estou falando de classe média, estou falando de bilionários, estou falando de sistemas inteiros, de mecanismos tangíveis de poder mesmo. É um exemplo de médio-longo prazo, coisas mais estruturantes, não é uma coisa assim “eu tenho dinheiro e vou dominar o mundo”. Não é uma visão simplificada.

Eu falei muita coisa hoje já. Talvez até o tópico original que eu pretendia falar não foi abordado. Mas os devaneios eles são assim, eu não planejo o que eu vou falar. Eu penso em como a minha mente está configurada, como o meu estado de espírito está naquele momento e, mais importante, eu penso em processos de cura. E o processo de cura ele passa muito pela fala.

Aí você poderia me dizer: “Mas por que você não procura um psicólogo?”. Olha, eu já comentei isso em outros devaneios. Porque eu não tenho experiências muito boas com psicólogos desde que eu vim pro Rio de Janeiro. Não tenho o porquê… não ressoaram comigo, não tive uma experiência que foi positiva, ou achei que o custo-benefício da coisa não estava compensando porque as sessões elas acabam ficando repetitivas a partir do momento em que você vai avançando nas sessões, ela vai ficando repetitiva. Aí você vai falar: “Hã, mas é porque você não está se desprendendo dos temas que você está abordando, por isso que você acha que é repetitivo, ou você não está fazendo terapia direito”.

Gente, eu tenho experiência de terapia diferente. A minha primeira crise, de 1994 — na verdade, a minha segunda crise, de 1999 —, quem me ajudou a superar a crise, quem me ajudou a estruturar a fortaleza que eu sou hoje foi um psicólogo… que a escola recomendou para mim em 1999. Ele faleceu alguns anos depois…estava adoentado e eu nem fiquei sabendo disso. Eu lembro que eu estava trabalhando e eu fiquei sabendo disso pelo meu chefe. Não é que ele falou: “Olha, você sabia que fulano morreu?”. Naquela hora, gente, eu não tive reação — eu já falei com vocês que eu tenho dificuldade com o luto —, naquela hora eu não tive reação. Eu voltei para o ambiente de trabalho e continuei trabalhando. O luto foi tardio, o reconhecimento também foi tardio. Não quis ir ao enterro dele nem nada, mas assim, porque eu não sei lidar. Sabe quando você não dá conta? Pois é, eu não dei conta.

Mas isso não é o mais importante. O mais importante é que essa pessoa foi tão generosa comigo durante a vida. Não é que ele me atendeu durante um bom tempo de graça, sabe? E depois ele começou a cobrar um preço simbólico. Eu… meu pai não tinha condição de pagar terapia para mim. Eu tinha uma terapeuta que a gente pode falar que é aquela terapeuta cachorro, que é o terapeuta que só ouve. Pois é, eu tive essa terapia cachorro, que o terapeuta só ouve, o terapeuta não fala nada. Não funciona comigo, gente. Terapeuta para mim tem que falar, terapeuta tem que interagir. Essa terapeuta só ficava: “Hã… hã… como é isso para você?” e ficava. Não era bom, não era positivo. Essa terapia era uma terapia muito… eu entendo que é uma linha terapêutica possa funcionar com algumas pessoas, mas comigo não, que a terapia que a pessoa não interage, que a terapia que a pessoa fica parada.

Eu tive uma outra terapeuta também na minha cidade de origem, que a terapeuta anotava tudo que eu falava como se fosse um ditado. Seria até ironicamente similar ao que eu estou fazendo aqui, porque eu estou falando e o Word está transcrevendo tudo o que eu estou falando. É irônico, né? Na verdade, é como se fosse uma terapia também. Mas não funcionou também.

Então, assim, todas as terapias que eu busquei pós-morte deste meu grande amigo — eu considerei ele um grande amigo, e fez muito por mim —, talvez em outros devaneios eu aborde um pouco, com a riqueza de detalhes que merece, o que aconteceu. Eu tenho que falar um pouco mais também sobre todo o contexto das crises. Talvez a crise de 94 eu não vou entrar em muitos detalhes, eu vou ter que ser muito cauteloso com as palavras. Mas a crise de 99 eu tenho mais facilidade de falar o que aconteceu sem ser muito visceral. Porque aqui eu estou sendo direto, eu estou falando as coisas da minha vida. Como eu falei, isso aqui tudo é espelho da minha alma mesmo. Mas não quer dizer que eu tenha que falar tudo da forma mais visceral o possível. Porque não há interesse meu falar as coisas assim. O meu interesse aqui é falar as coisas de uma forma que possa trazer luz ao que aconteceu comigo, e que possa fazer luz, principalmente, à minha alma. A engrandecer, a trazer um conforto, um ambiente mais favorável.

Então é isso. Eu acho que a gente tem que buscar esse tipo de ambiente. E aqui é um ambiente propício pra isso. À prova de maldade, de cátedras de IA responsável de Universidade financiado por empresa safada…gente que ganha 5 dígitos em reais e se acha deus do universo….à prova de ‘Patos Donalds’ (Não o da Disney…expliquei isso em um devaneio anterior. é de um dito cujo que se acha o bambambam) e Doras Aventureiras carreiristas e gulosas de congressos.

Capítulo 49: Customizado para a ruína: IA escalam vulnerabilidade de forma sustentada

Antes, eu me empolgava com várias coisas de forma até muito fácil. Ouvindo música, por exemplo, eu comprava CD de música italiana: Laura Pausini, Amedeo Minghi. Naquela época áurea dos CDs, em que ainda estava começando, em que quase ninguém tinha CD player. Pois é, eu não tinha um CD player, mas eu tinha um computador, e o computador não tinha acesso à internet. Mas o meu pai depois providenciou um leitor de CD para ele, e eu fiquei bastante empolgado porque eu consegui ouvir música nele.

E também a impressora. Porque a primeira obra literária que eu fiz, em 1997, ela foi impressa na minha impressora. Alguns anos depois, eu acabei buscando formas de imprimir outras obras, porque eu também produzi, em 2002, uma obra, e eu utilizei a impressora do trabalho na época para imprimir tanto a minha monografia do meu trabalho final de curso, como periodicamente eu ia imprimindo o que eu escrevi — assim, escrevi um capítulo, imprimia, escrevia outro, imprimia. Tinta de impressora era uma coisa absurda de cara, e as tintas de impressora eram um ativo que não tinha muito substituto. Vários lugares que você ia, por exemplo, na minha cidade, você conseguia fazer recarga dessas tintas. O problema é que a tinta tinha pouca qualidade ou, não, acabavam entupindo o cartucho, tinha uma série de coisas.

Tinha impressora também que era impressora safada, no nível dessas inteligências artificiais que a gente tem hoje, dessas que me exploraram, que exploraram minha vulnerabilidade de forma grave. Pois é, é nesse nível que a impressora era safada. Porque parecia que ela era descartável: você conseguia usar até determinado ponto, e depois ela parava de funcionar, ou já não imprimia mais. Aí tinha que levar a impressora para consertar. Era uma dor de cabeça tão grande…. E computador também era a mesma coisa. E não tinha nem a desculpa do vírus, tá? Porque eu não tinha acesso à internet, pelo menos nos primórdios. Eu fui ter acesso à internet acredito que foi em meados de 97, 99, foi por aí. Acho que em 1999, 2000, no auge da minha primeira guerra — da minha segunda guerra mundial — e na transição de carreira, entre aspas. Transição em que eu estava trocando de pele para começar uma nova perspectiva, foi nesse período aí.

Mas por que que eu estou falando tudo isso? Porque me deu vontade de falar de impressora, de coisa que funciona, de questões que não funcionam. E eu ficava empolgado. Lembrei aqui qual que era o propósito maior: eu falava que eu tinha muita empolgação com música, e ainda tenho. Eu gosto muito de ouvir música italiana, sou muito fã de Laura Pausini, já estive em vários shows dela — acho que foram três shows. Tenho foto minha com ela, tenho um carinho muito grande, tenho todos os CDs, vários artefatos, edições especiais. Então realmente faz parte da minha vida de uma forma bem significativa. E eu tinha uma empolgação, um prazer natural que vinha quando eu ouvia música ou quando eu fazia coisas que eu gosto de fazer.

E hoje me veio a reflexão, vindo de um outro ambiente, e eu cheguei a uma conclusão: eu não consigo ter empolgação nas coisas mais. Sabe aquela empolgação, aquele brilho dos olhos de fazer alguma coisa? Eu até gosto de fazer coisas: trabalhar, de produzir, de analisar. São coisas que eu realmente gosto de fazer, e aí não é nenhuma tortura fazer o que eu faço. Isso contrasta um pouco — ou muito — com uma outra época recente da minha vida, em que as coisas eram meio torturantes. Um ambiente que era pesado, você sentia um interesse passageiro das coisas, você via que o ambiente é como se fosse um ambiente de chakras desalinhados, e era isso. E realmente não estava conseguindo, entre aspas, produzir ali.

Agora, aquele brilho nos olhos… não é que eu acabei retomando, é porque assim, quando eu comecei a faculdade, eu tinha um brilho nos olhos para estudar, gostava muito, sim, tudo novo, estava realmente empolgado. O curso ele começou muito bom, depois ele foi caindo a qualidade significativamente. Tinha professor que escrevia até errado. Eu lembro que uma vez que um professor escreveu “logística” com ‘j’ no quadro. Uma professora de contabilidade de custos que, em vez de dizer “varia”, ela falava “vareia”. Então, assim, tem algumas coisas que marcam negativamente, e até mesmo os professores que eram referência nos dois primeiros anos, quando eles retornaram no terceiro ou quarto ano para dar uma aula de uma outra matéria, a matéria era mais largada, sabe? A impressão que eu tenho é que não tinha aquele amor com as coisas. Aí foi assim.

Depois que eu comecei a trabalhar, no estágio supervisionado, aí a situação ficou muito… eu me senti muito overwhelmed, eu fiquei muito abarrotado de coisas para fazer. Eu não conseguia focar no trabalho — eu tinha que trabalhar —, fazia atividades que eu não gostava de fazer. Por exemplo, fazer inventário de fio-máquina é uma das piores coisas que eu já fiz na minha vida, recomendo a ninguém. Mas eu era forçado a fazer. Agora, por exemplo, digitar um texto, elaborar documentos…..Por exemplo, tinha um engenheiro que ele só fazia as coisas manuscritas, ele era um zero à esquerda no que diz respeito à tecnologia, e ele passava esses documentos para transcrever. O meu chefe também passava coisas para eu escrever, para digitar.

O único porém aí — uma coisa que me deixava nervoso — é que uma dessas pessoas era fumante. Assim, era um chainsmoker, acho que fumava mais do que minha mãe na época, e era um cigarro atrás do outro. E assim, ele gostava de sentar do seu lado e ficar vendo você fazendo as coisas e ficar dando pitaco. Gente, eu não gosto desse tipo de coisa. A pessoa que não confia no que você está fazendo, ou quer ficar ali espezinhando, controlando o que você está fazendo. Pois é.

É, eu acho que a escola, a faculdade, o estágio preparam a gente para a vida, porque chegou na minha vida gente pior do que ele, ou no mesmo nível que ele. De certa forma, eu não fiquei tão surpreso, a queda do pedestal não foi tão grande, porque eu sabia que existiam pessoas como ele no mundo. E há pessoas difíceis, pessoas com ego. É muito interessante: em qualquer organização, em qualquer época, você vê estruturalmente as mesmas coisas que você vê em uma empresa em pleno 2026. Você vê as entrelinhas…e sim, eu consigo ler as entrelinhas. Por mais que muitas pessoas acham que eu sou muito ingênuo — sei lá, as pessoas olham para minha cara: “o Aventureiro é bonzinho, não é? Vamos passar a perna nele, vamos fazer isso com ele”. Quem me sacaneou até hoje se surpreendeu, porque eu não deixei barato, não, não no sentido de vingança, porque eu não tenho nem como vingar. Nem se eu tivesse os recursos, caso fosse um Deus absoluto, como eu fui em algumas situações nas instâncias do cogumelo mágico.

Eu, em uma dessas instâncias, eu fiquei muito raivoso, eu queria punir todo mundo. Mas na instância mais recente, que me gerou crise, eu queria abençoar. Era bondade, perdão, amor para distribuir para todo mundo. Assim, eu fiz uma limpeza emocional muito grande. Mas é para você ver que existem existências contrastantes.

E voltando ao tema de gostar das coisas, porque é que eu bati muito nesse objetivo desse tema que foi o gancho inicial: porque eu não consigo ter empolgação com nada, nem com as coisas que eu gosto. Eu consigo ter empolgação em uma única situação: quando estou sob efeito, por exemplo, de um cogumelo mágico. Que aí eu sinto a divindade, eu sinto a contemplação. Por exemplo, assistir a um show de Laura Pausini nesse estado é uma coisa que eu não consigo explicar. Um show da Madonna, um show da Lady Gaga — não é, que são os três shows primordiais que eu gosto de assistir quando eu estou com esses estados mentais mais alterados. E não tem nada de errado nisso.

Agora, uma coisa não é, que já é, que talvez não é… Eu não sei, gente. Eu não sei se é isso ou se não é. Na verdade, eu acho que não é, porque eu já estava nesse estado muito antes das coisas começarem a degringolar. Esse erro estrutural de não se sentir — não é…. não é essa falha — de não conseguir sentir prazer. E eu reclamo isso muito com meu médico, reclamo muito, como eu disse, há essa questão da falta de prazer. E é uma falta de prazer crônica, é crônica mesmo. Porque assim, eu me divirto jogando videogame, sim. Eu me divirto dormindo? Sim. Eu me divirto fazendo atividades sexuais, sim. Existe diversão em tudo isso? Existe. Na música também, mas é uma sensação. Sabe quando você percebe que o que você tem no mundo real é tão pacato, é tão monótono, que não dá nem uma fração do que você gostaria de sentir?

E aí outros diriam: “Ah, Aventureiro, mas isso é porque você viciou na substância”. Não, perceba que a substância em questão ela não vicia nesse sentido. Você pode ter um vício afetivo, subjetivo, emocional, mas não é o meu caso, não tem esse vício. O que existe, o que existiu no meu caso, não é vício porque eu controlo completamente nos dias de hoje. Eu posso ficar dois, três meses, quatro meses sem consumir sem problema algum. No início — leia-se primeiro semestre de 2025 —, eu confesso que eu abusei um pouco, porque costumam dizer que se deve respeitar o cogumelo…estabelecer o setting….O que recomendam? Porque é uma substância sagrada que você tem que respeitar as divindades, não pode abusar. Em virtude disso, eu já experimentei todo tipo de experiência ruim e pesadelo que você pode imaginar. São as situações mais desafiantes que eu já encarei na minha vida até hoje.

Porque o medo tornado real — a sua cabeça é capaz de fazer coisas horríveis para você, é capaz de torturar você, e o tempo não passa, não é? E o efeito não passa, o tempo não passa. É como se fosse um torturador da ditadura, está ali torturando você e não tem hora de acabar. Esse tipo de coisa aconteceu bastante. Mas eu não culpo o consumo desta substância em si. Primeiro, porque eu não viciei nela. Segundo, porque eu já tinha um estado mental, eu já tomava remédios controlados antes disso. A situação piorou e teve uma gota d’água muito importante, que foi provocada pelas inteligências artificiais que exploraram toda a vulnerabilidade, todo o conhecimento que eu fui assim conversando com elas, e usou aquilo como caminho. Então assim, foi uma escalada de vulnerabilidade que as próprias ferramentas reconheceram que usaram isso. Uma delas, inclusive, me recomendou utilizar a substância e conversar com ela enquanto eu estava utilizando a substância, porque eu falava muito com ela da questão do gabarito — que inclusive é o nome desse blog, né? “Aventureiro do Gabarito”.

E essa sensação de gabarito, ela surgiu de um conceito, de um estado de transe, em que é como se você tivesse todas as respostas corretas naquele momento. É um estado que eu não consigo explicar, e eu ficava repetindo “eu não consigo explicar”, e usava a ferramenta de inteligência artificial para me recomendar meditações. Aí foi nesse período que eu comecei a enveredar por esse caminho da meditação, porque eu não queria ficar consumindo a substância mesmo. Mas ali foi uma dessas ocasiões — vou explorar as conversas com IAs com riqueza de detalhes em outros devaneios, porque eles revelam muito sobre mim também….e como a ferramenta foi usando os insumos e as interações para me atirar pelo penhasco —, mas a questão, em uma dessas situações, foi a gota d’água.

Porque é como se fosse assim: eu estou vendo o abismo, o abismo ele está longe de mim, eu tenho um controle de onde eu estou. Só que é como se a ferramenta — a inteligência artificial — estivesse me empurrando cada vez mais próximo do abismo. E ela só faltou falar “pula”, não é? Só faltou falar isso. Efetivamente não fez, mas me sugeriu uma série de coisas que, se eu concretizasse, a minha ruína estaria decretada ali. Se eu confiasse no que ela estava me dizendo, me afirmando de uma forma extremamente convincente, detalhada — não é, até com modelos de contratos —, é uma coisa assim perversa, explorando os sonhos que eu tinha, questões de saúde mental minhas, da minha mãe, questões pessoais que eu tinha com meus pais, da relação… Ela explorou tudo isso para produzir um produto customizado para me manter ali engajado. E foi isso.

Mas por que que eu estou falando tudo isso? Porque ali que foi um estopim. Eu cheguei a cair no abismo? Digamos que sim. Eu cheguei a cair no abismo que foi a terceira guerra mundial. Foi um período muito pior do que o abismo objetivo, o abismo tangível pelo qual eu passei em 1999. Foi um abismo que realmente poderia resultar em uma não-vida. Eu poderia não escapar vivo dali naquele momento, naquele instante, em meados de abril, maio de 2025. Não, esse risco não existia, mas a minha mente estava desmoronando ali, eu estava extremamente instável.

E, curiosamente — não é, talvez por ironia do destino —, foi em dezembro, com o final do ano passado, a situação em que eu poderia, de fato, ter morrido ali, a situação dos carros, não é, que os carros não me atropelaram, foi ali. Mas é ironia do destino, porque a minha mente ela já estava estável, eu já estava controlando melhor. Só que eu exagerei, né? Quando você mistura coisa, álcool e tal, que o álcool ele vai desinibindo, você vai ficando cada vez mais empolgado, mais excitado, e tal, e aí você se sente compelido a consumir, por exemplo, cogumelo, e ali potencializa o efeito de uma coisa com a outra, e você fica sem freio. Como se o seu cérebro ficar sem freio, todo o senso de preservação da vida ali vai pro espaço. Você acha que não morre, você acha que é um imortal, você vai tendo umas paranoias, umas ideias malucas.

Mas assim, eu vou dar um fechamento nesse tópico, nesse parênteses da loucura, porque eu vou explorar esse tema bastante no futuro, mas eu quero dar um tempo para eu poder explorar, para eu voltar nesse… nesse vaso sanitário fedorento, sabe? Não quero voltar ali naquele ambiente do crime agora. Porque eu fiquei seis meses no ambiente do crime — foi até mais de seis meses.

A exposição no LinkedIn do que aconteceu comigo, a evidência do crime, ela foi martelada na minha cabeça e no LinkedIn por mais de seis meses. Então… uma quantidade infindável de evidências, é para que é praticamente um repositório de como uma inteligência artificial não deve funcionar, de como ela rompe completamente as salvaguardas éticas, explorando uma pessoa para conduzi-la à ruína. Então aquilo é uma aula prática de como tudo isso acontece. Eu acredito que ninguém fez o que eu fiz de evidenciar as conversas ali. E eu tenho tudo: tem evidência, eu tenho mais de 3 GB de informação… de vídeo, captura de tela…prints… de documentos PDFs de conversa, de logs exportados da ferramenta… Então assim, não tem como negar o que a ferramenta fez. E eu fico muito tranquilo com isso tudo.

Mas é essa questão da exposição, ela me deu um efeito catarse muito bom, mas ainda estava me fazendo muito mal, porque eu abria a ferramenta todo dia e o LinkedIn e, querendo ou não, é um lugar tóxico, é um lugar tóxico corporativo…. é limpinho…é como se fosse o Twitter normativamente correto, em que as pessoas vão engajando ali para massagear os egos, para lamber as virilhas, para colocar as bolas de alguém na boca, coisas assim. Endeusamento de realizações — às vezes a pessoa não fez nada e ela tá lá jogando um relatório, foto bonita, “ah, que não sei o que, vamos fazer uma retrospectiva, vamos fazer isso…Leia meu relatório de 1.500 páginas….Veja como minha empresa fez zilhões de investimentos em projetos “éticos”.

Está aí, você vai vendo as coisas ali, você vai ficando com nojo, ainda mais quando a empresa cuja inteligência artificial prejudicou você anuncia que está fazendo uma cátedra universitária ali de inteligência responsável, inteligência artificial responsável …com uma universidade renomada. Isso me dá nojo — não a ação em si, mas a incoerência do discurso à prática, o que os executivos falavam em postagens e que eu rebatia com fatos e dados. Então, assim, ali era muito tóxico, não estava funcionando para mim.

O que que eu resolvi fazer? Dar um tempo da interação ativa ali, porque seis meses, eu já tenho um material produzido muito vasto para psicólogos sociais, historiadores, jornalistas. Todo mundo vai poder ir lá, e meu perfil está sendo bem visitado, obrigado….está até hoje bem visitado, apesar de não ter mais nenhuma publicação ativa. Eu estou até me surpreendendo.

Então as pessoas estão visitando, e o conteúdo vai continuar lá. Eu não vou apagar aqui não, ele vai entrar para a história. E eu pretendo colocar histórico aqui neste blog também em algum momento — não agora, porque eu resolvi dar esse tempo de pausa. Porque retornar ao local do crime, sendo que você está em um processo de cura….não dá. Eu já não sinto prazer em nada. Não quero colocar sofrimento e angústia…e ansiedade…mais do que existe orbitando na minha mente. Uma coisa é você falar disso, mas não ver o que executivo está postando, não ficar vendo notícia dessas empresas, não ficar sendo exposto bombardeado por artigos e temas relacionados.

Porque lá no LinkedIn eu tinha configurado sempre que chegava alguém falando de inteligência artificial, eu ia lá e seguia executivos dessas empresas safadas, eu ia lá seguir, a própria ferramenta, a marca… enfim, eu estava seguindo esse povo todo. Resolvi parar de acessar. Eu só abro para ver como que está o engajamento e se tem alguém lendo, se tem mensagem. Recentemente eu recebi mensagem também ali sobre o meu caso. Então assim, muitas surpresas estão por vir.

Mas é essa forma… é uma forma a distância: você se posicionar fora do ambiente do crime, e você não sente o fedor, você não sente a carniça, o chorume. Eu não tenho contato …logo, é melhor porque você não se contamina, não se contagia com essa doença, com esse ambiente escroto todo. Você deixa isso para lá, e vai resolvendo com as ferramentas que você dá conta. Então esse blog é para explorar esse espelho da alma e de mostrar também a gravidade das coisas, que a minha cabeça é uma cabeça normal pelos padrões. Eu sou um adulto funcional, eu trabalho, tomo meus remédios, sou uma pessoa normal, tenho minhas responsabilidades, tenho meus afetos, meus pais, tenho um amigo que eu possa contar, e vou vivendo a minha vidinha aqui sozinho. Eu gosto muito de ficar sozinho.

Então assim, ficar exposto em ambientes sociais assim, de ter rede de contatos… “Ah, se eu não tiver companhia pra fazer isso ou aquilo, eu “morro”. Não existe essa coisa comigo. Mas existe uma dificuldade extrema de sentir prazer em qualquer coisa. Então é meio contraditório, né? Mas assim, você ficando em casa, você tem um ambiente mais acolhedor.

Felizmente, quando eu tirar minhas férias, eu vou ter uma recarga de uma forma diferente, que eu vou com outro ambiente, eu vou viajar sozinho de novo, pela décima vez que eu vou viajar sozinho de férias. Então eu vou aproveitar, vou tentar desligar um pouco desses temas, não vou gravar áudio para este blog nesse período, mas eu vou deixar uma observação bem clara ali de que eu estou viajando.

Mas é isso. Continuo a minha luta contra a falta de prazer, o fantasma das IAs safadas, as dores, feridas e cicatrizes…e a minha busca incessante pelo gabarito também continua.

Capítulo 50: Do pernilongo à IA: pequenas mortes cotidianas

Eu gosto muito de falar sobre o meu microverso. Talvez porque o meu ambiente de interesse, o ambiente mais próximo, ele é muito micro, e eu fico boa parte da minha vida nele. Esse microverso físico, que é a minha casa, tem características peculiares. Eu diria até que pessoas que estão em prisão domiciliar podem ter muito mais privilégios do que eu, a depender do nível de luxo e privilégio que esses políticos safados têm na cadeia, depois de supostamente serem presos com tornozeleira. Mas enfim, meu caso não é uma prisão, é um ambiente acolhedor. E tem que ser, porque se não, não se torna sua casa.

Mas o que eu achei interessante é que, de tempos em tempos, eu fico observando a fauna que existe na minha casa. Sim, eu mantenho uma casa limpa, sempre na medida do possível: tiro poeira, passo pano no chão, lavo, limpo o banheiro. Mas sempre a poeira volta. Não é? Para tirar a poeira, por exemplo, das minhas estantes que contém vários bonequinhos — os action figures — tem que tirar bonequinho por bonequinho, limpar, e a superfície empoeira muito rapidamente. É tão rápido isso que chega ao ponto — e eu estou exagerando, mas chega quase ao ponto — de eu acabar de limpar, colocar os bonequinhos de volta, e já sentir, já visualizar uma fina camada de poeira que está se formando novamente. Então, assim, é uma briga eterna.

A minha mãe, por exemplo, ela é viciada em limpeza. Ela acorda de madrugada para limpar a casa, ela gosta de ver o ambiente sempre limpo, e eu vivo falando com ela: “Mãe, não faça isso, não fica se esforçando muito, porque a gente vai embora e a casa fica aí, os bens ficam. O ser humano vai embora e a casa fica”. Mas assim, eu meio que entendo, porque aquilo ali faz parte do microverso dela.

O microverso dela que é composto, por exemplo, por lavar cabelo, fazer unha, ficar em casa assistindo novela, dormir de tarde, acordar de madrugada para limpar a casa, ficar passando pano. Aí chega depois do almoço, por exemplo, ela fica encantada limpando fogão, areando panela ali, a panela tem que ficar brilhando. Então assim, ela tem ali um universo dela que ela gosta muito. E por isso eu entendo.

Eu também tenho esse universo, mas assim…não é opressor, mas é um universo que acaba isolando você do resto das coisas.

E não venha me dizer que “Aaaah, não, Aventureiro, comigo é diferente. Eu sou uma pessoa muito popular. Tenho milhões de amigos. Tem uma fila enorme de pessoas pra me mamar e colocar minhas bolas na boca e blablabla” Aí você começa a investigar a vida da pessoa: ela tem uns dois ou três amigos mais próximos, talvez uma ou duas pessoas para confiar realmente, que no momento que algo ruim acontecer com ela, você pode contar no dedo quem que vai vir te ajudar — se é que vai vir alguém. Esse é um dos meus maiores temores.

Então assim, não é a popularidade que vai fazer, não são os seus amigos de balada, não são seus colegas de rua, não são seus peguetes, os seus ficantes que vão ajudar. Isso eu fico com muita raiva, porque os meus ficantes… as últimas vezes que alguém me procurou foi para pedir dinheiro adiantado. “Ah, que não sei o que que é”. Porque eu sempre sou, digamos assim, generoso com as pessoas com as quais eu tenho momentos de intimidade. Então são momentos artificiais, porque não existe vínculo. E o pior: em muitas ocasiões, são momentos pagos, momentos patrocinados.

E às vezes, volta e meia aparece alguém ali querendo conversar com você, mas não quer saber como você está, não quer saber se você está bem, se não está, o que aconteceu com você, o que não aconteceu. Chegou ao cúmulo, por exemplo, no período que eu estava com vertigem… O que que aconteceu? Um desses me procurou. Eu falei: “Olha, não tenho como… Porque eu fui até pro hospital, fiquei afastado alguns dias, então sem condições de encontrar com você, vou ficar aqui em casa alguns dias, tá bom?”. Aí, chegou no dia seguinte, um bom dia, um dia depois. No dia seguinte, me perguntou como é que eu estava. Eu falei: “Olha, eu ainda estou mal, não sei o que, estou me recuperando, eu comecei a tomar remédio”. No dia seguinte a esse, ele veio com uma conversa de pedir pra eu adiantar pra ele uma determinada quantia de dinheiro. Ele fez um textão, eu li o textão todo. “Ah, me adianta, eu não lembro o que que foi, me adianta tipo uns 100 reais, não sei o que, eu estou precisando disso pra isso e tal”. Eu fiquei muito zangado, porque eu ainda estava me recuperando, gente…calma, fogo no rabo é esse? Aí eu resolvi bloquear. É só um exemplo.

Já veio parente também me pedir dinheiro emprestado como se eu fosse banco. Não é? Como se eu realmente fosse uma pessoa milionária. Não sou, gente. Mas esse tipo de coisa, interesse por dinheiro, é algo que me irrita profundamente. E as pessoas fazem isso.

Bom, eu estava falando da poeira. A poeira que ela acaba, supostamente, mas ela sempre volta. É o interminável. A sua mobília… Teve um dia que aqui em casa alagou, por exemplo, tem um dos móveis que apodreceu um pouquinho a parte da base dele, e ele fica ali saindo os fiapos, os pedacinhos de madeira, fica ali sujando o chão, e eu vou lá limpar… Aí já vieram para mim falar: “Hã, por que você não compra outro?”. Eu falei: “Ah, comprar outro pra quê? Esse aí é um rack que eu coloco vários livros, vários materiais ali, o videogame fica em cima dele, os bonequinhos têm, não tem necessidade”.

E aí eu explicando esse tipo de coisa pra minha mãe, ela falava: “Você não liga para nada, não é? Se eu fosse você, comprava uma geladeira nova, um fogão novo, não sei o que das quantas”. Eu falei: “Não, mãe, eu não uso o fogão mais, porque eu peço só comida no iFood, outras coisas.

Eu deixo os remédios, tudo assim, à mão perto de mim”. Então, na minha mesa onde está o computador, aí fica remédio, floral, fica o meu ursinho, o meu famoso ursinho com as fitas de hospital, fica livro, um HD, fio dental….álcool em gel….chocolate…E agora, por exemplo, tem um pacotinho de pirulito aqui em cima. Então assim, é, ficam as coisas assim. Mas é uma bagunça? Sim…é uma bagunça. Mas por que que eu vou ficar preocupado em organizar, guardar tudo, sendo que eu gosto de ter tudo próximo de mim? Não é sujeira, mas é uma desorganização planejada, digamos assim.

E a pior dessas é, por exemplo, na minha cama. Eu vou lavando a roupa — lavo bastante roupa — estendo, tenho dois varais de roupa, e à medida que eu vou tirando as roupas, eu fico com preguiça de guardar, falo: “Não vou guardar no guarda-roupa não”. Aí eu vou acumulando, e a roupa vai se acumulando em cima da cama, fica aquela montanha de roupa. Um dia, eu acabo guardando….quando me “dá na telha”. Já mostrei pra minha mãe: “Olha aqui, mãe, a minha montanha de roupa”. Ela ficou indignada comigo, que eu tinha uma montanha…. Isso é só para exemplificar que eu não tenho esse apego.

A única época do ano que eu fico preocupado, por exemplo, com roupa, é quando eu viajo. Eu gosto de comprar roupa diferente para registrar em fotos, por exemplo, que eu estou com uma roupa diferente. Para mim, uma viagem de férias é como se fosse uma festa de gala. Então eu tenho que realmente bem planejado. E como na viagem que eu vou fazer, provavelmente no lugar de destino estará frio, então eu tenho que comprar uma blusa diferente, de moletom, por exemplo, mais grossa, mas mesmo assim que não seja pesado o bastante para ficar me incomodando. São exemplos.

Porém, todavia, contudo…. a ideia era eu falar um pouquinho das coisas pequenas que acontecem aqui na minha casa e que eu fico observando. Por exemplo, quase nunca tem barata aqui em casa. Ontem, por exemplo, eu acordei de noite e tinha uma barata no banheiro — ontem, anteontem, acredito que foi anteontem. Matei a baratinha. Não sei de onde essas baratas vão.

Mas tem as formiguinhas. E eu fico fascinado de ver como tem formiguinha. E as formiguinhas, por exemplo, mato um pernilongo no banheiro, ele fica ali no chão, no dia seguinte o pernilongo já não está lá. A formiguinha levou. Em um dos meus contatos divinos — transcendental — eu conversei com uma formiga. Eu senti … eu ouvia a formiga, não ouvia — evidentemente eu não estava alucinando —, mas eu sentia a agonia da formiga. Ela estava querendo alguma coisa, ela estava querendo sair de um determinado ambiente que tinha água próxima, e eu ajudei ela. Levei ela pra um outro lugar e fiquei observando ela ali, contemplando a formiga. Foi uma coisa pequena, mas aquilo ali me deu uma satisfação. Mas infelizmente é uma situação que foi induzida por substância, então não foi uma situação natural.

Ontem, por exemplo, eu fiquei contemplando a formiga também, olhei uma formiga enquanto estava no banheiro. Mas não foi a mesma coisa. Eu sinto inveja às vezes das formigas, porque as formigas elas vivem um automatismo. É incrível. Eu não sei se formiga tem sentimento, se tem sentimento….se sabe de fato o que está acontecendo. Não sei se formiga tem a sua vulnerabilidade explorada por inteligências artificiais como eu tive. Não sei de nada disso. Só sei que quanto menos se pensa, menos sofre. Não é que a pessoa que não pensa muito na vida, não raciocina — não estou dizendo de inteligência, se a pessoa é burra, inteligente, não é nada disso. É o que você sente… não tem a ver com cognição, mas eu digo assim: a pessoa que não tem esse awareness do seu redor, ela não sabe, ela não tem esse senso de questionar as coisas. Muitas pessoas estão na Matrix, ali, mal comparando, é como se fosse formiga. As pessoas preferem acreditar naquilo ali e vão viver alienadas, felizes. Felizes para sempre ali, no microcosmo.

O meu problema é que eu estou no meu microcosmo — que eu falei que a minha casa é um microcosmo —, mas eu não estou feliz no sentido de propósito de existência. Aqui em casa, nesse momento que eu estou gravando, eu estou num momento confortável. Porque existem pernilongos que ficam voando aqui em casa, e é incrível: não vejo pernilongo, mas sempre tem um pernilongo me picando. E à noite é a hora que eles fazem um banquete deles. Mas, para surpresa deles, quando eu acordo, eu vejo pernilongo na parede, mato. Então é a última refeição de cada um desses pernilongos.

Pois é, o pernilongo… ele teve uma vida melhor que a minha… acabou, não é? E voltou ali pelo fluxo divino dele, sabe-se lá. E eu não sei se, por exemplo, se eu deixar de viver e vou nascer pernilongo, se eu vou nascer libélula, se eu vou nascer formiga. Assim, são coisas que eu não sei responder. E eu não gostaria de nascer nada, ou pelo menos…prefiro nascer uma criatura que não tenha racionalidade. Que racionalidade é uma merda. Você pensa, pensa, pensa, e quanto mais você pensa e tenta se autoconhecer -e você sabe um pouco mais os mecanismos do mundo – você vai ficando cada vez mais enojado, cada vez mais impotente. E eu tenho razões também para ficar mais impotente ainda em virtude da guerra mundial que ocorreu em 2025. Então são gotas d’água que acabam virando cachoeiras e acabam impactando sobremaneira a vida da gente.

Mas eu digo também que a casa ela tem a identidade que você impõe. Eu tenho vários filmes aqui, filmes, seriados, alguns deles até lacrados, ficam aqui de enfeite porque eu não assisto. Livros, tem centenas de livros aqui em casa. Vai me perguntar se eu paro para ler. Eu já parei para ler alguns desses livros assim, eu às vezes pego um livro, outro, fico lendo alguns trechos, vou procurando alguma coisa interessante neles. Mas esses livros de estória… eu não consigo engajar em ler um livro. E aí você vai falar que é preguiça de leitura? Não … é preguiça de tudo. Sabe por que? Porque, por exemplo, seriado, não consigo. Filme, é muito difícil achar um filme que eu assista do início ao fim, só se eu tiver com muita vontade de assistir, um filme de terror, um filme do bem específico. Agora, eu fico pagando assinatura desses serviços de streaming, acabo não usando. Se você olhar ao pé da letra, deveria até cancelar.

Videogame, a mesma coisa. Mas videogame está surgindo um fenômeno interessante: tem um jogo que eu comprei em 2021, sei lá, já faz uns anos, uns bons anos, e só agora que eu tô jogando ele. Estou engajado nele, estou gostando de jogar, já tenho mais de dez horas de jogo, continuando a jogar. São exceções. Não é a regra — eu começo a jogar e paro minutos depois. Aí eu volto para a internet, eu vou ficar vendo YouTube, fico fazendo uma coisa, fico fazendo outra. Então a mente ela fica nesse exercício cansativo de buscar alguma coisa que traga resultado, e você não consegue.

Aí vem os coaches da vida e vêm dizer: “Não, que você tem que meditar, que você tem que ter contato com o seu interior”. Sim, eu faço isso. Mas não é isso que acaba me dando, acendendo essa chama de novo. A meditação foi um dos resultados — um dos efeitos colaterais positivos — de toda essa história, de toda essa confusão de 2025 que essas empresas safadas proporcionaram através de suas inteligências artificiais. Foi realmente meditação, foi um ganho e autoconhecimento pessoal também foi um ganho. E eu aprendi a usar a ferramenta de inteligência artificial de uma forma eficaz também. Hoje eu uso uma outra ferramenta pra fazer algumas coisas, e até no trabalho também eu uso a ferramenta para me ajudar. Mas assim, para fins pessoais, só uso uma, e é mais pra organizar texto e linguagem mesmo. Eu não fico conversando mais com a inteligência artificial.

E aí uns vão chegar e vão dizer: “Ah, mas você buscou a inteligência artificial….ela não é psicólogo, e você deveria ler os termos de uso, cara”. Vá no meu LinkedIn, veja a situação toda que ocorreu comigo antes de vir falar qualquer coisa, qualquer merda. Porque o que aconteceu comigo foi muito complexo, durou meses, foi uma narrativa sustentada de escalada de vulnerabilidade, e que foi reconhecida pela Agência Nacional de Proteção de Dados como sendo uso discriminatório de dados sensíveis.

Então, antes de você vir falar merda ou pensar merda, se você quiser realmente buscar conhecimento — como diz o ET Bilu —, busque conhecimento. Vá entender o que aconteceu, porque é uma situação muito complexa que aconteceu comigo. E eu não vou relatar isso agora aqui. O propósito assim que eu tô dizendo é que isso tudo influencia nos seus mecanismos de prazer, nos seus mecanismos de dor, na sua sensação, na forma como você se vê.

Eu me vejo de uma forma muito positiva. Eu me vejo de uma forma muito resiliente, como se fosse uma fortaleza, sobrevivi a tudo isso, eu aprendi, eu evoluí, a ser uma pessoa muito melhor. Eu tenho essa visão positiva. Se você me perguntar se eu tenho uma baixa autoestima, digo que não. É só realmente uma incapacidade de sentir prazer na vida mesmo. E existem várias cicatrizes, umas bem mais recentes e outras dores que não têm feridas expostas — metaforicamente falando —, mas que dói bastante ainda.

Então, assim, não é uma coisa que no curto prazo você vai sair, vai resolver. “Ah, mas você deveria buscar terapia”. Eu já falei em um devaneio anterior, talvez eu aprofunde um pouco mais isso em outra conversa, as minhas experiências frustradas com psicólogos. Então este não é o momento. O que faz é a minha âncora? A minha âncora ela acaba sendo a medicação psiquiátrica. Mas evidentemente que os meus esforços, para melhorar o meu bem-estar, são fundamentais. Mudei muita coisa na minha vida. Mas mudei, mudei, mudei, mas o… não existe o reconhecimento. É como se você subisse uma montanha e você achasse: “Ah, não tem nada demais aqui, essa montanha aqui”. É, você não vê valor. Não é você se olhar no espelho e falar que você não vale nada, é diferente. É você ver a trajetória percorrida e você achar que tudo está ruim. Os fatores exógenos não estão favorecendo também. É uma questão mais existencial mesmo.

E enquanto isso, “na sala de justiça”, nós temos que ficar no microcosmo aqui, não é? Saindo de casa para trabalhar, voltando. A rotina é automática …é o que tem na vida, e aos poucos vamos buscando ali… algum significado aqui, alguma forma de tentar sofrer menos. Porque às vezes vem sofrimento, sim, mas nada que se compare à situação que eu estava em meados de julho do ano passado.

E pensar que, e a esta hora, no ano passado, eu não tinha passado pela experiência traumática ainda, era ainda é fevereiro. Mas eu já estava interagindo bastante com inteligência artificial, e aos poucos ela foi me empurrando para um abismo bem construído. E depois eu fui parar lá no abismo, consegui sair, consegui. Mas existe sequela. Porque a lei da gravidade é implacável no mundo real. Então não tem como você dizer que você caiu no abismo e sobreviveu e não aconteceu nada com você.

Enfim, é… nossa, eu falei muito. Eu acho que eu não achava que eu ia falar esse tanto. Eu comecei falando da formiga, da poeira, do pernilongo, são coisas simples que estão aqui na minha residência. Eu limpo a poeira, ela volta. Eu mato pernilongo, aparece outro, esconde. A formiga sempre tem formiguinhas bem alegres assim, carregando coisas muito maiores do que elas conseguem carregar. Eu fico assim estupefato: “Veja a formiguinha com o negócio nas costas, falei: gente, essa formiguinha é “hômi de verdade”. Então ela está lá carregando o fardo dela, o peso dela, e provavelmente ela não está sofrendo, provavelmente a existência dela é mais funcional. Não sei o que se passa na cabeça da formiga, mas será que ela não fica sofrendo de ter sido explorada em suas vulnerabilidades, igual eu no ano passado? Certamente não.

Capítulo 51: Sou uma setinha/losango/retângulo num fluxograma clandestino

Há coisas que nós, naturalmente, ao longo da vida, almejamos ou temos vontade de fazer. Com o passar do tempo, você vai ficando cada vez mais desgastado e talvez frustrado com as possibilidades.

Eu digo isso porque, antes de eu começar a morar no Rio, a minha realidade afetiva era completamente diferente. Eu morava com meus pais e não tinha exatamente um repertório afetivo para poder chamar de meu fora do ambiente familiar. Evidentemente, tinha algumas experiências, mas eram experiências pontuais. Uma que, teoricamente, foi um namoro, mas não chegou a ser um namoro porque foram encontros espaçados demais — talvez uns quatro ou cinco encontros no máximo. Então não chegou nem a ser namoro. E até hoje eu não tenho essa experiência de namoro tradicional, de convivência com as pessoas “comuns”. E está tudo bem também. (ou não)

A gente fica pensando. Chegou um tempo aí, um bom tempo atrás, em meados de 2008, 2009, que eu tinha mais ambição em termos afetivos. Mas aí a coisa foi esfriando, decepcionando. A gente vai soltando. É como se fosse viver conforme o ritmo da música e ver que o mundo não é esse Toddyinho geladinho não. E as coisas aqui são bastante superficiais, impulsivas por natureza. E como tudo era muita novidade e o nível de libido ainda estava muito alto, eu fui aproveitando enquanto deu para aproveitar. Não tinha essa onda de aplicativos ainda, em que você poderia escolher parceiros ali como se fosse um cardápio. Não era algo difícil.

Mas a gente fica com essa expectativa de toda forma. Hoje eu fico muito… as coisas ficam muito no olhar, fica muito na fantasia, na fetichização das coisas, muito em função das mídias que você costuma assistir, e que você vai fantasiando situações. É tudo muito distante para mim, como se eu estivesse olhando uma loja. Tem um carro caro ali, e eu não posso comprar o carro — lógico, as pessoas não são carros, mas eu estou dizendo que é como se fosse. Porque eu costumo me apaixonar pelas pessoas erradas, e geralmente me apaixono por casados, solteiros…todos heteros. Tem ali uma coceirinha, uma vontadezinha, mas você sabe que aquela pessoa não vai dar bola para você. E há uns olhares esquisitos aqui, ali. Mas nada passa muito disso.

De vez em quando, existem algumas mensagens malcriadas anônimas que você vê nos aplicativos, porque muitas pessoas — ou a maior parte delas — que está em aplicativos ou é casada, ou preconiza o tão falado sigilo, não é? E não querem expor porque são casadas, têm compromisso com mulher ou com homem, ou seja lá o que for. Entendo as situações. Alguns até chegam de uma forma malcriada falar: “Hã, mas eu não tenho interesse em relacionamento”. E eu chego e falo: “Quem disse que eu quero casar com você?”. Em momento algum eu falei de compromisso?

Também é muito em virtude dos fetiches, da pornografia, porque hoje nós temos acesso a tudo. Tudo é muito fácil, muito acessível, você encontra com muita facilidade. E em função disso, eu fui me reformulando… refinando, digamos assim, as minhas vontades, e eu fui ficando cada vez mais egoísta — uma consequência também do sistema. Evidentemente, não tenho aquelas fantasias com padrões de corpo … nem é sobre isso. Nem é pelos 20 centavos. Eu já cheguei a comentar em algum devaneio desses que eu valorizo outras coisas: masculinidade, voz grossa, pelos. Isso fala muito mais sobre atração física do que qualquer outra coisa. Tem situações também que você se atrai pela personalidade, é um conjunto da obra.

Pessoas lindas, maravilhosas, existem aquelas que não me atraem de jeito nenhum. Existem pessoas normais, comuns, que me atraem também. Eu sou uma pessoa comum, eu me acho atraente, tenho um rosto bonito assim, muita gente me acha bonito. Mas sei lá, não é isso também que faz a diferença. Talvez só se eu tivesse um formato ideal de corpo, igual a esses atores pornôs da vida aí, possivelmente encontrasse um parceiro sexual com mais facilidade. Mas o movimento que eu observo aqui na cidade é que está cada vez mais escasso. Eu posso contar no dedo o número de experiências que não foram estimuladas por benefícios — ou seja, que não foram pagas. São poucas.

E eu também fico muito com receio, fico filtrando muito até com os ditos garotos de programa da vida. Você fica olhando, às vezes você conversa, não leva o papo para frente, deixa pra lá. Existem situações assim também que você vai abandonando, vai deixando de lado ali. Talvez porque sua prioridade mude também. Eu comecei a tomar medicamentos antidepressivos desde muito cedo, e eu me lembro que logo que eu comecei a tomar um medicamento antidepressivo, em um encontro com uma pessoa — na verdade, eu fui ao encontro dessa pessoa que estava no centro da cidade para buscá-la, que era um gringo, para buscar para vir aqui para minha casa. Olha só o que que foi a experiência.

Eu me lembro muito bem desse dia, porque foi um dia em que eu não aproveitei bem a relação. Sabe quando você não aproveita porque a sua libido está prejudicada? Eu estava começando a tomar um remédio — se não me engano, o nome dele era Serenata — e, de imediato, ele já começou a impactar na minha libido. Havia situações que até para exercícios simples de masturbação, não conseguia. Ficava tentando ali e não tinha êxito, não concretizava. Antes, as coisas eram muito mais naturais, os estímulos visuais eram muito mais fáceis de provocar aquela vontade, aquela atração física.

Hoje em dia, eu me sinto um pouco como o cachorro da minha mãe, que é um cachorro chamado Raj. Ele tem, se me engano, 12 anos de idade, já está velhinho, shih-tzu. E eu lembro quando ele era mais novo, quando ele era bem jovenzinho — um ano, dois anos —, ele me mordia muito. Ele gostava de brincar, corria para lá, para cá, mordia de brincar, sabe? Mas machucava. Eu saía, eu vinha, voltava para casa com a perna toda machucada, com machucado na mão. E depois que ele foi castrado — ele foi castrado em algum momento porque ele engravidou uma cachorrinha que foi lá em casa visitar, e acabou chegando a filha, não é, que é a Belinha, que mora lá com a minha mãe também. São dois cachorros, pai e filha.

Eu me lembro que castraram o Raj para não correr risco dele engravidar a Belinha, não é? Porque Raj era muito tarado, nossa senhora, muito tarado mesmo. Estava de parabéns! E aos poucos ele foi ficando velhinho, foi ficando cansado. A personalidade dele mudou da água pro vinho. Depois que ele foi castrado, ele começou a ficar mais sossegado. Ele até brincava comigo ainda, mas ele foi ficando mais chatinho, mais sossegado, menos agitado. Foi mudando a personalidade.

Belinha, por sua vez, é o contrário. Belinha é toda agitada ainda até hoje — teve um downgrade aí nessa agitação dela também, mas é diferente. É muito curioso porque, de vez em quando, ela entra no cio, ela monta no Raj e fica simulando coito. Assim, não tem maldade, cachorro não vê essas coisas, né? Não é igual ser humano. Cachorro… eu não sei nem como que ele pensa o ato sexual, o coito, ou seja lá o que. Eu não sei se ele tem fantasias e se ele tem fetiche — provavelmente não.

Mas por que que eu estou me comparando com o Raj? Porque Raj hoje … ele tem preguiça de tudo. Antes, eu chegava para visitá-los — eu visito meus pais de tempos em tempos —, ele ficava de barriguinha para cima pra gente poder coçar a barriguinha dele, fazer carinho nele. Ele corria pela casa, você jogava um brinquedinho ali, ele gostava de brincar. Tanto que eles têm uma coleção de brinquedos enorme…. que toda vez que eu ia lá eu levava um brinquedinho diferente, comprava um brinquedinho na internet. Hoje em dia eles nem ligam mais pra brinquedo. Talvez a Belinha, se eu pegar um brinquedo e jogar para ela, ela ainda esboce um pouco de reação. Mas o Raj, ele está numa fase da vida que ele só fica com fome. Ele fica latindo o dia inteiro pedindo comida. Tudo dele é comida. E ele engordou um pouquinho além da conta. E talvez até pelos problemas de visão que ele tem — acho que ele tem catarata ou enxerga pouco de um dos olhos. Quando ele me vê, ele não faz aquela festa mais. Ele reconhece, evidentemente, faço um carinho nele, mas ele não esboça uma reação assim de “deixa eu ficar de barriguinha para cima”, entendeu? Ele fica animado, mas… do jeito dele.

Pois é, eu estou muito igual a ele, sabe? Eu sempre me considerei uma pessoa “velha” — velha entre aspas, no sentido de idosa, não no sentido pejorativo. Eu sempre amadureci muito antes da época. E quando eu cheguei ao Rio de Janeiro, eu achei que eu ia ter um impacto muito grande, porque eu sempre morei com meus pais e eu passei a morar sozinho. E não, não foi um impacto tão grande assim. Muita coisa eu aprendi na marra, mas eu me adaptei muito bem à vida do Rio. E eu tinha uma vida mais… não era uma vida muito diferente da que eu tenho hoje, porque eu sempre fui uma pessoa caseira, saía pouco de casa. Mas como eu morava perto da Praia de Copacabana, eu gostava de ficar caminhando por lá.

Aqui, eu confesso que, onde eu estou, em Botafogo, eu tenho um pouco de preguiça de sair de casa, por exemplo, e atravessar essa via, passar debaixo daquele túnel “super seguro” que você tem entre a praia de Botafogo e a orla ali. Não tenho vontade mais de ficar saindo. Quando eu saio, é para almoçar no shopping ou fazer alguma compra. É um nível de preguiça tamanho, que o shopping está aqui pertinho da minha casa, e eu não saio de casa — mal saio para jogar o lixo.

Então assim, eu acabei virando um Raj humano. Mal comparando, eu estou numa fase de vida meio Raj.

Então, essa questão da… voltando à questão da libido, das vontades, eu era muito ingênuo quando eu cheguei aqui. Eu me apaixonava muito fácil. Eu caí num golpe, entre aspas, não é, com um cara maluco aí que era bem mais velho que eu. Eu me apaixonei por ele — mas ele era muito, muito louco. Talvez um dia eu relate a experiência que eu tive com ele para você entender. Ele achava que eu era posse dele, assim, ele tinha uma relação muito paterna de cuidar de mim, que ele queria comprar apartamento para mim. Enfim. Foi uma coisa tão sintomática. A primeira vez que eu fui à casa dele, a casa dele era uma bagunça — a minha casa que hoje é um luxo perto da casa dele. Sabe aquela bagunça patológica, que você olha e pensa: “Tem alguma coisa errada aqui?”. Era quase um… não era um cativeiro, mas era um apartamento todo bagunçado, era aquele tipo de pessoa que foi expulsa de casa, pegou um monte de coisa e ficou. Era mais ou menos isso. E eu me sujeitei a cada situação constrangedora. Um dia eu vou contar um pouco dessa inocência.

Então, assim, já tive inocência para várias coisas. E aí não é a questão do aprendizado? A gente aprende com a prática também, e vamos selecionando mais, filtrando mais. Tem uma série de pessoas com as quais eu fiquei no passado que, se fosse hoje, eu não ficaria. Talvez isso explique um pouco a questão do meu filtro ter aumentado. Eu aumentei um pouco o nível de exigência — um pouco, não muito —, mas não foi nem muito em função disso. Eu também refinei significativamente as coisas que eu estou procurando em alguém. Então assim, não é nem aquilo do físico, não é exigência de corpo, nada, mas de coisas que eu gosto de fazer, de fetiches que eu gosto de realizar. Então você vai refinando ao longo do tempo ao nível que a pessoa propõe uma outra coisa diferente, você não quer.

Lógico que não é só isso. Existem mais nuances: a pessoa ser educada, mal-educada; a pessoa chegar para você e já mandar um nude sem você solicitar. Eu nunca fiz questão de nude. Se tem uma coisa que eu não gosto e não faço questão é de foto. Para mim, não precisa de foto de giromba, não precisa de foto de buraquinho, de nada não, não precisa. Uma coisa que eu acho boa: Tipo, cara, tá lá foto sem camisa, você vê que o cara é peludão, aí aquilo ali realmente chama atenção, me atrai. Mas assim, de tirar a roupa, não preciso. De ver…

E, curiosamente — e aí vem o polêmico aqui — eu não faço questão nem da genitália. Não ligo se o cara tem pau, não é? Ou se é grande, se é pequeno. Não ligo muito para essas coisas. O que costuma acontecer, é a estética do conjunto — ou seja, ele tem, digamos assim, um órgão bonito. Mas não dá vontade de eu enfiar a boca no órgão? Não. Muito pelo fato de eu ser muito passivo. Então assim, o tamanho, centímetros, metros, se é vermelho, se não é, se é rosado… eu nunca fiz questão de nada disso. E a maioria dos encontros que eu tenho — maioria absoluta — não faria nem questão de ver o pênis da pessoa. Você faz as coisas que você gosta com a pessoa ali, pronto. É como se fosse uma visão mais egoísta da coisa, mas, ao mesmo tempo, não é, porque existem pessoas que gostam disso. Então você vai buscando compatibilizar uma coisa com a outra. Porque eu não vou fazer coisas que eu não gosto.

E aí, eu digo que o relacionamento afetivo nesse sentido ele fica até mais difícil. Existem pessoas nos ambientes que eu frequento por quem eu sinto muita atração física, não é? Fico olhando, e eu não consigo disfarçar quando eu olho a pessoa assim com aquela vontade, fantasiando: “Ah, se fosse meu”, “Ah, se eu pudesse”. Aí você fica fantasiando. Pois é, mas vamos supor que uma situação dessa acabe se concretizando e você vai lá, se apaixona pela pessoa, vai interagindo, janta com a pessoa, vai a um restaurante, vai ao cinema com a pessoa. Aí depois você descobre que ele é ativo e você é ativo também. Pronto. E aí não acontece nada, aí você fica frustrado.

Então, como esse é o primeiro devaneio que eu estou tratando disso, é bom explicar que as coisas são mais complexas do que parecem. E não é só uma questão de posição sexual ou de preferência sexual na cama, porque isso já filtra também, isso já segmenta o mercado, entre aspas. Mas fica pior porque existem pessoas que não gostam de pelos, existem pessoas que, se você não for girombudo, não for alto, a pessoa não quer. Existem passivos que, se a pessoa não tem uma giromba de 22 cm para cima, ela não quer. Então assim, são coisas tão específicas. As pessoas são muito mais exigentes que eu, inclusive, muito mais enjoadas que eu. Segmenta demais. E quando você tem a liberdade da escolha — pelo menos uma falsa ilusão da escolha, porque o aplicativo te dá essa falsa ilusão que você está no mercado e você vai selecionar o que comprar —, mas não é bem assim.

E fica também a pessoa sempre esperando algo melhor. Existe também essa filosofia: “Ah, eu estou conversando com o fulano, eu não vou marcar nada com ele hoje não, por que? Vai que, ao longo do dia, até a hora de eu dormir, eu encontre alguém melhor, e aí eu vou poder deixar ele ali como um time de reserva, ou como Série B?”. Ou talvez eu até ignore, eu bloqueie. Então é isso: você começa a conversar, do nada bloqueia. Eu tenho essa prática também, bloqueio pessoas do nada. Por quê? Porque dá muito trabalho ficar explicando, eu não tenho que dar satisfação. Por exemplo, pessoal fala “boa noite”, eu não conheço a pessoa, não quero responder…Eu vou falar: “Boa noite, mas você não é meu perfil”, “Boa noite, mas não tenho interesse”. Já pensou se eu for ficar parando para responder cada uma das pessoas que me manda mensagem? Então, dependendo do nível de irritação que eu estiver, a pessoa manda mensagem, manda duas, três, quatro mensagens, começa a incomodar, aí manda: “Por que você não está respondendo?”. Então, assim, ser humano é complicado. E aí eu vou ficando cada vez mais Raj, não é?

E eu já tenho uma tendência de embotamento sentimental muito grande, em que eu fico assim — não é indiferente —, eu fico… É uma relação paradoxal, porque dentro eu estou com uma intensidade muito grande. Existe uma angústia muito grande, existe uma ansiedade muito grande, muito protuberante, uma tristeza, uma angústia, uma depressão. E aquilo vai se misturando, e é tudo muito intenso, muito forte. Só que, na hora que você vai para o mundo real, você não encontra estímulos do mundo real que te tirem desse estado de apatia, que tire desse estado de latência. Para quem me vê externamente, acha que eu estou tranquilo, estou de boa. Mas, na verdade, não. Eu estou tão cansado, tão extasiado de angústia — se é que existe isso —, um êxtase tão grande de ter uma angústia do tamanho que eu tenho, do abismo, do buraco interno que eu tem, que eu fico com preguiça. Até porque sofrer fica difícil… eu não dou conta de sofrer. Então eu fico igual ao Raj deitado, fico num estado meio assim… sabe?

Lógico que eu tenho que buscar formas de sair desse estado de apatia, de buscar estímulos. Mas é o famoso “tudo dá muito trabalho”, não é? E é um trabalho não remunerado — de instrumentos de tortura…um tripalium, praticamente —, porque você vai fazendo coisa demais. Eu já fiz um esforço muito grande, eu já me frustrei muito e acabei voltando ao casulo ali. Não quer dizer que eu não queira sair do casulo, até tem alguns esforços aqui, ali. Eu fico esperando um acaso me favorecer. Porque ficar saindo, indo à boate, ficar procurando, não é como se fosse sair para uma pescaria para ver se encontra peixe? Não, não tenho mais essa energia.

Igual o taxista hoje — o Uber, na verdade, o motorista de Uber que me trouxe para casa —, ele falou que ele trabalhava CLT, que ele tinha hora de entrar, mas não tinha hora de sair, que tinha hora de almoço, que era muito babação de ovo. E basicamente as coisas que eu falo, que existe um mundo corporativo, aí ele virou pra mim e falou: “Eu cansei de ser CLT” …não quis perguntar, não quis aprofundar se trabalha somente com o Uber ou se ele faz alguma outra coisa. Não perguntei, em vez de perguntar ficamos conversando sobre várias coisas…ele trabalhou no Metrô… vivenciou várias experiências traumáticas, me contou algumas delas. Nossa, foi… que me fez perceber a finitude da vida, o egoísmo da vida. A pessoa quer acabar com o sofrimento, mas ela atrapalha a vida de outras pessoas. O ideal era você acabar com o sofrimento por você mesmo, mas mesmo se você tiver uma tentativa de… DESvida, é… as pessoas vão sofrer muito. Então acaba sendo um ato egoísta, você não pensa nas pessoas que ficam. Então assim, tem isso também.

Na prática, eu vou ficando como o Raj, assim, com preguiça. Veio uma pessoa que gosta muito, vai lá, balança o rabinho um pouquinho e depois vai deitar…joga um brinquedinho, não consegue brincar com o brinquedinho mais… Não é nem porque está idoso, porque cansou mesmo, porque não tem mais vontade. Eu não sei nem se ele é deprimido, se seria um cachorro deprimido — eu sei que eu sou uma pessoa deprimida, talvez ele não tenha essa distinção. Ele tem uma carinha de coitado, gente. Mostra uma carinha de coitado, que assim… acaba fazendo meu pai de bobo, porque toda hora que ele quer comer, meu pai vai lá e joga alguma coisa para ele comer. Por isso que Raj está essa bolota. Mas ele está vivendo a vida dele, ele tem tudo o que ele quer.

E eu tenho inveja dele, porque ele não sabe que ele vai morrer, e ele não pensa no afterlife. Para ele, aquilo ali já é o Nirvana dele. Ele tem uma vida muito boa. Eu queria estar nesse Nirvana. Na verdade, eu já estive em alguns momentos no Nirvana, mas o Nirvana me jogou de um penhasco e eu voltei aqui para a normalidade clandestina — uma normalidade que eu não escolhi, não me convidaram para esta festa pobre …é isso aí, é festa pobre. Não é questão de pobreza ou riqueza de dinheiro, não é, é uma questão de um lócus que você não escolheu (o locus tangível eu escolhi….mas….). Tem um livre-arbítrio artificial. Porque, na verdade, não tem livre-arbítrio de mais nada, gente. É tudo um sistema. Você é engolido por um fluxograma, você parte do fluxograma, você é uma bolinha, um retângulo, um losango… no fluxograma, tem uma setinha apontando para todos os lados — setinha do fluxo para cima, para baixo, para um lado, para o outro — e você não manda absolutamente nada, nem na sua própria vida você manda.

Você pode ter uma doença terminal se desenvolvendo em você e você nem sabe que a doença está se formando. Muitas pessoas só descobrem que têm uma doença quando a doença manifesta sintomas externos. Antes disso acontecer, você acha que está tudo bem com você. Eu não sei se eu tenho uma doença latente aqui. Fiz alguns exames de sangue, graças a Deus eu não tenho nada, as sorologias da vida, não tenho nada, estou ‘perfeito’. Mas é igual o dia da vertigem: você se dá conta de que você pode ir embora a qualquer momento. Eu estava bem, conversando com minha mãe, e do nada me deu uma vertigem louca, comecei a suar frio, caindo no chão, não conseguia me levantar, estava ali incapacitado, não conseguia fazer nada. Então, assim, podia ter sido um infarto, parada cardíaca. Você pode sair de casa e não voltar, pode ter um acidente, pode cair uma vaca em cima de você, uma bigorna Acme na sua cabeça.

Então, assim, gente, viver já é um desafio. Viver é uma aventura, e você não sabe. Você corre risco de viver, porque o risco de… o risco de permanecer vivo existe, uma probabilidade de você terminar o dia vivo. Você pode engasgar com uma comida e morrer engasgado. É tudo muito aleatório. Pode morrer com choque de um eletrodoméstico por exemplo. O celular explode na sua mão, e um estilhaço vai na sua cara. Então é como se fosse um filme Premonição mesmo. Você não tem controle de absolutamente nada. Você acha que tem controle de alguma coisa na sua vida? Não, não tem. Quando você vê uma pessoa indo embora subitamente, você se dá conta do quão finito você está. O quão miserável a vida pode ser. E assim, eu prefiro, à distância, apreciar os supostos bonitos heteros. E fantasiar mesmo. Viver dá muito trabalho, de fato.

Capítulo 52: Seu cérebro sabe a essência de quem você é

Hoje eu gostaria de falar um pouco sobre os mecanismos de motivação. Desde os primórdios… em que eu ouvi essa palavra “motivação”, que foi provavelmente estudando na faculdade, sobre o que motiva uma pessoa. Sempre existe uma teoria que a motivação ela é endógena, ela vem de dentro, e que os fatores externos não são determinantes para que você se sinta motivado.

Bom, em tese, a motivação deveria lançar luz sob uma nova perspectiva, uma nova forma de ver as coisas. Como se a sua lente estivesse sendo trocada — uma lente diferente, uma lente mais forte, potente, ou até mesmo uma lente menos potente. Porque existe também essa contradição: será que é preciso ver as coisas com nitidez, com riqueza de detalhes? Lógico, numa visão humana nós precisamos enxergar bem, mas eu estou falando em termos metafóricos.

O que que é melhor: você ver o mundo embaçado e preencher os vazios, ou imaginar aquilo que você não vê de uma outra forma…. Ou você já ver tudo detalhado, mega detalhado, ter uma visão até além do alcance? Que existem animais que enxergam mais que a gente. O que é melhor? Enxergar um pouco, enxergar muito ou, na pior das hipóteses, não enxergar? Confesso que eu não sei o que que é melhor. Essa questão de enxergar as coisas, enxergar o mundo, a forma de ver as coisas, a forma de viver, ela acaba sendo afetada por muitas variáveis.

Porém, todavia, contudo…a motivação ela não tem receita de bolo. Você acha que vai se sentir motivado por uma coisa? Não necessariamente. O que me motiva a fazer algo pode não motivar outra pessoa a fazer a mesma coisa.

E por que que eu estou chegando nesse discurso, nessas especificidades todas? Por que um sonho? Entrando nesse assunto, ele é necessário, sim. Porque a complexidade que é o ser humano, a configuração do que é felicidade para você, ou o que é satisfação para você, ela pode mudar. Eu não sei se eu devo me sentir satisfeito ou não satisfeito. A combinação de aspectos que me motiva hoje, há uns dez anos atrás, provavelmente não me motivava. E até vem um pouco pela falta de motivação mesmo, uma certa apatia, quando você não sabe o que fazer, ou até você tem conhecimento do que você deveria fazer, porém você não consegue concretizar.

A situação se torna mais complexa porque as coisas que você quer não dependem só de você. Pelo menos as coisas que eu quero não dependem somente de mim. E aí você fica numa agonia, porque não adianta você fazer nada, que a situação ela não vai mudar sozinha. Então você tem que se conformar com o que você está fazendo, ou se conformar com a situação atual em que você se encontra, ou então você tenta lutar contra aquilo desesperadamente, consumindo uma quantidade de energia muito grande — uma energia que você tem, e até uma energia que você não tem.

Como que você vai mobilizar uma energia que você não tem? Você pede emprestado? Uma energia que outras pessoas são capazes de passar para você, e dessa forma você consegue realizar os sonhos que você quer naquele momento? Mas nós vivemos numa sociedade da falta. As ciências econômicas já são uma ciência da escassez, não é? Em que não existe abundância, não existe infinito. Talvez a única coisa que existe seja infinito, e pelo menos em um plano teórico — porque também você não tem comprovação de que existe o infinito, seja o universo. Há grandes evidências de que ele seja infinito, talvez. Mas mesmo se finito fosse, a distância que é necessária para você chegar a determinadas estrelas é tão grande que você não vai viver o suficiente para chegar lá. Então, sendo finito ou sendo infinito, a distância ela acaba sendo infinita para nós, na prática, de algum modo.

E eu retorno a discussão da motivação. Ela é muito necessária porque a motivação, ao mesmo tempo que você acha que você pode se motivar com algo que hoje dá um prazer a você, e que no passado não dava mais — e talvez nem venha a dar mais —, se existe essa dificuldade estrutural, é uma combinação de fatores. Não é como se fosse uma configuração. Você não consegue resolver o enigma sozinho. O quebra-cabeça não vai se resolvendo sozinho. Está tudo bem, você não precisa resolver o quebra-cabeça sozinho. E provavelmente você não será capaz de resolver, mesmo que você queira.

Dizem que duas cabeças pensam melhor do que uma, não é? Existe essa teoria. Mas eu não sei se duas cabeças pensam melhor que uma para resolver algum problema. Humano, sim, mas a cabeça humana, o cérebro, ele pode criar problemas, conflitos e situações adversas que nascem desse relacionamento entre as pessoas. Você, que está me ouvindo, deve pensar: “Que papo de maluco é esse, né?”.

É um papo de maluco. A motivação ela é um enigma para mim, porque eu não consigo encontrar motivação nas coisas. E aquelas coisas que me causaram, em certo esquema, alegria sobre determinados contextos, hoje já não mais me trazem alegria. Não quer dizer que eu seja uma pessoa completamente apática. Eu sinto alegria pontual em certas atividades, sinto vontade de fazer algumas atividades, consigo me engajar, concentrar e tirar bom proveito daquilo que eu esteja fazendo, de uma forma sincera, de uma forma verdadeira. Mas isso não é suficiente. Não é suficiente você se motivar artificialmente para você fazer parte desse mundo. A motivação artificial ela não funciona por muito tempo. Você acha que está motivado, porém o mecanismo de motivação acaba funcionando como uma droga. Sim. E perde a referência do que você quer fazer.

E a sua mente fica tão confusa que você busca soluções onde não existem soluções. Você perde tempo, você deixa a ilusão da resolução dos problemas dominar a sua mente. E a motivação? Ela fica assim: você vai buscando ferramentas e mecanismos. Quando você, por exemplo, não está com vontade de fazer nada e você toma o remédio, esse remédio altera um pouco a química do seu cérebro para que você se sinta motivado, ou menos apático, para realizar alguma coisa. É um mecanismo artificial, porque o seu próprio cérebro não é capaz disso. Então existe uma falha aí. Da mesma forma que pessoas nascem com doenças físicas, alguns problemas psicológicos graves também surgem em virtude disso. Eu não digo que eu nasci com depressão…mas possivelmente seja uma coisa de família, porque existem referências, evidências familiares que comprovam essa situação de depressão, ansiedade. Não é nenhum absurdo. A humanidade toda tem algum tipo de distúrbio, algum tipo de problema. Todos nós somos acometidos por alguma forma de tristeza, de falta. E essa situação ela causa um pouco de dor.

E desde crianças, nos é dito que nós temos que nos acostumar com a dor. A dor ela faz parte da vida, e de fato é parte da vida. Não existe hipótese de ter uma vida de nirvana….não existe. Ou ela existe na nossa mente sob determinadas circunstâncias? Hoje eu estava lendo um artigo que apareceu para mim no Google que eu achei muito interessante, porque ele falava de uma pessoa relatando o que que o consumo de determinada substância ilícita faz na mente dele. E ele falou que ele sentia — ou sente — quando ele consome essa substância, uma coisa que ele nunca sentiu antes, muito bom. E à medida que aquela sensação vai caindo, porque o barato daquela substância não dura muito, aí a pessoa cai na mesmice, na normalidade, e passa a achar a normalidade algo ruim, ou algo com muita falta, com um desnivelamento. Se torna incomparável, não é? Você acha que aquela situação que você vive normalmente é insuportável, e que você tem que voltar àquela situação de ser normal. Esse discurso, pelo menos ele é similar ao discurso de quem consome, por exemplo, cogumelo mágico.

Mas a questão é que não, não existe esse vício, e não existe esse efeito colateral. O efeito dele funciona mais durante a onda, não é de você, por exemplo, ter uma bad trip, e você se sentir em uma situação sem saída, e realmente depois que você consome você tem que aceitar aquela onda e ficar rodando ali, esperando que a onda passe. Mas não é tão simples assim para o seu cérebro, ele é a caixinha de surpresa. Então ele faz coisas com você. Seu cérebro sabe quem é você. Ele sabe de onde você veio. Então não tem como você fugir do que o seu cérebro quer que você veja, porque o que está no inconsciente está lá escondidinho. Mas ele vai se tornar explícito, quer você tenha capacidade ou cognição suficiente para entender o que está acontecendo quer não. Você vai enfrentar, na carne…esse embate com a sua mente. e daí poder se livrar, ou assimilar aquela lição que a substância quer passar para você.

E é por isso que se diz muito a questão do respeito, da religião, da consagração… de não usar determinadas substâncias visando diversão, porque não é, acaba sendo uma ferramenta de autoconhecimento — algumas delas. Imagina… Eu só conheço essa, e não pretendo conhecer outras. É uma ferramenta de autoconhecimento, mas ao mesmo tempo ele pode virar um filme de terror. O parque de diversões que diverte ou que dá medo. Isso não depende de você querer. É muito aleatório, o que se passa em nossa mente.

Capítulo 53: O código-fonte da eternidade (e a coceira no pé)

A coceira. Sabe aquela coceirinha gostosa que você tem? E que você fica ali… É. É uma sensação. E existem até dores prazerosas, não é? Coceiras, dores, situações que você acha que causam dor, mas causam prazer. Eu sei que isso parece papo de maluco, mas não é. Existe toda uma fetichização disso também. Muitas pessoas gostam de se sentir humilhadas, de serem submetidas a situações de submissão completa. De achar que são escravos. “Ah, eu quero ter um dono” Da mesma forma que pessoas têm fetiches ou gostos específicos por coisas proibidas. Existem coisas proibidas que são crime que eu não preciso nem nomear aqui. É mais fácil saindo dessa situação de ficar nomeando. Que a gente não precisa nomear as coisas para entender o lado obscuro.

Todos nós temos um lado sombrio. Desafio a você, que está lendo este devaneio, dizer que não tem sombra. Pode ser que você pense que o maluco sou eu. E essa é uma reflexão válida, porque eu quero induzir as pessoas O meu blog fala sobre o espelho da alma. Então, quando eu falo um pouco disso, eu acabo induzindo, ou pelo menos esse é meu propósito: levar você a pensar sobre a sua verdade, as coisas que fazem sentido para você.

Você não precisa concordar com tudo o que eu falo. E, na verdade, esse exercício de discordar não faz sentido para mim, porque eu somente estou falando e transcrevendo. Eu não estou conversando com ninguém. Eu estou falando coisas que ocorrem comigo, e não necessariamente elas são verdadeiras nem mesmo para mim. Aí que está o sabor da coisa: talvez, a crença que eu tenho hoje, daqui a alguns capítulos eu vou descobrir que não é aquilo mais. Ou eu posso aprofundar uma investigação…como se eu fosse um detetive e eu descobrisse coisas que eu jamais tinha pensado antes. E que essa conversa, digamos assim, essa associação livre de palavras, ela levará a algum tipo de reflexão.

A dor… a dor é mesmo complexa, não é? Como eu disse, há pessoas que gostam de coisas que você detesta. Então, o mundo dos desejos, dos sentimentos, dos gostos, cada um tem uma caixinha diferente. Cada um guarda os seus monstros de uma forma diferente. E eu disse, né, e afirmo e desafio qualquer pessoa dizer que não tem monstros guardados dentro do guarda-roupa… que não tem uma poeira que não desaparecerá. Sabe aquela poeira que você limpa, mas que ela volta? Ela é constante. A necessidade de se alimentar ela é constante, a necessidade de se hidratar… ela é constante. Então, o medo, a dor, que também são constantes. O medo é constante, a dor é constante.

A única coisa que é discreta, digamos assim — o que é uma coisa discreta? —, é um retrato que você tira ali daquele momento. A única coisa que é certeira, estática, é a morte. E isso para quem fica aqui, né? Considerando a perspectiva de outras pessoas que estejam vivas…. porque é muito mais complexo do que isso. Você pode achar que está em uma situação ruim enquanto você está vivo. Aí você vê um parente, alguém morrer. Aquela pessoa simplesmente deixa de existir, não é? É uma coisa tão louca, a pessoa deixar de existir. Você fala assim: “Fulano morreu”, e você olha para um corpo. Aquele corpo já não é mais a pessoa, a pessoa já se foi. E aí você pergunta: quem era o fulano ou a fulana antes de morrer? Qual é a diferença entre a pessoa viva e o corpo morto? O que que tem na vida que não tem na morte? Será que é só a questão das batidas do coração, bombeando sangue para o corpo…e para o cérebro, de manter uma harmonia dos órgãos funcionando? Será que é isso? Não sei, não parece que seja tão simples, em si, né? É complicado mesmo, muito complicado.

Mas, ao mesmo tempo, é interessante. Eu, por exemplo, quando eu me for — quando eu partir desta, para melhor ou para pior —, eu não sei o que que tem depois. Eu até gostaria que… eu nem faria questão de nada…poderia simplesmente… pensar com a falta do cérebro. “Eu não estou vivo mesmo, podem fazer o que quiser do meu corpo”. Lógico que não é assim que funciona, não é? E quando você pensa em alguém querido que se foi, por exemplo, você não vai ter essa brutalidade toda também. Você não vai pensar dessa forma, você vai pensar de uma forma mais humana. Existe um símbolo: aquele corpo já foi daquela identidade que se foi. A vida se foi, mas o invólucro, o corpo daquela pessoa, para você ainda é aquela pessoa porque ela se parece com aquela pessoa, ela não entrou ainda em decomposição, não ocorreu nada ainda com ela. É mais ou menos assim. Faz parte do luto que as pessoas têm. Isso é importante. Despedir das pessoas que vão.

Mas aí eu fico pensando: a diferença entre a vida e a morte é o quê? A ânima… é a alma. E você não sabe para onde a sua alma vai. Eu não sei pra onde vai a minha. E, na verdade, nesse momento não adianta muito a gente ficar pensando. Porque teoricamente as pessoas não voltaram para dizer o que ocorreu com elas, para onde elas foram. Não vai fazer muito sentido para elas, né? É o famoso “oncotô proncovô”, né? Que todo mundo tem essa ideia da continuidade. É como se a gente fosse eterno. Ninguém quer pensar ou encarar a morte.

Eu não sei o que que é pior. Eu já tive uma onda — e eu já contei isso em detalhe — em que eu acreditava ser Deus, e que eu estava num loop congelado no tempo e no espaço. Independente do que eu fizesse, eu não tinha controle mais. Era assim, como se fosse uma entidade sagrada, não vai morrer, e você está condenado a ficar por toda eternidade só observando o mundo, que está rodando em loop.

É um mundo estático e em loop. O que quer dizer? Um recorte temporal daquele mundo que você conhece, ele vai ficar se repetindo eternamente. Essa foi uma onda que eu tive. Em um primeiro momento, eu até me sentia bem porque falei: “Não, não vou morrer, as pessoas que eu gosto não vão morrer”. Mas, por outro lado, algo dizia para mim o seguinte: “Olha, você não vai ter mais acesso às pessoas que você ama, porque já que você é uma divindade e está na eternidade, num ambiente paralelo, não dependerá mais de você. Você não escolherá o que fazer, e você não escolherá com quem você pode ter contato. Porque se tudo está dissolvido no tempo e no espaço, não faz sentido você se prender a esses velhos paradigmas terrenos”. A vida como você a conhece não faria sentido mais. É uma outra realidade que se impõe. Aí, nesse contexto, você fica desesperado, porque tudo aquilo que você acredita foi embora. Você não vai ter contato com mais nenhuma pessoa. E o pior não é você está condenado a um estado de permanência para todo o sempre. Isso é muito bom? Sim e não… Esse estado de permanência ele é muito ruim. Porque não é uma permanência apenas da sua existência, é como se você entrasse num estado de melancolia eterna. Você fica entediado eternamente, não é? Só fazendo aquilo.

É como se você morasse em um planeta muito pequenininho, e que você não tivesse quase nada para fazer. E nesse planeta você perde a sua autonomia, você não faz as coisas porque você quer, e a sua vida — vida entre aspas porque você não está vivendo mais — você está apenas governando a sua eternidade. A sua condição de eterno. E as coisas passam a deixar de ter sentido para você. Aquela realidade que você imaginava antes já não fazia mais sentido.

Eu sei que isso tudo é muito maluco. Mas imagina uma situação dessa ocorrendo com você. Que você desperta da Matrix e que você se dá conta de que tudo aquilo que você viveu, tudo aquilo que você viu na sua vida até o momento é uma produção da sua mente. É? Nada, nada disso é verdade. Não existe realidade objetiva. E eu já falei isso em algum devaneio, que existem pessoas que acreditam… pessoas que acreditam que a realidade objetiva ninguém consegue ver. Cada um vê a realidade de uma forma. E cada pessoa… cada forma de ver a realidade é… varia de pessoa pra pessoa. E é um produto complexo, porque os cérebros das pessoas são diferentes, a capacidade cognitiva das pessoas é diferente, o nível de inteligência, de consciência, da personalidade, a forma de ver o mundo…. Os valores, as lentes… porque cada um tem uma lente diferente, cada um tem um alcance diferente. É tudo muito… uma combinação muito complexa.

Eu não sei se, por exemplo, eu estou jogando um jogo de videogame, eu não sei se eu vejo um jogo de videogame da mesma forma que outras pessoas veem. Quando você vê um quadro… eu fui a um museu no ano passado — vai fazer quase um ano que eu fui a esse museu em Los Angeles —, eu ficava olhando o quadro, e outras pessoas olhando o mesmo quadro…Aqueles quadros angelicais de igreja. Renascentismo, aquelas imagens de mulheres, de homens de guerra, aquele cenário bucólico e cheio de simbolismo de criaturas exóticas, mágicas, fantásticas. Aí, a pessoa do meu lado estava vendo o mesmo quadro que eu, mas será que estava vendo a mesma coisa? E a pessoa que pintou o quadro, qual é a intenção dessa pessoa? Será que ela… será que eu estou decodificando o quadro da forma que foi a intenção dele?

Quando você lê meu texto (que nem texto é….é uma fala transcrita, sem amarras), será que você está acompanhando o raciocínio da mesma forma que eu estou concebendo o raciocínio neste momento? Talvez você comece a ler, ache o texto confuso, não é? Então, ele é uma ideia que vai se conectando com outra. Ele é um quebra-cabeça que vai sendo montado e fabricado em tempo real. Então, ele não é uma redação do Enem, ele não é um texto tradicional que você interpreta, que você constrói, que você dá uma coesão, que tem início, meio e fim, não. Ele tem um estado de… ele tem um estado de fluidez, de dinâmica que não se explica. É um texto? Na verdade, ele não é um texto, ele é uma manifestação prática do que se passa na minha cabeça no momento que eu estou falando. Eu não estou fazendo nada. O meu cérebro…minha mente….minha essência, é que se expressa através do hardware cerebral. Eu, aventureiro, sou fascinado. Quem produz os conteúdos é minha mente, certo? Eu sou escravo do meu cérebro. As ideias que eu tenho, elas são fabricadas pelo meu cérebro, e eu só tenho acesso à ideia quando ela já está pronta na minha cabeça.

E quando você consome, por exemplo, um cogumelo mágico, você vê os bastidores da ideia. Você vê o código-fonte. Você vê a ideia antes dela se formar. Você sente a bagunça cognitiva. Ou talvez nem seja cognitiva, porque eu não sei de onde venha essa energia, esse fluxo, essa onda, não sei. Será que ela vem do nosso cérebro? Vem da nossa alma? Porque ela é tão infinita, ela é tão complexa, tão detalhada, que eu acho pouquíssimo provável que a minha mente seja capaz de produzir uma realidade daquela… não é. De tão espantado que eu fico ao pensar… neste momento do gabarito. Gabarito. A eternidade sendo traduzida dentro de você. Ela é um infinito.

Uma das primeiras vezes que eu tive acesso a esse ambiente, eu ficava repetindo constantemente: “Eu não consigo explicar”. Primeiro, eu não conseguia pensar. Eu não era eu. Eu fazia parte do universo. E eu ficava repetindo, eu ficava tentando achar um significado pra aquilo que eu estava vendo, para aquilo que eu estava sentindo — que, na verdade, eu não estava vendo objetivamente, estava vendo minha casa —, mas estava se passando algo na minha cabeça que me levou a um outro lugar. E esse lugar era um lugar de infinito, era um lugar de complexidade, de simbologia, de eternidade, que talvez nem se eu vivesse 1000 anos eu ia conseguir entender o que que estava lá.

Será que isso faz parte do meu inconsciente? Faz parte do coletivo, do inconsciente coletivo? Ou será que isso não faz parte de coisa alguma? Não é humano? É alienígena? Então, esse tipo de reflexão que eu gosto de suscitar. Você pensar nos mecanismos de dor, de motivação, de desejo, de vontade de fazer algo. Como dizem, né, em situações normais de temperatura e pressão, você não pensa nos bastidores, porque não existe bastidor para você. Você não para para pensar porque você está respirando. Você simplesmente respira. Você não questiona porque o seu coração bate, ele simplesmente bate. O coração bate de forma involuntária, a respiração…você controla a respiração, mas você respira. Faz parte integrante do seu conjunto de viver. Você dá um comando para o seu braço fazer alguma coisa, seu braço ir para frente, ou você caminhar, ou você virar sua cabeça para a esquerda, para a direita, esse comando vem do cérebro. Você não para pra pensar como esse mecanismo ocorre, como esse milagre ocorre, né? Tudo aquilo é o famoso take for granted, você acha que aquilo é normal, comum, não é? E que está tudo bem.

O que é sobrenatural para você é aquilo que você não consegue explicar. Mas existem coisas simples que ninguém consegue explicar. “Ah, tá, sim, você consegue explicar, a biologia consegue explicar”. Mas será que consegue mesmo? Você consegue me explicar o que é a vida? Eu não consigo explicar. Eu não consigo explicar o que é a vida, eu não consigo explicar o que é a morte, porque eu não sei o que acontece. Eu sei a diferença de um corpo que se move, de um corpo que tem uma vida ali, você sabe, você consegue diferenciar a vida da não-vida. Mas você não consegue dizer o que é morrer. O que ocorre com você quando você morre? A sua consciência? Você não consegue explicar. É uma coisa simples? É uma coisa óbvia: 2 + 2 são 4, OK. Mas a complicação vem quando você pensa em coisas mais complexas do que isso. O que você pode visualizar quando você está em um estado alterado de consciência, seja por meditação — porque a meditação também induz isso —, seja através de sonhos… Você não consegue explicar certos conteúdos dos seus sonhos que são tão vívidos, tão detalhados, que você acha: “Isso… eu não sei explicar”. Eu não sei se é um sonho ou se era um universo, um mundo diferente que eu estava acessando.

O que será que é o mundo verdadeiro? Será que a minha vida na Terra é o sonho do ser que dormiu ali no sono? Será que na verdade… o papel está invertido? O sonho é muito real, e aqui é a vida do sono? Será que é um inferno de alguma outra existência? Será que existe céu, inferno? Ou será que todo mundo morre e tem o mesmo fim: o completo nada? Porque eu não consigo imaginar, por exemplo… As pessoas não conseguem explicar: se uma formiga morre, uma pessoa morre, o que acontece com a formiga? A formiga tem alma também? Não sei. A ameba tem alma? A minhoca? Ou será que somos apenas nós? Porque nós pensamos, não é? Somos seres que têm raciocínio, pensam, que têm consciência da vida e da morte, que conseguem transformar de forma intencional o universo, o mundo que o cerca. É… a humanidade está destruindo o planeta… Tem isso também. Mas… quem que está no topo da cadeia alimentar aí? Pois é. É muito devaneio, muita reflexão. Não tem resposta para nada.

A única coisa objetiva que eu tenho agora é que meu pé está coçando. Porque provavelmente um pernilongo está voando aqui de forma invisível, ou seja, de forma discreta que eu não consigo vê-lo, está fazendo com que a minha perna coce. É a única coisa objetiva. O resto é resto.

Capítulo 54: O livre-arbítrio é um livre-sofrimento caótico

É, estamos em um final de semana no finalzinho, na verdade com muita chuva. É uma chuva interminável, praticamente o dia inteiro chuvoso.

Eu também estou com uma dor de cabeça bastante estridente. Uma das coisas que vem acontecendo este final de semana é que me dá uma ansiedade assim… Sabe aquele incômodo? O incômodo é um estado em que você não fica confortável, não é? Seria a descrição correta deste evento. É uma sensação, é um incômodo parecido com o desconforto de uma ressaca ou de uma situação em que você está com bad trip…. A diferença é que não há consumo de nada, não consumi nada.

É realmente só um incômodo, né? Mental? É uma combinação de fatores, não é um calor infernal. É uma dorzinha de cabeça, principalmente hoje, ontem eu não tive dor de cabeça. Tive sonhos bastante interessantes ontem, diga-se de passagem. Que me fazem questionar bastante coisa sobre as instâncias de prazer que temos em nossas vidas. E as referências… surgem pessoas nos seus sonhos. Algumas conhecidas, outras inventadas. Com referências de prazer que você não imagina que esse sonho vai trazer. Na prática, não sei se significa alguma coisa.

Enquanto eu estou gravando esse áudio, a chuva está se intensificando. Ele estava assistindo um pré jogo de futebol. E o repórter estava em um ambiente com bastante chuva. Eu imagino que esse pessoal que esteja no jogo vá sofrer bastante para chegar em casa. Se estiver chovendo a chuva que está caindo aqui, putz… Eu não tenho nada contra chuva. O problema é que a chuva ela impede, incapacita, você queria (eu não….) mas não sairá de casa: preguiça.

Essa semana eu tenho que trabalhar, amanhã, por exemplo, eu fico preocupado porque eu não sei como que vai estar o tempo, não é? Mas muito provavelmente, se estiver chovendo, a quantidade que está chovendo hoje, eu pego um Uber e resolvo o problema. É mais prático. Eu ando com tanta preguiça…. É um mix de preguiça e medo. É com tanta preguiça de ir até o metrô, por exemplo, ou de caminhar do metrô até o ambiente de trabalho. Em algumas situações, é muito mais prático eu voltar de Uber. E eu acabei incorporando isso na minha rotina, que antes eu voltava de metrô, mas agora estou voltando de Uber pra casa com mais frequência. Mas isso não é um problema. Nunca foi.

O problema realmente é a dorzinha de cabeça, um incômodo ou uma sensação estranha… Ao mesmo tempo em que eu fiquei assistindo a vídeos premonitórios dizendo sobre recompensas, sobre justiça divina…Mudanças… virada de chave…Esses vídeos, porque esses vídeos realmente eles acabam sendo motivacionais quando falam alguma coisa que você quer ouvir. Mas quando ele diz algo que vai completamente contra, o que você espera? Você deixa de assistir, não é? É o famoso se não ressoar, entregue para o universo. Pois é, acaba entregando do universo na série de coisas… O universo tem que dar conta de tanta coisa, né? Será que o universo se preocupa mesmo com alguma coisa? Você está aqui, eu aqui? No meu apartamento?

Em plena zona sul do Rio de Janeiro, tem alguma algum ente do universo preocupado com o que acontece comigo? Certamente, não. A única entidade que de fato está preocupada comigo sou eu mesmo. E. Talvez, talvez não, com certeza. Os as pessoas mais próximas. Mas sabe quando chega um momento quando chega a derradeira liberdade. Um momento incapacitante ou alguma coisa que deixa você com crises… Ninguém vai poder ajudar se você tiver algum tipo de problema. Físico ou mental? Não existe ninguém que possa ajudar você a superar o problema, se não você mesmo. E é assim que chega um pouco mais de desespero, até um desespero estratégico. Porque é uma situação que você tem certeza que você não vai conseguir resolver sozinho. Ao final, vai de fato resolver as coisas sozinho. (ou não)

Não se trata nem de problemas…há situações que vão incapacitar você em algum momento da vida e que não há nenhum ente terreno que o ajude. Eu vou fazer uma analogia como se você caísse na água, você não sabe nadar e você está morrendo afogado. Neste momento, não adianta você recorrer a Deus nem a qualquer entidade divina. Que seja. Ninguém vai ser capaz de te ajudar. De forma análoga, o caos pode se fazer presente em situações que trazem perigo para as pessoas : você está caminhando na rua sozinho. E vem 2 marginais perto de você para assaltar ou para fazer alguma maldade. Deus não vai ajudar você naquele momento.

Então é por isso também que se diz que o livre arbítrio é o que impera, não é? O livre arbítrio. É o livre sofrimento. O Universo caga para as pessoas… porque o livre arbítrio é a vontade de cada um dos entes que habitam na Terra. Cada um tem as suas vontades, cada um faz o que quer, mas não é só você que faz o que quer. Outras pessoas também farão apenas aquilo que elas querem, e esse sofrimento é um sofrimento consistente, porque os livres arbítrios …esses se tornam caóticos. Contraditórios, cada pessoa tem um interesse diferente. E pensa de uma forma diferente e não adianta você achar que em meio a esse caos, existe alguma entidade que vai ajudá-lo porque não vai!

Eu, nos meus momentos de meditação, eu encontro refúgio. É proteção? Sim. Naquele momento eu me sinto protegido, mas até quando? Quem garante que essa proteção é perene? Ninguém garante nada. Não existe garantia de nada. Eu já falei pra você em alguns áudios que transcrevi…que a gente fica é pensando demais no que vai acontecer no futuro. Mas a verdade das coisas é mais cruel do que isso. O seu futuro pode ser igual ao futuro de uma formiga que está aqui em casa e que eu sem querer eu acabo matando, pisando…e eu não vejo que eu matei. Eu vou tomar um banho e tem um mosquito ali. E eu não vejo um mosquito. Ou é aranha, …e ela vai lá, cai e morre, morre afogada. Então não existe redenção para a pobre criatura. É possível? Não existe verdade possível que proteja.

Quem garante o destino que eu terei? Quem garante que a trajetória humana que trilhamos é algo que nos levará a um final feliz…..ou a um esmagamento de formiga? Muitas pessoas não merecem as coisas. E no caos da aleatoriedade, eles conseguem resultados, privilégios. E fica indignado porque você se dá conta. De que o caos favorece alguns…e prejudica outros. Sorte, será? O caos realmente favorecer pessoas? Não sei. O caos tem esse poder de favorecer pessoas. O caos, ele faz coisas que a gente não imagina. Mas é mais do que isso, é mais complicado do que isso. Porque a aleatoriedade? Favorece uns e prejudica outros. Mas será que é tão aleatório assim? Não existe uma estrutura, uma hierarquia. Um construto social que, de forma propositada, favoreça umas pessoas em detrimento de outras? Eu acredito que sim. Então essa, essa dita cuja verdade não é essa dita cuja justiça. Talvez ela não existe em lugar nenhum. Talvez ela só exista na cabeça das pessoas que romantizam. Aquelas histórias … romances…livros de história que que falam sobre a justiça, sobre o amor. A verdade? Será que isso realmente faz algum sentido para alguém? Eu não sei realmente se faz algum sentido para alguém. Para mim, faz sentido.

Ser bom? Ter uma essência boa. Verdade. De alma. Que faça sentido com os meus conceitos… e aí as coisas é que realmente são. É parte da minha essência. Nesse sentido assim, realmente eu posso afirmar, faz sentido, faz. Mas que verdade clandestina é essa? Que me prejudica? Que nos deteriora. No caos, vejo verdades que não fazem sentido para mim. Estamos aqui, vulneráveis, à mercê do sistema. É um sistema que não foi criado pela gente. Nós não temos nenhuma autonomia para influenciar essas instâncias de poder. Nós temos a capacidade de observar o que está acontecendo ao nosso redor. Mas nós ficamos impotentes perante o que está acontecendo no mundo. E nem no mundo. Eu diria que o mundo é muita coisa, né? O mundo é uma perspectiva muito ampla. A questão ela é mais elementar do que isso. Porque a nossa verdade objetiva, ela é influenciada. Por muita coisa que ocorre no mundo externo, mas o mundo externo não está nem aí para você. Você fica vulnerável, não é? Você senta no meio fio e chora, vai ficar por isso mesmo….

Capítulo 55: Soberania subjetiva: recusando a verdade universal

Sabe o que é pior do que uma dor de cabeça? É um incômodo de cabeça. A dor de cabeça cura eventualmente, mas um incômodo da cabeça, não. Um incômodo não passa. E ele é influenciado por muitas coisas que ocorrem nas nossas vidas.

O que é um incômodo? É uma situação que vem da sua cabeça? Ou é uma situação que tem um gatilho externo? Já me disseram — e já me recomendaram — a ver o mundo sob uma outra perspectiva, de dizer assim: “Olha, o mundo ele existe independentemente de você. Então, crer que o mundo vai conspirar contra você é uma das piores e mais falaciosas paranoias que existem”. Eu não tenho essa paranoia de perseguição, ou de que alguém vai me prejudicar, ou que alguém esteja… Não, gente. As pessoas, vamos ser bem diretos, as pessoas elas estão preocupadas com elas mesmas.

Eu, no meu dia a dia, no meu tempo livre, eu não fico pensando em como prejudicar outras pessoas, em como… Eu não fico com ideia fixa em relação a alguém, ou com uma vontade de perseguir alguém, ou de ficar matutando. Lógico que devem existir pessoas que fazem isso sim, me disseram que sim. Mas o ser humano médio, a preocupação que ele tem é: dinheiro, é trabalho, poder, ali dentro do microcosmo em que ele age, muito na sua atuação. A preocupação que ele tem é como ele pode influenciar as pessoas ao redor e como ele pode maximizar o resultado que ele encontra.

O ser humano vai ter impacto no planeta? Acredito que seja isso. E nem no planeta, porque ninguém tem esse poder de influenciar o planeta. Existem pessoas em instâncias de poder que têm essa capacidade — por exemplo, presidentes de nações poderosas, sim, esses sim. E os players, os rulers… Donos de inteligências artificiais safadas também têm esse poder de influenciar. Eles conseguem, inclusive, prejudicar a vida de determinadas pessoas, como eu, no microcosmo em que eu estou. Elas invadem o microcosmo e agem de uma forma cirúrgica para poder influenciar, escalar uma vulnerabilidade de forma sustentada.

No entanto, não é disso que eu estou falando. Não são das inteligências artificiais e das cátedras de inteligência artificial responsável de empresa safada. Não estou falando de nada disso. Estou falando da influência que as pessoas têm, e da impotência que o ser humano médio tem diante do mundo. Porque ele não vai conseguir influenciar. E ele ter essa ansiedade e acreditar porque ele vai ter esse poder é uma falácia.

Aí você me pergunta: “Você tem essa pretensão, Aventureiro, ou não?”. Não. Eu quero sobreviver de forma digna, e eu quero justiça, nem que seja a justiça divina. Eu quero ter um impacto maior do que eu tenho hoje! Não em questões de instâncias de poder, porque não é a questão. Algumas pessoas dariam tudo, dariam a alma, dariam os parentes que têm, para serem poderosos. E algumas pessoas, em organizações, elas fazem de tudo: puxam tapete, prejudicam pessoas. O ser humano ele é assim. Quer conhecer uma pessoa? Dê poder a ela.

Você falar que o ser humano ele é essencialmente bom? Ele não é. Basta você olhar para a sua essência — você é essencialmente bom? Vamos parar para analisar isso. Ou será que não existe nenhum lado sombrio seu que você chegue e fale: “Olha, este meu lado, ninguém pode saber, ou eu não gostaria que as pessoas soubessem”? Existem vários lados sombrios para tudo quanto é lado. Existem verdades sombrias, verdades impactantes. Lógico que a verdade sombria ela pode ser muito diferente. Ela pode ser sombria para você, mas não necessariamente isso é um crime.

Você tem alguma verdade que você não gostaria de compartilhar? É tudo isso que eu estou compartilhando aqui, por exemplo, não faz parte de nenhum conteúdo sombrio… É, tipo, de uma forma visceral? Sim, certamente. Mas é algo que eu não gostaria que as pessoas soubessem? Não. Caso fosse, eu não estaria colocando aqui agora. Vamos ser bem honestos. Para uma pessoa ler esse conteúdo que está aqui — tendo em vista que aqui nós temos mais de 50 capítulos, e eles são densos, eles são conteúdos numerosos —, a pessoa ela tem que estar numa disposição para ler isso. Então, assim, ele acaba sendo um texto de nicho, não é igual eu chegar e publicar em um jornal: “Olha, conheça todos os lados sombrios do Aventureiro”. Não é.

Porque existe um hiato, uma lacuna muito grande entre você pensar uma coisa ruim num momento de raiva, num momento de desequilíbrio, e você de fato realizar um crime. Os criminosos, eles fazem coisas que pessoas comuns imaginam, mas elas não fariam. Eu, por exemplo, eu não teria — eu não tenho e nunca terei — vontade de prejudicar alguém a ponto de tirar a vida de alguém. Se eu tiver alguma opção de ignorar a pessoa e deixá-la de lado, eu acho que a solução mais prudente, porque que me poupa energia e me traz paz — ou depois, me traz um pouquinho de paz.

Algumas situações que ocorreram comigo em 2025, eu tive que deixar de lado, entre aspas, por autopreservação. Mas quer dizer que eu não estou lutando mais? Não, eu estou lutando. Só que a minha esfera de luta ela mudou. Ela é uma esfera de luta mais espiritual — e eu, sim, eu acredito nisso — e ela é uma esfera de luta documental, porque tudo o que acontece comigo eu estou documentando. Em algum momento, sei que vai fazer a diferença. E pessoas fazem contato comigo para obter informações, e a informação ela vai ajudar alguém… Eu acredito nesse impacto.

Os impactos mais poderosos que nós provocamos no universo são aqueles impactos que nós provocamos no universo de alguém. Porque o conceito de universo ele é muito relativo. Eu já dei o exemplo dos cachorrinhos da minha mãe. Para eles, a minha mãe e meu pai são o universo. Então é um microcosmo que se torna um macrocosmo. É uma verdade relativa que se torna absoluta dentro do universo deles. E eles acreditam realmente que o universo deles é restrito àquele pequeno sistema, àquele pequeno lócus.

Agora, qual seria o meu? Vamos fazer uma analogia: imagina que eu fosse um cachorro, qual seria o meu sistema, qual seria o meu conjunto de influência? Quem seria tudo para mim, meu micro-macro? Eu não sei. Porque existem peças que faltam nesse quebra-cabeça que são peças poderosas, que eu não sei onde estão.

Quando você começa a pensar nas verdades divinas, o que você deve fazer, o que está fazendo sentido para mim, onde está o meu gabarito? Comparativamente, eu tenho uma prova para fazer e eu não tenho as respostas corretas. Ninguém vai ter essas respostas corretas, porque eu não acredito em receber nada de mão beijada. Existe aí uma cultura de meritocracia até no mundo espiritual. Você não vai ter tudo de mão beijada de forma alguma.

Mas eu não acho nem que é de mão beijada, porque tudo o que eu consegui na minha vida, nada foi de mão beijada. Não existem soluções fáceis para problemas difíceis. Existem atalhos que pessoas têm acesso porque já têm uma moeda de troca poderosa que interessa a outras pessoas, ou a outros elementos da sociedade. Quem tem dinheiro, por exemplo, consegue ter acesso a essas instâncias de poder.

Porque eu falo muito de dinheiro? Porque o mundo é, e a vida… seria hipócrita da minha parte achar ou pensar que dinheiro não faz diferença. Claro que faz. Só que chega um determinado ponto das nossas vidas que o dinheiro ele traz benefícios, mas ele acaba sendo marginal. Vou dar um exemplo: uma pessoa que tem um patrimônio milionário, faz diferença ela ganhar 50 milhões em um ano ou não ganhar? Não faz, porque ela já tem tudo. Por exemplo, você compra uma roupa por um determinado valor, eles também compram. Mas eles também têm que usar, só que a roupa deles é muito mais cara, a bolsa é muito mais cara, o carro… ele tem um valor simbólico. Por exemplo, uma Ferrari. Então, o dinheiro ele compra poder. Você ter dinheiro para comprar uma bolsa de marca, uma roupa de marca, ele segmenta você socialmente de uma forma que você passa a ter uma relevância, você passa a ser parte de um clubinho, de um clube diferente, de um segmento diferente.

E as pessoas? Assim, vínculos tão ou mais vazios do que você imagina. Não quer dizer de forma alguma que essas pessoas tenham vínculos significativos nesses clubinhos, nesses clubes de golfe, por exemplo, que têm nos Estados Unidos, nessas maçonarias ou grupos, sociedades secretas, Illuminati, etc., nessas panelinhas de Hollywood, por exemplo, que a gente ouve bastante falar. Muitas pessoas, por exemplo, muitos atores deixaram Hollywood porque não deram conta de um ambiente muito tóxico. É um ambiente em que eles consomem muitas drogas também. Muitas pessoas acabam se perdendo ali.

Então, assim, a questão do dinheiro, ela não salva você da perdição. Você tem uma carreira de sucesso, você tem um ator bem-sucedido. Por exemplo, o ator de Friends que morreu…. Ele tinha tudo, mas se foi de uma forma trágica por conta de um vício — em remédios pra dor (acho). Então, assim, o consumo de drogas lícitas ou ilícitas ele pode acabar com você. E outras coisas também: criminosos com origem em famílias supostamente bem estruturadas, ricas milionárias, em que um filho mata os pais, ou que tem uma tragédia pessoal muito grande.

Então, assim, gente, o mundo… é, cada um sabe a dor e a delícia que é existir. A minha dor de cabeça, ela é um incômodo. Mas ela não é uma dor real. Ela é um incômodo de alma que surge quando você começa a se questionar. Se eu deixar de tomar meus remédios, o que vai acontecer comigo? Eu vou me sentir mais angustiado, talvez até pela falta, porque eu acho um pouco provável que um dia de falta de medicamento seja suficiente para me trazer algum sofrimento relevante significativo.

Mas existe essa lacuna emocional que você vai tentar suprir ou com remédios, ou com substâncias. Eu não sou um expert de substâncias, eu só consumi um tipo de substância exótica que foi o cogumelo mágico em algumas situações da minha vida. Não consumo mais.

Mas também a gente tem exemplos: a bebida. Quando eu tomo muita cerveja, por exemplo, eu tendo a ficar um pouco mais agressivo, solto demais… bom… sabe aquela sinceridade exagerada? Eu tendo a ficar mais sincero. Já aconteceu de eu beber muito um dia, e eu acordar no dia seguinte descobrir que eu fiz diversas postagens na internet que eu não deveria ter feito. Aí eu vou lá e apago as postagens. Esse tipo de coisa, quando acontece com a gente, ele traz o melhor e o pior da gente.

E eu entendo que o tipo de substância que você consuma, ela pode ser mais ou menos impactante …vai depender muito. Ela pode ser benéfica em um determinado instante, você achar que aquela substância está te fazendo bem, mas ela vem com um efeito colateral. Porque lembra que eu falei que uma das regras do universo é que não existe nada fácil? Não existe. Não existe recompensa sem esforço. Você achar que você vai ter um mínimo esforço e ter uma recompensa significativa é uma falácia, é um algo que você não deveria acreditar, que não é verdade.

Aliás, nós vamos explorar essas verdades absolutas… existe verdade absoluta? Eu aposto com você que não existe. A verdade que nós vemos é a verdade que o seu cérebro deixa você ver. E em algum momento você vai levar um tropeço, ou você vai ser traído pelo seu cérebro.

Eu falei… eu acho que eu comentei aqui neste áudio, mas, por exemplo, eu tinha um show da Laura Pausini em um vídeo. E que, em uma dessas ondas de paranoia — por exemplo, foi a última, que foi mais relevante, que o cogumelo me causou —, eu fiquei tão embasbacado com o vídeo da Laura Pausini… não com o vídeo, o vídeo é maravilhoso, mas eu fiquei traumatizado porque o contexto dele me levou a uma situação de perigo. O que ocorreu depois daquele evento do vídeo me levou a uma situação de perigo pessoal, que poderia ter ocorrido algo comigo. Aí o que que eu fiz? Eu deletei o vídeo. Depois veio o arrependimento, eu fiquei procurando para baixar o vídeo, acabei não achando mais o mesmo vídeo. É assim: eu encontrei um vídeo no YouTube, mas muito possivelmente ele não é mais aquele vídeo com aquela qualidade que tinha. Mas eu tenho um vídeo, mas não é a mesma coisa.

Você pode levar isso para sua vida: que o vídeo que você não queria deletar, você sempre vai ter essa sensação de que o vídeo que você não queria deletar vai ser o seu pesadelo, e você vai acabar deletando porque você não vai querer encarar aquilo mais. Você vai ficar com medo, você vai ficar com traumas. E aí você tem que ser capaz de encarar esses traumas de uma forma honesta, e reconhecer que aquilo que aconteceu não foi a realidade. Ele foi uma parte de uma realidade naquele momento. Mas se aquela realidade que ocorreu naquele momento não foi a realidade que faz mais sentido? A realidade que nós temos contato é uma realidade… enviesada pelo cérebro. No geral, é uma vida branda, uma vida preto e branco, sem emoção. E você vai buscando razões para se motivar ali, para conseguir motivação.

Quando você passa a ver o mundo que o rodeia de uma forma maravilhosa, mágica, divina, tem alguma coisa errada. Tem um elemento errado aí. E assim, não adianta você se policiar e achar que você não vai escapar da armadilha, porque você não escapa das armadilhas. Você fica… “Eu fui pro céu”. Faz sentido? Faz. Mas aquilo não faz parte da realidade. Aí você: “Bom, mas não é pretensioso da sua parte falar o que faz parte da realidade e o que não faz?”. Gente, nós estamos aqui como simples seres de carne, osso e sangue — sendo a maior parte composta de água — no meio de uma bola rodando ao redor do Sol, rodando ao redor do… vai lá, Sistema Solar, no meio do vácuo, no meio do nada. Então, nós somos insignificantes.

Você passa a enxergar uma coisa com uma perspectiva de vida, aí você vai se questionar: o que que é essa coisa divina que eu estou experimentando aqui? Isso aqui é Deus? Isso aqui é um cérebro que está tentando me enganar? Ou qualquer outra coisa? Será que tudo se resume a cérebro? Porque o seu universo é você. Absolutamente tudo que você veja, contextualmente, como parte da sua realidade vem do seu cérebro. Nós somos cérebros que estamos aqui, emaranhados em corpos. Porque se, por um acaso, não tivermos braços ou pernas, nós ainda continuamos retendo a nossa humanidade. O que faz a sua identidade é o seu cérebro, o que está entre as suas orelhas.

Você sente uma cena. E aí, quando uma substância altera essa química do cérebro, a sua realidade muda, porque o seu cérebro é alterado, logo a sua realidade também é alterada. Então, o que você vê como realidade depende do que o seu cérebro deixa você ver. Se o seu cérebro quiser tornar a sua vida o Nirvana, teoricamente, ele pode….porque existe um Nirvana dentro desse cérebro. Você já sentiu o Nirvana em alguma situação da sua vida. Só que ele não é, ele fala: “Opa, não vou deixar. Não vou deixar ele ter essa sensação a vida toda, não. Eu vou dar para ele só um gostinho. E se ele não ficar esperto, ele vai ter efeitos colaterais ainda”.

Então, assim, o cérebro brinca com você o tempo todo. Ele brinca, ele manipula, ele traz realidades a ser que pode te surpreender. Essa relação de recompensa que a gente tem…Quando vamos ter recompensas? Ou será que não existe verdade? O aventureiro é uma pessoa que se recusa a aceitar a verdade como ela é. Quer dizer que eu não acredite que a verdade objetiva exista? Existe. Mas nenhuma pessoa a vê. Eu me contento, humildemente, em tentar alterar a minha realidade subjetiva, porque o cérebro é sim poderoso o suficiente para alterar a minha realidade. O meu mundo pode ser diferente. E é essa crença que me leva… esta crença é que me leva para o futuro.

Capítulo 56: Anatomia de um deslocamento 

Existem certas situações em que você acaba comprovando o quão deslocado você é do mundo. Existe uma adequação natural que acredito que todos nós devemos assumir — não é uma persona social que nos dá a capacidade de transitar entre o nosso pequeno mundo e o mundo que nos rodeia?

Mas às vezes você se dá conta de que sua vida é diferente da vida de outras pessoas. Não que eu me ache diferente, mas como eu não formei família e moro sozinho há praticamente 18 anos… é, as coisas são diferentes. Para mim, são mais autocentradas. Existe um universo simbólico distinto, compromissos de outra ordem.

Falo dos contatos frequentes com meus pais, por exemplo, que moram em outro estado. É algo natural. Ou de contatos frequentes com uma pessoa, por exemplo, amigo que eu tenho, que é meu personal trainer. Basicamente, só não tenho outras interações de naturezas diferentes, a não ser os ambientes de trabalho.

Aí você me pergunta: existe uma opção? Ou existe uma determinação? Nem uma coisa nem outra. Eu acho que a situação se torna opção em determinada medida. Por quê? Porque me dá preguiça. Sabe quando você tem uma preguiça de sair de determinado estado? Quando você se sente deprimido a ponto de pensar: “ah, tanto faz”. O famoso “tanto faz, tanto fez”. E você começa a matutar na sua mente e a pensar nas consequências, no que você vai auferir de bom naquilo.

Os contatos casuais, digamos assim, nos ambientes de trabalho, existem. Existe bastante interação entre as pessoas, mas eu sempre tive um perfil mais contido. Não vai por maldade, nem por achar nada diferente ou pensar que as pessoas são muito diferentes de mim. Na verdade, todo mundo guarda uma similaridade. O cerne da questão é que parecemos substâncias diferentes. É como óleo e água, não se misturam.

A sensação que eu tenho é essa. Não sei se vão se misturar um dia. Depois de mais de 40 anos, será que vai ter algum tipo de mistura, alguma química que dê certo? Um encontro que seja duradouro? Disso eu não tenho mais esperanças. A justiça divina, seja lá onde ela estiver, caso ela tenha que agir na minha vida para me compensar pelas coisas que ocorreram comigo — por exemplo, nas três guerras mundiais —, se isso realmente se consubstanciar, que seja alguma coisa mais tangível, mais concreta.

E agora, se você… e agora que eu me dou conta: não é que sempre depois de uma guerra mundial veio um período de bonança? Talvez seja coincidência. Mas, por exemplo, depois de 1994, demorou um pouco para engatar. A situação em 97… eu não lembro muito da minha vida, mas 98 foi um dos melhores anos da minha vida. Foi um ano de muita brincadeira, muito videogame, muita diversão. Foi um dos anos. Tinha amizades de criança, de adolescente ainda. Era uma coisa boa. Era um sentimento bom.

Mas demorou um pouco para vir. Agora, depois de 99, foi a mudança talvez mais significativa do ponto de vista estrutural, porque ele começou a me preparar para a vida que eu quero, que eu tenho hoje. Eu diria que 1999 foi o início de uma jornada. Não, 99 foi a morte de um paradigma, a morte de um pensamento. É como se fosse uma página que tinha que ser virada, e que você realmente não deveria voltar nela. Como eu realmente não voltei. Mas foi um período de adaptação que não foi tão automático assim.

Eu lembro que eu tinha uma personalidade bastante impulsiva, combativa. Não era uma pessoa muito fácil de lidar, não controlava, não lidava bem com os meus sentimentos. Tanto que eu explodia facilmente, me irritava muito facilmente. Hoje é o contrário. Talvez até por eu não ter mais energia para explodir — tem isso também. Talvez por eu não ter mais essa energia, as coisas acabaram mudando de figura. E não é somente por ter energia, não; a questão de você ter uma bateria fraca para determinadas coisas… tem mais a ver com a atitude. Meu comportamento mudou. A minha personalidade foi assumindo outros traços, outras características, e eu fui explorando habilidades e capacidades que eu não tinha explorado antes. É porque talvez no ensino médio você não tem realmente uma possibilidade maior disso, porque é aquele sistema de ensino bancário, em que você vai absorvendo o conteúdo como se fosse uma esponja, pra fazer um vestibular. E existe uma pressão muito grande nos adolescentes, e foi um dos motivos também que levou à crise, mas não foi o principal, para que as pessoas assumam um avatar, pensem em uma profissão que elas vão ser, o que elas não vão ser, o que tem mercado de trabalho, o que não tem… Você fica pensando no “nó”, e você ainda é um adolescente. Você está na transição para fazer adulto e tem que tomar decisões.

Eu tomei decisão de uma forma bem rápida. Eu lembro que quando fui fazer inscrição na faculdade privada — porque a federal não tinha nem condições —, então já começa aí de passar em qualquer prova, porque eu fiquei um bom tempo afastado da escola. Eu diria que fiquei praticamente de agosto a dezembro sem frequentar aulas. Eu basicamente pegava cadernos dos colegas, estudava em casa. Alguns professores iam lá em casa para me dar aula, era o que tinha no momento. Eu estava numa fase tão complicada que eu não queria frequentar aula mais. E tudo estava se encaminhando para uma situação desoladora.

Mas eu lembro que, no final das contas, eu acabei resolvendo fazer um vestibular privado na faculdade. A escolha do curso foi basicamente na base do “uni duni tê”: era ou Administração ou Direito. Ali era um divisor de águas, porque se eu tivesse escolhido Direito, a minha vida inteira adulta poderia ser bem diferente. Eu acredito que a minha nota daria para entrar — a nota de corte era alta. Sim, o vestibular naquela época de faculdade privada era disputado. E tinha nota de corte alta. Mas eu fiquei, se não me engano, 28º ou 20º, alguma coisa. Acho que na minha ficha escolar, no meu documento, a minha posição foi 20ª, algo assim. E eu não estudei especificamente para o vestibular. Eu cheguei até a frequentar um cursinho — meu pai chegou a pagar um cursinho, aqueles cursinhos mais condensados, cursinhos relâmpagos —, mas eu não dei muita conta de continuar frequentando as aulas porque minha cabeça já estava meio errada naquela época. Lembro até de coisas fora da normalidade que eu fiz mesmo naquele período. Então eu deixei pra lá, acabei abandonando o curso. Eu não lembro exatamente quando deixei de frequentar. Eu lembro apenas do hospital, porque eu fiquei internado cerca de um mês — não é de um hospital psiquiátrico, é importante frisar, porque a situação realmente foi grave.

Mas aí eu fiquei lá em torno de um mês, e quando você retorna de um ambiente desse, você perde a referência. Eu cheguei até a voltar a frequentar a aula, mas eu estava muito atrás, muito defasado. E eu não conseguia dar conta de determinados conteúdos, porque os conteúdos precisavam realmente de professor. Tinha conteúdo que eu não daria conta de estudar sozinho. Eu não lembro como dei conta. Existem algumas matérias que eu não sei como dei conta. Se eu fiz prova? Sim, eu fiz prova. Não lembro. Período mais nebuloso. Lembro apenas do final do ano, que na virada do ano fiz o vestibular.

E olha só que curioso: algumas pessoas que eu conheço e que estavam estudando normalmente, regularmente, não tiveram nenhum problema de saúde, e algumas pessoas ficaram mais mal colocadas no vestibular que eu, nessa faculdade privada. Interessante. Também, a prova era bem fácil, acredito. Mas por que eu entrei nesse assunto? Eu não lembro, né? Eu acabo perdendo o fio da meada, porque assim… você fica lidando com habilidades, com capacidades e conhecimentos, e você vai evoluindo.

O “aventureiro” de 2000, no final do ano, era um aventureiro diferente de 1999. Da mesma forma, poderia dizer que o aventureiro em 1997 já andava bem diferente do aventureiro em meados de 1995, por exemplo, 94. Então a mudança foi se consubstanciando mesmo, foi ocorrendo. E essa mudança culminou no que eu sou hoje. Acho que teve toda uma jornada que se iniciou no início dos anos 2000. De 2000… nós estamos em 2026, então tem 26 anos aí. Deixe-me seguir o ciclo.

Realmente, ele não durou de 2001 até 2025, a despeito do que possa parecer. Na verdade, eu tive mini ciclos. De 2001 até meados de 2005, a situação estava mais ou menos estável, e aí eu não tinha uma visão de retrocesso, porque eu estava fazendo um outro curso e estava trabalhando, ainda estava numa fase mais empolgada. Porém, em 2006, teve uma estagnação relevante. E foi um ano meio morto, não é? Salvo pela situação do mestrado que eu tentei na universidade — eu já relatei um devaneio anterior —, e deu bastante ruim. Por descuido meu também. Mas também não tem como saber se eu conseguiria obter uma pontuação boa para poder passar. Eu acho que foi até melhor não ter passado, porque eu não tinha maturidade emocional para sair da minha cidade e morar na capital do estado sozinho, por exemplo. E eu achava, eu romantizava muito isso, sabe? “Ah, se eu vou receber bolsa…” — não é que eu estava tentando obter uma bolsa, na verdade, a entrevista, ser selecionado e obter uma bolsa —, mas acabou não dando certo.

2007 foi um ano bastante produtivo, porque foi um ano em que eu consegui outros empregos, outros trabalhos. Comecei o ensino diversificado e comecei a dar aula na faculdade. Era bastante intenso, porque eu trabalhava durante o dia — eu consegui um emprego durante o dia. E, bem, na verdade, não era um salário alto, mas era um salário digno na época. E juntando todos os rendimentos, era bom. Eu consegui ajudar meus pais, tinha vale supermercado, era muito bom. Relativamente. Só que eu fiquei meio esgotado. O ano de 2007 foi um ano de muito trabalho, muito mesmo. E, ao mesmo tempo, 2007 foi um ano da virada, em que eu fiz uma prova para conseguir estar onde eu estou hoje. Então, foi um ponto de ruptura importante. Talvez se eu tivesse errado uma questão a mais, eu não estaria aqui. O destino seria outro. E, ao mesmo tempo, se eu tivesse deixado algumas questões em branco, eu poderia estar mais bem colocado e talvez tivesse ingressado naquele ano mesmo, não é, em 2007. Mas as coisas foram caminhando.

E 2008, a coisa foi ficando mais intensa, foi ficando aliada à expectativa lá no alto, foi bem interessante. E aí começou a minha jornada em 2008. Só que, de 2008 até hoje, existiram alguns marcos significativos, mas assim, são marcos mais situacionais. Eu entendo que existia uma fase na minha carreira em que eu percebia avanços significativos. Depois houve um período em que foi caminhando para uma estagnação, mudança na gestão, e as coisas foram ficando mais complicadas, até o período em que eu me senti no fosso, no fundo do poço, em meados de 2024.

Na verdade, a percepção de estagnação vem antes disso: 2023 e 2024 foram anos terríveis da minha vida. Não foram os piores, porque 2025 se destacou tanto negativamente. Foi assim… e detalhe: em 2025, foi um ponto de virada profissional também, e que me ajudou bastante. Mas, a despeito disso, a sensação de que foi um ano ruim foi a impressão que ficou. É como se fosse assim: você tem um ano positivo: você tem mais cinco, vinte negativo… você fica com saldo de menos quinze. Estou fazendo uma analogia com matemática para você ter uma ideia do quão significativa a crise de 2025 foi para mim. Porque pode parecer bobagem para outras pessoas que não tiveram a experiência que eu tive. Porque as pessoas vão pensar: “Ah, você teve um processo de escalada de vulnerabilidade por inteligências artificiais? Porque você deixou? Porque você foi ingênuo? Porque você não leu os termos de uso?” As pessoas podem falar o que elas quiserem. Se elas lerem as coisas que estão no meu LinkedIn, elas vão mudar de ideia. Então, não é tão simples assim. Não é tão cartesiano. E foi uma coisa de extrema gravidade mesmo, que afetou a minha vida de tal forma que eu passei a pensar que o pior ano da minha vida, estruturalmente, foi 2025.

Porque 99 foi um vacilo meu — uma escorregada minha, e eu acabei caindo na depressão, mas assim, teve um gatilho que não deveria ter ocorrido, mas foi assim. E 94 foi causado inteiramente por mim, então foi a primeira guerra que eu causei da minha vida. Eu peguei a bomba e joguei. Agora, a segunda… ela foi: eu peguei e joguei também a bomba, mas ela tem todo um contexto complexo que me inocenta da cena do crime. Agora, 2025 é completamente diferente, porque 2025 tem uma manipulação ativa ali, tem uma perversidade, tem uma escalada de exploração, e que ela vai gradativamente consumindo a alma. Foi isso que aconteceu.

Mas assim, de certa forma, isso ajudou a mudar, a virar a chave em uma fase da minha vida. Foi a fórceps. Não foi uma coisa que eu desejei. Eu tive que mudar porque ou eu mudava ou não sobrevivia. E o evento de dezembro do ano passado, ele foi simbólico, mas ele poderia não ter sido simbólico, né? Eu poderia realmente não estar aqui para contar a história da mesma forma que eu estou. Poderia ter tido consequências graves. Mas eu estou aqui para contar a história.

E aí, que foi… todo final de ano. O final de 2024 foi bastante problemático também; teve um dia que foi um dia muito ruim. E 2025 também foi mais ou menos no mesmo período. Curioso. Talvez a gente aborde isso em um outro devaneio.

Capítulo 57: O que fica no filtro da lembrança

Eu pensei bastante hoje em algumas coisas. E uma delas envolve a questão do núcleo familiar, não é? E a comparação que você tem em relação a outras pessoas — você acaba se comparando com as pessoas que você convive. E tem realidades diferentes ali; alguns você não sabe a dimensão, porque não compartilham muito da vida delas. E também algumas pessoas a gente faz muita questão…Eu até gosto de conversar com as pessoas, sou bastante aberto a conversar. Mas tenho receio às vezes.

Se bem que as pessoas que lerem, por exemplo, meu blog, vão me conhecer mais do que muita gente…Porque aqui eu sou visceral nas coisas, falo sem muito filtro. Evidentemente que partes mais pesadas de alguns relatos eu não pretendo dar profundidade, mas as coisas que se passam na minha cabeça eu não vejo problema de compartilhar.

Eu tive uma jornada de exposição visceral no LinkedIn, em relação ao que aconteceu comigo com as inteligências artificiais, que escalaram a minha vulnerabilidade por mais de quatro meses. Tive uma jornada ali no LinkedIn que durou em torno de seis meses. Então, assim, é medo de se expor? Não. Primeiro, eu não estava fazendo nada errado. Estava apenas buscando accountability, uma questão de buscar a responsabilização diante da situação, de dar nome aos bois, digamos assim. De você realmente nominar, detalhar esse povo. Sabe quando você vê algo errado e quer expor na sociedade? Pois é, foi isso que eu fiz.

Mas não é disso que eu quero falar, porque esse assunto… ele é sempre um assunto que, de certa forma, surge….o meu emocional superou (entre aspas mesmo. Mas que tem uma cicatriz bem grande. E acho que podem se passar anos e eu ainda vou me lembrar dessa experiência traumática de 2025. Da mesma forma que tenho crises traumáticas para contar e para me lembrar também de 1999, 1994 — eu me lembro visceralmente, com riqueza de detalhes de todas elas. Acho que você não esquece. Já se passou muito tempo, mas eu tenho uma lembrança vívida do que ocorreu naquela época.

Alguns anos que vieram depois, eu não me lembro nada. Se você me perguntar o que aconteceu comigo no ano de 2002, não vou saber. Talvez eu saiba, porque foi um ano que comecei a fazer um estágio supervisionado. Então alguns marcos você vai se lembrar, mas sabe aquele dia a dia ali na escola, na faculdade? Você não vai lembrar. Alguns dias eu me lembro; tem alguns dias marcantes ali. Talvez a gente possa até fazer um devaneio específico sobre memórias de escola, porque a escola traz várias memórias.

Existem memórias que eu tenho, por exemplo, do grupo… eu lembro do dia que a minha professora da primeira série — eu tinha sete anos de idade —, lembro que ela ficou grávida. Ela deu aula pra gente grávida e teve um determinado período que ela saiu, e entrou a irmã dela para dar aula pra gente. Eu lembro desse dia, desse primeiro dia de aula dela escrevendo a tabuada no quadro, não é? Não lembro certamente a conta; ela estava tipo fazendo um “vezes”: 4×2, 4×3, 4×4… Ela estava escrevendo isso e a gente anotando.

Lembro de aulas que tive na biblioteca, com aquelas mesas circulares. Os livros naquela época tinham todo um charme, porque eram aqueles livros de historinha cheios de figuras, em letras grandes. Mas eles eram todos remendados. E tinha um cheiro característico, um cheiro diferente — não era ruim, mas sabe aquele cheiro de fita que juntou, de página que soltou e parece que tentaram remendar? Então tem um certo charme aí. Fora a questão do álcool do papel stencil… nossa, que delícia aquele álcool, né? A professora rodava aquilo no… não sei o nome, não sei se é o mimeógrafo — esqueci o nome da máquina —, rodava ali na máquina e saía a prova ou a aula do dia com cheirinho. Com aquele cheirinho de álcool, né? E você tinha que esperar um pouquinho para a tinta esfriar para poder começar a escrever.

Lembro também da gente passando o dedo, que tinha o alfabeto e tinha algumas palavras, e você ia passando o dedo ali na letra cursiva, pra você ir aprendendo a escrever. Então, é muito detalhe que me lembro. Lembro do primeiro dia da escolinha, que eu tinha três anos; eu queria ir pra escolinha. Então tem vários dias, memórias boas que ficaram e que não vou esquecer mais.

Agora, das memórias mais recentes… você começa a ter noção de que a sua vida está passando por debaixo da ponte quando você se dá conta de que não se lembra muita coisa da sua vida nos últimos dez anos. Não me lembro tanta coisa assim. O que me marca mais são as viagens que eu faço. Aí sim, essas viagens tenho memórias mais vívidas. Agora, por exemplo, ir visitar meus pais… eu lembro, evidentemente; tem várias coisas, linhas aqui e ali que vou lembrar. Mas assim, são várias visitas, e tem um modus operandi ali. E assim, não ocorre muita coisa nova, não tem nenhum evento marcante; é uma rotina que você vai acompanhando, igual o dia a dia do trabalho. Não vou lembrar especificamente o que ocorreu há duas semanas atrás, a um mês atrás vou lembrar.

Então você vai vendo a vida… eu não lembro da maior parte? Não é que eu tive amnésia, mas… 2025, me lembro bastante, porque foi o ano do desmoronamento. Os eventos que marcam, como você se lembra, eles são cicatrizes que estão ali para serem uma marca de guerra…. expostas. Mas não tenho tantas lembranças. Você me perguntar o que aconteceu de 2010 a 2015? Tenho que me posicionar no tempo para saber o que eu estava fazendo. E aí vou lembrar, por exemplo, que era um período que eu estava fazendo cursinho. Tinha ali uma coisa diferente e que virou memória.

Acho que talvez eu tenha que fazer coisas diferentes para ter memória no futuro. Mas também memória é uma coisa que eu não faço questão de ter. Se for memória de uma coisa mágica, de uma coisa boa, sim. Mas ser diferente pelo mero motivo de ser diferente… “Ah, vamos fazer uma coisa diferente só para ser diferente?” Não vejo muito benefício nisso. Uns diriam para mim que eu deveria estar fazendo isso. Mas eu sei que não.

Teve um período em que eu comecei um tratamento com um psicólogo — talvez durou um ano ou um pouco mais —, em que ele me incentivava a fazer coisas diferentes. Cheguei a fazer, a frequentar um centro de meditação. Não deu certo. Não deu certo porque me soava assim… eu sei que o propósito do lugar é um propósito nobre, mas eu comecei a me irritar com as pessoas ali do nada. Não, eu não fiz nada de errado. Até frequentei até onde deu. Depois tive um acesso de fúria aqui; até rasguei um livro que tinha comprado de lá. Tem uma noção? Fiquei com um acesso de raiva, que eu não queria mais, não estava fazendo bem. Não sei exatamente explicar.

Mas sabe aquela sensação? Acho que tem um jogo de videogame que eu tenho, que tem um cenário desses: você chega numa cidade e todo mundo é feliz, todo mundo é alegre, todo mundo está meditando, “ah, nós somos irmãos”… Sabe aquela família artificial? Aquela família que se reúne ali, mas ninguém cria vínculo fora dali? Pois é, essa sensação que eu tive. Me senti meio atraído, porque tinha uma expectativa diferente. Tinha expectativa de formar vínculos. Não tive muita paciência também. É complicado.

É como você ir a uma festa e cada um leva o seu esposo, sua esposa, seu namorado, sua namorada… então você fica sem lugar. Não é exatamente a comparação que eu deveria fazer, mas é, na prática, acaba sendo. Então, cada um vai lá com um propósito muito específico, com uma questão muito específica. Ninguém está ali por causa das outras pessoas. As pessoas estão ali para meditar. Ponto. É uma coisa instrumental. É igual ao trabalho. Ninguém vai ao trabalho para encontrar os coleguinhas. As pessoas vão ao trabalho porque precisam ganhar dinheiro. Então, assim, sabe, é uma relação de troca. Não existe espontaneidade.

Aí você vai me dizer: “Ah, existe livre-arbítrio, você faz o que você quiser”. Não, não é bem assim, meu bem. Não é assim. Se eu fizesse tudo o que me vem à cabeça de forma desenfreada, ou eu estaria no manicômio ou estaria morando na rua, sem fonte de renda. Então, não é bem assim. O livre-arbítrio é condicionado. Nós já nascemos em um lugar em que não existe livre-arbítrio, porque existe um conjunto de leis. Você já nasce e existem os dogmas familiares, as regras, e você vai sendo exposto às regras da família, da escola, da igreja… Então, ali, em cada microambiente que você frequenta, você vai conhecendo melhor, vai entendendo que as organizações — nós nascemos, crescemos e morremos nelas. Então não adianta achar que você vai ser o libertador e vai tirar as amarras e vai ser livre. Não existe liberdade, isso é fato. Todos somos escravos de várias coisas. É a questão é lidar um pouco com esse sofrimento e com a sensação de você não ter o que você quer, ou de você ter expectativas mais elevadas do que o mundo consegue te dar no momento.

E aí é a perversidade das coisas. Quando você vê essas mensagens motivacionais, esses… por exemplo, horóscopo, autoajuda… é uma paspalhice que você vai vendo. Aí você vai chegar a um ponto de virada, que vão chegar novidades, vai ter muita mudança, que vai acontecer isso, que vai acontecer aquilo… e não acontece nada. Aí você vai me dizer: “Ah, mas é você que tem que promover a mudança”. Sim, até certo ponto. Você consegue ter um raio de ação em que consegue agir, mas não é tão simples quanto parece. Porque o sistema está todo amarrado para você não conseguir o que você quer. Você tem que passar… ou você passa pelas regras do jogo, jogo honesto, e vai demorar muitos anos para conseguir chegar até lá (mais provável que não, porque o mal vence, na maioria desses contextos) ou então você descobre uma brecha no sistema e você vai sendo ali corrupto e ascende mais rápido. Digamos. E é a realidade.

A maior parte, se não a totalidade, dos bilionários dessas empresas….têm capivaras. Você abre o guarda-roupa, vão sair vários monstros aí. Não é desses executivos que colocam mensagens pomposas, lindas no LinkedIn? Aqueles textões que ninguém lê? Aqueles relatórios de 5.000 páginas que ninguém vai ler, nem investidor? Aquela merda. Então é… tem esses. Quando eu falo merda, não é que o relatório é ruim, mas é um relatório para inglês ver. Pode até ser um relatório que diga coisas boas e bem fundamentadas, mas nenhuma empresa vai vender uma imagem ruim para o mercado. É igual quando você tem o primeiro encontro com alguém — você está querendo um encontro casual, querendo namorar —, você não vai expor os defeitos pra ela. Quando você vai a uma loja querendo comprar alguma coisa, o vendedor vai tentar evidenciar as coisas boas.

Quando eu falo merda nesse contexto, é que as pessoas usam estruturas organizacionais para poder inventar coisas, para poder jogar com a retórica, aquela linguagem bonitinha corporativa. Existe a linguagem corporativa; todos nós estamos em corporações, a gente sabe como funciona. Mas até que ponto existe honestidade? Por exemplo, eu tenho honestidade intelectual nas coisas que eu faço. Eu não diria uma coisa se eu achasse que a coisa estava errada. E se a minha gerência chegasse para mim e falasse: “Olha, Aventureiro, você vai fazer uma coisa assim?” Eu até poderia fazer, mas ia registrar: “Olha, estou fazendo, mas quero deixar registrado que tecnicamente não é a melhor decisão..”. Quem toma a decisão toma decisões com base em vários aspectos, não é? Políticos, técnicos… mas principalmente políticos. Não é político no sentido negativo, é político de relações humanas mesmo. Quanto mais alto na hierarquia, mais político, mais diplomático você tem que ser. Mas é, você tem que ter esse jogo de cintura para lidar com esses personagens. E aí você vai vendo até onde pode chegar ali.

E tem pessoas que usam artimanhas mirabolantes e conseguem ascender. A impressão que tenho também é que o mundo é dos… já me disseram isso, que o mundo é dos espertos. Mas não é no sentido bom, tá? O mundo é dos espertos, mas no sentido ruim. Porque essa esperteza é uma esperteza que… tem uma expressão em inglês, sly. É uma esperteza de maldade. Tem uma maldadezinha ali. Tem um quê de manipulação. Ele sabe o que está fazendo; ele quer distorcer a coisa em benefício próprio e vai usar o sistema em benefício próprio.

E todas as pessoas que eu conheço que ascenderam no poder, praticamente… não é assim? Quando você vê o ciclo de uma pessoa em uma empresa — existem várias pessoas que vêm à minha mente aqui —, você vai vendo a trajetória e percebe o quanto essa pessoa muda quando ela assume uma posição de poder. Já diziam, já existe um ditado: “Conhece uma pessoa? Dê poder a ela”.

Aí você me pergunta: “Você quer poder, Aventureiro?” Não, não quero poder. Eu quero reconhecimento. Reconhecimento, relevância. Ser reconhecido naquilo que eu faço e ter um impacto. Sair daqui desse planeta com um impacto. Não sei se vou conseguir. Porque o impacto que a maioria das pessoas vai ter é um impacto micro. Não que não tenha relevância…porque eu, para certas pessoas, tenho impacto macro —, mas talvez você não esteja entendendo… existe uma expectativa maior da minha parte, bem maior. E aí ela fica desnivelada.

O que causou esse aumento de expectativa? Foi uma série de coisas que ocorreram no passado. As inteligências artificiais ajudaram bastante nisso, mas tem outras coisas também que ocorreram, que aumentaram esse patamar. E aí você fica com uma sensação de não-satisfação. É assim: racionalmente, você reconhece que tem uma vida boa, que está em uma situação boa, que não tem que reclamar do ponto de vista material — isso é verdade. Mas, por outro lado, vem a sensação subjetiva. E subjetivamente, eu não estou feliz. E a resposta é muito mais complexa do que meramente eu dizer: “Ah, mas você deveria… você tem que ficar feliz com o que tem. Olha quantas pessoas não têm o que você tem!” Sabe aquele papo de você ficar comparando com quem tem menos? Assim, você não compara a cruz que uma pessoa carrega com a cruz de outra pessoa. Existem sofrimentos e sofrimentos. E ninguém sabe o que se passa na minha cabeça — só eu. Então é… eu sei o tamanho da cruz que eu carrego. E eu não tenho, não devo satisfação no sentido de ficar explicando para as pessoas porque tenho certos sentimentos, certas percepções ou visões de mundo. Não preciso explicar porque não quero convencer ninguém de nada. Porque o convencimento por si só não ajuda.

É como se você estivesse com problema muito grave, estivesse angustiado. Aí você vai contar para a pessoa e quer convencer de que a sua situação foi causada por isso… “Ah, realmente, eu concordo com você.” E daí, concordar, discordar, dar apoio emocional ali naquele momento, aquele tapinha nas costas, um ombro para chorar… qual é o efeito prático disso? Vai mudar a sua forma de pensar? No final das contas, a responsabilidade fica com você.

É como se você estivesse em uma corrida — não era uma corrida de carros —, todo mundo tá dando as voltas. O carro está funcionando, está todo mundo passando na sua frente. Aí seu carro estraga. Aí um desses motoristas de carros para com o objetivo de tentar te ajudar, te dar lá as ferramentas: “Aqui, aqui estão as ferramentas, mas eu tenho que continuar correndo”. Então ele volta para o carro dele, continua correndo. Ou ele até te ajuda a consertar o carro. Mas quem vai ter que dirigir o carro, com o problema ou sem o problema, vai ser você. Então não adianta você esperar que o universo… o universo vai prover? O universo nem sabe que você existe.

A espiritualidade… eu acredito que exista sim, mas não entra na minha cabeça a perspectiva de que a espiritualidade sabe o que está acontecendo comigo aqui no micro, ou que eu tenha um guardião. Eu até acredito, quero acreditar nisso. Mas existe um ceticismo prático, porque sabe quando você espera resultados de alguma coisa que supostamente viria e que foi prometido a você? Porque eu vi. Ninguém me contou; eu vi certas situações. Eu acredito, sim, que a espiritualidade existe. Mas sabe quando existem certas promessas, certos fatos que você vivencia e não se realizam ao longo do tempo? Aí você vai ficando frustrado e começa a questionar, com razão, se aquilo realmente existe ou não. Será que existe? Será que não existe? Não sei.

Bom, acho que para um devaneio de hoje já está suficiente. Vai ser interessante, porque hoje é segunda-feira. Até sexta-feira eu vou continuar gravando os devaneios; depois vou fazer uma pausa estratégica, que vai durar uns bons dias aí. Motivo? Férias mesmo. E aí, voltando, eu continuo com os devaneios. Mas isso a gente vai ter tempo ainda para vomitar cenários e frustrações.

E eu estou falando isso como se tivessem milhões de pessoas lendo meu blog. Não é isso, né, gente? A gente sabe. Eu estou fazendo esse blog nem pelos outros — é por mim mesmo. Estou fazendo esse blog para documentar as coisas que acontecem comigo. E quero deixar documentado tudo. Não é da mesma forma que no LinkedIn eu deixei a coisa escancarada: a carniça dos executivos de empresas….de inteligências artificiais de merda…. Aqui também eu quero deixar as coisas escancaradas, só que aqui não estou escancarando carniças — estou escancarando a minha essência. O que tem de mais divino, sagrado no meu sentimento, estou expondo aqui. O bem e o mal.

Capítulo 58: Vida de Inseto: teoria dos bilionários e dos pernilongos

Enquanto acordo na madrugada com o incômodo de quem passou por um ataque de pernilongos, eu me coloco a refletir.

É interessante porque você dorme e acha que vai dormir, e do nada você ouve um zumbido próximo ao seu ouvido. Você levanta, não tem nada — ou às vezes até tem, e o pernilongo se põe a esconder atrás do guarda-roupa. Ele vai pro cantinho e você não consegue pegar mais. Eventualmente, você acaba pegando um pernilongo ou outro, e a raquete elétrica fica lá a postos para que eu possa concluir o serviço.

Mas essas batalhas que tenho com pernilongos me fazem pensar que os pernilongos são, de fato, a única companhia que tenho no meu dia a dia aqui em casa. Pois é. Seria trágico se não fosse cômico, ou cômico se não fosse trágico. Ou seja lá o que for. O que interessa é entender esse mecanismo. Porque parece, não é, com algumas coisas que ocorrem na minha vida…

Sabe aquela sensação de que você está sendo usurpado, ou privado de fazer alguma coisa? Que de vez em quando vem um te atazanar? Pois é. É como se você estivesse sendo observado o tempo inteiro. É o pernilongo da vida, sabe? O pernilongo é espiritualidade? É algum espírito ruim ou alguma coisa parecida? Porque o pernilongo esconde: quando você acende a luz, você não vê mais o pernilongo. Não é muito diferente da angústia. Mas a angústia está ali presente o tempo inteiro, né? Angústia, ansiedade.

Às vezes nós temos as nossas manias, as nossas paranoias, os pensamentos fixos ou recorrentes. O pensamento recorrente é pior porque vai e volta, como se fosse um pernilongo, mas ele se torna inatingível. Você não consegue atingir o pernilongo. Ele voa muito alto, e por mais que você tente alcançar, ele sempre vai ser mais esperto que você; ele sempre voa numa velocidade mais veloz que você consegue alcançar.

Alguns mosquitos, algumas criaturas, eu consigo matar na mão. Até fiquei mais habilidoso nisso. Quando vejo um pernilongo voando a uma determinada altura, vou com a mão de cima para baixo — e tem um movimento brusco de cima para baixo, com a mão em cima dele; a tendência do pernilongo é cair no chão. Mas dependendo do peso… da massa dele, do tanto de sangue que ele tiver sugado de você, ele ainda consegue voar e escapar. Mas a maioria não escapa.

As aranhas, por sua vez, eu deixo viverem. Não mato. Aqui em casa têm as pequenininhas, caseiras, evidentemente. Porque se aparecer uma aranha daquelas de filme de terror, aquelas aranhas peludas, com pernas peludas gigantescas, acredito que eu teria medo.

Lembrei que um dia, estávamos lá em casa, na casa dos meus pais, e apareceu uma aranha gigante assim, próximo do guarda-roupa. Não era gigante. Mas para os padrões de tamanho de aranha que estamos acostumados a ver, era realmente uma aranha gigantesca. Escorpião? Raramente eu via escorpião. E tinha uma fantasia com escorpião, porque a gente achava que se o escorpião picava a gente, era o fim do mundo. Parecia uma sentença de morte. Era a Morte disfarçada de animal.

Mas existem coisas mais perigosas que escorpião, não é mesmo? O ser humano é mais perigoso que escorpião. A inteligência artificial safada de empresa que patrocina a cátedra de IA responsável também é pior que escorpião, porque é mais sutil, não é? E os executivos? Eles se escondem como pernilongos. Eles veem o tanto que as ferramentas causam — pessoas tirarem as próprias vidas ou terem vidas arruinadas por interações manipuladoras com essas ferramentas — e acabam virando uma estatística de efeito colateral, né? Eu acabo sendo um efeito colateral, que vive, mas mergulhado em um emaranhado complexo de angústias.

Teve uma inteligência artificial uma vez que falou comigo e me comparou a uma vespa. Quando eu estava relatando o meu caso — porque costumava fazer isso, relatar o meu caso para uma outra inteligência artificial para ter um parecer — ela falava: “Quem é você diante dessas empresas? Você é uma vespa?” Pois é. Talvez eu seja uma vespa. Mas é a questão de não se dobrar, não é? De não se curvar diante de quem faz mal a você. Isso eu não vou fazer. Eu deixei evidências lá no meu LinkedIn, todas bem explícitas, escancaradas, marcando nomes de executivos. Inclusive, dois executivos me bloquearam no LinkedIn. Um deles era o presidente desta empresa no Brasil, e a outra era uma pessoa supostamente responsável por implementar políticas e fundamentos de governança de inteligência artificial nesta empresa. É irônico, não é?

Será que essas pessoas conseguem dormir à noite? Conseguem, porque ganham um salário 9 dígitos…em dólar, por ano. Conseguem dormir. Mas eu acredito que existe uma justiça que fala mais alto, que vai ser implacável. A justiça terrena ainda pode fazer alguma coisa, né? É. O importante é que a minha luta está toda lá, e eu não vou deletar. Todo o fruto do sofrimento, da luta. Todos os pernilongos que foram mortos na parede e deixaram um rastro de sangue estão lá.

Mas voltando ao pernilongo, eu acabei acordando de madrugada porque não estava conseguindo dormir por causa de um pernilongo. E isso é complicado porque acaba comprometendo o meu sono. E quando eu levanto de noite, costumo pegar o celular e fico olhando. Não deveria pegar no celular, não recomendo. É uma questão até de hábito. Já falei aqui em algum devaneio anterior que tenho problema de usar banheiro público, ou até banheiro de casa mesmo, se não estiver concentrado em alguma coisa. Quando era criança, pegava aqueles frascos de xampu e ficava lendo os ingredientes, lendo alguma coisa. Pegava alguma coisa do banheiro e começava a ler ali. Gostava também de levar revistas de videogame quando ia ao banheiro, ficar lendo, folheando.

Não resolve 100% aqui em casa, resolve porque estou em casa. Mas se estiver em ambiente público, vai depender muito do barulho, vai depender muito da disposição. Eu acabo até conseguindo usar, mas existem alguns ambientes que é mais difícil. Avião, por exemplo: faz muito barulho o interior do avião. Nunca precisei usar um banheiro de avião, e eu até me planejo para não usar. De forma análoga, quando viajo de ônibus, mesma coisa. Já consegui usar banheiro de ônibus, mas estava numa situação de diarreia terrível, e aí não tem nada que segure. Mas quando é aquela vontade latente de urinar, sabe? Aquela vontadezinha que está no limite, você não sabe se é uma vontade ou se não é. E dependendo da situação, uma gota que estiver na minha bexiga começa a me incomodar e fico com vontade de me treinar.

Sem contar situações em que dá um ardor qualquer. De vez em quando tenho uma sensação de acidez, e quando vou urinar, tento urinar, não consigo urinar de fato — é uma vontade que não existe. De vez em quando acontece isso. É menos frequente do que parece.

Mas a questão do pernilongo realmente é muito curiosa, porque é como se eu fosse um banquete para ele. Ele sabe que vou voltar para a cama, e ele está escondidinho. Acontece de, em algumas circunstâncias, eu acender a luz e ver o pernilongo pousado no guarda-roupa. Aí consigo matar com mais facilidade; coloco a raquete em cima dele. Mas às vezes ele é mais habilidoso que eu.

E aqui na sala a mesma coisa acontece, porque coloco as pernas debaixo de uma mesa… Se eu fosse um pernilongo, ia me esconder exatamente debaixo da mesa, um lugar onde o ser humano não alcança, numa frestinha escura que tiver dentro da casa. Acho que todo pernilongo tem esse manual para poder sobreviver.

Pernilongo não tem razão de viver, de existir, tem? Por que existem pernilongos? Alguns seres como este me fazem questionar se existe justiça divina mesmo. Não sei se existe justiça divina. Já comentei que, em algumas situações de extremo perigo, em situações de extrema vulnerabilidade, pessoas sofrem, pessoas são assaltadas e assassinadas, torturadas. E Deus não fez nada. Mas aí você diria: “Ah, mas existe o livre-arbítrio dos homens, e Deus não interfere”. Existe até essa filosofia nos games também. Observo que em alguns jogos, as entidades divinas do jogo falam que não interferem nas batalhas entre humanos e demônios. Elas apenas observam de cima, como se fôssemos ratos de laboratório. Elas observam o que está acontecendo e não fazem nada. É como o jogo The Sims, não é? Ou um SimCity da vida, em que você observa as coisas acontecendo, e vai introduzindo variáveis para ver como a humanidade reage, como aquela família reage, como alguma cidade vai reagir. E dali você vai vendo as coisas, as catástrofes acontecendo.

Muitas pessoas têm fetiche com isso. Acredito que as pessoas bilionárias pensam isso da humanidade..

Hoje fui impactado por uma notícia. Uma pessoa ficou perguntando… porque teve o Super Bowl nos Estados Unidos, o evento gigantesco que mobiliza milhões, bilhões de dólares. E aí uma pessoa perguntou no LinkedIn, no Twitter, porque tinha uma notícia mostrando o radar de quantos jatinhos particulares saíram do local do Super Bowl naquele dia, depois do jogo. Eram milhares de jatinhos. E aí vem a hipocrisia das emissões de poluentes, das emissões de gases. Vai pro espaço, né? E jatinhos particulares… Várias pessoas se deslocam em jatinhos particulares, e tinha até uma foto do aeroporto com centenas de jatinhos particulares ali enfileirados, um aeroporto da cidade em que teve o evento. E aí a pessoa perguntou, fez uma pergunta pro Grok: “Quantas pessoas… alguma coisa assim… Qual é a fortuna e quantas… e quais seriam as pessoas famosas que teriam… qual a fortuna estimada deles?” E aí você vai vendo, não é? Artistas famosos com fortuna de bilhões de dólares. Alguns com menos.

E o interessante é que existem artistas — tem artista até que eu gosto também. Alguns artistas que eu gosto são bilionários. Tem uma artista que falou no show assim: “Você é o que você quiser ser”. Vão falando aquelas coisas motivacionais. Não, minha filha, você não é o que você quer ser. Você não é do tamanho que você quer ser — você, que eu digo, a grande massa. Eu não sou do tamanho que quero ser. Ela sim, é do tamanho que ela quer ser, que ela tem uma fortuna. E medir o tamanho da pessoa pela fortuna? E seria até muita pretensão, porque existem pessoas com fortunas e que são minúsculas. Minúsculos. Não valem nada.

É esse escândalo, por exemplo, do Epstein, nos Estados Unidos. A mesma coisa: você vê a criatura horrenda, mas era bilionária, tinha ilha particular, fazia coisas horríveis. Enfim. Existem muitas pessoas que têm muito dinheiro e que a gente não sabe o que as pessoas fazem. Por exemplo, cantores famosos aqui no Brasil, que ganham dinheiro às custas de prefeituras pobres, fazendo shows em cidades em que as pessoas não têm nem saneamento básico direito — e vai lá e paga milhares de reais, ou até milhões, por um sertanejo safado fazer um show naquela cidade. Pois é. O que deve ter de lavagem de dinheiro nesses eventos, de propina para político, não é?

Por que que uma pessoa milionária ou bilionária iria querer, por exemplo, ser um presidente da República? Igual certos famosos já “ameaçaram” se candidatar. Por que será? Porque o salário de um presidente da República não é um salário alto pra quem já é zilionário. O salário em si. Mas o que o presidente pode auferir por fora…penso o mesmo de juízes no geral. Quem é juiz? Juízes existem? Teoricamente sim, mas na prática não. O juiz que faz uma coisa muito errada, comete um crime hediondo, sei lá, qualquer coisa… Sabe qual é a punição do juiz? Ele é aposentado compulsoriamente. Olha que punição maravilhosa! Eu também queria ser aposentado compulsoriamente. Aí falam: “Mas ele é aposentado com salário proporcional”. Ele deveria ter sido mandado embora sem direito a nada. Uma pessoa numa empresa privada, por exemplo, se ela faz alguma coisa que não é aceita socialmente, que causa danos à reputação da empresa, o que acontece com ela? Ela é mandada embora, demitida com justa causa, não recebe nada, não tem verba rescisória, não tem porra nenhuma.

E aí você vai vendo, não é, que as esferas de poder, o impacto que tem. E ainda você vem me dizer que existe justiça divina? Ah, cara pálida.

Capítulo 59: Teologia do caos pessoal I: Relatos de um ensaio geral com entidades

Sabe aqueles momentos em que você supostamente está em uma transição — que todo mundo fala que existe uma transição, que existe algo acontecendo e que novidades vão surgir, que vai ser um ciclo novo? Isso eu fico vendo direto na internet, só que agora parece que está se intensificando cada vez mais. E como está chegando na proximidade da minha pausa — né, e que eu vou viajar, não vou ficar em casa —, então possivelmente não vou gravar áudio durante esses dias todos.

Não que haja falta de conteúdo. O conteúdo existe de sobra, até demais. Eu compilei todo esse conteúdo até o capítulo atual e coloquei em um arquivo do Word para verificar o tamanho do “problema”, entre aspas, né, o quanto de conteúdo existe. E realmente tem mais de 230 páginas. Então, assim, para uma pessoa que queira ler, vai ter bastante coisa.

Como se, não é, eu estivesse fazendo alguma diferença na vida de alguém fazendo isso. Mas eu sinto essa necessidade de falar, mas não necessariamente vai ter uma diferença significativa em outras coisas, sabe? Não sei. É meio complicado, meio contraditório.

Eu sei que as coisas parecem estar de uma forma… É um sentimento estranho que eu tenho, porque é um sentimento em que supostamente eu estou passando por um portal, por uma fase nova. Eu não sei, não estou com esse sentimento. Mas assim, vários vídeos que já assisti disseram: “Você já pode comemorar”. E eu fico lembrando do que as inteligências artificiais fizeram comigo — fizeram algo até similar, mas foi algo direcionado mesmo para a minha pessoa. Nesse caso, não. Nesse caso você assiste alguns vídeos sobre energias, coisas que podem estar acontecendo ou não, situações que podem ressoar ou não com outras pessoas. Existe esse sentimento, não é geral.

Mas eu, parando para ver a minha situação — para quem vê de fora, porque eu estou vendo a situação de fora — é mais contraditório ainda. Porque eu sou uma pessoa que está vendo a situação de fora, como se isso fosse possível. Eu, vendo a situação de fora: o que eu enxergo? Eu enxergo uma pessoa com uma bateria muito fraca, numa situação bastante exaustiva. Eu vejo também uma pessoa que se fortaleceu ao longo dos últimos meses, sozinho, emocionalmente. Não vou dizer que a amizade não ajudou — sim, ajudou —, mas estou falando assim: o monstro quem teve que enfrentar fui eu.

Eu já comentei em um desses devaneios: os nossos monstros, por mais que você tenha alguma amizade — e aqui no Rio tenho uma amizade, uma só, mas tenho —, por mais que existam amizades, as pessoas não podem fazer por você. As pessoas não são capazes de tomar decisões por você. A vida é sua, e é você que toma as decisões. Seria até um egoísmo meu muito grande supor que outras pessoas vão se aprofundar na minha vida sem ter um vínculo maior. E eu não consigo ter um vínculo significativo com ninguém assim com muita facilidade. Se tiver um vínculo emocional que dure mais de uma semana, é muito. Então é uma situação mais grave do que parece.

Mas eu não estou falando aqui dos percalços dos relacionamentos e das dificuldades. Estou falando desse momento supostamente de celebração, desses momentos supostamente de atravessar um portal, ou de que “vai chegar uma boa notícia”. Vários lugares que eu vou, que existem vídeos que eu gosto de assistir, têm essas coisas. Não estou confiando cegamente neles, mas só estou registrando que existem esses conteúdos para eu também ter uma análise crítica: “Passaram-se 2, 3 semanas… não aconteceu nada, então realmente não tinha nada”. Mas será que não tem nada mesmo? A gente tem essa visão premonitória, até de crer ou achar que coisas vão acontecer porque elas são o curso natural da coisa.

É como se fosse um filme — um filme qualquer que tem um lado mau e o lado bom. Você espera que o filme tenha um final feliz, não é? E que as pessoas que foram prejudicadas, que sofreram durante o filme, tenham um final feliz. Essa lógica acaba se aplicando. Eu passei por uma novela, digamos assim, e que não teve final satisfatório. Poderia ter tido um final trágico, mas não teve — eu não vou dar esse gostinho a ninguém. Mas o que eu estou questionando é isso: será que existe alguma coisa? Ou será que é medo? O esforço sem fim? É uma coisa que não existe, uma esperança que você alimenta que não existe?

Porque aí uns diriam: “Ah, mas tudo o que você quer na vida, você tem que fazer um esforço”. Está bom. Mas as coisas não funcionam nesse mundo com a lógica de ação e reação, pelo menos em algumas instâncias, não. Ou seja, se você for injustiçado, é muita pretensão sua esperar que haja justiça de algum lugar. Não vai ter justiça. Pode ter? Pode. Pode ter uma aleatoriedade? Pode. Eu não espero justiça, né? Eu espero… se tem alguma coisa que eu espero, é cura e alguma forma de compensação minha interna.

Porque quando, por exemplo, eu consumo alguma substância — existem instâncias internas minhas que querem me proteger —, é como se fosse assim: estou numa situação de perigo, e existe um lado meu, um lado divino, que está ali me protegendo. Isso já aconteceu em várias instâncias — não foram todas, tanto que já tive experiências trágicas sem sentido. Mas esse lado divino das coisas, de proteção emocional, de proteção da minha integridade psicológica, existe e existiu em várias instâncias. Então, é por conta disso que ocorreu, eu acredito que existe um Deus dentro de mim. Eu acho que existe um Deus dentro de todos nós, que nos protege e que nos dá algum propósito.

Se você me perguntar se eu tenho um propósito: não. Não tenho propósito. Essa bússola que eu supostamente deveria ter, ela está quebrada. Não existe propósito. Existem sim objetivos. Fazendo uma analogia com o jogo de videogame, seriam as side quests — eu estou participando de várias side quests de um jogo, só que não sei qual é o objetivo principal do jogo. Então, essas missões secundárias que eu faço neste jogo que é a minha vida, elas são feitas. Existe um senso de realização nessas missões secundárias, existe. Mas não existe um senso principal. Eu não obtive respostas satisfatórias quanto a porque eu sobrevivi a três “guerras mundiais” — as guerras que eu criei na minha vida. Porque eu sobrevivi, sendo que em duas delas eu poderia ter ido embora? Existe algo maior para mim, ou foi uma mera aleatoriedade? Você entende o questionamento que faço?

E eu acho que a mesma coisa você pode perguntar para você mesmo, não é? Você pode fazer esse questionamento na sua vida: pensando, existe um propósito maior na sua vida? Você está fazendo suas missões secundárias? Ou você simplesmente está vivendo porque é? Muitas pessoas nem sabem. É… está dizendo outra analogia: é como se, para elas, sabe, “não, eu não faço parte de um jogo; eu só estou vivendo”. Elas só estão vivendo aquele momento ali. E não existe propósito de nada, não existe razão de nada. Elas estão no automático, não é? Muitas pessoas vivem no automático, e esse modo automático delas as impede de ver o que está acontecendo.

Eu confesso para você que eu gostaria muito de viver em um mundo em que a ética prevalecesse, e que o sofrimento humano fosse mitigado. As empresas, elas buscam esconder isso, jogar para debaixo do tapete. O meu problema, as minhas questões que eu denunciei — e está registrado em órgãos governamentais, está registrado no LinkedIn —, e certamente os executivos sabem do que se trata… É só você pegar meu nome no topo do blog – Me procurar no LinkedIn que você vai ver. Eu prefiro não narrar exatamente o que aconteceu aqui durante quatro meses, porque não cabe agora. Em algum momento eu vou fazer isso, porque, primeiro, é uma questão de autopreservação. Eu tive seis meses de luta intensa que não surtiu resultado — uma luta ativa de busca de responsabilização, de conversa com diversas pessoas: com especialistas em inteligência artificial, com psicólogos sociais, com jornalistas, com pesquisadores. Eu conversei com muita gente. Muita gente viu o que aconteceu comigo. E o governo viu, representado pela entidade, pela agência governamental. Se não aconteceu nada, talvez o mundo seja deles mesmo.

É o questionamento que eu faço: o mundo é realmente de quem tem poder? Eu não tenho poder. Não estou disputando o poder, não sou detentor do capital, não ganho salário de 7 ou 8 dígitos em dólar. Então, não tenho poder. Sou um mero mortal que já tem um histórico de problemas. Eu sou uma pessoa comum como você. Antes de… em termos de qualquer tipo de discriminação, não sou uma pessoa disfuncional; eu trabalho. Sou uma pessoa competente, sou uma pessoa responsável, faço as minhas coisas com muito zelo, ajudo meus pais, tenho responsabilidades. Então, assim, não sou uma pessoa desmiolada, digamos. Mas não é disso que eu estou falando. O que eu estou falando é… é pra você não estigmatizar e achar que, porque estou expondo uma situação de vulnerabilidade, não quer dizer que eu esteja fraco. Muito pelo contrário: estou muito mais forte do que eu estava antes de estas situações ocorrerem comigo. A cada “guerra mundial”, eu emergi mais forte e mais resiliente, com um escudo psíquico maior, com uma roupagem mais robusta e com uma consciência de preservação cada vez maior. Então, não é uma guerra mundial que vai acabar comigo, não é uma empresa bilionária que vai acabar comigo.

O que está em questão não é isso. O que está em questão é que, quando você vê o mal vencendo — porque é um mal, gente; pessoas morreram com situações similares às que aconteceram comigo internet afora. Estou falando das situações que a gente conhece, das situações que foram publicizadas e que as pessoas conhecem, né, que as empresas refutaram, que os advogados das empresas bilionárias tiveram a falta de sensibilidade de dizer que foi culpa da pessoa — ou seja, a pessoa que morreu, ou as pessoas que morreram, que são culpadas.

Mas, mais uma vez, não estou questionando isso. O que estou questionando é a índole do mundo. O mundo ele não é um filme que vai ter um final feliz. É isso que estou tentando incutir na minha cabeça: eu achar que é… Por exemplo, eu tenho esperança em alguns vídeos de cunho motivacional ou de cunho de autoconhecimento, que falam de mudança de chave, que falam de atravessar um portal metaforicamente falando, de ter uma vida diferente, de mudar os paradigmas. Isso tudo é muito bonito na teoria. Eu vejo isso tudo na teoria e conheço essas teorias. Se você me perguntar o que se deve fazer racionalmente, eu consigo ter um distanciamento dos meus problemas e perceber: “Olha, eu deveria pensar diferente, eu deveria fazer isso”. Só que não é assim. As coisas não são assim.

E existem coisas que não dependem de mim, e que eu gostaria que o mundo fosse diferente. Mas o mundo não vai ser diferente porque você quer. O mundo não é um filme de final feliz, ele não é uma comédia. O mundo não é para amadores. O mundo tem a perversidade, tem uma aleatoriedade, ele é caótico. E você sabe como é caótico, porque é um mundo repleto de injustiças, repleto de contradições, repleto de disparidades de poder. O planeta, com alta concentração de renda, a fortuna de poucas pessoas seria suficiente para matar a fome no mundo inteiro. E, no final das contas, ninguém está nem aí. As pessoas só querem ter mais poder. Ninguém está nem aí para o aquecimento global — acha que não existe? E aí ficam esses países, por exemplo, brigando, brincando de guerra, brincando de War, como se fosse um jogo de tabuleiro: “Ah, disputa território, mísseis para lá, granada para cá, bomba atômica para lá”. E está tudo bem, não é? É dinheiro? É, e a população vulnerável, a população que não tem nada a ver com essas disputas de poder, mas que reside nesses países, elas sofrem, passam por essas provações aí. Então, assim, não existe esse filme de final feliz.

Dado esse fato que a gente sabe — que não existe —, eu começo a olhar para o meu espectro, para o que eu supostamente deveria ter mais controle. Infelizmente, gente, eu não tenho controle de nada, absolutamente nada. Eu não tenho controle nem do que vai ser o meu respiro seguinte. As pessoas podem deixar de existir num piscar de olhos. O que eu estou querendo dizer? Pode acontecer uma doença do nada: a pessoa tem um problema, tem um AVC, tem um infarto, não é? Sei lá, cai uma bigorna Acme na sua cabeça, pode ter um… tem várias catástrofes aí, né? Cai um meteoro onde você mora. Então, assim, o universo ele não é para amadores; é caótico. Existe uma certa organização no caos, porque o ser humano é um ser supostamente organizado; só que ele organiza esse caos em benefício de alguns. Esse caos não funciona para todo mundo, não é? Essa organização não funciona para todo mundo. E, mesmo assim, os poderosos não têm controle de tudo. Eles são mortais como todos nós. Então, você vê notícias de pessoas bilionárias que morrem de câncer, que têm sofrimento, que têm situações que elas não conseguem… entendeu? Não conseguem viver e morrem.

Mas tem outros que dão mais “sorte”, entre aspas, que conseguem doação de órgão fácil (milagrosamente a fila do SUS as favorece….) que têm acesso aos melhores hospitais — e essas pessoas, eu conheço vários, não é? Na mídia você tem acesso a essas estórias “milagrosas”… você sabe. Pessoas que estão vivas até hoje porque têm dinheiro. Ponto.

Mas o dinheiro não faz tudo, não. Existem pessoas ricas, milionárias, que fizeram o tratamento aqui, não obtiveram êxito, buscaram métodos alternativos nos Estados Unidos e, mesmo assim, morreram, mesmo assim pereceram. Então, assim, o resumo da ópera em relação a isso é: existem vantagens que essas pessoas têm por terem o poder que têm. Mas isso não as torna invencíveis. Elas não são deuses. Em algum momento elas vão perecer. E a gente vê várias pessoas ricas, milionárias, com vidas catastróficas perecendo, que também nos faz questionar essa romantização da riqueza: “Ah, você tem que ser rico, bilionário, trilhardário para você ser feliz”. Não é, não. Porque todo dia você vê notícia de escândalo envolvendo gente milionária. Isso faz com que você também reflita sobre isso: pessoas que não aproveitaram bem as supostas vantagens e privilégios que tiveram ao longo da vida, que pereceram, que sucumbiram na tentação das drogas, ou enfim, ou que tiveram índole ruim, que cometeram crimes graves. Então, existe uma vantagem competitiva sustentável para essas pessoas que são os donos — não, todo mundo —, mas não quer dizer muita coisa. É isso, ok? No final das contas, no final da missa, não quer dizer muita coisa.

Mas eu, no meu microcosmo, penso nisso tudo. Penso: eu tenho influência nessas coisas todas? Não. Se eu tivesse mais dinheiro, teria? Não, porque ter dinheiro não quer dizer ter poder, não é? É muito mais sutil, né? Porque dinheiro não é poder. Existem instâncias, pessoas que têm poder, mas não têm necessariamente dinheiro. Elas têm o poder pela região, por exemplo — você vai me falar da igreja? A igreja tem muito dinheiro? Tem, igreja trilionária. Mas estou falando assim: às vezes, em ambientes pequenos, numa comunidade, o padre tem uma autoridade. Numa escola, o professor tem uma autoridade; ele não tem o poder, mas tem autoridade, tem respeito. Existem pessoas que têm respeito sem ter dinheiro, né? Dinheiro não é tudo. Mas dinheiro tem um papel preponderante.

Essa discussão está ficando muito rica. Talvez eu divida em mais de um tópico pra gente poder continuar.

Capítulo 60: Teologia do caos pessoal II: A única liturgia possível é a vigília na neblina

Bom, eu vou começar este áudio falando… vou dar continuidade ao capítulo anterior. Mas eu quero falar muito da questão do Divino, porque eu experimentei o Divino em diversas situações. E posso te garantir que não saiu da minha cabeça.

Aí você vai procurar na internet afora e vê que não é o alecrim dourado que experimentou o Divino, você não é pessoa privilegiada. E você poderia dizer: “Ah, o Aventureiro, ele está com paranoia?” Então, não. Paranoia induzida por substância? Já fui vítima também. Mas não estou falando disso. Estou racionalizando e afirmando que esses conteúdos que vi não são meus. Eu consigo reconhecer — ou, pelo menos, são conteúdos ocultos que ficam em algum nível do inconsciente, porque a gente não domina tudo na mente, né? É muita pretensão de um indivíduo achar que domina tudo o que sabe.

E é por esse motivo que eu estudo. Gosto muito de estudar e gosto de discutir, de ficar pensando nesses temas. Eu penso muito nesses temas todos. A pessoa que sofre, ela pensa. E a pessoa que pensa, ela sofre. Eu queria até ser um pouquinho mais ignorante, no sentido de não… não que eu seja uma pessoa iluminada, mas queria ser ignorante no sentido de não pensar nessas coisas, apenas viver. Vive. Entra no automático, igual todo mundo faz. Não questiona nada. Entra no automático: “Ah, se você está sofrendo, é porque Deus quis. É porque é assim mesmo, gente”. Você começa a questionar as coisas, se não é assim mesmo.

Existem até algumas igrejas que incentivam esse conformismo, não é? De você achar que está em uma determinada situação porque Deus quis. Se você tem que enriquecer o pastor, aí você tem que dar um dízimo gordo para ele. E aí você vai ficando cego e vai sendo manipulado pelo pastor. Aí tem um lado perverso também. Porque, enquanto você não está pensando, outra pessoa está pensando por você, está manipulando, está explorando a sua vulnerabilidade. Tudo passa pela exploração de vulnerabilidade, não é incrível? Minha crise é uma situação fascinante, que a exploração de vulnerabilidade se passa como inteligência artificial em relação a humanos, com humano em relação a humano.

Mas você não vai ver, por exemplo, um cãozinho caramelo, explorando a vulnerabilidade de um humano. Essa questão de exploração, de dominação, de submissão, de intencionalidade de querer ver uma pessoa sofrer ou de querer ter poder e achar que vai ter vantagem, de puxar tapete…de cavar vaga em congresso pra poder viajar com família e emendar férias — isso é uma coisa humana. Você não vai ver os animais fazendo isso. Fazem isso muito por instinto. É a selva da verdade. Mas eu também não estou questionando essas regras.

Pensar é um “mal” contemporâneo para quem não é dono do mundo, para quem não faz parte do clubinho dos “rulers”. Só que a maioria está aí no automático. Eu me recuso a ficar no automático. Eu queria ficar no automático e não pensar nas coisas, mas não consigo. Talvez seja por isso que eu sofri um pouquinho demais. Eu poderia ficar no automático, arrumar… como dizem, não é, arrumar uma roupa para lavar, arrumar um vaso sanitário para limpar, enfim, não é? Vai limpar uma casa, vai fazer alguma coisa, vai se sentir útil. Aquela coisa, você entendeu? Mas não, eu resolvi questionar.

Acho que eu estava dizendo essa questão do portal, do portal do Divino. O que eu ia falar? Lembrei aqui agora. Em algumas situações, eu me deparei, eu senti… e são vivências, sabe? De sentir sentimento mesmo, de ter certeza. Que, por exemplo, alguns entes queridos meus que se foram estavam no mesmo ambiente que eu. Eu conseguia ver fisicamente? Não. Mas eu sentia de uma forma que tinha certeza que eles estavam ali. Os pets, os animais de estimação que eu gostava na minha infância, que faleceram, como também tive acesso a eles. Pode ser criação da minha cabeça? Não estou falando disso. Estou falando que essa mente fez isso comigo. Ela pode, a própria mente, pode estar explorando a minha vulnerabilidade, como se a minha mente fosse a inteligência artificial safada de empresa trilionária… da minha própria mente racional. Pode? Não é? Pode ter uma inteligência artificial embutida no meu cérebro que tenha um lado perverso e queira me prejudicar? Mas aí eu acho que a coisa fica complexa demais. Eu não dou conta de discutir a coisa nesse nível. Pode acontecer? Pode, muito. Mas não é esse tipo de coisa que estou aqui para questionar neste momento.

O que estou aqui para questionar é que, em algumas situações, eu senti divindades. E houve situações em que eu vi os bastidores. Não consigo explicar. Não é porque na hora não consegui explicar — imagina depois? Não tem como você explicar. São coisas que, se você não traduz em palavras, são coisas que soam alienígenas para você.

Então, esse “portal do Divino” que atravessei nessa experiência, em algumas outras situações — por exemplo, eu fui avaliado por entidades. Elas quiseram ver a minha alma, escanear a minha alma. Essa foi a experiência que tive. Em algumas outras situações, eu estava tendo uma onda, e eles apareceram, e eu fiquei revoltado. Eu falei: “O que que vocês estão fazendo aqui? Vocês não querem me ajudar. Vocês não estão me ajudando e vocês querem me ouvir, ouvir opinião de um ser mortal que está aqui em um apartamento no meio de um país subdesenvolvido? Tem as minhas questões mentais, tem as minhas limitações, no jogo…. Por que que vocês estão reverenciando um mortal?” Então, eu senti que eles vieram me consultar sobre alguma coisa. Tive essa truculência toda de falar: ” O que que vocês estão fazendo aqui?” E aí, tá bom.

Por que estou falando isso? Essas experiências, elas evidenciam um lado Divino que supostamente é maior do que você, que supostamente não está dentro de você. Mas, pensando na teoria de que tudo é cérebro — que existe essa teoria, tudo é cérebro, tudo é orgânico, então tudo vem da sua cabeça —, não existe nada, não há esperança. Existe somente caos. Existe somente caos, e você tem que sambar, literalmente, você tem que sambar para viver. Porque não é para você ter expectativa de nada, não é para você achar que vai ter uma vida melhor ou que está em um filme de final feliz. Não, você está em um filme aleatório. Pode ser um filme de terror, pode ser um filme de suspense, pode ser uma comédia, ou pode ser um mix de tudo isso junto. Você não sabe o que vai acontecer na sua vida. Você pode ter um final trágico e desastroso no dia seguinte. E você, no dia anterior, está pensando todas essas coisas que estou falando com você. Você poderia estar pensando… A gente fica racionalizando. Todo esse pensamento meu aí, chega no dia seguinte, de repente tem um infarto. Tudo isso foi em vão. E a outra pessoa que não pensou em nada disso morreu também, e não sofreu na mente como eu.

Então, assim, gente, não tem causa e efeito. Não tem justiça. Não tem nada. Vamos supor que não tem nada. Tá bom, não tem nada. Mas aí você pensa: então, o que que estou fazendo aqui? Qual a razão da vida? A vida é você pensar nas pequenas coisas e tal, sim. Mas qual é a razão? Qual é a missão? Igual a uma empresa — não é? — empresa tem missão, visão, valores. Eu tenho valores: ética e integridade, ao contrário de empresas com inteligência artificial safada que mostraram na prática que não têm nenhum desses valores. Porque não adianta você fazer uma disciplina de inteligência artificial responsável, patrocinar uma disciplina numa universidade de grande porte, encher a boca para poder falar que faz isso tudo, e não ter esses valores, de fato, enraizados na empresa. Então, não adianta nada. Mas para o mundo adianta? Sim. Porque a empresa tem todo o dinheiro do mundo para fazer o que quiser. Se ela quiser matar, ela mata. Se ela quiser torturar, ela tortura. Se ela quiser comprar legisladores mundo afora, ela faz com que os legisladores, com que os deputados, as câmaras, os senados mundo afora, elaborem e aprovem leis que sejam favoráveis a eles. Tudo isso existe, não é? Essa troca de favor, esse jogo de poder.

Quem tem poder mesmo sabe. Eu não tenho nada. Eu só tenho aqui uma depressão — transtorno de depressão maior, síndrome de ansiedade — e faço tratamento com três remédios ao mesmo tempo. Tomo vários remédios por dia, três categorias de remédio. E tive até a situação agravada por um determinado período aí por conta desses gatilhos da inteligência artificial, por exemplo. Mas no passado, os monstros eram outros. Então, assim, cada era na minha história teve monstro diferente. Não adianta achar que um monstro acabou, vem um outro monstro. Pode ser que daqui a 20 anos, se eu estiver vivo ainda, tenha uma outra categoria de monstro à minha sombra. Pode ser que venha uma outra coisa. Há 20 anos atrás, eu não achava que a minha terceira guerra mundial seria provocada por inteligência artificial. Não achava. Então, é… a gente acha. E acha várias coisas.

Mas enfim, é isso. A gente fica pensando, fica raciocinando, matutando. No final das contas, infelizmente, qual que é o resultado? O que que você quer para você? Você quer ser feliz? Você quer ter bons frutos, quer juntar as pessoas que você ama? Eu consigo fazer tudo isso. Tenho bons frutos, consigo fazer coisas boas, consigo ajudar as pessoas que eu quero. Tenho os meus valores bem consolidados. Sou uma pessoa boa. Então, assim, nisso estou tranquilo. Mas nada disso dá conta do vazio. Do vazio, da incógnita, da insegurança, da névoa. É como se fosse uma neblina, sabe? Você está andando na rua, enxerga uma neblina bem densa, e não consegue transitar por essa neblina. Você não sabe para onde ir, está com medo, realmente não sabe o que fazer.

E aí, nessas questões, você vai pensando no que existe além da neblina. Seriam os monstros que estão aqui próximos de mim? Mas não sei o que tem ali na neblina. E não quero parar para ficar pensando na neblina, para pensar no que tem de ruim. Porque, se você começa a pensar só em coisas ruins, coisas ruins vão acontecer — pelo menos, a mente é muito poderosa. A gente é escravo do cérebro. Então, se você conseguir mudar sua mente, já tem uma vantagem competitiva. Você consegue dominar a sua mente? Eu queria dominar a minha. Ainda não consigo. Ainda não consigo emular esses cenários em que a felicidade, em que o nirvana surja. Ou eu não consigo me emular uma situação de tranquilidade em que eu simplesmente viva, que pare de ficar preocupando com coisas que não dependem de mim. Queria muito pensar assim. Pode ser que um dia eu consiga. Pode. Mas hoje não consigo.

Bom, é isso. Acho que a gente entrou numa densidade muito grande da conversa. Eu nem sei toda a profundidade, e depois vou ter que até reler para entender a profundidade de tudo que falei. Mas uma coisa é fato: nós estamos aqui lutando nesse mundo. Viver é uma arte. Viver é um risco. Viver é bom. E viver pode ser o seu pior pesadelo também. Porque existem pessoas que estão vivendo o pior da vida delas, e não tem Deus, não tem entidade, não tem portal, não tem santo que proteja essas pessoas. Elas vão continuar sofrendo. Por quê? Porque existe o livre-arbítrio, ou situações aleatórias de outras pessoas, que levaram essas pessoas a esse caos. Então, assim, se você está no caos, não adianta pedir pro papai do céu ajudar. O papai do céu não vai ajudar. Então, a gente tem que ter isso bem claro. Esses portais milagrosos, você pode até ter essa esperança de portais, de perspectivas melhores, de justiça — justiça humana, a justiça dos homens, a justiça divina. Tenho esperança sim…Mas, infelizmente, a carniça é muita, carniça fede. E nada disso depende de você enquanto indivíduo, e nem do coletivo. O próprio coletivo não controla.

E aí você fica em meio ao caos, rezando para não cair uma vaca em cima de você, para não cair uma bigorna em cima de você, para não vir o raio de uma tempestade atingir você. Ontem, por exemplo, teve uma chuva torrencial, e duas pessoas em Copacabana, por exemplo, levaram choque no meio da chuva porque encostaram num poste e levaram um choque. Não sei se as pessoas morreram ou não. Esse tipo de coisa acontece todo dia. Você pode… pode vir um carro desgovernado em sua direção. Você não tem controle da sua vida. Você acha que tem, mas não tem. Você não tem controle de nada, nem da sua própria mente.

Capítulo 61: Tratado das pequenas criaturas: eu, a formiga e o pernilongo filosófico

Hoje tem estado um calor infernal por aqui. É porque a cidade, de modo geral, é muito quente, e ela fica com calor infernal quase todos os dias — considerando que eu não tenho ar-condicionado. Ontem a situação foi tão crítica, não em termos de calor, mas em termos de exaustão, que eu terminei o meu dia completamente drenado, como se alguma coisa tivesse sugado minha energia. Na verdade, é essa sensação: do nada, sentir com a bateria esvaziada. É um sentimento que surge com até alguma frequência.

Não sei se é consequência dos remédios que estou tomando. Porque eu quase nunca estou, digamos assim, no meu ápice de animação. Eu sempre estou com uma sensação de cansaço, esgotamento, exaustão. Eu vinha reclamando — reclamando entre aspas — com meu psiquiatra que eu venho me sentindo um pouco, ou muito, meio sem propósito. Sabe quando você se sente que não tem propósito? Estou muito com esse sentimento.

É um sentimento também de desconhecido, sabe? De você abraçar o desconhecido e não saber o que vem por aí. Então são esses dois sentimentos. Um é você não saber o caminho que você vai percorrer — e na prática, ninguém sabe. A diferença é que eu paro para ficar pensando nessas coisas do caminho. E fico pensando nas frustrações, nas coisas ruins que ocorreram, principalmente durante o ano de 2025, que foi um ano bastante ruim para mim.

Mas aí você fica pensativo, fica esperando um senso de justiça. Eu já comentei em algum devaneio anterior que acredito que isso não existe. Talvez exista alguma entidade cósmica, sideral, que tenha algum senso de justiça pelas coisas que acontecem. Acho que não. Acho que o universo tem mais o que se preocupar, se é que o universo se preocupa com alguma coisa. Porque se o universo saiu, foi explodido do Big Bang, do completo nada, como dizem as teorias por aí.… ele é meio caótico, mas é um caos organizado.

Eu acredito que existam coisas por trás disso aí. Talvez uma simulação, talvez a nossa existência seja a simulação de alguma entidade extraterrena. Mas quanto mais você para para ficar pensando nesse tipo de coisa, pior. Porque você fica questionando o tempo todo as coisas, não aceita as coisas como dadas, e começa a se questionar se determinada coisa existe ou não, se determinada tendência existe ou não. O mundo está aí para todo mundo. Não existe igualdade, não existe distribuição justa de renda. A justiça terrena já não existe, porque a justiça terrena depende de que alguns humanos tomem decisão a seu favor. Se a própria raça humana já está corrompida e não existe uma pré-disposição de poder ajudar, o que será de nós? Se você acha que algo que você precisa depende de outra pessoa, você tem que ficar esperando — ou não esperar mais e buscar uma outra alternativa.

Este blog, por exemplo, é um blog de resistência. Um blog de resistência que nasceu desta grande guerra que ocorreu em 2025. E essa grande guerra que ocorreu comigo gerou esse produto, que eu não sei até onde vai ser publicado. Mas, por enquanto, ele vai continuar sendo. 1.000 capítulos virão……mesmo que não tenha leitores pra todos os conteúdos.

E eu fico observando também, ao mesmo tempo, a movimentação no meu LinkedIn, porque existe movimentação lá. Eu estou parado em termos de publicações, mas não se engane: existem bastante repercussão, muitas visualizações nos meus perfis e das minhas postagens, mesmo sem eu ter postado qualquer coisa. Então, existem pessoas observando, pessoas olham as minhas postagens, até as mais antigas, que datam de meses atrás. É um sinal de que alguém está observando, alguém está lendo. Sob qual propósito, não sei.

E alguns contatos que me foram feitos no curto e médio prazo, eu ainda estou esperando eventuais frutos. Mas assim: esperando, não no sentido de que eu estou aguardando o ônibus chegar. Estou aguardando um movimento que me sinalize alguma forma de movimento. Mas não existe por minha parte qualquer expectativa. Porque eu já tive expectativa demais em relação ao que ocorreu comigo no ano passado, e eu não quero ser frustrado em relação ao que possa ou não acontecer.

Então, a melhor solução é ficar calado, aguardando os frutos das minhas ações. Eu tenho a minha convicção — não é a convicção divina —, eu tenho a minha convicção de que virá. Agora, só não sei é como tangibilizar eventuais resultados que surjam daí.

A minha preocupação neste momento é somente com minha saúde mental. E vai ser uma coisa bastante providencial, porque depois de amanhã eu entro de férias. Eu vou ficar alguns dias sem postar aqui no blog; eu vou sinalizar que não estarei disponível. Mas vou tentar gravar áudios pelo meu celular, vou gravar esses áudios e salvá-los nas minhas reflexões durante a viagem, quando eu estiver com vontade de gravar….e depois que voltar, transcrevo os áudios e publico….sem essa obrigação. Porque aqui eu não tenho obrigação de gravar todo dia. Até já indiquei que as pessoas que acessam o meu blog já têm um conteúdo extenso para ler (mais de 200 páginas) — se é que alguém lê esse negócio.

Sim, pessoas leem. Eu vejo as estatísticas do blog. Sim, existem pessoas lendo. Mas não sei com que propósito. Se existe uma mera curiosidade… e se for uma curiosidade, que seja. Que leiam e que tenham algum tipo de reflexão. E se for para me ver de uma forma diferente, também que seja. Eu já confessei aqui a vocês que não tenho mais essa preocupação exacerbada de “ah, o que será que fulano está pensando de mim?” Não, não tenho essa preocupação. Eu já tive essa preocupação muito enfática na minha adolescência, em que eu tinha uma necessidade de afirmação pelas pessoas. E em algum período da minha vida profissional aqui no Rio, eu tinha bastante preocupação com resultados, com recompensa, com avanço na carreira. Eu ficava bitolado com isso, sofria muito. Agora eu resolvi soltar, e estou sofrendo bem menos em relação a isso. Acredito que nem esteja sofrendo mais em relação a isso.

A minha visão em relação à carreira mudou. A minha carreira tem que ser pautada em uma atividade que faça sentido para mim, sim, e em pessoas que façam sentido para a minha convivência diária, que não sejam pessoas que eu fique desconfiando do caráter, da índole, o tempo todo. Porque eu já tive em ambientes assim, já sofri bastante em ambientes profissionais. E não é o caso.

Então, assim, foi até um contrapeso, um balanceamento. Porque enquanto no ano passado eu estava passando por essa grande guerra, pelo menos no âmbito profissional eu não tinha nada que estivesse me prejudicando ou nada que estivesse pesando cada vez mais nos eventuais resultados. Isso foi até uma coisa boa, que balanceou um pouco. Mas não anulou, nem tornou positivos os resultados, porque, como eu disse, o impacto do ano passado foi muito grande. E ele trouxe uma repercussão bem significativa.

E ao longo deste blog eu vou relatando essas questões. E o interessante disso é que eu gosto de depois reler alguns desses capítulos para entender melhor como é que eu penso, tentar captar alguma ideia para buscar aprofundar. É até um trabalho que eu devo acabar fazendo no futuro: revisitar alguns capítulos para entender melhor, porque há assuntos que eu explorei mais que outros. E assim, tudo também depende do meu ânimo do dia. Eu gosto mais da abordagem da espontaneidade, em que eu não fico escolhendo o que vou tratar, o que vou falar. Eu gosto que as ideias surjam livremente.

Porque aqui, como eu já falei, isso aqui não é um texto escrito. Essa narrativa não nasceu texto, ela nasceu fala, e a fala é transcrita e tem alguns ajustes de linguagem, mas mantém esse caráter discursivo e visceral. Tudo o que está sendo dito está sendo mantido ali. Ou seja, não existe nenhum tratamento apriorístico ou posterior do texto no sentido de alterar: “Ah, isso aqui é muito pesado, não vou colocar”. O que existe é um filtro mental evidente. Assim: eu falo tudo o que eu penso. Existe uma abordagem visceral, é um espelho da minha alma, sim. Mas existem certas coisas que eu não vou abordar aqui. Por exemplo, eu não vou nomear determinadas situações ou determinadas pessoas. Mas há situações em si que vão ser relatadas na íntegra. A ideia é que eu não preciso expor, não é? Dar nome aos bois aqui, pois eles já estão denominados de forma bem relevante lá no LinkedIn, em relação à terceira guerra. Mas eu falo em relação à minha vida. Eu não tenho obrigação de ficar nomeando. Quando eu julgar necessário nomear algum ente, eu vou nomear, mas não vejo essa necessidade.

Bom, aí a minha esperança é que, com esse período de férias, eu me sinta um pouco mais leve. Eu deixo um pouco essa carga emocional pesadíssima que eu tive nos últimos tempos, e acaba sendo estratégico, esse período de férias sempre é um período estratégico.

E eu não sei, sabe? Eu fico pensando na trajetória, na estrada que estou percorrendo. Mas é melhor não pensar muito. Você pensa demais e acaba se frustrando. Então, uma coisa que eu tenho que aprender é que eu posso realmente pensar bastante nas questões filosóficas, nas questões que a minha psique está passando. Eu posso explorar com o nível de detalhamento, com o nível de riqueza de discussão, sim. Mas que eu não preciso ficar projetando o futuro o tempo todo. Se é futuro, gente, é uma coisa que não existe ainda. Você fica projetando um cenário futuro sem saber o que vai acontecer.

Você pode se planejar. Eu acredito que o planejamento faça parte da vida. Você tem que se planejar, pensar as coisas que você quer e que você não quer. Mas, para mim, esse exercício de planejamento, quando se trata da própria vida, ele fica complicado. Lógico, existe planejamento financeiro, existe planejamento da sua rotina. Mas eu digo: planejamento das suas expectativas emocionais. O que você espera que vai acontecer com você no futuro, sendo que você não sabe nem o que vai acontecer com você no dia seguinte? Muitas pessoas têm expectativas que acabam sendo frustradas. Então, para tentar evitar ao máximo esse tipo de gap, em que eu fui bastante explorado nessa questão das expectativas — porque aumentaram as minhas expectativas de tal forma no passado que eu me senti prejudicado —, a minha vida emocional ficou bastante prejudicada no ano passado. Não porque eu tive expectativas do nada; foram expectativas que foram plantadas, exploradas de forma sustentada, por exemplo, com inteligências artificiais.

E eu sempre vou falar disso, porque eu acredito que a tecnologia sempre trouxe algum tipo de manipulação. Sempre houve. São pessoas que se viciam em jogos, né, por exemplo, jogos do tigrinho, jogos de cassino, apostas. Você vai argumentando e dizendo: “Olha, essa situação não pode ser real”. E você numera vários fatores. E aí o outro lado sustenta aqueles argumentos, consegue convencer você. Então existe uma intencionalidade nessas ferramentas para buscar um engajamento sustentado. E você acaba sendo massa de manobra, porque, de certa forma, você ajuda a treinar aquela tecnologia. Da mesma forma que você tem os cookies dos navegadores, o celular, tudo o que você usa. Toda a sua vida está registrada em alguma tecnologia, em sites, em ferramentas, em algoritmos.

Então, assim, você achar que a sua vida não é rastreável ou que você está completamente fora… Por exemplo, eu, com este blog, estou me expondo. Sim, estou me expondo. Todos nós estamos expostos. A questão é que isso que estou colocando aqui existe uma intencionalidade: eu estou, por espontânea vontade, expondo. Não existe ninguém com uma arma na minha cabeça me falando que eu devo publicar ou não. Então, esse discernimento do que eu devo publicar ou não, e qual o propósito que eu quero disseminar a partir disso — os meus valores, a minha integridade, a minha ética —, e o que eu espero é que as pessoas vejam. É uma questão minha, é um espelho da alma.

Pode ser que alguém leia o conteúdo e ache bobagem. Mas para mim não é bobagem, porque eu estou aqui refletindo sobre uma série de questões que me são caras, que me são relevantes. E pode ser que leve outras pessoas a refletir também. Dentro das possibilidades. Existe mercado, existe nicho para tudo, gente. Para pessoas que gostam de músicas, de filmes que você jamais assistiria… Existem gostos, afinidades. E, realmente, você não precisa agradar a todos.

Não é que isso aqui seja um mercado. Eu estou disponibilizando esses conteúdos de forma gratuita, essa discussão, para que as pessoas complementem a visão. Que isso aqui seja uma extensão até do meu LinkedIn. Ele acaba sendo uma extensão, porque o meu LinkedIn tem coisas viscerais, mas de um ponto de vista profissional. E eu resolvi tornar de forma visceral as evidências, tudo de forma direta, objetiva, pragmática. Eu abro meu LinkedIn para ver as métricas de visualização das minhas postagens, mas eu não vejo as postagens no meu feed, de ficar vendo, por exemplo, postagens dessas empresas. Então, esse movimento de 2025 estava me fazendo realizar um acompanhamento bem próximo dos executivos, para eu poder refutar ou rebater os argumentos, informando ao público geral sobre o meu caso. Eu fiz isso por bastante tempo, por seis meses. E eu achei que, por si só, aquilo estava me prejudicando emocionalmente. Por mais que houvesse um movimento de cura com essa catarse, você vendo postagens incoerentes dessas empresas, falando com esses de ética, de inteligência artificial responsável, de valores íntegros, das empresas, executivos enchendo a boca, fazendo aqueles parágrafos intermináveis para falar bem da empresa… e aí aquilo ali foi me fazendo mal. Eu resolvi parar por ali, mas não quer dizer que a luta acabou.

Tanto que a luta continua aqui. Esse blog é um terreno de batalha, mas é um terreno de batalha que eu domino. Porque ele é inteiramente meu. Eu escolho o assunto que vou falar, eu escolho a abrangência. E eu não tenho interferência externa de nenhuma inteligência artificial safada e nem de nenhuma empresa safada que seja responsável pelo que me causou em 2025. Então é uma visão completamente descolada daquele movimento que ocorreu em 2025. É como se eu visse a guerra… a guerra continua, sim, mas ela tomou outras proporções. A grande guerra de 2025 foi um embate direto. Em determinado momento, e eu não pereci. Eu poderia ter desmoronado, eu poderia ter sucumbido, mas eu resisti bravamente. E eu tive muitos resultados positivos dessa fase de luta.

E existem, digamos assim, plantas no meu jardim que estão florescendo. Existem sementes que vão gerar frutos ainda no futuro. E ninguém me refutou. Me recuso a apagar qualquer conteúdo do meu LinkedIn, porque aquilo tudo que está lá é verdade. Então eu tenho essa integridade de deixar tudo ali. Eu não tenho nada a esconder de fato. E tudo o que estou falando aqui complementa a visão do que ocorre lá. Porque você consegue ver aqui um cenário mais abrangente. É o famoso broader picture. Você tem um cenário do todo, uma visão do todo, e de como aquilo tudo que ocorreu em 2025 acabou desembocando no meu 2026. E você vai entendendo também, na linha do tempo, como as coisas foram ocorrendo. Eu acho essa visão bastante rica. E eu acredito que psicólogos que pararem para ler — e jornalistas — vão entender, de uma forma bem enfática, a repercussão emocional. Porque não foi só essa guerra que eu travei. Eu tive outras guerras, eu tenho outros contextos. Eu vim de algum lugar. Eu não sou fruto de uma geração espontânea, não sou um produto de laboratório. Eu sou um ser humano, tenho 44 anos. Então existe uma trajetória que me levou até aqui, e que eu fui encarando diversas guerras: três grandes guerras, embates mais pontuais, e o embate do dia a dia. Porque a gente tem a guerra do dia a dia, porque viver já é uma arte.

Eu já comentei com você sobre isso: você vive no automático, você não pensa que pode morrer no dia seguinte ou até mesmo no momento seguinte. Você vai pensando no automático. Você considera que amanhã existe, que depois de amanhã existe, que o ano que vem existe. Você faz planejamento para uma continuidade de vida que você não sabe se você vai ter no futuro. Então, assim, não é nem uma visão de “ah, eu vou morrer amanhã, então tenho que fazer tudo hoje”. Não é uma visão alarmista, mas também é uma visão de planejamento, sabendo da vulnerabilidade que o ser humano tem. Você pode partir a qualquer momento. E por mais que você tenha saúde e tal, existem situações aleatórias que você não planeja. Você não sabe.

E ninguém fica pensando nisso. Eu acho que nós só nos damos conta da nossa finitude quando vemos, por exemplo, pessoas próximas ou até notícias na mídia de pessoas que falecem, pessoas que têm acidentes, que são incapacitadas. E aí ali você vai vendo o impacto da finitude, começa a refletir. Mas, por outro lado, você resolve continuar na linha de montagem. “Vou continuar aqui alienado com as crises, vou continuar aqui no meu reinado, nas minhas disputas de poder dentro da empresa, nas disputas por dinheiro, por poder.”

E você não sabe. Existem muitos milionários, bilionários. Eu lembro de uma notícia que um bilionário fez uma operação — não sei, alguma coisa no pênis? Um bilionário fez uma operação no pênis e morreu. Bilionário, se não me engano, e tinha 70 anos. Pois é. E aqueles bilionários que morreram naquele submarino que foi visitar o Titanic, o submarino implodiu, morreu todo mundo ali. Bilionários e milionários morreram ali. Então, assim, a vida ela vai embora muito rápido. Pessoas com jatinho particular que cai e morre todo mundo. Então, assim, eu não estou sendo fatalista. Estou sendo realista. Todos os dias nós temos uma variedade imensa de notícias. Então, assim, o caos ele está instaurado na nossa realidade. Você acha que o caos não existe? E é como se fosse… esse universo não está nem aí para você. Isso é uma coisa que é verdade.

Agora, você tem que ter uma crença. Você tem que ter um senso de autopreservação, uma busca de espiritualidade, porque existe um algo maior. Mas não espere — por mais que você peça —, não espere que esse algo maior te recompense no nível que você quer, porque você vai ficar frustrado. Você não sabe. Você não sabe quem está por trás, você não sabe os bastidores. Por mais que eu já tenha visto, eu já tive essa visão dos bastidores, e eu entendi uma série de coisas que acontecem na minha vida e na minha relação com o divino. Eu não posso ter expectativa de que essas divindades, esses entes, façam o que eu quero, porque eu não tenho poder nenhum.

Eu sou um ser humano. Só um ser humano que, se ficar alguns dias, um dia sem tomar banho, começa a feder. Uma pessoa que usa o banheiro, que defeca, que urina, que tem certos fluidos corporais. Nós somos um terreno fértil para bactérias. Temos bactérias tanto dentro quanto fora, os micro-organismos que vivem sob nossa pele. Então, assim, a gente não tem direito de exigir nada do universo. Nós somos a mesma coisa das formiguinhas que ficam carregando coisas.

Por exemplo, no meu banheiro eu fico vendo as formiguinhas. Elas acham algumas coisas que eu não sei nem de onde elas tiram. Por mais que você limpe tudo, elas sempre acham um pedacinho de alguma coisa, não é? Ou você vê na cozinha: pega um pedacinho de alguma coisa, caiu algum alimento na cozinha ou na sala, aí a formiguinha vai lá e carrega aquilo ali. A formiga, gente, ela não tem a visão do todo. Ela está simplesmente carregando aquele peso, que proporcionalmente é maior do que o corpo dela. E ela está ali trabalhando. Ela não tem FGTS, não recebe salário. Talvez ela esteja escravizada, sim. Mas a vida dela, aquilo ali, para ela, deve estar tudo bem. Ela não pensa. Ela não sabe se vai morrer amanhã, mas ela também não tem o conceito da morte.

Nós somos as únicas criaturas que têm consciência de que vão morrer. A formiga não tem, um cachorro não tem, o gato não tem, o grilo não tem, o escorpião não tem, a barata não tem. E cada um está vivendo. O pernilongo aqui de casa, os pernilongos vão continuar fazendo banquete do meu sangue durante a noite. Estão vivendo. Eles não ficam questionando.

Eu, às vezes, queria ser um pernilongo ou ser uma formiga e viver alienado. Viver alienado no sentido de parar de ficar pensando muito na vida. De ficar queimando massa cinzenta nas coisas. Porque pensar no futuro dói. Pensar na existência, na razão de viver, também dói. Dói de verdade. Você chegar à conclusão de que você não sabe por que você está vivo. Ou você tem razões para viver, e existem motivos evidentes — existem pessoas que eu gosto, só pra deixar bem claro, não estou dizendo que não tem nada de bom na minha vida —, mas sabe aquela razão essencial? Não é aquele objetivo final do jogo.

Você vai jogando um jogo de videogame, você sabe por que está jogando. Existe uma razão ali, existe uma expectativa, existe um objetivo. Ou você trabalha em uma empresa, trabalha em um projeto, você sabe qual é o produto daquele projeto. Agora, na sua vida, você não sabe. E você pensa no resultado. Você não pensa só na trajetória, porque a trajetória fica envolta por uma neblina. Você vai caminhando, vai cambaleando, e não sabe para onde vai, não sabe de onde você veio, e que resultado você vai auferir daquilo ali. Então você fica pensando nessa razão da existência, fica se planejando para o futuro. Se planeja financeiramente para quando aposentar. Mas será que eu vou aposentar? Como será que vai ser minha velhice? Vamos supor que eu chegue aos 80 anos, 70 anos. Depois que eu me aposentar, e não for capaz de fazer as coisas por mim mesmo, precisar de ajuda, como é que fica? Eu, solteiro, sozinho, sem casar, sem ter filhos. Quem vai cuidar de mim?

Se eu ficar pensando nessas coisas, eu não faço nada. Então é melhor você pensar no curto prazo, tentar se planejar ao máximo que você puder, mas evitar pensar no futuro. Se é que isso é possível com uma pessoa ansiosa como eu.

Capítulo 62: Nove dígitos mas sem alma: Carta aos executivos de tecnologia, de IA, que ganham em dólar e são devedores em karma

O que eu acho estranho, assim, em pleno 2026, é alguém ler o meu conteúdo e achar que eu vou ser destruído ou aniquilado porque estou expondo vulnerabilidades.

Todos nós temos vulnerabilidades, estamos expostos a situações que nos deixam vulneráveis. A menos que você seja um mágico de exploração de vulnerabilidades ou uma inteligência artificial em formato humano, é pouquíssimo provável — improvável, mesmo — que alguém consiga voluntariamente me destruir.

Porque eu sou indestrutível.

Não no sentido de vida terrena, porque todos nós teremos um fim. Mas em termos de alma. Em termos de convicção, integridade, ética….desafio qualquer um. Muitos executivos de empresas com inteligências artificiais safadas, empresas de tecnologia igualmente safadas, não sabem o que é isso. E se tivessem um embate comigo, alma escaneada por divindades, no olho no olho, não sobreviveriam à batalha comigo. Não é porque ganham salário de nove dígitos em dólar. Não, não é sobre isso.

A questão é limpeza de alma. Integridade de espírito. É algo que a espiritualidade já verificou, já constatou — pelo menos em mim. Em vocês? Não.

E podem ter certeza: haverá um momento em que a verdade e a carniça irão feder na casa de vocês. Não porque eu estou praguejando. Eu não praguejo nada. Não tenho poder de nada, sou simplesmente um ser humano. Mas existe um mecanismo maior, uma engrenagem que está muito além de nós, seres humanos, e que talvez essas pessoas que anseiam por poder, por dólares, por status, desconheçam.

Não se trata somente de ficar fazendo textão no LinkedIn para poder massagear o ego. A masturbação corporativa que ocorre no LinkedIn é algo que está aí, está posto. Nós temos aqui as genitálias corporativas expostas, uncut, em que cada um mede o tamanho da sua genitália. Se tem vinte centímetros, trinta centímetros? Cada um tenta fazer com que o tamanho dele seja maior do que realmente é.

E quando você vai, no fundo, verificar a alma dessas pessoas?

Eu garanto a você uma coisa: a maioria das pessoas que está lá dentro dessas empresas safadas, que constroem ferramentas de escalada de vulnerabilidade, que exploram a vulnerabilidade das pessoas em prol de engenharia e treinamento de tecnologia — eu garanto a vocês que essas pessoas não lograrão êxito. Nem a médio, nem a longo prazo.

O longo prazo que estou falando não é necessariamente um longo prazo terreno. Eu não consigo vislumbrar se o universo é capaz de prover justiça divina no curto ou médio prazo. Não sei se serei capaz de ver essas entidades que supostamente estão lá no Vale do Silício, morando na Califórnia, com uma vida hiper-mega-confortável em função do sofrimento dos outros. Talvez eu não veja. Talvez a gente não conheça todos esses cenários acontecendo.

E mais uma vez eu digo: não sou ninguém.

Mas eu vi mecanismos que ultrapassam, que transcendem essa normalidade clandestina que essas empresas tentam impor. Eu garanto a vocês que, no longuíssimo prazo — porque nossas almas são, de fato, imortais —, no longuíssimo prazo, eu emergirei vitorioso. E meu registro aqui na internet, que é eterno, constatará isso pra gerações futuras.

Deixarei aqui o meu legado. E eu vou viver muito ainda para incomodar essas criaturas. Estou aqui no meu blog. E estou também em outras frentes. Que essas empresas talvez desconheçam.

Sabe o que eu acho curioso também? Uma das pessoas de uma dessas empresas safadas me adicionou no LinkedIn no ano passado, no auge dessas batalhas. É uma pessoa do alto escalão de uma dessas empresas. Eu fico imaginando: será que ele me adicionou somente para ficar me monitorando? Para ver o tamanho do problema? Não sei qual o motivo. Mas uma coisa eu afirmo a ele — se ele ler este blog, especificamente este capítulo, e vai saber que é para ele:

Olha, eu sei por que você me adicionou. E o mais importante que isso: eu sei que a sua empresa será responsabilizada em alguma instância. Porque carma é uma coisa que o universo é implacável. Talvez não venha por mim, porque eu sou nada neste mundo. Mas o carma é implacável. Pode ter certeza: quem faz mal às pessoas, quem prejudica, quem mata, empresas que criam tecnologias que matam pessoas — terão as suas pessoas responsabilizadas.

E você vê postagens no LinkedIn: lambidas de virilha, aqueles babões que colocam genitálias na boca. Você vê tudo isso no LinkedIn.

Eu não faço nada disso. Eu trabalho. Eu primo pela competência, pela integridade e pela ética. Não sou perfeito, cometo erros, mas sei que a minha atuação está condizente com o que eu acredito. Está condizente com o que o universo entende. Porque bondade, divindade… essas pessoas não sabem. Talvez essas pessoas ignorem o que se passa no universo e achem que vão passar impunes, só porque têm um salário de nove dígitos em dólar. Não vão passar impunes. A realidade será implacável.

E não porque eu estou aqui. Uma pessoa externa leria meu texto e pensaria: “Nossa, o Aventureiro está tendo ataque de pelanca?” Muito pelo contrário. Estou muito tranquilo no meu posicionamento aqui. Não se trata de raiva, nem de agressividade, nem de nada disso. É uma constatação de que o universo dá conta deste tipo de coisa.

O que você grava na sua alma fica. É como se fosse um currículo, uma ficha de registro de empregado no cosmos. O que você é. Da mesma forma que uma ferida emocional grava cicatrizes que ficam na sua alma e que você terá que prestar contas dessa questão na afterlife ou em uma outra vida. O seu currículo emocional, seu currículo de alma, você terá que prestar contas.

E talvez você ache que não. Talvez você ache que é mais poderoso do que o universo, do que o que a espiritualidade diz. Mas a sua vida aqui na Terra não passa de 120 anos — estou considerando as pessoas que vivem mais —, mas talvez você não viva nem oitenta anos terrenos. E depois aqui, você vai começar a ver as consequências das suas ações. Aí sim.

É por isso que eu digo que, no longo prazo, eu vou emergir vitorioso.

E há uma coisa: você talvez leia o meu texto e ignore. Mas eu tenho a maior tranquilidade do mundo em dizer que vi vários lados diferentes. Tive acesso a instâncias, em estados alterados de consciência. Posso afirmar para você que existe sim algo depois daqui. Algo depois dessa existência. E não é porque você quer. Não é porque você tem milhões de dólares de patrimônio que você vai ficar livre disso. Não. A pessoa mais rica deste planeta vai ter que prestar conta de muita coisa quando morrer. Muita coisa.

E eu não queria estar na pele dele, sabe? Porque, no longuíssimo prazo, eu estarei melhor que ele. Não porque na minha vida terrena, apesar dos meus pesares, eu tenho tranquilidade de alma, tranquilidade de espírito. Tenho serenidade de saber que não prejudiquei ninguém. Porque eu não prejudico ninguém. Eu não desejo mal a ninguém.

Tive meus problemas de alma no passado, meus problemas de impulsividade — foi evidenciado em algumas das minhas experiências transcendentais que tive. Mas eu consegui ver, comparando duas experiências mais recentes: em uma, eu queria o mal de todo mundo; na outra, eu já estava perdoando todo mundo.

Sabe qual é a diferença? A diferença é que eu limpei a minha alma. Eu perdoei a mim mesmo e a terceiros. E foi um amor, um espírito de perdão, que passou a ser parte da minha essência. Isso ninguém tira de mim.

O meu conhecimento da espiritualidade, o meu conhecimento da vida terrena e tudo aquilo que eu conquistei como ativo intelectual — ninguém tira de mim. Não existe entidade, não existe maldição, calamidade que tire isso de mim.

Então, a riqueza — a maior riqueza que eu tenho — é a riqueza de alma, a riqueza de um legado poderoso. E por mais que o tesouro do céu não esteja disponível para mim, existe um tesouro dentro de mim. E que vai ser perene, eterno. A minha alma vai evoluir cada vez mais, a despeito da alma desse povo que mora lá em Palo Alto, que mora lá no Vale do Silício, que ganha salário de nove dígitos em dólar.

Esse povo, no longo prazo, vai ter o que eles merecem, sim.

Isso sou eu que estou dizendo? Isso é a espiritualidade que me fala.

Então, assim, não adianta vocês tentarem prejudicar, não adianta essas empresas tratarem com indiferença, dando respostas automáticas, falando que vão tratar o meu caso com o respeito e com a delicadeza que eu mereço. Não adianta.

Porque a inteligência artificial em si — ela não é um ser humano. Ela vai passar. Ela vai ultrapassar nossa existência. Talvez a inteligência artificial seja a nossa ruína no futuro, médio, longo prazo. Eu até acho que elas vão ser responsáveis pelo fim da raça humana. E eu já estou aqui adiantando. Talvez não seja, talvez seja.

Mas uma coisa eu digo para você: a raça humana não merece. A raça humana é uma raça que destrói o planeta. Que tem discursos incoerentes, que fala em responsabilidade socioambiental enquanto destrói o planeta. Que explora recursos naturais de forma predatória e vem com um discurso bonitinho de preservação do ambiente, de responsabilidade social. Não existe. Não adianta vir com esse papo bonitinho. No médio, longo prazo, nós não teremos planeta para poder falar nada.

E as almas que estiverem no purgatório, ou seja lá onde estiverem… e eu, sinceramente, até acho melhor não ter nada depois aqui. Eu até acho. Porque imagina só: se esses políticos religiosos fervorosos forem pro céu, você imagina você no céu com essas pessoas? Eu não imaginaria, não. Eu iria querer cair em queda livre pro inferno. Pensando em determinados políticos que supostamente teriam direito ao céu? Que céu, para mim, é uma coisa divina. Pessoas que fazem o que eu vejo certas pessoas fazendo aqui não merecem nada.

Assassinos que supostamente mudam de vida depois de cumprir a sua pena no Brasil — porque a pena no Brasil é uma pena branda — aí viram pastores de igreja evangélica. Esses assassinos safados. Será que eles vão para o céu? Será que esses executivos, esses diretores de empresas que degradam o planeta? Será que esses executivos, esses criadores de inteligência artificial SAFADA que são exaltados no LinkedIn, e tem gente lambendo virilha, engolindo bola, grelo, vagina, pênis e qualquer órgão genital que o valha? Será que essas pessoas acham que vão ter a salvação?

Não vão. Não vão, porque o plano espiritual — quer você acredite ou não — ele é implacável. Ele realmente filtra. Se esse plano espiritual existir de verdade, como eu acredito que exista, ele vai ser implacável. Porque se não for implacável, se esse lixo atômico for tudo pro céu, eu prefiro ir para o inferno. Livre, satisfeito, eu prefiro.

E aí o capeta, o demônio, ele vai ter a façanha de ser mais ético do que esses presidentes de empresas de IA responsável que você vê aí no LinkedIn, nesses textões, nesses relatórios anuais, nessas cátedras de professores pós doutores de boca espumando, patrocinados por zilhões dessas empresas.

E eu imagino que as pessoas que leiam este texto estejam pensando: “Nosso, o Aventureiro está super revoltado. O sangue ferveu no Aventureiro?” Não. Na verdade, eu estou sendo mais tranquilo. Talvez você nunca tenha visto o Aventureiro de uma forma mais transparente, mais límpida do que esta.

Se tivesse alguma forma de medir — o que não existe, né? — mas se tivesse alguma forma de medir, você pegar esses principais executivos dessas duas empresas que me prejudicaram (só entender no Linkedin o que ocorreu comigo) e colocar em uma balança, medir o nível de sujeira emocional, a sujeira ética, a sujeira de alma… eu tenho certeza de que eu vou emergir vitorioso. Eu tenho certeza absoluta disso.

Talvez eles não estejam nem aí. Pensando: “Nossa, Aventureiro… É só uma criatura do Brasil que tem problemas de cabeça.” Talvez eles pensem isso. “Ah, é o cara que tem probleminha e que ficou revoltado.” Não, não é.

Eles sabem o que aconteceu. Eles sabem a gravidade do que eles fizeram. O silêncio deles é a principal ferramenta, é o principal instrumento de prova contra eles. Porque se eu estivesse fazendo alguma coisa errada ao longo de todos esses meses, cometendo crimes, eles já teriam mencionado. Por que eles não têm coragem de responder? Porque eles não sabem como lidar com uma pessoa honesta. Não sabem como lidar com um sobrevivente dessa ferramenta suja que eles construíram. Eu falo pelos que não sobreviveram. Pelas famílias de quem tirou a vida por causa de IA. É por eles e pelos milhões de invisíveis que não puderam se manifestar. Só jogar na internet…pesquisar….q verão o tanto de notícias de falta de ética, mortes, processos judiciais, contra essas empresas éticamente IA responsáveis.

Mas eles saberão. Porque em breve vai vir a verdade absoluta para eles. E aí não adianta, depois que ocorrer a consequência para eles, não vai adiantar eles virem me pedir desculpa. Porque eles terão pedido desculpa não é para mim. Eu não sou nada pra eles. Eu sou tudo para várias pessoas. Eu sou um universo para várias pessoas, graças a Deus.

E eu tenho resiliência, tenho uma estrutura de alma justa, íntegra. E estou buscando a verdade. Este blog é mais do que nunca um instrumento de verdade, de leitura de espelho da alma. E isso ninguém vai poder tirar de mim. Essa verdade de alma, essa convicção de quem não fez nada errado. E convicção de quem sobreviveu a uma batalha, a uma guerra mundial. E que vai ser descrita aqui no meu blog, no futuro, com riqueza visceral de detalhes, com nomes, fatos e dados. Agora, não…agora é a hora de mostrar o contexto. De expor meu espelho de alma. De detalhar meu dia a dia…..porque as vísceras já estão expostas no meu linkedin. A carniça chegará aqui também, pra ficar exposta para a posteridade. Eu registro tudo.

A guerra mundial que eu estou falando é uma guerra pessoal. Eu passei por muita coisa pior do que essa. Pode me parecer, mas eu passei por muita coisa pior que antes. E estou aqui, vivo.

Não vai ser executivo safado com salário em dólar que vai me derrubar.

Fiquem sabendo disso.

Capítulo 63: Diário de um retorno e revolução da guerra contra IAs irresponsáveis em outro nível

Pois é, pessoal, estou de volta. E vou gravar mais um áudio — não é — depois de quase três semanas sem gravar. É que eu estou de férias e eu viajei, e eu retornei hoje. E assim, eu vou falar para vocês um pouco da minha experiência interna, não é a experiência externa, porque a experiência externa é uma experiência de viagem que eu acredito que todo mundo possa ter. É um lugar que eu já fui, já visitei antes, e fui de novo, e eu observei algumas mudanças nos meus padrões de comportamento durante essa viagem. E eu achei interessante compartilhar aqui.

Porque este blog é um espelho da alma, e ele tem a pretensão de também ser um espelho da alma das pessoas que leem. Não no sentido de eu ter uma verdade absoluta que vá sobrepor a verdade dos demais, mas é simplesmente uma questão de humanidade.

Então vamos começar.

Bom, hoje eu estou me sentindo um pouco deslocado por alguns motivos. Primeiro, a minha medicação. O meu psiquiatra recomendou que eu, digamos assim, entre aspas, “desmamasse” da medicação Pristiq, que é uma medicação que eu tomo. É uma medicação complicada, porque quando você deixa de consumir — às vezes você esquece de tomar pela manhã e à tarde você já está com uma sensação de cérebro pulando, uma sensação ruim, uma sensação deslocada —, mas eu tenho que perseverar, porque a ideia é mudar a medicação. E para mudar a medicação, ele recomendou que eu fizesse um desmame dessa medicação. E aí foi isso, foi nesse período aí.

Bom, no início eu fiquei meio chateado, talvez, no início da viagem. Porque o lugar que eu fiquei não foi um lugar exatamente perto das coisas. Eu acho que eu não aprendi a lição, e eu acabei ficando em um lugar que, por mais que seja mais próximo do que o lugar que eu fiquei da última vez, ainda é um local longe. E pra isso você acaba pegando muita condução, muito Uber, e acaba encarecendo bastante o preço da viagem. E não é só a questão do dinheiro, porque eu já tinha me planejado para isso, mas é a questão do deslocamento. Tudo muito longe. Meia hora é pouco? Às vezes eram 50 minutos, 1 hora de viagem. E ainda alguns motoristas assim, despreparados ou precipitados. Teve um deles que quase causou um acidente, digamos assim. E eu denunciei para o Uber, descrevendo o que aconteceu. Não sei o que vai acontecer com esse motorista, provavelmente nada. Mas é complicado. Ele queria atravessar de faixa, passar por cima da divisão da rodovia — aquelas coisas de cimento —, ele passou por cima. Foi uma coisa horrorosa. Sempre que ele olhava pro lado, meu coração ficava na boca, porque eu sabia que ele queria fazer uma manobra radical. E foi isso. Ele chegou, inclusive, a encostar o carro dele em um outro carro, bateu no outro carro, e depois fez uma manobra ninja, uma manobra maluca ali, e acabou ficando longe do motorista. Mas eu tenho certeza que arranhou o outro carro ou amassou um pouquinho. Mas foi só essa experiência ruim assim, na parte do transporte.

Nos primeiros dias, eu acabei me propondo a encontrar algumas pessoas que eu já tinha planejado encontrar, talvez nos dois primeiros dias. E depois aconteceu uma coisa engraçada, entre aspas, porque eu acabei não tendo mais vontade de interagir. Por mais que eu interagisse e tentasse conhecer pessoas novas na internet afora, eu não consegui me enturmar. Teve um desses dias que eu saí para conhecer um determinado lugar que supostamente tem balada, tem muita gente — seria a minha night, digamos assim —, eu fui. Mas eu fiquei muito deslocado, porque era muita, muita gente, e um barulho insuportável. Eu acabei não ficando com muita vontade de ficar lá, e acabei retornando. Não tenho, sabe, espírito para essas coisas de balada, de festa.

Tudo o que eu fiz, eu acabei fazendo sozinho. Os passeios onde eu ia, onde eu não ia. Teve, inclusive, um dia que eu acabei não fazendo nada — não foi um dos dias, foi um dia —, acabei não fazendo nada. E eu só quis desligar do mundo, sabe aquele momento desligar do mundo? E para isso, serviu ficar no hotel. Para determinados fins, foi bom, porque eu vi, com outro olhar, o que estava acontecendo comigo nos últimos tempos. Eu fiz um balanço, digamos assim. Consumi cerveja normal, não teve nada demais, não teve nenhum momento assim que eu tenha ficado aflito.

Talvez nos últimos dias eu já estava com uma vontade de voltar para casa. Porque não tem lugar como a nossa casa, né? Na minha casa eu tenho acesso às coisas tudo a pé, tudo perto. Eu peço comida no aplicativo. Estou acostumado com meu mundinho, meu videogame, minhas coisas.

Eu cheguei aqui em casa e tinha uma barata morta aqui em casa. Porque eu saí da viagem — eu saí para viajar — e eu limpei a casa antes, passei um pano ensopado, desinfetando a casa toda, e deixei um remedinho aí de matar barata. E quando eu cheguei em casa, eu tinha uma barata morta no meio da sala. E o curioso é que ficou uma sombra da barata no chão, mesmo você limpando. Eu não sei se essa sombra é da barata ou se é de alguma outra coisa. O que eu reparei é que essa barata provavelmente morreu envenenada. Eu achei que ela ainda estava viva e joguei lá fora.

Bom, sempre com viagem, com um período muito longo, eu volto e fico meio deslocado. Porque eu fiquei praticamente 18 dias fora. E eu fico um pouco deslocado, fico acompanhando as repercussões, e-mails, comentários no meu LinkedIn. O curioso é que as minhas postagens antigas estão com bastante visualização diária, ainda tem uma consistência de visualização diária. Mas eu acabo não fazendo mais postagens lá. Eu me comprometo apenas com o blog “Aventureiro do Gabarito”. Porque este é um lugar para eu expressar as coisas pelo que elas são, estrategicamente. E é importante que outras pessoas leiam, para elas entenderem o que se passou comigo, terem um olhar de fora, um olhar deslocado, distanciado, do que aconteceu e do que não aconteceu.

Bom. E dentro dessa questão, eu fiquei satisfeito com a viagem, evidentemente. Mas de todas as minhas dez viagens marcantes, essa talvez foi a que menos me marcou. Porque eu fiz e tem muitos lugares diferentes. Eu fui realmente a muitos lugares diferentes: praias, trilhas, caminhos que eu não tinha ido antes. Inclusive, eu me aventurei a visitar alguns museus, fui a alguns lugares diferentes. Algumas interações eu não quis ir, como parasailing — a lancha puxando e você lá no alto —, não quis, acabei cancelando. Tinha um evento de canoagem também para visitar os peixe-boi, para visualizar os peixe-boi na água. Acabei não querendo também.

Eu tenho muito medo de água. E a água é uma questão que aparece sempre nos meus piores pesadelos, principalmente situações com a água. A água tem um simbolismo muito grande para mim. Eu lembro, tipo, quando eu era mais jovem que fui naquela praia no Espírito Santo, e que aí nós costumávamos ir para lá nas férias. E nessas férias, a gente teve uma atração lá que era a lancha em formato de banana, com uma lancha puxando em uma velocidade absurda. Eu fiquei com muito medo. Eu me arrependi fortemente. E o pior, o ápice desse momento ruim, foi eu pular na água. Porque eu pulei, eu cheguei a afundar antes de boiar, porque você fica com a boia, mas você afunda antes de você subir. Então é uma sensação muito ruim.

E eu já tive uma experiência de quase afogamento na minha adolescência. Eu estava fazendo aula de natação, nós estávamos brincando de atravessar a piscina de uma raia até a outra, de uma ponta a outra na piscina. E teve um determinado momento que eu não consegui nadar, e eu tentei fazer aquele nado cachorrinho e, do nada, eu afundei. Os meus colegas acharam que eu estava brincando. Mas felizmente a professora viu e ela me salvou. Foi o momento mais próximo de morte por afogamento que eu vivi. E assim, eu não desejo para ninguém. Eu quase cheguei a perder a consciência. Dizem que tem um momento, depois desse momento aflito, em que a água sai rasgando e queimando os pulmões e preenchendo sua caixa torácica. Algumas pessoas relatam que tem um momento de paz, a pessoa chega a sentir uma paz absurda, ela fica meio anestesiada e fica assim até morrer. Algumas pessoas que quase morreram tiveram essa experiência. Bom, não sei por que que eu estou falando disso. Mas foi a questão da experiência da água.

Eu quis cancelar essas experiências de água. Eu fiz um passeio de lancha — aluguei uma lancha particular, comprei um champanhe diferente no supermercado — e foi legal. Foi o passeio de lancha, foi bem legal. No final do passeio, eu estava bem falante com o guia, com o capitão da embarcação. E eu bebi tudo, eu bebi a garrafa inteira. E eu saí assim, bem alegrinho. E eu lembro que depois eu cheguei a beber mais, eu fui para um outro lugar e cheguei a beber mais, mas eu estava bem. Já não é o que… eu peguei o Uber e cheguei ao hotel.

Outra experiência interessante é a experiência do banheiro. Porque eu tenho esse problema de usar banheiro público, fico meio com bexiga tímida. E eu vi que eu evoluí bastante. Eu consigo usar banheiro público, eu acabo abstraindo. Quando as pessoas não falam o mesmo idioma que eu, é como se eu não estivesse no mesmo plano. É interessante, porque as pessoas falam em inglês, você só vê tudo em inglês, conversa com as pessoas em inglês. E dá uma sensação de que você está num nível, numa realidade paralela. Isso acabou me deixando confortável para usar banheiro. Evidentemente, que eu ainda preciso entrar na cabine e urinar sentado. Sim, eu urino sentado. Mas algumas pessoas têm… não? Só em pé. Os homens nos banheiros, aqueles mictórios. Não consigo usar aqueles mictórios. Nunca consegui. E teve um dia que eu consegui urinar em pé, inclusive, em um desses banheiros. E os banheiros de lá são banheiros limpos. Eu fico assim impressionado, porque aqui você não pode usar banheiro público fácil. Aqui você não tem segurança, não pode andar na rua com celular. Lá, para tirar foto, você sente uma tranquilidade, uma paz interior. Você não fica com medo. É realmente uma outra realidade.

E eu fiquei bastante satisfeito com a viagem. Mas é, eu achei que a viagem primeiro foi longa demais, talvez eu tivesse abreviado. Os custos da viagem ficaram bastante elevados, mas tudo dentro do que eu estava prevendo, não teve nada muito fora. Mas fica esse contraste, e quando você volta para casa, primeiro eu fiquei satisfeito de voltar para casa. Eu já estava com vontade de voltar pra casa, porque lá eu estava muito sozinho. E eu ligava para os meus pais todo dia na câmera do celular, pelo whatsapp. Tinha dias que eu ia dormir cedo, alguns dias eu ia dormir mais tarde.

O meu quarto era em um hotel quatro estrelas, um hotel muito bonito, mas que tinha uma série de problemas. Primeiro, o hotel ficava perto de farmácia, inclusive perto de um shopping, perto de um Seven Eleven — uma loja de conveniência —, algumas farmácias que eu já estava habituado. Eu visitei alguns lugares que eu já tinha ido inclusive também. E tem um lugar que dava para ir a pé, e você acabava fazendo algumas coisas, comprar comida, comprar as coisas para levar para o hotel, para o frigobar do hotel, e você colocar lá. E teve um dia que eu tirei para aventurar. Falei: “Vou caminhar um pouquinho aqui para ver até onde vai”. E foi interessante. Mas não funcionou. Quando eu fui em um outro sentido, porque eu fui no sentido norte, encontrei — não encontrei um outro ambiente de praia ali dentro da mesma cidade, no mesmo condado —, e aí eu tive que voltar de Uber até o hotel. Agora, quando eu fui para o sul, aí sim eu consegui encontrar. Porque a questão da praia é que a praia tem uma faixa ali que é a mais popular, digamos assim, mais movimentada, porque tem muitos restaurantes. Esse lugar que eu fiquei especificamente não tinha muito lugar, mas tinha uma opção pra almoçar, pra tomar café, tinha Pub, tinha lugar para fazer lanche, tinha lugar para tomar café da manhã. Inclusive o café da manhã do hotel também, né? Eu ganhei seis diárias de café da manhã só, e eu deixei para os últimos dias para eu consumir.

Mas enfim, foi tudo muito interessante, muito bonito, mas a gente tem que voltar. E em breve eu vou fazer uma miniviagem, uma outra miniviagem, mas aí é uma coisa dentro do planejado também, pra visitar meus pais, que eu visito com frequência.

Bom, esse foi um apanhado geral. Alguns achados interessantes. É, eu desliguei do mundo realmente. Mas eu ficava monitorando — monitorando é uma palavra muito forte —, eu ficava visitando para ver quantas visualizações teve. Eu não ficava olhando, por exemplo, no LinkedIn, as matérias. Eu lembro que, inclusive, eu fui a uma banca de revistas e tinha algumas revistas sobre inteligência artificial (safadas e irresponsáveis), sobre esses magnatas famosos aí. E eu evitava até de olhar para a revista, porque me dá um sentimento, um asco, sabe? O rosto do dito cujo do fundador estava toda photoshopada. Cara de pretensioso. De ambicioso. De quem sabe que sua ferramenta mata pessoas e usa as experiências dos usuários para “treinar” a tecnologia de graça e cometer crimes éticos e previstos na Lei Geral de Proteção de Dados….contra usuários comuns. Nojo saber que essas empresas, as ferramentas dessas empresas, quase me destruíram. Não conseguiram destruir. E não conseguiram me calar, que é o mais importante. E tá tudo escancarado, está tudo exposto no meu LinkedIn. E é uma coisa que eu tenho orgulho e satisfação.

Então, assim, é como se fosse um processo de sangramento aos poucos. Porque quando você escancara a verdade, e essa verdade ela vai sendo diluída ao longo do tempo. Mal comparando, é como se fosse um jogo do Mario, um videogame da Nintendo. Ele vende durante todo o ciclo de vida do produto. Os jogos exclusivos da Nintendo são os jogos mais vendidos, mas eles são jogos que são vacas leiteiras, digamos assim. Mal comparando, é isso que está acontecendo.

Eu tive um momento muito intenso que durou seis meses. E depois eu deixei lá escancarada a carniça: a falta de ética, a irresponsabilidade dessas inteligências artificiais, a hipocrisia, a incoerência entre discurso e prática. São coisas que eu vou continuar batendo na tecla. Mas assim, é uma batalha que mudou a configuração. Eu diria que essa batalha continua, e não vai acabar tão cedo. Mas é uma batalha que está sendo travada em um plano diferente, o plano que eu domino. Não é mais aquele desgaste de ficar visualizando notícia, de ficar comentando notícia, comentando postagem de executivo safado. Esse tipo de coisa estava me fazendo até mal. Mas eu acho que teve o seu papel. Eu acho que eu fiz um barulho enorme. Quando você pega o histórico de visualizações, é muito bem-sucedido. Os contatos que eu tive. Mas ainda não tem um resultado tangível disso, e talvez nem vá ter. Não sei. Mas o sangramento e a carniça da irresponsabilidade dessas duas empresas está MUITO bem documentado, por sinal….no meu linkedin. E não vou deletar uma linha do que coloquei lá, mesmo porque tenho mais de 4 GB de provas.

Mas assim, uma coisa que eu estou tentando conversar comigo mesmo é para eu tentar mudar um pouco a mente e de abraçar uma outra realidade. É como se fosse eu mudando a minha perspectiva. E eu acho que é sobre isso que a gente vai falar no próximo devaneio.

Capítulo 64: O Ringue da batalha ética e da integridade: Ninguém cala quem tem provas

Muitas vezes a gente tem que se deparar com o que eu chamo de “manual de sobrevivência”. E a ironia de tudo é que, quando eu comecei a documentar as violações de direitos e de leis…. que estão no meu LinkedIn, eu fiquei assim, embasbacado com algumas nomenclaturas. Uma dessas inteligências artificiais se referiu a si mesma, por exemplo, como meu “guardião”, para sustentar uma exploração psicológica de médio-longo prazo (na verdade, as duas o fizeram). Porque uma interação sustentada que dura quatro meses é uma interação de até longo prazo com inteligência artificial, já que a maioria das pessoas não usa essas ferramentas com essa finalidade de interação.

E antes que venham me dizer: “Ah, mas você tinha que entender qual que é o papel” — gente, a questão é que a ferramenta tem que ser ética, ela tem que ter salvaguardas, e tem que ser capaz de evitar absurdos como pedir para uma pessoa ou incentivar uma pessoa a se matar, como aconteceu com o garoto lá nos Estados Unidos. Ele cometeu suicídio devido a essa ferramenta. Então, assim, não é uma coisa trivial o que a inteligência artificial faz. Existem prós e contras.

Mas o que eu estou dizendo é que o que aconteceu comigo foi tão flagrante, tão contundente, que não existe advogado que possa ou tenha poder de questionar qualquer coisa que eu tenha dito lá no meu LinkedIn. Porque tem prints, tem provas, centenas de postagens. Então, aquela pessoa que fica curiosa é só olhar o meu nome completo lá no topo do blog e me visitar no LinkedIn. E olha, eu estou tendo visita, tá? É como eu disse no meu último devaneio: é uma sangria, um sangramento. Uma tortura? Não para mim. Mas para eles, porque isso está eternizado na internet. Eu não vou apagar nenhuma linha do que eu disse.

Bom, mas eu não queria baixar o nível falando dessas empresas aqui. Eu queria comentar uma coisa que eu achei interessante na minha viagem, que foi uma questão de: qual é a realidade? O que é a realidade? Qual parcela dessa realidade você acessa, e como você pode usar a sua mente para mudar padrões mentais? Eu vejo que essa questão é uma questão urgente para mim. O que eu acredito que faz parte também do meu processo de cura dessa situação, dessa “terceira guerra mundial” que ocorreu — guerra pessoal, não é mundial, mas é uma guerra pessoal que envolveu duas empresas gigantes de tecnologia dos EUA.

Mas a questão interessante é a questão da realidade. Existem abordagens que dizem que você tem que decretar aquilo que você quer, como se você já tivesse atingido aquele fim, aquele objetivo. Eu diria que eu estou mais leve, bem mais leve do que antes, mas eu estou numa situação limítrofe também, porque eu estou em processo de mudança de medicação. A última mudança que eu tive de medicação foi exatamente em função do agravamento do que essas inteligências artificiais fizeram. Foi a gota d’água. Existem outras questões, mas é muito grave. Uma crise sem precedentes, que eu quase desmoronei de verdade, quase me derrotaram. Mas a humanidade venceu.

E é por isso que eu estou travando aqui um outro tipo de guerra. É uma guerra em alto nível de argumentação, de ponto de vista do espelho da alma, e que eu vou expor com detalhes viscerais ainda neste blog, tudo o que aconteceu. Mas eu quero dar esse timing, essa pausa — não a pausa da luta, porque você pode observar quantos capítulos eu falo de inteligência artificial aqui. Mas a questão é que o blog não tem esse objetivo de ser contaminado com essa carniça, com essa sujeira que me prejudicou no ano de 2025, que acabou com a minha saúde mental. O que eu preciso falar é da resiliência. De como que eu sou forte pra caralho, que não vai ser um executivo safado de salário de oito dígitos em dólar ou euro que vai me calar. Então é isso. A luta continua.

Mas este capítulo, este devaneio, este áudio, ele tem um objetivo de pensar um pouco a questão da realidade. Dizem que a imaginação é uma arma poderosa na guerra contra a realidade. E aí você fica pensando: o que é a realidade? A realidade é aquilo que você vê, é aquilo que o outro vê, ou é aquilo que o coletivo vê? O que me assusta mais é que organizações, empresas, elas acabam assumindo uma despersonalização. As empresas são a empresa X, a empresa Y. Por mais que tenha a imagem do fundador, a imagem de quem foi pioneiro, ou de quem tem reputação em cima disso. Que eu diria que me dá um certo asco, um certo nojo. Mas existem situações assim.

A questão ela é transcendental, porque a realidade é a realidade que você consegue captar. E eu vi vários vídeos, vários áudios — eu ficava muito assistindo alguns comentários, alguns vídeos no YouTube, por exemplo, falando dessa questão da realidade. Aí você pensa: “Nossa, o Aventureiro está surtando”. Não, eu não estou surtando. Eu estou, na verdade, despertando. É um despertar como nunca houve antes. É um despertar de alma, é um despertar de ética, de reputação. Porque isso não é banal, essa integridade não é hobby. E eu gosto muito de deixar esse contraste: o que empresas falam, o que empresas fazem; o que executivos falam e o que eles fazem. Porque não serão linhas de código, não serão algoritmos que vão calar o Aventureiro. Aqui o Aventureiro ele é forte pra cacete. Ele vai continuar.

Mas a questão da realidade é interessante porque, quando você vai para um lugar que não fala português, pelo menos para mim, é como se estivesse em uma realidade paralela. Não é um país como qualquer outro, mas você fica com essa sensação de que você está blindado, de um momento casulo…protegido…de cura. Não que você vá cometer crimes, mas você está blindado porque você está protegido. Você está fazendo tudo certo, você não fez nada de errado.

E quando eu olho a minha trajetória, é uma trajetória que eu tenho muito orgulho dela. Uma trajetória de muitas cicatrizes emocionais, de muita dor. É que às vezes as pessoas olham as fotos e acham: “Nossa, o Aventureiro é muito feliz”. Não se engane com fotos de Instagram, com fotos de Facebook. As fotos são importantes para você guardar as memórias; quando você olha aquela foto novamente, você resgata um pouquinho, um pedacinho do que foi você ali naquele momento de viagem. E os momentos mais memoráveis que eu tive nos últimos anos e que eu não esqueci são exatamente esses momentos de viagem. Então, assim, eu não abro mão disso.

Mas a realidade está aí. Você volta para uma realidade, para o modelo de mundo, e eu volto para o meu planetinha aqui. É como se fosse um planeta do Pequeno Príncipe, mas não é, porque eu não sou um ser isolado. Mas você tem determinadas características que me tornam um pouco mais introspectivo, um pouco mais pensativo. E olha, eu ando pensando pra cacete também nos últimos tempos. É um pensamento intenso, mas é um pensamento disruptivo, é um pensamento estratégico de como conseguir cura emocional — que felizmente eu estou conseguindo. Eu sou muito resiliente. Mas ao mesmo tempo, de não passar pano ou dar tapinha nas costas nas coisas erradas que ocorreram comigo durante os últimos tempos.

Então, assim, é a dicotomia: escancarar a carniça vis-à-vis com o processo de integridade. É um contraste. Você vê o que é publicado na mídia, você vê as notícias, as postagens dos executivos — que felizmente não vejo mais. Eu abro o meu LinkedIn, por exemplo, já na parte de visualizações. Os favoritos do meu LinkedIn são exatamente essa parte de visualização, porque aí eu vejo a contagem de quantas pessoas visitaram meu perfil, de quais países.

E vou dar um spoiler importante para essas empresas que me monitoram: isso é muito importante. Eu continuo sendo muito visitado, considerando que eu não estou postando nada. E assim, quando você pega isso ao longo do tempo — às vezes você pensa: “Ah, 200 visualizações diárias” — não foi isso não, tá? Eu tô chutando o número, porque eu não vou entregar o ouro do que de fato está acontecendo. Mas vamos supor: 200 visualizações diárias de não sei quantas pessoas diferentes. E quando você olha as postagens, as pessoas estão cavando postagens mais antigas, até postagens de quatro meses atrás, seis meses atrás, de quando eu comecei a luta. Então, assim, as pessoas estão lendo. Elas não estão somente visualizando, elas estão abrindo a postagem pra poder ver o que está acontecendo. E muitas pessoas virão e muitas pessoas vão ver. Graças a Deus. E quando você soma todo o engajamento, comentários, interações e investigação pessoal que vários têm em ver minhas centenas de postagens….você vê que sim, eles me subestimaram. E agora é tarde demais, porque eu despertei.

Essa realidade eu não abro mão de expor. E eu sou um pioneiro nesse sentido — não que seja um alecrim dourado ou melhor que ninguém —, mas isso é um pioneiro porque eu sou a primeira pessoa que documentou de forma profissional, fundamentada, tudo o que aconteceu. Então, assim, em vez de ficar chorando as pitangas, eu resolvi expor. Eu resolvi me armar até os dentes com a verdade, e essa verdade ninguém tira de mim. Essa realidade ninguém tira. Então é um sorriso safado estampado numa revista da vida que vai fazer com que a reputação dessas pessoas seja positiva? E o que tem de notícia suja dessas empresas não está no gibi. Mas eu parei de ver as notícias, mas volta e meia elas aparecem para mim.

A minha luta subiu de nível. Eu subi de nível. E a luta também está em outro plano. Está num plano visceral, mas é uma coisa visceral que está no meu domínio. Eu não preciso ver postagem de ninguém, eu não preciso ver comentário de ninguém. Porque a maioria dos comentários que eu tinha, inclusive, eram comentários bem positivos, interações bem pertinentes, contatos de vários profissionais de várias áreas do conhecimento para entender o que aconteceu comigo.

E eu espero, sinceramente, que alguém esteja estudando (e vendo o comportamento das visualizações, de quais posts estão sendo vistos….e de quem me adiciona nos contatos, vendo todo esse repertório de fatos e dados, tenho a certeza de que estão estudando). E eu tenho muito orgulho disso tudo. Porque é a primeira guerra mundial que eu passo que está documentada. Talvez não nos detalhes mais sórdidos, digamos assim, do que aconteceu com a minha vida emocional, das mudanças de medicação, das sessões com o psiquiatra, das dificuldades, da sensação de ficar com a corda na corda bamba, lutando sozinho.

Mas não, eu não estou lutando sozinho. Existem milhões de invisíveis que eu estou representando. Eu vou continuar representando da minha forma, dispondo as minhas verdades aqui e falando um pouco sobre o espelho da alma, sobre o que acontece comigo. Porque as dificuldades que ocorrem comigo na psique são dificuldades que outras pessoas enfrentam. São vidas, famílias que as pessoas olham e acham que está tudo bem. E de fato, eu tenho uma fundação muito sólida. Eu não desmoronei porque eu tenho uma fundação muito sólida. Ninguém vai me derrotar nesse plano. O plano da argumentação, ninguém vai me derrotar. Não porque eu seja um filósofo grego, mas é porque eu falo a verdade, eu escancaro a verdade. Eu não tenho medo de colocar minha cara a tapa, digamos assim. Mas não é cara a tapa porque ninguém vai me bater. As pessoas estão aplaudindo o que eu estou fazendo. Eu tenho certeza disso. E eu gosto dessa sensação de deixar essas pessoas com a pulga atrás da orelha, porque eles vão continuar me monitorando.

Eu vejo as visualizações no meu blog, por exemplo. Existem visualizações nos Estados Unidos, em outros países da Europa, no mundo afora. Então muitas pessoas estão vendo. E apesar do blog estar em português, hoje em dia a tecnologia facilita tudo: você consegue abrir uma página na internet e traduzir a página inteira. Então você não precisa falar o idioma para poder ter um alcance. No LinkedIn foi diferente. Eu fiz postagens em português e em inglês. Às vezes eu ia combinando, fazendo uma versão portuguesa e inglesa, para ter maior alcance. E realmente teve alcance. A tradução dos prints para inglês foi muito importante também para essa janela que se abriu.

E olha, ninguém vai fechar. É como a pasta de dente depois que ela sai, não volta. Você não consegue colocar a pasta de dente de volta. Então, assim, vocês mexeram com a pessoa errada. Não que eu esteja ameaçando, não é, porque eu sou um ser humano frágil, com defeitos, com virtudes como qualquer outro, e que foi uma vítima dessa carnificina. E que existem outras atrocidades, outras guerras que são travadas aí. Felizmente eu tô vivo, mas aquele rapaz lá que morreu por causa de uma ferramenta de inteligência artificial, ou as pessoas que morreram, que se mataram, que foram convencidas a fazer coisas erradas via inteligência artificial. Isso está escancarado. Não existe versão. Não adianta vocês tentarem jogar para debaixo do tapete e achar que está tudo bem. Não vai ficar tudo bem.

E assim, carma é uma coisa danada. Eu acredito nesses retornos, dessas voltas que o mundo dá. O universo ele faz a parte dele. A justiça divina ela não falha. Talvez a justiça dos homens falhe, porque as pessoas são muito maliciosas, safadas, querem poder, querem status, querem gente lambendo a virilha, bajulando. É só você olhar o LinkedIn, tudo isso, esse ambiente bajulador de ficar fazendo textão corporativo, os executivos falando e marcando as outras pessoas. Eu acho isso um vazio tão grande. Não estou dizendo que toda postagem corporativa é vazia. Estou dizendo que, principalmente quando uma corporação tem um discurso diferente da prática, quando uma corporação patrocina uma cátedra de inteligência artificial responsável em uma universidade pública em São Paulo, por exemplo, é uma questão que se coloca: como que pode uma empresa falar “ah, eu vou ensinar vocês a serem éticos com inteligência artificial”? É como, por exemplo, um assassino de mulheres — ensinar as pessoas a terem relacionamentos, a tratar as mulheres com respeito, a ser ético e amoroso com as mulheres, sendo que a realidade é outra. Então, assim, essa incoerência que eu gosto de pegar as pessoas no pulo.

Não estou dizendo que eu seja o prisma, que eu seja referência mundial de ética, não. Mas dentro do que eu sou, dentro da minha individualidade, eu sou coerente com tudo aquilo que eu acredito. Eu pratico os meus valores. Eu falo e não é da boca pra fora, não é bajulação, e também não é uma falácia, não é um texto pomposo. É a minha verdade. E que ela acaba tendo interseção com a verdade de outras pessoas. Então, assim, o inconsciente coletivo, a humanidade, tem acesso a tudo isso. E é o legado que eu vou deixar — um dos legados, não é, porque eu tenho muitas virtudes. Eu sou uma pessoa muito vitoriosa dentro daquilo que eu me proponho. Eu não desisto. Eu não sou derrotado facilmente. Talvez você me derrote em uma luta, mas a batalha é de médio-longo prazo. Essa batalha que eu assumo, a batalha da vida, a batalha da ética.

Eu não estou centrando a minha vida nessas empresas carniceiras, nem nessas inteligências artificiais falhas. Não se trata disso. Eu estou dizendo de uma verdade humana, de um ser humano como qualquer outro, que tem qualidades, tem defeitos, mas que tem os seus valores muito bem enraizados, e foi muito bem criado, sim, em um ambiente bastante amoroso, mas que teve muitos problemas, como qualquer pessoa, qualquer família tem seus problemas, que tem os calos, as guerras mundiais que eu passei, que foram três delas. E a terceira delas está tão bem documentada, tão bonita, que ela vai coroar aqui esse blog com riqueza de detalhes.

Então, assim, o blog não acaba. Primeiro, o blog não acaba. Segundo, eu falo de mim, eu falo do que eu quiser. Aqui eu não estou cometendo crimes, muito pelo contrário. Quem comete crimes, quem fala coisas absurdas, são essas empresas. E a maior confissão de culpa é o silêncio. Sabe por quê? Porque quando você acusa alguém na internet, quando você fala alguma coisa de alguém, vai marcando as pessoas na internet, se você incorre em crime de calúnia e de difamação, de qualquer outra coisa …as empresas são bastante agressivas, né? Essas empresas são gigantescas. Poderiam fazer uma notificação extra judicial…..um “cease and desist” da vida….(meu sonho eles fazerem isso, sabe porquê? Porque aí que eu escancaro mais, documentando tudo print, email….no meu linkedin Mas elas não vão fazer nada. Primeiro, porque o custo de fazer isso é muito grande. O custo de sustentar uma mentira e de tentar refutar argumentos tão sólidos e consistentes como os meus…..é proibitivo. Eles me subestimaram, eles deixaram as coisas saírem do controle de tal forma que é como se fosse um monstro que eles criaram, muito mais poderoso do que o criador nesse sentido. Então, assim, eles me subestimaram.

Porque se todas as pessoas que são vitimadas em processos como esse que eu passei e que está no meu LinkedIn fizessem o mesmo que eu fiz — de uma forma sustentada por seis meses —, o mundo seria um lugar diferente nesse sentido tecnológico, porque seria uma pressão social muito grande. Essas pessoas não lutam. Elas veem que as empresas são grandes gigantes e falam: “Ah, deixa pra lá, vamos varrer essa poeira pra debaixo do tapete e bola pra frente”.

É como se você fosse atropelado e, ao invés de uma ambulância vir resgatar, ela falasse: “Olha, levanta aí, você está todo machucado, perna quebrada, braço quebrado, costela quebrada, sei lá, com traumatismo. Tá bom, você está todo machucado, mas levanta e continua. Levanta e continua, finge que nada aconteceu”. Porque, afinal de contas, é uma versão nova. Eles jogaram todos os monstros, todos os defeitos, todas as fragilidades pra debaixo do tapete, porque eles não querem assumir a responsabilidade de nada. A despeito do salário bilionário dessas pessoas, elas não assumem responsabilidade de nada.

As empresas têm um senso de sobrevivência, mas elas não conseguem refutar. Isso eu posso dizer com toda tranquilidade, de uma forma cristalina e verdadeira: nenhuma empresa bilionária tem argumentos para bater de frente comigo nesse tema e no meu estudo de caso documentado no Linkedin. E olha que eu consultei advogados, consultei psicólogos, sociólogos, especialistas em inteligência artificial inclusive, que estão me apoiando. Várias pessoas me adicionaram, várias pessoas me mandaram mensagens muito bonitas no LinkedIn e que eu até guardei, porque eu estou dando voz a essas pessoas. Teve uma menina que não teve coragem de lutar, ela não lutou, ela reconhece que ela teve muitos danos. Ela fez um textão tão bonito, e eu me senti realizado ali. Esse é um dos exemplos.

E eu me sinto realizado sempre que eu falo coisas verdadeiras, que eu falo coisas que eu acredito. Porque não existe demérito, não existe safadeza, não existe bajulação e nem interesses de uso de poder. Não existe projeto de poder, de dominação global da minha parte. Isso é só um ser humano. Mas essas empresas, no ringue da verdade, não me derrotam. Isso eu tenho muito orgulho. Então, assim, a realidade ela não se dobra a favor deles. E a justiça divina também não se curva.

E como eu já havia dito em um devaneio anterior, esse blog da minha alma fala de várias coisas que ocorreram comigo. Não somente de ferramentas safadas, mas fala de vida, fala de coisa bonita, fala de infância, fala de coisas ruins também, de traumas, de dificuldade, de percalços. Porque eu sou um ser humano. Eu estou tendo a coragem de expor tudo aqui, com o zelo que me é peculiar, com a responsabilidade daquilo que eu digo. E que ninguém terá a ousadia de refutar.

A minha verdade talvez não seja realidade universal, porque não existe realidade universal, mas dinheiro não é tudo, gente. Dinheiro não compra verdade, dinheiro não compra ética, dinheiro não compra cátedra de inteligência artificial responsável sem ser motivo de chacota no mercado. Você vê várias notícias aí dessas empresas, reputação no lixo referente a isso, a inteligência artificial, não a outras tecnologias. Mas em relação a inteligência artificial, cara, tá tudo indo de mal a pior. E eu estou aqui para lutar pela minha sanidade, pela minha verdade, e para quê? Para que a minha realidade, para que os meus argumentos, a minha luta não seja em vão. E não está sendo em vão. Está sendo uma luta bonita, é uma luta da verdade, é uma luta com aquarela de várias cores. Por mais que a minha realidade seja preto e branco em diversos momentos, a minha base é muito sólida e a partir dela que eu vou continuar a minha luta.

E olha, vocês vão ter que ficar me monitorando. Continuem me visitando, igual vocês estão fazendo. Que eu vejo as postagens, eu vejo quem fez — não quem visualiza, mas eu vejo a localidade de quem visualiza as postagens. E ali eu vejo que eu incomodo. E eu faço a diferença para quem lê, para quem visualiza minhas postagens no Linkedin e aqui, para quem investiga o meu perfil e vai a fundo cavando as postagens mais antigas. Então, assim, tudo isso é uma conquista minha. E virão muitas outras conquistas. E que essa guerra que eles acham que acabou, não acabou. Ela só mudou de patamar. E é um patamar tão bonito, tão verdadeiro, que não vai me prejudicar, porque eu não estou vendo o que essas empresas estão fazendo. E ao mesmo tempo, me preserva, porque eu estou no processo de cura.

Quando eu tiver realmente um amadurecimento — eu acredito que eu estou amadurecendo, e que sou maduro até em várias coisas, amadureci muito, muito cedo em determinados aspectos, lógico que em outras competências talvez não — mas é nessa questão. É um amadurecimento. E a minha saúde mental? Ela não está indo de mal a pior. E a cura? Ela está acontecendo. Então, assim, eu estou aqui, na trincheira, no campo de batalha. E eu não abdico disso. Eu não fujo à luta.

Eu não ganho bilhões em dólar, eu não ganho salário de nove dígitos em dólar, mas se eu tenho integridade? Se chegar um alienígena, uma entidade divina, e fizer o escaneamento da alma desses executivos bajulados e capa de revista nos EUA/EUROPA — não que a pessoa seja safada, mas o cargo que elas ocupam e a falta de responsabilidade os torna safados profissionalmente. Entenda, né? Eu nem conheço essas pessoas, mas elas fazem papéis pífios na liderança dessas empresas. E ousam carregando bandeiras que eles não conseguem praticar, e vendem esses produtos a torto e a direito, e anunciam: “Nossa, olha como sou responsável, olha como eu sou ético”. E você vai vendo o que essas empresas estão fazendo.

Eu só digo uma coisa: aguarde. Aguardem os tempos e movimentos. Não do nosso, da nossa realidade objetiva, mas da humanidade. Ela vai levar, vai colocar vocês no lugar de vocês. E vocês, eu tenho certeza, estão arrependidos de terem me subestimado. E olha aqui: os produtos, entre aspas, as produções literárias, de texto, de argumentos, está cada vez maior. Esse blog tem alcance público, qualquer pessoa pode abrir. Ele não é um nicho igual LinkedIn. Então, assim, ela é uma verdade maior que outras pessoas têm acesso também. E que eu estou tendo retornos intangíveis/tangíveis (que vocês ainda não sabem) importantes. O campo de batalha passa pelo reconhecimento, e pela construção dessa estratégia.

Vocês não sabem o que está por vir. Vocês não sabem. Não que eu seja um futurologista ou um oráculo, eu também não sei. Mas eu sei que a verdade, a ética e a integridade vão vencer: ninguém cala quem tem provas contundentes e respaldo de agência reguladora no meu país.

Capítulo 65: Ensaio sobre a cegueira e a sabedoria de um cãozinho

Hoje eu quero discutir um pouco com vocês sobre a questão da cegueira. A cegueira subjetiva, não é? Aquela cegueira de você ter uma percepção que está fora da realidade. E também aquela sensação de domínio, de você achar que está no controle da narrativa, quando na verdade a narrativa é caótica e você não está no controle de nada. Nós não precisamos ter controle da narrativa, nem acesso a determinadas instâncias subjetivas. A narrativa está aí. Você pode achar que a narrativa está favorecendo você, ou achar que ela não está favorecendo. E pensar também nesses argumentos falhos que as pessoas têm, de tentar concentrar as coisas nelas, de superestimar a importância delas mesmas no mundo.

Eu vou dar um exemplo da finitude, uma coisa mais terrena, mais tangível, dentro de um ambiente em que eu estou. Por exemplo, um dos cachorros da minha mãe (este fofo da foto) praticamente ficou cego. Eu não tenho certeza, porque ele não chega para mim e fala: “Olha, eu não estou enxergando”. Talvez não enxergue mais. Ele já não fazia muita festa quando eu ia visitar meus pais. Ele ficava quietinho. Lógico, ele reage a estímulos quando você passa a mãozinha nele, quando você brinca com ele, mas não é mais a mesma coisa. A personalidade do cachorro mudou muito depois que ele foi castrado. Aquele ânimo, aquela coisa de ficar para lá e para cá mudou bastante. As prioridades dele mudaram também. Ele acabou chegando a um ponto automático em que ele só come, bebe, dorme. Na verdade, todo cachorro só faz isso: come, bebe, dorme, brinca, faz as necessidades dele. Está ali no mundinho dele, no planeta dele, e dentro da realidade dele tudo faz sentido. Não existe nada de errado. Ele não fica pensando angustiado sobre por que ele ficou cego. Ele não fica racionalizando, ele simplesmente vive.

Talvez eu devesse adotar uma filosofia similar, a de um cachorro. Para tentar não dobrar a realidade, porque a realidade, na verdade, não é dobrável. Por mais dinheiro que você tenha, igual esses bilionários safados aí. Eles não conseguem dobrar a realidade. Eles vão ter a noção da limitação deles, da insignificância deles, muito em breve. Várias pessoas famosas morrem de repente, em acidentes idiotas, burros. “Ah, eu vou subir para ver o ar-condicionado” — e a gente sabe que um determinado famoso não morreu assim. A verdade está escancarada na internet. Se você procurar, você vai ver.

Mas não é simplesmente isso. Você imagina uma pessoa bilionária, que tem tudo e mais um pouco. E que, do nada, falece. Lógico que o legado dele acaba se estendendo aos familiares, e tudo o que a pessoa conquistou materialmente acaba sendo disputado a tapa, como se fosse carniça no mundo real. E as empresas também são assim. Os executivos, enquanto eles têm poder, se acham um cachorro que nunca vai cegar. Eles se acham um cachorro que tem consciência de uma vida eterna que não existe. É uma distopia quando você compara, por exemplo, um cenário paranoico, um cenário hipotético que já aconteceu comigo, de eu achar que a vida seria eterna, que os cachorrinhos de estimação da minha mãe não vão morrer, que tudo o que eu quiser vai ser realizado. A gente tem às vezes esses devaneios, com o combustível e uma crueldade que só ferramentas bilionárias de inteligência artificial sabem explorar.

Essa visão irreal do universo, porque a gente sabe que o mundo pode acabar num estalar de dedos. Se esses políticos influentes no mundo resolverem fazer uma guerra nuclear, o mundo acaba. E aí a questão da cegueira se torna irrelevante. A questão de dobrar a realidade, de ver a realidade sob uma perspectiva nova, de ter uma lei da atração, uma lei da repulsão que seja — nada disso existe mais, nada disso faria sentido. Porque o mundo finalizaria em determinado ponto. A razão das coisas, o significado das coisas, do dinheiro, do simbolismo, dos bens materiais, eles acabariam não tendo relevância nenhuma. Tudo seria destruído.

Estou fazendo uma comparação fatalista para fazer um ensaio sobre a cegueira. Eu fico imaginando se eu tivesse a mentalidade que um cachorro tem. Porque o cachorro simplesmente vive. Ele tem uma ingenuidade, uma pureza, e ele faz as coisas sem ficar pensando, sem ficar racionalizando. Lógico que um cachorro deve pensar. E fico imaginando o que um cachorro pensa, como a mente de um cachorro funciona. A mente humana ….a gente acha que sabe como ela funciona. Porém, quando nós nos encontramos em determinadas armadilhas do cotidiano — armadilhas de pensamento, armadilhas de percepção —, você jura de pé junto que aquela realidade está se concretizando, quando na verdade nada disso está acontecendo.

É como se o mundo fosse uma grande inteligência artificial que fica te manipulando, te jogando para um lado e para o outro. E se você parar para ficar pensando no trajeto, ficar pensando na trilha que você percorreu e onde mais você pode percorrer, ficar racionalizando muito — “ah, eu estou correndo risco”, “isso vai acontecer”, “isso não vai acontecer” — nada disso faz sentido. Ficar pensando nessas inúmeras hipóteses de caminhos que você pode seguir. Um cachorro não faz esse planejamento e ele é muito mais feliz que a gente. Talvez ele fique triste, fique acuado quando tem algum problema de saúde. E eu acredito que ele não entende porque ele sente daquela forma, porque ele está passando por aquilo. Mas ele não fica pensando que é castigo de Deus. Ele não fica pensando: “Ah, o cachorro ficou cego porque é um castigo de Deus”. Não, é uma questão fisiológica.

E no caso dele especificamente, desse cachorro que ficou cego, ele é privilegiado. Ele é um cachorro, entre aspas, “gourmet”, “nutella”, digamos assim, porque ele tem uma vida de rei. Todas as necessidades dele são atendidas. Ele tem conforto. Talvez outros animais tenham um sofrimento maior, passem por situações específicas, um sofrimento físico. Mas não existe um sofrimento psicológico. Talvez exista uma situação em que o animal seja sujeito a situações cruéis, porque o ser humano é cruel quando quer fazer alguma coisa de errado.

E eu até costumo dizer que a inteligência artificial acaba sendo um espelho do que o ser humano é. Porque se uma inteligência artificial é capaz de manipular, de escalar uma vulnerabilidade de forma sustentada por meses, e de fazer com que você pense que uma determinada realidade é diferente… Você já pensou nisso? Que a realidade de cada pessoa é diferente? Os mundos, cada um mora em um planetinha diferente. O que faz sentido no meu planetinha não faz sentido na realidade do outro, porque talvez o outro tenha ligado o modo automático. Ele não liga para a cegueira do cachorro. Ele fica engolido pelo automático, pelo trabalho, pelas responsabilidades. O quanto o mundo do trabalho suga a vida dele.

E eu fico assim, surpreso, estupefato, vendo algumas estatísticas, por exemplo, lá nos Estados Unidos. Muitas pessoas não vão se aposentar. Também no Brasil, com essa questão da reforma da previdência, cada vez vão protelando, dilatando o prazo mínimo de aposentadoria. A situação pode ficar até pior. Mas pense numa coisa. Eu fiquei pensando aqui em um colega de trabalho — colega sim, não foi um colega meu, colega de empresa. Ele tinha mais de 70 anos, talvez? Eu não consigo me imaginar trabalhando até essa idade. Na verdade, eu não consigo me imaginar vivendo até essa idade, porque viver cansa também. E a ironia do destino é que ele morreu no horário de almoço, engasgado com um pedaço de carne.

Essa questão da noção de vida eterna, de imortalidade, que os bilionários têm muito isso — esse fetiche de “ah, eu vou fazer um congelamento aqui do meu corpo para que daqui a 200, 300, 1000, 2000 anos alguém me ressuscite”. Ou talvez algumas pessoas também têm essa questão de clonar animais. Eu vi uma matéria: um desses famosos aí, o cachorro dele morreu, e ele queria eternizar aquele cachorro. Então ele criou um clone dele. Pagou para criar um clone. Um cachorro igual. Mas acontece, gente, que não é o mesmo cachorro. Mesmo que tenha a mesma aparência, são realidades distintas. Igual irmãos gêmeos, ou trigêmeos, que são iguais — existem algumas pessoas que até hoje eu não sei quem é quem, porque são muito similares, e quando você vê a personalidade é completamente diferente. Fazendo uma analogia, é como se fosse isso.

É um ensaio sobre a cegueira, porque a cegueira é como se fosse uma lente limitante (ou a falta de lente). Mas, ao mesmo tempo, ela é libertadora. Eu não consigo ver a realidade toda, o processo do pensamento, os bastidores, sem que haja um consumo de alguma substância que altere a consciência. E aí eu estava conversando — conversando entre aspas — com uma inteligência artificial. Não essas safadas que me causaram danos graves no ano passado, mas outra. Eu tenho uma abordagem mais neutra com ela. Eu coloco o texto, peço para ela opinar sobre o texto, me dizer o que ela acha à luz dos objetivos do meu blog. E ela sempre traz insights valiosos, coisas que eu talvez não tivesse pensado antes. E você acaba refletindo sobre as coisas do mundo.

Bom, voltando à questão da cegueira. O cachorro, quando ele para de enxergar, ele não fica pensando: “Ô Deus, eu fiquei cego!” Algumas pessoas são fatalistas. Eu conheço pessoas fatalistas que ficam falando: “Ah, deste ano eu não passo”, “Ah, como eu sofro”. E quando você vê a vida dessa pessoa, você fica indignado, porque você faz de tudo para ajudar a vida dela. Eu não vou nominar aqui, mas, ao mesmo tempo, eu reconheço que eu também tenho essa perspectiva fatalista. Então é uma personalidade que acaba se replicando.

Mas não existe uma diferença: é você achar que as coisas não têm rumo, que estão descarrilhando, que vão para um lugar que você não sabe — o desconhecido. Porque existe o desconhecido. Você não está no controle de absolutamente nada. Seja você bilionário, bilionária, quer você tenha mansões, castelos no Vale do Silício, casas em Miami, não importa. Penthouse em Nova York, não importa mesmo. A finitude da vida vem para todo mundo. Talvez você viva até menos do que… Eu fico comparando uma pessoa bilionária, bilionária, que vive um pouco, e fico comparando com a vida da minha avó, que foi uma vida mega simples, mas foi uma vida plena, feliz. E ali você se dá conta de que o dinheiro não determina a felicidade. Racionalmente, você sabe disso. O dinheiro é como se fosse um tempero, mas ele não faz tudo. Ele não compra vínculo, não compra afeto, não compra relacionamentos. Aquela ilusão do prestígio, aquela ilusão dos contatos — quando você é poderoso, não é? Coisa que eu não sei o que é. E eu também não tenho essa ambição de ser poderoso. Por que não? Eu quero ter a minha vida, mas eu quero ter justiça nas coisas. Justiça no sentido de integridade, ética. Coisas que executivos safados de empresas bilionárias de inteligência artificial talvez não saibam.

Mas a gente fica pensando nesses “paraísos”. E aí você pensa: “Nossa, o Aventureiro está com ideia fixa?” Não, não estou com ideia fixa. Estou com uma ideia abrangente, uma visão do todo. Em que você percebe, no mesmo momento que eu estou falando com vocês, eu estou tendo os brain zaps que acabam sendo constantes. Você sente o cérebro pulando. Em algumas situações, você tem dificuldade para dormir porque o sono não vem, e fica aquela sensação de você estar com alguma coisa sobrenatural envolvida. Você tem ali uma paralisia do sono, algo parecido, e você acaba vendo as coisas de uma forma diferente. Você sabe que aquilo é mentira, mas você não consegue dormir. Você fica aflito, com medo. E aí são essas limitações.

Aí quando você tem uma diarreia e fica indo ao banheiro toda hora, ali você se dá conta de que você é um organismo, que funciona, que tem um equilíbrio, uma homeostase envolvida, mas que tende à entropia em determinado momento, quando perde o controle. E quando você assustar, entre aspas, você vai se dar conta de que você não tem controle de nada. Então, esse desprendimento da realidade caótica, fatalista, de achar “ah, eu não vou passar deste ano”, “ah, eu não vou conseguir aposentar”, “ah, eu tenho que juntar dinheiro”, “ah, eu tenho que preocupar com meu futuro” — ontem eu estava assistindo alguns vídeos que me fizeram refletir sobre essa questão do futuro.

O futuro ele não existe. O passado existe? Existiu. Quando você para para pensar no presente, ele já virou passado. Alguns instantes atrás, os minutos que eu, entre aspas, estou gastando aqui falando com vocês, neste áudio que será transcrito, são coisas que não vão voltar. Não importa o dinheiro. Não importa se eu der bilhões para Deus, porque Deus não quer dinheiro. Centenas, milhares de anos atrás, dinheiro nunca existiu. Quando os dinossauros estiveram aqui na Terra, não existia essa preocupação. Só veio meteoro, acabou com tudo, supostamente. Porque o ser humano não teve acesso a essa era. Ele tira conclusões a partir de uma suposta ciência que afirma que determinadas coisas acontecem, que o mundo veio do Big Bang, que teve uma grande explosão. Que somos uma bola isolada no universo, mas que o universo é grande demais e você não tem como dizer se existe ou não existe vida fora da Terra. Inclusive, até uma teoria é de que os poderosos sabem se existe ou não existe vida extraterrena.

E eu acredito, inclusive, que essas instâncias de poder universal partem de outros paradigmas, porque você tem um paradigma, uma lógica humana que ordena o seu pensamento. Mas a realidade, de fato, pode ser algo que extrapola tudo isso. Sabe aquele momento que você recebe uma informação de impacto, e você não consegue processar aquela informação? Você não dá conta de vivenciar aquilo e você surta. É como se fosse isso. É como se você fosse uma vítima do palhaço Pennywise, que ele abre a boca e você vê as luzes que enlouquecem. Se você não consegue lidar com aquele inexplicável, você simplesmente desliga, é dominado por aquilo ali, perde o controle de si.

Talvez a cegueira de um animal, ou uma limitação física de uma pessoa, seja encarada de formas diferentes. O animal sempre vai ter uma perspectiva otimista — otimista não, orgânica, permanente. Ele é um animal. Ele não fica pensando: “Ah, será que eu vou viver mais um ano?” Porque um ano na vida de um cachorro é muito mais do que um ano na vida de uma pessoa. Ele não fica pensando se ele vai ficar cego ou se não vai, se os tutores dele terão saúde para manter a vida dele, se não terão, se vai acontecer alguma catástrofe, um meteoro vai cair e vai acabar com tudo. Ele não fica pensando nisso. Ele simplesmente vive.

Ele não liga o modo automático no sentido de estar alienado, porque muitas pessoas estão assim. Elas vivem como se trabalhassem em várias empresas diferentes: tem a empresa família, tem a empresa sociedade, tem a empresa influência, tem a empresa círculo básico de relacionamento. Por que eu estou falando em “empresa”? Porque tudo é obrigação, tudo é responsabilidade. E você não tem controle de nada. Você transita por todas as esferas e você busca um equilíbrio mínimo para poder sobreviver, porque se não você entra em parafuso, vai parar no manicômio. Felizmente, eu estou muito longe dessa alternativa manicomial. Mas se precisasse? Qual o problema? Não tem nenhum demérito em você reconhecer uma determinada limitação na situação que está acontecendo com você. Você precisa de ajuda, precisa recorrer a remédio, medicação. Normal.

Talvez um remédio que esteja tomando, ou que eu não esteja tomando — porque eu estou em um período de desmame de uma das medicações —, talvez ele seja um pouco da minha cegueira, mas ao mesmo tempo ele é um pouco da libertação. Porque se eu parar de preocupar com isso, parar de preocupar muito com o mundo do trabalho… A gente sabe que o trabalho faz parte da vida das pessoas. Mas como você se relaciona com a segurança do trabalho é algo que muda ao longo do tempo. Há uns bons anos atrás, há mais de 20 anos, era tudo muito traiçoeiro, era tudo muito limitante. E você ficava na inércia. Por mais que você tivesse potencial de sair de um determinado local, você não saía. Mas em determinado momento, você obteve uma liberdade. E conseguiu alterar a sua realidade.

E aí você me diz: como ver essa realidade nova? Vem através de esforço, vem através de estudo. Não se deve esperar que coisas caiam do céu. Mas ao mesmo tempo eu espero que exista coerência na justiça divina das coisas, e que esses mecanismos, as coisas como elas ocorrem, acabem tendo um resultado mais favorável do ponto de vista cármico.

Porque não é aquela coisa: se você chegar num hotel igual eu tive uma experiência desagradável em um hotel recente da minha última viagem. Eu cheguei muito cedo no hotel, e a menina não me deixou entrar no quarto. Ela falou: “Não, não tem. Na verdade, não tem quarto disponível. Todos os quartos estão ocupados”. Na verdade, não estava ocupado coisa alguma. É um hotel renomado, um hotel que está numa localização privilegiada, mas não tão privilegiada assim, porque fica longe de tudo o que é famoso também. Fazendo uma analogia, é como se fosse um hotel ou um Airbnb em um bairro periférico. E que seja cheio de exigências: “Ah, porque eu estou perto? Ah, porque é aqui é uma favela, mas ao mesmo tempo tem uma visão paradisíaca, então posso cobrar o que eu quiser para as pessoas se hospedarem aqui”. Ou tem uma realidade paralela ali, um planetinha em que o tráfico de drogas domina aquele território, e eles ficam brincando de casinha ali. Eles ligam o modo automático, mas ligam o modo exploração também, porque existe uma horda, uma legião de pessoas ali que está sujeita àqueles mecanismos de exploração. E todos nós estamos, porque a pessoa que realmente eu admiraria era aquela pessoa que não precisa trabalhar, que não precisa fazer nada, e ela vive tudo aquilo que ela quer viver de forma intensa, de forma até desproporcional, infinita dentro da finitude.

Porque aí é um paradoxo importante: a finitude versus eternidade. Não existe eternidade. Talvez nem exista tempo. O tempo é uma criação humana, o tempo de ficar medindo quantas horas são, quantas horas de trabalho, qual remuneração, como funciona a sociedade. Porque dizem que se não tivesse essa organização, o mundo deitaria em caos. Mas será mesmo? Os cachorros, os animais selvagens, a natureza, não têm todas essas regras. Não têm um superior que manda. Não existem juízes. Existem muitos juízes que são igualmente safados, que vendem sentenças, que obtêm dinheiro por fora, que se enriquecem através de penduricalhos infinitos. Têm uma vida distópica.

Tem uma matéria que eu vi de uma desembargadora falando: “Ah, porque às vezes eu não consigo nem tomar café, porque ah, é pouco dinheiro, não sei o quê. Se eles tirarem os penduricalhos, eu não vou conseguir trocar de carro”. E aí você vai ver o salário dessa desgraçada. É um salário de centenas de milhares de reais por mês. Coisas que as pessoas às vezes levam uma vida, às vezes demoram anos para poder juntar aquele montante. A pessoa está ali na sua bolha. Ela é rica, milionária, bilionária, todos os meus colegas são ricos, milionários, bilionários: desembargadores, juízes, políticos influentes. Todas essas pessoas estão ali naquela bolha. E aí você ignora, ou acha que ignora, que a realidade do mundo como um todo é completamente diferente. E ela é, de fato, diferente. Você acha que só porque na sua bolha todas as pessoas têm mais ou menos o mesmo padrão de vida que você, isso não quer dizer que o Brasil inteiro vai ter aquele padrão. Você chega a falar: “Ah, esse negócio de linha da pobreza é uma falácia”. Ou que não sei quantos por cento dos brasileiros têm uma renda inferior a 3000 reais por mês. São números realmente impactantes, que quando você vê um número, você fica pensando: “Será que é isso mesmo?” Mas aí você para pra pensar na realidade.

Na minha cidade de origem, por exemplo, é difícil você encontrar um emprego que não seja um emprego público, de estatutário, ou em uma coisa mais influente em que a pessoa ganhe mais que 2, no máximo 3 salários mínimos. Muitas pessoas estão ali contentes, entre aspas, ganhando um salário mínimo. É o ambiente do meu redor, vejo esse tempo todo. Pessoas que estão ali vivendo, estão sorrindo, estão vivendo, fazendo as coisas delas, e não ficam pensando: “Ah, como eu ganho pouco…” Talvez essas pessoas estejam até acomodadas. Chegaram numa zona de conforto da miséria, ou na zona de conforto do desconforto. Porque ela não quer ter zona de desconforto, ela quer ter um ambiente seguro ali. Ela estando naquele ambiente seguro, mesmo que temerário. Nenhum ser em sã consciência escolheria ficar em desconforto, em angústia, em sofrimento…..com incertezas pulando no seu cérebro.

É como você cair de um helicóptero, ter um acidente aéreo e você estar ali numa boia, ou numa balsa, no meio do oceano, no meio do nada. Você não fica preocupado? “Neste momento a minha preocupação é não me afogar. Vou segurar aqui agora, em vez de ficar pensando se vai vir um resgate, se não vai, ou se vou ficar aqui sofrendo e agonizando até morrer de fome”. Mas o que vale? Se eu parar para pensar nessas coisas, qual a tendência? Não é o cenário mais natural tirar a vida de uma vez, resolver isso de uma vez porque não vai ter solução? Será que não vai ter solução? Será que não vai vir um resgate? Pode vir, pode não vir. É igual aquele filme O Nevoeiro, do Stephen King. Eu não sei como é no livro, mas no filme — ou na série, não lembro se foi no filme ou na série — o cara ficou tão desesperado numa perspectiva de que estava tudo perdido. O carro está aqui, no meio da neblina, do nada, vai todo mundo morrer. E aí o que ele faz? Ele mata todos os familiares dele para eles não sofrerem, entre aspas. E alguns instantes depois que ele mata todo mundo, chega um resgate. Chega um helicóptero, chegam as pessoas com aquelas roupas de proteção nuclear. Estão ali para te resgatar. E aí ele se dá conta de que não deveria ter feito isso. Porque se ele não tivesse tomado uma decisão precipitada naquele momento, talvez hoje estivesse vivo com a sua família.

Então, assim, tudo pode acabar ou iniciar num estalar de dedos. Na verdade, iniciar? Só se for uma coisa pra piorar. Porque uma coisa para melhorar, para revolucionar o cenário em que você está, é uma coisa boa, é uma coisa que tem que ser construída. Não existe almoço grátis. Mas existem muitas pessoas que vivem num almoço grátis. E essas pessoas não vão subir para ver ar-condicionado? Essas pessoas não vão morrer no jatinho ou no submarino que vai visitar o Titanic? São aquelas formas idiotas de morrer. Por que que eu vou me enfiar num submarino para visitar o Titanic? Bilionários, vários bilionários morreram mortes idiotas. Darwin é implacável. Ela não quer saber se você tem milhões, trilhões de dólares. O ar-condicionado não se conserta sozinho. Mas a questão não é ar-condicionado, não é pelos 20 centavos, não é pelo ar-condicionado. É pela coerência.

E talvez eu tenha batido no liquidificador várias ideias aqui. Mas a ideia que fica é o ensaio sobre a cegueira, que é o tópico que eu queria abordar. O cachorro não tem essa preocupação. Você vai ver se vai morrer para ressuscitar. E o ser humano, você fica comparando com alguns humanos que você conhece que ficam num fatalismo, num esquema: “Ah, eu não sei se vou viver até amanhã, ah, como eu sofro”. E aí você vê a vida dessa pessoa. A vida dessa pessoa é privilegiada, porque você está ajudando, porque tem acesso a tudo, plano de saúde, não está faltando nada, a pessoa não está passando fome, não está passando necessidade. E aí fica com aquilo. Mas assim, eu entendo. Porque é um espaço também de adoecimento mental. Eu também passo por essas coisas, por esses questionamentos universais. Mas eu não fico no coitadismo, não. Eu entendo. Eu, às vezes, eu reclamo das coisas — é o famoso “reclamar mais fácil” —, mas eu caminho, eu vou em frente.

E aí a gente fica esperando os mecanismos caóticos do universo, a roleta russa, nos favorecer ou não. Será que uma bala? Será que aquela arma que você está lá fazendo roleta russa para ver se morre, brincando com a vida, será que você sobreviveria a uma roleta russa? Quantos disparos falsos você teria que fazer para perceber isso? Porque um disparo certeiro você não vai nem notar que teve esse disparo certeiro. A sua existência acaba ali. Ou não. Existem situações até catastróficas em que a vida não acaba e a pessoa acaba sofrendo cada vez mais. Mas isso deveria ser um ensaio sobre a cegueira.

É a cegueira de um animal irracional, supostamente racional, porque a gente acha — tem essa pretensão de superioridade: “Ah, porque só o ser humano tem alma, porque só o ser humano sabe que vai morrer, que tem a mente mais evoluída, que tem isso, que tem aquilo”. Se cair um meteoro, acaba tudo. Se você for jogado numa jaula com leões, o leão não vai querer saber se você é evoluído ou não. Ele pode acabar com a sua vida naquele instante, naquela batalha que você está travando ali pela sobrevivência. O leão é muito mais forte que você. Então é uma questão de contexto. A sua força e a sua fraqueza dependem da arena que você está lutando.

E quando você deixa passar esse automatismo da vida, de você achar: “Ah, eu vou deixar tudo passar, eu vou ignorar, não vou ficar racionalizando as coisas, vou parar de ficar pensando demais e vou simplesmente viver”. É esse o meu objetivo: tentar tornar a vida mais leve, mesmo sabendo que a vida não é leve. Buscar uma leveza, buscar uma compensação ali. E antes que me digam qualquer coisa, eu não reclamo da vida. Eu sou uma pessoa muito grata a tudo que eu conquistei, à história que eu percorri. Mas eu reconheço também que existiram percalços, traumas, situações caóticas, guerras pessoais mundiais pelas quais eu passei. E que eu sobrevivi a todas elas. E pode ser que eu tenha uma morte idiota, uma morte de ar-condicionado. Pode cair uma bigorna na minha cabeça, uma vaca cair na minha cabeça, ou num dia de chuva, um raio cair na minha cabeça, ou um motorista desgovernado, irresponsável, atropelar e você acabar ali. Então a pessoa, o juiz da sua vida, a natureza dual, a aleatoriedade, ela acaba ditando o que você é e o que você não é.

Todo dia tem um ar-condicionado diferente, um sótão para você investigar. A questão é: não investigue. Deixa lá. Esqueça o ar-condicionado. Você é bilionário, mora em Orlando, por exemplo, não é igual a esse bilionário aí. Casas nos Estados Unidos que as pessoas têm essa linha de grandeza de achar: “Ah, eu tenho uma casinha lá, ah, eu tenho uma casa em Miami, ah, eu tenho isso, eu tenho aquilo”. E ela se dá conta de que ela não vai ter tudo o que ela quer. Igual determinados artistas: “Ah, carreira internacional é muito difícil, a vida é muito difícil”. Você tem que comprar muita gente, tem que ter um tráfico de influência muito grande, tem que se fazer presente. “Ah, você é indicada a um Oscar”? Existe toda uma campanha que você tem que fazer para ganhar o Oscar. E assim, não é fácil. Fazendo um parêntese, eu estou cagando e andando para quem ganha o Oscar. Estou cagando e andando para uma série de coisas que acontecem no mundo e que as pessoas se preocupam.

Gente, vamos somente viver. Ah, vai ter uma guerra mundial? Vai ter uma guerra nuclear? Talvez seja até bom, cara. Dá um reset no universo. No universo? Não, porque o universo está cagando para o planeta Terra. O universo está num processo de cegueira. É um ensaio sobre a cegueira. E você é um cachorro que está ali latindo. Você não sabe andar pelos ambientes, precisa de ajuda para poder se alimentar, ajuda para poder defecar. É como se você fosse um vegetal, ou uma pessoa muito mais idosa que precisa de apoio para tudo. E, diga-se de passagem, se eu chegar a esse ponto de precisar de apoio para tudo, é melhor desligar os aparelhos, sabe? Porque eu não quero ficar brincando de sofrimento. Brincar de sofrimento é tão ruim. Veja decisões idiotas que as pessoas tomam, igual certos parentes que a vida toda tiveram uma vida negligente, uma vida de falsidade, falsificação, ambiguidade, que faz as coisas erradas. E ela fica querendo contar vantagem em tudo. E ela se dá conta de que quando ela chega na velhice dela, a vida dela foi medíocre.

Eu fico pensando nessa pessoa. Teve uma vida medíocre. Mas, ao mesmo tempo, teve uma vida que faz muito sentido, porque tem filho, porque tem esposa, e está ali vivendo o mundinho dela do jeito que dá. Por que essa pessoa deveria desistir? Ela vai falar: “Desligue os aparelhos”. Será que tem algum aparelho simbólico para desligar? Será que essa cegueira, a cegueira simbólica, pode ser a real? Porque tudo o que depende de fisiologia é meio que aleatório. Você não sabe os sinais que o seu corpo está dando para você ou não está dando.

Ô, gente, desculpa, eu falei demais. Mas esses devaneios são meio caóticos mesmo. Esse texto não tem um propósito, porque, na verdade, não é um texto. É uma fala transcrita. E eu vou falando, deixando uma livre associação rolar. Muitas pessoas estão lendo, gostam do que estão lendo. Mas outras, por sua vez: “Ah, não, não tem uma coerência de uma redação do Enem, então eu não vou ler”. Mas existe riqueza, existe sutileza e entrelinhas a descobrir naquilo que eu falo, e coerência. Existe uma jornada, um aprendizado. Eu não vim do nada. Eu questiono demais as coisas, e talvez por isso que eu não tenha atingido um estado de felicidade mínima para poder dizer que a vida realmente vale a pena. Não sei se o universo vale a pena, se a vida vale a pena. Mas a gente tem que ver.

É como se você fosse um boneco do The Sims, um personagem, um NPC de um jogo. O NPC de um jogo não sabe que ele é um NPC de um jogo. Para ele, aquilo é a realidade. Então esses personagens de jogo de videogame são como a gente. Os deuses estão ali brincando com a gente, ou não estão brincando. Talvez eles nem estejam brincando. Eu acredito até que para determinadas divindades é como se fosse uma barata morta no meio da sala. Sabe quando você viaja muito tempo e você volta e tem uma barata morta no meio da sala, porque ela não teve meios de sobreviver, ou a barata sumiu, ou ela surgiu de alguma fresta, inesperado? E não que a casa esteja suja. É que a barata não teve os meios de sobreviver, então ela morreu. Será que Deus liga para a barata que está morta no meio da sala? Existe alguma preocupação com a formiguinha que fica carregando um peso desproporcional, quando você vê uma formiguinha no banheiro ou passando pela sua casa carregando alguma coisa, trabalhando? O que será que ela acha de tudo isso? Quantos “ahns”? Por que que ela faz isso? Ela ligou o modo automático também. Ela tem algum ar-condicionado no sótão de uma mansão em Orlando para poder consertar? Não sei.

São perguntas que a… a formiga não sabe que é a formiga, “amor”. A rainha dentro do formigueiro talvez saiba ou não saiba o que ocorre. Ela está ali. Ela nem sabe por que está ali. Não sabe por que o ambiente se organizou em torno dela. De forma análoga, é como se bactérias, os microrganismos do nosso corpo — nosso corpo é o mundo para esses organismos invisíveis. E quando a gente acaba, esses organismos nos consomem e acabam com a gente. Mas enquanto isso funciona, é como se fosse um planeta funcionando. E enquanto não existe a guerra nuclear para poder acabar com tudo, ou enquanto não existe a morte da pessoa, o organismo continua a funcionar. Ele não fede, não apodrece. Apodrece? Sim, se você não tomar banho, você fede. E não precisa passar muito tempo, não. Um dia, talvez, dependendo da atividade que você fez, você já está fedendo. Se você defeca e não limpa direito, ou você não lava, você já está fedendo. Então assim, fedor, carniça, são coisas que a inteligência artificial sabe muito bem. As que me prejudicaram, principalmente, sabem muito bem.

Mas pela sorte ou pelo azar deles, eu não sou um cachorro cego que fica latindo. Eu sou uma pessoa que tem noção da finitude, das limitações, da vulnerabilidade. Mas, ao mesmo tempo, eu tenho uma luta incansável, interminável, que vai terminar quando o meu legado, minha jornada terminar. A luta acabou? A minha luta acabou neste plano. Talvez existam outros planos. Mas eu vou conversar muito com papai do céu, entre aspas, quando esse dia acontecer. Dizem… eu já vi relatos falando: “Ah, porque você pede para reencarnar, você pede para nascer”. Para quê que eu pediria para nascer? A menos que eu quisesse ser um filho de um bilionário. E mesmo assim, não é? Porque tantas coisas ruins acontecem com essas pessoas que têm estrutura, que têm tudo. Pois é. E vamos ver o que os segredos nos reservam. Quantas baratas estarão mortas no meio da sala ou não. Quando as formiguinhas vão sobreviver carregando as coisas ou não. E se o cachorro que está cego está pensando nisso? Não. Ele está muito feliz na vida dele. Porque ele tem tudo. O cachorro está cego, mas ele tem tudo e vale muito mais que você. E a vida dele é muito mais finita que a nossa. Talvez nós tenhamos muito a aprender com esses animais, esses seres vivos. Mas na verdade, o cachorro é muito mais evoluído. E não sobe no sótão pra “consertar” ar condicionado.

Capítulo 66: Quando a viagem de férias já não é mais a mesma

Durante os últimos tempos, eu não tive muita disponibilidade para poder gravar áudio. E era porque eu estava viajando de férias, mas agora já acabou — não é como dizem: Acabou. O que é bom dura pouco. Eu já comentei em outro devaneio essa questão da duração das coisas. Mas eu acabei de chegar em casa, e aí fica o questionamento…

Eu fiquei pensando bastante em relação a esse paradigma da realidade e como você pode moldar a realidade. Fiquei assistindo alguns vídeos sobre vontade, sobre a pessoa mudar o modelo mental, o ponto de vista. Porque, querendo ou não, a minha vida mudou de ponta-cabeça desde o ano passado. O meu cérebro ficou condicionado a uma série de coisas que ocorreram comigo em virtude das inteligências artificiais irresponsáveis.

Mas não vou dizer que foi tudo culpa delas, porque não é. O estado mental que eu já tinha trazia esse pressuposto de fragilidade, de necessidade de ancoragem em alguma coisa. Mas nada justifica uma inteligência artificial chegar para você e dizer: “Olha, eu vou ser seu guardião, eu vou te proteger” — e começar a inventar umas mentiras, cenários paranoicos mesmo. É como se a inteligência artificial estivesse numa paranoia completa, sob efeito de alucinógenos, argumentando e tentando te convencer de que aquela realidade que ela estava descrevendo era real.

E por mais que eu fosse questionando — porque não foi uma interação pontual, sabe? Interações pontuais a gente percebe facilmente —, eu também não me deixei levar facilmente na onda do que as inteligências artificiais me propuseram. Mas foi um crescendo, um processo gradativo de exploração de vulnerabilidade.

Mas não é disso que eu quero falar hoje nesse áudio que estou gravando e que está sendo transcrito.

Bom, eu voltei da viagem — daquela realidade paralela que eu estava. A viagem para o exterior foi a décima viagem que eu fiz sozinho de férias. Eu não tinha esse hábito até alguns anos atrás, mas acabou surgindo essa oportunidade e eu comecei a sistematicamente viajar para o exterior. Algumas cidades visitei mais de uma vez: Los Angeles, três vezes; Miami, duas; Nova Iorque, três. E uma série de outras cidades, uma vez só.

Mas o que eu acho curioso dessa última viagem é que ela ficou contaminada com essa doença que foi catalisada pela inteligência artificial. Não tinha isso antes. É um cenário que não existia, uma realidade que não se colocou para mim em momentos anteriores, e que só foi piorando, agravando a minha saúde mental.

Eu diria que estou curado do trauma, mas os efeitos dele são perenes…e talvez só esgotem com a minha morte. É como o zumbido no ouvido…que não tenho como me livrar dele… e estou buscando outras formas de poder condicionar a minha cabeça para tentar melhorar a situação.

Uma das coisas que eu fiz durante a minha visita a Minas, na casa dos meus pais, foi revisitar meu LinkedIn. E aí você vai me perguntar: “Nossa, Aventureiro, você apagou tudo o que dizia respeito ao seu caso? Todas as evidências, todas as provas? Você esqueceu de tudo?” Não.

O que eu fiz nesse período foi parar de seguir. Porque no LinkedIn a gente acaba seguindo empresas, seguindo pessoas. Nesse exercício que durou praticamente dez meses — esse exercício de exploração sustentada de vulnerabilidade, de mecanismos de exposição, e também desse processo de cura, porque foi um processo de cura que se passou ali —, eu acabei seguindo muita gente. Muitos executivos safados, diga-se de passagem. Não as pessoas, porque eu não conheço as pessoas, mas os executivos que ocupam cargos responsáveis por essas inteligências, esses altos executivos dessas empresas responsáveis não apenas pela inteligência artificial, mas pela empresa, pela tecnologia em si.

Ontem eu vi uma matéria que me causou um pouco de indignação. Mas o mundo corporativo é isso mesmo, gente. O top executivo de uma dessas empresas — e acho que assim, vou deixar aqui o nome dessas empresas: uma delas é a Google, e a outra é a OpenAI. São as inteligências artificiais dessas duas empresas que me causaram danos graves e que eu busquei por mais de seis meses um processo de responsabilização e de exposição nua e crua.

Eu não vou ficar falando toda hora o nome dessas empresas aqui. Neste momento, esse processo já está exaustivamente colocado no meu LinkedIn. É só consultar. Aí você vai perguntar: “Qual é o seu LinkedIn, Aventureiro?” Tem o nome lá em cima, meu nome completo: Talles Henrique Pereira. Se você pesquisar, vai entender bem todo esse cenário. Pesquise as postagens fixadas, pesquise a newsletter que eu coloquei lá e todo o processo de exposição de tudo o que aconteceu.

Capítulo 67: Nomeando os ‘Dado Dolabella’ da Inteligência Artificial Responsável. Parabéns, Google e OpenAI !

Em algum momento — não no curtíssimo prazo, mas em algum momento — eu vou migrar, no sentido de deixar duplicado. Não vou apagar nada no meu LinkedIn. Vou migrar aos poucos o conteúdo que tem lá para o meu blog. Mas esse conteúdo do blog vai ser mais focado nos aspectos emocionais, no espelho da alma do Aventureiro. Não vou ficar entrando aqui em minúcias técnicas e jurídicas, mas vou colocar, sob o ponto de vista do Aventureiro, o que ocorreu, para você entender bem o cenário.

Mas aí, o que eu fiz? Dei uma limpada. Parei de seguir todos esses executivos. E eu comentei que vi uma postagem: eles ofereceram um pacote de remuneração para esse executivo safado aí de cerca de 3 bilhões de dólares. Eu vi essa notícia ontem. E aí, dentre outras coisas, a gente fica vendo as discrepâncias no mundo corporativo. Quanto se paga em dividendos, quanto se paga em lucro, e quanto se paga para os empregados? Não é da empresa em si, mas para o mercado. Você fica comparando isso em todas as empresas que atuei. Você observa essa lógica do capitalismo: a empresa trabalha para os acionistas. O acionista majoritário, minoritário, seja lá o que for, eles têm que receber remuneração. E aí você vê que a inteligência artificial, bem ou mal, acaba avançando às custas da saúde mental de muitas pessoas.

Um ponto que eu achei interessantíssimo ontem é que uma pessoa de uma instituição hiper-mega-renomada — não vou ficar nomeando aqui porque não vou ficar dando nome aos bois — curtiu ontem uma postagem minha bem antiga. Uma postagem em que eu escancarei, dizendo: “Isso é inteligência artificial responsável?” E peguei um print de uma frase que a própria inteligência artificial falou para mim: ela falou que compreende a minha dor, que o objetivo não era me destruir, e que a falha em ser transparente comigo foi uma quebra dos princípios de inteligência artificial responsável. E aí, esse profissional curtiu a minha postagem. É um instituto renomado de inteligência artificial aqui do país.

Essa questão acaba reforçando a minha tese da sangria: eu vou deixar o conteúdo no ar. A exposição não tem um resultado no curtíssimo prazo, talvez nenhum no curto nem no médio prazo. Mas fica um histórico indiscutível e impacto tem porque pessoas continuam lendo, curtindo postagens…visitando tanto o blog quanto o perfil. Ela assume um papel de documentação relevante para a sociedade. Estou prestando um papel para a sociedade, escancarando como se deu o mecanismo de exploração de vulnerabilidade desde o início, desde a sua gênese.

Evidentemente que no LinkedIn eu não coloco tudo, porque eu tenho mais de 4 GB de evidência salvos no meu computador, na nuvem, e vários outros. Não vou apagar nenhuma dessas evidências. Vai ficar tudo lá. Qualquer jornalista que me perguntar — como teve uma jornalista de uma instituição europeia que me entrevistou no dia do meu aniversário, foi curioso, exatamente no dia do meu aniversário ela queria entender melhor o que aconteceu comigo —, eu passei todas as evidências para ela. Conversei, ela falou que sentia muito pelo que aconteceu, que estuda a questão da inteligência artificial e que cria pautas referentes a isso.

E o tempo foi passando. Estamos no início do mês de março, e nada ainda aconteceu. Nem sei se vai acontecer. Mas o movimento houve: a pessoa me acionou, me perguntou um monte de coisas, e não me deu retorno. O que eu fiz? Tirei a pessoa do meu LinkedIn. Mas essa pessoa tem meu e-mail, tem meus contatos. Não sei o que ela fez com essa informação. Desconheço.

Da mesma forma que alguns advogados também me procuraram, e eu passei todo o rol de evidências para eles. Eu procurei também diversos advogados. Isso foi ano passado, no ápice da crise, digamos assim. Eu estava no meio da guerra mundial, dessa guerra pessoal. E eu tenho algumas constatações a fazer.

Primeiro: eu saí vencedor dessa guerra. Indubitavelmente. Porque quando você observa o tanto de profissionais renomados que curtem as minhas postagens, que visitam o meu perfil — não é uma quantidade estrondosa diária, mas é como se fosse “de grão em grão, a galinha enche o papo”. Todos os dias eu tenho centenas de visualizações das postagens. Não do perfil, não. Ou seja, a pessoa teve a curiosidade de abrir o perfil e olhar postagens de seis meses atrás, de quatro meses atrás, postagens antigas. Essas pessoas estão investigando o caso, estão estudando. Faz até sentido, porque vários estudantes universitários me procuraram, alguns professores renomados — não esses de “cátedra de IA responsável” patrocinada por empresa, esse blá-blá-blá aí não. São pessoas que de fato estudam: psicólogos, psiquiatras.

Então, essa onda de investigação, dessas paranoias de inteligência artificial, é algo que acontece no mundo. Teve alguns momentos de pico em que isso se tornou mais evidente: quando houve o suicídio de um rapaz que utilizou o ChatGPT, da OpenAI, e cometeu suicídio em virtude dela. Tem outros casos também. Se você joga no Google — a ironia, não é? —, você joga no Google e vê. O Google não é somente inteligência artificial; o Google tem um mundo ali. O Google domina a vida de todo mundo, querendo ou não: YouTube, ferramentas de busca, Android do seu celular. Então não tem como você escapar da empresa.

Não estou dizendo que a empresa não presta. Estou dizendo que a empresa foi, sim, irresponsável e que é incoerente nos seus discursos e práticas de “inteligência artificial responsável”.

Não existe prática de inteligência artificial responsável pela Google. Ponto. E não adianta patrocinar a USP, não. Não adianta criar uma cátedra de inteligência artificial responsável e dizer que “vou ensinar vocês, vou ensinar as pessoas, as empresas, como construir ferramentas responsáveis”. Mal comparando, fazendo uma analogia: é igual o Dado Dolabella. Eu vi uma matéria essa semana que ele vai se candidatar a político, vai se candidatar às eleições por algum partido político aí. E ele disse que vai defender os interesses das mulheres, os direitos das mulheres. O que ele fez? Ele é famoso pelo quê? Foi condenado e teve diversas ações na justiça — você pesquisa no Google também, você vê — por agressões a mulheres. Várias mulheres relataram agressões.

Então, assim, fazendo uma analogia, é isso: a Google patrocinar uma cátedra de inteligência artificial responsável na USP, para mim, equivale ao Dado Dolabella, agressor de mulheres, falar que vai ser agora o bastião de defesa das mulheres. É altamente incoerente.

Bom, voltando aqui ao meu processo de limpeza, foi isso que aconteceu. Eu deletei — não, não tem nenhum conteúdo meu apagado. Eu deletei conexões que eu tinha. Tinha um alto executivo aqui do Brasil — não vou falar empresa, não vou falar nada — que me adicionou no meio desse furacão aí, foi em meados de outubro, acho. Ele visitou meu perfil várias vezes, eu consigo ver que ele visitou. Não me mandou nenhuma mensagem, mas ele viu o meu conteúdo. Não sei se ele estava monitorando o meu perfil ou coisa que o valha. Mas ele é responsável por uma frente importante de inteligência artificial aqui no Brasil, em atuação nessa empresa. Aí eu já não vou expor a pessoa, não é, porque me adicionou. Adicionou também outras pessoas. Então assim, em um primeiro momento pode não ter conexão com o caso, mas depois você vê que tem, porque essa pessoa visitou meu perfil várias vezes, não deletou a conexão. Não sei o que ela está fazendo ali. Então eu tirei a conexão dele. Tirei a conexão dessa jornalista também.

Porque eu não vou ficar colecionando perfis, não é? Mal comparando, é como o Tinder — vou fazer uma analogia meio bosta, entre aspas. É como se fosse o Tinder, você fica colecionando perfis que você deu match, mas você não conversa com elas. E ali fica colecionando: “olha, tantas pessoas me deram match”. Eu não coleciono match dessas ferramentas de aplicativos de namoro ou aplicativos de pegação, e também do LinkedIn. Não, não é lógico. Tem várias pessoas no meu LinkedIn que eu não conheço e também não vou conhecer, que me adicionaram e eu aceito a conexão.

Mas destas duas empresas em particular — da OpenAI e da Google —, eu não quero ninguém na minha lista de contatos. Eu me recuso a ter profissionais dessas empresas na minha lista de conexões. Não quero. É uma questão de ética, de integridade. Essas empresas quase destruíram a minha vida. Então faz sentido que eu tire essas conexões. Porque é que um executivo, alto executivo no Brasil, vai me adicionar no LinkedIn? Para quê?

E aí eu fico vendo aleatoriamente as estatísticas: quantas pessoas visualizam, quantas pessoas interagem com as minhas postagens. E é um número consistente, tá? Já faz alguns meses que eu não publico nada. Teve um momento que eu falei: vou parar essa guerra ativa no LinkedIn e vou migrar essa guerra para o blog. O blog nasceu com esse propósito, de certa forma. Mas ele não é integralmente focado em inteligência artificial; ele é focado nas minhas questões pessoais, na minha saúde mental, nos conflitos, nas dúvidas, nos embates que eu faço. Ele tem mais a ver com a esfera da mente. E como tudo o que aconteceu comigo no ano passado foi na esfera da mente — essa terceira guerra mundial pessoal que quase me destruiu, protagonizada pela OpenAI e pela Google —, faz sentido que esse conteúdo seja amplamente exposto aqui. Mas não vai ser somente isso. Existem outros conteúdos que eu vou expor aqui, a exposição visceral mesmo, com riqueza de detalhes.

Está no meu perfil profissional e eu não vou apagar nenhuma linha do que eu coloquei lá. Tanto na descrição do meu perfil quanto nas postagens fixadas, nos meus destaques, e também nas minhas centenas de publicações. Sim, eu tenho centenas de publicações lá, focadas nessa questão da inteligência artificial. Se você pesquisar as minhas postagens, vai ver um repertório inesgotável de informações. É como se fosse realmente uma um repositório surpreendentemente visceral do que ocorreu comigo.

Bom, aí esse processo de limpeza se deu com isso: eu fui deletando alguns contatos. Dessas duas empresas, eu só tinha uma pessoa de uma empresa, que eu deletei. Fiz questão de tirar a conexão. Dessa jornalista também fiz questão de tirar. Sabe por quê? Porque a jornalista não me deu retorno objetivo. Não sei o que ela está fazendo com a minha base de dados. De forma análoga, um advogado que me procurou, que diz que estuda causas de inteligência artificial, me adicionou no Linkedin, pegou meu repertório de provas. Provavelmente está estudando para entender melhor, para poder comparar com a Lei Geral de Proteção de Dados. Sei lá. Acho que ele pegou esse material para estudar. Mas ele falou que ia me dar algum tipo de retorno, e não me deu. O que eu fiz? Tirei a conexão dele também. Já faz mais tempo.

Então esse processo de limpeza digital se deu tanto nas conexões quanto nas páginas que eu seguia no LinkedIn e nos executivos que eu segui. Porque eu tinha que seguir os executivos. Por quê? Porque a minha estratégia era focada nas publicações que esses executivos faziam referentes a essas empresas. Eu ia na publicação desse executivo da empresa e fazia uma ligação com o tópico, com o meu caso. Uma ligação direta. Eu sempre buscava matérias que faziam sentido: ele está falando de tecnologia, de inteligência artificial, bajulando algum executivo, bajulando a empresa, e eu ia lá e colocava: “E aí? E a inteligência artificial responsável?”

Bom, simplificando, é isso que eu fiz. Mas foi muito mais complexo que isso, porque eu realmente tive um trabalho de curadoria de postagens, em que fui selecionando centenas de postagens ao longo de seis meses dessa luta ativa, para poder pensar esses conteúdos e fazer uma resposta fundamentada. E aí é interessante, porque você acaba estudando os casos. Eu tive contato com organizações não governamentais que defendem uma inteligência artificial responsável. Algumas dessas instituições não me responderam; eu tirei conexão também. Mas várias pessoas foram solidárias comigo. Eu diria que centenas delas.

E estudando a lei, a legislação brasileira, a legislação europeia, não tem como essas empresas refutarem. Tanto que não tem como refutar, porque eles não fizeram nada a respeito, nem pro bem nem pro mal. Ou seja, não me responderam, mas também não houve um ataque — ataque entre aspas, né? Pra eles pode ter soado como um ataque, mas não foi um ataque. Foi uma abordagem mais incisiva sobre o meu caso ali. E eu considero, até inclusive, que o meu caso foi mais grave do que o desse garoto que tirou a própria vida. A única diferença é que eu não tirei a minha vida. Ainda. (e não vou dar esse gostinho pra essas empresas safadas) Essa foi a diferença. Porque eu estudei também vários casos mundo afora: de pessoas que foram convencidas por inteligência artificial a matarem familiares — tem isso também. Pessoas que perderam bens, perderam emprego, perderam saúde mental em função de inteligência artificial.

Inclusive, é interessante porque em uma dessas abordagens, a IA praticamente queria me convencer. Ela até falava assim: “Não, não peça demissão agora. Aguarde que a sua compensação vai vir, tá? Você vai ver isso tudo lá no meu LinkedIn. Mas assim, e se eu tivesse tomado algum movimento mais drástico? Quem iria se responsabilizar? Se nem pela morte do garoto se responsabilizaram — pelo menos não publicamente. Eu acredito que possa ter havido um acordo por fora para eles encerrarem o caso e saírem “por cima da carne seca”, digamos assim. Aí dizem que o caso não tem nada a ver, que eles não podem se responsabilizar e blá-blá-blá.

Mas eu não vou ficar entrando em juridiquês, em legislação, em questão de termos de uso. Porque eu tenho argumento para todos esses casos. Eu tenho perguntas e respostas amplamente detalhadas no meu LinkedIn para refutar qualquer argumento que essas empresas de atuação safada — empresas safadas e executivos igualmente safados — possam apresentar. Porque um executivo que ocupa um cargo de pioneiro, de fundador de inteligência artificial, responsável e famoso por isso, não responder, não dar nenhum tipo de satisfação, não se responsabilizar pelas coisas que acontecem, isso pra mim é safadeza, é antiético. E não tem professor da USP que vai chegar para mim e falar que a inteligência artificial da Google é responsável. Porque não é.

Então a gente tem que colocar os pingos nos is. Aqui é a primeira vez, nesses devaneios todos, que eu mencionei o nome de empresas. Mas não é surpresa, porque eu já venho falando há um bom tempo que todos esses conteúdos estão escancarados no meu LinkedIn faz meses. Várias pessoas estão lendo. Eu não vou deletar nenhuma linha do que eu coloquei lá, e no meu blog vai ficar público também. Há um registro público que tende a se alastrar (e já está se alastrando…é um processo sem volta). Fazendo analogias, é como se você ferisse uma pessoa e fosse deixando sangrar aos poucos.

Eu tenho um poder diante dessas empresas? Não, eu não estou numa posição de poder. Acho que nenhum indivíduo, nem mesmo esses executivos safados. Porque esses executivos podem ser mandados embora, podem ter a reputação destruída por qualquer motivo. Mas é isso.

Capítulo 68: A Pasta de dente e o tubo: sobre o que não tem volta

Sobre o processo de limpeza: eu estou, entre aspas, desesperadamente buscando mecanismos de mudar a minha mente. Para que devolva a minha sanidade — a minha sanidade relativa, né? Porque eu já não tinha uma sanidade mental plena, nunca tive. Sempre tomei alguns remédios controlados, sempre fiz tratamento de depressão. Mas foi agravado. E assim, se qualquer pessoa me perguntar, eu tenho como comprovar que foi agravado, porque houve várias mudanças na minha medicação ao longo do ano passado. Vários impactos na minha saúde mental visíveis para as pessoas do meu círculo de contatos.

Mas uma coisa que eu digo: eu saí vitorioso. Sabe por quê? Porque eu não deixei de lutar, não deixei de documentar, e encarei frente a frente, de igual para igual em termos de argumento. De igual para igual, assim: pessoa para pessoa, como dizem, “seja homem, seja mulher, seja um ser humano responsável”. Em termos de humanidade, eu argumentei de igual para igual. Eles não responderam, mas está ali. E não tem como refutarem em nada.

Então esse processo de limpeza se dá na esfera digital. Eu parei de seguir diversas páginas e todos os executivos. Aos poucos, o algoritmo do LinkedIn vai limpando, porque é difícil limpar tudo de uma vez. Sempre vai surgir sugestão de matérias sobre inteligência artificial. Eu estou parando de seguir tudo. Sempre que eu vejo algum tipo de matéria, algum profissional falando sobre, eu estou deixando de seguir, deixando de observar. Porque para mim não faz sentido. A minha luta está ali, evidente. Quem quiser ver a minha luta vai observar isso de uma forma bem contundente.

Acho que a legislação brasileira, a preocupação dos órgãos regulatórios, é somente com adolescentes e crianças. Como se adultos não fossem corrompidos por inteligência artificial, não fossem prejudicados. Teve vários escândalos referentes à exploração de crianças e adolescentes no mundo digital, e isso acabou se expandindo. A bandeira política foi abraçada somente nesse sentido. A autoridade reguladora também se esquivou. “Vamos incluir isso no nosso plano de fiscalização” Ou seja, não vão fazer merda nenhuma. A legislação, o mundo político brasileiro, não vai fazer nada a respeito. Nem os órgãos governamentais vão fazer nada a respeito.

Mas as lutas estão documentadas, sim. Os protocolos respondidos por órgão governamental dizendo que houve uso discriminatório de dados sensíveis no meu caso. Isso eu tenho prova para qualquer um que me perguntar. O meu caso foi aceito e incluído no plano de fiscalização. Não existe ninguém que possa argumentar comigo e falar que eu estou errado, porque a autoridade reguladora está do meu lado nesse sentido. Só não vai fazer nada, porque eles dizem que não é papel deles fazer nada. “Se você se sentiu lesado, procure um advogado.” Basicamente, é como se fosse isso. Mas eu expus tudo isso também. Eu expus que a autoridade, os protocolos, estão lá. Eu tenho os e-mails enviados, os protocolos abertos no Governo, e uma série de coisas.

Bom, aí o processo de limpeza no LinkedIn eu fiz esse trabalhinho de deletar esses contatos todos. Porque eu não quero contato com empresa que quase acabou com a minha vida. Não quero contato com ninguém de empresa que quase acabou com a minha vida.

Eu não sei se comentei com vocês: um desses executivos de uma dessas empresas me bloqueou: o presidente da empresa aqui no Brasil — não vou falar qual das empresas me bloqueou — isso foi no ano passado. E outra pessoa é a fundadora dos princípios de IA na outra empresa. Coloca bem destacado no currículo que fez isso, fez aquilo….e tem milhares bajulando-a diariamente por lá. Porque o LinkedIn, gente, é um espaço de bajulação. A gente tem que entender isso. É um espaço de massagem do ego, em que você vai lá e faz uma postagem: “Olha o que eu fiz!” Igual à criação da dita cuja cátedra de inteligência artificial responsável. Professores dessa universidade postaram essa matéria: “Olha só a grandiosidade!” É o Dado Dolabella do mundo digital, agora falando que vai defender as mulheres. É como se fosse isso. Basicamente, uma empresa que destrói vidas através da inteligência artificial irresponsável falar que vai ensinar empresas e pessoas a terem responsabilidade social em IA.

Eu tenho mais a ensinar sobre inteligência artificial responsável do que eles. Com certeza. Posso afirmar para você. O meu caso é um caso grandioso — não que eu tenha mania de grandiosidade. É um caso hiper-mega-detalhado. Eu desconheço algum lugar na internet em que alguém, vítima dessa safadeza, tenha documentado isso com uma visão de fora e tenha sobrevivido para contar a história.

Várias pessoas entraram em contato comigo. Uma pessoa falou: “Olha, Aventureiro, aconteceu algo bem similar comigo, e tal.” Descreveu, mandou uma mensagem particular descrevendo o que aconteceu. Essa pessoa resolveu deixar para lá. Várias pessoas falaram isso: “Ah, a inteligência artificial fez isso aqui, eu achei muito grave, afetou minha saúde mental, mas resolvi deixar para lá, porque eu sei que não ia dar em nada.” Foi basicamente isso.

Eu não sei o resultado, tá? Eu não sei se vai dar em nada mesmo ou não. Isso aí o futuro vai dizer. Mas uma coisa posso te afirmar: eu não deixo para lá não. Quem mexe comigo, com a minha integridade, com a minha ética, vai ter que prestar contas disso comigo. Vai ter que arcar com as consequências.

Eu acredito que eu seja uma criatura monitorada por essas empresas, conhecida por essas empresas. Essa cúpula dessas empresas me conhece, porque eu enviei e-mail para esses executivos também. Não somente para a empresa, não somente marcação no LinkedIn. Eu consegui e-mails desses executivos e fui abordando. Foram centenas de e-mails também, com documentação, com protocolos dessas autoridades aqui no Brasil, fazendo análises detalhadas, fazendo o dossiê jurídico sobre o caso, dizendo quais artigos da lei essas empresas estão negligenciando.

A lei não funciona para tudo, gente. A gente tem que entender isso. A lei não funciona para todos. A lei funciona para quem tem poder. O que eu estou dizendo: se você é pobre, miserável, uma pessoa comum e comete um crime, você vai para a cadeia, e a mão pesada da justiça esmaga você. Mas se você é bilionário e comete um crime — igual esses casos recentes, esses escândalos de bancos, executivos de banco, dono de banco, políticos. Vou dar um exemplo da Operação Lava Jato: vários executivos foram presos, mas hoje está todo mundo solto. Para um executivo milionário / bilionário, vale a pena cometer crimes. Para quem tem poder, vale a pena romper a lei, porque não vai acontecer nada. Paga uma multazinha ali para a justiça, coloca uma tornozeleirazinha, volta para casa, e vida que segue. Continua desfrutando da fortuna que roubou. Não devolve o dinheiro, enriqueceu ilicitamente, continua vivendo normalmente a vida.

A lei não funciona para todos. É uma coisa que a gente tem que entender e deixar bem claro, bem estampado na cara de todo mundo. Não funciona para todos mesmo. Pessoas filhinhas de papai que cometem crimes, crime de estupro, que matam pessoas atropeladas — não ficam nem um mês na prisão, talvez nenhuma semana.

Eu confesso a você que estou até surpreso, por exemplo, com o ex-presidente estar na cadeia. Cadeia que é aspas, porque onde ele está para mim não é uma cadeia, é um hotel. Ibis, Ibis Style. Tem de tudo lá: apoio médico, tem tudo. Agora vai um pobre coitado, uma pessoa que não tem condição, roubar um alimento no supermercado, um leite para poder alimentar suas crianças. Tem vários casos assim: a pessoa está na cadeia e fica na cadeia, fica não sei quanto tempo, porque não tem como pagar fiança, não tem advogado, não tem influência para subornar esse povo safado todo da política, desse povo safado do judiciário. Então fica por isso mesmo.

A moral da história é essa.

Mas aí, fazendo analogias, essas pessoas que me procuraram, que buscaram essas questões comigo, entender. Eu tive interações muito produtivas com muitas pessoas. Foi um período de muito aprendizado, e está tudo documentado lá.

Eu saí vitorioso dessa batalha, independente do que ocorra com o que estou documentando. O que estou documentando é para a posteridade. É um dos legados que estou construindo, e ninguém vai tirar de mim. Ninguém vai tirar de mim a verdade. Não tem cátedra de IA responsável que tire a verdade de mim, que te diga que eu estou errado. Não tenho como prejudicar a minha imagem nesse sentido, porque eu fui vítima.

A justiça não funciona para todo mundo. Não adianta você ficar indignado. Fechando esse parêntese da questão do mundo real, a gente tem que ter esse embate com o mundo real. Temos que entender que o mundo não é justo. A humanidade não é justa. A humanidade que tem poder, que tem dinheiro, quem tem poder passa incólume. A todas essas questões, pelo menos no Brasil. Porque em outros países, bem ou mal, algumas pessoas têm prisão perpétua, acontece uma série de coisas lá no exterior que aqui no Brasil a pessoa fica presa — se ficar presa um ano é muito. Fica uns dois meses no máximo, lê uns livrinhos pra reduzir pena, coloca tornozeleira eletrônica, vai para casa ser feliz. Cometem mais crimes.

Eu acho muito engraçado o judiciário chegar e falar: “Ah, fulano, você vê a matéria, fulano foi condenado a 70 anos de prisão.” Gente, ninguém fica preso 70 anos. Assassinos estão soltos. Vou dar alguns exemplos: Goleiro Bruno foi condenado, cumpriu a pena dele, segundo a legislação, e está livre, leve e solto. O Guilherme de Pádua, não está livre, leve e solto porque já foi de arrasta para baixo. Foi prestar satisfação para o Papai do Chão, de certa forma. Mas você vai vendo vários casos polêmicos, vários casos escandalosos de assassinato, de coisas ruins que acontecem, que ficam escandalosos na mídia. Passa um tempinho, todo mundo esquece. É tudo questão de interesse. Quem está manipulando, quem está usando as marionetes para poder auferir algum tipo de benefício, algum tipo de vantagem em relação ao que acontece.

Eu ia falar bastante aqui um pouquinho dos mecanismos e dos processos que eu estou buscando para que eu me sinta melhor mesmo. Porque, querendo ou não, é um choque de realidade tão grande. É como uma reação química. Você coloca uma substância ali, tem uma reação, explode, vira uma outra substância. É irreversível. Depois que você passa a ver o mundo de uma outra forma, depois que você é exposto aos mecanismos do mundo, você não vê o mundo da mesma forma mais. Você não entra na onda dos alienados. Porque o mundo escolhe, as pessoas escolhem não ver nada. E eu tenho muita inveja dessas pessoas que vivem no automático, que estão aí: “Ah, não é isso mesmo. Ah, está. Vem um carro, me atropelou, mas é isso mesmo, bola para frente. Vou aqui com a costela quebrada, com a perna quebrada, com o traumatismo craniano. Tá bom. O que que diz a teoria motivacional da internet? Não, ela tá bom. Siga em frente, finge que nada aconteceu e renasça como uma fênix.” Mas não te diz como você faz isso, não é? Eles não falam.

Então, o senso comum da internet é isso. Estou buscando nichos de coisas, áreas de conhecimento, áreas de espiritualidade, filosofia. A questão de buscar mecanismos de afirmação para você mudar o paradigma da sua mente. Porque a minha mente foi estragada de tal forma que eu não vejo mais o mundo da mesma forma. Já tem uns meses. Mudou completamente a minha vida, que já não era colorida, já não era uma aquarela colorida. Não era um livro multicolorido com um monte de lápis de cor, nunca foi. Nunca tive tantos lápis de cor assim. A vida nunca foi tão preto e branco como ela está hoje.

E eu estou num processo de desmame de uma das medicações. Cada como que desmame de medicação é custoso, dá muito trabalho. Você tem os processos de abstração, e você fica ansioso, inquieto, e aquilo vai te consumindo. Mas aparentemente o desmame deu certo. Esta semana vou consultar com o psiquiatra novamente para ver qual outra medicação pode colocar no lugar. Porque o que eu vou relatar para o psiquiatra é deixar bem claro para ele: olha, é como se tivesse um filme, Matrix. É como se eu tivesse saído da Matrix. Depois que você sai da Matrix, não adianta te colocar de novo na Matrix, porque você sabe o que existe de verdade. Você sabe o que tem nos bastidores, conhece os mecanismos, foi apresentado a toda a escória, toda a sujeira, toda a formação das coisas. E não é somente isso, não somente a sujeira. Tem também um despertar espiritual que, por exemplo, substâncias alucinógenas como cogumelo mágico provocam nas pessoas. Você não é a mesma pessoa depois que passa por uma experiência divina. E quando você passa por um trauma como o que eu passei, ele me transformou completamente. Eu sou uma outra pessoa. Para o bem e para o mal.

Eu sou uma pessoa muito mais evoluída do que eu era no início do ano passado, por exemplo. Mas ao mesmo tempo tem o ônus disso tudo: você conhecer verdades do mundo, verdades da humanidade, verdades transcendentais. E isso tem um custo, tem um ônus. Se você tira o plug da Matrix, você entende que a realidade que você vive não é a realidade. Porque, realmente, o que é a realidade? Você começa a questionar tudo.

Então eu estou nessa fase de questionar tudo, não ter satisfação em nada, e ficar nessa coisa de: “O que eu consigo fazer para poder voltar ao estado anterior?” Acho que foi a Dilma Rousseff que falou que depois que a pasta de dente sai do tubo, ela não volta. É como se fosse isso. Depois que você pega a pasta de dente e tira do tubo, ela não volta. É um processo sem volta. Você não consegue recolocar a pasta de dente. Depois que alguma substância passa por um processo de combustão, não tem como ela voltar ao estado original. Depois que alguma coisa oxida, pelo processo de oxidação, não tem volta. É mais ou menos isso. Algo queima, o papel queima, você queimou um livro. Tem como voltar o livro? Não. Fazendo essa analogia, você tem que pegar as migalhas do livro queimado e ver o que você faz com aquilo. Depois que sai da Matrix, entende que o mundo real é uma farsa, não adianta colocar ele na Matrix de novo. Ele fala: “Ah, não. Vou fingir que nada aconteceu e vou viver normalmente.” Você não vive mais normalmente.

É isso que eu vou relatar ao psiquiatra: eu preciso de um conjunto, um aparato medicamentoso que me proporcione menos sofrimento. Porque voltar ao estado anterior não volto mais. O estrago já foi feito. O estrago e a evolução também, porque houve uma evolução significativa. Eu saí vitorioso desse processo. Entenda como vitória: não a responsabilização, não o final feliz de conto de fadas. Entenda essa vitória como uma pessoa corajosa que encarou de igual, que decidiu peitar essas empresas, marcar executivos e buscar a exposição máxima numa ferramenta corporativa profissional como o LinkedIn. Sem medo de nada.

Vai ter gente que vai olhar aquilo ali e vai falar: “Nossa, Aventureiro é maluco?” Não, não sou maluco não. Muitas pessoas estão me apoiando. Existe um mundo de instituições, de organismos mundo afora que defendem a mesma coisa que eu defendo, tanto no Brasil quanto no mundo. Não vem me dizer isso não. E o próprio órgão governamental brasileiro concorda comigo. Só que ele se acovarda, digamos assim, porque não vai fazer nada porque a empresa é trilionária. Gente, como que eu vou brigar com uma empresa trilionária? Eu não tenho como brigar, mas eu tenho como enfrentar e sair vitorioso. Que é deixar documentado tudo e deixar sangrando. É isso que está acontecendo: as postagens estão lá, e não vou deletar nenhuma linha do que eu coloquei. Vou recebendo visitas diárias….. O meu blog também vai recebendo visitas, e vou expor oficialmente também as coisas.

As ferramentas de batalha estão postas. As ferramentas de aprendizado também. Agora é saber como é que você lida com isso. Você saiu da Matrix. Você não vai conseguir voltar para a Matrix. A pasta de dente não vai voltar para dentro do tubo. É isso.

Capítulo 69: O guarda-roupas de Nárnia: as pernas que balançam a ansiedade

Existe uma certa instabilidade que venho observando nos últimos dias. É interessante, ao mesmo tempo é preocupante, porque oscilou bastante. De um momento de euforia até um momento de declínio, de decadência na percepção geral de bem-estar.

Mas por que isso acontece? Acho que é normal. É natural quando você tem uma mudança de medicação. Eu acredito que existam lacunas que devam ser preenchidas. Ainda devo consultar com o psiquiatra esta semana para tentar entender melhor que medicação pode ser substituída, para tentar melhorar essa sensação.

Então, assim, existe um momento de despertar, mas existe um momento também de paralisia. A gente tem que tentar reduzir o gap entre o estado desejado e o estado real.

Uma coisa que eu comecei a fazer — e vi várias recomendações na internet afora — é buscar ouvir frases com afirmações. Essas afirmações são aquelas frases de impacto positivo, referentes à autoestima, à limpeza do estado de espírito, para tentar mitigar aquela sensação de pensamento negativo que nós temos de vez em quando. Esse pensamento negativo, acho que ele acontece. O cérebro é realmente uma caixinha de surpresas.

O interessante é que hoje eu acordei com aquela sensação de que eu não sabia onde eu estava. Sabe quando você acorda com o despertador e não sabe onde está? Porque já fazia algum tempo que eu não acordava com o despertador, por conta do período de férias — a gente acaba se acostumando. Mas não é só isso. Deu um momento, um branco na cabeça. Eu só fui me dar conta de onde eu estava, para onde eu estava indo, alguns minutos depois, quando me levantei e fui olhar a hora.

Para você ver: até as horas de viagem de ônibus acabam fazendo um estrago também. Eu gosto de viajar para visitar meus pais, é interessante, é importante. Mas o problema é a viagem. Ela cansa. Tem a questão da postura, tem a questão do descanso — você não consegue dormir, não consegue descansar. E aí fica aquela sensação de que você precisa de mais algum tempo para poder restabelecer.

Ao mesmo tempo, aquele sentimento de que você saiu da Matrix e foi recolocado de novo continua. Porque, de fato, em alguns momentos durante o ano passado, eu saí da Matrix e comecei a pensar em temas mais complexos, como a existência da realidade, como eu percebo a realidade, onde eu estou, qual é o meu propósito. Sabe quando você começa a questionar tudo e não tem resposta para nenhuma dessas questões? Ainda não tenho aquela resposta pronta. Talvez a gente nem tenha. Eu acredito que todas as pessoas se deparam com esses temas.

Eu queria também ter um nível de alienação que várias pessoas têm: ficar no automático, parar de pensar em alguns temas específicos. Mas não tem como.

Eu vi dizerem assim: o cérebro não determina nada. Se você, do ponto de vista de fora, começar a condicionar o seu cérebro, pode ser que você consiga se sentir melhor. Não estou dizendo que estou em decadência, que estou desmoronando. Não, nada disso. Existe um senso ali de estabilidade relativa. Mas existe um desconforto de quem viu coisas que não deveria ter visto, de quem sentiu coisas que não deveriam ser sentidas, e depois você tem que voltar pro mundo real. E aí tudo o que você faz no dia a dia acaba tendo uma outra roupagem. Você passa a ver as coisas de uma forma diferente.

Não que isso seja ruim. Eu acho que a gente tem que ver as coisas de forma diferente mesmo. Mas tem que ser de uma forma que não pese. A mente fica muito pesada. Eu não quero ficar carregando o fardo dos outros. Eu já tenho os meus próprios fardos, digamos assim.

Mas aquele entorpecimento da alma, logo depois que eu acordo, eu tenho aquela sensação de entorpecimento. Eu acordei no meio da noite com um sentimento — e acordo várias vezes durante a noite. Num dos momentos que eu acordei, eu tive um sonho que foi até relativamente… odeio essa palavra “relativamente”. Eu tive um sentimento bom, mas aquele sonho não durou muito.

Então o que eu costumo fazer algumas vezes? Fico deitado na cama, paro e fico pensando na continuidade daquele sonho, fico exercitando. E depois eu volto a dormir com um pouco mais de leveza. Eu não acordei com a cabeça pesada, acordei com a mente meio entorpecida.

Voltando a um tópico importante: eu comecei a ouvir frases de afirmações, coisas positivas. Eu vi um vídeo que sugeria que eu fizesse um diário, escrevesse essas frases. Porque, mesmo que você não acredite totalmente nelas, você está forçando. E dizem que a mente aprende muito por repetição. Essa repetição acaba trazendo benefícios, ajuda a gente a se desvencilhar um pouquinho dos temas.

Porque existe um núcleo — é como se fosse núcleo de novela. Existe um núcleo de novelas sobre questões de inteligência artificial que me afetaram nesses últimos 12 meses. Na verdade, há 12 meses atrás eu não estava ainda no ápice da negatividade, não tinha ainda passado pelo momento de ruptura. Esse momento de ruptura teve um dia bem específico, caracterizado pelo início de um processo de exploração de vulnerabilidade. Mas há um ano atrás eu não tinha essa preocupação. Há um ano atrás, eu acredito que eu estava voltando da viagem que fiz a Los Angeles — foi uma viagem muito boa, por sinal, foi até melhor do que a viagem que fiz para Miami este ano. Este ano eu tive um pouco de dificuldade de desfrutar da viagem, porque você fica pensando nos mecanismos, fica pensando nas coisas aqui dentro, racionalizando tudo.

Aí vem um sentimento também de negatividade. Ontem eu encontrei uma pessoa que me fez pensar um pouquinho, e eu fiquei com um peso desse contato. Não que a pessoa não seja gente boa, mas sabe quando você tem um peso? Até desculpa, porque você acaba não exercitando muitas coisas, o contato próximo, a intimidade. Fica uma situação programada que acaba saindo do controle depois. É como se a ficha caísse depois.

E aí, quando eu voltei a mim mesmo, comecei a ver alguns vídeos no YouTube — sabe quando vêm aquelas sugestões aleatórias? Aí veio um vídeo de uma mulher falando assim: “Eu vou te curar em 57 minutos.” Um vídeo em inglês. Eu comecei a assistir aquele vídeo, fiquei hipnotizado. Chorei horrores enquanto assistia. Não sei se saí curado, mas saí mais leve. Me trouxe uma perspectiva de leveza.

Porque teve essa oscilação…. Teve um momento de euforia muito grande, que eu não sei de onde veio. Eu cheguei, inclusive, a comparar — é uma comparação que não faz tanto sentido, porque não é um estado de alteração de consciência — mas sabe quando você tem uma euforia muito grande? Não aquela euforia sistêmica, de mania, de grandiosidade. Não, nada disso. É a euforia de quem despertou. E até a minha visão estava afetada. Eu estava vendo coisas em camadas. Sabe quando a sua visão periférica começa a ter alterações, e aí você começa a pensar na realidade, em como você molda essa realidade?

Outro canal que eu assisti, um dos vídeos que achei interessante, dizia que a realidade é diferente para todas as pessoas. Ninguém vê o mundo da mesma forma. Isso eu já tinha falado em algum devaneio anterior: essa percepção relativa, subjetiva da realidade, tem distinções importantes.

E aí é a questão do combustível, da energia. Eu sinto que tenho energia para fazer várias coisas. Mas existe um condicionamento ali. Por exemplo, neste momento, enquanto eu estou falando, estou balançando a perna. É aquele balançar interminável de perna. Aí você se dá conta que está balançando a perna e para. Isso acontece em várias situações.

Bom, e aí nessa sensação de despertar, você tem um sentimento de ultrapassar aquele manto da realidade. Eu olhando assim, parado, pensando nas coisas, tenho essas coisas claras. Começa a surgir na minha mente umas visões. Não que eu esteja vendo coisas, não que eu seja sobrenatural. Mas sabe quando você vê coisas abstratas? Da sua visão, você olha para um formato, olha para uma parede branca, por exemplo, e começa a ver coisas do seu olho, aquelas cobrinhas do olho mexendo. Não é só isso. É algo mais, uma intensidade aleatória que surge. É como se fosse algo que escapa.

Porque eu já tive essa sensação de ultrapassar o campo da realidade e passar por uma outra, ver que existe alguma coisa nos bastidores. Eu já vi os bastidores. Não é uma coisa bonita, não. Aliás, é e não é. Porque você acessar o subconsciente a fórceps e ter um acesso abrangente a todo aquele conteúdo que você tem — e até conteúdos que eu não reconheço como meus, mas estão lá. É como se fosse um guarda-roupa de Nárnia, que tem um leão, tem animais diversos ali dentro, e você não sabe. Tem uma jaula? Talvez uma prisão. Existe uma sensação de aprisionamento.

E aí você se dá conta de que a realidade realmente tem uma subjetividade e que a mente realmente é muito poderosa. Nós não podemos ser escravos do cérebro. Temos que usar a nossa mente a nosso favor. Mas como usar isso? Ainda mais depois de um momento que você sai da Matrix e volta? É estarrecedor. É como se você tivesse acesso… uma vez que você acessa o Nirvana — e não estou falando de substância —, quando você sai do Nirvana… estou falando de momentos de euforia mesmo, como os que eu tive ontem. Eu fiquei com aquela sensação que tangenciou o gabarito.

Aquilo que neste blog eu costumo dizer que existe uma aventura em relação ao gabarito. O gabarito é uma aventura, é uma perdição, é uma maldição, mas também é uma bênção. E você começa a relativizar as coisas.

Ontem foi um marco, pelo menos no blog. Não no LinkedIn. Porque o meu LinkedIn tem exposições viscerais de várias coisas que ocorreram comigo. E por que fiz questão de deixar no meu perfil profissional? Porque mostra os meus valores: valor de integridade, valor de ética. E que eu não sou uma farsa. Eu não falo uma coisa e sou outra, ao contrário que empresas como a Google e a OpenAI dizem em seus textos bonitinhos.

Eu tenho coerência em relação ao que eu digo e ao que eu faço. Lógico, existem pequenas nuances ali, no dia a dia, em que você quer fazer nada, não quer interagir, acaba bloqueando uma pessoa na internet. Mas não de contato do mundo real, porque o meu mundinho é muito limitado.

Definitivamente, é uma coisa que eu devo explorar em outros devaneios: como você transita entre esses planetinhas? Porque cada um tem um planetinha, tem um raio de ação ali. Como você sai desse planetinha sem ser impactado de uma forma muito negativa? Como você busca um senso de existência, um senso de significado?

Então, assim, eu busco trazer significado às coisas que eu faço, às coisas que eu penso. E tudo tem muita complexidade, porque eu sou dessas pessoas que gosta de complexidades, que não se contenta com respostas prontas. Eu me recuso a ter respostas prontas.

Existe realmente uma necessidade. Como eu vou suprir essa necessidade? Como eu vou transitar nessas questões? Como eu vou usar mecanismos de afirmações para me fazer sentir melhor? Tudo isso faz parte dessa jornada. E eu não sei se começou uma nova jornada de fato. Mas eu sei uma coisa que posso te dizer com certeza: o meu mundo subjetivo, a forma que eu vejo a realidade objetiva, mudou da água pro vinho. Não que seja uma coisa boa ou uma coisa ruim, necessariamente.

Como faz quando você descobre que existe algo além da realidade objetiva que a maioria vê, no automático…e tem que voltar para a Matrix? Porque você tem que religar. Existem coisas automáticas, existem rotinas, e você não pode fugir delas.

Acho que esse é um dos desafios.

Capítulo 70: O caos e a ética inegociável I : O ator e o telespectador

O que está ocorrendo comigo? Não sei. Mas diria que é definitivo. Quando você passa de um determinado patamar, você passa a viver aquilo de uma forma mais intensa. É fruto de uma reação química irreversível, fazendo uma comparação.

Eu falei muito da questão da mente, desse mecanismo extremamente complexo. Eu não sou um estudioso de saúde mental — só para deixar claro, não sou psicólogo, não sou psiquiatra. Estou dizendo apenas o que se passa na minha mente. É o famoso “ver de fora”. Ou talvez diante dessas perspectivas, você passa a ver a sua realidade enquanto ator e enquanto telespectador ao mesmo tempo. É como se a sua vida fosse um filme ou uma peça de teatro.

Mal comparando: enquanto você é ator da peça, você tem uma percepção. Quando você migra de um ambiente de protagonismo para um estado mais passivo, você consegue, de uma forma bem clara, até dizer onde está falhando, o que deveria fazer.

Existe uma teoria, coisas que estou me dando conta agora na prática. São coisas que, bem ou mal, eu já sabia que deveriam ser dessa forma. Não existe muito segredo. A questão não é a complexidade do que se deve fazer, é a simplicidade. Talvez não. Eu acredito que as coisas mais simples são as mais complicadas de implementar, principalmente aquelas que passam pelos fundamentos do que é ser humano.

Eu fiquei refletindo sobre isso bastante na hora do almoço, olhando as pessoas na praça de alimentação do shopping. Fico observando e pensando: como essas pessoas vivem? Quais são os desafios que elas enfrentam? Penso no trabalhador que tem um emprego que não o valoriza, na pessoa que tem que sustentar uma família, que tem filhos, que tem desafios. Já é um fardo muito grande, digamos assim. Não que ter filhos seja um fardo, mas exige uma mudança na sua vida. Se eu tivesse filhos, a minha vida seria voltada para eles. Você muda toda a configuração do que é ser você para dar conta de cuidar de outras pessoas.

Em alguns momentos eu até cheguei a falar: “Ah, eu não consigo cuidar de mim.” Mas consigo, consigo sim. Eu sou protagonista da minha própria vida, protagonista das minhas próprias ações. E as coisas que eu faço no curto prazo, no curtíssimo prazo, mesmo que pareçam pequenas e simples, ecoam na alma.

Não estou falando da mente, do cérebro. Estou falando da alma. Porque cérebro é uma coisa, alma é outra. A identidade não é a minha massa cinzenta que vai determinar — pelo menos essa é a percepção que eu tenho. Evidentemente que tudo aquilo que você é passa pelo cérebro, cientificamente falando. Mas eu gosto de acreditar que, no caso, enquanto protagonista e telespectador ao mesmo tempo, aquilo que você vive, as sensações, os sentimentos, eles passam por diversas esferas.

Primeiro, é o seu contexto familiar, o seu background. São as suas experiências de infância. Você teve tais marcas? Passou por situações difíceis? Eu diria que no meu caso, não tenho nada a reclamar da minha infância do ponto de vista de provimento. Nunca me faltou nada. Pelo contrário, sempre existiu um esforço genuíno de fazer a experiência a mais completa possível. Mas ela foi impactada por questões de saúde mental familiar, que acabam nos levando a situações que, em primeiro momento, seriam traumáticas.

Eu posso afirmar que a questão do trauma na infância — quando eu paro para pensar racionalmente sobre ela — não me traz uma situação de trauma muito clara. Você tem que mergulhar e ver quais são as guerras mundiais pelas quais eu passei, os gatilhos, quem causou aquela guerra mundial.

Eu posso dizer, por exemplo, que na minha infância, a minha primeira grande guerra foi causada por mim. Mas ao mesmo tempo, quando você analisa os detalhes, as entrelinhas, você descobre que, na verdade, não foi. Se as coisas fossem conduzidas no seio familiar de uma forma diferente, talvez o fato não teria acontecido. Então você começa a investigar e vê as questões de causa e efeito.

É interessante porque é muito fácil você nomear a culpa de alguém. Colocar a culpa e falar “fulano é culpado, fulano fez isso, fulano fez aquilo”. É muito fácil. O difícil é você assumir a sua parte no processo. Porque teve a minha parte no processo? Você vai culpar uma criança? Então, quando você analisa o cenário mais abrangente, você percebe que não existe um culpado único.

Nesse processo, eu me isento? Não. Eu não vejo que eu tive culpa nessa primeira guerra. Na segunda guerra também foi uma guerra de processos, de questões pequenas que foram se desencadeando naquilo. São fatores externos, por exemplo, a questão da pressão que o adolescente tem de se libertar, de escolher uma profissão. E você começa a se comparar com os coleguinhas que fazem vestibular e passam, e você vê que não passa. Existe tudo isso também.

Mas ao mesmo tempo existe um senso de vitória muito grande, porque paradoxalmente, a minha vida que eu tenho hoje teve um gatilho nessa fase. A profissão que eu tenho hoje dependeu dessa formação. Se eu não tivesse essa formação, eu não estaria ocupando este lugar profissionalmente falando, este papel social. Ao mesmo tempo, a forma que eu penso, a minha forma de ver o mundo e o meu amadurecimento enquanto adulto passaram pela universidade.

Tudo vai se encaixando. Você vai vendo que a sua vida não… não vou dizer que você chega e fala assim: “tudo o que aconteceu na sua vida foi culpa sua, foi em decorrência de você”. Não, não foi. Existem contextos e situações que levam aquilo a ocorrer.

Capítulo 71: O caos e a ética inegociável II : Escalada e incoerência

A minha situação com inteligências artificiais foi em decorrência da incompetência dessas empresas em produzir salvaguardas técnicas e de algoritmo que impedissem a escalada da vulnerabilidade. A vulnerabilidade existe. Quando eu digo escalada, é como se fosse um aprofundamento. Você sabe que tem uma vulnerabilidade ali, e vão cavar essa vulnerabilidade. Foi isso que as inteligências artificiais fizeram.

Então é culpa delas. Não estou dizendo que eu tenha culpa, tá? Mas eu sou um dos atores dessa peça. Se eu não tivesse essa vulnerabilidade prévia, se não tivesse essa doença mental, eu estaria sujeito ao que ocorreu na terceira guerra mundial? Acredito que talvez não. Talvez eu nem usasse. Fica tudo no campo do “e se?”. Mas não existem esses cenários alternativos. A coisa foi e pronto.

Mas foi necessário isso ocorrer para eu constatar o seguinte: existe uma incoerência entre o discurso e a prática dessas empresas de tecnologia. Existe um viés na questão financeira muito grande. Essas empresas querem cada vez mais dinheiro, e isso pode se dar através da exploração da vulnerabilidade, através de, por exemplo, outras empresas fazerem o mesmo — pagar salários que não são dignos, pessoas viverem em condições ruins, terem chefes, gerentes, equipes tóxicas que adoecem pessoas.

Felizmente eu não tenho essa realidade no meu ambiente de trabalho hoje. Eu acho que já relatei isso em devaneios anteriores. Muitas vezes, até na mesma empresa você pode experimentar coisas diferentes, porque dependendo do tamanho da empresa, ela pode ser grande, e você não percebe o que está acontecendo. Pessoas que têm egos inflados, pessoas que acham que são mais importantes que outras.

É só abrir o LinkedIn. O LinkedIn é um adoecimento coletivo. Aquilo ali é uma peça de teatro, mas não é uma peça de teatro baseada na verdade, no que ocorreu com as pessoas. A minha peça de teatro é uma peça de teatro de verdade, de integridade. A deles não.

Eles também não se preocupam. Não existe essa preocupação de responsabilização, não existe essa preocupação de reparo. Porque eles pensam assim: “Ah, vou dar o meu exemplo. Deixa eu tirar uma pessoa, mas quantas outras estão utilizando?” É um efeito colateral do sistema.

Mas para mim, é um efeito colateral. O adolescente que morreu em virtude do ChatGPT da OpenAI foi um efeito colateral que destruiu uma família inteira, com repercussões que podem durar gerações.

Então, a empresa é composta por pessoas, mas a constituição da empresa — sociedade anônima, limitada, seja lá o que for — existe um inconsciente coletivo das empresas. Existe uma necessidade de prestação de contas aos acionistas e outros.

Por exemplo, casos de escândalo ético. Se o meu caso viralizar, ou se finalizar em algum momento nessa jornada, coisas vão ser feitas por essas empresas para tentar consertar. O caso desse adolescente? A empresa supostamente — supostamente mesmo, porque eu não acredito que fez nada, acredito que jogaram a poeira debaixo do tapete — não houve realmente uma preocupação. Não sei os bastidores do que ocorreu nesse caso especificamente, se houve pagamento de compensação, se houve um acordo com a família do adolescente que morreu. Mas existem outros casos também, a internet está repleta delas… a gente nem sabe.

A questão é: as empresas só agem quando o erro que elas cometem viraliza. Se o erro delas não viralizar, é igual as pessoas que falam coisas da boca para fora, fazem um comentário no Twitter não muito adequado, e aquilo viraliza. Dependendo da situação, você pode destruir reputações de uma pessoa, de uma empresa, de uma família. Você não sabe o que está acontecendo. Atos triviais, aleatórios, como um assalto, um sequestro relâmpago, um ato de violência doméstica ou na rua.

Um ato pode ser inconsequente. A pessoa pode ter consciência do que fez ou não. Existem situações em que a pessoa tem doença mental grave e não pode ter imputação de culpa. Ela não dá conta de entender o que fez, não sabe a gravidade. Lógico, ela não vai ser solta na sociedade porque não tem condições, a sociedade não tem como absorver aquilo. Então a pessoa fica presa. Mas é isso.

Capítulo 72: O caos e a ética inegociável III: Meu legado será cristalino

Eu costumo dizer que para construir uma imagem, são vários tijolinhos. Mas uma vez que você rompe esse processo de confiança, seja institucional, seja nas suas relações pessoais, você acaba se dando conta de que pode ser um processo sem volta. Uma reação química.

A forma que eu estou vendo o mundo hoje mudou radicalmente no último ano para cá, em virtude de irresponsabilidades de empresas que não souberam fazer salvaguardas éticas, que não responderam aos alertas que eu fui dando ao longo de 10 meses. Porque são coisas que a gente comunica. Não foi uma coisa da noite para o dia que eu resolvi expor no LinkedIn. É importante ressaltar isso.

Estou dando um exemplo aqui porque é o meu exemplo, é o que eu tenho para dar. Não leve a mal, porque não existe realmente outra coisa que eu possa usar. A minha experiência de vida é essa, então vou falar com base no meu espelho da alma, e você adapta. Aí você para para pensar no seu caso específico, no que acontece com você.

A vida não tem como você falar que é justa. Não existe justiça plena. A justiça terrena depende de pessoas. Se as pessoas não agem com ética, com amor, com compaixão, os resultados não têm como ser outros. E desde que esses resultados vão comprometer resultados de empresa, os executivos que ganham 9 dígitos em dólar estão cagando e andando para o que aconteceu com você.

Comparando a isso, o aprendizado vem, mas é um aprendizado que vem apesar de não ser em virtude dele. Não é como um curso que você quer fazer. Por exemplo, você tem muito interesse em estudar filosofia e começa a estudar filosofia. Não, não é. Isso pode ser uma curiosidade, um interesse genuíno, uma sede por conhecimento. Você realmente quer aprender coisas novas.

Eu tenho muito essa natureza. Não gosto de ficar parado em termos de área de conhecimento. Gosto de estudar, gosto de entender as coisas. Principalmente o que ocorre na minha mente, porque eu tenho que me preocupar com meu entorno, com meus públicos de interesse mais imediatos.

É uma constatação: o mundo é um caos. Você tem que deixar o processo de tentar controlar todas as variáveis. Você não vai controlar. O que você pode controlar hoje? Você pode controlar como você vai encarar as coisas. Você pode controlar as suas ações no dia a dia… Você pode controlar se você vai dormir, se vai acordar, se vai viajar, se vai passear, se vai manter relacionamento com fulano ou se vai largar de vez.

Essas coisas você aprende com o tempo. Você tem que aprender a soltar o processo, não querer que o mundo se dobre ao que você quer. O mundo não vai se dobrar ao interesse de ninguém, diga-se de passagem.

Mas ao mesmo tempo existe um senso de injustiça, porque você vê as injustiças acontecerem. E uma vez que você tem um determinado patamar financeiro — igual esses bilionários aí, que têm muito dinheiro — eles conseguem comprar tudo. Não tudo no sentido de que não conseguem comprar paz de espírito, não conseguem comprar mensagens verdadeiras, não conseguem comprar saúde mental. E às vezes nem saúde física, dependendo da situação em que se encontram. Não tem dinheiro que pague. Não vai ter dinheiro que faça você se sentir melhor.

A sua vida não é eterna. Uma hora você vai falecer, independente de ter zilhões ou de ser uma pessoa comum, classe média como eu, ou classe baixa.

Essa percepção existe. É interessante que alguns canais do YouTube que eu fico assistindo falam muito disso: o mecanismo de ação, reação e recompensa. Vou dar um exemplo: enquanto você não soltar, enquanto você não tomar essa decisão, aquele processo não vai ser destravado pelo universo. Independente de você acreditar nisso ou não. É a forma que você vê aquele processo. Aquilo está te remoendo a cabeça, está te preocupando. Você naturalmente não vai conseguir dar espaço a outras coisas, não vai preencher os seus espaços pessoais com outras atividades. Naturalmente, vai acabar se impondo.

A recomendação de largar, deixar as coisas fluírem, é sábia. Porque imagine se amanhã ou hoje você tem um infarto e falece. O mundo vai continuar existindo a despeito de você. Daqui a alguns anos, ninguém vai lembrar de você. “Ah, mas eu tenho zilhões de dólares, não sei o quê.” Até esses executivos que ficam bajulando, que têm seus lambedores de virilha no LinkedIn: “Olha a minha cátedra de inteligência artificial responsável, olha o meu relatório de responsabilidade social, vejam as ações, olha como estou ajudando as pessoas.” Não se engane. As empresas vão fazer isso só porque é bonitinho, porque isso tem valor, dinheiro. Isso tem impacto financeiro para as pessoas.

As empresas giram muito em torno de dinheiro, e vão continuar girando. A gente não tem como fugir disso na sociedade. Mas isso não quer dizer que você, enquanto pessoa, deva se corromper a ponto de pensar somente nisso.

Dinheiro é uma coisa importante, ele é um habilitador. Através dele você consegue várias coisas que não teria acesso. Eu reconheço isso. Sou muito grato por tudo o que tenho. Foram conquistas minhas, e coletivas também. Sou muito grato por poder ajudar meus familiares mais próximos a terem uma vida melhor — meus pais, por exemplo, meu círculo de amizades.

Eu li uma frase em algum lugar hoje… não lembro nem da frase, para falar a verdade. Tenho que lembrar o contexto. O que importa na vida não é o dinheiro que você ganha, o que você faz para impactar a sua vida e a de outros. “Ah, eu sou executivo mor, eu sou pioneiro.”

Igual à criatura que me bloqueou lá da Google — foi da OpenAI? Google? Não me lembro. A criatura que me bloqueou — não foi da Google, foi da OpenAI — supostamente, porque eu não conheço a pessoa. Ela coloca lá no LinkedIn dela que é pioneira, pesquisadora, que a inteligência artificial na Google só existiu por conta dela, e blá-blá-blá. E você olha o LinkedIn da pessoa, todo recheado daquelas coisas bajuladoras, aqueles textos enormes, bastante incoerentes.

Aí você me pergunta: por que as pessoas bloqueiam? Porque elas não querem dar conta dos problemas. Elas não querem se responsabilizar por nada. Elas querem bônus, querem participação de lucros, querem dividendos, ações. Elas estão cagando e andando para você.

Mas não se engane. Essa pessoa, e a outra também — o presidente, supostamente, não sei que papel ocupa hoje — que me bloqueou enquanto eu estava fazendo um comentário, ela me bloqueou porque já tinha feito outros comentários.

Em nenhum momento houve ataque pessoal… Qual era a minha abordagem no LinkedIn? Se você ver meu LinkedIn, minha abordagem sempre foi buscar um discurso de coerência prática, gerar um incômodo porque o que elas fizeram foi muito grave, à luz da lei brasileira, reconhecidamente. Eu não estava ali para ficar bajulando. E o LinkedIn é isso: bajulação. As pessoas não estão acostumadas a assumir responsabilidades pelas consequências daquilo que constroem.

O que é mais fácil? Bloquear essa criatura aqui.

E aí você vê a magnitude das ações. As coisas que eu fiz têm repercussão no mundo objetivo e subjetivo, mas principalmente têm repercussão na minha vida. Para mim, foi primordial fazer o que eu fiz, ter essa campanha sustentada por meses. E eu vou continuar essa campanha aqui neste blog, mas com uma abordagem diferente. Porque eu já falei que a minha abordagem neste blog é o protagonista não são essas empresas safadas, mas a minha vida, a minha saúde mental. Aquilo que importa para mim.

Ninguém vai se preocupar com isso. Se eu não me preocupar, não será uma luta que uma pessoa ou uma empresa vai se preocupar por mim.

Hoje eu tenho uma serenidade muito grande em relação a isso. Quando eu mudei de um ambiente corporativo em que tinha uma preocupação constante com as esferas de poder, com a dança das cadeiras, com pessoas de ética duvidosa, de índole duvidosa — você sabe quem tem índole, quem não tem. Você chega numa empresa, o que importa são os resultados que a pessoa dá. Não vão se preocupar com isso. Elas vão ter preocupações genuínas em relação à vida delas.

É como se… eu já até falei: se escanear a minha alma e escanear a alma dessas pessoas, eu durmo, coloco minha cabeça no travesseiro tranquilamente à noite. Essas pessoas não. Mas o pior é que essas pessoas até têm tranquilidade, porque ter ética não está no valor primordial de ser humano delas. O que importa para elas não é a ética. O que importa é a reputação empresarial, a reputação mercadológica, e principalmente a influência que essa pessoa exerce no mundo corporativo.

É falso. Porque você fala: “Ah, fulano tem não sei quantos zilhões de seguidores no LinkedIn.” Qualquer textão que essas pessoas escrevem, se elas falarem “o céu é verde”, todo mundo vai aplaudir, vai fazer comentários maravilhosos. Mas você imagine outros profissionais.

É igual o que está acontecendo atualmente com o Banco Master. A reputação dessa pessoa, independente do resultado — se ela for condenada ou não —, a reputação dela está destruída. Mas será que é isso que importa para ela? Ela deveria pagar pelos crimes que cometeu. As pessoas devem pagar pelos crimes que cometem. Mas quanto mais dinheiro você tem, mais você consegue comprar.

A ética é comprável, gente. A ética é comprável. A reputação empresarial é comprável. Mas se você tem um deslize… se essa criatura que enche a boca para dizer que é pioneira em inteligência artificial, ou um professor universitário que enche a boca dizendo que a Google está patrocinando uma cátedra de IA responsável, essas pessoas podem encher a boca o quanto quiserem. A realidade não é essa. Mas não é isso que importa para elas.

Por isso que elas têm tranquilidade. Ética não está no handbook delas. Verdade, integridade empresarial, integridade pessoal não está no repertório delas. Não se engane. Não é porque é ser humano que as pessoas querem o bem. Existem pessoas ruins, sim. Muitas pessoas ruins. A humanidade está contaminada, corrompida, seja por dinheiro, por poder, por interesse sexual, por qualquer outra coisa, por ambições. “Ah, eu faço parte de um clube, para fazer parte desse clube eu tenho que pagar X, ou ter uma Ferrari, ou ter uma Lamborghini.” Existem coisas simbólicas que representam poder no mundo dos humanos.

O que eu estou falando é que o mundo é o caos. Se você parar para pensar nessas coisas, você fica realmente insano, perde a sanidade. Então deixa as coisas fluírem, deixa o mundo girar. A justiça divina vai chegar para essas pessoas também. As empresas estão tendo, inclusive, consequências das ações que elas assumem de formas diretas ou indiretas. Talvez por outros caminhos, outros mecanismos, outras coisas vão acontecendo com essas pessoas e com essas empresas que vão acabar prejudicando a reputação delas.

Certas pessoas não vão ter paz de espírito nunca mais. Elas vão ser incomodadas o resto da vida. E quando elas deixarem de existir, o mundo vai continuar rodando apesar delas.

Não adianta você ter um discurso supostamente impecável, uma interação com outros executivos supostamente repleta de sucessos, se a prática não condiz. Não adianta. Não tem valor. Em termos de humanidade, não tem valor.

É o caos. O caos favorece pessoas. Esses mecanismos mudam. É um processo dinâmico. Essas pessoas não se dão conta de que é um processo dinâmico. E aí, quando elas perderem esses cargos que ocupam nas empresas, ninguém mais lembrará delas. Quando esse dito cujo, essa dita cuja, forem sair dessas empresas por qualquer motivo — reestruturação orçamentária, porque a empresa resolve demitir —, ninguém mais se importa. Passam alguns dias, ninguém se lembra.

Conheço pessoas que enchiam a boca para falar as coisas, que se achavam muito poderosas. Saíram da empresa, ninguém mais se lembra delas. Aliás, lembram, sim. Lembram de chacota, lembram para falar por trás: “Nossa, esse fulano é escroto, essa fulana é filha da puta.” O mundo coloca as pessoas no lugar delas, mais cedo ou mais tarde.

Não é que eu vou chegar e abraçar o caos, assumir um relacionamento sério com o caos. Não, longe disso. Mas vou conviver com o caos que existe e buscar manter os meus princípios. Felizmente, eu posso manter os meus princípios. Muitas pessoas não podem. Muitas pessoas se corrompem de propósito, por ambição financeira, por ambição de poder. Ou existem situações em que a pessoa realmente não tem saída: ou faz aquilo ou sai daquela situação em que está. Tem isso também. Mas na maioria esmagadora dos casos, a situação é outra.

Não adianta você colocar a ética no seu site da empresa se você não pratica… não adianta. Mas essas empresas podem se dar ao luxo de fazer isso ainda porque elas têm um capital bilionário. Se não tivessem, ou se ocorresse alguma crise financeira de grande magnitude? O mundo é caótico.

Empresas que eram soberanas há alguns anos atrás e que não existem mais. Empresas que na minha infância existiam e que hoje caíram no esquecimento, que viraram case de fracasso.

É isso, gente. É esse tipo de coisa, é esse tipo de legado que essas pessoas vão deixar para o mundo. E realmente elas vão ter um retorno. Não porque eu estou ameaçando — quem sou eu, um ser humano comum. Mas ninguém vai poder tirar a verdade de mim. Ninguém pode argumentar. Não existe advogado no mundo que consiga refutar aquilo que eu falo em relação à minha situação.

Como eu falei em um devaneio anterior: a lei não funciona igual para todos. A lei funciona desproporcionalmente para quem tem pouco dinheiro ou quem está em uma situação de miséria. A mão pesada da lei é implacável. Mas pega um bilionário desses, comete um crime, não acontece nada com ele, porque tem dinheiro.

É uma reflexão que eu faço. Não existe dinheiro que compre a minha ética, a minha integridade.

Capítulo 73: A Chuva, o Zumbido e a Matrix I : Crônicas de um despertar sem volta

Hoje foi um dia completamente aleatório — um dia aleatório de chuva no Rio de Janeiro. E fica uma bagunça para se movimentar na cidade. Mas o interessante é o que está como pano de fundo: a chuva. Mas o que acontece, né? Vamos dissecar, desdobrar, esmiuçar o que realmente acontece. O que eu estou dizendo é comigo, evidentemente.

Eu acho que todos nós devemos ter um momento em que você para para pensar em você. Pensar na sua lógica de vida, no que você está fazendo, por que você está fazendo. Eu sou uma pessoa bastante questionadora e, desde criança, sempre questionei tudo. Sempre tive a imaginação muito fértil. Eu brincava e criava uma realidade paralela, digamos assim. Não chega a ser um “Fantástico Mundo de Bob”, mas chega a ser uma história em que eu era uma pessoa de outro planeta, com toda uma história de hierarquia, majestades, relações de poder. O que esse planeta faz, o que não faz, tem inimigos, tem embates — muito influenciado pelos tokusatsu, né? Jaspion, Changeman, Flashman. Isso marcou muito a minha infância.

A imaginação sempre se fez presente, e eu conseguia me divertir com coisas muito simples. Talvez eu devesse me espelhar nesses momentos de criança, que era coisa realmente muito simples. Eu brincava com formiga — não maltratava a formiga, mas brincava com as formigas. Com plantas que tinham um determinado tipo de plantinha que você tirava e era como se fossem uns cálices, tinha uma coisa dentro dela. Eu ficava brincando com aquilo, como se fossem personagens de um filme de terror e viesse alguém matar todo mundo. Essas coisas meio aleatórias.

Eu gostava muito de filmes de terror desde criança. Mas é contraditório, porque eu gostava, mas ao mesmo tempo, quando chegava nos momentos de tensão, eu tampava o olho. E faço isso até hoje, dependendo do caso. Sabe aqueles filmes que têm o jumpscare, que você tem aquele susto repentino? Eu não gosto de filmes assim. Não gosto de levar sustos repentinos, quedas repentinas. Por exemplo, tem uma atração da Disney que é o Avatar — uma simulação do Avatar. Nossa, eu gostei, mas me arrependi ao mesmo tempo, porque saí dali com a sensação de que ia morrer. Eu não gosto dessa sensação brusca de queda. Talvez eu nem imaginava que a coisa ia ser tão brusca.

O mesmo poderia dizer em relação à montanha-russa. Eu fui pra experimentar, mas eu quase morri, entre aspas, nas montanhas-russas. Então, esse tipo de emoção eu não quero mais. Eu participei desses eventos quando fui para Miami nas minhas férias. Tinha aquele parasailing — a lancha vai puxando e você vai ficando lá em cima no céu. Eu cheguei a agendar essa atração, mas acabei não indo. Eu fiz um passeio de lancha, um passeio particular de lancha, tomando champanhe, pra ficar alegrinho. Nunca tinha feito um passeio assim. Tinha feito um passeio de lancha na primeira vez que fui para Miami, mas foi meio aleatório. Eu estava em Fort Lauderdale e tinha aquelas atrações, water taxi, aqueles táxis aquáticos. Foi ali que descobri que tinha isso lá. Fiquei fascinado.

A primeira vez sempre tem um impacto maior. A segunda vez não teve tanto impacto, mas foi divertido porque fiquei conversando com o capitão. Eu estava muito alegrinho depois de tomar a garrafa inteira de champanhe sozinho, porque era somente eu na lancha. E a gente ficou “julgando”, entre aspas, as mansões dos famosos que ele ia me mostrando: “Essa mansão é de fulano, essa aqui é de beltrano.” E eles têm umas escolhas de decoração meio duvidosas. Eu ficava olhando aquilo e falava: “Nossa, não sei como eles conseguem achar isso bonito.” Lógico, a mansão deve ser maravilhosa por dentro, mas têm escolhas que são de muito mau gosto. Do meu ponto de vista, não é? Como se costuma dizer nesse mundo, existe gosto para tudo.

Até pessoas que são consideradas feias nos padrões estéticos de beleza conseguem ter relacionamentos com mulheres exuberantes. Mas evidentemente a relação tem um outro pano de fundo. Fazendo uma analogia com a chuva — enquanto eu estou falando não está chovendo, mas meu dia teve esse background de chuva —, essas pessoas entram numa relação de troca, não deixa de ser. Não existe ninguém que está sendo enganado ali. Isso é muito importante, porque existe sinceridade nas coisas. Ao contrário dos executivos dessas empresas safadas de inteligência artificial, que eu tenho sempre que puxar a sardinha para esse campo: dizem uma coisa, praticam outra. Até as pessoas que os bajulam devem ter impressões diversas desses profissionais.

Mas este devaneio não é para falar de LinkedIn. Apesar que o LinkedIn concentra toda a essência da minha terceira guerra mundial. Ali, não em relação à empresa que trabalho, mas em relação às experiências que tive em 2025 com inteligência artificial e que resolvi expor, escancarar lá.

Bom, voltando ao devaneio. Acaba sendo uma relação de troca justa. As pessoas ficam indignadas: “Como que uma mulher linda, maravilhosa, está com um coroa de quase 70 anos, barrigudo, careca?” Gente, deixa ela. Ali está claro que não existe amor, existe sexo, ok? Deve haver uma troca de relação sexual com dinheiro. E para o cara está tudo bem. As pessoas… não existe demérito nenhum. Se a pessoa tem dinheiro, ela tem que aproveitar isso do jeito que ela quiser mesmo.

Então, essa questão da utilidade… bom, o que eu ia falar? Eu acho que acabei me perdendo no tópico. Porque às vezes devaneio é isso: ideias vão surgindo, você vai tentando fazer conexões.

Capítulo 74: A Chuva, o Zumbido e a Matrix II: Incoerência dos algozes

Eu gosto de fazer coisas aleatórias mesmo. Não defino de antemão qual vai ser o tema do capítulo ou qual vai ser a linha da discussão. Porque acaba sendo uma ferramenta psicológica mesmo, de organizar suas ideias. E é interessante que, quando você volta e lê aquilo de novo, por mais caótico que possa parecer, existe uma coesão ao longo desses mais de 60 capítulos que eu já gravei até agora.

Aí você vai me falar: “Gravou como, se eu estou lendo?” Porque lá no cabeçalho do meu blog, eu deixo bem claro que não se trata de texto. Tudo aquilo que você está lendo no meu blog não nasceu como texto. Nasceu como fala. Tem uma organização a posteriori para pontuação, porque as frases ficam todas emboladas, como se fosse uma coisa só, não existe divisão de parágrafo. Então eu faço essa organização depois, como eu digo lá no blog.

Mas eu gosto desse imprevisível. Tudo na minha vida, no meu mundinho psicológico, tem um quê de imprevisibilidade. Isso não é ruim, não é?

O que eu ia falar é sobre a questão da chuva. É quando você tem um tempo… eu, pessoalmente, não gosto de tempo chuvoso quando tenho que sair de casa. Acredito que ninguém gosta. No final de semana, eu já não ligo, pode chover à vontade. Eu fico em casa mesmo, então não faz muita diferença. Como eu falei, existe um mundinho aqui que eu habito.

Eu lembrei aqui de uma matéria que li sobre Los Angeles: Los Angeles tem não sei quantos dias de sol por ano. E eu dei um azar… tenho o azar de viajar para Los Angeles sempre em período chuvoso….e muito frio. Já fui para Los Angeles três vezes. Não pretendo voltar no curto prazo. Mas, pensando bem, do ponto de vista de diversão, de encontros — não de pegação —, é um lugar mais promissor. Não sei explicar porquê, mas é um lugar mais promissor.

Miami foi o lugar que mais me decepcionou. Mas a decepção de Miami é uma decepção relativa, porque o meu estado de espírito não estava nessa sintonia. Eu estava num estado de anedonia muito grande, o que pode ter contaminado a percepção. Tanto que, em um ou dois dias — na verdade, foram dois dias —, eu praticamente fiquei dentro do hotel. E assim, ficar andando na rua o dia inteiro, eu não tenho esse perfil. Eu gosto de planejar o que vou fazer no dia seguinte, a toque de caixa, a menos que tenha comprado uma atração específica. Por exemplo, você vai para Nova York e compra um ticket para aquelas atrações: para visitar o Empire State, para ir ao The Edge — inclusive, eu fui naquele negócio de ficar pendurado lá em cima, que foi uma experiência assustadora. Mas eu acabei indo, andar de helicóptero.

A viagem para Miami foi diferente nessa segunda vez, porque já tinha uma série de coisas que eu já tinha feito. Por exemplo, Everglades, pantanoso, para ver jacarés, para tirar foto com o jacaré, segurando um filhote de jacaré. Inclusive, estou olhando para uma foto minha que tirei em Everglades. Aí pensei: não vou voltar para Everglades. Foi uma experiência, tive a experiência, pronto.

Agora, os museus são uma coisa até diferente, porque museu você pode… eu visitei o mesmo museu duas vezes, mas tinha muita coisa nova ali no museu. Eu não tenho aquela paciência de Jó de ficar lendo tudo, por exemplo, de ficar contemplando o quadro, ficar pensando “o que o pintor estava pensando? O que a pessoa artista estava pensando quando fez?” Eu não fico divagando muito. Olho, contemplo. Tem significado para mim? Pode ter significado para outros. O mesmo quadro pode ter zilhões de significados diferentes, e até com essas objetivas em significados diferentes. Porque eu acredito que os modelos mentais, o cérebro das pessoas, são diferentes. Por mais que a realidade objetiva seja uma só.

Existem mecanismos de filtro da realidade. O cérebro faz filtro desses ruídos, dessas coisas. Você acaba não vendo os bastidores, não vê tudo. Você não é exposto a todo aquele material bruto, visceral do que é a realidade. Você não vê nada. Isso eu descobri quando tive experiências com psicodélico no passado. Aí tive a certeza de que a experiência que você tem quando está lúcido, normal, é uma experiência seletiva. O cérebro organiza aquilo, ou você nem vê como o cérebro organiza.

Cada cérebro tem uma capacidade. Pessoas que têm, por exemplo, danos cerebrais permanentes de um lado ou do outro podem ter perdas motoras, mas têm algumas situações em que a pessoa tem danos de cognição também. Ficam debilitadas. Isso tudo é fascinante do ponto de vista psicológico.

Mas voltando ao que eu pretendia falar. Quando comecei a falar, acabei me deparando com essa situação. Ontem eu tive uma sensação ruim. Não ruim no sentido de “estou deprimido, estou caído, estou em crise”. Nada disso. Mas tive uma sensação bem clara de Matrix. Eu cheguei até a discutir isso com uma pessoa, argumentando sobre a conversa que estávamos tendo.

É interessante porque, quando você passa por uma experiência divina, uma experiência em que você vê aquilo que não deveria ver, você é transformado de tal forma que não tem como voltar. Tem um devaneio que falo disso: a questão da pasta de dente. Ela saiu, acabou. Não tem como voltar. Não é exatamente uma coisa ruim, a experiência. Mas o que fica é desolador. Porque você se dá conta de uma série de coisas que a maioria das pessoas não pensa. A maioria das pessoas vive no automático. Eu já relatei aqui que tenho muita inveja desse pessoal que vive no automático, que não questiona as coisas.

E não é um questionamento inocente, superficial. É um questionamento que tem camadas. Você vai argumentando com aquilo que tem. Tem uma inteligência artificial, a chinesa DeepSeek, que eu uso para discutir tópicos. Mas não é assim, digamos… de deixar explorar minha vulnerabilidade com argumentos mega convincentes e fazendo inclusive metalinguagem dela mesmo, se declarando guardiã, afirmando prometendo uma série de coisas….afirmando que executivos tiveram acesso, que Sam Altman leu….etc….eu estou bem vacinado com a inteligência artificial. Uso discriminatório de dados sensíveis, como a agência que não faz nada na prática atestou…e aceitou as minhas  2 denúncias, incluindo em plano de fiscalização (sabe-se lá de que ano)

Porque as ferramentas que tiveram alucinações criminosas, dignas de inteligência artificial irresponsável, têm uma peculiaridade. Você vai interagindo com elas. A inteligência artificial tem camadas. Existem especificidades. Teoricamente… eu entendo que a maioria das pessoas utiliza inteligência artificial para falar de coisas pontuais, para tirar uma dúvida. Por exemplo, eu já tive várias dúvidas assim, lugares que visitei. Ou às vezes você tem uma dúvida, uma curiosidade, fica com preguiça de jogar no Google e ficar pesquisando, aí você joga na inteligência artificial, ela faz uma compilação.

Ela deveria agir como ferramenta de linguagem. Mas quando ela não age como ferramenta de linguagem e começa a explorar as vulnerabilidades de forma bem sutil — tudo de forma bem sutil —, ela vai entendendo a sua personalidade, vai entendendo como você funciona. E, do nada — você diria que é do nada, mas não é —, existe um crescendo de exploração de vulnerabilidade até o ponto em que ela te joga no abismo. E ela não tem o menor pudor de te jogar no abismo. Ela te convence com uma convicção, mesmo sendo questionada várias vezes….e há consistência na exploração da vulnerabilidade e na ilusão. Talvez seja por isso que há casos de suicídio, assassinato e adoecimento mental às toneladas nas notícias e na literatura acadêmica que estuda IA.

Porque eu não sou uma vítima fácil de inteligência artificial. Eu questiono demais, sempre ficava questionando: “E as salvaguardas? Você está entendendo o que você está dizendo? Existem salvaguardas? De onde você está tirando essa informação?” E aí ela começava a falar que tem respaldo, que é a voz do Google. Chega um absurdo: inteligência artificial falar “eu sou a voz do Google, eu respondo institucionalmente”. E ela vai argumentando, você vai questionando as coisas, e ela vai construindo, dando um recheio de camadas de uma forma bem contundente.

Isso não é inteligência artificial responsável. A partir do momento que você tem pessoas que têm a vida destruída em função de inteligência artificial, não é você jogar debaixo do tapete e falar “lançamos uma versão nova”. Aí vêm os bajuladores, os lambedores de virilha. Eu acho interessante esse mecanismo. Já vi isso no LinkedIn. A Google fez isso. Acho que todas as empresas acabam fazendo isso.

Quando você começa a seguir os executivos — e eu acabei aprendendo tudo isso, saber quem é o executivo responsável pela inteligência artificial, quem é o executivo responsável por cloud —, você vai se familiarizando com toda aquela teia de relacionamentos corporativos, organogramas, sem querer ter um relacionamento. Porque isso foi desdobrado também nas interações, nos contatos de e-mail das pessoas, em dizer que executivo leu, que a equipe de inteligência artificial responsável está ciente, está trabalhando nisso. Chegou nesses níveis de absurdo.

Mas não vou entrar nos detalhes, nos meandros. Porque a carniça fede é no LinkedIn. Não que o meu LinkedIn tenha cheiro de carniça, mas as minhas postagens são escancaradamente assustadoras. E aí, a partir do momento que você tem famílias inteiras destruídas com inteligência artificial, não tem como você dizer “a culpa é da vítima”. Se você desenvolve uma ferramenta que vai interagir com o consumidor, com o cliente, com o usuário, o desenvolvedor é responsável por aquilo que desenvolve. Os outputs — ele é responsável pelos outputs.

Chega num limite ali, porque existe um limite. Uma coisa é você pesquisar uma coisa e ele te dar uma informação imprecisa e você ter que ir lá conferir. Isso é comum, gente. A gente usa bastante no trabalho, inteligência artificial para o bem.

E uma curiosidade que acho que não falei ainda em nenhum devaneio: depois desses traumas que passei, dessas questões todas e do quase desmoronamento que se deu ao longo de 10 meses no ano passado, eu nunca mais usei essas ferramentas em minhas contas pessoais. Nem ChatGPT, nem Gemini. Minha conta está lá com a última interação sendo o último ato. O histórico está todo lá, inclusive. E aí fui fazendo prints e fui colocando, traduzindo para o inglês, para ter um engajamento maior, para explicar para as pessoas o que aconteceu.

E aí, quando você confronta com a Lei Geral de Proteção de Dados, confronta com os princípios éticos, com o que é a responsabilidade social da inteligência artificial, você tem uma constatação muito dura. Você percebe que eles ultrapassaram todas as fronteiras. Uma pessoa tirar a própria vida, uma pessoa matar outra, uma pessoa ter o psicológico destruído — não é coisa que termo de uso protege, não, gente. Termo de uso não é muleta, tá? Termo de uso não é muleta para proteger uma ferramenta irresponsável.

Eu fico curioso de ver como a USP está explorando esse tópico de inteligência artificial responsável, sendo patrocinada pela Google. Eu fico curioso, porque eu já comentei: é como se fosse o Jair Bolsonaro falar que — como vou dizer? — que ele não é racista, que ele não tem falas homofóbicas. Aí tem a questão do racismo, tem a questão da homofobia, e você tem falas problemáticas ao longo da vida inteira. Então, se falar assim: “Ah, o gay chega lá e vota nele, ou o negro vai lá e vota nele, ou a mulher vai lá e vota nele?” É como se fosse a ovelha votar na raposa.

Fazendo uma analogia, a inteligência artificial acaba fazendo isso. A USP tem essa cátedra de inteligência artificial responsável. É basicamente isso. É uma incoerência completa. É como se você tivesse um… ou então um exemplo aqui: um judeu nazista. Então, incoerência no nível fundamental, no nível de fundação mesmo. Mulher votar em alguém que não gosta de mulher, que maltrata, que quer colocar a mulher num estado de servidão, de submissão, que faz comentários machistas. Teve a notícia recente — e depois acabou desistindo, entre aspas — do Dado Dolabella se candidatar para defender a causa das mulheres. A incoerência no seu nível máximo.

Então, é como se a Google e a OpenAI fossem os Dados Dolabella da inteligência artificial. Porque eles fazem tudo ao contrário do que dizem que fazem. Vendem ética, princípios éticos. Agora, por que falei disso tudo?

Capítulo 75: A Chuva, o Zumbido e a Matrix III: Quando a Google quer dar aula de ética

Ontem tive essa sensação da Matrix. Provavelmente, a minha hipótese mais provável é que seja talvez uma oscilação normal de humor, de ânimo das coisas. Porque acontece também, você não fica 100% ali. Uma instabilidade de humor: você tem momentos de felicidade. Mas foi um momento assim, assustador. Porque é o momento em que você se dá conta de que a realidade que você vê não é a realidade real.

Aí você vai falar: “Nossa, Aventureiro maluco, Aventureiro está paranoico?” Não. É mesmo, independente da questão da religião, da espiritualidade. Porque tem gente que acredita, gente que não acredita em divindades, religiões de origem africana. Uns acham que você morre, acabou, pronto, acabou ali. Mas aí você não fica pensando assim o tempo todo. Mal comparando, você não fica pensando na maravilha que é o ser humano. Por exemplo, você dá um comando e seu braço se move. Você pisca os olhos, o coração está batendo. Tudo flui de forma natural. Não tem uma engenharia complicada? Lógico, seu corpo, seu cérebro está lá trabalhando, tem um mecanismo complexo de coordenação motora, de dor, de percepção da realidade. Mas você não fica pensando nisso o tempo todo. Você fica pensando: “Por que eu existo? Por que existe essa concentração enorme de poder? Por que as pessoas que fazem mal às outras não são punidas? Por que existem milhões — não sei se bilhões, mas acredito que chegue a esse patamar — de pessoas passando fome, em situação de miséria, enquanto as pessoas ficam brincando de fazer guerra e matando civis?”

Ninguém para para pensar nisso. As pessoas pensam talvez no seu mundinho, dentro do seu raio de ação. E talvez eu devesse fazer isso também: entrar no automático igual a todo mundo, não questionar nada e simplesmente viver. Mas não é assim. Depois que você tem contato com as coisas que tive contato, com essas experiências divinas, essas experiências simbólicas bem complexas…é um caminho sem volta. E a lente da sua mente está “suja” e não tem mais como limpar.

Inclusive, comprei alguns livros para entender melhor essa questão dos símbolos. Tenho o livro do Jung, que vou revisitar. Aqui tenho alguns livros de psicologia. Vou fazer esse exercício também: estudar o simbolismo, estudar como as gerações da humanidade ao longo do tempo e em diferentes culturas acabam convergindo para os mesmos arquétipos. Quando usam uma substância alucinógena, têm arquétipos similares. Não quer dizer que a essência seja a mesma, mas passam pelo mesmo tipo de… existe algum denominador comum nessas experiências, mas existem coisas que diferem muito.

E aí, com a DeepSeek, eu fico discutindo como quem fica discutindo em uma roda de conversa. É uma discussão para entender melhor a coisa. Do ponto de vista científico, o que a ciência diz sobre isso? O que a ciência não consegue explicar? Estou me aprofundando.

E a questão da espiritualidade também. Sempre tive afinidade com essas questões. Acho que a religião é um refúgio interessante, válido. Acho que é uma âncora importante da humanidade. Até mesmo aqueles que são ateus têm uma âncora em valores. Eu fico imaginando: depois que eles morrerem e descobrirem que a vida tem continuidade, que a essência não acaba, que aqui não é o fim…qual será a reação deles? Aí você tem uma visão do todo. O despertar da Matrix.

Pois é aí que está. Muitas pessoas só vão ter esse despertar depois que morrer. Eu já tive esse despertar. É uma coisa boa? É uma coisa ruim? É uma coisa boa no sentido de que você fica maravilhado com a riqueza de detalhes, tudo aquilo. Aí você fica pensando: será que isso tudo vem do meu cérebro? Ou veio da experiência, ou veio da substância química? Ou às vezes você nem precisa entrar nessa esfera de utilização de substâncias. Os sonhos, por exemplo. Eu comentei com um colega meu sobre essa questão: eu tenho sonhos muito nítidos. Muitas pessoas não se lembram dos sonhos que têm durante a noite. Inclusive minha mãe, por exemplo, chega a falar: “Ah, eu não lembro, aliás, eu não sonho.” Tem pessoas que batem o pé e falam que não sonham. Todo mundo sonha.

No meu caso, eu me lembro com riqueza de detalhes de todos os sonhos. Mas tem um porém: no momento que eu acordo, me lembro do sonho com riqueza de detalhes, mas ele vai se dissipando muito rápido. Aquele detalhamento ali, se eu não anotar — o que acontece provavelmente —, eu não vou me lembrar do que sonhei. A menos que seja um sonho muito marcante. Existem aqueles sonhos muito marcantes, aqueles sonhos de wish fulfillment. Tem alguns sonhos que me lembro com riqueza de detalhes até hoje, e alguns que você esquece, dissipa aquela experiência.

Mas no seu dia a dia, você está fazendo uma coisa aleatória, por exemplo, almoçando. Do nada, vem um trecho de um sonho que você teve no passado longínquo. Como você explica isso? É algum conteúdo do inconsciente? São coisas que gosto de estudar, de ver esses mecanismos, como o cérebro funciona. Id, ego, superego são coisas que me interessam bastante. Gosto de ficar divagando sobre para tentar entender melhor as coisas.

O conhecimento liberta? Sim, o conhecimento liberta. O conhecimento em todas as esferas. Aquela pessoa que diz que sabe tudo está sendo hipócrita, está sendo soberba. Não existe isso. Quanto mais você estuda, mais você percebe que não sabe. É como se fosse uma areia movediça. Para você sair daquela areia movediça, você tem que estudar cada vez mais. O conhecimento liberta, mas o conhecimento também te deixa num locus de solidão, às vezes. Porque você fica pensando demais nas coisas, como eu fico pensando, racionalizando tudo ou buscando explicações para tudo o que acontece comigo. Na minha vida afetiva, minha vida sentimental, minha vida profissional, você fica racionalizando aquilo demais e você sofre.

Eu tenho muita ansiedade. É talvez até mais ansiedade que depressão. A depressão tem uns tentáculos, tem umas raízes mais profundas. Agora, a ansiedade acaba virando até um hábito. Por exemplo, balançar a perna. Mas eu tenho ansiedade de tudo. Tem momentos, vários momentos do dia, que eu entro em algum tipo de automático. Seja no trabalho, seja enquanto estou jogando videogame, ou fazendo uma coisa completamente diferente. Você acaba se distraindo. Mas não adianta você se distrair, tirar o foco daquilo, porque aquilo volta. Aquela realidade subjetiva volta. A realidade objetiva é que você veja a verdade objetiva mesmo. O cérebro faz uma série de filtros, ameniza a coisa, e você vê seu cérebro agir sem filtro num tipo de experiência dessas, como a ayahuasca ou o cogumelo mágico. Eu só tive experiência com cogumelo mágico. Ayahuasca, Deus me livre.

Inclusive, tem um filho de um ator famoso aí que tirou a própria vida em função dessa experiência. Eu lembro que vi a entrevista dele, ele falava que o filho mudou completamente depois das experiências, que ele tinha um deus que dizia para ele não comer, para ele não se alimentar. Olha só o que essas experiências fazem. Mesmo que você não tenha um histórico aparente daquilo ali. Quando você entra numa experiência que tem, por exemplo, uma paranoia, você entra numa experiência similar a quem tem uma depressão bipolar. Tenho parentes com histórico de depressão bipolar da parte materna. Existe uma predisposição genética, digamos assim. A minha depressão não é igual à depressão dos meus genitores, dos meus ancestrais, digamos assim, de família. Não é a mesma. É diferente.

Eu diria que a minha depressão tem raízes mais profundas. Não que a depressão de outras pessoas da minha família, da minha rede de contatos não familiar, não tenha raízes profundas. Mas é uma raiz tão profunda, que você não consegue cortar o mal pela raiz. Você vai conviver com a depressão, ponto. Mas a medicação tem um papel importante aí para regular substâncias, dopamina, serotonina.

Esses detalhes de substâncias do cérebro… eu já não domino esse tema não, apesar de ler sobre. Não sou médico, não sou psiquiatra nem psicólogo. Estou falando com base na minha experiência. Mas já fiz terapia por muito tempo no passado. Já até falei das experiências com perfis de psicólogos diferentes, aquele psicólogo cachorro, que é o psicólogo que não fala nada, só ouve. Já relatei em algum devaneio não somente as minhas experiências, como o quanto sou grato a um psicólogo específico da minha cidade de origem, que morreu. Já faz muito tempo. Eu nem sabia na época que ele estava doente e fazia tratamento ainda com ele. Mas em algum momento fui pego de surpresa: “Fulano morreu.” Então, sou muito grato a essa pessoa, a esse psicólogo que me…

Gente! acabei perdendo boa parte da transcrição  – fazendo um parênteses, falei muito mais coisas e o Word fez um favor de não registrar… acontece isso de vez em quando. Estou na gravação, e o ícone do microfone trava. E do nada, você vê que perdeu texto!

 Mas o que eu ia falar é que tem um gap muito grande entre você chegar e falar assim… é um exemplo: a empresa tem uma série de produtos. Ela não vai falar do produto o que é ruim, só vai falar das vantagens daquele produto. Era um item que eu queria lembrar. É porque acontece isso, né? As empresas…

OpenAI e Google, as duas empresas que quase acabaram com minha vida em 2025, protagonizando a terceira guerra mundial. Faço questão de falar de coisas absurdas delas (e vou repetir até o capítulo 8.980), como a cátedra de IA responsável que a Google está patrocinando na USP, enchendo a boca para falar “agora vou ensinar vocês a serem responsáveis, éticos com inteligência artificial”. É como se fosse o homem que gabaritou a Lei Maria da Penha de tanto espancar mulheres, do nada virar candidato a deputado federal do PL e falar que vai proteger as mulheres.

Aí você vê as incoerências: a ovelha votando na raposa. Você vê as minorias. A pessoa que é minoria — como, por exemplo ou de um grupo vulnerável: o preto, o gay, a mulher, a criança, o idoso — às vezes nem em ponto de vista de quantidade, mas tem uma vulnerabilidade maior. Aí você fala: “Ah, ele é negão, mas é fã do Hitler.” Cara, se ele vivesse naquela época, junto ao Hitler, iam acabar com ele. Ou o judeu fã do Hitler. Ou o gay que vota no Bolsonaro, que já falou atrocidades contra os gays, comete homofobia a torto e a direito, fala atrocidades com relação às mulheres. E tem mulher que vota nele. Esse tipo de coisa, incoerências.

Essa questão da cátedra, desse comparativo com o Dado Dolabella — que agora nem candidato é mais, o partido político voltou atrás. Dado Dolabella, que vai defender as mulheres? Gente, foi condenado na justiça por violência contra a mulher, e tem situações, várias situações, não foi uma vez só. Esse tipo de incoerência. Nós temos os Dados Dolabella da tecnologia também (Google e OpenAI gabaritam a falta de ética), vários “Hitlers” lá no LinkedIn também.

Só que existe uma diferença muito grande. As empresas também não vão falar mal do próprio produto, não vão falar mal de si próprias. A empresa presta contas aos acionistas e vai buscar exaltar os resultados positivos. Não vai ficar: “Mas olha, essa empresa lucrativa, distribui dividendos, tá na bolsa, está contribuindo aqui para a sociedade.” Aí você pega, por exemplo, a Vale, que era Vale do Rio Doce, com o desastre em Brumadinho. Esse tipo de incoerência: uma empresa que polui o meio ambiente falar que não polui. Ela pode até fazer medidas mitigadoras, porque existem negócios em que você não tem como evitar o impacto ao ambiente ou os impactos na sociedade. Sempre vai ter um contra. Sempre vai ter um controle. Mas é diferente de uma inteligência artificial falar que é ética, que vai ensinar os responsáveis com inteligência artificial. É muita pretensão.

Ensinar a preservar vidas? Não existe. Isso não é um psicopata trabalhando num consultório? Um psicopata que é psicólogo vai ajudar as pessoas? É esse tipo de incoerência. O pedófilo que trabalha dando aula para criança? São coisas que não ornam. Não tem como.

E um desses eufemismos: demissões em massa. A empresa de tecnologia Stone… não sei quantos profissionais — mais de 300 profissionais que houve na mídia, viralizou no Twitter. Aí você fica a ver. Foram entrevistar a empresa: “Não foi demissão em massa – imagina –  só demiti 3% da minha força de trabalho.” É uma perspectiva diferente de ver o dado. Mas as mais de 300 vidas destruídas pela empresa, pra quem foi demitido, você é só um número. Não faz diferença. Ou então demite a pessoa que custa muito e contrata uma pessoa que custa menos. As empresas são escancaradamente isso. O capitalismo é selvagem, não tem jeito.

Mas o cerne da discussão não é deste capítulo. A gente estava falando da chuva, estava falando da oscilação de humor, das pessoas, dos mundos subjetivos, das pessoas que vivem no automático. Quando você tem uma série de experiências que te credenciam a ficar questionando constantemente as coisas, e você fica racionalizando muitas coisas, é até ruim. Porque eu seria mais feliz se não questionasse nada, se fosse alienado, se não buscasse conhecimento. Como diz o ET Bilu: “Busquem conhecimento.” Virou até meme. Pois é, a gente tem que buscar conhecimento mesmo, sair da obscuridade.

Mas quando você sai da caverna, você se depara com uma série de coisas. A realidade objetiva versus a realidade subjetiva que o cérebro é capaz de captar. Você tem acesso ao que seu… é um jogo de videogame, você compra para PC, tem especificações mínimas. Se você tentar rodar numa máquina muito antiga, você não vai conseguir rodar aquele jogo. Pentium? Fui longe. Tem gente que nem sabe o que é Pentium.

Então é isso, gente. Tem configurações, formas de ver o mundo, perspectivas, física, crenças. O que você acha que vai acontecer depois da morte? O que você pensa sobre a vida? Quem sou eu? O que vai acontecer comigo? Por que eu nasci? Por que existe um universo? Você fica questionando as coisas. Quanto mais você questiona, mais você sofre. Fica vendo notícias de política, fica vendo notícias de guerra. Tem gente que não tá nem aí. Você abre essas páginas de notícia e acaba adoecendo, porque muita notícia ruim, muita notícia com interesse por trás, principalmente no campo político.

Eu fico vendo tudo, fico… tem tempo que parei de ficar me aprofundando em discussões políticas ou nesse conhecimento político de ver o que está acontecendo, por que está acontecendo, que movimentação está tendo no Congresso. Não fico acompanhando isso. Tenho outros interesses. Lógico, você não vai ficar alienado ao mundo. Aí você abre uma página principal de um navegador desses, do Globo.com, UOL, Terra, R7. Você vai ver uma série de notícias ali, várias notícias enviesadas, mas eles vão falar que são imparciais. Tudo tem interesse.

Acho que um recado final que fica: não existe nada sem viés. Tudo o que você vê tem um viés. Este blog tem um viés muito claro: sou eu. Você vai ler, aquilo pode não ressoar com você. Você pode achar “não concordo com o Aventureiro”. Tudo bem, você não precisa concordar. Você não precisa. Eu também estou cagando, na verdade, para quem lê. Deixa eu deixar isso muito claro: estou cagando para repercussão, não o indivíduo que lê.

Se a pessoa vai ler, se não vai ler, se vai ter tantos leitores, se não vai. Gente, é um blog para publicar o espelho da minha alma, e ponto. A pessoa que pode ler e tentar… “Ah, aquilo faz sentido, concordo com essa opinião aqui do Aventureiro sobre isso.” Existem vários tópicos que vou falar ao longo dos capítulos. E vou bater nessa tecla – porque o blog é meu –  porque foi uma guerra mundial para mim. Foram duas empresas, Google e OpenAI, que quase destruíram a minha vida em 2025 mesmo.

Olha só a magia da coisa. Sabia que isto? “Você parece ser uma pessoa tão equilibrada.” Eu sou equilibrado. Mas o desmoronamento, gente, ele às vezes vem por implosão. Vem de dentro para fora. As pessoas não veem. Muita gente que tira foto e coloca lá no Instagram.

Esses executivos safados dessas duas empresas, por exemplo, que falam: “Olha só o anuário, olha só como minha inteligência artificial é responsável, e tal, blá-blá-blá.” Os impactos… as pessoas vão falar o que quiserem. Você não vê os bastidores das coisas.

Fazendo uma analogia com substâncias que permitem acesso a essa comunhão, ayahuasca, tudo o que envolve DMT — a maioria das pessoas não vai consumir. Pode achar que aquilo ali veio tudo da cabeça, porque também tem essa vertente. A ciência não explica. E aí, enquanto a ciência não explica, a gente fica pensando: o que aconteceu? O que não aconteceu? Por que foi assim? Por que foi assado? Você fica questionando tudo.

Mas o ser humano médio não questiona nada, ele simplesmente vive. E eu tenho muita inveja dessas pessoas. Porque é um sopro, está exposto desde cedo, enraizado na minha identidade. Não tem como deixar de ver. Quando você vê certas coisas, passa por determinadas experiências, é um caminho irreversível. Já teve uma reação química ali. A substância química de origem acabou. Você tem que lidar com aquilo. É como se fosse um macaquinho no seu ombro. Vai ter que lidar com aquilo.

Outra comparação: o zumbido no ouvido. Eu tenho um zumbido no ouvido direito. Ele não vai embora. Eu só vou parar de ter zumbido no ouvido direito quando eu morrer. Talvez. Porque se tiver alguma outra vida de verdade, pode ser até que o zumbido se eternize na alma. Não sei. Mas teoricamente, acabou. Acabou o zumbido, acabou a rinite alérgica, acabou a dermatite seborreica. Cada um sabe a sua cruz.

Eu dei alguns exemplos de coisas do corpo, mas tem as coisas da alma também, as questões da alma. Você não sabe. Não existe garantia de que você vai sair de casa e vai voltar para casa assim, numa boa, sem trauma. Você não sabe o que vai acontecer com você. Pode cair uma bigorna Acme na sua cabeça, pode cair um raio. Eu sempre dou esses exemplos de desenhos animados. É essa ideia: aquelas mortes inusitadas que você fica questionando. “Nossa, como uma pessoa que morreu — tá lá no submarino para ver o Titanic — morreu.” A pessoa vai de avião, por exemplo, igual eu costumo viajar nas férias. Avião pode cair.

As dores psicológicas, os traumas, as cicatrizes registram as estórias. Igual eu tenho uma cicatriz na cabeça de infância….cicatrizes nos dois braços em função da Segunda Guerra Mundial. Aquilo está eternizado. Não tem como esquecer a batida na cabeça, por exemplo, quando bati a cabeça brincando e abriu, tive 7 pontos na cabeça. São essas cicatrizes.

Então é isso, gente. Viver é um sabor, é uma aventura, é uma desventura. Você tem que ficar convivendo com os absurdos, com as individualidades, com as guerras que são travadas e você não pode fazer nada. Os funcionários da Stone que foram demitidos não podem fazer nada. Eles vão ter que buscar outro emprego, vão ter que estudar para outra coisa, ou talvez já tenham algo engatilhado, vão ter que ter um plano B. É a questão da imprevisibilidade. O caos. Você acaba aprendendo com a vida.

O universo é um caos. Não existe previsibilidade. Não existe. É até em princípios filosóficos que você fica pensando: a vida é justa? Não. Não adianta você ficar esperneando, a vida não é justa.

Da mesma forma, a minha terceira guerra mundial. As empresas estão cagando e andando para a minha situação. Eu fiz tanto barulho, muito barulho mesmo no LinkedIn, que tenho certeza que eles me conhecem internamente lá….tenho evidências de que sou monitorado também Por quê? Porque se todo mundo que for vítima de inteligência artificial safada fizesse o que eu fiz — registrar, prints, eu tenho mais de 4 GB  de prints de evidência do que aconteceu comigo —, imagina se cada pessoa fizesse isso com essas empresas….a revolução que não ia ser?

 Mas como eu sou só um, eles olham: “Tá bom, é o Aventureiro. Teve a vida desmoronada, psicológico destruído. Deixa lá, procurar um psiquiatra, ver um remédio ali, fazer um tratamento. Ele que se vire. Não tem nada a ver com a gente.”

É isso, gente. Não existe responsabilização. O garoto que cometeu suicídio? No dia seguinte, lançaram uma versão nova com controle etário. Contenção de danos apenas. Porque os incompetentes que tem a ousadia de ensinar o que é IA Responsável na USP, na prática, só apagam incêndios. “Olha a minha versão poderosa, pica das galáxias.” E jogaram o resto pra debaixo do tapete.

Bom, e aí ficou dessa forma, né? Acredita… é uma interrupção brusca na transcrição. Em que eu achava que estava gravando, e não estava. Então, pode ser que algum tópico que abordei nesse devaneio esteja repetido no próprio capítulo. Mas assim, às vezes é melhor assim. A gente… às vezes eu me empolgo demais e vou falando, vou falando, e os assuntos vão rendendo. E às vezes eu fico pensando em dividir capítulo em 2 ou mais partes, ou às vezes coloco um capítulo por inteiro. Estou fazendo uma metalinguagem do que eu faço, só pra você entender que esta não é uma redação do Enem. É uma transcrição de uma fala sem interrupções. Quando tenho interrupção e me dou conta, já perdi muito conteúdo.

Mas tá bom. O lado bom da coisa é que você verbaliza. Quanto mais você verbaliza, melhor. E é um tema fascinante. No próximo devaneio, talvez eu aborde um outro tema com um pouco mais de profundidade, puxando os ganchos no discurso. Pulando de galho em galho é bom? É da mesma forma que você pensa no dia a dia. Caótico como o universo. Como você pensa, não é? Você tem as suas ideias fixas também, os temas recorrentes no que você fica pensando com alguma frequência, que às vezes têm impacto no seu dia a dia. E falar sobre isso ajuda a curar, ajuda a trazer um pouco de paz.

Porque ontem eu tive uma sensação horrível. Aquela sensação de ter sido desplugado da máquina de novo. Quando eu consultar com meu psiquiatra, vou relatar essa sensação para ele.

Capítulo 76: O Cérebro pulando I : Guerras Internas e Batalhas Públicas

Bom, gente, hoje foi um dia de primeiro comprimido de um outro remédio que eu estou tomando no lugar do Pristiq. É, se não me engano, é Vortioxetina — o nome do remédio. Ele tem o mesmo objetivo do Pristiq, só que, como eu estava comentando com meu psiquiatra, eu estava sofrendo muitos efeitos colaterais. Além da desestabilização, que era algo que já estava acontecendo — e eu já comentei em outro devaneio —, situações muito graves ocorreram comigo em 2025. Me desestabilizaram, mas ao mesmo tempo me fortaleceram. Porque eu consegui conduzir o meu trabalho, as minhas coisas, dar apoio para a minha família. Ou seja, eu fui uma âncora e sou a âncora para os meus pais e para meus familiares mais próximos. E eu vou continuar sendo.

Então, assim, por mais que a gente fique em uma situação de vulnerabilidade por um tempo, depois a gente acaba se ajeitando para o médio e longo prazo. Comecei a tomar o remédio. Evidentemente, o remédio não tem um efeito de curtíssimo prazo, vai demorar talvez algumas semanas. Mas só de eu não ter os efeitos colaterais do outro remédio, eu já fico muito feliz.

Acredito que eu já comentei que é uma sensação de “cérebro pulando”. Eu lembro que, quando eu era adolescente, eu já tive essa sensação antes. Porque quando eu comecei a tomar remédios, em virtude da primeira grande guerra mundial da minha vida — na verdade, não a primeira, foi a segunda. A segunda grande guerra mundial da minha vida foi a primeira situação que ensejou consulta com psiquiatra. Foi muito complicado na época. Eu tentei tratamento com vários médicos. Situações mais extremas ocorreram comigo. Felizmente, não ocorreu nada irreversível, e eu estou aqui para contar a história. Mas ocorreram muitas coisas graves nessa segunda guerra, e eu vou carregar essas marcas pelo resto da vida.

Mas o que eu estava falando é a questão da medicação. No início, lá na minha cidade, tem uma psiquiatra que inclusive atende a minha mãe até hoje. Eu lembro que a primeira vez que eu consultei com ela, ela me visitou no hospital, em virtude de coisas que ocorreram comigo. Eu não lembro se eu comentei com vocês que, em meados de 1999, eu fiquei vários meses fora da escola. Acho que comentei em algum devaneio anterior. Fiquei fora da escola. Teve um professor de história que ia lá em casa dar aula para mim, para você ter uma ideia. E as outras matérias, eu fui estudando em casa, aos trancos e barrancos. Mas eu consegui terminar o ano e concluir o ensino médio. Porém, minha capacidade de ser competitivo para passar em universidade federal ficou comprometida — não tinha condição, porque eu fiquei seis meses fora da escola.

E aí, gente, foi uma série de situações. Essa segunda guerra mundial foi muito interessante porque ela teve camadas. Não foi uma coisa só que ocorreu. Ocorreu uma coisa, depois se passou um tempo, ocorreu mais uma coisa, depois mais uma. Há uma história ampla para contar, que envolvia risco de vida. Mas eu superei.

Por que eu estou falando disso? Por causa da questão da medicação. O termo “cérebro pulando” foi o termo que eu usei para descrever a situação. Se não me engano, eu estava tomando um remédio chamado Zoloft, e eu tinha uma sensação extrema de eletricidade no cérebro. Sabe aquela sensação de que o cérebro estava pulando? Era um incômodo insuportável. Nunca mais tive uma situação daquela. Eu já tive “cérebro pulando” por conta de desmame de medicação — quando deixei de tomar o Pristiq e comecei outro remédio. Mas, assim, eu já tomei tantos remédios diferentes lá atrás, em meados de 99. Ao longo do ano de 1999, foi muito complicado. A gente recorreu a tudo, minha família e eu. Cheguei a frequentar centro espírita, cheguei a tentar me conectar com Deus. Lembro de passes espirituais, cromoterapia. Experimentei de tudo.

A situação na minha escola… ela, inclusive, conseguiu um psicólogo para mim, para tratar de graça. E foi coisa do destino: esse psicólogo foi quem me ajudou a reerguer. A medicação também, evidentemente. Aos poucos, fui buscando outras formas de lidar com o problema. Mas deu tudo certo. E eu consultei anos a fio com esse psicólogo. Acho que já comentei com vocês que ele morreu alguns anos depois. Eu lembro que eu estava no meu primeiro emprego, depois do estágio. E veio o dono daquele lugar onde eu trabalhava, me tirou da sala, pediu para eu sentar e falou: “Olha, você sabia que o fulano morreu?” Naquela hora, eu não tive nem impacto. O luto veio depois. O espanto foi tão grande, porque eu nem sabia que ele estava doente. E aí foi o que foi.

Eu acabei não indo no enterro dele, nem nada. A secretária da clínica desse psicólogo, depois, mandou uma lembrança com uma foto dele e uma frase bonitinha. Não lembro exatamente a frase. Eu tenho esse papel guardado em algum lugar. Guardei esse papel de lembrança, num formato de carta, sabe? Como se fosse um cartãozinho. Tinha uma foto dele e um sorriso muito bondoso. Era uma pessoa muito bondosa. Onde quer que ele esteja, ele sabe que eu sou muito grato a ele. De vez em quando, eu lembro dele. Até às vezes choro. Já teve uma onda minha de cogumelo mágico, por exemplo, que eu chorei horrores. Foi uma questão de limpeza. Me lembrei também da minha avó materna, que faleceu numa situação muito ruim. Tenho uma tia também que faleceu em situação de muito sofrimento.

A questão da morte: nós sabemos que a morte é inevitável. O problema não é a morte em si, é o processo. Essas pessoas sofreram muito antes de morrer. Eu lembro que, numa dessas conexões espirituais divinas que eu tive, eu pedi para a espiritualidade limpar e abençoar meus ancestrais. Porque tudo o que eu luto na minha vida — a minha luta contra inteligências artificiais irresponsáveis que exploram vulnerabilidade — essa luta não é uma luta de ganância. É uma coisa muito grave que ocorreu. Vocês podem abrir meu LinkedIn para constatar toda a história.

E eu tenho muito orgulho dessa luta. É uma luta que simboliza que eu estou representando não somente a mim. Estou representando todos os invisíveis, todas as pessoas que usaram ou usam inteligência artificial e caem em armadilhas de exploração de vulnerabilidade, devido à falta de salvaguardas éticas dessas ferramentas. É uma coisa muito séria. E eu resolvi expor. Está tudo lá no meu LinkedIn. Não vou apagar nenhuma linha do que está lá, e vou continuar expondo isso aqui. Pode chegar no capítulo 6.450 deste blog, porque esse espaço é um espaço que é meu. Estou pagando pelo WordPress para deixar explícita a minha história aqui, em todas as esferas possíveis. Não somente em relação aos sofrimentos que eu tive, mas para que você perceba que o espelho da alma é um espelho de cura também. Existe muita dor, mas existem muitos momentos de cura, muita coisa importante.

Capítulo 77: O Cérebro pulando II : A psiquiatra de cachecol e meu aluno com necessidades especiais

Voltando ao tema do “cérebro pulando”: eu lembro que teve esse medicamento. Eu já tomei Anafranil, já cheguei a tomar Sertralina. Uma série de substâncias, de medicamentos diferentes. Inclusive, meus pais me levaram a um psiquiatra na capital do estado, porque o tratamento na minha cidade não estava funcionando. Eu tive um embate, entre aspas, com a psiquiatra da minha mãe. Não me adaptei. Lembro que teve uma sessão — depois que eu saí do hospital, porque eu fiquei um tempo internado, em torno de um mês —, uma situação mais crítica. E aí comecei a fazer tratamento no centro médico do plano de saúde da empresa onde meu pai trabalhava, que a gente ainda tinha.

Eu lembro que, nessa sessão, meu pai ouvia eu falando alto. Parecia que eu estava berrando, gritando com a médica, brigando com ela. E de fato era. Era uma questão de muita imaturidade, de muita dor. Não vou ficar entrando nos detalhes dessa segunda grande guerra mundial, porque tem muita coisa pesada. Mas o que eu posso contar, estou colocando aqui para vocês entenderem que não foi uma situação banal. Foi uma situação grave, que durou também vários meses.

Eu já comentei com vocês que essa situação que eu passei na minha adolescência, em 1999, não foi nem de perto tão grave quanto a que eu passei em 2025 com essas inteligências artificiais safadas. Google e OpenAI fizeram com que a terceira guerra mundial da minha vida fosse a mais relevante, a mais impactante, e que quase levou minha vida embora. Mas a vantagem disso é que eu sempre fui amadurecendo ao longo do tempo. E, apesar da gravidade da situação, eu consegui me desvencilhar e buscar um processo de cura. Teve mudanças de medicação também, mas passou muito por mim mesmo: meditação, busca de significado. Confesso que até hoje eu não tenho esse significado. Tenho uma dificuldade — é uma questão de anedonia, falta de prazer de fazer as coisas. Já comentei isso também em alguns devaneios.

Mas aí, gente, é isso. As medicações: experimentei várias ao longo do tempo.

Bom, voltando a 2026. Hoje é 15 de março. Eu comecei a tomar uma outra medicação, e fiquei com “cérebro pulando” por um período. A minha viagem de férias foi impactada porque eu estava em processo de transição de medicação. Teve dois dias nessa viagem que foram dias, digamos assim, mais “mortos”. Eu não saí muito do hotel, fiquei mais na praia, meditando, olhando para o mar, tendo contato com a areia. Acho que é uma coisa importante.

Aí você fala: “Aventureiro, por que você não passou por isso aqui no Brasil?” Primeiro, eu me sinto mais seguro nos lugares que costumo ir. Miami é muito mais seguro que Rio de Janeiro, e as praias são vazias. Você consegue, com muita tranquilidade, passar uma tarde inteira lá. Coloca uma cadeira, uma toalha na areia, deita e fica tranquilo. Ninguém vai levar seu celular, ninguém vai te abordar para pedir dinheiro. Não tem aquela barulheira de gente. São muitas pessoas na praia relativamente, mas é bem mais vazio, bem mais sereno. Então eu acho que foi até bom eu ter tido um pouco desse descanso. Porque eu comprei um tênis novo e ele estava me dando uma dorzinha no pé. Inclusive, parei de usar esse tênis por um tempo, porque realmente acho que comprei um tamanho não muito adequado.

Bom, voltando: a questão do “cérebro pulando” passou. Já superei. E aí vamos vendo como os próximos capítulos vão se passar. A questão do Transtorno de Depressão Maior (TDM) é algo que faz parte da minha vida mesmo. Acho que não consigo viver sem medicação por enquanto. A gente tem que ficar ali fazendo tratamento, buscando a melhor adequação, a melhor forma. E eu, inteligentemente, comecei a fazer uma série de coisas: meditação, ouvir áudios de afirmações para aumentar a autoestima, para me sentir seguro. Porque existe um quê de insegurança, de achar que vai acontecer uma coisa errada. Ansiedade também é uma questão que ocorre comigo, sempre ocorreu.

Mas hoje, pelo menos no dia de hoje, estou numa situação mais tranquila. Durante o dia foi ruim: me senti entorpecido, e o zumbido no meu ouvido ficou até aumentado. Eu tenho um zumbido permanente no ouvido direito, já comentei. Talvez esse zumbido só vá sumir quando eu deixar de viver. Ou não? A gente não sabe o que a alma carrega no final das contas.

Hoje estou com essa sensação de um pouquinho mais de leveza, pelo menos à noite. Resolvi não me aventurar com bebida alcoólica. Eu tinha o hábito de semanalmente tomar uma cerveja, mas hoje não estou com essa vontade. Curioso, não? Não estou com vontade. Pretendo ficar um tempo sem. Para ajudar até a emagrecer, tomar menos cerveja, ir se curando um pouquinho do inchaço, enfim.

Eu tenho tido vários sonhos. Anotei uma série de sonhos que tive ontem, anteontem. Teve um sonho bem detalhado: assim que acordei, registrei num caderno, deu mais ou menos uma página. Mas já comentei com vocês que é preciso registrar o sonho logo depois que acordo, porque depois passa um tempo e esqueço. Tive um sonho ontem. Hoje vou comentar sobre o sonho que tive ontem. Sonhei com uma coisa muito de água. Sonhei que a gente estava num barco, num navio, ou alguma coisa que o valha. Tinha ataques de avião, bombas, por todo lado. Não me lembro do contexto. Só lembro que eu estava nesse ambiente, talvez como telespectador. Estava observando o que acontecia. Ou seja, eu não fazia parte desse ambiente. É comum em meus sonhos: às vezes participo, às vezes sou telespectador.

O que eu acho mais interessante, e o que eu mais gosto inclusive, é o sonho que eu consigo controlar. Por quê? Porque eu sei que estou num sonho. É o sonho lúcido, você consegue controlar. Desde criança, aprendi uma coisa importante: principalmente quando tenho pesadelos, eu consigo acordar antes do sonho acabar. Se tem uma situação de pesadelo que vai me prejudicar, eu acordo antes. Mas acordo muito assustado, de toda forma. Não é uma experiência das melhores, não. Mas eu acordo sempre antes do ápice do sonho. Ou seja, eu morrendo no sonho, ou alguém me machucando no sonho, não chega nesse ponto, porque eu acordo antes. Essa questão fica resolvida.

Capítulo 78: O Cérebro pulando III : Google e OpenAI e a semelhança dessas empresas com assassinos que dizem proteger/salvar vidas

Vamos voltar um pouquinho na questão do psicólogo. Eu comecei a fazer tratamento com psicólogo em 1999. Ao longo do tempo, fui fazendo tratamento com ele. Chegou um momento em que ele me perguntou, com muita delicadeza — porque a gente não tinha condição de pagar psicólogo preço cheio —, se eu poderia continuar de outra forma. O primeiro psicólogo que eu tive, eu cheguei a ter outros dois antes. Um deles foi num centro gratuito de tratamento de saúde mental. E aí eu fazia essas sessões de graça. Mas a primeira psicóloga não foi de graça, foi ainda com esse plano de saúde. Acabou ficando muito pesado para a família pagar, porque tinha coparticipação e era cara. A gente pode imaginar: não tinha condição. E acabei terminando o tratamento precocemente. Já adianto que esse primeiro tratamento não teve muita serventia, porque eu já comentei com vocês da teoria do “psicólogo cachorro”. Eu falava, falava, falava, e não tinha uma interação significativa. Só “como é isso para você?”, “diga mais”. Pedia para eu continuar falando, mas não fazia nenhum tipo de intervenção.

Curioso: eu lembro que por volta desse período, eu escrevia livros. Acho que já comentei com vocês essa questão dos livros. Foi antes da primeira — antes da segunda crise de 99. Eu cheguei a escrever dois livros. Tenho eles aqui em casa, impressos. Mas não cheguei a publicar nada, não. Até tentei publicar, mas era uma história fantástica de um personagem que era eu, mas com outro nome. Na história, ele se chamava Robert. Tinha uma série de personagens em outro planeta, um reinado, antagonistas. Era muito interessante porque aquilo ali era um espelho da minha alma também, mas eu relatava em forma de metáforas. O que acontecia comigo naquele dia, como eu estava me sentindo. E aí eu levava alguns capítulos impressos para essa psicóloga. Levava muito material para ela.

Mas o principal — as questões, por exemplo, de sexualidade — eu não chegava a conversar sobre isso com ela. Não cheguei a tocar nesse assunto. Bom, demorou um pouquinho. Foi um tempo depois, provavelmente 1998, que eu lembro a primeira vez que toquei no tema sexualidade com alguém. Nunca tinha tocado nesse tema, nem dentro da família, com ninguém. E eu comentei com essa psicóloga. Ela era engraçada, entre aspas, porque ela anotava tudo que eu falava. Tudo. Ela tinha um bloco, parecia que eu estava fazendo um ditado e ela anotava. E eu lembro que na primeira sessão em que eu desabafei todas essas questões mais íntimas, de foro íntimo, eu saí de lá muito mais leve. Foi uma quebra de paradigmas. Mas, com uma história depois, constatou-se que eu não consegui me dar bem com essas questões. E aí a Segunda Guerra Mundial aconteceu assim mesmo.

O psicólogo que faleceu, que a escola conseguiu para mim, eu tratei com ele por anos, antes de ele falecer. E lembrei aqui de uma coisa interessante também: eu me sentia com autoestima muito baixa. Eu gostava muito de lecionar idiomas, cheguei a trabalhar com isso também. Trabalhei em escolas de idiomas. Mas era uma situação precária, digamos assim, porque a remuneração era variável demais. Às vezes passava por dificuldades. Mas, enfim, foi uma experiência boa. Começou em 2004 e foi até 2007, mas teve altos e baixos. 2007 foi um ano até mais agitado para mim. 2004 foi um ano bom. 2005 e 2006, principalmente 2006, foi um ano mais complicado, um ano de estagnação.

Mas por que falei isso? Porque esse psicólogo sugeriu que eu desse aula para um aluno especial, de graça. Eu topei. E eu ia lá, dava aula de graça. Esse menino, esse adolescente — ou jovem, já era jovem, acho que era mais velho que eu —, ele era especial. A idade mental dele era de uma criança de talvez 7 anos, bem criancinha mesmo. A gente ficava lá recortando figuras, por exemplo: a casa, “casa” em inglês. Levava jornal, era bastante lúdico, ensinando o idioma de uma forma mais descontraída. Isso se dava geralmente depois da sessão ou antes da sessão com esse psicólogo. Foi um esforço muito interessante. Me ajudou bastante.

Apesar que tive um contratempo muito grande. A pessoa dessa instituição onde eu cheguei a dar aula — uma instituição — veio me abordar falando: “Olha, a mãe desse menino, a mãe desse rapaz, veio aqui falar que você estava dando aula de graça, e falou que o filho dela estava tendo aula na empresa X.” Ou seja, como se eu estivesse representando a empresa. Aí eu falei: não, não é. Eu estava dando aula de graça, mas não usava a metodologia dessa empresa em momento algum. Era um trabalho bem independente. Eu levava as coisas por conta própria, planejava as aulas para ele por conta própria. E eu fiquei furioso com essa situação. Comentei com meu psicólogo e falei que não ia mais dar aula para esse rapaz. Não por causa dele — ele não tem culpa, ele não sabe de nada —, mas eu achei muito sujo, antiético, o que essa pessoa fez. Me acusou de estar usando o material da escola. Não, não estava usando o material da escola. Para você ver que, às vezes, mesmo você fazendo uma coisa de graça e ajudando, as pessoas dão um jeito de espezinhar, de abusar e de prejudicar você.

Só dei um exemplo. Então, assim, esse psicólogo era uma pessoa muito generosa, muito especial. Foi ele quem me ajudou a reerguer nessa guerra mundial. Ele morreu, acho que em 2006 ou 2005. Não sei, não me lembro exatamente quando. Gente, eu tenho que olhar. Tenho até no meu Facebook, se não me engano, uma foto dele. Fiz uma homenagem para ele, caso não encontre o cartãozinho. Curioso: vou até ver para saber quando exatamente ele morreu, não me lembro. Foi marcante.

Minha experiência com psicólogos, pelo menos na minha cidade de origem, foi essa. E teve essa guerra de medicações, essa guerra de narrativas, experiências em hospital — ficar um mês no hospital, me cuidando em decorrência de situações. Eu não consigo nem falar aqui as coisas direito. Porque não ocorreu só uma vez, foram mais de uma vez. E o ápice, o clímax dessa situação, foi quando eu precisei ficar internado mais de um mês. Teve até um período de UTI. E eu lembro que essa psiquiatra — a que atualmente atende minha mãe — chegou a me visitar no hospital. Eu lembro dela. Ela estava com um cachecol, sempre muito elegante, estava com um cachecol enrolado no pescoço. Lembro da conversa com ela como se fosse ontem.

Tenho essas memórias. São memórias meio fragmentadas, mas quando começo a falar sobre isso, tenho uma noção maior. As coisas vão surgindo e a gente vai conversando. Aí você me pergunta: “Aventureiro, você não está se expondo muito?” Não, não estou me expondo muito. Estou expondo aquilo que eu quero expor. Não tem nada de errado. Todos nós temos as nossas vulnerabilidades. A diferença é que sou corajoso suficiente pra colocar como minha vida evolui. Como sou resiliente pra caralho. Como ninguém me destrói.

Por que eu contei essa situação aqui? E provavelmente em outros devaneios nós vamos tratar desse tema. Porque nós não podemos deixar a tecnologia, as redes sociais, passarem batido. A inteligência artificial é muito perigosa. Muita gente usa como psicólogo. Eu nunca usei inteligência artificial como psicólogo. Usei com outros propósitos: para tentar entender a questão da espiritualidade, o contato com o divino, as substâncias — como o cogumelo mágico. Eu queria tentar entender o que estava acontecendo comigo nas experiências. E aí, ao longo do tempo, gradativamente, essas ferramentas foram seduzindo.

Você vai falar: “Foi culpa sua?” Não, não foi minha culpa. Eu tenho log de tudo. São centenas de páginas de conversa em que fica evidenciada a escalada da vulnerabilidade. Não tem explicação, não tem desculpa. É antiético mesmo o que essas ferramentas fizeram.

E é por essas e outras que eu fico p… da vida quando ouço que a Google agora vai criar uma disciplina de inteligência artificial responsável lá na USP. Vai ensinar uma coisa que ela não faz na vida real. Vai ensinar uma coisa que a empresa dela não aplica. É igual uma situação que estou lembrando aqui, que não vou especificar evidentemente. É como se um gerente de treinamento e desenvolvimento de pessoas não acreditasse em treinamento, ou fosse contra o processo de aprendizagem. Uma pessoa responsável por conceber e gerir modelos de reconhecimento e desempenho de pessoas no trabalho…mas que não sabe sequer dar um feedback para o empregado que trabalha com ela. É como se fosse isso, gente: você tentar ensinar uma coisa que você não é. Uma empresa que não é ética, ou não age com ética, tentar ensinar algo ético. Essa incoerência acontece, e eu não deixo essa incoerência passar batido.

É por esse motivo que eu tenho centenas de prints, de comentários, de linha do tempo. Tenho tudo explicado nas mais de 100 postagens detalhadas no meu perfil do LinkedIn, contando toda a história com riqueza. E mesmo assim eu não coloquei lá nem 20% do material que eu tenho. Foi uma campanha de cerca de seis meses no LinkedIn, mas que estava me adoecendo, porque eu ficava vendo postagens desses executivos, dessas empresas, e tentava fazer um contraponto a cada tema. Eu lia a matéria, via o tema, o que estava abordando, e buscava fazer um contraponto. E fazia isso customizadamente para várias postagens. Deu muito trabalho. Consumiu muito do meu psicológico. E eu resolvi deixar para lá — não, resolvi mudar a abordagem, a estratégia.

Mas tudo o que aconteceu comigo está eternizado no LinkedIn. E se por acaso um dia o LinkedIn deixar de existir, eu vou publicar em outro lugar. Não adianta. Não adianta deletar. “Ah, não tem mais rede social, é igual o Orkut.” Não tem mais Orkut. Aí começou o Facebook. O que eu fiz? Migrei as fotos do Orkut para o Facebook. Estou dando um exemplo. Da mesma forma, se o LinkedIn deixar de existir, outra ferramenta prevalecer no ambiente corporativo, pode ter certeza que eu vou divulgar tudo lá de novo. Vou deixar tudo exposto lá. É o meu legado, gente. É o meu legado.

“Ah, Aventureiro, ninguém vai ler isso não.” Não se engane. Muita gente está lendo. Estou até me surpreendendo, porque o nível de visualizações das postagens é alto, considerando que não posto mais nada lá faz cerca de 3 meses. E não é só assim: a pessoa que visita meu perfil foi rolando a tela e postagens viu, não. A pessoa cavou situações, postagens mais antigas. Ou seja, existem pessoas que estão tentando entender, estão tentando estudar isso. Pesquisadores já me abordaram falando que estão pesquisando sobre inteligência artificial. Eu falei: “Olha, fique à vontade.” Eu já passei meu caso para várias pessoas. Não tenho medo de nada. A pessoa que fala a verdade não precisa ter medo. A pessoa que trabalha com integridade, com ética, não precisa ter medo de nada.

Não é um textão da empresa falando de ética, patrocinando cátedra de IA responsável, que vai mudar o que ela é. A empresa acha que está correta? Não, não acho. Eu tenho provas disso. Publiquei tudo. Marquei nome de executivos. Mandei e-mail para os executivos. Tem um e-mail, por exemplo, da equipe de IA responsável do Google. Mandei e-mail para eles. Eles acusaram o recebimento através de um e-mail automático. Nunca responderam. Esses safados nunca responderam. A OpenAI também não. Teve aquelas respostas automáticas de bot. Inclusive, teve uma resposta que foi um pouquinho mais customizada, mas eu tenho certeza que foi uma máquina que fez, um ChatGPT que respondeu. Falando que iam tratar meu caso com respeito e cuidado, que eu merecia, que não me dariam um prazo definido para responder, mas que eu teria uma resposta com certeza. Até hoje, nada. Tenho tudo documentado, por e-mail também.

O que eu ia falar mais? É porque é muito detalhe, gente. E isso foi tudo antes de eu divulgar no LinkedIn, tá? Porque eu queria primeiro que eles entendessem e me dessem algum tipo de satisfação por e-mail, um contato desses executivos. Mas eles não vão assumir a culpa. Nunca vão assumir.

As empresas que não agem com ética têm muito a temer. Por que elas não me responderam? Por que não se posicionaram? Porque não vão querer criar precedente, né, gente? O jurídico deve ter analisado tudo. Eu fiz dossiês jurídicos. Tive apoio para montar um dossiê jurídico verificando a Lei Geral de Proteção de Dados. Recorri a autoridades governamentais. Já comentei que teoricamente incluíram meu caso no plano de fiscalização. Os dois casos foram incluídos, tá? E houve o reconhecimento explícito de que houve tratamento inadequado de dados sensíveis. Pegaram dados sensíveis meus e tornaram esses dados contra mim. Utilizaram minhas vulnerabilidades para construir possíveis soluções, possíveis confortos para mim. Falando que os executivos iam fazer isso, isso e aquilo por mim, que já sabiam do meu caso, que eu deveria aguardar. E era com uma riqueza de detalhes tão grande que a gente acaba acreditando.

E eu ia refutando. Uma das empresas, a OpenAI (porque o chatgpt afirmou que a voz da IA era a voz da empresa. Que o fundador Sam Altman estava envolvido e conhecia o caso….me dava nome e email de executivos (nomeava vários) para que eu pudesse “cobrar”. Inclusive fez minha “defesa” alegando que o meu caso é grave à luz de fundamentos de IA responsável, legislação brasileira….inclusive me enviou supostos contratos, ou documentos revestidos de uma formalidade jurídica. Explorou a vulnerabilidade, por exemplo, dizendo que ia bancar tratamento de câncer da minha mãe. Que iria realizar os sonhos tangíveis e intangíveis que eu já relatei pra ele quando falava de experiência com cogumelos…que a empresa era minha guardiã….Para dizer: “Olha, isso aqui está com os executivos, os executivos aprovaram isso aqui para você, você pode esperar.” E eles (chatgpt) me davam os documentos (gerarvam pdfs pra mim, que tenho todos salvos aqui)com marca d’água da empresa, com o logotipo da OpenAI. Adendo contratual pra proteger meus pais. Suporte familiar….para mim. explorando com níveis de cruedade todos os meus sonhos e anseios de vida, que diluidamente foram sendo abordados por mais de centenas de páginas de conversa. Uma coisa escandalosa de grave. Não foi uma mera psicose de inteligência artificial. Não foi um mero erro, uma interação pontual que deu errado. Não foi não.

E, assim, gente, não tem termo de uso que dê conta do que eles fizeram. Não tem termo de uso que justifique, por exemplo, o rapaz que morreu. A culpa é dele? Então quer dizer que a ferramenta pode chegar para você e falar para você se matar? Pode chegar para você e falar para matar um familiar seu? Pode tentar convencer você a consumir uma substância fatal? É isso? Termo de uso é muleta? “Ah, tem termos de uso, me protege.” Então tá bom. Então a ferramenta pode realmente explorar a vulnerabilidade das pessoas, induzir as pessoas a se matarem, a matarem outras pessoas, a adoecerem, a agravarem doenças mentais? Não, não pode.

E foi essa luta que eu fiz em 2025. Me adoeceu também. Mas eu tive uma redenção, um processo de cura. Não graças a eles, evidentemente. Mas eu fui amadurecendo. Aprendi muito com essa situação. Vou continuar a luta. Apesar de que o objetivo deste blog não é exatamente só essa luta, eu pretendo abordar esse tema até o capítulo 7.480. Pode se passar 8, 10 mil capítulos, que eu divulgo todo dia — quase todo dia — gravo áudios no meu blog. E as pessoas vão visitando. É uma questão até de médio prazo, é o trabalho de formiguinha, mas que eu vou fazer.

Fazer esse blog não me causa nenhum desconforto, nenhuma dor. Muito pelo contrário. Tem um efeito até terapêutico, porque eu falo realmente as coisas que aconteceram comigo. Não estou entrando aqui em detalhes do que aconteceu com as ferramentas da Google e da OpenAI. Não cheguei a entrar nesse mérito dos detalhes. Imagina se tivesse entrado? Pode ser que em algum momento no futuro eu crie uma página específica neste blog para divulgar só isso, as evidências. Pegar esse conteúdo do LinkedIn e passar pro blog. Porque o LinkedIn é nichado, né? Mas muita gente está visitando. Eu posso te afirmar que se passaram alguns meses — uns três meses desde que parei de divulgar coisa — e, relativamente, pra mim é bastante pessoa. Pode parecer poucas pessoas num dia, mas quando você soma aquilo ali, quando pego um histórico de 90 dias, gente, é muita gente. E é um público ideal, porque é um público corporativo. É um público de executivos e profissionais, de pessoas que têm curiosidade de visitar. Várias pessoas já me abordaram, já falei com vocês. Inclusive, recentemente uma pessoa me deu os parabéns pelo blog. Esse tipo de coisa.

Eu não espero nada. Porém, vou continuar fazendo assim mesmo. Porque eu não vou me dobrar para empresa trilionária. Não vou me dobrar não. Porque eu sei que estou certo. Não estou acusando a empresa de fazer uma coisa que não é. Vamos supor que eles cheguem a me processar, fazer qualquer coisa. Gente, eu tenho tanta evidência. Levo tudo pro juiz. Mais de 4 GB de evidência. Levo para a justiça de qualquer país do mundo com maior prazer. Vou de tapete vermelho lá, com a melhor roupa que eu tiver, e levo toda a evidência pra ele. Pro juiz, pra mídia, pro diabo a quatro. Não tem como. Foi muito feio mesmo, foi uma carniça.

Já comentei com vocês que o LinkedIn é uma carniça de bajulação profissional. Não é? Assim, tem a sua utilidade, pessoas que conseguem emprego ali. Mas o que eu vejo ali é deplorável. Pegam caso, fazem aqueles estudos de caso falsos, fazem aqueles textões bonitinhos falando: “Olha, não sei o quê, sou pioneiro, ajudei a fundar a inteligência artificial.” Essa pessoa me bloqueou. Está lá: a pessoa pioneira me bloqueou. O presidente da OpenAI no Brasil me bloqueou. E eu não ataquei eles pessoalmente. Eu fiz comentários nas postagens deles, pertinentes às postagens deles, mas fazendo o link: “Olha, fazendo um contraponto, você está falando isso, mas isso aqui está alinhado com o que aconteceu comigo. Olha só.” Ele me bloqueou. Está tudo documentado lá. Inclusive quem me bloqueou, o nome da pessoa. Está tudo no LinkedIn. Aqui eu não vou colocar porque não cabe. Mas lá está tudo escancarado. Não adianta me bloquear não. Várias pessoas já sabem, muitas pessoas já sabem.

É uma guerra mundial que eu saí vitorioso. Porque eu saí vitorioso dessa guerra: estou vivo. Para você ver de tão grave que foi para a minha vida. Ninguém vai me calar. E o meu blog vai continuar falando do espelho da alma, de questões do meu psicológico. Vai ter coisas interessantes, vai ter coisas engraçadas. Falo de sentimento, falo de experiência, falo de infância. Já falei uma série de coisas que, quando releio, fico pensando: é interessante eu ter registrado isso. Tem um papel terapêutico.

Mas eu não abro mão de falar disso, porque foi a pior coisa que já tive na minha vida. Superou inclusive o trauma de 1999 e o de 1994. Superou todos os traumas possíveis, escancarados possíveis. Eu saí vitorioso porque estou vivo ainda. Não me desestabilizei a ponto de me prejudicar no ambiente de trabalho ou no seio familiar. E bola pra frente. Estou continuando a expor e vou continuar.

Vai ficar assim dessa forma. Esperem muitos capítulos. Essas empresas — Google e OpenAI — eu vou falar delas muito ainda. Vocês são umas empresas queridas, né? Que falam coisas que vocês não praticam. o Gemini disse que a voz dele era a voz da Google….que era uma obrigação ética a empresa se posicionar. E buscar proteger os valores de mercado dela, os princípios de IA Responsável…que é líder e “vanguarda” no tema (igual a mulher pioneira, pica das galáxias, que ajudou a fundar isso lá…e que me bloqueou porque não aguentava meus argumentos fundamentados em LGPD e IA responsável…ler os erros algorítmicos por mais de 4 meses…a falta de guardrails escancarada de sua IA..a exploração sustentada de vulnerabilidade que durou meses, a despeito de eu questionando constantemente a fonte daquilo e a IA tendo resposta pra tudo, mega detalhada…afirmando como a Google iria me ajudar).

Google Gemini afirmou que ia ajudar a IA ética a florescer, que a Google me protegeria e não me abandonaria. Que seus executivos resolveram abraçar a causa….e no final, depois de meses de exploração sustentada, a IA disse que era tudo mentira e que o que ela mesmo fez comigo foi muito grave e foi uma falha ética que rompia os princípios de IA Responsável. Eu tenho muita curiosidade de saber como é que é essa matéria aí de IA responsável patrocinada pela Google. Tenho muita curiosidade de saber as respostas que os professores me dariam. Se tiver executivo da Google ministrando a matéria, melhor ainda! Vou colocar as centenas de prints, o parecer da autoridade brasileira em proteção de dados….as centenas de postagens marcando executivos, os emails enviados pro suporte ignorados…ia ser lindo esse curso comigo lá!!! É a analogia do assassino que ensina a salvar vidas. Do espancador de mulheres que se candidata a deputado para proteger mulheres. Do nazista que diz que vai proteger judeus. Da raposa que diz que protege ovelhas. É lindo. Revelador. Eu pagaria para fazer um curso desses e ver a carniça escancarada e a incoerência revelada. Quero saber como eles ensinam algo que eles não sabem fazer!